{"id":3406,"date":"2013-09-16T22:17:37","date_gmt":"2013-09-17T01:17:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3406"},"modified":"2013-09-16T22:17:37","modified_gmt":"2013-09-17T01:17:37","slug":"a-musica-de-nelson-cavaquino-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-69-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3406","title":{"rendered":"A M\u00fasica De Nelson Cavaquino &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 69 (2013)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-ymfIbznfvFM\/UjeqI8xgHiI\/AAAAAAAAHeU\/wJS51c1LjlM\/s640\/CAPAP.JPG\" width=\"640\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-WvSp88rY-0A\/Ujep7vQtObI\/AAAAAAAAHeM\/bT9S5TPPWNA\/s640\/CONTRACAPAP.JPG\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/p>\n<div>Depois de Cartola, na semana passada, o Grand Record Brazil, em sua sexag\u00e9sima-nona edi\u00e7\u00e3o, homenageia mais um nome que faz parte da hist\u00f3ria da Mangueira, e, por tabela, do samba e da MPB: N\u00e9lson Cavaquinho.<\/div>\n<div>N\u00e9lson Ant\u00f4nio da Silva, seu nome verdadeiro, nasceu no dia 29 de outubro de 1911, na Rua Mariz e Barros, no bairro carioca da Tijuca. Seu pai, o Sr. Br\u00e1s Ant\u00f4nio da Silva,\u00a0\u00a0era m\u00fasico da Banda da Pol\u00edcia Militar, tocava tuba, e seu tio Elvino era ex\u00edmio violinista, e tamb\u00e9m organizava rodas de samba em sua casa. A m\u00e3e de N\u00e9lson,\u00a0\u00a0a sra. Maria Paula da Silva, foi lavadeira do Convento de Santa Tereza. Por volta de 1919, a fam\u00edlia, fugindo do aluguel, muda-se para a Lapa, ocasi\u00e3o em que N\u00e9lson\u00a0\u00a0frequenta a escola prim\u00e1ria Evaristo da Veiga, abandonando o curso para trabalhar como eletricista. Nesse bairro bo\u00eamio carioca, fez amizade com os \u201cvalentes\u201d de ent\u00e3o, Brancura, Edgar e Camisa Preta.\u00a0\u00a0Na adolesc\u00eancia, transferiu-se para\u00a0\u00a0o sub\u00farbio de Ricardo de Albuquerque, para finalmente se estabelecer em uma vila oper\u00e1ria na G\u00e1vea.\u00a0\u00a0Ali, frequenta os bailes dos clubes Gravat\u00e1, Carioca Musical e Chuveiro de Ouro, conhecendo m\u00fasicos decisivos em sua forma\u00e7\u00e3o, alguns deles\u00a0\u00a0empregados de uma f\u00e1brica de tecidos local, tais como Edgar Flauta da G\u00e1vea, Heitor dos Prazeres, Mazinho do Bandolim e o violonista Juquinha, de quem receberia li\u00e7\u00f5es de cavaquinho, .da\u00ed nascendo o pseud\u00f4nimo com que ficaria para a posteridade: N\u00e9lson Cavaquinho. J\u00e1 na maturidade, optaria pelo viol\u00e3o, desenvolvendo um estilo inimit\u00e1vel de toc\u00e1-lo, usando apenas dois dedos da m\u00e3o direita.<\/div>\n<div>Em 1931, com apenas 20 anos de idade, N\u00e9lson conhece\u00a0\u00a0Alice Ferreira Neves, com quem se casa meses depois, da uni\u00e3o resultando quatro filhos. Em seguida, gra\u00e7as a seu pai, consegue um emprego na Pol\u00edcia Militar, fazendo rondas noturnas a cavalo. E \u00e9 durante essas rondas, montado no seu querido \u201cVov\u00f4\u201d, que conhece\u00a0\u00a0e passa a frequentar o morro da Mangueira, travando contato com sambistas como Cartola e Carlos Cacha\u00e7a. Isso lhe rendeu v\u00e1rias deten\u00e7\u00f5es, pois passava dias sem ir ao quartel, em decorr\u00eancia da boemia. O ambiente da pris\u00e3o era tranquilo, e ele ficava l\u00e1 compondo&#8230; Em 1938, antes de ser expulso da pol\u00edcia, consegue dar baixa\u00a0\u00a0e, separado da mulher e afastado dos filhos, ingressa definitivamente na boemia e na m\u00fasica, mudando-se para o morro da Mangueira em 1952. Teve diversos outros relacionamentos at\u00e9 finalmente, no in\u00edcio dos anos 1960,\u00a0\u00a0encontrar Durvalina, 30 anos mais nova que ele, com quem viveria pelo resto de sua exist\u00eancia.\u00a0\u00a0Entre suas mais de 400 composi\u00e7\u00f5es, v\u00e1rias\u00a0\u00a0em parceria com Guilherme de Brito, destacam-se: \u201cRugas\u201d, \u201cDegraus da vida\u201d,\u00a0\u00a0\u201cLuz negra\u201d, \u201cA flor e o espinho\u201d, \u201cPranto de poeta\u201d, \u201cQuando eu me chamar saudade\u201d, \u201cJu\u00edzo final\u201d, \u201cCuidado com a outra\u201d e \u201cEu e as flores\u201d.\u00a0\u00a0Eram can\u00e7\u00f5es feitas com extrema simplicidade, e letras quase sempre remetendo a quest\u00f5es como o viol\u00e3o, botequins, mulheres e, principalmente, a morte. Que, inevitavelmente, aconteceria na madrugada de 18 de fevereiro de 1986, aos 74 anos, de enfisema pulmonar.\u00a0\u00a0Como int\u00e9rprete, estreou em disco no ano de 1966, gravando algumas faixas em um \u00e1lbum que a cantora Thelma\u00a0\u00a0Costa dedicou \u00e0 sua obra. Depois, em 1970, viria seu primeiro LP-solo, \u201cDepoimento do poeta\u201d, pela Castelinho (que n\u00e3o passou desse disco!). O segundo viria dois anos mais tarde, pela RCA, primeiro volume da S\u00e9rie Documento, e o terceiro pela Odeon, em 1973.\u00a0\u00a0Tamb\u00e9m participou, em 1977, do \u00e1lbum da RCA \u201dQuatro grandes do samba\u201d, ao lado de seu mais constante parceiro, Guilherme de Brito, mais Candeia e Elton Medeiros.<\/div>\n<div>Nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, apresentamos dez grava\u00e7\u00f5es originais em 78 rpm, com sambas de N\u00e9lson Cavaquinho interpretados por v\u00e1rios cantores e feitos com parceiros diversos. Abrindo a sele\u00e7\u00e3o, \u201cPalavras malditas\u201d, feita com seu mais constante parceiro, Guilherme de Brito, grava\u00e7\u00e3o de Ary Cordovil na Todam\u00e9rica em 6 de setembro de 1957, disco TA-5724-B, matriz TA-100091, que seria regravada em 2011 por Beth Carvalho.\u00a0\u00a0Ary tamb\u00e9m canta \u201cCheiro de vela\u201d, de N\u00e9lson com\u00a0\u00a0Jos\u00e9 Ribeiro (faixa 3), lan\u00e7ada no extinto selo Vila em 1958 (ou 61, n\u00e3o h\u00e1 certeza), disco 10003-B, matriz V-7801-B. Ruth Amaral, tamb\u00e9m compositora, interpreta outras duas faixas nesta sele\u00e7\u00e3o, ambas em grava\u00e7\u00f5es Columbia: \u201cCinzas\u201d, de N\u00e9lson e Guilherme mais Renato Gaetani, lan\u00e7ada em novembro de 1955 sob n.o CB-10210-A, matriz CBO-584, e \u201cGar\u00e7a\u201d, s\u00f3 de N\u00e9lson e Guilherme, lan\u00e7ada pouco antes, em maio desse ano, com o n.o CB-10192-A, matriz CBO-192 (faixa 5). A faixa\u00a0\u00a04 traz tamb\u00e9m a regrava\u00e7\u00e3o de Nerino Silva para \u201cCinzas\u2019, lan\u00e7ada pela Chantecler em janeiro de 1963, disco 78-0677-B, matriz C8P-1354. \u201cNegaste um cigarro\u201d, parceria de N\u00e9lson Cavaquinho com Jos\u00e9 Batista, foi gravada em fins de 1962 por Orlando Gil em outro selo extinto, o Albatroz, disco A-121-B. A \u201cDivina\u201d Elizeth Cardoso aqui comparece com um samba do carnaval de 1954, de N\u00e9lson, Rold\u00e3o Lima e Gilberto Teixeira, grava\u00e7\u00e3o Todam\u00e9rica de 12 de novembro de 53, lan\u00e7ada ainda em dezembro sob n.o TA-5380-B, matriz TA-591.\u00a0\u00a0Francisco Ferraz Neto, o Risadinha, apresenta\u00a0\u00a0\u201cMinha fama\u201d, de N\u00e9lson Cavaquinho com Magno de Oliveira, grava\u00e7\u00e3o Odeon de 4 de setembro de 1952, s\u00f3 lan\u00e7ada em junho de 53, disco 13455-B, matriz 9413. O grande Jorge Veiga interpreta \u201cO fruto da maldade\u201d, de N\u00e9lson com C\u00e9sar Brasil, lan\u00e7ado pela Continental entre julho e setembro de 1951 com o n.o 16434-B, matriz 2632. Por fim, V\u00edtor Bacelar interpreta outro samba de N\u00e9lson Cavaquinho em parceria com C\u00e9sar Brasil: \u201cN\u00e3o brigo mais\u201d, gravado na Todam\u00e9rica em 23 de agosto de 1954 e lan\u00e7ado em setembro seguinte sob n.o TA-5471-B, matriz TA-723. Esta \u00e9 a homenagem do GRB a mais este poeta da Mangueira e do samba carioca que foi N\u00e9lson Cavaquinho!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de Cartola, na semana passada, o Grand Record Brazil, em sua sexag\u00e9sima-nona edi\u00e7\u00e3o, homenageia mais um nome que faz parte da hist\u00f3ria da Mangueira, e, por tabela, do samba e da MPB: N\u00e9lson Cavaquinho. 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