Nelson Gonçalves – Romântico (1963)

Nélson Gonçalves (1919-1998), gaúcho de Santana do Livramento,  é, sem dúvida,um nome obrigatório quando se fala em cantores que fizeram história em nossa música popular. Durante sua longa carreira fonográfica (e em uma só gravadora, a RCA, hoje Sony Music), iniciada em 1941, registrou mais de duas mil canções, e constituiu-se no terceiro maior vendedor de discos da história do Brasil, com mais de 75 milhões de cópias vendidas, perdendo apenas para Roberto Carlos (o vice, com mais de 120 milhões) e para a dupla sertaneja Tonico e Tinoco (a campeã absoluta, com mais de 150 milhões). Ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina, além de receber da RCA o prêmio Nipper (réplica do símbolo da companhia, um cachorrinho ao lado do gramofone), outorgado aos artistas que mais tempo nela permaneceram (além dele, só Luiz Gonzaga e o americano Elvis Presley foram agraciados com o troféu). Nélson superou todas as dificuldades por que passou, inclusive de ordem pessoal. Em todos esses anos de carreira, seu timbre vocal permaneceu inalterado. Chegou inclusive a se apresentar em países como Argentina, Uruguai e EUA (com memorável temporada no Radio City Music Hall, de Nova York, em 1960). Bing Crosby, ao ouvir um disco de Nélson, ficou maravilhado: “É a melhor voz de cantor popular do mundo!” E continua a ser, mesmo após sua morte, acontecida em 1998. Tanto que seus trabalhos são presença constante no Toque Musical, e já chegamos a homenageá-lo  no Grand Record Brazil.
Assim sendo, o TM oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do eterno “metralha do gogó de ouro”. O título deste trabalho, “Romântico”, lançado em 1963, traduz a essência do repertório. Em sua maior parte, são sambas-canções, e há também dois sambas mais ritmados. O programa é assinado por compositores de quilate, como Adelino Moreira, eterno amigo e parceiro do cantor, a dupla Newton Teixeira-Mário Rossi, e até mesmo uma parceria de Adelino com o mestre baiano do forró, Gordurinha, na faixa de encerramento, o samba-canção “Ruas do mundo”. O próprio Nélson se revela bom compositor, em faixas com ou sem parceiros. Em suma, este é mais um primoroso trabalho de Nélson Gonçalves, que por certo será muito bem acolhido por todos aqueles que apreciam a arte de cantar no que ela tem de mais belo e marcante.
*Texto de Samuel Machado Filho
ultimato
mil ave marias
chorando o passado
precaução
arlecrim
último sonho
esmagando rosas
a lágrima mais triste
será que nunca me amaste
olheiras
desespero
ruas do mundo
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