Toquinho – A Sombra De Um Jatobá (1989)

Um cantor, compositor e violonista notável, de longa e vitoriosa carreira no cenário musical brasileiro. Assim é Antônio Pecci Filho, o Toquinho, hoje posto em foco pelo Toque Musical. Ele veio ao mundo no dia 6 de julho de 1946, em São Paulo, e ganhou da mãe o apelido que o acompanharia em toda a sua trajetória . Interessado pelo violão, começou a tomar aulas desde os primeiros anos de sua adolescência. Aprendiz de outro grande violonista, Paulinho Nogueira, acumulou conhecimento para o solo e o acompanhamento, após buscar outras influências, como as de Oscar Castro Neves, Isaías Sávio e Léo Peracchi. A partir da experiência técnica acumulada, começaram suas apresentações públicas, em colégios, faculdades e clubes. O primeiro a colocar letra em uma composição de Toquinho foi Chico Buarque, daí nascendo a música “Lua nova”. Em 1966, lança seu primeiro LP, “O violão de Toquinho”, um trabalho totalmente instrumental. Aproveitando a visibilidade da época, apresenta-se em programas musicais da televisão, inclusive os famosos festivais de MPB da antiga Record. Em 1969, compõe e grava, em dupla com Jorge Ben (depois Ben  Jor), dois grandes sucessos: “Que maravilha” e “Carolina Carol bela”. No mesmo ano, novamente ao lado de Chico Buarque, fez uma turnê pela Itália, durante a qual gravou o álbum “La vita, amico, é l’arte dell’incontro”, com poemas de Vinícius de Moraes musicados e gravados por artistas italianos como Giuseppe Ungaretti e Sergio Endrigo. Entusiasmado com a homenagem, o próprio Vinícius convidou Toquinho para uma temporada de shows na Argentina, ao lado da cantora Maria Creuza. Assim nasceu a dupla Toquinho e Vinícius, sucesso absoluto no Brasil e no exterior, tanto em discos quanto em shows, e que só terminaria em 1980, com a morte do Poetinha. Ao longo da década de 80, Toquinho continuou com grande prestígio, participando do Festival de Jazz de Montreux, Suíça, e tendo sua arte reconhecida internacionalmente. Mais de 65 álbuns gravados, cerca de 260 composições musicais (como esquecer sucessos tipo “Na boca da noite”,  “Aquarela”, “Ao que vai chegar”, “Era uma vez”, “O caderno”, “Tarde em Itapoã”, “Morena flor”, “Coisas do coração” e tantos outros?), e mais de 2.000 shows realizados no Brasil e no exterior, estão no respeitável currículo de nosso Toquinho. E dessa extensa e expressiva discografia, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, o quadragésimo-segundo LP de sua carreira, “À sombra de um jatobá”, lançado em 1989 pela RCA/BMG, atual Sony Music. Produzido pelo próprio Toquinho em parceria com Ed Wilson, também cantor e compositor, que ficou famoso no tempo da Jovem Guarda, este trabalho tem dez faixas, a maior parte  assinadas por ele próprio, sozinho ou com parceiros, instrumentadas por arranjadores conceituados, tipo Lincoln Olivetti, Jotinha e Ivan Paulo. Nele, Toquinho mescla gêneros musicais diversos, da balada ao samba rasgado, e não faltam convidados especiais, caso de Eliana Estevão (na faixa “Prêmio e castigo”) e Fagner (“Lindo e triste Brasil”). A faixa de abertura, “Linho e flanela”, é versão do próprio Toquinho para uma música do dominicano Juan Luís Guerra, de quem Fagner também verteu “Borbulhas de amor” (“Burbujas de amor”), posteriormente. O saudoso Vinícius de Moraes assina com Toquinho “Planta baixa”, originalmente lançada em 1974 pelo cantor Betinho, na trilha sonora da novela global “Fogo sobre terra”, e os parceiros de Toquinho em “Nosso amor” são o co-produtor deste disco, Ed Wilson, e Paulo Sérgio Valle. Ele ainda assina, com o irmão João Carlos, “Doce martíro”, e com Mutinho , sobrinho do imortal Lupicínio Rodrigues, “Canção pra Mônica”, que encerra o disco. Todo esse conjunto reafirma a qualidade do trabalho musical de Toquinho, e mostra porque ele é, ainda hoje, importantíssima referência para novos intérpretes e instrumentistas em início de carreira.

lindo e trriste brasil
nosso amor
caminhado juntos
planta baixa
a sombra de um jatobá
prêmio e castigo
doce martírio
misturando idiomas
canção pra monica
linho e flanela

*Texto de Samuel Machado Filho

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