{"id":3935,"date":"2014-02-17T22:27:27","date_gmt":"2014-02-18T01:27:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3935"},"modified":"2014-02-18T07:32:06","modified_gmt":"2014-02-18T10:32:06","slug":"joao-da-baiana-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-89-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=3935","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Da Baiana &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 89 (2014)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-lElhwP0zG44\/UwMv-B2ApcI\/AAAAAAAAIho\/-GJ1GlVKTZs\/s1600\/CAPAP.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-hTLMcLtJjOQ\/UwMwGAdA9OI\/AAAAAAAAIhw\/H5G5z_oA6og\/s1600\/CONTRACAPAP.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><\/p>\n<div>Em sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 89, o Grand Record Brazil reverencia a mem\u00f3ria de um dos pioneiros da m\u00fasica popular brasileira: Jo\u00e3o Machado Guedes, ou, como ficou para a posteridade, Jo\u00e3o da Baiana. Filho dos ex-escravos F\u00e9lix Jos\u00e9 Guedes e Perciliana Maria Constan\u00e7a, que tinham uma quitanda de artigos afro-brasileiros, nosso focalizado nasceu no Rio de Janeiro, em\u00a0\u00a017 de maio de 1887, e era o mais novo e \u00fanico carioca de uma fam\u00edlia de doze irm\u00e3os. Sua m\u00e3e era conhecida como Baiana, da\u00ed seu pseud\u00f4nimo. Um de seus irm\u00e3os, Man\u00e9, era palha\u00e7o no Circo Spinelli e tocava viol\u00e3o e cavaquinho, e uma de suas irm\u00e3s era violinista. Jo\u00e3o da Baiana cresceu na Rua Senador Pompeu, no bairro da Cidade Nova, sendo amigo de inf\u00e2ncia de Donga e Heitor dos Prazeres. Quando crian\u00e7a, frequentava as rodas de samba e macumba que aconteciam clandestinamente nos terreiros cariocas. Participou de blocos carnavalescos e \u00e9 considerado o introdutor do pandeiro no samba, sendo tamb\u00e9m especialista no chamado prato-e-faca.\u00a0\u00a0Ainda menino, trabalhou no circo como chefe da claque dos garotos que respondiam ao grito \u201cHoje tem marmelada? Tem, sim, senhor\u201d.\u00a0\u00a0Por essa \u00e9poca, passou a se dedicar \u00e0 pintura, sua grande paix\u00e3o.\u00a0\u00a0Aos nove anos, ingressou como aprendiz no Arsenal da Marinha e deu baixa tr\u00eas anos mais tarde, indo ent\u00e3o para o Segundo Batalh\u00e3o de Artilharia, como ajudante de cocheiro, sob o comando do marechal Hermes da Fonseca, futuro presidente da Rep\u00fablica. Em 1910, passou a trabalhar no Cais do Porto, sendo promovido a fiscal da Marinha dez anos mais tarde. Por isso, recusou-se a viajar com os Oito Batutas, liderados por Pixinguinha,\u00a0\u00a0a Paris, pois n\u00e3o queria perder o posto. A partir de 1923, passou a compor e a se apresentar em programas radiof\u00f4nicos. Algumas de suas composi\u00e7\u00f5es nessa \u00e9poca foram \u201cPelo amor da mulata\u201d. \u201cMulher cruel\u201d, \u201cPedindo vingan\u00e7a\u201d e \u201cO futuro \u00e9 uma caveira\u201d. Outros de seus sambas conhecidos s\u00e3o \u201cCabide de molambo\u201d e \u201cBatuque na cozinha\u201d. Como ritmista, Jo\u00e3o da Baiana integrou\u00a0\u00a0in\u00fameros grupos, entre eles o Conjunto dos Moles, o Grupo do Louro, o Grupo da Guarda Velha e a orquestra Diabos do C\u00e9u, os dois \u00faltimos formados e dirigidos por Pixinguinha. Participou, em 1940, da famosa s\u00e9rie de grava\u00e7\u00f5es organizada por Heitor Villa-Lobos a bordo do navio \u2018Uruguai\u201d, onde viajavam o maestro Leopold Stokowski\u00a0\u00a0e sua orquestra (\u201cNative brazilian music\u201d).\u00a0\u00a0Aposentado da Marinha em 1949, Jo\u00e3o da Baiana apresentou-se, na d\u00e9cada seguinte, nos espet\u00e1culos do grupo Velha Guarda, organizados por Almirante. Casou-se e teve dois filhos, que morreram ainda na inf\u00e2ncia. Em 1968, participou do hist\u00f3rico LP \u201cGente da antiga\u201d, ao lado de Pixinguinha e Clementina de Jesus, produzido por Herm\u00ednio Bello de Carvalho. Em 1972, foi recolhido \u00e0 Casa dos Artistas, em Jacarepagu\u00e1, onde faleceria no dia 12 de janeiro de 1974, aos 86 anos. Hoje, alguns dos pertences de Jo\u00e3o da Baiana integram o acervo do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, inclusive o prato-e-faca\u00a0\u00a0que o consagraram, parte da cole\u00e7\u00e3o do cantor, compositor e radialista Almirante. Do legado de Jo\u00e3o da Baiana como int\u00e9rprete, o GRB foi buscar dez grava\u00e7\u00f5es\u00a0\u00a0hist\u00f3ricas, todas pontos de macumba ou corimas dele mesmo, com ou sem parceria, e fundamentais para quem estuda e pesquisa a cultura afro-brasileira, por ele cantados ao lado de seu conjunto ou terreiro.\u00a0\u00a0Abrindo esta sele\u00e7\u00e3o, \u201cSereia\u201d, parceria de Jo\u00e3o da Baiana com Get\u00falio \u201cAmor\u201d Marinho, grava\u00e7\u00e3o Victor de 21 de mar\u00e7o de 1938, lan\u00e7ada em maio do mesmo ano sob n.o\u00a0\u00a034313-A, matriz 80707. A faixa seguinte \u00e9 o lado B, matriz 80708, \u201cFolha por folha\u201d, e \u00e9 da mesma parceria. Depois encontraremos as m\u00fasicas do disco Odeon 13330, gravado em 2 de julho de 1952 e lan\u00e7ado em setembro do mesmo ano, ambas de Jo\u00e3o da Baiana sem parceiro: \u201cLamento de Inha\u00e7\u00e3\u201d, lado A, matriz 9368, e \u201cLamento de Xang\u00f4\u201d, lado B, matriz 9367. As faixas seguintes, tamb\u00e9m s\u00f3 de Jo\u00e3o,\u00a0\u00a0sa\u00edram pela Sinter, disco 496, em maio de 1956. No lado A, matriz S-1079, \u201cVov\u00f3 Joana do Aguin\u00e9\u201d, e no verso, matriz S-1080, \u201cVai i-a\u00f4\u201d. Temos depois mais dois corimas do pr\u00f3prio Jo\u00e3o da Baiana sem parceiro, do Odeon\u00a0\u00a013999, gravado em 5 de dezembro de 1955 e lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 56: no lado A, matriz 10877, \u201cQu\u00e9-qu\u00e9-r\u00e9-qu\u00e9-qu\u00e9\u201d, e no verso, matriz 10878, \u201cSauda\u00e7\u00e3o a Iemanj\u00e1\u201d. Finalmente, do Sinter\u00a0\u00a0548, lan\u00e7ado em maio de 1957, outros dois corimas de Jo\u00e3o sem parceiro: no lado A, \u201cOgum nil\u00ea\u201d, matriz S-1191, e no verso, matriz S-1192, \u201cHomenagem a Oxal\u00e1\u201d.\u00a0\u00a0Enfim, uma amostra interessante do legado do compositor para a cultura afro-brasileira. E vem mais Jo\u00e3o da Baiana por a\u00ed, aguarde<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/3wan0dh96\" target=\"_blank\">m<\/a>&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO<\/div>\n<div>.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 89, o Grand Record Brazil reverencia a mem\u00f3ria de um dos pioneiros da m\u00fasica popular brasileira: Jo\u00e3o Machado Guedes, ou, como ficou para a posteridade, Jo\u00e3o da Baiana. 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