{"id":6514,"date":"2018-08-09T00:03:00","date_gmt":"2018-08-09T03:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=6514"},"modified":"2018-08-23T00:09:58","modified_gmt":"2018-08-23T03:09:58","slug":"o-melhor-do-millor-1986","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=6514","title":{"rendered":"O Melhor Do Mill\u00f4r (1986)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-thbDX9DH4Fw\/W34iXPvZHdI\/AAAAAAAAPOE\/fxUbG_NMRscG0h7ztwnjY9tTo_lrNg7LACLcBGAs\/s640\/capap.JPG\" width=\"634\" height=\"640\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-x8ru1wUybrU\/W34iWxy9DCI\/AAAAAAAAPOA\/VkNCrwIWPwMPsL6qk1Hkn2yB-OK99tcZACLcBGAs\/s640\/contrap.JPG\" width=\"640\" height=\"638\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em sua postagem de hoje, o TM presta merecida homenagem \u00e0quele que foi um dos maiores humoristas brasileiros, de longa atividade na imprensa brasileira, tendo sido jornalista, escritor, desenhista, tradutor, escritor, poeta e dramaturgo. \u201cEnfim, um escritor sem estilo\u201d, como ele mesmo se apresentava. Trata-se de Mill\u00f4r Viola Fernandes. Ele era do sub\u00farbio do M\u00e9ier, zona norte do Rio de Janeiro, e ali nasceu a 16 de agosto de 1923, filho do imigrante espanhol\u00a0\u00a0\u00a0Francisco Fernandes e da brasileira Maria Viola Fernandes. Entretanto, por descuido dos pais, s\u00f3 acabou registrado quase um ano depois, a 27 de maio de 1924, que passou a ser sua data oficial de vinda ao mundo, com o nome de M\u00edlton Viola Fernandes (o nome Mill\u00f4r teria se originado da letra garranchenta do escriv\u00e3o!). Em 1925, ainda beb\u00ea, Mill\u00f4r perdeu o pai, ent\u00e3o com 36 anos de idade, e sua m\u00e3e passou a trabalhar como costureira, al\u00e9m de alugar parte do casar\u00e3o em que a fam\u00edlia morava (eram quatro filhos, incluindo Mill\u00f4r). Em 1934, quando cursava o ensino b\u00e1sico, ele perdeu tamb\u00e9m a m\u00e3e, v\u00edtima de c\u00e2ncer. Os irm\u00e3os se separaram e Mill\u00f4r, ent\u00e3o com 10\/11 anos de idade, foi morar com a av\u00f3 num quarto no fundo do quintal da casa do tio materno, Francisco. Ainda em 34, estimulado pelo tio paterno, Ant\u00f4nio, enviou um desenho para \u201cO Jornal\u201d, matutino que pertencia aos Di\u00e1rios Associados. O trabalho \u00e9 aceito e publicado, e ele recebeu um pagamento de dez mil-r\u00e9is. Aos quinze anos, em 1938, conseguiu seu primeiro emprego fixo, como entregador de um rem\u00e9dio para os rins (!), mas ele durou pouco na fun\u00e7\u00e3o, logo se ocupou do trabalho que o acompanhou para o resto da vida. Ainda em 38, passou a trabalhar na revista \u201cO Cruzeiro\u201d, ent\u00e3o a de maior circula\u00e7\u00e3o no Brasil, como paginador, cont\u00ednuo e fact\u00f3tum. Em 1943, escreve a se\u00e7\u00e3o \u201cPoste escrito\u201d, para a revista \u201cA Cigarra\u201d, tamb\u00e9m dos Di\u00e1rios Associados e, dois anos depois, em \u201cO Cruzeiro\u201d, estreia a se\u00e7\u00e3o \u201cO Pif-Paf\u201d, sob o pseud\u00f4nimo de Emanuel V\u00e3o Gogo, em parceria com o cartunista P\u00e9ricles Maranh\u00e3o, criador do Amigo da On\u00e7a. Em 1946, sai o seu primeiro livro, \u201cEva sem costela \u2013 Um livro em defesa do homem\u201d, sob o pseud\u00f4nimo de Ad\u00e3o J\u00fanior, e depois viriam muitos outros, tais como \u201cTempo e contratempo\u201d (como Emanuel V\u00e3o Gogo, 1949), \u201cLi\u00e7\u00f5es de um ignorante\u201d (1963), \u201cF\u00e1bulas fabulosas\u201d (1964), \u201cPapaverum Mill\u00f4r\u201d (1967), \u201cTrinta anos de mim mesmo\u201d (1972, um apanhado de seus melhores trabalhos na imprensa), \u201cCompoziss\u00f5is imf\u00e3tis\u201d (1975, ali\u00e1s o t\u00edtulo \u00e9 esse mesmo), \u201cO livro branco do humor\u201d (idem ao anterior) e \u201cMill\u00f4r definitivo \u2013 A B\u00edblia do caos\u201d (1994). Em mais de 70 anos de carreira, Mill\u00f4r ganhou fama por suas colunas de humor gr\u00e1fico em publica\u00e7\u00f5es como \u201cO Pasquim\u201d, \u201cCorreio da Manh\u00e3\u201d, \u201cTribuna da Impernsa\u201d (que pertencia a seu irm\u00e3o H\u00e9lio Fernandes), \u201cJornal do Brasil\u201d, \u201cVeja\u201d e \u201cIsto\u00e9\u201d.\u00a0\u00a0Em seus trabalhos costumava valer-se de expedientes como a ironia e a s\u00e1tira para criticar o poder e as for\u00e7as dominantes, sendo consequentemente\u00a0\u00a0bastante confrontado com a censura. Escreveu tamb\u00e9m in\u00fameras pe\u00e7as teatrais, como \u201cUm elefante no caos\u201d, \u201cLiberdade, liberdade\u201d\u00a0\u00a0(com Fl\u00e1vio Rangel), \u201c\u00c9&#8230;\u201d (talvez seu maior sucesso nessa \u00e1rea), \u201cOs \u00f3rf\u00e3os de J\u00e2nio\u201d e \u201cComputa, computador, computa\u201d, al\u00e9m de ter traduzido outras 74, caso de \u201cO prod\u00edgio do mundo ocidental\u201d (John M. Synge), \u201cQuem tem medo de Virgina Woolf?\u201d (Edward Albee), \u201cPigmali\u00e3o\u201d (Bernard Shaw) e \u201cRei Lear\u201d (Shakespeare). Outro fato marcante na vida de Mill\u00f4r foi a inven\u00e7\u00e3o do frescobol, esporte que implementou junto com outros colegas na Praia de Ipanema, em 1958. No cinema, colaborou em tr\u00eas filmes dirigidos pelo argentino Carlos Hugo Christensen:\u00a0\u00a0\u201cAmor para tr\u00eas\u201d (1960), \u201cCr\u00f4nica da cidade amada\u201d (1965) e \u201cO menino e o vento\u201d (1967), e foi ainda corroteirista em \u201cModelo 19\u201d (1950). Com a sa\u00fade fragilizada ap\u00f3s sofrer um AVC, no come\u00e7o de 2011, Mill\u00f4r Fernandes\u00a0\u00a0morreu no dia 27 de mar\u00e7o de 2012, aos 88 anos de idade, deixando um vasto e expressivo legado para as futuras gera\u00e7\u00f5es. Dele tamb\u00e9m faz parte o \u00e1lbum que hoje o TM possui a satisfa\u00e7\u00e3o de oferecer hoje a seus amigos cultos e ocultos. \u00c9 \u201cO melhor do Mill\u00f4r\u201d, lan\u00e7ado em 1986 pela Continental (selo Phonodisc).\u00a0\u00a0Sob a batuta do produtor Solano Ribeiro (not\u00f3rio pela organiza\u00e7\u00e3o de festivais de MPB para a televis\u00e3o), e com a participa\u00e7\u00e3o de Fernanda Montenegro,\u00a0\u00a0Fernando Torres (marido de Fernanda), Luiz Carlos Mi\u00e9li, Ruy Affonso (igualmente respons\u00e1vel pelo roteiro deste disco) e, claro, do pr\u00f3prio Mill\u00f4r, o \u00e1lbum \u00e9 praticamente um resumo da trajet\u00f3ria dele como humorista e escritor. Temos aqui, por exemplo, uma de suas \u201cComposi\u00e7\u00f5es infantis\u201d, \u201cA \u00e1gua\u201d, o conto \u201cO abridor de latas\u201d (\u201co primeiro escrito inteiramente em c\u00e2mera lenta\u201d, segundo definiu o pr\u00f3prio autor), o poeminha \u201c\u00daltima vontade\u201d, \u201cPoesia matem\u00e1tica\u201d, o \u201cDec\u00e1logo do mach\u00e3o\u201d, \u201cConf\u00facio disse\u201d&#8230; Enfim, uma obra-prima digna de ser desfrutada, que se constitui em divers\u00e3o garantida e, ao mesmo tempo, uma merecida homenagem que o TM faz a este not\u00f3rio e inigual\u00e1vel humorista que foi Mill\u00f4r Fernandes!<\/p>\n<p><br style=\"font-weight: 400;\" \/><br style=\"font-weight: 400;\" \/><br style=\"font-weight: 400;\" \/><span style=\"font-weight: 400;\">*Texto de Samuel Machado Filho<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua postagem de hoje, o TM presta merecida homenagem \u00e0quele que foi um dos maiores humoristas brasileiros, de longa atividade na imprensa brasileira, tendo sido jornalista, escritor, desenhista, tradutor, escritor, poeta e dramaturgo. \u201cEnfim, um escritor sem estilo\u201d, como &hellip; <a href=\"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=6514\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2788,2993,41],"tags":[],"class_list":["post-6514","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-humor","category-millor-fernandes","category-selo-phonodisc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6514"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6514\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6515,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6514\/revisions\/6515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}