Luiz Arruda Paes E Sua Orquestra – Brasil Dia E Noite (1957)

Hoje o Toque Musical oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum com músicas brasileiras clássicas, executadas pela orquestra do maestro Luiz Arruda Paes. Trata-se do primeiro volume de uma série de três, intitulada “Brasil dia e noite”, lançado pela Odeon em 1957 com o número MOCB-3000 (a capa e a contracapa são da reedição feita em 1975, com o selo Coronado, então braço econômico da “marca do templo”). Aqui, desfilam  páginas conhecidas de compositores consagrados: Ary Barroso (“Aquarela do Brasil”, “Maria”, “Risque”, “Na Baixa do Sapateiro”),  a dupla Braguinha-Alberto Ribeiro  (“Copacabana”), Djalma Ferreira (“Samba que eu quero ver”, verdadeiro clássico das gafieiras),  Zé Kéti (“A voz do morro”),  José Maria de Abreu (“Alguém como tu”, parceria de Jair Amorim, aqui com vocal de Norma Avian), Pixinguinha (“Carinhoso”, sucesso de ontem, hoje e sempre), Zequinha de Abreu (“Tico-tico no fubá”) e, completando o programa, o baião “Caruaru” (“a princesinha do Norte és tu”), de Belmiro Barrela, e “Samba fantástico”(do filme de mesmo nome, de 1955,um documentário produzido e dirigido por Jean Manzon).
Instrumentista, arranjador, regente e compositor, Luiz Gonzaga Arruda Paes nasceu em São Paulo, Capital, no dia 8 de maio de 1926. Considerado um dos grandes arranjadores paulistanos, estudou piano com Cármen Strazzeri,  e teoria e harmonia com João Sepe, complementando sua formação com Osvaldo Lacerda e Hans Joachim Kollreuter.  Iniciou sua carreira artística em 1949, atuando como pianista da orquestra da PRG-2, Rádio Tupi (então “a mais poderosa emissora paulista”).  Em seguida, passaria-se, igualmente como “pianeiro”, para a orquestra do maestro Zezinho (aquele que depois trabalharia com Sílvio Santos), que se apresentava na  então nascente TV Tupi (PRF-3). Ainda na Tupi, em 1952, começou a atuar como maestro, passando também a fazer arranjos para orquestra.  Em gravações, acompanhou  e fez arranjos para cantores diversos, tais como Wilma Bentivegna, Léo Romano, Dorival Caymmi , Osny Silva e o espanhol Gregório Barrios.  Em 1955, gravou seu primeiro LP, o 10 polegadas “Encontro com a música”, que dividiu com Osmar Milani (outro maestro que mais tarde faria parte do “staff” de Sílvio Santos). Este “Brasil dia e noite”, que o TM oferece a vocês, foi justamente o primeiro álbum-solo  de Luiz Arruda Paes com sua orquestra, e, na época do lançamento (1956), foi expressivo sucesso artístico e comercial, tendo sido lançado também na Argentina, México, EUA e Japão.  Ainda em 56, compôs a trilha sonora do filme “O sobrado”, de Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes, baseado em um episódio de “O tempo e o vento”, de Érico Verissimo. Luiz Arruda Paes recebeu, em sua carreira, inúmeros prêmios, tendo sido, inclusive, agraciado sete vezes com o Troféu Roquette Pinto, outorgado pelas Emissoras Unidas (Rádio e Televisão Record).  Outros títulos expressivos de sua discografia em LPs (gravou também nove discos 78 rpm com dezesseis músicas, sem contar aqueles em que acompanhou vários intérpretes com sua orquestra) são: “Brasil Norte a Sul” (mais tarde relançado como ”Brasil romântico”),  “Piano romântico”, “Brasil em tempo de dança”, “Itália eterna”, “Brasil é samba” “Brasil dia e noite 2” (lançado nos EUA como “Dawn is approaching”), “Brasil dia e noite 3” e “Convite ao baile”. Arruda Paes permaneceria na TV Tupi como maestro e arranjador até 1980, quando a emissora fechou,  acossada por grave crise financeira. No mesmo ano, passou a residir em Praia Grande, litoral paulista, atuando como autônomo. Entre 1989 e 1992, foi arranjador e regente da orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo.  Foi orientador de diversos outros maestros, entre os quais, Chiquinho de Moraes e José Briamonte.  Luiz Arruda Paes faleceu no dia 10 de março de 1999, na Praia Grande em que morava, aos 72 anos,de edema pulmonar agudo, e seu corpo foi sepultado no Memorial Ecumênico de Santos.  Deixa, porém, um extraordinário legado de arranjador, orquestrador e regente, do qual faz parte o álbum que o TM ora nos oferece.
* Texto de Samuel Machado Filho
aquarela do brasil
copacabana
samba que eu quero ver
maria
caruarú
samba fantástico
tido tico no fubá
alguém como tu
a voz do morro
risque
carinhoso
na baixa do sapateiro
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1 thought on “Luiz Arruda Paes E Sua Orquestra – Brasil Dia E Noite (1957)

  1. Samuel

    O comentário é livre e nem sou do contra, mas exigente na coleção, aquela coisa de qualidadeXquantidade. Do álbum, aprecio a apresentação e, pelos ricos textos
    pois, maior aprendizado, não podia mais perder a oportunidade de parabenizá-lo!
    Sou visto o homem das orquestras, que tenho muitos discos e/ou sei bastante…
    Não por cansar ouvir um disco inteiro cantado, pelo contrário, não suporto frases
    soltas. Letras completas ou totalmente instrumental: o ideal. Arranjos pulando ao
    andamento original até tipo arrastado/sem vontade; melhor também deixar pra lá.

    AM

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