{"id":4210,"date":"2014-05-12T22:40:15","date_gmt":"2014-05-13T01:40:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4210"},"modified":"2014-05-13T07:44:11","modified_gmt":"2014-05-13T10:44:11","slug":"maysa-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-100-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4210","title":{"rendered":"Maysa &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 100 (2014)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-ftnUc2FD4gs\/U3H18yr_r-I\/AAAAAAAAJAQ\/COy7VeiLn2k\/s1600\/CAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-6t2KJmdNoLI\/U3H14fVR9EI\/AAAAAAAAJAI\/-3wIeo-MFbw\/s1600\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><\/p>\n<div>Com muito orgulho, chegamos \u00e0 cent\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o do Grand Record Brazil. Uma trajet\u00f3ria brilhante e bastante expressiva. Isto s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao prest\u00edgio e \u00e0 acolhida de nossos amigos cultos, ocultos e associados, a quem eu e o Augusto agradecemos de todo o cora\u00e7\u00e3o. E nesta edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 100, reverenciamos a mem\u00f3ria de uma das melhores cantoras e compositoras que a m\u00fasica popular brasileira j\u00e1 teve: Maysa.<\/div>\n<div>Batizada como Maysa Figueira Monjardim, nossa focalizada veio ao mundo no dia 6 de junho de 1936, segundo algumas fontes no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo e, segundo outras, em S\u00e3o Paulo, oriunda de fam\u00edlia rica e tradicional do Esp\u00edrito Santo, filha de Inah e Alceb\u00edades Monjardim, este \u00faltimo Fiscal de Rendas. Esta indefini\u00e7\u00e3o quanto ao local de nascimento da futura estrela talvez se deva ao fato de seus pais terem fugido de seu estado natal para o Rio de Janeiro, ap\u00f3s se casarem, pois a fam\u00edlia de sua m\u00e3e se opunha ao matrim\u00f4nio, dada a boemia de Alceb\u00edades. Residiram tamb\u00e9m em Bauru, interior paulista, voltando depois para a capital bandeirante, onde, mesmo fixando-se na mesma, trocaram de endere\u00e7o v\u00e1rias vezes. Maysa estudou nos tradicionais col\u00e9gios paulistanos Assun\u00e7\u00e3o, Sacre-Couer de Marie e no Gin\u00e1sio Of\u00e9lia Fonseca (onde foi reprovada por suas notas e comportamento). Sempre foi rebelde e chegava a comparecer \u00e0s aulas sem uniforme e com trajes ousados, sendo por isso proibida de frequentar os bancos escolares. Bilhetes eram enviados aos pais de Maysa e, como estes viviam na boemia, era dif\u00edcil encontr\u00e1-los, e ela chegava a ficar tr\u00eas dias sem ir \u00e0 escola, aguardando a assinatura deles. \u00a0Tentou se matricular, depois, no Mackenzie, mas foi recusada em virtude de seu curr\u00edculo, e por isso Maysa parou os estudos na segunda s\u00e9rie ginasial. As f\u00e9rias\u00a0 ela passava em Vit\u00f3ria, onde ia rever seus tios e primos. Seu envolvimento com a m\u00fasica come\u00e7ou bem cedo: aos 12 anos, comp\u00f4s sua primeira m\u00fasica, o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cAdeus\u201d (primeira de uma s\u00e9rie de 26), e desde a adolesc\u00eancia j\u00e1 gostava de cantar em festas familiares, al\u00e9m de tocar piano. Aos 17 anos, em 1955, Maysa casou-se com o empres\u00e1rio Andr\u00e9 Matarazzo, 17 anos mais velho que ela, e amigo de seus pais, da uni\u00e3o resultando seu \u00fanico filho, Jayme Monjardim Matarazzo, criado pela av\u00f3 e posteriormente num col\u00e9gio interno na Espanha, que iria se converter em \u00a0talentoso diretor\u00a0 de cinema e televis\u00e3o, realizando novelas e miniss\u00e9ries na extinta TV Manchete e depois na Globo (onde dirigiu inclusive a famosa miniss\u00e9rie sobre a vida de sua m\u00e3e, \u201cMaysa &#8211; Quando fala o cora\u00e7\u00e3o\u201d, de 2009, com excelente desempenho de Larissa Maciel no papel-t\u00edtulo). Ela n\u00e3o teve mais filhos por complica\u00e7\u00f5es no parto. Ainda gr\u00e1vida, Maysa conheceu o produtor Roberto Corte Real, que ficou encantado com sua voz. Combinaram ent\u00e3o que, assim que Jayme nascesse, ela gravaria seu primeiro disco. Corte Real tentou, sem \u00eaxito, a contrata\u00e7\u00e3o de Maysa pela Columbia, hoje Sony Music, e o jeito foi lan\u00e7\u00e1-la em disco por uma nova gravadora: a RGE (R\u00e1dio Grava\u00e7\u00f5es Especializadas), de propriedade de Jos\u00e9 Brasil \u00cdtalo Scatena, at\u00e9 ent\u00e3o apenas um est\u00fadio de jingles publicit\u00e1rios. E \u00e9 pela RGE que a cantora-compositora\u00a0 lan\u00e7a, em novembro de 1956, seu primeiro LP, o hist\u00f3rico dez polegadas \u201cConvite para ouvir Maysa\u201d, com oito m\u00fasicas de sua autoria, e cuja renda foi revertida para o Hospital do C\u00e2ncer de S\u00e3o Paulo.\u00a0 Depois, claro, viria muito mais, tendo tamb\u00e9m gravado em outros selos, inclusive um \u00e1lbum na mesma Columbia que a recusara, em 1961. Foi inclusive contratada das Emissoras Unidas (R\u00e1dio e TV Record). Andr\u00e9, por\u00e9m, se opunha \u00e0 carreira musical de Maysa, e ao temperamento bo\u00eamio que ela herdou de seu pai, da\u00ed resultando sua ruidosa separa\u00e7\u00e3o (em 1958, aos 22 anos, ela chegou a tentar suic\u00eddio cortando os pulsos, uma das in\u00fameras tentativas de liquidar a pr\u00f3pria vida, ali\u00e1s). Namorou depois o jornalista e compositor Ronaldo B\u00f4scoli (tendo-se mudado, em 1960, para o Rio de Janeiro, a convite dele), o empres\u00e1rio Miguel Azanza (seu segundo marido), o maestro J\u00falio Medaglia e o ator Carlos Alberto, entre outros. Fez in\u00fameras temporadas em casas noturnas de S\u00e3o Paulo (como o Ju\u00e3o Sebasti\u00e3o Bar, o restaurante Urso Branco \u00a0e as boates Cave, O\u00e1sis e Igrejinha) e\u00a0 Rio de Janeiro (como Au Bon Gourmet e Canec\u00e3o). O alcoolismo e o uso de moderadores de apetite deixavam seu temperamento inst\u00e1vel, o que causou not\u00f3rios esc\u00e2ndalos\u00a0 em hot\u00e9is e avi\u00f5es de diversos pa\u00edses em que se apresentou. Manteve contato com in\u00fameros nomes da bossa nova, com os quais p\u00f4de expandir experi\u00eancias musicais. Excursionou pela Am\u00e9rica Latina, passando v\u00e1rias vezes por Buenos Aires (Argentina), Montevid\u00e9u (Uruguai) e Lima (Peru), e cumpriu temporadas no Olympia de Paris (Fran\u00e7a),\u00a0 Lisboa (Portugal), onde ficou bastante tempo em cartaz no Cassino Estoril, T\u00f3quio (Jap\u00e3o) e\u00a0 Luanda (Angola), al\u00e9m de ter residido na Espanha. No exterior, Maysa era conhecida como \u201ca condessa descal\u00e7a\u201d, por sempre tirar os sapatos quando cantava. Participou tamb\u00e9m de algumas edi\u00e7\u00f5es do FIC (Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o), que aconteceu no Maracan\u00e3zinho do Rio de Janeiro entre 1966 e 1972, e ningu\u00e9m ousava lhe dar uma s\u00f3 vaia, o que a tornou uma das cantoras mais queridas do certame.\u00a0 Sua discografia abrange 17 LPs no Brasil (e um nos EUA, nunca editado entre n\u00f3s), sem contar as colet\u00e2neas, 21 discos 78 rpm com 41 m\u00fasicas, e alguns compactos. Maysa faleceu em 22 de janeiro de 1977, em tr\u00e1gico acidente automobil\u00edstico na Ponte Rio-Niter\u00f3i, quando dirigia sua Bras\u00edlia azul em alta velocidade (estava a caminho de sua casa em Maric\u00e1, litoral fluminense). Sup\u00f5e-se que o efeito de anfetaminas somado \u00e0 ingest\u00e3o de \u00e1lcool tenha causado o desastre, perdendo, assim, a m\u00fasica popular brasileira, uma de suas personalidades mais singulares. Para esta edi\u00e7\u00e3o em que o GRB reverencia a mem\u00f3ria de Maysa, foram selecionadas dez grava\u00e7\u00f5es preciosas e importantes hist\u00f3rica e artisticamente. As oito primeiras sa\u00edram em LP e tamb\u00e9m em 78 rpm\u00a0 (n\u00e3o esquecendo que era uma \u00e9poca de transi\u00e7\u00e3o de formatos), todas sambas-can\u00e7\u00f5es e editadas por sua primeira gravadora, a RGE.\u00a0 Abrindo esta sele\u00e7\u00e3o, o cl\u00e1ssico samba-can\u00e7\u00e3o \u201cMeu mundo caiu\u201d, uma de suas composi\u00e7\u00f5es mais conhecidas, lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 1958 com o n\u00famero 10083-A, matriz RGO-484, que ela tamb\u00e9m interpretou no filme \u201cO batedor de carteiras\u201d, da Nova Am\u00e9rica, distribu\u00eddo pela Pelmex e estrelado por Z\u00e9 Trindade (pouco antes de sua morte, em 1976, foi revivido na novela global \u201cEst\u00fapido\u00a0 Cupido\u201d, de M\u00e1rio Prata). O lado B, matriz RGO-486, \u00e9 a faixa 8, \u201cBuqu\u00ea de Isabel\u201d, tamb\u00e9m samba-can\u00e7\u00e3o e praticamente o primeiro grande sucesso do compositor S\u00e9rgio Ricardo (mais tarde famoso como \u201co homem do viol\u00e3o quebrado\u201d daquele festival da Record, o de 1967). Ambas as m\u00fasicas sa\u00edram, apenas alguns dias depois,tamb\u00e9m no LP \u201cConvite para ouvir Maysa\u00a0 n\u00famero 2\u201d (o terceiro \u00e1lbum de carreira, apesar do t\u00edtulo, e o primeiro da int\u00e9rprete em doze polegadas).\u00a0 A faixa 2 \u00e9 outro cl\u00e1ssico indiscut\u00edvel de e com Maysa, o famoso \u201cOu\u00e7a\u201d, lan\u00e7ado em maio de 1957 sob n\u00famero 10047-A, matriz RGO-220, inesquec\u00edvel hit por ela tamb\u00e9m interpretado no filme \u2018O camel\u00f4 da Rua Larga\u201d, da Cinedistri, tamb\u00e9m estrelado por Z\u00e9 Trindade, sendo o lado B a faixa 6, \u201cSegredo\u201d, ambas constantes do tamb\u00e9m do segundo LP da vcantora-compositora, ainda em 10 polegadas e intitulado apenas \u2018Maysa\u201d. Na faixa 3, aparece \u201cSuas m\u00e3os\u201d, cl\u00e1ssico de Pernambuco (Ayres da Costa Pessoa) e Ant\u00f4nio Maria, editado em setembro de 1958 com o n\u00famero 10117-A,matriz RGO-767.\u00a0 O lado B est\u00e1 na faixa 5, \u201cMundo vazio\u201d, de Amaury Medeiros e Ant\u00f4nio Bruno, matriz RGO-774, ambas tamb\u00e9m inclu\u00eddas no terceiro volume de \u201cConvite para ouvir Maysa\u201d, sendo \u201cMundo vazio\u201d a faixa de abertura do vinil. \u00a0A faixa \u00a04, originalmente abrindo o segundo LP de Maysa, de 1957, \u00e9 o cl\u00e1ssico \u201cSe todos fossem iguais a voc\u00ea\u201d, de Tom Jobim e Vin\u00edcius de Moraes, lan\u00e7ado na pe\u00e7a teatral \u201cOrfeu da Concei\u00e7\u00e3o\u201d e originalmente gravado por Roberto Paiva. O registro de Maysa foi relan\u00e7ado na cera pela RGE em dezembro\u00a0 de 57 com o n\u00famero 10074-A, matriz RGO-295. Para o lado B, foi escalado \u201cTarde triste\u201d, da pr\u00f3pria Maysa, matriz RGO-123, que originalmente foi editada em vinil no primeiro \u201cConvite para ouvir Maysa\u201d, de 10 polegadas, em novembro de1956. Completando esta sele\u00e7\u00e3o, duas rar\u00edssimas faixas extra\u00eddas de um compacto duplo gravado por Maysa na marca francesa Barclay, n\u00famero 70526,\u00a0 durante uma temporada em Paris, em 1963: o cl\u00e1ssico bossanovista \u201cChega de saudade\u201d de Tom Jobim e Vin\u00edcius de Moraes, e \u201cCent-mille chansons\u201d, de Eddy Mamay e Michel Magn\u00e9, do filme \u201cO repouso do guerreiro\u201d, de Roger Vadim. Enfim, uma sele\u00e7\u00e3o que apresenta alguns dos melhores momentos de Maysa, abrilhantando esta cent\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o do nosso GRB (e pretendemos, claro, ir muito al\u00e9m). Ou\u00e7am e recordem conosco estes agrad\u00e1veis momento<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/sqgpw8u2e\" target=\"_blank\">s<\/a>!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>*Texto de Samuel Machado Filho<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com muito orgulho, chegamos \u00e0 cent\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o do Grand Record Brazil. Uma trajet\u00f3ria brilhante e bastante expressiva. 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