{"id":6057,"date":"2017-05-03T19:30:42","date_gmt":"2017-05-03T22:30:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=6057"},"modified":"2017-05-05T19:33:09","modified_gmt":"2017-05-05T22:33:09","slug":"sylvia-telles-bossa-balanco-balada-1963","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=6057","title":{"rendered":"Sylvia Telles &#8211; Bossa Balan\u00e7o Balada (1963)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-EIq0cp6LRjk\/WQz7JFIC0xI\/AAAAAAAAOEw\/UJJ9Jxch6rQ4pkVqG2zfEuinGyFEv_ECgCLcB\/s640\/sylvia%2BF.JPG\" width=\"637\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-UQDAUVrYVTI\/WQz7JR2TK7I\/AAAAAAAAOE0\/eRTxhZhrqIYCi1MmO3RY-bjI3EPtYwP9QCLcB\/s640\/sylvia%2BB.JPG\" width=\"640\" height=\"638\" \/><\/p>\n<p>Sylvia Telles (para os \u00edntimos, Sylvinha) foi, sem sombra de duvida, uma das melhores int\u00e9rpretes da\u00a0 chamada \u201cmoderna m\u00fasica brasileira\u201d das d\u00e9cadas de 1950\/60. Ela veio ao mundo na cidade do Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital da Rep\u00fablica, em 27 de agosto de 1934, filha de Paulo Telles, carioca amante da m\u00fasica cl\u00e1ssica, e Maria Am\u00e9lia D\u2019Atri, francesa radicada no Brasil. Era irm\u00e3 do tamb\u00e9m cantor e compositor M\u00e1rio Telles, nascido oito anos antes dela. Sylvinha estudou no Col\u00e9gio Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria e sonhava em se tornar bailarina. Por\u00e9m, ao fazer um curso de teatro, descobriu que tinha talento, de fato, para cantar. Dom esse que foi notado, em 1954, pelo compositor Billy Blanco, amigo da fam\u00edlia, que apresentou a jovem Sylvinha a amigos m\u00fasicos. Nas reuni\u00f5es que eles faziam, ela teve a grata satisfa\u00e7\u00e3o de conhecer os grandes nomes do r\u00e1dio na \u00e9poca, entre os quais estava o grande violonista Garoto (An\u00edbal Augusto Sardinha), que a ajudou a encontrar trabalho em boates para o in\u00edcio de sua carreira profissional. Na ocasi\u00e3o, Sylvinha conhece seu primeiro namorado, nada mais menos que Jo\u00e3o Gilberto, amigo de seu irm\u00e3o M\u00e1rio Telles. Tal relacionamento, por\u00e9m, acabou porque os Telles n\u00e3o gostavam do futuro papa da bossa nova, ent\u00e3o vivendo de favor na casa dos outros.\u00a0 Em 1955, a convite do humorista Col\u00e9 Santana (tio do \u201ctrapalh\u00e3o\u201d Ded\u00e9), Sylvia Telles participa do musical \u201cGente bem e champanhota\u201d, apresentado no Teatro Follies de Copacabana, interpretando o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cAmendoim torradinho\u201d, de Henrique Beltr\u00e3o, acompanhada ao viol\u00e3o por Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Mello Matos, o Candinho. A m\u00fasica seria o lado A de seu disco de estreia, um 78 rpm lan\u00e7ado pela Odeon em\u00a0 agosto de 55, tendo no verso outro samba-can\u00e7\u00e3o, \u201cDesejo\u201d, de Garoto (falecido tr\u00eas meses antes), Jos\u00e9 Vasconcelos e Luiz Cl\u00e1udio. \u201cAmendoim torradinho\u201d foi enorme sucesso, e deu \u00e0 nossa Sylvinha o pr\u00eamio de cantora-revela\u00e7\u00e3o de 1955, outorgado pelo jornal \u2018O Globo\u201d.\u00a0 Em 1956, Sylvinha e Candinho se casam, passando a apresentar juntos, na TV Rio, o programa \u201cM\u00fasica e romance\u201d, no qual recebiam ilustres convidados, tais como Dolores Duran, Tom Jobim, Johnny Alf e Billy Blanco. Desse matrim\u00f4nio, de curta dura\u00e7\u00e3o, resultou a filha Cl\u00e1udia, mais tarde tamb\u00e9m cantora, nascida em 1957, ano em que Sylvinha lan\u00e7a seu primeiro LP, o dez polegadas \u201cCar\u00edcia\u201d. Integrou-se \u00e0 bossa nova, prestes a irromper, frequentando as reuni\u00f5es de m\u00fasicos que aconteciam no apartamento de Nara Le\u00e3o (na \u00e9poca com apenas 15 anos de idade), em Copacabana. \u00c9 nessa ocasi\u00e3o que Sylvinha participa de um espet\u00e1culo no Grupo Universit\u00e1rio Hebraico, juntamente com Carlos Lyra, Roberto Menescal e outros. Foi nesse show, \u201cCarlos Lyra, Sylvia Telles e os seus bossa nova\u201d, que foi divulgada pela primeira vez a express\u00e3o que deu nome ao movimento considerado divisor de \u00e1guas da MPB. O curr\u00edculo de Sylvinha incluiu tamb\u00e9m apresenta\u00e7\u00f5es em pa\u00edses como EUA, Fran\u00e7a, Su\u00ed\u00e7a e Alemanha. Entre as m\u00fasicas que ela imortalizou em sua voz, destacam-se \u201cFoi a noite\u2019, \u201cPor causa de voc\u00ea\u201d, \u201cLuar e batucada\u201d. \u201cSuas m\u00e3os\u201d, \u201cCala, meu amor\u201d, \u201cFotografia\u201d, \u201cDindi\u201d, \u201cEu preciso de voc\u00ea\u201d, \u201cEu sei que vou te amar\u201d, <a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/null\" name=\"_GoBack\"><\/a>\u201cEsquecendo voc\u00ea\u201d, \u201cDemais\u201d, \u201cSe \u00e9 tarde me perdoa\u201d, \u00a0\u201cS\u00f3 em teus bra\u00e7os\u201d e muitas mais. Uma gloriosa carreira que, infelizmente, terminou de forma tr\u00e1gica e prematura, a 19 de dezembro de 1966, quando Sylvinha, ent\u00e3o com apenas 32 anos de idade, faleceu em um desastre automobil\u00edstico na Rodovia Amaral Peixoto, em Maric\u00e1, litoral fluminense. Ela estava em companhia de seu ent\u00e3o namorado Horacinho de Carvalho, filho da socialite Lily de Carvalho, tamb\u00e9m falecido no acidente (ele dormiu no volante), e ambos se dirigiam \u00e0 fazenda dele, em Maric\u00e1. Sylvia Telles j\u00e1 teve alguns de seus \u00e1lbuns postados aqui no TM, dada sua import\u00e2ncia para a hist\u00f3ria da MPB. Agora, oferecemos a nossos amigos cultos, ocultos e associados, mais um primoroso trabalho desta inesquec\u00edvel cantora. \u00c9 \u201cBossa, balan\u00e7o, balada\u201d, editado em 1963, e por sinal o primeiro LP que fez para a rec\u00e9m-fundada Elenco, gravadora que pertencia a seu segundo marido, Aloysio de Oliveira, ex-integrante do Bando da Lua, e que antes passara pela Odeon e pela Philips como diretor art\u00edstico. Gravado nos est\u00fadios Riosom, com caprichada e cuidadosa produ\u00e7\u00e3o de Aloysio, tem um repert\u00f3rio, como n\u00e3o poderia deixar de ser, estupendo, com arranjos a cargo dos supercompetentes\u00a0 Lindolfo Gaya e Moacyr Santos, e m\u00fasicas assinadas por verdadeiros \u201ccobras\u201d, como, por exemplo, Vin\u00edcius de Moraes, em parcerias com Tom Jobim (\u201cAmor em paz\u201d, \u201cInsensatez\u201d) e Carlos Lyra (\u201cVoc\u00ea e eu\u201d). A dupla Roberto Menescal-Ronaldo B\u00f4scoli assina mais tr\u00eas cl\u00e1ssicos bossanovistas, \u201cRio\u201d, \u201cS\u00f3 quis voc\u00ea\u201d e \u201cVagamente\u201d, Johnny Alf entrou com \u201cIlus\u00e3o \u00e0 toa\u201d, Tom Jobim assina sozinho o n\u00e3o menos antol\u00f3gico \u201cSamba do avi\u00e3o\u201d, e a dupla Pery Ribeiro-Geraldo Cunha vem com \u201cBossa na praia\u201d. O programa se completa com \u201cRua deserta\u201d, de Dorival Caymmi e Carlinhos Guinle, \u201cSol da meia-noite\u201d (vers\u00e3o de Aloysio de Oliveira para \u201cMidnight sun\u201d, standard do repert\u00f3rio popular norte-americano) e \u201cDorme\u201d, da parceria Candinho-Ronaldo B\u00f4scoli.\u00a0 Com estes tr\u00eas b\u00eas, a bossa, o balan\u00e7o e a balada, Sylvia Telles mostra por que foi uma das mais expressivas int\u00e9rpretes da moderna MPB de ent\u00e3o, sendo este disco, portanto, mais um presente do TM\u00a0 a todos que apreciam a arte de cantar no que ela tem de melhor e mais expressivo.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">rio<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">amor e paz<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">voc\u00ea e eu<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">ilus\u00e3o a toa<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">s\u00f3 quis voc\u00ea<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">rua deserta<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">sol da meia noite<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">samba do avi\u00e3o<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">insensatez<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">bossa na praia<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">vagamente<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">dorme<\/div>\n<p>*Texto de Samuel Machado Filho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sylvia Telles (para os \u00edntimos, Sylvinha) foi, sem sombra de duvida, uma das melhores int\u00e9rpretes da\u00a0 chamada \u201cmoderna m\u00fasica brasileira\u201d das d\u00e9cadas de 1950\/60. 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