Orquestra Românticos De Cuba – Românticos De Cuba No Rio (1983)

Em 2013, a gravadora Musidisc, uma das pioneiras do LP de vinil em território brasileiro, encerrou definitivamente suas atividades. Nilo Sérgio Pinto, filho do músico Nilo Sérgio, fundador da empresa, morto em 1981, pretende relançar digitalmente vários títulos dessa gravadora, que funcionou efetivamente de 1952 a 1971, e depois disso passou a operar apenas como estúdio de gravação e mixagem  para terceiros. Nilo também pretende contar a história da Musidisc em livro. A gravadora lançou, durante todo esse tempo, títulos de gêneros diversos, com pérolas do sambalanço (Ed Lincoln, Sílvio César, o próprio Nilo Sérgio), da pré-bossa nova (Trio Surdina), do rock (“F15 Espacial”, de Célia Vilela, editado em 1964, foi o primeiro LP de rock brasileiro gravado em estéreo),do samba de raiz (como a trilogia “Roda de samba”, com o grupo A Voz do Morro, na qual se iniciaram talentos como Elton Medeiros e Paulinho da Viola)  e da música orquestrada.
Nesse setor, a principal atração da Musidisc era a Orquestra Românticos de Cuba. Apesar do nome, nada tinham de cubanos, eram brasileiros mesmo. O nome foi uma criação do “big boss” da Musidisc, Nilo Sérgio. Seus músicos eram bastante experientes, e a orquestra tinha em seus quadros vários naipes de instrumentos.  E os regentes também eram de primeira linha: Severino Araújo, Radamés Gnattali, Léo Peracchi, Waltel Blanco, Ivan “Carioca” Paulo, Karl Faust, Henrique Nuremberg, etc.  Basicamente eram arranjos na base dos ritmos caribenhos, em especial o bolero, que sempre teve bastante aceitação por parte de nosso público, com sucessos passados e de sua própria época. Os primeiros LPs dos Românticos de Cuba saíram em 1959, e o artifício do nome internacionalizado deu certo. Ao todo, a orquestra lançou cerca de TRINTA álbuns, com sucesso de vendagem garantido. E todos tecnicamente impecáveis, embora gravados em estúdios simples. Dizem que a orquestra encerrou suas atividades por ter sido perseguida pelos militares, então no poder, dado o fato de ter Cuba em seu nome, o que certamente não corresponde à verdade, pois o último álbum deles, com músicas de Roberto Carlos, saiu em 1979, já no ocaso do regime militar (foi desgaste mesmo, por certo). Ainda recentemente, uma coletânea tripla em CD dos Românticos de Cuba, lançada pela Som Livre, e comercializada apenas por mala direta, logo tornou-se um dos títulos mais vendidos da gravadora do Grupo Globo.
Pois agora o Toque Musical apresenta, para deleite de seus amigos cultos, ocultos e associados, um dos títulos de maior destaque na discografia da Orquestra Românticos de Cuba. Trata-se de “Românticos de Cuba no Rio”, lançado originalmente pela Musidisc em 1964, com o número HI-FI-2095, e reeditado outras duas vezes pela Continental, a primeira em 1970 e a segunda em 1983, com o selo Phonodisc. A foto de capa, nas três tiragens, é a mesma, com a diferença de que a relação das músicas, constante da capa na primeira edição, desapareceu nas duas posteriores.  O título diz tudo: são músicas brasileiras em arranjos essencialmente bolerísticos, várias delas clássicos: a indefectível “Aquarela do Brasil”, “Samba em prelúdio”, “Insensatez”, “Se alguém telefonar”, ”Manhã de carnaval”, “Mulher rendeira”, etc. Tudo sob medida para se ouvir e dançar a dois. E aí, dá-me o prazer desta contradança?
aquarela do brasil – inquietação
se alguém telefonar – castigo
viver em paz – nuvens
a flor do amor – confidência
samba em prelúdio – adeus nossa canção de amor
laura – a canção dos seu olhos
dos perdidos – ranchero
suas mãos – eu não exiatou sem você
manhã de carnaval – mulher rendeira
insensatez – meditação
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