{"id":3385,"date":"2013-09-10T08:40:09","date_gmt":"2013-09-10T11:40:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3385"},"modified":"2013-09-10T08:40:09","modified_gmt":"2013-09-10T11:40:09","slug":"jacare-choro-frevado-1985","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3385","title":{"rendered":"Jacar\u00e9 &#8211; Choro Frevado (1985)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-r-IjqjFO_6I\/Ui76BkyvRzI\/AAAAAAAAHcU\/K7DnoKLlqhs\/s640\/capap.JPG\" width=\"640\" height=\"625\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-ifnzcZ_tnME\/Ui7562joRMI\/AAAAAAAAHcM\/XtTD7CYiDG8\/s640\/contrap.JPG\" width=\"640\" height=\"638\" \/><\/p>\n<p>Bom dia, amigos cultos e ocultos! Eis aqui um disco que eu descobri recentemente. Na verdade eu o adquiri em um lote de disco que comprei em um sebo no Recife. H\u00e1 tempos esse disco est\u00e1 esperando uma oportunidade de ser apresentado aqui. Hoje eu resolvi post\u00e1-lo e porque n\u00e3o dizer, conhec\u00ea-lo melhor. Confesso que me surpreendi. Ali\u00e1s, quando se trata de artistas nordestinos eu geralmente me surpreendo, pois a turma l\u00e1 pra cima tem uma musicalidade \u00edmpar.<br \/>\nTemos aqui o &#8216;Jacar\u00e9&#8217;, apelido de Antonio da Silva Torres, um genial instrumentista e compositor pernambucano. M\u00fasico nato, que veio a ser descoberto, tardiamente, pelo violonista Maur\u00edcio Carrilho na d\u00e9cada de 80. Gravou apenas este disco atrav\u00e9s de um projeto cultural patrocinado pela Prefeitura da Cidade do Recife e Funarte, o Projeto Nelson Ferreira, que buscava registrar e promover a boa m\u00fasica \u00a0feita na regi\u00e3o e seus artistas. O disco de Jacar\u00e9 foi o segundo volume de uma s\u00e9rie do qual eu s\u00f3 conhe\u00e7o este lp. Com apoio e produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Maur\u00edcio Carrilho, o disco foi lan\u00e7ado em 1985. Como se trata de uma produ\u00e7\u00e3o cultural, certamente o n\u00famero de c\u00f3pias (discos) foi pequena, insuficiente para apresentar o artista aos quatro cantos do pa\u00eds. Mesmo assim j\u00e1 valeu o esfor\u00e7o, o registro para a posteridade. Mesmo de maneira t\u00edmida, este trabalho permaneceu. A Funarte, pelo que sei, chegou at\u00e9 a relan\u00e7\u00e1-lo em formato cd. Este \u00e9 mais um daqueles \u00e1lbuns que a gente precisa mesmo conhecer. Na verdade, n\u00e3o s\u00f3 o disco, mas tamb\u00e9m o artista. Para melhor apresent\u00e1-los, vou tomar aqui emprestado o texto do jornalista Marcos Toledo, publicado no Jornal do Commercio do Recife, h\u00e1 12 anos atr\u00e1s:<\/p>\n<div><i>Ant\u00f4nio da Silva Torres \u00e9 o nome que est\u00e1 nos seus documentos. Mas nem pelo seu famoso apelido, Jacar\u00e9, talvez voc\u00ea o reconhe\u00e7a. Quem curte o ritmo do choro, contudo, encontrar\u00e1 entre a pouco variada discografia dispon\u00edvel em CD um \u00e1lbum desse cavaquinista de 72 anos, natural do bairro do Cordeiro, Recife. O talento de Jacar\u00e9, reconhecido por instrumentistas de renome nacional, n\u00e3o corresponde ao modo como ele vive hoje, relevado e desmotivado, levando a vida a animar rodas de chor\u00f5es pelos bares da vida. Ainda assim, o m\u00fasico tem um projeto de lan\u00e7ar mais um disco de in\u00e9ditas, que j\u00e1 conta com o apoio do violonista e produtor Maur\u00edcio Carrilho.<\/i><\/div>\n<div><i>Ainda crian\u00e7a, ele tomou gosto pelo cavaquinho. O pai, Josias Ol\u00edmpio Torres, era barbeiro e tamb\u00e9m violonista. \u201cEle levava muitos amigos para tocar l\u00e1 em casa\u201d, lembra Jacar\u00e9. Antes de se tornar um profissional da m\u00fasica, o cavaquinista trabalhou como auxiliar do alfaiate Arlindo Melo, que era tamb\u00e9m cantor de boleros e lhe deu o apelido pelo qual ficou conhecido at\u00e9 hoje. Seguiu, paralelamente, na alfaiataria e tocando o instrumento.<\/i><\/div>\n<div><i>A vida do m\u00fasico come\u00e7ou a ficar meio incerta com a morte dos pais. Sentindo-se sozinho, entrou para um circo e foi parar em Campina Grande, na Para\u00edba. \u201cDepois, quiseram ir para o Peru mas eu n\u00e3o quis\u201d, recorda.<\/i><\/div>\n<div><i>De volta a Pernambuco, Jacar\u00e9 voltou a ser alfaiate, j\u00e1 de maneira aut\u00f4noma. Em sua mente, havia um outro objetivo: tocar no r\u00e1dio, talvez, o que havia de melhor em termos de trabalho para um m\u00fasico, naquela \u00e9poca. \u201cAqueles sonhos bestas que a gente tem\u201d, define o artista, com um pouco de ressentimento.<\/i><\/div>\n<div><i>O sonho, o cavaquinista come\u00e7ou a realizar quando, mais uma vez, foi para o interior. No munic\u00edpio de Limoeiro, onde viveu por quatro anos, conseguiu uma vaga para atuar no regional da R\u00e1dio Difusora local. L\u00e1, seu padrinho de crisma, Galba Bittencourt, sugeriu que voltasse ao Recife para tocar na R\u00e1dio Clube. Era o ideal de Jacar\u00e9 participar de um conjunto em uma grande r\u00e1dio da capital e ele resolveu arriscar. \u201cEstava ansioso e n\u00e3o tinha compromisso com mulher\u201d, conta.<\/i><\/div>\n<div><i><b>TRABALHO PR\u00d3PRIO \u2013<\/b>\u00a0Foram seis anos. Primeiramente, integrando o regional de Martinho da Sanfona e, depois, o famoso do saxofonista Felinho. A experi\u00eancia, logo se transformou na primeira oportunidade \u2013 por interm\u00e9dio do radialista Aldemar Paiva \u2013 de Jacar\u00e9 gravar seu primeiro disco, um compacto duplo pelo selo Mocambo, da gravadora Rozenblit.<\/i><\/div>\n<div><i>O instrumentista explica que come\u00e7ou a compor porque \u201cn\u00e3o gostava de tocar m\u00fasica dos outros\u201d. Assim, faturou o primeiro lugar com uma de seus temas num concurso do programa\u00a0C\u00e9u e Inferno, da R\u00e1dio Clube. \u201cD\u00e1 um trabalho danado fazer m\u00fasica\u201d, afirma. \u201cTenho que estar muito tranq\u00fcilo, com a cabe\u00e7a tranq\u00fcila.\u201d<\/i><\/div>\n<div><i>O estilo de interpreta\u00e7\u00e3o de Jacar\u00e9 \u00e9, at\u00e9 hoje, elogiado por diversos m\u00fasicos brasileiros especialistas em choro. O que sempre dificultou a sua afirma\u00e7\u00e3o como compositor \u00e9 o fato dele n\u00e3o ler nem escrever m\u00fasica. O cavaquinista conta que sua av\u00f3, organista de igrejas, at\u00e9 que insistiu para que ele aprendesse. \u201cMas eu era menino\u201d, tenta justificar. O talento de Jacar\u00e9, no entanto, era latente desde crian\u00e7a. \u201cMeu irm\u00e3o come\u00e7ou antes de mim, mas o pessoal s\u00f3 queria que eu tocasse. A\u00ed, ele desistiu.\u201d<\/i><\/div>\n<div><i>Jacar\u00e9, ent\u00e3o, criou suas pr\u00f3prias m\u00fasicas como aprendera a executar a de virtuoses do seu instrumento, como Waldir Azevedo: por ouvido. Assim, idealizou as 13 composi\u00e7\u00f5es que formam seu \u00fanico \u00e1lbum,\u00a0Choro Frevado, lan\u00e7ado pela primeira em 1985, como segundo volume do Projeto Nelson Ferreira, da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura da Cidade do Recife, com apoio da Funarte. A produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e v\u00e1rios arranjos s\u00e3o assinados pelo violonista Maur\u00edcio Carrilho.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div align=\"left\">Depois que deixou de ser m\u00fasico nas r\u00e1dios, Jacar\u00e9 ainda integrou conjuntos de bom n\u00edvel que se apresentavam em hot\u00e9is nos bairros da Boa Vista (S\u00e3o Domingos) e Boa Viagem (Casa Grande &amp; Senzala). \u201cEra com carteira assinada\u201d, lembra. \u201cEu ganhava mais do que na r\u00e1dio.\u201d A experi\u00eancia no setor hoteleiro, no entanto, n\u00e3o chegou a uma d\u00e9cada.<\/div>\n<div>Ap\u00f3s esse per\u00edodo, o m\u00fasico come\u00e7ou a amargar a falta de espa\u00e7o para atuar. Os bares, \u00faltimo reduto dos chor\u00f5es, j\u00e1 n\u00e3o abre tanto espa\u00e7o para esse ritmo secular. As gravadoras, muito menos. \u201cEst\u00e1 t\u00e3o horr\u00edvel, que eu saio todo dia atr\u00e1s da m\u00fasica. Eu, um (int\u00e9rprete de) viol\u00e3o e um (de) pandeiro. Quando eles n\u00e3o v\u00eam, eu vou s\u00f3\u201d, diz, parafraseando um samba sem querer.<\/div>\n<div>Do seu \u00fanico \u00e1lbum, reeditado em CD, Jacar\u00e9 afirma que recebeu 100 c\u00f3pias para divulga\u00e7\u00e3o e apenas R$ 34 relativo a direitos autorais. Se j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil para o m\u00fasico brasileiro que tem suas m\u00fasicas devidamente editadas receber seus\u00a0royalties, imagine para o cavaquinista pernambucano, que nunca teve suas m\u00fasicas editadas, n\u00e3o tem conta no banco e cujo endere\u00e7o \u00e9 informa\u00e7\u00e3o para poucos.<\/div>\n<div>Um pouco amargurado, Jacar\u00e9 vive hoje modestamente de aluguel numa pequena casa conjugada no bairro de Salgadinho (Olinda). Ele a atual esposa, Maria Jos\u00e9, que canta em corais. Para ach\u00e1-lo, somente por interm\u00e9dio de amigos como o violonista Henrique Annes que, quando recebe convites para tocar em outras cidades \u2013 Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo \u2013, tenta levar o cavaquinista.<\/div>\n<div>Mesmo sem muita esperan\u00e7a, na \u00faltima vez que esteve no Rio de Janeiro \u2013 em janeiro deste ano, durante um festival que homenageou os 100 anos do choro \u2013 gravou quatro novas composi\u00e7\u00f5es no est\u00fadio da gravadora Acari, de Maur\u00edcio Carrilho e Luciana Rabello.<\/div>\n<div>O instrumentista garante que tem mais composi\u00e7\u00f5es e espera contar com apoio de algum \u00f3rg\u00e3o cultural do governo para realizar o que seria seu segundo \u00e1lbum. Ele conta que, quando viaja, sente-se mais inspirado a compor. \u201c A gente se esquece dos problemas\u201d, explica. Na mesma viagem ao Rio, no in\u00edcio do ano, fez o choroTricolor, uma homenagem ao clube Santa Cruz.<\/div>\n<div>Contatado por telefone, o m\u00fasico e produtor Maur\u00edcio Carrilho confirmou que est\u00e1 com as quatro faixas gravadas por Jacar\u00e9 arquivadas e que, assim que o m\u00fasico pernambucano tiver as outras m\u00fasicas prontas, pode avis\u00e1-lo. \u201cA gente manda as passagens para ele vir gravar\u201d, garantiu.<\/div>\n<div>At\u00e9 l\u00e1, quem quiser ouvir os choros de Jacar\u00e9, al\u00e9m do disco, pode conferi-lo, ao vivo, em bares do Recife Antigo, como o Hist\u00f3ria e o Scotch.<\/div>\n<p>Obs.: Jacar\u00e9 faleceu em 2005<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">galho seco<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">saudade de limoeiro<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">goianinha<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">jacar\u00e9 de saiote<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">silvana<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">vai e vem<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">jacar\u00e9 voador<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">jacarezinho<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">chorinho cai\u00e7ara<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">pro herminio<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">sem rancor<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">jaciara<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">saudoso cavaquinho<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom dia, amigos cultos e ocultos! 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