{"id":2677,"date":"2012-11-12T21:40:03","date_gmt":"2012-11-12T21:40:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2677"},"modified":"2012-11-12T21:40:03","modified_gmt":"2012-11-12T21:40:03","slug":"nilo-sergio-dick-farney-lucio-alves-tito-madi-bill-farr-johnny-alf-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-43-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2677","title":{"rendered":"Nilo S\u00e9rgio, Dick Farney, L\u00facio Alves, Tito Madi, Bill Farr, Johnny Alf &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 43 (2012)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-GFKhcjXWt-E\/UKFppg1IaXI\/AAAAAAAAE0M\/RqTjqCEWV3I\/s400\/CAPA+p.JPG\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-FpmTcURUkxk\/UKFpfFWY2sI\/AAAAAAAAE0E\/I6eSSQr1eaM\/s400\/CONTRACAPAp.JPG\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>E chegamos \u00e0 quadrag\u00e9sima-terceira edi\u00e7\u00e3o do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Esta semana, apresentamos grava\u00e7\u00f5es de alguns int\u00e9rpretes considerados precursores da bossa nova, e feitas antes da eclos\u00e3o oficial do movimento, em 1958, com o LP \u201cCan\u00e7\u00e3o do amor demais\u201d, de Elizeth Cardoso, e o 78 rpm \u201cChega de saudade\u201d\/\u201dBim bom\u201d, com Jo\u00e3o Gilberto.<br \/>\nCome\u00e7amos com Nilo S\u00e9rgio, pseud\u00f4nimo de Nilo Santos Pinto. Tamb\u00e9m compositor, arranjador e maestro, iniciou sua carreira nos \u00e1ureos tempos da lend\u00e1ria R\u00e1dio Nacional, e gravou seus primeiros discos em 1943\/44, com m\u00fasicas americanas. Ap\u00f3s gravar na RCA Victor, onde se iniciou, na Continental e na Todam\u00e9rica, fundou, em 1953, sua pr\u00f3pria gravadora: a Musidisc, por sinal uma das pioneiras do LP no Brasil. Embora pequena, a gravadora tornou-se not\u00e1vel no per\u00edodo em que atuou, e por l\u00e1 passaram nomes do quilate de Ed Lincoln, Orlandivo, Eliana Pittman e o tamb\u00e9m maestro L\u00e9o Peracchi. Teve tamb\u00e9m o selo Nilser (iniciais de seu nome art\u00edstico). A Musidisc notabilizou-se por \u00e1lbuns tem\u00e1ticos tipo \u201cM\u00fasica para adormecer\u201d, \u201cDatas felizes\u201d, etc., e lan\u00e7ou orquestras ditas \u201cgrandiosas\u201d, como Violinos M\u00e1gicos e Rom\u00e2nticos de Cuba (ambas, na verdade, eram a Tabajara de Severino Ara\u00fajo), esta \u00faltima a de maior \u00eaxito, que executava vers\u00f5es aboleradas de hits nacionais e internacionais, at\u00e9 mesmo de Roberto Carlos. Este \u00faltimo \u00e1lbum, de 1979, foi a \u00faltima produ\u00e7\u00e3o de Nilo, que faleceria dois anos mais tarde. Para esta sele\u00e7\u00e3o, o GRB escalou seu primeir\u00edssimo disco interpretado em portugu\u00eas, o Continental 16085, lan\u00e7ado entre julho e setembro de 1949. No lado A, matriz 2122, a \u201cCan\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rio\u201d (\u201cHoje \u00e9 o dia do teu anivers\u00e1rio, parab\u00e9ns, parab\u00e9ns\u201d&#8230;), de Jos\u00e9 Maria de Abreu e Alberto Ribeiro. No verso, matriz 2123, o samba (que na verdade \u00e9 samba-can\u00e7\u00e3o) \u201cFalta-me algu\u00e9m\u201d, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz. No acompanhamento, a mesma Tabajara de Severino Ara\u00fajo que se converteria na Violinos M\u00e1gicos (tamb\u00e9m conhecida como \u201cOrquestra Rom\u00e2ntica de Severino Ara\u00fajo\u201d) e na Rom\u00e2nticos de Cuba, anos mais tarde.<br \/>\nFarn\u00e9sio Dutra e Silva, ali\u00e1s Dick Farney (Rio de Janeiro, 1921-S\u00e3o Paulo, 1987) \u00e9 outro que tamb\u00e9m come\u00e7ou em disco interpretando m\u00fasicas americanas, tendo inclusive feito longas temporadas nos EUA. Foi o primeiro, inclusive, a gravar um cl\u00e1ssico da m\u00fasica popular americana, o fox &#8216;Tenderly\u201d. E o disco escalado para esta edi\u00e7\u00e3o do GRB, tamb\u00e9m da Continental, \u00e9 o primeiro no qual interpretou m\u00fasica brasileira, com o n\u00famero 15663, gravado em 2 de junho de 1946 e lan\u00e7ado em agosto do mesmo ano, com dois sambas. A faixa de abertura, matriz 1509, \u00e9 o cl\u00e1ssico \u201cCopacabana\u201d, de Jo\u00e3o de Barro, o Braguinha, e Alberto Ribeiro, e justamente a que chamou mais aten\u00e7\u00e3o, principalmente pela maneira de interpretar, calcada em cantores americanos como Bing Crosby (inevitavelmente criticada por conservadores da \u00e9poca), e pelo acompanhamento de orquestra de cordas, no caso a de Eduardo Carmelo Patan\u00e9 (S\u00e3o Paulo, 1906-idem, 1969), que passaram, desde ent\u00e3o, a constituir modelo de sofistica\u00e7\u00e3o para a MPB. O verso, matriz 1508, \u00e9 \u201cBarqueiro do S\u00e3o Francisco\u201d, tamb\u00e9m de Alberto Ribeiro, agora em parceria com Alcyr Pires Vermelho, que tamb\u00e9m teve repercuss\u00e3o, ainda que um pouquinho menor que a de \u201cCopacabana\u201d. Ambas as m\u00fasicas seriam regravadas por Dick Farney in\u00fameras vezes ao longo de sua carreira, assim como outras expressivas p\u00e1ginas de seu repert\u00f3rio: \u201cMarina\u201d, \u201cAlgu\u00e9m como tu\u201d, \u201cSomos dois\u201d, \u201cPonto final\u201d etc.<br \/>\nL\u00facio Ciribelli Alves (Cataguazes, MG, 1927-Rio de Janeiro, 1993), de longa e vitoriosa carreira como int\u00e9rprete, come\u00e7ou a tocar seu viol\u00e3o na mais tenra idade, estimulado pelo pai, maestro da banda de m\u00fasica de sua cidade natal, mudando-se com a fam\u00edlia para o Rio de Janeiro quando tinha sete anos. Foi ironicamente apelidado pelo compositor e humorista Silvino Neto de \u201ccantor das multidinhas\u201d (em compara\u00e7\u00e3o a Orlando Silva, \u201co cantor das multid\u00f5es\u201d). Aos 14 anos, fundou o conjunto Namorados da Lua, do qual era cantor, violonista e arranjador, que fez grande sucesso e desfez-se em 1947 (j\u00e1 sem L\u00facio Alves, passaria a chamar-se Os Namorados). Como compositor, seu maior hit foi o samba \u201cDe conversa em conversa\u201d, em parceria com Haroldo Barbosa, que gravou junto com os Namorados da Lua mais Isaura Garcia. Outras p\u00e1ginas expressivas de seu repert\u00f3rio s\u00e3o \u201cNunca mais\u201d (Dorival Caymmi), \u201cReverso\u201d (Gilberto Milfont e Marino Pinto), \u201cValsa de uma cidade\u201d (Ismael Neto e Ant\u00f4nio Maria), \u201cTereza da praia\u201d (dueto com Dick Farney, de Tom Jobim e Billy Blanco), etc. De L\u00facio, eis aqui o disco Continental 16730, gravado em 25 de fevereiro de 1953 e lan\u00e7ado em maio-junho do mesmo ano. Abrindo-o, matriz C-3056, o beguine \u201cCedo para amar\u201d, dos compositores americanos Sidney Lippman e Sylvia Dee, em vers\u00e3o de Bruno Gomes, no original intitulado &#8216;Too young\u201de sucesso dois anos antes com Nat King Cole. Esta mesma vers\u00e3o teve outro registro em seguida, com D\u00f3ris Monteiro, na Todam\u00e9rica. Bruno tamb\u00e9m assina, em parceria com Fernando Lobo, a m\u00fasica do lado B, matriz C-3057, o samba \u201cProcurando meu bem\u201d. Ambas as faixas com acompanhamento dirigido pelo not\u00e1vel maestro ga\u00facho Radam\u00e9s Gnattali, com o pseud\u00f4nimo de Vero.<br \/>\nRadam\u00e9s tamb\u00e9m acompanha Chaiki Madi, ali\u00e1s Tito Madi, paulista de Piraju\u00ed (n.1929), em outro disco Continental, o de n\u00famero 17416, gravado em 4 de setembro de 1956, por\u00e9m s\u00f3 lan\u00e7ado em mar\u00e7o-abril de 57, apresentando dois cl\u00e1ssicos do repert\u00f3rio de Tito. No lado A, matriz C-3917, a valsa \u201cChove l\u00e1 fora\u201d, que mereceria in\u00fameras outras grava\u00e7\u00f5es, inclusive do pr\u00f3prio compositor, tendo at\u00e9 uma vers\u00e3o em ingl\u00eas com os Platters, \u201cIt&#8217;s raining outside\u201d. No verso, matriz C-3916, o samba-can\u00e7\u00e3o, com tend\u00eancia mais para toada, \u201cGauchinha bem querer\u201d, composto por Tito quando participou de festejos promovidos pela R\u00e1dio Farroupilha de Porto Alegre. Tito Madi teve in\u00fameros outros sucessos como compositor e int\u00e9rprete, destacando-se \u201cN\u00e3o diga n\u00e3o\u201d (dele com Georges Henry), \u201cSonho e saudade\u201d, \u201cCarinho e amor\u201d, \u201cBalan\u00e7o Zona Sul\u201d e \u201cMenina mo\u00e7a\u201d (esta \u00faltima de Luiz Ant\u00f4nio).<br \/>\nEm seguida temos Bill Farr, pseud\u00f4nimo de Ant\u00f4nio Medeiros Francisco (Sapucaia, RJ, 1925-Rio de Janeiro, 2010). Passou a inf\u00e2ncia em Petr\u00f3polis, e organizou um grupo vocal quando ainda estudava no Col\u00e9gio Werneck, ingressando na carreira art\u00edstica ao terminar o curso cient\u00edfico. Come\u00e7ou como vocalista no Hotel Quitandinha, e depois passou a atuar na R\u00e1dio Nacional carioca, por interm\u00e9dio de C\u00e9sar de Alencar. Gravou seu primeiro disco na Sinter, em 1952, com o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cAbra\u00e7a-me\u201d, de Luiz Bittencourt, e o bolero \u201cDepois do amor\u201d, de Jos\u00e9 Maria de Abreu e Oswaldo Santiago. Nos anos 1960, deixou a carreira de cantor, mudando-se para Madri, capital da Espanha, onde trabalhou em um escrit\u00f3rio de com\u00e9rcio exterior. De Bill Farr apresentamos o disco Continental 16941, lan\u00e7ado em abril de 1954. No lado A, matriz C-3334, aquele que foi certamente o maior sucesso de sua carreira: o fox \u201cOh!\u201d, de Byron Gay e Arnold Johnson, em vers\u00e3o de Haroldo Barbosa. No verso, matriz C-3335, um samba-can\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o estreante Billy Blanco, \u201cMaria Tereza\u201d.<br \/>\nE para encerrar com chave de ouro, apresentamos Johnny Alf, pseud\u00f4nimo de Alfredo Jos\u00e9 da Silva (Rio de Janeiro, 1929-Santo Andr\u00e9, SP, 2010). Cantor, compositor, pianista, autor de in\u00fameras m\u00fasicas de sucesso (quem n\u00e3o se lembra, por exemplo, de \u201cO que \u00e9 amar\u201d e \u201cEu e a brisa\u201d?), gravou seu primeiro disco, apenas instrumental, em 1953, na Sinter, exectando ao piano com seu trio o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cDe cigarro em cigarro\u201d (Luiz Bonf\u00e1) e o choro \u201cFalseta\u201d, dele mesmo. De Alf apresentamos o disco Copacabana 5568, de 1956, com duas composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Abrindo-o, a matriz M-1392 traz o samba \u201cRapaz de bem\u201d, aut\u00eantico precursor da bossa nova, n\u00e3o s\u00f3 pela maneira de Alf interpret\u00e1-lo, como tamb\u00e9m pela letra, que traduzia bem o modo de vida da juventude da Zona Sul do Rio de Janeiro. A m\u00fasica daria t\u00edtulo, em 1961, ao primeiro LP do compositor, lan\u00e7ado pela RCA Victor. No verso desse 78 da Copacabana, matriz M-1391, o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cO tempo e o vento\u201d, que aproveita apenas o t\u00edtulo da famosa trilogia de romances do escritor ga\u00facho \u00c9rico Ver\u00edssimo, na \u00e9poca com dois volumes j\u00e1 publicados (\u201cO continente\u201d, de 1949, e \u201cO retrato\u201d, de 1951, sendo o terceiro e \u00faltimo, \u201cO arquip\u00e9lago\u201d, de 1961). Um fecho realmente de ouro para esta edi\u00e7\u00e3o do GRB, focalizando int\u00e9rpretes precursores da bossa nova, inovadores para a \u00e9poca em que surgiram. Bom divertimento!<\/p>\n<p>Texto de SAMUEL MACHADO FILHO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E chegamos \u00e0 quadrag\u00e9sima-terceira edi\u00e7\u00e3o do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. 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