Lamartine Babo – A Música Popular No Rio de Janeiro (1988)

Bom dia carnavalescos cultos e ocultos! Parece mentira, mas até o momento eu ainda não vi e nem saí no carnaval. Não vi pela televisão e nem nas ruas. Aliás, Belo Horizonte em termos de carnaval é um caso sério. Existe até a tradição, mas a turma por aqui não é muito animada. Neste ano, parece, estavam querendo ressuscitar os velhos blocos carnavelescos, mas eu não tenho visto muitas manifestações pela cidade. Acho que o problema por aqui é a chuva. Todo ano chove nessa época, daí o belorizontino prefere viajar e pular o carnaval na chuva de outra cidade. Aqueles que dizem que odeiam carnaval também fogem da cidade, procurando um retiro de paz no feriadão. Bobagem, melhor ficar por aqui mesmo. Eu adoro o carnaval, mas para ir para o agito prefiro sair com antecedência e voltar depois sem pressa. Se tem uma coisa que eu não tolero e pegar uma estrada cheia ou ficar mofando em salas de embarque de aeroporto. Como um bom mineiro, gosto de fazer as coisas sem afobação. Na pior das hipóteses, fico em casa. Faço o meu carnaval por aqui mesmo. Discos e músicas são o que não me faltam. Faço a festa e ainda de sobra mando ver aqui no Toque Musical.
Passar o Carnaval sem Lamartine Babo é o mesmo que assistir na Avenida dos Andradas ao desfile carnavelesco de Belô, uma tremenda frustração. Por isso, para salvar o dia e também a festa, vamos com um álbum do Lalá. Temos aqui este lp lançado pela Moto Discos, que a exemplo de outros selos como o Collectors, Revivendo e Filigranas Musicais, ajudou em muito no resgate e restauração de velhos fonogramas, dos primeiros discos e artistas da música popular brasileira. O álbum “Lamartine Babo – A música popular no Rio de Janeiro”, como diz o próprio texto da contracapa, procura prestar uma homenagem a um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, reunindo algumas de suas famosas criações. As músicas selecionadas aqui são da década de 30, em gravações feitas pelo artista ou outros intérpretes como, Carmen Miranda, Francisco Alves, Aracy de Almeida, Castro Barbosa, Mario Reis, Almirante, Diabos do Céu e outros… Em todas as músicas temos, de alguma forma, a presença de Lalá, mesmo quando na música ele não é o astro principal. Ele intervém para dar a essa um definitivo ‘toque’ lamartinesco. Confiram…

linda morena
grau dez
a e i o u
babo… zeira
rapsódia lamartinesca
senhorita carnaval
teu cabelo não nega
moleque indigesto
aí heim?
boa bola
infelizmente
vaca oxigenê
chegou a hora da fogueira

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3 thoughts on “Lamartine Babo – A Música Popular No Rio de Janeiro (1988)

  1. Eitcha que minha terça-gorda tá salva!

    Beijão do Norte

    VALEU Augustão, Valeu Lamartine…

  2. Coincidentemente, é um disco que possuo em meus guardados. Tem muita coisa que o grande Lamartine Babo gravou como autor e cantor carnavalesco, a exceção de “Babo…zeiras”, provavelmente. A marchinha “Senhorita carnaval” foi composta como jingle de propaganda de um sabonete da Lever chamado Carnaval. Há também a famosa marchinha junina “Chegou a hora da fogueira”, inetrpretada por Mário Reis e Cármen Miranda, e o autêntico hino do carnaval, “Teu cabelo não nega”, na voz de Castro Barbosa, aproveitamento que Lamartine fez de um frevo chamado “Mulata”, de autoria dos irmãos pernambucanos Raul e João Vítor Valença. A penúltima faixa na verdade se chama “Menina oxigenê”, cantada por Almirante em dueto com Lalá. Há uma marchinha que Lamartine gravou em dueto com Aracy de Almeida chamada “Vaca amarela”, e acho que houve alguma confusão na hora de colocar os títulos. “A-E-I-O-U” é uma deliciosa “marchinha colegial” de Lalá em parceria com Noel Rosa, e eles também fizeram juntos o samba “O sol nasceu pra todos”, gravado por Mário Reis e que está em outro LP aqui postado, “Mário Reis e Carlos Galhardo – Relíquias brasileiras volume 7”. “Grau dez” é um dueto com o Rei da Voz Francisco Alves, e é uma parecria de Lamartine com Ary Barroso, que também, fizeram juntos “No rancho fundo” e “Na virada da montanha”. “Moleque indigesto” nos traz Lamartine na companhia de Cármen Miranda. Enfim, um trabalho que pelo título (“A música popular no Rio de Janeiro”), deveria ser parte de uma série que não passou desse disco, mas tudo bem. Divirtam-se!

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