Nelsinho (1964)

Há algum tempo atrás, dois compactos deste artista chegou aqui no Toque Musical. Não haviam ainda sido apresentados por conta da minha constante falta de tempo. Depois percebi que havia mais um entrave… Embora já conhecesse algumas de suas interpretações, não conhecia o artista e seus discos. Na verdade, entendi que Nelsinho é ainda hoje um grande mistério para o grande público. Pesquisando, entendi que se trata de um cantor e percussionista que atuou nos anos 60, na era de ouro do chamado “sambalanço”. Seus dados pessoais e artísticos não aparecem em nenhuma fonte pela internet. Ele faz parte de uma geração de músicos de talento da noite carioca e paulistana que gravaram poucos discos e no caso dele, parece ter se limitado aos discos compactos. Do pouco que encontrei, vi que ele só gravou mesmo dois compactos. Numa nota que se repete em alguns sites de música popular brasileira diz que “Nelsinho atuava prinicpalmente na noite como cantor e percussionista. Sua identidade musical estava profundamente ligada ao movimento do sambalanço – vertente altamente dançante que unia a batucada e a síncope do samba tradicional com a sofisticação harmônica da Bossa Nova, a pressão dos sopros do jazz e o balanço do soul norte-americano.” Ainda, “sua voz ágil, somada ao domínio do ritmo, chamou a atenção de gravadoras em meados da década de 60. Embora não tenha alcançado o estrelato de artístas como Ed Lincoln ou Jorge Ben, Nelsinho era altamente respeitado no circuito de bailes e estúdios pela sua precisão rítmica.” E por conta dessas e outras, da raridade que são seus registros hoje em dia, seus discos se tornaram objeto de desejo de muitos colecionadores e principalmente DJs internacionais. Ainda aqui e de última hora encontrei algumas outras referências a respeito de Nelsinho, presente também em alguns projetos fonográficos coletivos e festivais. Mas o que vale mesmo são esse seus dois compactos. Aqui, apresento este de 1964, lançado pelo tradicional selo/gravadora Continental, que erroneamente aparece como sendo de 65. Compacto duplo produzido por Diogo Mulero, mais conhecido no meio fonográfico da época como Palmeira. 
 
luê… luê…
nego bamba
então… joão chorou
lamento ao mar