{"id":3181,"date":"2013-06-24T23:49:41","date_gmt":"2013-06-25T02:49:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3181"},"modified":"2013-06-24T23:52:41","modified_gmt":"2013-06-25T02:52:41","slug":"elvira-paga-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-59-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3181","title":{"rendered":"Elvira Pag\u00e3 &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 59 (2013)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-S3ZzI9R4QqQ\/UckDXLzJJoI\/AAAAAAAAG00\/Wmktw5aAG2c\/s640\/CAPAp.JPG\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-LPeV1rnNevw\/UckDSE3gOXI\/AAAAAAAAG0s\/SLGi9p-GmRQ\/s640\/CONTRACAPAp.JPG\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/p>\n<div>E eis de volta o Grand Record Brazil, para alegria dos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Nesta quinquag\u00e9sima-oitava edi\u00e7\u00e3o, estamos trazendo de volta, mais uma vez gra\u00e7as ao esfor\u00e7o do amigo e colecionador Beto de Oliveira, parcela substancial da carreira-solo de Elvira Pag\u00e3.<\/div>\n<div>Nossa biografada, cujo nome de batismo era Elvira Olivieri Cozzolino, nasceu na cidade paulista de Itarar\u00e9, divisa de S\u00e3o Paulo com o Paran\u00e1, no dia 6 de setembro de 1920. Ainda pequena, mudou-se com a fam\u00edlia para o Rio de Janeiro, onde estudou num col\u00e9gio de freiras, o Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Ainda estudante, organizava com a irm\u00e3, Rosina, in\u00fameras festas onde travariam in\u00fameras rela\u00e7\u00f5es com o meio art\u00edstico da ent\u00e3o Capital da Rep\u00fablica, sobretudo com os integrantes do Bando da Lua. Ainda na d\u00e9cada de 1930, Rosina e Elvira atuaram em um espet\u00e1culo de inaugura\u00e7\u00e3o do Cine Ipanema, ao lado dos Anjos do Inferno. Nessa ocasi\u00e3o receberam, de Heitor Beltr\u00e3o, o apelido de Irm\u00e3s Pag\u00e3s (como a dupla ainda n\u00e3o tinha nome, Heitor a considerava \u201cpag\u00e3\u201d), que adotariam para o resto da vida.<\/div>\n<div>As Irm\u00e3s Pag\u00e3s se apresentaram em in\u00fameras emissoras de r\u00e1dio, como a Mayrink Veiga, e gravaram juntas um total de treze discos. Por quatro meses, excursionaram pela Argentina, Peru e Chile. Atuaram nos filmes\u00a0\u00a0\u201cAl\u00f4, al\u00f4, carnaval\u201d(1935), \u201cO bobo do rei\u201d, \u201cCidade-mulher\u201d (ambos de 1936), \u201cFavela\u201d (1939), \u201cLaranja da China\u201d (1940) e a produ\u00e7\u00e3o argentina \u201cTr\u00e9s anclados em Paris\u201d (1938).<\/div>\n<div>A dupla encerrou-se em 1940, com o casamento de Elvira, e ambas passam a seguir carreiras independentes. Elvira Pag\u00e3 tornou-se uma das maiores estrelas do teatro de revista, disputando com Luz del Fuego (Dora Vivacqua, Cachoeiro de Itapemirim, ES, 1917-Rio de Janeiro, 1967) o papel de destaque entre as mulheres brasileiras mais ousadas de seu tempo: foi a primeira a trajar biquini em Copacabana e, nos anos 1950, posou nua para uma foto, que distribuiu, vejam voc\u00eas, como cart\u00e3o de Natal! Elvira foi tamb\u00e9m respons\u00e1vel direta por uma das tentativas de suic\u00eddio do compositor Assis Valente (ele cortou os pulsos, mas foi salvo), ao cobrar dele uma d\u00edvida escandalosa de 4.000 cruzeiros. Sua beleza e sensualidade lhe fizeram a fama (e lhe causaram at\u00e9 mesmo in\u00fameras pris\u00f5es), tornado-a uma das \u201csex symbols\u201d mais cobi\u00e7adas da \u00e9poca. Seu f\u00e3 mais ardoroso era o perigos\u00edssimo bandido Carne Seca, cuja cela na pris\u00e3o estava abarrotada de fotos de Elvira, com destaque para uma na qual a vedete estava deitada sobre uma pele de on\u00e7a, e onde se lia a dedicat\u00f3ria: \u201cPara Carne Seca, um consolo de Elvira Pag\u00e3\u201d.\u00a0\u00a0Foi a primeira rainha do carnaval carioca \u2013 uma inova\u00e7\u00e3o nos festejos de Momo, que at\u00e9 hoje se mant\u00e9m. No cinema, participou dos filmes \u201cCarnaval no fogo\u201d e \u201cDomin\u00f3 negro\u201d, ambos de 1949, e \u201cAviso aos navegantes\u201d, de 1950, tamb\u00e9m fazendo pontas em \u201cVegas nights\u201d (1948) e \u201c\u00c9charpe de seda\u201d (1950).<\/div>\n<div>A partir dos anos 1970, passou a dedicar-se \u00e0 pintura, adotando um estilo esot\u00e9rico, mas n\u00e3o obteve muito destaque nessa atividade. Com a maturidade, Elvira foi se tornando misantropa e temperamental, evitando qualquer tipo de contato pessoal, principalmente com jornalistas e pesquisadores.<\/div>\n<div>Elvira Pag\u00e3 faleceu no Rio de Janeiro, em 8 de maio de 2003, fato este s\u00f3 divulgado tr\u00eas meses depois pela irm\u00e3, Rosina, ent\u00e3o residindo nos EUA.<\/div>\n<div>Como cantora-solo, Elvira gravou, em 78 rpm, doze discos com vinte e tr\u00eas m\u00fasicas, onze delas de sua pr\u00f3pria autoria (sendo a primeira delas o samba-jongo \u201cBatuca daqui, batuca de l\u00e1\u201d), entre 1944 e 1959. Desta produ\u00e7\u00e3o, o GRB apresenta 16 precios\u00edssimos fonogramas. Para come\u00e7ar, as m\u00fasicas de seu disco de estreia como solista, o Continental 15174, lan\u00e7ado em junho de 1944, apresentado os sambas \u201cArrastando o p\u00e9\u201d, de Peterpan e Afonso Teixeira, matriz 829, e \u201cSambur\u00e1\u201d, de Gad\u00e9 e Walfrido Silva, matriz 830. Em seguida,, os sambas de seu terceiro disco, tamb\u00e9m na ent\u00e3o \u201cmarca dos tr\u00eas sininhos\u201d, lan\u00e7ado em junho de 45 sob n\u00famero 15353: \u201cNa Feira do Cais Dourado\u201d, de N\u00e9lson Teixeira e N\u00e9lson Trigueiro, matriz 1112, e \u201cUm ranchinho na lua\u201d, de Babi de Oliveira, matriz 1111. Em dezembro de 1949, Elvira lan\u00e7a pela Star, para o carnaval de 50, disco 169, duas composi\u00e7\u00f5es de Sebasti\u00e3o Gomes e N\u00e9lson Teixeira: a \u201cMarcha do r\u00e9\u201d e o samba \u201cSangue e areia\u201d. Ainda de 1950, apresentamos o disco Star 217, com o bai\u00e3o \u201cVamos pescar\u201d, da pr\u00f3pria Elvira mais Valentim, e o bai\u00e3o \u201cSururu de capote\u201d, de Jos\u00e9 Cunha e Ramiro Guar\u00e1, refer\u00eancia a uma iguaria gastron\u00f4mica muito apreciada em Alagoas, em que o sururu, um molusco, \u00e9 cozido ainda dentro da concha com leite de coco, tomate, cheiro verde e outros temperos. Depois, retira-se o caldo e serve-se o sururu, tanto como petisco como refei\u00e7\u00e3o, acompanhado de muita pimenta, pir\u00e3o e pur\u00ea de macaxeira (\u201cSururu de capote\u201d deu t\u00edtulo at\u00e9 mesmo a uma m\u00fasica do alagoano Djavan, por ele gravada em seu primeiro \u00e1lbum, e \u00e0 banda que o acompanhava em seus shows).<\/div>\n<div>Para a folia de 1951, Elvira lan\u00e7a sob o selo Carnaval, da Star, disco 038, a marchinha \u201cA rainha da mata\u201d, dela pr\u00f3pria com Valentim (refer\u00eancia direta \u00e0 sua elei\u00e7\u00e3o para rainha do carnaval carioca, a primeira de longa dinastia) e o samba \u201cPau rolou\u201d, de S\u00e1tiro de Melo e Manoel Moreira. Ainda em 51, a mesma Star lan\u00e7a, com o n\u00famero 269, duas composi\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria Elvira: no lado A, o samba \u201dCassetete, n\u00e3o!\u201d, sem parceiro, ironizando os maus-tratos por ela sofridos em uma delegacia depois de uma de suas muitas passagens pela pol\u00edcia, dada sua postura, ent\u00e3o considerada imoral e agressiva por muitos. A m\u00fasica fez tanto sucesso que era cantada por travestis, que sofriam (como ainda hoje sofrem) persegui\u00e7\u00f5es policiais. Os \u201ctravecos\u201d, quando davam as caras com os homens da lei, cantavam a m\u00fasica imitando os trejeitos de Elvira! No verso desse disco, apareceu o bai\u00e3o \u201cSaudade que vive em mim\u201d, parceria dela com Valentim.<\/div>\n<p>Apresentamos depois as m\u00fasicas do \u00fanico 78 de Elvira Pag\u00e3 no selo Ritmos, para o carnaval de 1956, n\u00famero 20-0060, com duas composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias: a marchinha \u201cMarreta o bombo\u201d e o samba \u201cCondenada\u201d. Por fim, as m\u00fasicas de seu pen\u00faltimo disco, o Marajoara MA-10009, para o carnaval de 1959, tamb\u00e9m da pr\u00f3pria Elvira: a marchinha \u201cPapel pintado\u201d, matriz M-17, com parceria de Orlando Gazzaneo, e o samba \u201cVoc\u00ea partiu\u201d. Matriz M-18, que ela fez com Air\u00e3o Reis e N\u00e9lson de Oliveira. Enfim, \u00e9 com muita alegria que apresentamos esta retrospectiva de Elvira Pag\u00e3, e quem tiver as cinco m\u00fasicas que ainda faltam para completar sua discografia-solo, entre em contato com o amigo Beto pelo email:<a href=\"mailto:betodec39@yahoo.com.br\">betodec39@yahoo.com.br<\/a>, que ele est\u00e1 no aguardo!<\/p>\n<p>* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E eis de volta o Grand Record Brazil, para alegria dos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Nesta quinquag\u00e9sima-oitava edi\u00e7\u00e3o, estamos trazendo de volta, mais uma vez gra\u00e7as ao esfor\u00e7o do amigo e colecionador Beto de Oliveira, parcela substancial &hellip; <a href=\"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3181\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2171,11,13],"tags":[],"class_list":["post-3181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-elvira-paga","category-exclusivos-do-toque-musical","category-selo-grand-record-brazil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3181"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3183,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3181\/revisions\/3183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}