{"id":4381,"date":"2014-08-11T22:18:48","date_gmt":"2014-08-12T01:18:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4381"},"modified":"2014-08-12T10:45:06","modified_gmt":"2014-08-12T13:45:06","slug":"luiz-americano-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-112-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4381","title":{"rendered":"Luiz Americano &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 112 (2014)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-6iFflOOej6A\/U-nnYvl0CRI\/AAAAAAAAJ44\/vAF0hx42AjA\/s1600\/CAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-TmQ5VRe5zo4\/U-nneSmG9OI\/AAAAAAAAJ5A\/ue0Fp1eLhS8\/s1600\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><\/p>\n<div>E prossegue a brilhante trajet\u00f3ria do Grand Record Brazil, agora em sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 112. Nela, apresentamos significativa parcela do legado de um clarinetista e saxofonista cuja hist\u00f3ria se confunde com o desenvolvimento de nossa m\u00fasica popular: Luiz Americano Rego. Nascido em 27 de fevereiro de 1900,em Itabaiana, Sergipe (e n\u00e3o na capital do Estado, Aracaju, como divulgado em sua biografia conhecida), Luiz Americano teve toda a sua cultura musical criada no seio de uma gera\u00e7\u00e3o de grandes m\u00fasicos de sopro. A come\u00e7ar por seu pai, professor e incentivador, o mestre de banda Jorge Americano (1860-1926), e seu primo, o maestro Ant\u00f4nio Melo (1902-2002, membro da renomada Filarm\u00f4nica de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, hoje tamb\u00e9m conhecida como Orquestra Sinf\u00f4nica de Itabaiana. Iniciou seus estudos de clarinete com o pai, aos 13 anos. \u00a0Em 1920, o Sr. Jorge traz a fam\u00edlia (esposa e quatro filhos) para o Rio de Janeiro, em busca de um futuro melhor para todos, face \u00e0 arte musical que ele e o filho Luiz (ent\u00e3o j\u00e1 casado com Dulcineia Costa Rego) dominavam, al\u00e9m de fugir das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de saneamento de Itabaiana. \u00a0Por essa \u00e9poca, Luiz Americano j\u00e1 estava no Ex\u00e9rcito,como m\u00fasico instrumentista, largando a farda os 22 anos.Luiz \u00a0faz suas cinco primeiras grava\u00e7\u00f5es em 1925, ainda no processo mec\u00e2nico, todas elas maxixes:\u00a0 tr\u00eas de sua autoria (\u201cGozando a vida\u201d, \u201cMe deixa, Donzela\u201d e \u2018Tico-tico\u201d), um de Freire J\u00fanior (\u201cCora\u00e7\u00e3o que bate, bate\u201d) e outro do baterista J\u00falio Casado (\u201cNacionalista\u201d).\u00a0 Foi um pioneiro na utiliza\u00e7\u00e3o da clarineta no choro, angariando prest\u00edgio como solista durante as d\u00e9cadas de 1920, 30 e 40. Tornou-se o m\u00fasico mais requisitado da \u00e9poca, inclusive para participar em in\u00fameras grava\u00e7\u00f5es, atuando, em discos e shows, com as mais importantes orquestras do per\u00edodo (Simon Bountman, Justo Nieto, Romeu Silva, Raul Lipoff etc.) e in\u00fameros grupos regionais. Ap\u00f3s uma temporada de trabalho na Argentina, de volta ao Rio, Luiz Americano funda um dos primeiros conjuntos brasileiros de jazz. N\u00e3o gostava de viajar, e por isso n\u00e3o acompanhou C\u00e1rmen Miranda nos EUA. Ainda assim, ganhou elogios de Benny Goodman, outro mestre da clarineta. Afinal, o prazer de Luiz Americano era mesmo tocar, e a clarineta nunca foi um instrumento desafiador para ele, que impressionava com sua excepcional habilidade de improvisa\u00e7\u00e3o e respira\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m dominava o sax-alto, seu leal companheiro durante anos,\u00a0 com virtuosismo, soprando-o com vigor e eleg\u00e2ncia, e produzindo um som claro e distinto, tendo deixado in\u00fameras obras inesquec\u00edveis como compositor. Verdadeiro fen\u00f4meno!\u00a0 Al\u00e9m de vasta discografia em 78 rpm, gravou dois LPs: \u201cChora, saxofone\u201d (1958) e \u201cLuiz Americano e seu Conjunto\u201d (1959), ambos pela RCA Victor. Teve tr\u00eas filhas, todas do primeiro casamento, com Dulcineia:\u00a0 Leda, Lysses e Iolanda. Ap\u00f3s enviuvar, contraiu segundas n\u00fapcias \u00a0com \u00c9rika Romminger \u00a0(que assim passou a ser \u00c9rika Rego),\u00a0 para quem comp\u00f4s um belo choro, \u201cLinda \u00c9rika\u201d, j\u00e1 executado por m\u00fasicos diversos, mas nunca se encontrou a grava\u00e7\u00e3o do autor. Por outro lado, ele e seu pai j\u00e1 vieram de Itabaiana contaminados pelo v\u00edrus da hepatite. E foi a evolu\u00e7\u00e3o da hepatite (guloso, devorava os banquetes das festas em que tocava, mas nunca ingeria bebida alco\u00f3lica) que causou sua morte prematura (60 anos), no Rio de Janeiro,\u00a0 em 29 de mar\u00e7o de 1960, de cirrose, causando uma perda irrepar\u00e1vel para a MPB.<\/div>\n<div>Nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, um pouco da magia e da arte de Luiz Americano, em 15 preciosas grava\u00e7\u00f5es. Abrindo-a, temos seu choro \u201cAlma do Norte\u201d, grava\u00e7\u00e3o Odeon de 3 de outubro de 1936, s\u00f3 lan\u00e7ada em abril de 37, disco 11459-A, matriz 5389. Depois, a bela valsa \u2018Teu olhar\u201d, de Get\u00falio \u201cAmor\u201d Marinho e Jo\u00e3o Bastos Filho, lado B da faixa anterior, matriz 5390. Um dos choros mais conhecidos de Luiz Americano, \u201c\u00c9 do que h\u00e1\u201d \u00e9 apresentado nas duas grava\u00e7\u00f5es que ele fez do mesmo em 78 rpm: a primeira no lan\u00e7amento, pela Odeon (faixa 3), de 5 de mar\u00e7o de 1931, disco 10797-A, matriz 4169, e a segunda encerrando esta sele\u00e7\u00e3o, feita na Todam\u00e9rica em 7 de abril de 1953 e lan\u00e7ada em junho do mesmo ano, disco TA-5298-B, matriz TA-442.\u00a0 A quarta faixa \u00e9 a conhecida valsa \u201cL\u00e1grimas de virgem\u201d, grava\u00e7\u00e3o Odeon do mesmo disco original de \u201c\u00c9 do que h\u00e1\u201d, de 1931,sendo seu lado B, matriz 4168. Foi igualmente regravada por Luiz na Todam\u00e9rica, na mesma sess\u00e3o de 7 de abril de 53 em que reviveu \u201c\u00c9 do que h\u00e1\u201d, e este registro est\u00e1 na faixa 12, disco TA-5297-B, matriz TA-440, indo para as lojas igualmente em junho daquele ano.\u00a0 Foi com o dinheiro resultante dos direitos de \u201cL\u00e1grimas de virgem\u201d, inclusive, que Luiz Americano p\u00f4de comprar a casa em que morou, no bairro carioca de Br\u00e1s de Pina.\u00a0 O choro \u201cLysses\u201d (faixa 5) homenageia a segunda filha do compositor-instrumentista, e saiu pela Odeon em abril de 1929, sob n.o 10362-B, matriz 2313. Na sexta faixa, um choro literalmente \u201cdas Ar\u00e1bias\u201d: \u201cLuiz Americano de passagem pela Ar\u00e1bia\u201d, que ele gravou na mesma Odeon em 5 de setembro de 1933, mas s\u00f3 saiu em mar\u00e7o de34, disco 11075-A,matriz 4721. Radam\u00e9s Gnattali, pianista e maestro de renome, assina a faixa 7, o primoroso choro \u201cSerenata no Jo\u00e1\u201d, executado por Americano em grava\u00e7\u00e3o Odeon de 24 de agosto de 1934, editada em novembro seguinte com o n.o 11171-A, matriz 4900. Depois temos outro choro do pr\u00f3prio executante, \u2018Luiz Americano no Lido\u201d, tamb\u00e9m registro Odeon, este de 8 de dezembro de 1934,que foi para as lojas em abril de 35 sob n.o 11212-A, matriz 4966. Violonista consagrado nos EUA,onde desenvolveu carreira de muito prest\u00edgio e pr\u00eamios, Laurindo de Almeida assina a faixa 9,o choro \u201c\u00daltima l\u00e1grima\u201d, da safra de Luiz Americano na Victor, grava\u00e7\u00e3o de 25 de julho de 1939, lan\u00e7ada em outubro do mesmo ano, disco 34499-B, matriz 33130. De outro m\u00fasico renomado, o bandolinista Luperce Miranda, \u00e9 o choro \u2018Caboclo brasileiro\u201d, que Americano, ao sax-alto,\u00a0 grava na marca do cachorrinho Nipper em 11 de julho de 1940, com lan\u00e7amento em setembro do mesmo ano, disco 34649-A, matriz 33468. \u2018Sossega, Juca\u201d , choro do pr\u00f3prio Americano, \u00e9 grava\u00e7\u00e3o Odeon de 19 de abril de 1940, disco 12133-B, matriz 6348, ao que parece, lan\u00e7ada apenas em 1942. \u201cSorriso de cristal\u201d (faixa 13) \u00e9 um choro de autoria da segunda mulher de Luiz Americano, \u00c9rika Rego, e ele o grava na Todam\u00e9rica em\u00a0 11 de maio de 1954, com lan\u00e7amento em agosto seguinte sob n.o TA-5455-B, matriz TA-649. Por fim, na pen\u00faltima faixa (a \u00faltima \u00e9 a regrava\u00e7\u00e3o de \u201c\u00c9 do que h\u00e1\u201d), Luiz Americano presta homenagem a outro grande compositor e saxofonista, Severino Rangel, o Ratinho (da dupla humor\u00edstica com Jararaca), revivendo seu choro \u201cSaxofone,por que choras?\u201d, originalmente registrado pelo autor em 1930. A regrava\u00e7\u00e3o de Americano \u00e9 da Todam\u00e9rica, datada de 7 de abril de 1953 e lan\u00e7ada em junho do mesmo ano, disco TA-5297-A, matriz TA-441. Enfim, uma amostra expressiva da arte, do talento e da versatilidade de Luiz Americano, clarinetista e saxofonista como poucos, merecendo por isso um lugar de destaque entre os grandes mestres da m\u00fasica instrumental do Brasi<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/3vkevrfwu\" target=\"_blank\">l<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>* Texto de Samuel Machado Filho<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E prossegue a brilhante trajet\u00f3ria do Grand Record Brazil, agora em sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 112. 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