{"id":5562,"date":"2016-05-30T23:08:00","date_gmt":"2016-05-31T02:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5562"},"modified":"2016-06-02T23:12:09","modified_gmt":"2016-06-03T02:12:09","slug":"cauby-peixoto-parte-1-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-147-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5562","title":{"rendered":"Cauby Peixoto (parte 1) &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 147 (2016)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-W9rdZcd2QMY\/V1DmELIXuUI\/AAAAAAAAM98\/vNJA9qVX2VAUwzk0uuLXtqZkiNHCLXGvwCLcB\/s640\/CAPA%2Bcopyp.JPG\" width=\"640\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-6ncgKKJh1qk\/V1DmEL-R4zI\/AAAAAAAAM-A\/muH0wS1KMhAqLNuDTuS1v5BPBtirRbnjACLcB\/s640\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/p>\n<p>No dia 15 de maio \u00faltimo, um domingo, por volta das 23h50, em S\u00e3o Paulo, o Brasil perdia um de seus mais expressivos cantores, e o \u00faltimo remanescente\u00a0\u00a0da fase \u00e1urea do r\u00e1dio: Cauby Peixoto.\u00a0\u00a0H\u00e1 tempos ele vinha enfrentando problemas de sa\u00fade (em 2000, por exemplo, Cauby implantou seis pontes de safena no cora\u00e7\u00e3o), mas ainda assim continuou a se apresentar artisticamente, inclusive em um show ao lado de \u00c2ngela Maria, grande amiga e colega de profiss\u00e3o, comemorando os 60 anos de carreira de cada um, cuja temporada terminaria no s\u00e1bado, 21 de maio. E o Grand Record Brazil, \u201cbra\u00e7o de cera\u201d do TM, evidentemente, n\u00e3o poderia deixar de homenagear este not\u00e1vel astro da MPB, apresentando, em duas partes, um retrospecto musical de sua carreira. Com o nome completo de Cauby Peixoto Barros, nosso focalizado veio ao mundo no bairro de Santa Rosa, em Niter\u00f3i, litoral do estado do Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1931, oriundo de uma fam\u00edlia musical: era sobrinho do pianista Romualdo Peixoto, o Non\u00f4, seu pai, Elizi\u00e1rio, era violonista, a m\u00e3e, Alice, adorava cantar, e seus cinco irm\u00e3os (Cauby era o ca\u00e7ula) tamb\u00e9m tinham dotes musicais: Moacyr era pianista, Araken, pistonista,\u00a0\u00a0e as irm\u00e3s Aracy, Andyara e Iracema tamb\u00e9m cantavam. Mas seu parente mais famoso era Cyro Monteiro, \u201co cantor das mil e uma f\u00e3s\u201d. Foi ouvindo discos de Orlando Silva e S\u00edlvio Caldas (e tamb\u00e9m, logicamente,\u00a0\u00a0pelo r\u00e1dio, ent\u00e3o j\u00e1 ve\u00edculo de massa) que nosso Cauby teve seus primeiros contatos com a m\u00fasica. Aos 14 anos de idade, para ajudar nas finan\u00e7as da casa, ele come\u00e7ou a trabalhar no com\u00e9rcio, al\u00e9m de estudar \u00e0 noite. Em 1949, antes de demitir-se de uma perfumaria em que trabalhava, fez suas primeiras apresenta\u00e7\u00f5es no r\u00e1dio, atrav\u00e9s do programa \u201cHora do comerci\u00e1rio\u201d, da PRG-3, R\u00e1dio Tupi, transmitido nos finais de tarde dos s\u00e1bados. Depois, passou a se apresentar no Teatro Rival, na Cinel\u00e2ndia, al\u00e9m de pedir para dar \u201ccanjas\u201d em boates como a Vogue. Em 1951, grava seu primeiro disco, no selo Carnaval, da Star, com duas m\u00fasicas para a folia daquele ano: o samba \u201cSaia branca\u201d e a marchinha \u201cAi, que carestia\u201d. No ano seguinte, transferiu-se para S\u00e3o Paulo, cantando nas boates Arp\u00e9ge e Oasis,e na R\u00e1dio Excelsior. Suas performances impressionaram o futuro empres\u00e1rio Di Veras, q\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0ue aos poucos lhe criou uma estrat\u00e9gia de marketing completa: repert\u00f3rio, roupas, atitudes nos palcos etc. Ap\u00f3s dois discos na Todam\u00e9rica, em 1953, Cauby \u00e9 contratado pela Columbia, hoje Sony Music, e, um ano mais tarde, obt\u00e9m seu primeiro grande hit: \u201cBlue gardenia\u201d, vers\u00e3o de Ant\u00f4nio Carlos para a m\u00fasica-tema do filme de mesmo nome, que daria t\u00edtulo, mais tarde, a seu primeiro LP. Ainda em 54, ingressa na lend\u00e1ria R\u00e1dio Nacional do Rio, e consolida sua popularidade, lan\u00e7ando \u00eaxitos sobre \u00eaxitos em disco, o maior deles, por certo, \u201cConcei\u00e7\u00e3o\u201d, seu prefixo pessoal para sempre, al\u00e9m de aparecer cantando em alguns filmes. Foi o primeiro a gravar um rock cem por cento brasileiro, letra e m\u00fasica, em 1957, \u201cRock and roll em Copacabana\u201d, de Miguel Gustavo. Cauby passou v\u00e1rias temporadas nos EUA, e em uma delas, com o pseud\u00f4nimo de Ron Coby, gravou em ingl\u00eas, e em ritmo de calipso, o cl\u00e1ssico \u201cMaracangalha\u201d, de Dorival Caymmi, com o t\u00edtulo de \u201cI go\u201d. No decorrer dos anos 1960, foi propriet\u00e1rio da boate Drink, do Rio de Janeiro, em sociedade com os irm\u00e3os. Encantando gera\u00e7\u00f5es com sua voz e interpreta\u00e7\u00e3o, ao longo da carreira, Cauby recebeu in\u00fameros pr\u00eamios, e sempre foi reconhecido como not\u00e1vel int\u00e9rprete, que cantava de tudo e em qualquer idioma, sem qualquer embara\u00e7o. Em 2015, foi lan\u00e7ado o document\u00e1rio \u201cCauby \u2013 Come\u00e7aria tudo outra vez\u201d, de N\u00e9lson Hoineff, contando toda a sua trajet\u00f3ria. Nos \u00faltimos anos de vida, apresentava-se \u00e0s segundas-feiras no Bar Brahma, em S\u00e3o Paulo, onde permaneceu por mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Nesta primeira parte da homenagem que o GRB faz a Cauby Peixoto, est\u00e3o catorze precios\u00edssimas grava\u00e7\u00f5es, v\u00e1rias delas prensadas em 78 rpm e tamb\u00e9m em LP (nunca esquecendo que foram feitas numa \u00e9poca de transi\u00e7\u00e3o de formatos).\u00a0\u00a0Abrindo esta sele\u00e7\u00e3o, o bolero \u201cA p\u00e9rola e o rubi (The ruby and the pearl)\u201d, de Jay Livingstone e Ray Evans, em vers\u00e3o de Haroldo Barbosa., composto para o filme \u201cUma aventura na \u00cdndia (Thunder at the East)\u201d, produzido em 1952 pela Paramount. Cauby o gravou em Hollywood, EUA, durante sua primeira temporada naquele pa\u00eds, com a orquestra do maestro Paul Weston, e a Columbia o lan\u00e7ou no Brasil por volta de agosto de 1955, sob n\u00famero CB-11000-B, matriz RHCO-33427. Curiosamente, o lado A \u00e9 a \u00faltima faixa desta sele\u00e7\u00e3o, o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cFinal de amor\u201d, de Haroldo Barbosa, Cidinho e Di Veras (o pol\u00eamico empres\u00e1rio do cantor), matriz RHCO-33427. Ambas as m\u00fasicas entraram depois no primeiro LP do cantor, o dez polegadas \u201cBlue gard\u00eania\u201d (cuja faixa-t\u00edtulo estar\u00e1 em nosso pr\u00f3ximo volume).\u00a0\u00a0A segunda faixa revela o Cauby compositor, no samba-can\u00e7\u00e3o \u201cLealdade\u201d, parceria com Santos Silva, grava\u00e7\u00e3o RCA Victor de 20 de julho de 1960, lan\u00e7ada em setembro do mesmo ano, sob n\u00famero 80-2243-A, matriz L2CAB-1032. Em seguida temos justamente o lado B do 78: o bolero cl\u00e1ssico \u201cNingu\u00e9m \u00e9 de ningu\u00e9m\u201d, de Umberto Silva, Toso Gomes e Luiz Mergulh\u00e3o, matriz L2CAB-1033, bastante regravado e at\u00e9 hoje conhecido. As duas faixas apareceram depois no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-5062, tamb\u00e9m chamado \u201cNingu\u00e9m \u00e9 de ningu\u00e9m\u201d, e a faixa-t\u00edtulo ainda entrou no LP \u201cPerd\u00e3o para dois\u201d. A quarta m\u00fasica \u00e9 simplesmente o maior sucesso da carreira de Cauby: \u201cConcei\u00e7\u00e3o\u201d, samba-can\u00e7\u00e3o de Waldemar \u201cDunga\u201d de Abreu e Jair Amorim, seu eterno prefixo e obrigat\u00f3rio em qualquer show que ele fizesse. Lan\u00e7ado pela Columbia em maio-junho de 1956 no LP de dez polegadas \u201cVoc\u00ea, a m\u00fasica e Cauby\u201d, chegaria ao 78 rpm em setembro do mesmo ano, com o n\u00famero CB-10285-A, matriz CBO-770. Dircinha Batista tamb\u00e9m gravou \u201cConcei\u00e7\u00e3o\u201d no mesmo ano, mas o sucesso foi mesmo de Cauby, que ainda interpretou a m\u00fasica no filme \u201cCom \u00e1gua na boca\u201d, da Herbert Richers. Originalmente uma balada-fado, \u201cDe degrau em degrau\u201d, dos portugueses Jer\u00f4nimo Bragan\u00e7a e N\u00f3brega e Souza, \u00e9 apresentado por Cauby em ritmo de fox, numa grava\u00e7\u00e3o Columbia de 1960, editada sob n\u00famero 3114-A, matriz CBO-2231. O lado carnavalesco de nosso Cauby \u00e9 mostrado na faixa seguinte, \u201cMil mulheres\u201d, marchinha da folia de 1955, Assinada por Herivelto Martins, Cyro Monteiro e Salvador Miceli, saiu pela Columbia ainda em dezembro de 54, sob n\u00famero CB-10109-A, matriz CBO-374. Originalmente gravado em 1938 por Orlando Silva, o fox-can\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssico \u201cNada al\u00e9m\u201d, de Cust\u00f3dio Mesquita e Evaldo Ruy, \u00e9 aqui revivido por Cauby em grava\u00e7\u00e3o RCA Victor de 22 de agosto de 1956, lan\u00e7ada em novembro seguinte com o n\u00famero 80-1691-A, matriz BE6VB-1261, aparecendo ainda no LP de dez polegadas \u201cOuvindo Cauby\u201d e no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-0031. \u201cSer triste sozinho (Learning the blues)\u201d, fox de Dolores Vicki Silvers em vers\u00e3o de Lourival Faissal, saiu originalmente no LP de dez polegadas \u201cVoc\u00ea, a m\u00fasica e Cauby\u201d, em 1956, s\u00f3 chegando ao 78 rpm em julho de 57, sob n\u00famero CB-10353-B, matriz CO-55562. \u201cPrece de amor\u201d, samba-can\u00e7\u00e3o de Ren\u00ea Bittencourt, foi um dos maiores hits de Cauby, lan\u00e7ado originalmente em fins de 1956 pela Columbia no LP de dez polegadas \u201cO show vai come\u00e7ar\u201d e reeditado depois em 78 rpm com o n\u00famero CB-10337-A, matriz CBO-772. Ainda teve outra grava\u00e7\u00e3o, por Dalva de Oliveira. \u201cEnrolando o rock\u201d, de Heitor Carillo e Betinho, foi lan\u00e7ado por este \u00faltimo em 1957, e Cauby aqui o interpreta em grava\u00e7\u00e3o que a Columbia editou por volta de mar\u00e7o de 58, sob n\u00famero CB-11008-B, matriz CBO-1299. A balada \u201cA noiva (La novia)\u201d, de origem chilena, \u00e9 de autoria de Joaqu\u00edn Prieto, e foi gravada na Argentina por seu irm\u00e3o, o ator e cantor Antonio Prieto. Com letra brazuca de Fred Jorge, logo recebeu v\u00e1rias grava\u00e7\u00f5es, como esta de Cauby, feita na RCA Victor em 15 de mar\u00e7o de 1961 e lan\u00e7ada em abril seguinte com o n\u00famero 80-2321-B, matriz M2CAB-1242, aparecendo depois no compacto duplo de 45 rpm n.o 583-5068 e no LP \u201cPerd\u00e3o para dois\u201d. \u201cMuito al\u00e9m\u201d \u00e9 vers\u00e3o do radialista J\u00falio Nagib para o fox italiano \u201cAl di la\u201d, de Carlo Donida e Mogol, e \u00e9 o lado A de \u201cA noiva\u201d, matriz M2CAB-1243, tamb\u00e9m constando do mesmo compacto duplo dessa faixa. Composto pelo lend\u00e1rio C\u00e9sar de Alencar, colega de Cauby na R\u00e1dio Nacional, o samba \u201cSe voc\u00ea pensa\u201d foi lan\u00e7ado pela Columbia ainda em dezembro de 54, no lado B de \u201cMil mulheres\u201d, matriz CBO-375. Enfim, uma homenagem \u00e0 altura para aquele foi, com justi\u00e7a, \u201co professor da MPB\u201d. Aguardem o pr\u00f3ximo volume, com mais Cauby pra voc\u00eas!<\/p>\n<p>* Texto de Samuel Machado Filho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 15 de maio \u00faltimo, um domingo, por volta das 23h50, em S\u00e3o Paulo, o Brasil perdia um de seus mais expressivos cantores, e o \u00faltimo remanescente\u00a0\u00a0da fase \u00e1urea do r\u00e1dio: Cauby Peixoto.\u00a0\u00a0H\u00e1 tempos ele vinha enfrentando problemas de &hellip; <a href=\"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5562\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[177,11,13],"tags":[],"class_list":["post-5562","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cauby-peixoto","category-exclusivos-do-toque-musical","category-selo-grand-record-brazil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5562"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5562\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5563,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5562\/revisions\/5563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}