Sexteto Tango – Uma Noite Em Buenos Aires (1976)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje estou trazendo para vocês um disco de tango. Temos aqui o registro de um espetáculo internacional que correu várias cidades do Brasil. Trata-se de um musical trazido ao país por Manoel Poladian, um empresário bastante conhecido no meio artístico, considerado um dos pioneiros do showbiz. Em 1976, ele produziu este espetáculo chamado “Uma Noite Em Buenos Aires”. Um musical que ficou famoso por aqui e ganhou desde então várias edições, sendo até hoje explorado por Polidian. 
Aqui temos em disco essa primeira edição, gravado ao vivo no Palácio das Convenções do Anhambi. Trazia um grupo argentino, o Sexteto Tango, formado por músicos da noite portenha e tendo como cantor Raul Funes. No lp temos onze tangos famosos e ainda cabem uma versão ‘tangueira’ e inusitada para a um dos maiores sucessos do cantor Wando, a música “Moça”. É um registro dos mais interessantes, que vale a pena conferir…
 
a media luz
caminito
el monito
el dia que me quieras
el pollo ricardo
cuartito azul
moça
el portenho
mi buenos aires querido
mal de amor
maria
cuando llora la milonga
 
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Rildo Hora – Suave É Noite (1962)

Gaitista, violonista, cantor, compositor, arranjador, maestro e produtor musical, Rildo Alexandre Barreto da Hora completou, em 2019, 80 anos de existência (nasceu em Caruaru, PE, a 20 de abril de 1939). Seu pai, o alagoano Misael Sérgio Pereira da Hora, era dentista, e sua mãe, a pernambucana Cenira Barreto Hora, foi sua primeira professora de teoria musical e piano. Em 1945, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, indo residir no subúrbio de Madureira. Aos seis anos de idade, interessou-se por harmônica de boca (a famosa gaita ou realejo, como é conhecida no Nordeste), e tornou-se autodidata, passando a estudar o instrumento, mesmo sem mestre. Rildo Hora desenvolveu sua técnica tocando frevos e choros que ouvia no rádio. Estudou harmonia, contraponto e composição na Escola de Música Pró-Arte com o maestro Guerra Peixe, e teve aulas de violão com Meira e Oswaldo Soares, tendo ainda frequentado outros cursos no Centro de Estudos Musicais. Aos 11 anos, tocava em festas populares pelos subúrbios do Rio. Apresentou-se na Rádio Mayrink Veiga, no programa “Trem da alegria”, apresentado por Lamartine Babo, Héber de Bôscoli e Iara Sales, o “trio de osso”. Nessa época, conheceu o violonista Manoel da Conceição, o Mão de Vaca, e apresentou-se no programa “A hora do pato”, na Rádio Nacional, passando a frequentar a lendária emissora da Praça Mauá. Aos doze anos, venceu um concurso de gaitas patrocinado pela fábrica Hering, na Rádio Mauá, e foi convidado por Fred Williams a fazer parte do grupo de gaitistas da emissora. Tocou cavaquinho em shows circenses, acompanhando cantores, e neles também atuou como solista de gaita de boca. Ainda faria parte do programa “Festival de gaitas”, na Rádio Nacional. Em 1958, formou, com Sérgio Leite e Luís Guimarães, o trio Malabaristas da Gaita. Na época da bossa nova, passou a tocar violão e cantar. Rildo Hora estreou em disco gravando, em 1960, um 78 rpm na marca Pawal, interpretando as músicas “Anjo” (de sua autoria com Alcino Diniz) e “Nem uma luz brilhou”(de Gilvan Chaves). A partir de 1968, passou a trabalhar como produtor musical, a convite de Geraldo Santos, trabalhando na gravadora RCA. Entre os artistas com quem ele trabalhou como produtor, destacam-se Martinho da Vila, João Bosco, Carlos Galhardo, Vicente Celestino, Clara Nunes, Maria Creuza e Chiquinho do Acordeom. Rildo Hora já marcou presença no Toque Musical com os álbuns “Sanfona e realejo” (com Sivuca) e “O tocador de realejo”.  Agora, nossos amigos cultos e ocultos são brindados com “Suave é a noite”, que vem a ser seu primeiro LP, exclusivamente com solos de gaita, lançado em 1962 pela Som/Copacabana. São 14 faixas com acompanhamento de orquestra, incluindo sua primeira composição “Brigamos com o amor”, de parceria com Gracindo Júnior (que fez também o texto da contracapa, um acróstico com o nome do músico), e sucessos da época, tais como “Suave é a noite”, a faixa-título, “Meu querido lindo”, “E a vida continua” e “Não importa”. Enfim, é uma homenagem à altura que o TM presta a este notável músico que é Rildo Hora, pela passagem de seus oitenta anos de existência.

cravo vermelho
nós e o mar
houvesse um coração
e a vida continua
felicidade
lembrança (un recuredo)
addio addio
tender is the nigth
ten lonely weekends
meu querido lindo
brigamos com amor
no je ne regrette rien
não importa
se ela voltar



*Texto Samuel Machado Filho