{"id":3297,"date":"2013-08-12T23:29:21","date_gmt":"2013-08-13T02:29:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3297"},"modified":"2013-08-12T23:30:19","modified_gmt":"2013-08-13T02:30:19","slug":"aracy-de-almeida-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-64-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3297","title":{"rendered":"Aracy De Almeida &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 64 (2013)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"color: inherit; font: normal normal normal 15px\/normal 'Helvetica Neue', Helvetica, Arial, sans-serif; font-style: inherit; font-weight: inherit; line-height: 1.625; border-style: solid; border-color: #dddddd; margin-top: 0.4em; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; clear: both; margin-bottom: 1.625em; border-width: 1px; padding: 6px;\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-25U9E2TceAE\/UgmYeSnUL3I\/AAAAAAAAHOc\/MtZd1vbRAzQ\/s640\/CAPAp.JPG\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-F1P39EnrwyU\/UgmYaDMDGsI\/AAAAAAAAHOQ\/Jcex8yCtIL4\/s640\/CONTRACAPAp.JPG\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/p>\n<div>\n<div>Muita gente se lembra de Aracy de Almeida apenas como a jurada ranzinza, implac\u00e1vel e exigente dos programas de calouros da televis\u00e3o\u00a0\u00a0(Chacrinha, S\u00edlvio Santos, etc.), sempre imperdo\u00e1vel. Mas era um tipo que for\u00e7ava mais para estimular a plateia a dar sonoras vaias, e o p\u00fablico, no fundo, a amava. Al\u00e9m disso, como cantora, a \u201cAraca\u201d escreveu um important\u00edssimo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria de nossa m\u00fasica popular. O pr\u00f3prio Noel Rosa (1910-1937) a considerava a melhor int\u00e9rprete de suas composi\u00e7\u00f5es, e foi quem primeiro a incentivou na carreira.<\/div>\n<div>\u00c9 justamente a Aracy-cantora que focalizamos nesta sexag\u00e9sima-quarta edi\u00e7\u00e3o do Grand Record Brazil. Aracy Teles de Almeida (ou d\u2019Almeida, como aparecia sem seus primeiros discos)nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de agosto de 1914, no sub\u00farbio do Encantado, no seio de uma fam\u00edlia evang\u00e9lica (era de confiss\u00e3o Batista).\u00a0\u00a0Tanto que come\u00e7ou sua carreira cantando no coro de sua igreja, e para ser tamb\u00e9m fiel ao samba, tamb\u00e9m se apresentava em festinhas, escola de samba e at\u00e9 terreiro de candombl\u00e9!<\/div>\n<div>Em 1932, levada por um amigo l\u00e1 mesmo do Encantado, Aracy apresentou-se pela primeira vez numa esta\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica, a R\u00e1dio Educadora do Brasil, interpretando a marchinha \u201cBom dia, meu amor\u201d, de Joubert de Carvalho, do repert\u00f3rio de C\u00e1rmen Miranda. Sua estreia em disco d\u00e1-se na Columbia, que, em janeiro de 1934, lan\u00e7a para o carnaval duas marchinhas por ela interpretadas: \u201cEm plena folia\u201d, de Julieta de Oliveira, e \u201cGolpe errado\u201d, de Jaci, uma em cada disco. No terceiro e \u00faltimo disco de Aracy nessa marca, j\u00e1 aparece um samba de seu amigo Noel, \u201cRiso de crian\u00e7a\u201d.\u00a0\u00a0Em 1935, vai para a RCA Victor, passando a lan\u00e7ar sucessos sobre sucessos, tanto de Noel (\u201cPalpite infeliz\u201d, \u201cTriste cu\u00edca\u201d, \u201cCansei de pedir\u201d, \u201c\u00daltimo desejo\u201d, \u201cS\u00e9culo do progresso\u201d) quanto de outros autores (Wilson Batista, Cyro de Souza, Ary Barroso etc). Grava tamb\u00e9m na Odeon, na Continental, na Polydor, na Sinter (e sua sucessora, a Philips), na Elenco, enfim, em v\u00e1rios selos, lan\u00e7ando tamb\u00e9m LPs e compactos. Outros de seus hits s\u00e3o \u201cN\u00e3o me diga adeus\u201d (Paquito, Luiz Soberano e Jo\u00e3o Corr\u00eaa da Silva), \u201cFez bobagem\u2019 (Assis Valente), \u201cLouco, ela \u00e9 seu mundo\u2019 (Wilson Batista e Henrique de Almeida), e mais os presentes nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, que comentaremos a seguir. Embora fosse mestra da g\u00edria e gostasse de frequentar a noite, Aracy n\u00e3o comentava sua vida sentimental.\u00a0Teve um romance com o goleiro Rey, do Vasco da Gama, seu time de cora\u00e7\u00e3o, e foi casada com um m\u00e9dico, do qual se separou amistosamente, sem filhos. Chamada de \u201cO samba em pessoa\u201d , receberia do estilista de moda Dener Pamplona de Abreu, seu grande amigo, um outro apelido, \u201cDama da Central\u201d, pois ela s\u00f3 viajava de trem, por medo de acidente de avi\u00e3o.\u00a0\u00a0\u201cAraca\u201d lia os melhores autores e gostava de um bate-papo inteligente.<\/div>\n<div>Nos anos 1950, Aracy praticamente fez sua base em S\u00e3o Paulo, mas sem abandonar seu querido Encantado (tanto que era tamb\u00e9m \u201cA dama do Encantado\u201d, t\u00edtulo de um \u00e1lbum que Ol\u00edvia Byington dedicou a ela).\u00a0\u00a0Sempre muito querida e reverenciada, apresentava-se nas melhores casas noturnas paulistanas e cariocas, e tornou-se uma esp\u00e9cie de musa de c\u00edrculos art\u00edsticos e sociais. Em 1954, por exemplo, foi-lhe oferecido um jantar comemorativo de seus 23 anos de carreira, do qual compareceu at\u00e9 mesmo o ent\u00e3o governador paulista Lucas Nogueira Garcez.<\/div>\n<div>Com o passar do tempo, a Aracy-cantora daria lugar \u00e0 Aracy-jurada. Sempre foi muito grata a S\u00edlvio Santos: \u201cBom patr\u00e3o, \u00e9 gente que sabe tratar. Esse \u00e9 em cima. Tudo que a gente quer, ele d\u00e1\u201d. Em 1988, Aracy tem um edema pulmonar e se interna em S\u00e3o Paulo, sendo transferida para o hospital do SEMEG, no bairro da Tijuca, em seu Rio de Janeiro natal. Ap\u00f3s dois meses em coma, recuperou a lucidez, mas, ap\u00f3s dois dias, a 20 de junho, tem um s\u00fabito aumento de press\u00e3o e vem a falecer,\u00a0\u00a0deixando infelizmente para as novas gera\u00e7\u00f5es apenas a imagem da jurada de TV.<\/div>\n<div>Pois nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, apresentamos dezesseis dos melhores momentos\u00a0\u00a0da Aracy cantora, que n\u00e3o pode nem deve ser esquecida,\u00a0\u00a0sendo ontem, hoje e sempre, \u201co samba em pessoa\u201d.\u00a0\u00a0Come\u00e7ando a sele\u00e7\u00e3o com o p\u00e9 direito, \u201cTenha penha de mim\u201d, de Cyro de Souza e Baba\u00fa, grava\u00e7\u00e3o Victor de 17 de agosto de 1937 lan\u00e7ada em novembro desse ano com o n\u00famero 34229-A, matriz 80596, e um dos maiores hits do carnaval de 38. Tamb\u00e9m da Victor e de um ano antes, \u00e9 a faixa seguinte, \u201cContentamento\u201d, de Bucy Moreira e Raul Marques, que ela gravou em\u00a0\u00a09 de setembro de 1936 com lan\u00e7amento em novembro seguinte, disco 34106-A, matriz 80215. A faixa seguinte, o samba-rumba ou sambatuque \u201cNasci para bailar, nasci para sambar\u201d, ostenta uma curiosidade: foi composta e gravada por Joel de Almeida na \u00e9poca em que ele morava na Argentina, per\u00edodo esse que ele pr\u00f3prio considerava o melhor de sua vida. Com letra em espanhol do pr\u00f3prio Joel e de Tasiro, recebeu vers\u00e3o por Fernando Lobo, que Aracy grava na Odeon em 19 de julho de 1948, com lan\u00e7amento em setembro desse ano sob n\u00famero\u00a0\u00a012876-A, matriz 8390. Um ano depois, Fernando Lobo escreveu novos versos para a m\u00fasica, e essa outra letra seria gravada por Marlene com o t\u00edtulo reduzido para \u201cNasci para bailar\u201d, e sem o nome de Tasiro no selo.\u00a0\u00a0Retornando \u00e0 Victor, temos uma dupla \u201cbraba\u201d, Ataulfo Alves e Wilson Batista, assinando \u201cEu n\u00e3o sou daqui\u201d, grava\u00e7\u00e3o de 3 de abril de 1941, lan\u00e7ada em julho do mesmo ano com o n.o 34757-A, matriz 52170. Wilson assina a faixa seguinte com Cyro de Souza, \u201cGanha-se pouco mas \u00e9 divertido\u201d, grava\u00e7\u00e3o de 2 de junho de 1941 lan\u00e7ada em agosto seguinte com o n.o 34780-A, matriz S-052232. Wilson Batista tamb\u00e9m fez com Rubens Soares \u201cG\u00eanio mau\u201d, que Aracy imortaliza na marca do cachorrinho Nipper na mesma sess\u00e3o de \u201cGanha-se pouco&#8230;\u201d e \u00e9 lan\u00e7ado em\u00a0\u00a0setembro do mesmo ano no disco 34787-A, matriz S-052230. N\u00e3o para por a\u00ed: tamb\u00e9m em 2 de junho de 1941 a \u201cAraca\u201d imortaliza \u201cFalta de sorte\u201d, de Geraldo Pereira e Marino Pinto, matriz S-052233, e ser\u00e1 o lado B de \u201cGanha-se pouco mas \u00e9 divertido\u201d. Em janeiro de 1953, Aracy lan\u00e7a na Continental, para o carnaval desse ano, outro samba, \u201cPor que \u00e9 que voc\u00ea chora?\u201d, de Bucy Moreira\u00a0\u00a0e do cantor Ary Cordovil, com o n\u00famero 16695-B, matriz C-3017. Retornando \u00e0 Victor, temos \u201cOh! Dona In\u00eas\u201d, da dupla Wilson Batista-Marino Pinto, grava\u00e7\u00e3o de 27 de mar\u00e7o de 1940 que vai para as lojas em junho com o n.o 34609-A, matriz 33364, disco do qual tamb\u00e9m foi escalado o verso, da mesma dupla, matriz 33365, \u201cBrigamos outra vez\u201d.\u00a0\u00a0\u201cMal agradecida\u201d, tamb\u00e9m de Wilson Batista, aqui com Bucy Moreira, por sinal neto da lend\u00e1ria Tia Ciata, \u00e9 gravado na Odeon pela \u201cAraca\u201d em 9 de junho de 1948, com lan\u00e7amento em julho sob n.o\u00a0\u00a012867-B, matriz 8378. Outro nome lend\u00e1rio do samba, Jo\u00e3o da Baiana, assina com o ex-pugilista Kid Pepe \u201cPra que tanto orgulho?\u201d, batucada que Aracy grava na Victor em 2 de outubro de 1939 e lan\u00e7a em novembro sob n.o 34518-B, matriz 33169, visando o carnaval de 40. A faixa seguinte \u00e9 um aut\u00eantico cl\u00e1ssico do mestre Ary Barroso: \u201cCamisa amarela\u201d, imortalizado pela \u201cAraca\u201d na mesma Victor em 31 de mar\u00e7o de 1939 com lan\u00e7amento em junho seguinte sob n.o\u00a0\u00a034445-A, matriz 33047, e que o pr\u00f3prio Ary considerava a melhor grava\u00e7\u00e3o deste seu samba. Temos depois a sens\u00edvel e comovente interpreta\u00e7\u00e3o de Aracy para a \u201ccan\u00e7\u00e3o regional\u201d \u201cMam\u00e3e baiana\u201d, de Xer\u00e9m e do teatr\u00f3logo Joracy Camargo, autor da famosa pe\u00e7a \u201cDeus lhe pague\u201d, imortalizada em 14 de fevereiro de 1940 com lan\u00e7amento em abril do mesmo ano com o n.o 34586-A, matriz 33322. Foi tamb\u00e9m escalada outra can\u00e7\u00e3o, constante do verso desse disco e gravada na mesma sess\u00e3o, matriz 33325: \u201cMinha saudade\u201d, concebida pelo violonista Laurindo de Almeida (1920-1995), que mais tarde passaria a residir nos EUA, onde desenvolveu uma carreira repleta de prest\u00edgio e pr\u00eamios. Encerrando esta sele\u00e7\u00e3o, um samba de Haroldo Barbosa, tamb\u00e9m jornalista, roteirista e produtor de programas de r\u00e1dio e televis\u00e3o, inclusive de cunho humor\u00edstico: \u201cQuando esse n\u00eago chega\u201d, grava\u00e7\u00e3o Odeon de 19 de julho de 1948, lan\u00e7ada em setembro desse ano com o n.o\u00a0\u00a012876-B, matriz 8389, o outro lado de \u2018Nasci para bailar, nasci para sambar\u201d. Uma sele\u00e7\u00e3o assinada, como se v\u00ea, por grandes autores, e que comprova a observa\u00e7\u00e3o feita pelo pesquisador Abel Cardoso J\u00fanior: \u201cSe Aracy de Almeida n\u00e3o perdoava falsos valores, \u00e9 porque ela mesma\u00a0\u00a0jamais deu ao p\u00fablico nada menos que o melhor\u201d. Ou\u00e7am e comprovem!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>*\u00a0Texto de SAMUEL MACHADO FILHO<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0.<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muita gente se lembra de Aracy de Almeida apenas como a jurada ranzinza, implac\u00e1vel e exigente dos programas de calouros da televis\u00e3o\u00a0\u00a0(Chacrinha, S\u00edlvio Santos, etc.), sempre imperdo\u00e1vel. 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