{"id":4139,"date":"2014-04-15T22:56:36","date_gmt":"2014-04-16T01:56:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4139"},"modified":"2014-04-17T09:39:00","modified_gmt":"2014-04-17T12:39:00","slug":"apr-15-jackson-do-pandeiro-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-98-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4139","title":{"rendered":"Jackson Do Pandeiro &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 98 (2014)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-bfEcMpS9OQo\/U05EWBD3ZFI\/AAAAAAAAI5o\/R9mYUnZdJO0\/s1600\/CAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-T62o5Nw-xJM\/U05EcDH56tI\/AAAAAAAAI5w\/ZSJfzlvG4Yo\/s1600\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><\/p>\n<div>Em sua nonag\u00e9sima-oitava edi\u00e7\u00e3o, e prosseguindo em sua brilhante e expressiva trajet\u00f3ria, o Grand Record Brazil tem a honra de apresentar a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos nomes mais expressivos da m\u00fasica regional nordestina. Estamos falando de Jackson do Pandeiro.\u00a0\u00a0Nosso focalizado recebeu na pia batismal o nome de Jos\u00e9 Gomes Filho, e foi o primeiro grande artista paraibano surgido em plena era do r\u00e1dio. Veio ao mundo na cidade de Alagoa Grande, no dia 31 de agosto de 1919, filho de Jos\u00e9 Gomes e de Flora Maria da Concei\u00e7\u00e3o, uma cantora de cocos que usava o pseud\u00f4nimo de Flora Mour\u00e3o, e lhe deu de presente\u00a0\u00a0o primeiro instrumento musical:\u00a0um pandeiro, \u00e9 claro. Seu nome art\u00edstico veio de um apelido dado por ele mesmo: Jack, inspirado em um mocinho de filmes de faroeste americanos, Jack Perry. Cantava no interior da sua Para\u00edba natal desde a adolesc\u00eancia, e fez algumas duplas antes de se consagrar como artista-solo, a primeira com Z\u00e9 Lacerda, em Campina Grande, ainda como Jack do Pandeiro. Em 1947, \u00e0s v\u00e9speras de come\u00e7ar a ganhar popularidade nas r\u00e1dios locais, e de ser rebatizado artisticamente como Jackson do Pandeiro (por sugest\u00e3o de um diretor de programa de r\u00e1dio, pois ficaria mais sonoro e causaria mais efeito quando fosse anunciado), formou a dupla Caf\u00e9 com Leite, com Rosil Cavalcanti, em Jo\u00e3o Pessoa. Esse duo teve apenas um ano de exist\u00eancia, mas a amizade e a parceria refletiriam no in\u00edcio da carreira-solo de Jackson.\u00a0\u00a0Em 1953, foi contratado pela R\u00e1dio Jornal do Commercio, do Recife,\u00a0\u00a0(que tinha o slogan \u201cPernambuco falando para o mundo\u201d), pertencente \u00e0 fam\u00edlia Pessoa de Queiroz. Foi l\u00e1 que conheceu Almira Castilho de Albuquerque, com quem se casou em 1956, e viveu at\u00e9 1967. A segunda esposa de Jackson foi a baiana Neuza Flores dos Anjos, de quem ele tamb\u00e9m se separou pouco antes de morrer.\u00a0\u00a0Ainda em 1953, j\u00e1 ganhando notoriedade nacional e despertando o interessa das gravadoras, Jackson conhece Luiz Gonzaga, que imediatamente prop\u00f5e encaminh\u00e1-lo \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da RCA Victor. Por\u00e9m, Jackson acaba preferindo a Copacabana, por ter escrit\u00f3rio no Nordeste. Antes do Natal de 1953, sai seu primeiro disco, um 78 com \u201cForr\u00f3 em Limoeiro\u201d (Edgar Ferreira) e \u201cSebastiana\u201d (Rosil Cavalcanti), com \u00eaxito imediato. E seguiram-se in\u00fameros outros sucessos, tais como \u201cO canto da ema\u201d, \u201cO crime n\u00e3o compensa\u201d,\u00a0\u00a0\u201cLapinha de Jerusal\u00e9m\u201d, \u201cChicletes com banana\u201d, \u201cUm a um\u201d, \u201cCantiga do sapo\u201d,\u00a0al\u00e9m dos que foram reunidos neste primeiro volume e comentaremos a seguir. Ap\u00f3s serem agredidos fisicamente durante uma passagem pelo Recife, Jackson e Almira\u00a0\u00a0decidem residir no Rio de Janeiro, onde s\u00e3o contratados pela ent\u00e3o poderosa R\u00e1dio Nacional, \u201ca esta\u00e7\u00e3o das multid\u00f5es\u201d. Mesclando com sabedoria temas carnavalescos, juninos e at\u00e9 natalinos, os discos de Jackson animavam qualquer ocasi\u00e3o, e deixavam os cr\u00edticos abismados\u00a0\u00a0com sua facilidade em cantar g\u00eaneros variados. O longo tempo em que Jackson tocou em cabar\u00e9s aprimorou sua capacidade jazz\u00edstica, sendo tamb\u00e9m famosa\u00a0\u00a0sua maneira de dividir a m\u00fasica. Diz-se at\u00e9 que o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Gilberto aprendeu a dividir com Jackson, que \u00e9 considerado por muitos o maior ritmista da m\u00fasica popular brasileira, tanto que era conhecido como \u201co rei do ritmo\u201d. Al\u00e9m de v\u00e1rios 78 rpm, sua discografia inclui mais de 30 LPs, o \u00faltimo deles, \u201cIsso \u00e9 que \u00e9 forr\u00f3\u201d, lan\u00e7ado em 1981. Foram 29 anos de carreira, tendo passado tamb\u00e9m pelas gravadoras Columbia (e sua sucessora, a CBS), Philips, Continental e Cantagalo, tendo tamb\u00e9m participado de in\u00fameros projetos coletivos. Diab\u00e9tico desde os anos 1960, Jackson do Pandeiro faleceu em 10 de julho de 1982, na Casa de Sa\u00fade Santa L\u00facia, em Bras\u00edlia, DF, em decorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es de embolia pulmonar e cerebral. Ele tinha participado de um show na Capital Federal\u00a0uma semana antes, e no dia seguinte passou mal no aeroporto antes de embarcar para o Rio de Janeiro. Seu corpo foi sepultado no Cemit\u00e9rio do Caju, no Rio, e hoje seus restos mortais encontram-se em sua cidade natal, Alagoa Grande, em um memorial que a popula\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio preparou em sua homenagem. Alceu Valen\u00e7a costuma dizer que Luiz Gonzaga \u00e9 o Pel\u00e9 da m\u00fasica, e Jackson do Pandeiro, o Garrincha. \u00c9 o que comprovaremos na sele\u00e7\u00e3o deste primeiro volume que o GRB lhe dedica, com 16 grava\u00e7\u00f5es, evidentemente preciosas e de valor hist\u00f3rico, a maior parte delas editadas em 78 rpm pela Copacabana, e reunidas depois em LPs de 10 e 12 polegadas. Abrindo este volume, o coco \u201cA mulher do An\u00edbal\u201d, de Genival Macedo e Nestor de Paula, lan\u00e7ado por volta de abril de 1954 com o n.o 5234-B, matriz M-749. A faixa seguinte \u00e9 o xote \u201cCremilda\u201d, de Edgar Ferreira, bem divertido e malicioso, lan\u00e7ado em maio de 1955 sob n.o 5412-A, matriz M-1014. O outro lado, matriz M-885-2, est\u00e1 na faixa 8: \u00e9 o samba \u201cFalsa patroa\u201d de Geraldo Jacques e Isa\u00edas Ferreira. A faixa 3 \u00e9 da fase de Jackson na Philips, o \u201cFrevo do bi\u201d, de Br\u00e1s Marques e Di\u00f3genes Bezerra, alusivo \u00e0 conquista do bicampeonato mundial de futebol (Copa do Mundo) pela Sele\u00e7\u00e3o Brasileira no Chile, lan\u00e7ado em junho de 1962, disco P61135H-A (inquebr\u00e1vel e de vinil!), e que nessa ocasi\u00e3o tamb\u00e9m foi gravado na Continental por um certo Papi Galan. Na quarta faixa, voltando \u00e0 Copacabana, temos o roj\u00e3o (tipo de bai\u00e3o mais acelerado) \u201cCabo Ten\u00f3rio\u201d, de Rosil Cavalcanti, por certo inspirado em um pol\u00eamico pol\u00edtico dessa \u00e9poca, o alagoano Ten\u00f3rio Cavalcanti (1906-1987), ali\u00e1s interpretado pelo rec\u00e9m-falecido Jos\u00e9 Wilker no filme \u2018O homem da capa preta\u201d, em 1986. O disco recebeu o n\u00famero 5741-B, e foi lan\u00e7ado por volta de mar\u00e7o de 1957, matriz M-1866. Em seguida voc\u00ea tem justamente o lado A, o \u201cXote de Copacabana\u201d, do pr\u00f3prio Jackson do Pandeiro (que assina com seu nome verdadeiro, Jos\u00e9 Gomes), matriz M-1865. A sexta faixa \u00e9 outro\u00a0\u00a0xote,\u201cMoxot\u00f3\u201d, tamb\u00e9m de Jos\u00e9 Gomes (ou seja,o pr\u00f3prio Jackson), agora em parceria com Rosil Cavalcanti, datado de 1956, disco 5579-B, matriz M-1504. Em seguida, o cl\u00e1ssico \u201cDezessete na corrente\u201d, roj\u00e3o de Edgar Ferreira e Manoel Firmino Alves, de 1954, disco 5287-A, matriz M-884-2. O lado B est\u00e1 na d\u00e9cima faixa: \u00e9 o batuque \u201cO galo cantou\u201d, de Edgar Morais, matriz M-883-2. Na faixa 9, o bai\u00e3o \u201cNo quebradinho\u201d, de Mar\u00e7al Ara\u00fajo e Jos\u00e9 dos Prazeres, lan\u00e7ado em agosto-setembro de 1955, disco 5444-A, matriz M-1015. Na d\u00e9cima-primeira faixa, o contagiante \u201cMicr\u00f3bio do frevo\u201d, de Genival Macedo, para o carnaval de 1955, e que saiu ainda em novembro de 54 com o n\u00famero 5331-A, matriz M-980. E o lado B, matriz M-981, e faixa 15 desta sele\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u201cVou gargalhar\u201d, samba de Edgar Ferreira que foi um dos campe\u00f5es da folia de 1955. Na d\u00e9cima-segunda faixa, o divertido \u201cForr\u00f3 em Caruaru\u201d, roj\u00e3o que tem a respeit\u00e1vel assinatura do pernambucano Z\u00e9 Dantas (1921-1962), tamb\u00e9m parceiro de Luiz Gonzaga em in\u00fameros hits. Foi lan\u00e7ado em mar\u00e7o-abril de 1955 sob n.o 5397-A, matriz M-1104, tendo no verso justamente a faixa seguinte, o batuque \u201cPai Orix\u00e1\u201d, de Edgar Ferreira, matriz M-882-3). Para encerrar, as duas faixas s\u00e3o do disco Copacabana 5277, lan\u00e7ado em 1954: \u201cEta bai\u00e3o!\u201d, de Mar\u00e7al Ara\u00fajo (lado B, matriz M-823-2, faixa 14) e o coco \u201cBoi brabo\u201d, de Rosil Cavalcanti (lado A, matriz M-822-2). \u00c9 a faixa que termina com chave de ouro a primeira parte da retrospectiva que o GRB dedica a Jackson do Pandeiro, fazendo justi\u00e7a a este not\u00f3rio, expressivo e at\u00e9 hoje lembrado nome da m\u00fasica regional nordestina, prometendo a segunda parte para a pr\u00f3xima semana. At\u00e9 l\u00e1 e fiquem com Deu<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/hovlub1g2\">s<\/a>!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>* Texto de Samuel Machado Filho<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua nonag\u00e9sima-oitava edi\u00e7\u00e3o, e prosseguindo em sua brilhante e expressiva trajet\u00f3ria, o Grand Record Brazil tem a honra de apresentar a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos nomes mais expressivos da m\u00fasica regional nordestina. &hellip; <a href=\"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4139\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,119,13],"tags":[],"class_list":["post-4139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-exclusivos-do-toque-musical","category-jackson-do-pandeiro","category-selo-grand-record-brazil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4139"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4139\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4143,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4139\/revisions\/4143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}