Sílvio Caldas – Seleção Grand Record Brazil – Vol. 27 (2012)

Este é o segundo volume do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, o vigésimo-sétimo  no geral, dedicado a este grande nome da MPB que foi o carioca Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas. Além de cantar e contar interessantes histórias da MPB com um pique invejável, o “titio” possuía espírito aventureiro, gostava de caçar e pescar, e até se embrenhou nos sertões para garimpar ouro, vejam só! Era também um cozinheiro de mão cheia (suas peixadas, por exemplo, eram bastante apreciadas), e obviamente foi proprietário de restaurantes e casas noturnas. Sílvio Caldas era também um especialista em… despedidas. “Aposentou-se” várias vezes oficialmente, mas quando menos se esperava… lá estava ele de novo! Aposentadoria mesmo, só com a sua morte, em 1998.

Aí vão, para deleite e apreciação de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de melhor e mais expressivo, mais doze preciosas gravações de Sílvio. Em ordem cronológica de lançamento, temos, para começar, o lado A do disco Victor 33911,  gravado em 12 de outubro de 1934 e lançado em março de 35: a famosa valsa “Serenata”, matriz 79729, de sua profícua parceria com Orestes Barbosa, cuja introdução, sem palavras, tornou-se prefixo pessoal de Sílvio.  Dois violões e um bandolim (o de Luperce Miranda) acompanham Sílvio nessa gravação, sem dúvida uma das melhores e mais importantes de sua carreira. Logo depois, do Odeon 11255, gravado em 25 de junho de 1935 e lançado em setembro seguinte, apresentamos o lado A, matriz 5082: o samba “Inquietação”, uma das obras-primas do mestre Ary Barroso, que Sílvio também interpretou no filme “Favela dos meus amores”, de Humberto Mauro. No acompanhamento, a Orquestra Odeon, do palestino Simon Bountman, que também teve os nomes Pan American, Copacabana, Parlophon (quando gravava nessa marca, coligada da Odeon)e Simão e sua Orquestra Columbia. Quer dizer, todas eram a mesmíssima orquestra. Falando na Columbia, eis um  importantíssimo disco de Sílvio nessa marca, lançado em dezembro de 1938 com o número 55002 e acompanhamento do regional do multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955), trazendo duas joias de altíssimo quilate: no lado A, matriz 3716, a canção “Mágoas de um trovador”, de J. Cascata e Manezinho Araújo (o “rei da embolada”, aqui mostrando seu lado sentimental). O verso, matriz 3715, traz mais uma conhecidíssima página da parceria de Sílvio com Orestes Barbosa: a clássica valsa “Suburbana”. Curiosamente, em 1943, quando a Columbia converteu-se na Continental, esse disco foi escolhido para inaugurar a nóvel marca, sendo relançado com o número 15001, inclusive os primeiros cem títulos da Continental foram relançamentos da antiga Columbia. De volta à Victor, temos depois o lado B do disco 34804, gravado em 4 de julho de 1941 e lançado em outubro seguinte, matriz S-052258, apresentando o fox-canção “Sempre você”, de Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira. Em seguida, outro disco de Sílvio na marca do cachorrinho Nipper, o de número 80-0080, gravado em 2 de março de 1943 e lançado em maio seguinte, com duas valsas-canções de Georges Moran, russo que se radicou entre nós, e autor de outro hit de Sílvio, “Kátia”, além de outros dois clássicos imortalizados por Orlando Silva, “Balalaika” e “Zíngaro”. Abrindo-o, matriz S-052732, “Não voltarás nem voltarei”, parceria de Moran com Walter Nogueira da Silva e, no verso, matriz S-052733, “Ninotchka”, em que desta vez o parceiro é Cristóvão de Alencar, certamente inspirada no filme de mesmo nome, da MGM, de 1939, estrelado por Greta Garbo e Melvyn Douglas, sob a direção de Ernst Lubistch. Completando nosso roteiro da semana, dois discos gravados por Sílvio Caldas na Continental, em 1949, com acompanhamento da orquestra do maestro, compositor e flautista Nicolino Cópia, o Copinha. O primeiro deles é o de número 16034, lançado em março-abril desse ano, com duas composições do paulista (de Jacareí) José Maria de Abreu (1911-1966). No lado A, matriz 2030, o samba (estruturalmente um samba-canção) “Não me pergunte”, parceria de Abreu com outro consagrado nome da MPB, Jair Amorim. No verso, matriz 2031, a toada “Você de mim não tem dó”, de Abreu sozinho. O outro é o de número 16086, abrindo com outra composição de José Maria de Abreu, agora com a parceria de Alberto Ribeiro, a valsa “Chuva e vento”, matriz 2121. Alberto também assina, em parceria com Osvaldo Sá, a música do lado B, matriz 2120, o samba-canção “Tarde de maio”. Enfim, é tudo isso que apresentamos esta semana com Sílvio Caldas, e eu, particularmente, espero que ele volte a ser focalizado pelo GRB, dada a extensa bagagem fonográfica que deixou registrada em cera. Ouçam esta seleção e irão concordar comigo: ela nos dá aquele irresistível gostinho de quero-mais!

 

Texto Samuel Machado Filho

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