{"id":3380,"date":"2013-09-09T21:21:11","date_gmt":"2013-09-10T00:21:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3380"},"modified":"2013-09-10T07:46:09","modified_gmt":"2013-09-10T10:46:09","slug":"sep-9-a-musica-de-cartola-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-68-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3380","title":{"rendered":"A M\u00fasica De Cartola &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 68 (2013)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-zezV5UAvsFY\/Ui5hunmunjI\/AAAAAAAAHbk\/yz9_yeoNt2Q\/s640\/folder.jpg\" width=\"640\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-qqOwVeosYh4\/Ui5hp84pW6I\/AAAAAAAAHbc\/dpFAVNcMjYU\/s640\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/p>\n<div>Em sua sexag\u00e9sima-oitava edi\u00e7\u00e3o, o Grand Record Brazil nos brinda com as primeiras composi\u00e7\u00f5es gravadas de um grande nome do samba e da MPB. Estamos falando de Cartola. Angenor de Oliveira \u2013 que s\u00f3 por ocasi\u00e3o de seu casamento com Zica (Euz\u00e9bia Silva do Nascimento) descobriria que seu pr\u00e9-nome era Angenor e n\u00e3o Agenor, como vinha assinando \u2013 nasceu em 11 de outubro de 1908, na Rua Ferreira Viana n.o 9, no bairro do Catete, Rio de Janeiro. Era o primeiro dos oito filhos do primeiro casamento de Sebasti\u00e3o, com A\u00edda. Aos oito anos, foi morar na Rua das Laranjeiras e teve despertado seu interesse pela m\u00fasica no contato com ranchos e clubes de oper\u00e1rios e, ora, pois, pois, portugueses. Quando ele tinha 11 anos, a situa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia piorou, fazendo com que se mudasse para o morro da Mangueira, ent\u00e3o ainda com caracter\u00edsticas rurais e pouqu\u00edssimo habitado. A\u00ed conhece Carlos Cacha\u00e7a (1902-1999), marcando o in\u00edcio de uma estreita e duradoura amizade, inclusive na m\u00fasica, sendo parceiros de grandes sambas. O primeiro emprego de Cartola, primeiro de muitos trabalhos humildes, foi numa modesta tipografia. Na profiss\u00e3o de pedreiro, ele passou a usar um chap\u00e9u-coco a fim de proteger o cabelo do reboco, da\u00ed nascendo o pseud\u00f4nimo com que ficou para a posteridade. Com apenas 18 anos, amasia-se com Deolinda (que era casada, tinha uma filha e era sete anos mais velha que ele!). Integrado na roda dos batuqueiros, integra a forma\u00e7\u00e3o, anos depois, do Bloco dos Arengueiros, cujo maior prazer entre seus componentes era promover arrua\u00e7as, fazendo jus ao nome. Um dia, por\u00e9m, seus componentes concluem ser chegada a hora de acalmar os nervos, sem perder a finalidade musical. Assim nasceu, em 1928, a lend\u00e1ria Escola de Samba Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, cujas cores, verde e rosa, foram adotadas por sugest\u00e3o do pr\u00f3prio Cartola (eram as mesmas cores do Rancho dos Arrepiados, por ele frequentado no tempo em que morara na cidade).\u00a0\u00a0Entre 1929 e 1933 teve suas primeiras oito composi\u00e7\u00f5es gravadas, cinco por Francisco Alves , o maior cantor da \u00e9poca, uma por C\u00e1rmen Miranda, uma por S\u00edlvio Caldas e uma pelo iniciante Arnaldo Amaral. Essa primeira fase de m\u00fasicas gravadas seria interrompida, pois os rendimentos eram parcos, e Cartola dedicou-se apenas a compor para sua querida Mangueira, da qual se tornou figura lend\u00e1ria, lan\u00e7ando esporadicamente em disco um ou outro samba, inclusive gravando para o maestro Leopold Stokowski, em 1940, o samba \u201cQuem me v\u00ea sorrir\u201d (ou \u201cQuem me v\u00ea sorrindo\u201d), parceria com Carlos Cacha\u00e7a, registro que na \u00e9poca s\u00f3 saiu nos EUA.\u00a0\u00a0Nos anos\u00a0\u00a040, teve in\u00fameras dificuldades, tanto financeiras quanto pessoais, abalado pelo falecimento de sua Deolinda e gravemente doente. Nessa ocasi\u00e3o, Cartola se afasta da Mangueira e chega at\u00e9 a ser dado como morto. Em meados da d\u00e9cada de 1950, o jornalista e escritor S\u00e9rgio Porto o redescobre na pen\u00faria, como lavador de carros numa garagem de Ipanema. S\u00e9rgio anuncia a boa nova de que Cartola ainda vivia, e lhe arranja um emprego menos \u00e1rduo. Aos poucos, o mestre mangueirense come\u00e7a sua reintegra\u00e7\u00e3o ao meio musical. \u00c9 quando se casa com sua querida Dona Zica, bela cabrochinha de olhos brilhantes, e tamb\u00e9m ex\u00edmia e celebrada cozinheira. Ambos instalam, num antigo casar\u00e3o da Rua da Carioca, o lend\u00e1rio restaurante Zicartola, que funcionou de 1963 a 1965, tornando-se ponto de encontro de sambistas de morro com nomes ditos elitizados , dando tamb\u00e9m oportunidade para o surgimentos de novos valores, Cartola comandando o samba e Dona Zica o \u201crango\u201d. Entre suas composi\u00e7\u00f5es mais conhecidas destacam-se \u201cO sol nascer\u00e1\u201d, \u201cAs rosas n\u00e3o falam\u201d, \u201cAcontece\u201d, \u201cO mundo \u00e9 um moinho\u201d, \u201cSim\u201d e \u201cAlvorada\u201d. Entre 1974 e 1978, Cartola grava quatro LPs, dois pela Marcus Pereira e outros dois pela RCA, bastante elogiados pela cr\u00edtica e bem acolhidos pelo p\u00fablico. Cercado do respeito e reconhecimento gerais, faleceu em 30 de novembro de 1980, aos 72 anos, sendo seu corpo velado na sede da Mangueira com todas as homenagens, e sepultado no cemit\u00e9rio do Caju.<\/div>\n<p>Para esta edi\u00e7\u00e3o do Grand Record Brazil, foram selecionadas nove faixas, gravadas em 78 rpm.\u00a0\u00a0Abrindo esta sele\u00e7\u00e3o, temos a primeira composi\u00e7\u00e3o gravada de Cartola, \u201cQue infeliz sorte!\u201d, lan\u00e7ada pela Odeon em dezembro de 1929, na voz de Francisco Alves, disco 10519-A, matriz 3095. M\u00e1rio Reis chegou a adquirir os direitos de grava\u00e7\u00e3o deste samba por 300 mil-r\u00e9is, mas preferiu repass\u00e1-lo ao Rei da Voz. Em seguida, C\u00e1rmen Miranda, j\u00e1 ent\u00e3o \u201co maior nome feminino da fonografia nacional\u201d, interpreta \u201cTenho um novo amor\u201d grava\u00e7\u00e3o Victor de 11 de maio de 1932, lan\u00e7ada em julho seguinte sob n.o 33575-B, matriz 65486, com acompanhamento do mestre Pixinguinha, \u00e0 frente do Grupo da Guarda Velha.\u00a0\u00a0\u00c9 uma parceria de Cartola com Noel Rosa, n\u00e3o creditado no selo e na edi\u00e7\u00e3o. Vem tamb\u00e9m a ser o caso das faixas seguintes, interpretadas por Francisco Alves e por ele gravadas na Odeon: \u201cN\u00e3o faz, amor\u201d, grava\u00e7\u00e3o de 7 de julho de 1932, disco 10927-A, matriz 4481, e \u201cQual foi o mal que eu te fiz?\u201d, imortalizado pelo Rei da Voz em 30 de dezembro de 32 mas s\u00f3 lan\u00e7ado em maio de 1933 sob n.o 10995-B, matriz 4574. Noel e Cartola, sem dinheiro, procuraram Chico Alves no Largo do Maracan\u00e3 e lhe pediram algum. Chico concordou, desde que cada um fizesse um samba naquele momento. Foi a\u00ed que compuseram \u201cQual foi o mal que eu te fiz?\u201d, com toda a segunda parte de Noel, que nessa ocasi\u00e3o fez sozinho \u201cEstamos esperando\u201d, gravado por Chico em dupla com M\u00e1rio Reis. No dia 3 de janeiro de 1933, Francisco Alves retorna aos est\u00fadios da Odeon para gravar outro samba de Cartola, agora sem parceiro: \u201cDivina dama\u201d, que ser\u00e1 lan\u00e7ado logo em seguida com o n\u00famero 10977-B, matriz 4575, constituindo-se no maior sucesso da primeira fase de composi\u00e7\u00f5es gravadas do poeta mangueirense.\u00a0\u00a0A faixa seguinte, \u201cNa floresta\u201d, foi grava\u00e7\u00e3o de S\u00edlvio Caldas, parceiro de Cartola neste samba, em\u00a0\u00a013 de julho de 1932, matriz 65546, mas a Victor s\u00f3 o lan\u00e7ou em outubro de 33 com o n.o 33712-A. Isso em virtude de atritos entre S\u00edlvio e Francisco Alves. Bucy Moreira comp\u00f4s um samba chamado \u2018Foi um sonho\u201d, do qual Chico Alves gostava da letra, mas n\u00e3o da melodia. Ent\u00e3o o Rei da Voz encaixou a de \u201cNa floresta\u201d, deixando a letra de lado. Os versos seriam musicados e gravados por S\u00edlvio Caldas, e Francisco Alves, evidentemente, surtou e quis impedir o lan\u00e7amento do disco. Mas S\u00edlvio Caldas convenceu o Rei da Voz de que ele tinha comprado apenas a melodia: \u201cVoc\u00ea deixou a letra de lado e o Cartola precisa ganhar dinheiro!\u201d E Chico deixou os atritos tamb\u00e9m de lado&#8230;\u00a0\u00a0A faixa seguinte \u00e9 \u201cN\u00e3o posso viver sem ela\u201d, parceria de Cartola com Alceb\u00edades \u201cBide\u201d Barcelos, gravada na Odeon por Ataulfo Alves, \u00e0 frente de sua Academia de Samba, em 27 de novembro de 1941, com lan\u00e7amento bem em cima do carnaval de 42, fevereiro, sob n.o 12106-B, matriz 6870. Entretanto, o hit maior desse disco foi o cl\u00e1ssico \u201cAi, que saudades da Am\u00e9lia\u201d, de Ataulfo e M\u00e1rio Lago, que ofuscou esta aqui. O samba-can\u00e7\u00e3o \u201cGrande Deus\u201d foi composto por Cartola em 1946, quando contraiu meningite e demorou mais de um ano para se recuperar. Por\u00e9m, s\u00f3 em agosto de 1958 \u00e9 que a m\u00fasica foi lan\u00e7ada em disco, na voz do grande Jamel\u00e3o, pela Continental, sob n.o 17573-A, matriz C-4099. E, para encerrar mais este pequeno-grande programa do GRB, o samba \u201cFesta da Penha\u201d, parceria de Cartola com Asobert (pseud\u00f4nimo e anagrama de Adalberto Alves de Souza). Foi gravado em 1958 por Ary Cordovil para o extinto selo Vila, em disco de n\u00famero 10003-A, matriz V-7801-A. A festa em quest\u00e3o acontecia todo ano no m\u00eas de outubro, com romaria de fi\u00e9is\u00a0\u00a0percorrendo o longo caminho at\u00e9 a igreja (com escadaria e tudo), que at\u00e9 hoje fica bem em cima do morro da Penha, numa demonstra\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e oportunidade para apresenta\u00e7\u00e3o de novas m\u00fasicas, sempre com um olho profano em dire\u00e7\u00e3o ao carnaval. Esta \u00e9 a homenagem do GRB ao mestre Cartola, nome que tem seu lugar garantido entre os imortais de nossa m\u00fasica popular.<\/p>\n<p>* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua sexag\u00e9sima-oitava edi\u00e7\u00e3o, o Grand Record Brazil nos brinda com as primeiras composi\u00e7\u00f5es gravadas de um grande nome do samba e da MPB. Estamos falando de Cartola. 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