{"id":5092,"date":"2015-08-21T18:16:27","date_gmt":"2015-08-21T21:16:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5092"},"modified":"2015-08-24T20:39:02","modified_gmt":"2015-08-24T23:39:02","slug":"varios-50-anos-de-sertao-1979","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5092","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; 50 Anos De Sert\u00e3o (1979)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-J1LeHFYEZTA\/VdpFC-L2soI\/AAAAAAAAL-o\/TXo4bE6VdLk\/s640\/capap.JPG\" width=\"626\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-IJvxJLkZzVo\/VdpFDRB3gII\/AAAAAAAAL-s\/ECxv5V8L6SI\/s640\/contrap.JPG\" width=\"629\" height=\"640\" \/>A chamada m\u00fasica sertaneja ou caipira surgiu pela primeira vez em disco no ano de 1929. A iniciativa partiu do jornalista, escritor, empres\u00e1rio e ativista cultural\u00a0 Corn\u00e9lio Pires (Tiet\u00ea, SP, 13\/7\/1884-S\u00e3o Paulo, 17\/2\/1958), importante etn\u00f3grafo da cultura e do dialeto caipiras, tio de Ariowaldo Pires, famoso no r\u00e1dio como o Capit\u00e3o Furtado. Corn\u00e9lio foi at\u00e9 a gravadora Columbia objetivando gravar m\u00fasicas, \u201ccausos\u201d e outras manifesta\u00e7\u00f5es culturais caipiras, sobretudo do interior de S\u00e3o Paulo, Mato Grosso, Goi\u00e1s e Minas Gerais. Evidentemente, os executivos da empresa n\u00e3o acreditaram no potencial de vendas do g\u00eanero, e Corn\u00e9lio P\u00edres decidiu ele pr\u00f3prio bancar a produ\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo a venda dos discos. Assim nasceu a S\u00e9rie Caipira Corn\u00e9lio Pires, com numera\u00e7\u00e3o iniciada em 20.000 e um selo vermelho tamb\u00e9m especial. Os cinco primeiros discos da s\u00e9rie logo se tornaram sucesso, o que motivou a Columbia (futura Continental)\u00a0 a prosseguir a s\u00e9rie, sob sua total responsabilidade.\u00a0 Foi o in\u00edcio de uma longa e vitoriosa trajet\u00f3ria, na qual surgiram importantes nomes do hoje chamado \u201csertanejo de raiz\u201d, tais como Tonico e Tinoco, Alvarenga e Ranchinho, Raul Torres, Serrinha, Flor\u00eancio, Palmeira, Piraci etc. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, a m\u00fasica sertaneja incorporou novos estilos e tem\u00e1ticas, recebendo influ\u00eancia sobretudo da guar\u00e2nia paraguaia e da can\u00e7\u00e3o rancheira mexicana. Nessa \u00e9poca, surgem nomes como Cascatinha e Inhana, Pedro Bento e Z\u00e9 da Estrada, Irm\u00e3s Galv\u00e3o, Duo Irm\u00e3s Celeste, Bi\u00e1, Le\u00f4ncio e Leonel, al\u00e9m de outros que mantiveram a tradi\u00e7\u00e3o caipira, como Inezita Barroso, Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho, Z\u00e9 Carreiro e Carreirinho.\u00a0 Ti\u00e3o Carreiro inovou o g\u00eanero sertanejo, fundindo-o com samba, coco e calango. A partir da d\u00e9cada de 1960, introduziram-se elementos da chamada \u201cm\u00fasica jovem\u201d, como a guitarra el\u00e9trica, marcando o in\u00edcio do que seria denominado \u201csertanejo moderno\u201d. \u00c9 quando surgem nomes como L\u00e9o Canhoto e Robertinho, Milion\u00e1rio e Jos\u00e9 Rico, Trio Parada Dura, Louren\u00e7o e Lourival, Carlos C\u00e9zar e Cristiano, Duduca e Dalvan, Jo\u00e3o Mineiro e Marciano, Matogrosso e Matias. Cantores que se consagraram na Jovem Guarda, como S\u00e9rgio Reis e Nalva Aguiar, abrigaram-se entre os sertanejos, com in\u00fameros \u00eaxitos. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1980, os principais meios de divulga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica sertaneja eram o circo, alguns rodeios, e as emissoras de r\u00e1dio AM, al\u00e9m de um ou outro programa de televis\u00e3o, geralmente apresentados nas manh\u00e3s de domingo. Depois, o g\u00eanero passou a entrar tamb\u00e9m em r\u00e1dios FM, at\u00e9 ent\u00e3o avessas a sertanejos, registrando influ\u00eancia crescente do country norte-americano, tanto na m\u00fasica quanto no vestu\u00e1rio, registrando-se interesse maior pelas chamadas \u201cfestas de pe\u00e3o\u201d, sobretudo a de Barretos (SP), que ganhou prest\u00edgio internacional. \u00c9 quando se consagram nomes do porte de Chit\u00e3ozinho e Xoror\u00f3, Chrystian e Ralf, Leandro e Leonardo, Zez\u00e9 di Camargo e Luciano, Jo\u00e3o Paulo e Daniel, Rick e Renner. At\u00e9 chegar ao chamado \u201csertanejo universit\u00e1rio\u201d, hoje em evid\u00eancia, para alegria de uns e tristeza de outros.<\/p>\n<div>Quando a m\u00fasica sertaneja completou 50 anos de seu surgimento em disco, em 1979, as gravadoras lan\u00e7aram compila\u00e7\u00f5es especiais para comemorar a data. Uma delas foi a Cartaz, de S\u00e3o Paulo, que p\u00f4s nas lojas o \u00e1lbum que hoje o Toque Musical oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados. \u00a0Foram reunidas, para tanto, quatro duplas queridas do p\u00fablico, sobretudo do interior :\u00a0 Silveira e Barrinha, Ca\u00e7ula e Marinheiro, Pedro Bento e Z\u00e9 da Estrada, e Zilo e Zalo, todas, curiosamente, surgidas no in\u00edcio da fase dita \u201cmoderna\u201d do g\u00eanero sertanejo, e cada uma comparecendo com tr\u00eas faixas. Silveira e Barrinha (\u201ca dupla dos 22 Estados\u201d) \u00a0abrem o disco nos oferecendo os hits \u201cBerrante de ouro\u201d (1961), \u201cCora\u00e7\u00e3o apaixonado\u201d (1962) e \u201cMineiro de Uberaba\u201d (idem), todas composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, as duas primeiras s\u00f3 de Barrinha e a terceira de Silveira em parceria com o radialista Sebasti\u00e3o Victor. Em seguida, v\u00eam Ca\u00e7ula e Marinheiro, oferecendo uma vers\u00e3o para o famoso \u201cTema de Lara\u201d, do filme \u201cDoutor Jivago\u201d (MGM, 1965), assinada por Luiz de Castro. Ele tamb\u00e9m assina as outras duas faixas que esta dupla aqui interpreta, \u201cCantinho do cora\u00e7\u00e3o\u201d (parceria de\u00a0Benedito Seviero) e uma vers\u00e3o pouco divulgada do cl\u00e1ssico paraguaio \u201cGalopeira\u201d, de Maur\u00edcio Cardoso Ocampo, diferente da que ficou conhecida, que \u00e9 de Pedro Bento e teve in\u00fameras grava\u00e7\u00f5es, a mais conhecida a do ent\u00e3o cantor-mirim Donizetti, que fez dela seu eterno carro-chefe.<\/div>\n<div>\u00a0Por sua vez, Pedro Bento e Z\u00e9 da Estrada (\u201cos amantes da rancheira\u201d) batem ponto com m\u00fasicas tamb\u00e9m de composi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e com parceiros, a saber: \u201cLadr\u00e3o de beijos\u201d (Pedro Bento-N\u00e9lson Gomes, originalmente de 1961), \u201cMorrendo aos poucos\u201d (de Z\u00e9 da Estrada com o acordeonista Celinho, tamb\u00e9m sucesso em 1961) e \u201cO dia mais lindo da vida\u201d (de Z\u00e9 da Estrada e N\u00e9lson Gomes, originalmente de 1964).\u00a0 Completando o programa, os irm\u00e3os Zilo e Zalo (\u201cas vozes encantadoras do sert\u00e3o\u201d), cujos nomes verdadeiros eram, respectivamente, An\u00edbio e Beliz\u00e1rio Pereira de Souza, \u00a0nos oferecem outros tr\u00eas hits inesquec\u00edveis. O cateret\u00ea \u201cO sil\u00eancio do seresteiro\u201d, por eles gravado originalmente em 1960, tem a co-autoria do j\u00e1 citado \u00a0Benedito Seviero, paulista de Trabiju (ent\u00e3o distrito de Boa Esperan\u00e7a do Sul, sendo por isso a\u00ed registrado) e respons\u00e1vel por in\u00fameros outros sucessos sertanejos, sobretudo a guar\u00e2nia \u201cBoate azul\u201d. O tango \u201cArrependimento\u201d, originalmente de 1965, \u00e9 de L\u00e9o Canhoto, da dupla com Robertinho. Por \u00faltimo, \u201cAmarga lembran\u00e7a\u201d, um valseado tradicional de autoria da pr\u00f3pria dupla, sucesso em 1972. Enfim, \u00e9 uma interessante e curiosa compila\u00e7\u00e3o que reflete as in\u00fameras influ\u00eancias absorvidas pela m\u00fasica sertaneja, e certamente ser\u00e1 um prato cheio para aqueles que cultuam e apreciam o g\u00eanero. \u00d4 trem b\u00e3<a href=\"http:\/\/depositfiles.org\/files\/ykji84meh\" target=\"_blank\">o<\/a>&#8230;<\/div>\n<div>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">Silveira e Barrinha<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">berrante de ouro<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">cora\u00e7\u00e3o apaixonado<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">mineiro de uberaba<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">Ca\u00e7ula e Marinheiro<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">tema de lara<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">cantinho do cora\u00e7\u00e3o<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">galopeira<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">Pedro Bento e Z\u00e9 da Estrada<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">ladr\u00e3o de beijos<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">morrendo aos poucos<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">o dia mais lindo da vida<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">Zilo e Zalo<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">o sil\u00eancio do seresteiro<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">arrependimento<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">amarga lembran\u00e7a<\/div>\n<div><\/div>\n<div>*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chamada m\u00fasica sertaneja ou caipira surgiu pela primeira vez em disco no ano de 1929. A iniciativa partiu do jornalista, escritor, empres\u00e1rio e ativista cultural\u00a0 Corn\u00e9lio Pires (Tiet\u00ea, SP, 13\/7\/1884-S\u00e3o Paulo, 17\/2\/1958), importante etn\u00f3grafo da cultura e do dialeto &hellip; <a href=\"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5092\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[235,38,2219,2587],"tags":[],"class_list":["post-5092","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-bento-e-ze-da-estrada","category-selo-cartaz","category-silveira-barrinha","category-zilo-e-zalo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5092"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5092\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5094,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5092\/revisions\/5094"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}