Abílio Manoel (1968)

Olás! Eu estava pensando em estender por mais alguns dias as minhas postagens de discos de samba. Mas hoje, especialmente, quero prestar aqui a minha homenagem ao artista Abílio Manoel, que faleceu na última terça feira, dia 29 de junho. O cantor do sucesso “Pena verde” morreu vítima de um enfarto, prematuramente aos 63 anos de idade. Fiquei duplamente espantado, porque além de um falecimento, que sempre pega a gente de surpresa, não vi nos jornais quase nada sobre o ocorrido. Suponho que a preocupação com a Copa do Mundo, ofuscou qualquer outra notícia. Abílio Manoel era português, mas radicado no Brasil. Iniciou sua carreira musical nos anos 60. Era estudante de Física na USP e participava dos mais diversos shows universitários promovidos no Campus. Em 1967 ele ‘papou’ o prêmio de melhor compositor no “I Festival Latino Americano de La Canción Americana”, em Santiago (Chile), com a canção “Minha rua”. Graças a premiação neste festival, as portas começaram a se abrir para ele. Primeiro na televisão, onde se apresentou no programa da Hebe Camargo e consequentemente depois disso conseguiu gravar seu primeiro disco pela gravadora Odeon. Assim como Taiguara, Abílio foi um ganhador de festivais, faturou diversos até o início dos anos 70. Gravou ao longo de sua carreira uma dezena de discos e compactos. Suas músicas também foram gravadas por diversos artistas. Seus maiores sucessos, além de “Minha rua” e “Pena verde” são “Andréa” e Luiza manequim”. Abílio também era radialista, publicitário (compondo jingles) e cineasta. Acredito que agora, após a sua morte, seu nome e sua obra passem a ser mais conhecidos e reconhecidos.
Segue então nesta postagem o seu primeiro disco, o que traz a música que lhe deu asas, “Minha rua”. O disco foi produzido por Milton Miranda e a direção musical é de Lyrio Panicali. A regência e orquestração é de Edmundo Peruzzi. Sem dúvida um álbum muito bem produzido para um artista iniciante, onde todas as faixas são de sua própria autoria. E assim como a música vencedora, que abre o disco, todas as demais não fica para trás. Um bom e raro disco! Confiram…

minha rua
espera, perdão e jura
um sonho… uma morena
seu guarda
o trem
chorinho sem nome
hoje… uma seresta
glorinha
modinha da menina minha
tanta demora
angela
tanto de maria

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7 thoughts on “Abílio Manoel (1968)

  1. TM,cara que notícia, também não sabia de tal fato e sempre achei o Abilio Manoel um grande artista, injustiçado… O disco Pena Verde de 1970 é belíssimo, com arranjos muito bem elaborados, beirando ao “psicodélico”, seja lá o que isso signifique. Mas o fato é que perde-se mais um grande artista, e esse primeiro disco dele, estava atrás há tempos… Valeu, obrigado pela postagem. Como você diz, esse me parece inédito na blogosfera. Agora so me falta o América Morena de 1976, se tiver…
    Vá com Deus Abílio, sua missão foi cumprida mais do que dignamente…

  2. Amigo Augusto

    Estou surpreso com sua informação. Não li nada sofre o falecimento do Abilio Manoel. É mais uma talento que se vai. Descanse em paz. Manoel, e obrigado por deixar sua bela obra.

    Chico – Santo André

  3. Conheci o Abílio na rádio USP quando ele trabalhava lá com o Moisés da Rcha (do programa ´´O samba pede passagem´´). Trocávamos discos e eu emprestava muitos discos para o programa dele, o saudoso ´´América do Sol´´, me contou passagens muito legais da vida dele em viagens ao México, contatos com gente como Isabel Parra, Patrício Castillo, Angel Parra. Me lembro de ter me apresentado o Passoca e o Jica do Tarancón. Era fã de Victor Jara, como eu, tenho até hoje o lp que me deu do Jara, lembro de ter-lhe dado um lp duplo ´´Abril en Manágua.
    Sempre quis reatar amizade com ele, desfeita pela correria do dia-a-dia. A últma vez que o vi foi quando trabalhava no programa do Boldrin, no Sec Pompéia, já há muito tempo.

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