{"id":4662,"date":"2014-12-16T20:41:18","date_gmt":"2014-12-16T22:41:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4662"},"modified":"2014-12-17T06:55:15","modified_gmt":"2014-12-17T08:55:15","slug":"marilia-batista-dircinha-batista-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-129-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4662","title":{"rendered":"Mar\u00edlia Batista &#8211; Dircinha Batista &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 129 (2014)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-VDMw2o3u8Xo\/VJFCm6I9lWI\/AAAAAAAAKzY\/5X9KbnX0goM\/s1600\/CAPAP.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-0wqdU-eRaNQ\/VJFCz9HvnII\/AAAAAAAAKzg\/XBs6dDXLklc\/s1600\/CONTRACAPAP.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><\/p>\n<div>A\u00a0 edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 129 do Grand Record Brazil, \u201cbra\u00e7o de cera\u201d do Toque Musical, oferece alguns dos melhores momentos de duas\u00a0 not\u00e1veis cantoras da MPB, que n\u00e3o eram parentes, apesar do sobrenome ser igual:\u00a0 Mar\u00edlia e Dircinha Batista. S\u00e3o dezesseis grava\u00e7\u00f5es raras, sendo chover no molhado falar de seu valor art\u00edstico e hist\u00f3rico, absolutamente incontest\u00e1vel.<\/div>\n<div>Mar\u00edlia Monteiro de Barros Batista nasceu no Rio de Janeiro em 13 de abril de 1918, filha do m\u00e9dico do Ex\u00e9rcito Renato Hugo Batista e da pianista Edith Monteiro de Barros Batista. Seus irm\u00e3os, Henrique e Renato, eram tamb\u00e9m compositores, o que faria nossa Mar\u00edlia (neta do poeta e Bar\u00e3o Luiz Monteiro de Barros) interessar-se desde menina pela m\u00fasica. Seu primeiro viol\u00e3o foi \u201cganho\u201d por acaso, aos seis anos de idade, quando o barbeiro da fam\u00edlia, numa ida \u00e0 sua casa para cortar os cabelos do pai e de um irm\u00e3o, esqueceu l\u00e1 o seu instrumento. O viol\u00e3o seria uma de suas eternas paix\u00f5es, e ela n\u00e3o o largaria mais, j\u00e1 mostrando talento de compositora aos oito anos. Estudou no Instituto Nacional de M\u00fasica (atual Escola de M\u00fasica da Universidade Federal\u00a0 do Rio de Janeiro), onde se formou em teoria, solfejo e harmonia,apesar de ter abandonado, no quarto ano, o curso de piano. Em 1930, levada pelo jornalista Lauro Sarno Nunes (pai do humorista Max Nunes), fez seu primeiro recital, no Cassino Beira-Mar, interpretando, com sua voz e seu viol\u00e3o, can\u00e7\u00f5es sertanejas, sambas e cateret\u00eas, al\u00e9m de suas primeiras composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Aos 12 anos, come\u00e7ou a estudar viol\u00e3o com Josu\u00e9 de Barros, que, ap\u00f3s ficar encantado com o recital da menina Mar\u00edlia, fez quest\u00e3o de lhe dar aulas por conta pr\u00f3pria. Mar\u00edlia estudou com Josu\u00e9 por seis meses, mas, como pretendia ser concertista, passou a ter aulas de viol\u00e3o cl\u00e1ssico com o virtuose Jos\u00e9 Rebelo. Por\u00e9m, seu interesse pela m\u00fasica popular sempre foi mais forte. Em 1931, aos 14 anos, convidada para se apresentar no espet\u00e1culo \u201cUma hora de arte\u201d, no Gr\u00eamio Esportivo Onze de Junho, ali conheceu Noel Rosa. Ambos logo se tornaram grandes amigos, e Mar\u00edlia \u00e9 at\u00e9 hoje considerada por historiadores da MPB uma das melhores int\u00e9rpretes de Noel, ao lado de Aracy de Almeida.\u00a0 O primeiro disco viria em 1932,apresentando duas m\u00fasicas suas de parceria com o irm\u00e3o Henrique Batista: o samba \u201cPedi, implorei\u201d e a marchinha \u201cMe larga\u201d. Em 1933,a convite de Almirante, participa do Broadway Cocktail, um espet\u00e1culo que acontecia no Cine Broadway, antecedendo o filme, ao lado de medalh\u00f5es da MPB nessa \u00e9poca, tais como S\u00edlvio Caldas e Jorge Fernandes. O sucesso fez com que, a convite de Ademar Cas\u00e9 (av\u00f4 da humorista e apresentadora de TV Regina Cas\u00e9),Mar\u00edlia participasse do \u201cPrograma Cas\u00e9\u201d, na PRAX, R\u00e1dio Philips. No programa, fazia improvisos e versinhos das propagandas dos patrocinadores, ao lado de Noel Rosa, com quem gravou tr\u00eas discos com seis m\u00fasicas. Foi para Mar\u00edlia Batista que a m\u00e3e de Noel,\u00a0 Dona Martha, ap\u00f3s sua morte(1937),\u00a0 entregou os manuscritos do filho, que a cantora repassou para Almirante. Foi uma das pioneiras da R\u00e1dio Nacional, inaugurada em 1936, e l\u00e1 faria parte do grupo vocal As Tr\u00eas Marias, com quem gravaria alguns discos e acompanhou os cantores da emissora. Em 1945, ao se casar, interrompeu por alguns anos suas atividades art\u00edsticas, mas, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, retomou-as, gravando in\u00fameros LPs,\u00a0 incluindo m\u00fasicas de seu amigo Noel Rosa, at\u00e9 mesmo in\u00e9ditas que aprendera com ele (sua discografia tamb\u00e9m abrange cerca de 30 grava\u00e7\u00f5es em 78 rpm). Nos anos 1960, resolveu voltar a estudar e formou-se em Direito. Em 1988, quando participou do projeto \u201cConcerto ao meio-dia\u201d, no Teatro Jo\u00e3o Teot\u00f4nio, foi aplaudid\u00edssima pela plateia que superlotava o recinto, chegando a ir \u00e0s l\u00e1grimas. Mar\u00edlia Batista faleceu em seu Rio natal, no dia 9 de julho de 1990. Abrindo esta sele\u00e7\u00e3o do GRB, ela interpreta justamente um samba de Noel, \u201cTipo zero\u201d, composto em 1934, mas s\u00f3 gravado por Mar\u00edlia Batista em 1956, na Musidisc de Nilo S\u00e9rgio, integrando o 78 n\u00famero M-50046-A, matriz MD-10091, e, como faixa de abertura, o LP de 10 polegadas \u201cSamba e outras coisas\u201d, t\u00edtulo de um programa que seu irm\u00e3o Henrique manteve no r\u00e1dio por muitos anos.\u00a0 Noel\u00a0 faria retoques na segunda parte deste samba, e colocaria uma estrofe a mais para encaix\u00e1-lo na opereta \u201cA noiva do condutor\u201d, s\u00f3 gravada na \u00edntegra em 1986, em \u00e1lbum da Eldorado, j\u00e1 oferecido a voc\u00eas pelo TM.\u00a0 Em seguida, temos mais cinco sambas de Noel Rosa, cantados por Mar\u00edlia em dueto com ele,\u00a0 j\u00e1 no final da curta vida do compositor, e em sua maior parte com acompanhamento do regional de Benedito Lacerda,\u00a0 e sua inconfund\u00edvel flauta. \u201cProvei\u201d \u00e9 da parceria de Noel com Vadico, grava\u00e7\u00e3o Odeon de 12 de novembro de 1936, lan\u00e7ada em dezembro do mesmo ano para o carnaval de 37, disco 11422-A, matriz 5445. O lado B, matriz 5446, est\u00e1 na faixa 8: \u201dVoc\u00ea vai se quiser\u201d, \u00fanico samba que Noel fez para sua esposa Lindaura, que se disp\u00f4s a trabalhar fora, dadas as dificuldades financeiras do casal. Noel, nada feminista, revidou:\u00a0 \u201cEla esquece que tem bra\u00e7os,nem cozinhar ela quer\u201d&#8230;\u00a0 \u201cCem mil-r\u00e9is\u201d (faixa 3)\u00a0 \u00e9 outro produto da parceria Noel-Vadico, grava\u00e7\u00e3o Odeon de 5 de mar\u00e7o de 1936, lan\u00e7ada em abril do mesmo ano, disco 11337-B, matriz 5275. Em seguida, na faixa\u00a0 4, matriz 5277, o lado A desse disco:\u00a0 o divertido e cl\u00e1ssico \u201cDe babado\u201d,\u00a0 conhecido e regravado at\u00e9 hoje, como praticamente tudo do Poeta da Vila.\u00a0 A letra menciona inclusive o cavalo Mossor\u00f3, vencedor do Grande Pr\u00eamio Brasil de Turfe em 1933. Ironicamente,era \u201cDe babado\u201d que estava sendo executado numa casa vizinha a de Noel, no dia de sua morte (4 de maio de 1937), quando ele j\u00e1 agonizava em seu leito, consumido pela tuberculose. Na faixa 5, \u201cQuem ri melhor\u201d, samba de sucesso no carnaval de 1937, o \u00faltimo da vida de Noel, e feito sem parceria. Grava\u00e7\u00e3o Victor de 18 de novembro de 36, com acompanhamento dos Reis do Ritmo, lan\u00e7ada em dezembro seguinte sob n\u00famero 34140-A, matriz 80258. \u201cSil\u00eancio de um minuto\u201d, samba feito por Noel em 1935, s\u00f3 foi gravado pela primeira vez,\u00a0 por Mar\u00edlia Batista, cinco anos depois, com Noel j\u00e1 falecido, em 20 de mar\u00e7o de 1940, com lan\u00e7amento pela Victor em maio do mesmo ano, disco 34604-B, matriz 33356. \u00c9 uma vers\u00e3o resumida, pois o samba s\u00f3 foi gravado com a letra completa em 1951, por Aracy de Almeida.\u00a0 Por fim, uma amostra do trabalho exclusivamente autoral de Mar\u00edlia Batista: o \u201cSamba de 42\u201d, parceria dela com o irm\u00e3o Henrique Batista, mais Arnaldo Paes. Quem canta \u00e9 Arnaldo Amaral, tamb\u00e9m gal\u00e3 de cinema, e o lan\u00e7amento se deu pela Columbia em janeiro de 1942, \u00e9 claro, para o carnaval, disco 55320-B, matriz 491.<\/div>\n<div>\u00a0Filha do comediante Batista J\u00fanior e irm\u00e3 da tamb\u00e9m cantora Linda Batista, Dirce Grandino de Oliveira, ali\u00e1s Dircinha Batista (S\u00e3o Paulo, 7\/4\/1922-Rio de Janeiro, \u00a018\/6\/1999) come\u00e7ou bem cedo sua carreira art\u00edstica: em 1930, aos oito anos de idade, como Dircinha de Oliveira, gravou seu primeiro disco, na Columbia,futura Continental,\u00a0 interpretando duas composi\u00e7\u00f5es do pai, \u201cDircinha\u201d e \u201cBorboleta azul\u201d. Em mais de 40 anos de estrada, gravou mais de 300 discos em 78 rpm, e alguns LPs\u00a0 e compactos, com in\u00fameros hits, especialmente carnavalescos, al\u00e9m de atuar no r\u00e1dio, no teatro e no cinema (apareceu em 16 filmes). Foi eleita Rainha do R\u00e1dio em 1948, substituindo a irm\u00e3 Linda, que detinha a coroa desde 1937. Parou de cantar em 1972, abalada pela morte de sua m\u00e3e, Em\u00edlia Grandino de Oliveira, e pelo descaso da m\u00eddia com os astros do passado.\u00a0 Nos \u00faltimos anos de vida, Dircinha e sua irm\u00e3 Linda foram amparadas pelo cantor Jos\u00e9 Ricardo, que as acolheu como membros de sua fam\u00edlia. No final dos anos 1980, surgiu o musical \u201cSomos irm\u00e3s\u201d, estrelado por Nicete Bruno e Suely Franco, relatando a vida das irm\u00e3s-cantoras.<\/div>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, um pouco do legado art\u00edstico-musical de Dircinha Batista. Para come\u00e7ar, a bem-humorada e divertida \u201cCan\u00e7\u00e3o pra broto se espregui\u00e7ar\u201d,\u00a0 que leva a respeit\u00e1vel assinatura de M\u00e1rio Lago, gravada na RCA Victor por Dircinha em primeiro de julho de 1955 e lan\u00e7ada em setembro do mesmo ano, disco 80-1493-B, matriz BE5VB-0810. Mais tarde, entraria no LP-colet\u00e2nea de 10 polegadas \u201cElas cantam assim\u201d. \u201cChico Brito\u201d \u00e9 um samba cl\u00e1ssico e bastante conhecido, de autoria de Wilson Batista e Afonso Teixeira.\u00a0 Gravado por Dircinha na Odeon em primeiro de dezembro de 1949, s\u00f3 seria lan\u00e7ado menos de um ano depois (outubro de 50), sob n\u00famero 13047-B, matriz 8603. O nome Pe\u00e7anha foi posto na letra da m\u00fasica para substituir \u201cmeganha\u201d, g\u00edria da \u00e9poca para policial. Note-se tamb\u00e9m uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cerva do norte\u201d, possivelmente&#8230;\u00a0 \u00a0Adivinha! O samba \u201cIcara\u00ed\u201d, de Raimundo Flores e C\u00e9lio Ferreira, \u00e9 uma exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 famosa praia situada em Niter\u00f3i, litoral fluminense, imortalizada por Dircinha Batista na Continental em 19 de abril de 1948 e lan\u00e7ada em\u00a0 julho-setembro do mesmo ano, disco 15923-A, matriz 1851. Mostrando que sabia dar o recado at\u00e9 em ingl\u00eas, Dircinha interpreta depois, com acompanhamento orquestral de Aristides Zaccarias, o fox \u201cI only have eyes for you\u201d, de Harry Warren e Al Dubin, composto em 1934. Grava\u00e7\u00e3o RCA Victor de 1957, do LP de 10 polegadas \u201cM\u00fasica para o mundo\u201d. \u201cO teu sorriso me prendeu\u201d \u00e9 uma marchinha de meio-de-ano, assinada pelo pistonista Bomfiglio de Oliveira, com letra de Walfrido Silva. Dircinha a gravou na Victor na plenitude de seus 13 anos, acompanhada pela endiabrada orquestra Diabos do C\u00e9u, de Pixinguinha, em 8 de julho de 1935, sendo lan\u00e7ada em agosto do mesmo ano, disco 33961-B, matriz 79969. A batucada \u201cA coroa do rei\u201d, de Haroldo Lobo e David Nasser, foi uma das m\u00fasicas campe\u00e3s do carnaval de 1950, imortalizada por Dircinha na Odeon em 30 de setembro de 49 e lan\u00e7ada ainda em dezembro, disco 12962-B, matriz 8564. Do carnaval de 1946 \u00e9 o samba \u201cQue papagaio sou eu?\u201d,\u00a0 de Wilson Batista e Henrique de Almeida, lan\u00e7ado por Dircinha na Continental em janeiro daquele ano, disco 15574-B,matriz 1352. Encerrando este volume,uma curiosidade hist\u00f3rica:\u00a0 o jingle publicit\u00e1rio gravado por Dircinha para o Auris Sedina, um rem\u00e9dio para dor de ouvido, produzido at\u00e9 hoje pelos Laborat\u00f3rios Os\u00f3rio de Moraes. Bastante veiculado no r\u00e1dio durante os anos 1950, ficou na mem\u00f3ria de muita gente. E,\u00a0 se depender de iniciativas como a deste volume do GRB, as Batistas aqui recordadas, Mar\u00edlia e Dircinha, v\u00e3o ficar para sempre na mem\u00f3ria de muito<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/16rgvvlyl\" target=\"_blank\">s<\/a>!<\/p>\n<p>* Texto de Samuel Machado Filho<\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0 edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 129 do Grand Record Brazil, \u201cbra\u00e7o de cera\u201d do Toque Musical, oferece alguns dos melhores momentos de duas\u00a0 not\u00e1veis cantoras da MPB, que n\u00e3o eram parentes, apesar do sobrenome ser igual:\u00a0 Mar\u00edlia e Dircinha Batista. 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