{"id":4068,"date":"2014-03-24T19:46:31","date_gmt":"2014-03-24T22:46:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4068"},"modified":"2014-03-25T19:56:48","modified_gmt":"2014-03-25T22:56:48","slug":"cantoras-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-95-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4068","title":{"rendered":"Cantoras &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 95 (2014)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-fioa1VbTHc4\/UzIEYb8VWnI\/AAAAAAAAIvU\/Aw1quF80sak\/s1600\/folder.jpg\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-zly0BudPCZQ\/UzIEJswSvnI\/AAAAAAAAIvM\/ITzkn2IPKfo\/s1600\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><\/p>\n<p>Em sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 95, o Grand Record Brazil volta a apresentar uma sele\u00e7\u00e3o apenas com cantoras, muitas delas de marcante presen\u00e7a na hist\u00f3ria de nossa m\u00fasica popular. Algumas das dezesseis faixas desta edi\u00e7\u00e3o foram conseguidas por mim mesmo gra\u00e7as \u00e0 imprescind\u00edvel colabora\u00e7\u00e3o de colecionadores e pesquisadores como Beto de Oliveira, Gilberto In\u00e1cio Gon\u00e7alves e Marcelo Bonavides de Castro, este \u00faltimo do Acervo Nirez, de Fortaleza, CE, e tamb\u00e9m administrador do blog Estrelas que Nunca se Apagam. A eles (e tamb\u00e9m ao pr\u00f3prio Nirez) nossos mais sinceros agradecimentos.\u00a0Abrindo nossa sele\u00e7\u00e3o desta semana, temos Dora Lopes, cantora e compositora nascida (1922) e falecida (1983) no Rio de Janeiro. Ela comparece aqui com o disco Sinter 00-00.214, lan\u00e7ado em abril de 1953, apresentando dois sambas-can\u00e7\u00f5es. Na faixa 2 est\u00e1 o lado A, matriz S-458, \u201cBaralho da vida\u201d, composto por Ulisses de Oliveira, mineiro de Juiz de Fora e personagem marcante na hist\u00f3ria dessa cidade. E na primeira faixa temos o lado B, \u201cVoc\u00ea morreu pra mim\u201d, matriz S-459. Uma faixa hist\u00f3rica, pois constituiu-se na primeira composi\u00e7\u00e3o gravada de Newton Mendon\u00e7a , tamb\u00e9m nascido (1927) e falecido (1960, prematuramente, aos 33 anos, de infarto fulminante) no Rio de Janeiro. Pianista, compositor, gaitista e violinista, ele seria parceiro de Tom Jobim em v\u00e1rias composi\u00e7\u00f5es de sucesso, entre elas \u201cDesafinado\u201d, verdadeiro hino da bossa nova. Em \u201cVoc\u00ea morreu pra mim\u201d, Newton tem a parceria de Fernando Lobo, outro not\u00e1vel compositor da MPB\u00a0(fez, entre outras,\u201cChuvas de ver\u00e3o\u201d, \u201cN\u00eaga maluca\u201d, \u201cChofer de pra\u00e7a\u201d, \u201cPreconceito\u201d, etc.) e pai de outro grande cantor-compositor brasileiro, Edu Lobo.\u00a0\u00a0Portuguesa de Vizeu, Vera L\u00facia Ermelinda Balula (1930-?) naturalizou-se brasileira e foi eleita Rainha do R\u00e1dio em 1955, derrotando \u00c2ngela Maria (vencedora desse concurso um ano antes) por decis\u00e3o do apresentador Manoel Barcelos, da R\u00e1dio Nacional, como homenagem a C\u00e1rmen Miranda, que tamb\u00e9m era portuguesa como ela e falecera nesse mesmo ano nos EUA. Vera L\u00facia aqui comparece com a grava\u00e7\u00e3o original de um samba-can\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssico de Tito Madi, \u201cCansei de ilus\u00f5es\u201d, lan\u00e7ada pela Continental em agosto-setembro de 1956 sob n\u00famero 17323-A, matriz C-3845. \u201cCansei de Ilus\u00f5es\u201d foi v\u00e1rias vezes regravado, inclusive pelo pr\u00f3prio Tito Madi, e est\u00e1 finalmente aqui em seu primeiro registro, com Vera L\u00facia. Possivelmente o saxofone que se ouve na grava\u00e7\u00e3o \u00e9 de Z\u00e9 Bodega, ent\u00e3o atuando\u00a0na Orquestra Tabajara de Severino Ara\u00fajo. Em seguida, tiramos do esquecimento a excelente cantora mineira Daisy Guastini.\u00a0\u00a0Ela iniciou sua carreira nos anos 1950, como locutora e atriz da R\u00e1dio Inconfid\u00eancia e apresentadora da TV Itacolomi, ambas de Belo Horizonte, capital de Minas. Casou-se com o compositor e guitarrista Naz\u00e1rio Cordeiro, com quem teve a filha Daisy Cordeiro, tamb\u00e9m cantora, e atuou tamb\u00e9m em emissoras do eixo Rio de Janeiro-S\u00e3o Paulo. Deixou, por\u00e9m, uma discografia muito aqu\u00e9m de seu potencial como int\u00e9rprete: apenas dois compactos duplos, um pelo selo Arp\u00e8ge, do tecladista Waldir Calmon, dono da boate carioca de mesmo nome, em 1959, e outro pela RGE, em\u00a0\u00a01964. Do primeiro deles, o Arp\u00e8ge AEP-1003, \u00e9 a grava\u00e7\u00e3o aqui escalada, e por sinal sua faixa de abertura: o famoso samba-can\u00e7\u00e3o \u201cO que tinha de ser\u201d, da prof\u00edcua parceria Tom Jobim-Vin\u00edcius de Moraes, bastante conhecido e com in\u00fameros outros registros. A carioca Dalva de Andrade (n.1935) aqui comparece com um disco de 1959, o Polydor 305. No lado A, matriz POL-3504, gravado em 3 de mar\u00e7o desse ano, est\u00e1 o samba \u201cBrigas, nunca mais\u201d, outro produto de sucesso da dupla Tom Jobim-Vin\u00edcius de Moraes, e com in\u00fameras grava\u00e7\u00f5es. No lado B, matriz POL-3487, gravado em fevereiro do mesmo ano (talvez no dia 20), est\u00e1 o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cHist\u00f3ria\u201d, de Fernando C\u00e9sar em parceria com o cantor Luiz Cl\u00e1udio, falecido no ano passado sem qualquer divulga\u00e7\u00e3o por parte da m\u00eddia, tanto que fiquei sabendo de sua morte atrav\u00e9s do Toque Musical, quando foram repostados v\u00e1rios \u00e1lbuns por ele gravados. Ambas as grava\u00e7\u00f5es, com acompanhamento concebido e dirigido pelo maestro Peruzzi, tamb\u00e9m figuraram no primeiro LP da cantora, \u201cEis Dalva de Andrade\u201d.\u00a0\u00a0Dalva teve de abandonar a carreira prematuramente, em meados da d\u00e9cada de 1960, por problemas de defici\u00eancia auditiva, lan\u00e7ando, depois disso, apenas dois compactos de produ\u00e7\u00e3o independente. Ga\u00facha de Porto Alegre, Luely da Silva Figueir\u00f3 (1936-2010) mudou-se para S\u00e3o Paulo em 1957, ap\u00f3s ser eleita Rainha do R\u00e1dio ga\u00facho, atuando nas Emissoras Unidas (R\u00e1dio e TV Record).\u00a0\u00a0Foi tamb\u00e9m atriz de cinema, aparecendo em filmes como \u201cA doutora \u00e9 muito viva\u201d (1956), \u201cCasei-me com um xavante\u201d (1957) e \u201cMarido de mulher boa\u201d (1960). Viveu alguns anos com o cantor-compositor S\u00e9rgio Ricardo (aquele do viol\u00e3o quebrado em festival), no Rio de Janeiro, voltando a morar em S\u00e3o Paulo na d\u00e9cada de 1970 e abandonando a carreira art\u00edstica. Retomando seus estudos, formou-se professora de ensino de segundo grau, exercendo a profiss\u00e3o durante anos at\u00e9 se aposentar, na virada do s\u00e9culo XXI. De Luely Figueir\u00f3 escalamos outro cl\u00e1ssico da dupla Tom Jobim-Vin\u00edcius de Moraes: o samba \u201cA felicidade\u201d, do filme \u201cOrfeu negro\u201d (nos cinemas, \u201cOrfeu do carnaval\u201d), produ\u00e7\u00e3o franco-italiana filmada no Rio de Janeiro e premiada com o Oscar de filme estrangeiro, e nele interpretado por Agostinho dos Santos. A grava\u00e7\u00e3o de Luely saiu pela Continental em\u00a0\u00a0agosto de 1959, sob n\u00famero 17713-A, matriz C-4191. A carioca Iracema de Souza Ferreira, ali\u00e1s, Nora Ney (1922-2003), de marcante presen\u00e7a em nossa m\u00fasica popular como int\u00e9rprete essencialmente rom\u00e2ntica, aqui comparece com dois sambas-can\u00e7\u00f5es de sucesso, ambos do disco Continental\u00a0\u00a016726, gravado em 23 de janeiro de 1953 e lan\u00e7ado em mar\u00e7o-abril desse ano, com acompanhamento orquestral de Copinha. Abrindo-o, matriz C-3043, o inesquec\u00edvel \u2018De cigarro em cigarro\u201d, de Luiz Bonf\u00e1, e no verso, matriz C-3044, \u201cOnde anda voc\u00ea?\u201d, de Ant\u00f4nio Maria e Reynaldo Dias Leme. Outro resgate important\u00edssimo \u00e9 o de La\u00eds Marival (Maria Neom\u00e9zia Negreiros, 1911-?), paulista de Taquaritinga, e de curta carreira fonogr\u00e1fica: apenas sete discos 78 com catorze m\u00fasicas, entre 1936 e 1938, todos pela Columbia, futura Continental.\u00a0\u00a0Do pen\u00faltimo deles, n\u00famero 8296-B, matriz 3510, de 1937, \u00e9 o samba aqui escalado, \u201cSaudades do morro\u201d, de H. Celso e A. Santos.\u00a0\u00a0Nos anos 1980\/90, La\u00eds ainda participava de corais em S\u00e3o Paulo. \u201cMolambo\u201d, de autoria do violonista Jayme Florence (o Meira dos regionais) em parceria com Augusto Mesquita, \u00e9 um dos cl\u00e1ssicos do samba-can\u00e7\u00e3o brasileiro, tendo recebido in\u00fameras grava\u00e7\u00f5es ao longo dos anos. O que quase ningu\u00e9m sabe, por\u00e9m, \u00e9 que \u201cMolambo\u201d foi lan\u00e7ado pela cantora Julinha Silva no lado A de seu disco de estreia, o Todam\u00e9rica TA-5334, gravado em 18 de junho de 1953 e editado em setembro do mesmo ano, matriz TA-487. Julinha \u00e9 outra que teve curta carreira fonogr\u00e1fica, deixando apenas sete discos 78 com catorze m\u00fasicas, entre 1953 e 1962, nos selos Todam\u00e9rica, Guanabara, Mocambo e Continental. Onilda Figueiredo, pernambucana do Recife, comparece aqui com seu primeiro disco,feito justamente numa gravadora de l\u00e1, a Mocambo dos irm\u00e3os Rozenblit, por sinal a primeira instalada fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo. Lan\u00e7ado em junho de 1956, com Onilda ainda adolescente, o 78 abre com o tango \u201cNunca! Jamais! (Nunca! Jam\u00e1s!)\u201d, de Lalo Guerrero em vers\u00e3o de N\u00e9lson Ferreira (compositor de frevos de sucesso e ent\u00e3o diretor art\u00edstico da Mocambo), matriz R-694, depois faixa de abertura do \u00fanico LP da cantora, o dez polegadas \u2018A voz de Onilda Figueiredo\u201d. Tamb\u00e9m est\u00e1 aqui o lado B, matriz R-695, o bolero \u201cDesespero\u201d, de \u00c2ngelo Iervolino, que n\u00e3o entrou no LP. Apesar de seu potencial como cantora, Onilda \u00e9 outra com discografia escassa. Al\u00e9m do LP j\u00e1 mencionado, s\u00f3 gravou quatro discos 78 com oito m\u00fasicas, tudo na Mocambo. Uma das melhores cantoras brasileiras, a carioca Claudette Soares (n. 1937) iniciou-se ainda na inf\u00e2ncia, no programa \u201cA raia mi\u00fada\u201d, apresentado na R\u00e1dio Nacional por Renato Murce, passando mais tarde a apresentar-se no \u201cPrograma do guri\u201d, de Silveira Lima, na R\u00e1dio Mau\u00e1.\u00a0\u00a0Na R\u00e1dio Tamoio, quando atuava no programa \u2018Salve o bai\u00e3o\u201d, conheceu Luiz Gonzaga, que a chamou de \u201cprincesinha do bai\u00e3o\u201d. E foi com dois bai\u00f5es que Claudette estreou em disco, atrav\u00e9s da Columbia, futura Sony Music. Editado em junho de 1954 com o n\u00famero CB-10049, com Claudette na plenitude de seus 17 anos, o 78 apresenta \u201cVoc\u00ea n\u00e3o sabe\u201d, de Castro Perret e Jane (matriz CBO-218, faixa 15) e, no verso, matriz CBO-219 (faixa 14), \u201cTrabalha, Man\u00e9\u201d, de Jos\u00e9 Luiz e Jo\u00e3o Batista da Silva. Dos dois bai\u00f5es, por certo \u201cTrabalha, Man\u00e9\u201d ficou mais conhecido, uma vez que foi regravado pelos grupos Os Cangaceiros e Os Tr\u00eas do Nordeste. No entanto, ap\u00f3s fazer outros discos 78 na Columbia e na Repert\u00f3rio, Claudette Soares s\u00f3 conseguiu gravar seu primeiro LP em 1964, na Mocambo, com o nome de \u201cClaudette \u00e9 dona da bossa\u201d, pontap\u00e9 inicial para in\u00fameros outros trabalhos de sucesso. Para encerrar, apresentamos nada mais nada menos que Marta Rocha.\u00a0Eleita Miss Brasil em 1954, a baiana causou como\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds ao perder o t\u00edtulo de Miss Universo, no mesmo ano, para a americana\u00a0\u00a0Myrian Stevenson. Marta teria perdido porque teria duas polegadas a mais nos quadris. Entretanto, no livro \u201cO imp\u00e9rio de papel \u2013 Os bastidores de O Cruzeiro\u201d, o jornalista Accioly Neto, ex-diretor da revista, garante que as tais polegadas foram inventadas pelo fot\u00f3grafo Jo\u00e3o Martins, inconformado com o resultado, com a cumplicidade de outros jornalistas presentes ao concurso, realizado na cidade americana de Miami, na Fl\u00f3rida. Boato ou n\u00e3o, o fato \u00e9 que o Brasil inteiro cantou com Marta Rocha \u2018Duas polegadas\u201d, marchinha de Pedro Caetano, Carlos Renato e Alcyr Pires Vermelho, lado B do primeiro dos dois \u00fanicos discos 78 que ela gravou pela Continental, n\u00famero 17134, lan\u00e7ado em agosto-setembro de 1955, matriz C-3610. \u00c9 com esta curiosidade que encerramos mais esta edi\u00e7\u00e3o do GRB dedicada a vozes femininas. At\u00e9 a pr\u00f3xima e divirtam-s<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/icamo7kh4\" target=\"_blank\">e<\/a>!<\/p>\n<p>*Texto de Samuel Machado Filho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 95, o Grand Record Brazil volta a apresentar uma sele\u00e7\u00e3o apenas com cantoras, muitas delas de marcante presen\u00e7a na hist\u00f3ria de nossa m\u00fasica popular. 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