{"id":4798,"date":"2015-02-24T21:28:04","date_gmt":"2015-02-25T00:28:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4798"},"modified":"2015-02-24T21:28:04","modified_gmt":"2015-02-25T00:28:04","slug":"jorge-veiga-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-134-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=4798","title":{"rendered":"Jorge Veiga &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 134 (2015)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-rEfQO0471MY\/VO0VhPfUWeI\/AAAAAAAALLQ\/5-_MZAJ8qg0\/s1600\/CAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-TGyIOHn3PY8\/VO0VjnGOTDI\/AAAAAAAALLY\/Q3i0nniAUwM\/s1600\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"1000\" height=\"1000\" \/>Em sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 134, o Grand Record Brazil, agora com periodicidade quinzenal, tem a satisfa\u00e7\u00e3o de apresentar um dos mais expressivos sambistas que o Brasil j\u00e1 teve. Estamos falando de Jorge Veiga.<\/p>\n<div>Com o nome completo de Jorge de Oliveira Veiga, nosso focalizado veio ao mundo no bairro do Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1910. Teve inf\u00e2ncia de menino pobre, trabalhando como engraxate, vendedor de frutas e pirulitos. Ao chegar \u00e0 fase adulta, exerceu o of\u00edcio de pintor de paredes.\u00a0 Um belo dia, ao ouvi-lo cantar durante o servi\u00e7o, o dono de uma casa comercial que o futuro astro estava pintando percebeu suas qualidades de int\u00e9rprete. E conseguiu que ele cantasse em um programa da R\u00e1dio Educadora do Brasil (PRB-7),\u00a0 onde fazia imita\u00e7\u00f5es de S\u00edlvio Caldas durante o programa \u201cMetr\u00f3polis\u201d, pontap\u00e9 inicial de sua carreira art\u00edstica, atuando nessa \u00e9poca tamb\u00e9m em circos e pavilh\u00f5es. A estreia de Jorge Veiga em disco aconteceu em 1939, participando da grava\u00e7\u00e3o da rancheira \u201cAdeus, Jo\u00e3o\u201d, composta e executada pelo acordeonista Anten\u00f3genes Silva, apenas vocalizando o refr\u00e3o.\u00a0 Em 1942, quando atuava na R\u00e1dio Guanabara, conheceu Paulo Gracindo, figura que teve grande import\u00e2ncia na carreira do cantor, estimulando-o a cantar sempre com um sorriso nos l\u00e1bios, garantindo a leveza de suas interpreta\u00e7\u00f5es e a divers\u00e3o dos ouvintes. Seu repert\u00f3rio era composto, basicamente, de sambas malandros e aned\u00f3ticos, al\u00e9m de sambas de breque. E, no carnaval de 1944, consegue seu primeiro sucesso:\u00a0 o samba \u201cIracema\u201d,de \u00a0Raul Marques e Otolindo Lopes. No r\u00e1dio, atuou ainda na Tupi e, mais tarde, na lend\u00e1ria Nacional, onde Floriano Faissal criou o bord\u00e3o com o qual o cantor sempre iniciava suas apresenta\u00e7\u00f5es: \u201cAl\u00f4, al\u00f4, senhores aviadores que cruzam os c\u00e9us do Brasil! Aqui fala Jorge Veiga, da R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro. Esta\u00e7\u00f5es do interior, queiram dar seus prefixos para guia de nossas aeronaves. Mantendo sua popularidade por cerca de vinte anos, Jorge Veiga lan\u00e7ou sucessos inesquec\u00edveis, tanto no carnaval como no meio de ano, tais como \u201cO que \u00e9 que eu tenho com isso?\u201d, \u201cRosalina\u201d, \u201cVou sambar em Madureira\u201d, \u201cEu quero \u00e9 rosetar\u201d, \u201cBigorrilho\u201d, \u201cO que \u00e9 que h\u00e1?\u201d, \u201cCora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m esquece\u201d, \u201cCinzas\u201d, \u201cO que \u00e9 que eu dou\u201d, \u201cSenhor comiss\u00e1rio\u201d, \u201cReza por nosso amor\u201d, \u201cCala a boca Etelvina\u201d, \u201cHist\u00f3ria da ma\u00e7\u00e3\u201d, \u201cOrora analfabeta\u201d, \u201cBrigitte Bardot\u201d e \u201cCaf\u00e9 so\u00e7aite (Depois eu conto&#8230;)\u201d. Com esta \u00faltima, um samba de Miguel Gustavo\u00a0 que satirizava a alta sociedade carioca (e sua sequ\u00eancia, \u201cBoate Tr\u00e1-l\u00e1-l\u00e1\u201d), criou,no r\u00e1dio e na TV, a imagem do malandro gr\u00e3-fino, apresentando-se sempre de smoking. \u00a0Gravou na Odeon, Continental, Copacabana e RCA Victor,ao longo de sua carreira. Jorge Veiga faleceu em seu Rio de Janeiro natal em 29 de maio de 1979, aos 69 anos de idade. Nesse ano, teve lan\u00e7ado seu \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cO eterno Jorge Veiga\u201d, pela CBS.<\/div>\n<div>\u00a0Nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, um pouco da arte, do estilo inconfund\u00edvel e do bom humor de Jorge Veiga, em doze raras e preciosas grava\u00e7\u00f5es. Abrindo esta sele\u00e7\u00e3o, temos o samba \u201cA vida tem dessas coisas\u201d, de Raul Marques e Djalma Mafra, lan\u00e7ado pela Continental em junho de 1946 com o n\u00famero 15639-B, matriz 1411, no qual \u00e9 acompanhado pela inconfund\u00edvel flauta do mestre Benedito Lacerda, a frente de seu regional. Em seguida, o cantor mostra que tamb\u00e9m era bom de bai\u00e3o junino em \u201cEu fiz uma prece\u201d, de Bucy Moreira, Ary Cordovil e Araguari, lan\u00e7ado pela Copacabana em maio de 1955 sob n\u00famero 5408-B, matriz M-1160, tendo tamb\u00e9m aparecido no LP coletivo de 10 polegadas \u201cBaile na ro\u00e7a\u201d. Na terceira faixa, o bom samba \u201cConversa, Raul\u201d, de Gil Lima e Jos\u00e9 Batista, em que Jorge Veiga \u00e9 acompanhado pelo conjunto de outro Raul, o trombonista Raul de Barros. Grava\u00e7\u00e3o Continental de 11 de mar\u00e7o de 1948, lan\u00e7ada em maio-junho do mesmo ano sob n\u00famero 15890-B, matriz 1801. \u201cCabo Laurindo\u201d \u00e9 um samba dos mestres Haroldo Lobo e Wilson Batista exaltando a figura exemplar do personagem-t\u00edtulo, que saiu da favela como soldado para lutar na Segunda Guerra Mundial e voltou trazendo a Cruz da Vit\u00f3ria. Ao mesmo tempo, chamava a aten\u00e7\u00e3o para uma contradi\u00e7\u00e3o da \u00e9poca: se os pracinhas brasileiros haviam ido lutar no exterior contra ditaduras estrangeiras, por que manter uma dentro de seu pr\u00f3prio pa\u00eds, no caso,o Estado Novo getulista?\u00a0 Grava\u00e7\u00e3o Continental de 18 de junho de 1945, lan\u00e7ada em julho do mesmo ano sob n\u00famero 15381-B, matriz 1172. Logo em seguida temos o lado A, matriz 1171, \u201cNa minha casa mando eu\u201d, samba de outro mestre, Cyro de Souza. A marchinha \u201cPode ser que n\u00e3o seja\u201d, de Jo\u00e3o de Barro, o Braguinha, e Ant\u00f4nio Almeida, foi um dos hits do carnaval de 1947.Jorge Veiga a gravou na Continental em 20 de agosto de 46, matriz 1577, e o registro apareceu em disco duas vezes: a primeira em dezembro desse ano com o n\u00famero 15750-A, e a primeira em fevereiro de 47, j\u00e1 em plena folia, com o n\u00famero 15762-A. Na primeira edi\u00e7\u00e3o, apareceu o samba \u201cMart\u00edrio\u201d, de Haroldo Lobo e Pery Teixeira, mas, sabe-se l\u00e1 por que raz\u00e3o, essa tiragem desapareceu do cat\u00e1logo da Continental, n\u00e3o havendo nenhum exemplar nas m\u00e3os de colecionadores. Teria sido de fato comercializada? \u201cDeixa eu viver minha vida\u201d \u00e9 um samba de Ari Monteiro, lan\u00e7ado pela Continental em maio-junho de 1949 sob n\u00famero 16076-A, matriz 2062, sendo o acompanhamento do conjunto de Geraldo Medeiros. \u201cCaboclo africano\u201d \u00e9 um samba-choro de Z\u00e9 e Zilda, \u201ca dupla da harmonia\u201d, e foi gravado por Jorge Veiga na Continental em 30 de maio de 1946, com lan\u00e7amento em outubro do mesmo ano, disco 15713-A, matriz 1501. \u201cMedalha dourada\u201d, outro bom samba, \u00e9 de Otolindo Lopes e Arn\u00f4 Provenzano, e a Continental o lan\u00e7ou em mar\u00e7o-abril de 1950 sob n\u00famero\u00a0 16173-B,matriz 2232. \u201cCarne de gato\u201d, samba de Ary dos Santos e Gentill Leal,\u00a0 \u00e9 o lado B de \u201cCaboclo africano\u201d, matriz 2063. \u201cTestamento do sambista\u201d, de Raul Marques e Alberto Maia, vem a ser o lado A de \u201dConversa, Raul\u201d, matriz 1800. Para encerrar, temos a grava\u00e7\u00e3o de estreia de\u00a0 Jorge Veiga na Continental: \u00a0o samba \u201cMorena linda\u201d, de Jo\u00e3o Martins e Otolindo Lopes, que saiu em junho de 1944 sob n\u00famero 15160-A, matriz 787. Enfim, uma pequena-grande amostra do legado deixado por aquele que foi cognominado com justi\u00e7a, \u201co caricaturista do samba\u201d.Com voc\u00eas, o inesquec\u00edvel Jorge Veig<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/pymapc63d\" target=\"_blank\">a<\/a>!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>* Texto de Samuel Machado Filho<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 134, o Grand Record Brazil, agora com periodicidade quinzenal, tem a satisfa\u00e7\u00e3o de apresentar um dos mais expressivos sambistas que o Brasil j\u00e1 teve. Estamos falando de Jorge Veiga. 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