{"id":5948,"date":"2017-01-10T19:49:10","date_gmt":"2017-01-10T21:49:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5948"},"modified":"2017-01-12T19:52:49","modified_gmt":"2017-01-12T21:52:49","slug":"dorival-caymmi-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-149-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=5948","title":{"rendered":"Dorival Caymmi &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical Vol. 149 (2017)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-dz09EEHz76M\/WHfyKw7VJwI\/AAAAAAAANu8\/nXT1JChMnzQF6L7v1WY37tMHlbKALpLQQCLcB\/s640\/CAPAp.JPG\" width=\"640\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-uA9THrul3II\/WHfyKYTpjQI\/AAAAAAAANu4\/lwYzWQYILYA6OYVOn9mntEo2YILrIwidQCLcB\/s640\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/p>\n<p>Para alegria dos amigos cultos, ocultos e associados do TM, o Grand Record Brasil, dedicado \u00e0 musicografia brasileira em 78 rpm, est\u00e1 de volta. Nesta, que \u00e9 a edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 149, apresentamos um pouco da precios\u00edssima obra de Dorival Caymmi, o poeta seresteiro da Bahia, interpretada por ele pr\u00f3prio em grava\u00e7\u00f5es originais. Caymmi veio ao mundo no dia 30 de abril do ano da gra\u00e7a de 1914, na capital baiana, Salvador. Era descendente de italianos pelo lado paterno, e seu bisav\u00f4 chegou ao Brasil para trabalhar no reparo do Elevador Lacerda. Ainda crian\u00e7a, iniciou-se na m\u00fasica, ouvindo parentes ao piano. O pai, Durival (assim mesmo, com \u201cu\u201d!) Henrique Caymmi, funcion\u00e1rio p\u00fablico e m\u00fasico amador, tocava ainda viol\u00e3o e bandolim, e a m\u00e3e, Aurelina Soares Caymmi, dona-de-casa, mesti\u00e7a de portugueses e africanos, cantava apenas no lar. Ainda menino, nosso Caymmi era baixo-cantante em um coro de igreja. Aos 13 anos, interrompeu os estudos e passou a trabalhar como auxiliar na reda\u00e7\u00e3o do jornal \u201cO Imparcial\u201d. Com o fechamento do peri\u00f3dico, em 1929, passou a vender bebidas. Escreve sua primeira m\u00fasica, \u201cNo sert\u00e3o\u201d, em 1930 e, aos vinte anos, faz suas primeiras apresenta\u00e7\u00f5es como cantor\u00a0 e violonista em programas da R\u00e1dio Clube da Bahia. Em 1935, passa a ter um programa s\u00f3 seu, \u201cCaymmi e suas can\u00e7\u00f5es praieiras\u201d. Aos 22 anos, vence um concurso de m\u00fasicas de carnaval com o samba \u201cA Bahia tamb\u00e9m d\u00e1\u201d. Incentivado por um diretor da R\u00e1dio Clube da Bahia, Gilberto Martins, resolve seguir carreira no Sul do Brasil, e embarca para o Rio de Janeiro, ent\u00e3o Capital da Rep\u00fablica, em abril de 1938, num ita (navio que cruzava o Brasil de sul a norte) , a fim de obter emprego como jornalista e estudar Direito. Com a ajuda de parentes e amigos, fez alguns pequenos trabalhos como rep\u00f3rter em \u201cO Jornal\u201d, peri\u00f3dico dos Di\u00e1rios Associados, ainda assim continuando a compor e cantar. Em seguida, estreou como cantor na PRG-3, R\u00e1dio Tupi (\u201co cacique do ar\u201d), apresentando-se dois dias por semana. Foi no programa \u201cDrag\u00e3o da Rua Larga\u201d que Caymmi apresentou, pela primeira vez, seu samba \u201cO que \u00e9 que a baiana tem?\u201d, mais tarde interpretado por C\u00e1rmen Miranda no filme \u201cBanana da terra\u201d,\u00a0 e que muito contribuiu para a consagra\u00e7\u00e3o internacional da \u201cpequena not\u00e1vel\u201d. E foi com ele que Caymmi estreou em disco, em dueto com C\u00e1rmen, em 1939, tendo no verso \u201cA preta do acaraj\u00e9\u201d (inclu\u00eddo nesta sele\u00e7\u00e3o).\u00a0 Era o pontap\u00e9 inicial para in\u00fameros outros sucessos, gravados por ele pr\u00f3prio e por outros int\u00e9rpretes, em mais de 50 anos de atividade musical, entre os quais, al\u00e9m dos presentes nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, podemos citar: \u201cA jangada voltou s\u00f3\u201d, \u201cMarina\u201d, \u201cAcalanto\u201d, \u201cA vizinha do lado\u201d, \u201cSaudade da Bahia\u201d, \u201cPescaria (Canoeiro)\u201d, \u201cT\u00e3o s\u00f3\u201d, \u201cS\u00e1bado em Copacabana\u201d, \u201cSamba da minha terra\u201d, \u201cEu n\u00e3o tenho onde morar\u201d, \u201cS\u00e3o Salvador\u201d, \u201cModinha para Gabriela\u201d, \u201cDas Rosas\u201d, \u201cEu cheguei l\u00e1\u201d, \u201cVou ver Juliana\u201d, \u201cMaracangalha\u201d, \u201cAdeus\u201d, \u201cTrezentas e sessenta e cinco igrejas\u201d, \u201cOra\u00e7\u00e3o de M\u00e3e Menininha\u201d, \u201cO bem do mar\u201d e muitos mais. Uma gloriosa trajet\u00f3ria que tamb\u00e9m inclui apresenta\u00e7\u00f5es no exterior.\u00a0 Possu\u00eda um estilo pessoal de compor e cantar, com espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza mel\u00f3dica. Al\u00e9m da m\u00fasica, dedicou-se intensamente \u00e0 pintura. Em 1986, foi merecidamente homenageado pela Escola de Samba Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira com o enredo \u201cCaymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira t\u00eam\u201d, com o qual a \u201cverde-e-rosa\u201d sagrou-se campe\u00e3 do carnaval carioca. Do casamento de Caymmi com Adelaide Tostes (que, como cantora, usava o pseud\u00f4nimo de Stella Maris), resultaram tr\u00eas filhos que tamb\u00e9m seguiram carreira musical, e est\u00e3o na estrada at\u00e9 hoje:\u00a0 Nana, Dori e Danilo, al\u00e9m da neta Alice. Dorival Caymmi faleceu em 16 de agosto de 2008, aos 94 anos, no Rio de Janeiro, de insufici\u00eancia renal.<\/p>\n<p>Para esta edi\u00e7\u00e3o do GRB, foram selecionadas doze preciosas grava\u00e7\u00f5es de mestre Caymmi, verdadeiras joias da nossa m\u00fasica popular, documentando parcela substancial de sua obra como autor e int\u00e9rprete. Abrindo o programa, temos \u201cCantiga\u201d, grava\u00e7\u00e3o RCA Victor de 5 de novembro de 1947, lan\u00e7ada em maio de 48 sob n\u00famero 80-0585-A, matriz S-078820. O samba \u201cDois de fevereiro\u201d, em homenagem\u00a0 a Iemanj\u00e1, \u201ca rainha do mar\u201d, \u00e9 grava\u00e7\u00e3o Odeon de primeiro de setembro de 1957, com acompanhamento orquestral de L\u00e9o Peracchi, lan\u00e7ada em dezembro seguinte com o n\u00famero 14286-A, matriz 12000, aparecendo tamb\u00e9m no LP \u201cCaymmi e o mar\u201d, quarto vinil do artista baiano e primeiro no formato-padr\u00e3o de doze polegadas. Voltando \u00e0 RCA Victor, temos \u201cFesta de rua\u201d, \u201ccena baiana\u201d gravada em 18 de abril de 1949 e lan\u00e7ada em julho seguinte com o n\u00famero 80-0596-B, matriz S-078868. Temos em seguida uma amostra do Caymmi apenas int\u00e9rprete, no samba-jongo \u201cNavio negreiro\u201d, de Alcyr Pires Vermelho, J. Piedade e S\u00e1 Roris, grava\u00e7\u00e3o Odeon de 5 de mar\u00e7o de 1940, com suporte orquestral do palestino Simon Bountman,\u00a0 lan\u00e7ada em maio do mesmo ano sob n\u00famero 11850-A, matriz 6311. Uma das obras-primas de Caymmi, o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cNem eu\u201d, que o autor j\u00e1 havia interpretado no filme \u201cTerra \u00e9 sempre terra\u201d, da Vera Cruz, foi por ele gravado na mesma Odeon em 14 de maio de 1952, com lan\u00e7amento em julho do mesmo ano, com o n\u00famero 13288-B, matriz 9305. \u201cNem eu\u201d tem regrava\u00e7\u00f5es por \u00c2ngela Maria, Gal Costa e at\u00e9 mesmo por Hebe Camargo, entre outras. Logo depois, outra obra-prima do mestre baiano: a can\u00e7\u00e3o praieira \u201cO mar\u201d, por ele interpretada com acompanhamento orquestral de Radam\u00e9s Gnattali. A grava\u00e7\u00e3o ocupou os dois lados do disco Columbia 55247, registrado em 7 de novembro de 1940 e lan\u00e7ado em dezembro do mesmo ano, matrizes 328 e 329. \u201cNoite de temporal\u201d, outra can\u00e7\u00e3o praieira do g\u00eanio baiano, \u00e9 o lado B de \u201cNavio negreiro\u201d, e foi gravado um dia antes, em 4 de mar\u00e7o de 1940, matriz 6310. Caymmi a interpreta acompanhado pelos viol\u00f5es de Laurindo de Almeida, Dilermando Reis e Rog\u00e9rio Guimar\u00e3es. E tome cl\u00e1ssico: \u201cDora\u201d, samba com introdu\u00e7\u00e3o de frevo, que Caymmi fez no Recife, inspirado numa mulata que dan\u00e7ava o frevo com perfei\u00e7\u00e3o, \u00e0 frente de um bloco que passava em frente a um hotel da capital pernambucana. Antol\u00f3gica grava\u00e7\u00e3o Odeon de 18 de junho de 1945, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon , lan\u00e7ada em agosto seguinte sob n\u00famero 12606-A, matriz 7856. O samba \u201cL\u00e1 vem a baiana\u201d foi gravado por seu autor na RCA Victor em 11 de julho de 1947, com lan\u00e7amento em agosto do mesmo ano, com o n\u00famero 80-0536-B, matriz S-078763. O samba-can\u00e7\u00e3o \u201cJo\u00e3o Valent\u00e3o\u201d foi inspirado em um pescador amigo de Caymmi, Carapeba, e \u00e9 considerado um dos melhores perfis humanos tra\u00e7ados pelo mestre baiano. Foi por ele imortalizado na Odeon em 28 de maio de 1953, acompanhado pela orquestra de Oswaldo Borba, com lan\u00e7amento em agosto seguinte sob n\u00famero 13478-A, matriz 9726, e tem sido bastante regravado, como ali\u00e1s quase todas as suas obras. \u201cSaudade de Itapo\u00e3\u201d \u00e9 outra obra-prima que o pr\u00f3prio Caymmi imortalizou, desta vez na RCA Victor, em 5 de novembro de 1947, com lan\u00e7amento em abril de 48, sob n\u00famero 80-0576-B, matriz S-078823. Para encerrar, uma grava\u00e7\u00e3o do in\u00edcio da carreira de Caymmi: a \u201ccena t\u00edpica baiana\u201d \u201cA preta do acaraj\u00e9\u201d, que ele interpreta ao lado de C\u00e1rmen Miranda. Registro Odeon de 27 de fevereiro de 1939, lan\u00e7ado em abril seguinte com o n\u00famero 11710-B, matriz 6024. Caymmi recolheu o preg\u00e3o da voz de uma negra vendedora de acaraj\u00e9 , que todas as noites passava por sua rua, em Salvador, e ao servir os fregueses tamb\u00e9m dizia: \u201cTodo mundo gosta de acaraj\u00e9, mas o trabalho que d\u00e1 pra fazer \u00e9 que \u00e9\u201d. Segundo o pr\u00f3prio Caymmi, \u201cem verdade essa can\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais daquela preta que vendia acaraj\u00e9 do que minha\u201d&#8230; Enfim, uma pequena-grande amostra do talento, da poesia e da musicalidade de Dorival Caymmi como autor e int\u00e9rprete, que o GRB tem a grata satisfa\u00e7\u00e3o de oferecer.<\/p>\n<p>* Texto de Samuel Machado Filho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para alegria dos amigos cultos, ocultos e associados do TM, o Grand Record Brasil, dedicado \u00e0 musicografia brasileira em 78 rpm, est\u00e1 de volta. 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