{"id":4368,"date":"2014-08-05T23:50:11","date_gmt":"2014-08-06T02:50:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4368"},"modified":"2014-08-05T23:50:11","modified_gmt":"2014-08-06T02:50:11","slug":"castro-barbosa-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-111-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4368","title":{"rendered":"Castro Barbosa &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 111 (2014)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-txGnZpB6Dmc\/U-Fqexon7jI\/AAAAAAAAJ2Q\/ko1enkZ6YLc\/s1600\/CAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-UERX-ul9njs\/U-F5_5e4o3I\/AAAAAAAAJ3A\/ZDRFIvwzXHs\/s1600\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><\/p>\n<div>J\u00e1 estamos na cent\u00e9sima-primeira edi\u00e7\u00e3o do Grand Record Brazil, o \u201cbra\u00e7o de cera\u201d do Toque Musical, dedicado \u00e0 era das 78 rota\u00e7\u00f5es por minuto. E nela oferecemos uma significativa amostra do trabalho de um expressivo cantor, compositor e tamb\u00e9m humorista da era de ouro do r\u00e1dio: Castro Barbosa. Ele veio ao mundo na cidade de Sabar\u00e1, interior de Minas Gerais, a 7 de maio de 1905 (ou 1909, n\u00e3o h\u00e1 certeza), batizado com o nome completo de Joaquim Silv\u00e9rio de Castro Barbosa. Era irm\u00e3o do cantor Luiz Barbosa e do humorista e igualmente cantor Barbosa J\u00fanior, sendo que \u00a0os tr\u00eas eram filhos de um engenheiro que participara da constru\u00e7\u00e3o da antiga estrada de ferro Rio-S\u00e3o Paulo. Ainda durante a inf\u00e2ncia de nosso Joaquim Silv\u00e9rio, a fam\u00edlia se transfere para a ent\u00e3o Capital da Rep\u00fablica, o Rio de Janeiro. Em 1924, ele passa a cursar uma escola comercial, formando-se em Contabilidade. Entre 1926 e 1928, trabalha na livraria Braga &amp; Cia., mas em virtude de um acidente ferrovi\u00e1rio que sofreu em Teres\u00f3polis, fica inativo por alguns meses.\u00a0 Restabelecido, foi trabalhar na Companhia de Navega\u00e7\u00e3o L\u00f3ide Brasileiro, e nessa ocasi\u00e3o nem pensava em seguir carreira art\u00edstica. Em 1930, por\u00e9m, o cantor Jo\u00e3o Athos, que Castro Barbosa conhecera no L\u00f3ide, escutou-o cantarolar e viu que ele levava jeito. Athos o indica para um teste na R\u00e1dio Educadora (PRB-7), onde \u00e9 apresentado a Almirante (\u201ca maior patente do r\u00e1dio\u201d) , que o leva a seu programa. Castro tamb\u00e9m participa do \u2018Programa Cas\u00e9\u201d, apresentado por Ademar Cas\u00e9, av\u00f4 paterno da atriz e apresentadora de TV Regina Cas\u00e9.\u00a0 Na emissora, Castro Barbosa trava conhecimento com os maiores cartazes da \u00e9poca, entre eles, Noel Rosa, Cust\u00f3dio Mesquita, Non\u00f4 e Francisco Alves.\u00a0 No in\u00edcio de 1931, a convite do compositor Andr\u00e9 Filho (autor dos cl\u00e1ssicos \u2018Cidade maravilhosa\u201d e \u201cAl\u00f4,al\u00f4\u201d), grava seu primeiro disco, na Parlophon, lan\u00e7ado em mar\u00e7o desse ano, com o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cTu h\u00e1s de sentir\u201d, de Heitor dos Prazeres, e a marcha \u201cUvinha\u201d, de Andr\u00e9. Nessa ocasi\u00e3o, grava com o Bando da Lua, na Brunswick, o samba \u201cT\u00e1 de mona\u201d, de Ma\u00e9rcio e Mazinho. No carnaval de 1932, obt\u00e9m seu primeiro grande sucesso, em grava\u00e7\u00e3o Victor (devidamente aprovado em teste pelo ent\u00e3o diretor art\u00edstico da gravadora,o violonista Rog\u00e9rio Guimar\u00e3es): a marchinha \u201cTeu cabelo n\u00e3o nega\u201d, de Lamartine Babo e dos irm\u00e3os Raul &amp; Jo\u00e3o Victor Valen\u00e7a, hoje um cl\u00e1ssico, vendendo quinze mil c\u00f3pias (cifra consider\u00e1vel\u00a0 para a \u00e9poca, na qual os grandes cantores vendiam, em m\u00e9dia, at\u00e9 mil discos).\u00a0 Mais tarde, conhece Jo\u00e3o de Freitas Ferreira, o Jonjoca, e em uma festa na casa do cantor Jorge Fernandes, ambos fizeram um dueto de brincadeira, com Barbosa imitando Francisco Alves, o eterno Rei da Voz. Nascia a dupla Jonjoca e Castro Barbosa, que a Victor lan\u00e7a para competir com Chico Alves e M\u00e1rio Reis, da Odeon, e grava in\u00fameros hits.\u00a0 Barbosa gravaria, at\u00e9 1954, 83 discos de 78 rpm com 150 m\u00fasicas, v\u00e1rias delas de sucesso, mas, \u00a0em 1937, foi convidado por Renato Murce para substituir o ator Artur de Oliveira no \u201cPrograma Palmolive\u201d, da lend\u00e1ria R\u00e1dio Nacional, atuando como cantor e humorista ao lado de Jorge Murad e Dircinha Batista. A partir da\u00ed, sua atua\u00e7\u00e3o como locutor e humorista passa a sobrepujar a carreira de cantor. Em 1939, \u00e9 convidado por Lauro Borges para atuar no humor\u00edstico \u201cPRV-8 R\u00e1dio X\u201d (com o pseud\u00f4nimo de Vasco Ferreira), embri\u00e3o do que, em poucos anos, viria a ser a not\u00f3ria \u201cPRK-30\u201d, estreada em 1944 na R\u00e1dio Mayrink Veiga. Nos primeiros programas, por\u00e9m, foi Pinto Filho quem atuou ao lado de Lauro Borges, e Castro Barbosa (ex-Vasco Ferreira) s\u00f3 entraria em cena a partir do programa de n\u00famero 25 da s\u00e9rie, interpretando o locutor portugu\u00eas Megat\u00e9rio Nababo d\u2019Alicerce, com Lauro no papel de Otelo Trigueiro, o \u201cporigrota da voz lantijolada\u201d.\u00a0 Em 1946, a \u201cPRK-30\u201d transfere-se para a R\u00e1dio Nacional, tornando-se\u00a0 uma das maiores audi\u00eancias da emissora estatal da Pra\u00e7a Mau\u00e1,indo depois para a Tupi, sendo, a partir de 1951, apresentado tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo. Foram muitos anos de absoluto sucesso, e o programa iria inevitavelmente para a televis\u00e3o, transmitido pelas TVs Rio e Paulista, repetindo o \u00eaxito no r\u00e1dio. Em 1967, com a tr\u00e1gica morte do parceiro Lauro Borges (ele foi encontrado morto, com um tiro na cabe\u00e7a, na garagem do edif\u00edcio em que morava,no bairro paulistano da Vila Mariana), Castro Barbosa (mais tarde nome de rua no bairro carioca da Vila Isabel) decide deixar a vida art\u00edstica, vindo a falecer no dia 30 de abril de 1975, no Rio de Janeiro, de aneurisma no est\u00f4mago, deixando a vi\u00fava, Guilhermina Mendes, tr\u00eas filhos e cinco netos, entre estes \u00faltimos a hoje tamb\u00e9m atriz Renata Castro Barbosa, contratada da Rede Globo de Televis\u00e3o.<\/div>\n<div>Nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, apresentamos 19 exemplos not\u00e1veis e expressivos da arte musical de Castro Barbosa, solo ou em dupla com outros. Abrindo a sele\u00e7\u00e3o, a cl\u00e1ssica rumba \u201cAqueles olhos verdes (Aquellos ojos verdes)\u201d, de Nilo Men\u00e9ndez (cubano radicado nos EUA) e Adolfo Utrera, em vers\u00e3o de Jo\u00e3o de Barro,\u00a0 o Braguinha. Grava\u00e7\u00e3o Parlophon de 30 de julho de 1932, matriz 131430, inicialmente lan\u00e7ada com o n\u00famero 13431-A e, em mar\u00e7o de 33, reeditada pela Odeon sob n\u00famero 11005-A. Braguinha tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela faixa seguinte, a marchinha \u201cEscravos de J\u00f3\u201d, adaptando famosa cantiga de roda, que Barbosa lan\u00e7a na Columbia em janeiro de 1942, para o carnaval desse ano, disco 55323-B, matriz 502. O fox \u201cJulieta\u201d \u00e9 uma das raras exce\u00e7\u00f5es na obra essencialmente samb\u00edstica de Noel Rosa, em parceria com Erat\u00f3stenes Fraz\u00e3o. Castro Barbosa o gravou na Odeon em 3 de agosto de 1933, com lan\u00e7amento em outubro seguinte sob n\u00famero 11063-B, matriz 4703. A marcha \u201cParis sorrir\u00e1 outra vez\u201d \u00e9 de Paulo Barbosa e Oswaldo Santiago,\u00a0 e a Columbia o lan\u00e7a em novembro de 1942 (\u00e9poca em que a capital francesa era impiedosamente bombardeada, durante a Segunda Guerra Mundial), sob n.o 55382-A,matriz 565. Castro Barbosa demonstra em seguida seu talento de compositor no samba-can\u00e7\u00e3o \u2018Tudo que a boca n\u00e3o disse\u201d, que gravou na Victor em 13 de abril de 1937, com lan\u00e7amento em julho do mesmo ano, disco 34182-B, matriz 80361, que apresentava do outro lado \u2018Tua partida\u201d, com Francisco Alves, ent\u00e3o retornando \u00e0 Odeon.\u00a0 A marcha \u201cAsas do Brasil\u201d, da f\u00e9rtil parceria Braguinha-Alberto Ribeiro,\u00e9 o lado B do disco Columbia de \u201cParis sorrir\u00e1 outra vez\u201d, de 1942, matriz 564, e aproveita a melodia de outra composi\u00e7\u00e3o da dupla, a marcha-rancho \u201cA flor e o vento\u201d, que Francisco Alves lan\u00e7ara na mesma marca dois anos antes. Em seguida, a bela valsa \u201cDona Felicidade\u201d, do flautista Benedito Lacerda em parceria com N\u00e9lson Tangerine, que Barbosa grava na Victor em 19 de abril de 1937, e \u00e9 lan\u00e7ada em junho do mesmo ano com o n.o 34170-B, matriz 80371. O samba \u201cVou peg\u00e1 Lampi\u00e3o\u201d, de J. Thomaz (aquele maestro que regia de luvas brancas sem saber m\u00fasica, e teve de largar a bateria por se queimar com fogos de artif\u00edcio), faz refer\u00eancia ao famoso e ent\u00e3o temido cangaceiro, e Castro Barbosa o grava na mesma Victor em 3 de julho de 1931, com lan\u00e7amento em agosto do mesmo ano, disco 33451-A, matriz 65183. Em dueto com Almirante, Castro Barbosa interpreta em seguida \u201cA maior descoberta\u201d, rara incurs\u00e3o carnavalesca de C\u00e3ndido \u201c\u00cdndio\u201d das Neves, compositor essencialmente rom\u00e2ntico (\u201cNoite cheia de estrelas\u201d, \u201cA \u00faltima estrofe\u201d, \u201cL\u00e1grimas\u201d, \u201cDileta\u201d etc.. Exaltando a mulata, \u201cque venceu mais uma vez\u201d, e \u00e9 tida como a maior descoberta depois da do Brasil, \u00e9 lan\u00e7ada pela Victor em fevereiro de 1934, em pleno carnaval, tendo a grava\u00e7\u00e3o sido feita a 12 de janeiro, disco 33758-A, matriz 65934. Em seguida, Barbosa interpreta, ao lado de Francisco Alves e Murilo Caldas (irm\u00e3o de S\u00edlvio), o samba \u201cDesacato\u201d, parceria de Murilo com Wilson Batista e Paulo Vieira, gravado na Odeon em 18 de julho de 1933, e lan\u00e7ado em agosto seguinte sob n.o 11042-B,matriz 4699, obtendo sucesso \u201cdesacatador\u201d, segundo a edi\u00e7\u00e3o impressa.\u00a0 Em seguida vem o lado A, matriz 4693, gravado ainda em 7 de julho, dueto de Castro Barbosa com Francisco Alves: o cl\u00e1ssico samba \u201cFeitio de ora\u00e7\u00e3o\u201d, primeira m\u00fasica da parceria Noel Rosa-Vadico, que tornou antol\u00f3gicas os versos\u201cNingu\u00e9m aprende samba no col\u00e9gio\u201d e \u201cQuem suportar uma paix\u00e3o\/sentir\u00e1 que o samba ent\u00e3o\/ nasce no cora\u00e7\u00e3o\u201d. Note-se o andamento mais r\u00e1pido que o adotado em grava\u00e7\u00f5es posteriores. Depois, Barbosa, agora em dueto com D\u00e9o, \u201co ditador de sucessos\u201d, interpreta o \u201cFrevo n.o 1\u201d, que na verdade, \u00e9 o famoso \u201cVassourinhas\u201d, de autoria de Matias da Rocha e Joana Batista Ramos, em adapta\u00e7\u00e3o de Almirante. Foi lan\u00e7ado pela Continental em pleno carnaval de 1945, em fevereiro,com o n\u00famero 15279-B, matriz 1032. O cl\u00e1ssico frevo, por\u00e9m, ficaria mais conhecido a partir de 1950, numa grava\u00e7\u00e3o instrumental da Orquestra Tabajara de Severino Ara\u00fajo. Da dupla de Castro Barbosa com Jonjoca v\u00eam tr\u00eas sambas not\u00e1veis. O primeiro \u00e9 o cl\u00e1ssico \u201cAdeus\u201d, de Ismael\u00a0 Silva, Noel Rosa e Francisco Alves, grava\u00e7\u00e3o Victor de 12 de abril de 1932, lan\u00e7ada em maio seguinte sob n.o 33548-B,matriz 65451. Da mesma sant\u00edssima trindade \u00e9 \u201cDona do lugar\u201d, grava\u00e7\u00e3o Odeon de 23 de dezembro de 1932, lan\u00e7ada um m\u00eas antes do carnaval de 33, janeiro, com o n.o 10966-B, matriz 4562. Em seguida, \u201cSinto falta de voc\u00ea\u201d, de Jonjoca sem parceiro, gravado na Victor em 12 de junho de 1931 e lan\u00e7ado em julho do mesmo ano, disco 33447-A, matriz 65162. V\u00eam logo em seguida dois sambas de Raul Marques e Ern\u00e2ni Silva, gravados por Castro Barbosa em dueto com Aracy de Almeida na Victor em 21 de dezembro de 1936, com lan\u00e7amento em janeiro de 37, claro que para o carnaval: \u2018Eu e voc\u00ea\u201d, matriz 80303, e \u2018Helena\u201d, matriz 80304. Em dueto com S\u00f4nia Barreto, tamb\u00e9m radialista e atriz, Castro Barbosa interpreta \u00a0o fox \u201cVoc\u00ea me enlouquece (You drive me crazy\/What did I do?)\u201d, de Walter Donaldson e Franz Skinner, em vers\u00e3o de Lamartine Babo (editada como \u201cEstou ficando maluco por ti\u201d), grava\u00e7\u00e3o Victor de 13 de janeiro de 1932, lan\u00e7ada em fevereiro seguinte sob n.o 33526-A,matriz 65360, e tamb\u00e9m gravado na Odeon por Francisco Alves dias depois. Para terminar, no maior alto astral, a divertida marchinha \u201cVou espalhando por a\u00ed\u201d, de Assis Valente, um dueto de Castro Barbosa com C\u00e1rmen Miranda, tamb\u00e9m grava\u00e7\u00e3o Victor, esta de 23 de abril de 1934,por\u00e9m s\u00f3 lan\u00e7ada em junho de 35, quando C\u00e1rmen j\u00e1 se transferira para a Odeon, sob n.o 33936-A, matriz 79612. N\u00e3o poderia haver melhor final para esta expressiva retrospectiva que o GRB faz do trabalho musical de Castro Barbosa. Divirtam-s<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/yb3okkyzt\" target=\"_blank\">e<\/a>!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>*Texto de Samuel Machado Filho<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 estamos na cent\u00e9sima-primeira edi\u00e7\u00e3o do Grand Record Brazil, o \u201cbra\u00e7o de cera\u201d do Toque Musical, dedicado \u00e0 era das 78 rota\u00e7\u00f5es por minuto. 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