{"id":5778,"date":"2016-09-27T16:40:19","date_gmt":"2016-09-27T19:40:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5778"},"modified":"2016-10-01T16:44:36","modified_gmt":"2016-10-01T19:44:36","slug":"tributo-a-marcus-pereira-1982","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5778","title":{"rendered":"Tributo A Marcus Pereira (1982)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-YtZoEuqY11A\/V_AOWhKYMgI\/AAAAAAAANZU\/ojISGVjeJqo-qPWCUFbm9Xtd5bbaD6azwCLcB\/s640\/capap.JPG\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-puGGnMTNKM8\/V_AOUxxwPnI\/AAAAAAAANZQ\/n743fqZzG6AGEUNIO9LEANMFhP4z-wDfQCLcB\/s640\/contrap.JPG\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"637\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel\u00a0 a import\u00e2ncia da gravadora Marcus Pereira para a hist\u00f3ria da nossa m\u00fasica popular. Ela foi a primeira no pa\u00eds a adotar uma pol\u00edtica de produ\u00e7\u00e3o alternativa, fora das grandes companhias do setor e do mecenato estatal. Como hoje o fazem selos tipo Kuarup, Biscoito Fino, Acari, Rob Digital etc. Tudo isso come\u00e7ou em 1967, quando o publicit\u00e1rio Marcus Pereira, ent\u00e3o frequentador ass\u00edduo e s\u00f3cio minorit\u00e1rio da boate Jogral, de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s de sua ag\u00eancia de propaganda, produziu um LP para ser distribu\u00eddo aos clientes como brinde de fim-de-ano, dedicado \u00e0 obra de Paulo Vanzolini: o hist\u00f3rico \u201cOnze sambas e uma capoeira\u201d, reunindo v\u00e1rios int\u00e9rpretes, entre eles Luiz Carlos Paran\u00e1 (dono da Jogral), Chico Buarque e sua irm\u00e3 Cristina (ent\u00e3o estreando em disco). Mais tarde, a RGE o lan\u00e7aria no mercado. Um ano depois, veio \u201cFlauta, cavaquinho e viol\u00e3o\u201d, dedicado ao choro. \u00a0Por fim, em 1973, Marcus Pereira decide fechar sua ag\u00eancia de publicidade e dedicar-se apenas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o fonogr\u00e1fica. Assim nasceu a lend\u00e1ria Discos Marcus Pereira, cujo primeiro lan\u00e7amento foi a s\u00e9rie de quatro LPs \u201cM\u00fasica popular do Nordeste\u201d, laureada com o Pr\u00eamio Est\u00e1cio de S\u00e1, do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. E logo viriam outras, dedicadas \u00e0 m\u00fasica popular de outras regi\u00f5es do Brasil perfazendo um total de 16 \u00e1lbuns. A Marcus Pereira era um selo aberto a estilos diversos de m\u00fasica: choro, samba, experimental&#8230; Por l\u00e1 passaram nomes da mais alta estirpe da MPB, gravando ou participando de seus discos. E, em menos de dez anos de exist\u00eancia, o selo conseguiu lan\u00e7ar 144 \u00e1lbuns! Entretanto, a famigerada economia brazuca fez com que a Marcus Pereira enfrentasse problemas de distribui\u00e7\u00e3o e ac\u00famulo de d\u00edvidas, que deixaram a empresa \u00e0 beira da fal\u00eancia, sem contar os problemas pessoais de seu propriet\u00e1rio. E tudo isso fez com que Marcus Pereira, em fevereiro de 1981, se suicidasse com um tiro no ouvido. \u00a0Um ano mais tarde, como homenagem p\u00f3stuma a seu fundador e propriet\u00e1rio, a Discos Marcus Pereira (cujo acervo hoje pertence \u00e0 Universal Music) lan\u00e7ou a colet\u00e2nea que o TM agora oferece, prazerosamente, a seus amigos cultos, ocultos e associados. Este \u201cTributo a Marcus Pereira\u201d re\u00fane, em doze faixas, as m\u00fasicas de que ele mais gostava, interpretadas por artistas que passaram por sua gravadora, em \u00e9pocas e est\u00e1gios diversos. Se n\u00e3o, vejamos: a faixa de abertura \u00e9 \u201cEngenho de flores\u201d, interpretada pelo maranhense Papete\u00a0 (Jos\u00e9 de Ribamar Viana), falecido em maio deste ano. Lan\u00e7ada em 1979, em seu segundo LP, \u201cBandeira de a\u00e7o\u201d, tornou-se hit nacional um ano depois, com Diana Pequeno. A segunda faixa \u00e9 um cl\u00e1ssico de sempre do mestre Cartola, interpretado por ele mesmo: \u201cAs rosas n\u00e3o falam\u201d, grava\u00e7\u00e3o de 1976 que vale a pena sempre (re) ouvir, extra\u00edda do segundo \u00e1lbum do mestre mangueirense.\u00a0 \u201cDe Teresina a S\u00e3o Lu\u00eds\u201d, originalmente lan\u00e7ada por Luiz Gonzaga em 1962, \u00e9 aqui revivida por Irene Portela, cujo registro \u00e9 faixa de abertura de seu \u00fanico LP-solo, \u201cRumo Norte\u201d (1979). Na quarta faixa, Leci Brand\u00e3o interpreta \u201cAntes que eu volte a ser nada\u201d, samba que a revelou para o grande p\u00fablico em 1975, no festival Abertura, da TV Globo, e, ainda nesse ano, daria t\u00edtulo a seu primeiro \u00e1lbum-solo. Renato Teixeira vem com \u201cMoreninha, se eu te pedisse\u201d, em grava\u00e7\u00e3o que foi originalmente lan\u00e7ada em 1971, num LP chamado \u201c\u00c1lbum de fam\u00edlia\u201d, produzido sob encomenda da Cia. Cacique de Caf\u00e9 Sol\u00favel como brinde de Natal, e reeditado pela Marcus Pereira em 1974 (nesse ano, ainda seria faixa de abertura do primeiro volume de \u201cM\u00fasica popular do Centro-Oeste\/Sudeste\u201d).\u00a0 \u201cO menino (El menino)\u201d, composi\u00e7\u00e3o do argentino Atahualpa Yupanqui (H\u00e9ctor Roberto Chavero), com letra brasileira de D\u00e9rcio Marques, mineiro de Uberaba,\u00a0 \u00e9 interpretada por ele em grava\u00e7\u00e3o de 1977, extra\u00edda de seu primeiro \u00e1lbum, \u201cTerra, vento e caminho\u201d. A inesquec\u00edvel Nara\u00a0 Le\u00e3o interpreta \u201cCuitelinho\u201d, em adapta\u00e7\u00e3o do mestre Paulo Vanzolini, em grava\u00e7\u00e3o de 1974, originalmente faixa de abertura do quarto volume de \u201cM\u00fasica popular do Centro-Oeste\/Sudeste\u201d. A irm\u00e3 de D\u00e9rcio Marques, Doroty, aqui comparece interpretando \u201cEterno como areia\u201d, grava\u00e7\u00e3o de 1978, extra\u00edda do seu primeiro \u00e1lbum, \u201cSemente\u201d.\u00a0 L\u00e9o Karam interpreta \u201cJesu\u00edna\u201d, grava\u00e7\u00e3o de 1976, lan\u00e7ada em seu \u00fanico LP-solo, \u201cUrbana\u201d. Chico Maranh\u00e3o (autor do frevo \u201cGabriela\u201d, sucesso no festival de MPB da TV Record de 1967) aqui interpreta \u201cA vida do \u2018seu\u2019 Raimundo\u201d, lan\u00e7ada em 1980, em seu terceiro LP-solo, \u201cFonte nova\u201d.\u00a0 Surgida em outro festival de MPB da Record, o de 1966, na voz de Elza Soares, \u201cDe amor ou paz\u201d, composi\u00e7\u00e3o de Luiz Carlos Paran\u00e1 e Adauto Santos, \u00e9 aqui revivida por este \u00faltimo, em faixa do \u00e1lbum \u201cA m\u00fasica de Carlos Paran\u00e1\u201d, lan\u00e7ado com o selo Jogral em 1971 e depois reeditado pela Som Livre e, claro, pela Marcus Pereira. Para finalizar, o pr\u00f3prio Luiz Carlos Paran\u00e1 interpreta, de sua autoria, a guar\u00e2nia \u201cVou morrer de amor\u201d, faixa desse mesmo LP de 1971 anteriormente mencionado, documentando sua obra como compositor (o registro original \u00e9 dele mesmo, feito em 1963). Enfim, um resumo interessante do memor\u00e1vel\u00a0 legado da Discos Marcus Pereira, que, conforme est\u00e1 escrito na contracapa, foi \u201cmuito mais um estado de esp\u00edrito do que uma gravadora convencional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">engenho das flores<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">as rosas n\u00e3o falam<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">de terezina a s\u00e3o luiz<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">antes que eu volte a ser nada<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">moreninha se eu te pedisse<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o menino<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">cuitelinho<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">eterno como areia27<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">jesu\u00edna<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">a vida de &#8216;seo&#8217; raimundo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">de amor ou paz\\<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">vou morrer de amor<\/p>\n<p>*Texto de Samuel Machado Filho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 ineg\u00e1vel\u00a0 a import\u00e2ncia da gravadora Marcus Pereira para a hist\u00f3ria da nossa m\u00fasica popular. 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