{"id":65,"date":"2012-05-13T15:49:00","date_gmt":"2012-05-13T15:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=65"},"modified":"2012-05-13T15:49:00","modified_gmt":"2012-05-13T15:49:00","slug":"jorge-goulart-rodolfo-mayer-mae-196","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=65","title":{"rendered":"Jorge Goulart &#8211; Rodolfo Mayer &#8211; M\u00e3e (196&#8230;)"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-_YAXty9j94M\/T6-4h2RCfqI\/AAAAAAAACG8\/6FVTuUPtToE\/s1600\/capa+p.JPG\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"397\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-_YAXty9j94M\/T6-4h2RCfqI\/AAAAAAAACG8\/6FVTuUPtToE\/s400\/capa+p.JPG\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-P3CTBoG0Fo0\/T6-4ciaGcII\/AAAAAAAACG0\/IREbDqKgego\/s1600\/contacapa+p.JPG\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"400\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-P3CTBoG0Fo0\/T6-4ciaGcII\/AAAAAAAACG0\/IREbDqKgego\/s400\/contacapa+p.JPG\" width=\"396\" \/><\/a><\/div>\n<p>Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados de plant\u00e3o! Hoje \u00e9 o Dia das M\u00e3es e eu quero aqui prestar a minha homenagem a esta figura fundamental em nossa vida. Quero antes de tudo, me abrir um pouco mais, deixando de lado o personagem Augusto TM e mostrando a voc\u00eas um pouco do outro cara aqui, isso obviamente, relacionado \u00e0s minhas m\u00e3es. Eu posso me considerar nesse ponto uma pessoa de muita sorte, pois tive nessa vida duas &#8216;m\u00e3ezonas&#8217;. Poderia at\u00e9 dizer que tive mais, pois sempre fui muito bem acolhido e amado por diversas mulheres. Me refiro, claro, ao amor maternal e espiritual.<br \/>Quando iniciei este blog, o Toque Musical, estava vivendo um momento muito dif\u00edcil em minha vida. Minha m\u00e3e natural havia acabado de falecer, v\u00edtima de um c\u00e2ncer silencioso e agressivo que nos pegou a todos de surpresa. Ela, coitada, nunca soube que mal era aquele que a levou a morte. Abandonei minha mulher e filho e fui viver os \u00faltimos tr\u00eas meses cuidando da minha m\u00e3e, sozinho! Dois anos antes, havia tamb\u00e9m perdido a minha irm\u00e3, que n\u00e3o chegou a completar 33 anos. Isso, por certo abalou muito a minha m\u00e3e e esse c\u00e2ncer deve ter se originado a\u00ed, em sua imensa tristeza. Foram tr\u00eas meses de barra pesad\u00edssima, eu sozinho, sem ter muito com quem contar. Fui filho, m\u00e9dico, enfermeiro, conselheiro e tudo que pedia aquele momento. Sofri demais carregando a minha velha para hospitais, desesperado e contando realmente s\u00f3 com a ajuda de Deus. Estava para abandonar tamb\u00e9m o meu emprego, n\u00e3o fosse a solidariedade e pena dos colegas e chefe, que souberam nessa hora compreender a minha situa\u00e7\u00e3o. Rezei a Deus para que n\u00e3o me desamparasse e n\u00e3o deixasse a minha m\u00e3e morrer comigo sozinho naquela casa. Eu estava meio que perdido, enfraquecido e como disse, sozinho principalmente nas noites, onde eu mal dormia. Eu n\u00e3o saberia o que fazer se ela morresse em casa. Mas j\u00e1 nos seus \u00faltimos dias a situa\u00e7\u00e3o se agravou e eu fui obrigado a lev\u00e1-la para o hospital. L\u00e1, eu tamb\u00e9m encarei as noites dormindo na cadeira do seu quarto, mas pelo menos tinha a assist\u00eancia das enfermeiras e m\u00e9dicos. Em sua \u00faltima noite eu j\u00e1 n\u00e3o suportava mais de cansa\u00e7o e numa cama ao lado, que estava vazia, dormi um sono que nunca dormi antes, sem sobressaltos, tranquilo. Acordei as 5:30 e fui logo pegando em sua m\u00e3o. Ela me olhou j\u00e1 meio distante e em seguida faleceu. Parecia at\u00e9 que ela estava s\u00f3 esperando eu acordar para em seguida morrer. Foi muito triste, foi barra&#8230; (desculpem, mas agora eu estou chorando)<br \/>Mas essa hist\u00f3ria de m\u00e3e n\u00e3o termina aqui. Meu sofrimento seria ainda muito maior algum tempo depois. Como disse, tive duas m\u00e3es. A outra foi a minha tia, irm\u00e3 de meu pai. Essa, coitada, s\u00f3 n\u00e3o me ajudou com a minha m\u00e3e porque tamb\u00e9m estava numa cama j\u00e1 h\u00e1 dois anos, v\u00edtima de um AVC que a deixou paralisada nas pernas, o bra\u00e7o direito e na fala. Era uma mulher din\u00e2mica, super ativa, dona de sua vida e da dos outros que ela sempre cuidou. Tinha sua casa, seu carro, sua independ\u00eancia&#8230; De repente, num p\u00e9ssimo dia, \u00a0ela sofreu um derrame e da\u00ed, nunca mais se recuperou. Perdeu tudo, agora entravada numa cama. Ela tinha apenas um filho, que eu o considerava como meu irm\u00e3o mais velho. Por cinco anos ela ficou em sua casa, sendo assistida por uma pessoa contratada por meu primo. Este, um professor doutor universit\u00e1rio, envolvido em seus projetos e uma fam\u00edlia, n\u00e3o tinha l\u00e1 muito tempo para a m\u00e3e. Abasteceu com os cuidados que achava necess\u00e1rios, mas o que ela mais queria ele nunca deu, aten\u00e7\u00e3o, afeto e carinho. O cara era naturalmente seco e suas emo\u00e7\u00f5es eram outras, que nem vale a pena aqui eu comentar. Entregou os cuidados da m\u00e3e \u00e0 uma pessoa descontrola, um mulher com dist\u00farbios bipolares, que mais prejudicou a minha tia do que a ajudou. Implicava com as pessoas que iam visitar a minha tia, inclusive eu, que independente disso, for\u00e7ava para v\u00ea-la todos os dias. Meu primo s\u00f3 aparecia por l\u00e1 nos finais de semana, fica na casa por pouco tempo e logo ia embora. S\u00f3 ia mesmo para levar rem\u00e9dios, fraudas e o dinheiro da maluca. Meu envolvimento com a minha tia aumentou, principalmente depois da morte da minha m\u00e3e, quando ent\u00e3o eu tinha mais tempo para acompanh\u00e1-la. Minha tia, embora n\u00e3o pudesse se locomover e se comunicar pela fala era uma pessoa l\u00facida e mesmo com todos os seus males ainda esbo\u00e7ava uma alegria esperan\u00e7a na vida. Mas essa mulher, a acompanhante, que passou a viver com ela transformou sua vida num inferno. Afastou da casa todos os amigos e implicou at\u00e9 com a fisioterapeuta. Meu primo, afastado do que realmente acontecia por l\u00e1, estendeu a tortura at\u00e9 chegar a um ponto em que a acompanhante resolveu abandonar a casa. A mulher era totalmente louca, mas o comodismo desse primo o impedia de procurar outra pessoa para cuidar de sua m\u00e3e. Ele bem que podia ter a levado para ficar em sua casa, que por sinal \u00e9 enorme, com v\u00e1rios c\u00f4modos, uma grande e bela casa, onde vivia s\u00f3 ele, a esposa e um cachorr\u00e3o fedorento. Os dois filhos j\u00e1 eram independentes e moravam em suas pr\u00f3prias casas. Em suma, ele tinha todas as condi\u00e7\u00f5es para cuidar e estar mais pr\u00f3ximo da m\u00e3e. Mas ele n\u00e3o queria isso. Quando ent\u00e3o, a acompanhante deu no p\u00e9, ele imediatamente levou minha tia para um asilo. Asilo de rico chama-se &#8216;cl\u00ednica da vov\u00f3&#8217;, mas no fundo n\u00e3o tem muita diferen\u00e7a. Meus amigos, voc\u00eas n\u00e3o fazem ideia do que \u00e9 sofrimento. Do sofrimento que esse primo imp\u00f4s \u00e0 minha tinha e tamb\u00e9m a mim, que nessa altura j\u00e1 estava muito envolvido com a situa\u00e7\u00e3o. Pedi a ele, insistentemente, que n\u00e3o a deixasse naquele lugar, era o inferno em dose dupla. Cheguei a propor que voltasse com ela para a sua casa e que eu mesmo cuidaria dela. Mas aquele imbecil sem cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quis me dar ouvidos. Vou dizer para voc\u00eas, acho que sofri mais do que com a minha m\u00e3e. Isso por que a minha tia era uma santa e merecia ter sido tratada de outra forma. Eu a considero como minha segunda m\u00e3e porque foi ela quem me criou dos 11 aos 30 anos, per\u00edodo em que fui morar na casa dela. Minha m\u00e3e nessa \u00e9poca havia casado com um outro homem e eu acabei sendo criado pela minha tia. Da\u00ed uma das muitas raz\u00f5es pelas quais eu tinha um la\u00e7o muito forte com essa mulher. Meu Deus, como foi dif\u00edcil acompanhar todo aquele sofrimento desnecess\u00e1rio pelo qual a minha tia-m\u00e3e passou.<br \/>Eu ia todos os dias visit\u00e1-la no asilo e sempre prometendo a ela que faria de tudo para tir\u00e1-la de l\u00e1. Insisti, insisti e insisti&#8230; mas nada! Aquele cora\u00e7\u00e3o de ferro era inabal\u00e1vel. Em um ano e meio que a minha tia ficou por l\u00e1 ela foi aos poucos se definhado e pelos maus tratos acabou tendo uma infec\u00e7\u00e3o na perna e j\u00e1 nos seus \u00faltimos momentos, teve que amput\u00e1-la. Que coisa horr\u00edvel! Como foi triste. Vejam voc\u00eas, depois de amputada, j\u00e1 num hospital, sofrendo horrores, o m\u00e9dico lhe deu alta, ou melhor dizendo, mandou que ela voltasse para casa (para desocupar a vaga no quarto). Meu primo ent\u00e3o me avisa que iria lev\u00e1-la de volta ao asilo.Eu chorei por dentro e implorei dizendo, &#8220;n\u00e3o leva pra l\u00e1 n\u00e3o, leva para a sua casa, deixa ela morrer l\u00e1&#8230;&#8221; O cara levantou-se da cadeira onde estava e me mandou calar a boca. Disse que estava cheio de ouvir as minhas reclama\u00e7\u00f5es, que a m\u00e3e era dele e que faria da forma que achasse melhor. Aquilo me deu tanto \u00f3dio que se n\u00e3o fosse pelo fato de estarmos no quarto do hospital com aquele resto de vida, eu teria partido para cima dele. Meu desejo naquele momento foi quebrar a cara daquele safado. N\u00e3o fosse pela presen\u00e7a (?) da minha tia ali eu iria bater muito naquele cara. Mas, eu me controlei. Com l\u00e1girmas nos olhos, fui at\u00e9 a cama, despedi da minha tia e disse a ela: &#8220;Meu bem, vai agora. Aqui n\u00e3o h\u00e1 mais nada para voc\u00ea. V\u00e1 em paz, eu me despe\u00e7o aqui. Que Deus lhe acolha como voc\u00ea merece.&#8221; Sa\u00ed de l\u00e1 com o cora\u00e7\u00e3o ainda mais partido. Minha tia morreu um dia depois. Nunca mais olhei na cara daquele sujeito e espero nunca mais v\u00ea-lo. Tomei um verdadeiro \u00f3dio. Hoje, agora nesse dia, n\u00e3o tive como n\u00e3o lembrar de tudo. N\u00e3o vou nunca perdo\u00e1-lo, mas confesso, tenho pena dele.<br \/>Desculpem por esse desabafo&#8230; eu n\u00e3o esperava chegar a tanto&#8230;<br \/>Fiquem hoje apenas com esse compacto, lan\u00e7ado pelo selo Mocambo. Onde temos de um lado o cantor Jorge Goulart interpretando a m\u00fasica &#8220;Ser m\u00e3e&#8221;, dos irm\u00e3os Coelho e Silvino Netto e do outro o poema\/can\u00e7\u00e3o &#8220;Carta a m\u00e3e distante&#8221;, tamb\u00e9m de Silvino Netto. Pode parecer meio piegas esse disquinho para os dias de hoje. Mas quem tem uma m\u00e3e no cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o acha n\u00e3o!<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">carta a m\u00e3e distante &#8211; rodolfo mayer<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">ser m\u00e3e &#8211; jorge goulart<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados de plant\u00e3o! Hoje \u00e9 o Dia das M\u00e3es e eu quero aqui prestar a minha homenagem a esta figura fundamental em nossa vida. 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