Quarteto Em Cy – Compacto (1966)

Boa noite, meus camaradas, amigos cultos e ocultos! Separei muitos disquinhos de sete polegadas para este mês. Alguns, na verdade, são somente compactos de álbuns os quais eu já postei por aqui. É o caso deste resumo do lp “Som Definitivo”, gravado pelo Quarteto em Cy, juntamente com o Tamba Trio, em 1966. Aqui vamos encontrar dois grandes sucessos: “Das Rosas”, de Dorival Caymmi e “Arrastão”, de Edu Lobo. Confesso que estou postando este disquinho apenas pelo capricho de ter estampado aqui uma produção do selo Forma.
 
das rosas
arrastão
 
 
.

Som Livre Exportação Nº 2 (1971)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje vamos relembrar um dos programas de maior sucesso da história da Rede Globo de Televisão. Trata-se do “Som Livre Exportação”, que ficou em cartaz entre 3 de dezembro de 1970 e 22 de agosto de 1971. Era um programa semanal que pretendia oferecer uma visão panorâmica da música brasileira. A ideia inicial era exportar o programa para promover a música brasileira no exterior, mas isso acabou não acontecendo. Comandado por Elis Regina e Ivan Lins, o programa contou com a participação de grandes nomes da MPB, como Aldir Blanc, César Costa Filho, Chico Buarque, Clementina de Jesus, Gonzaguinha, Tim Maia, Tony Tornado, Toquinho, Vinícius de Moraes, Roberto Carlos, Wilson Simonal e os grupos Brazuca e Os Mutantes, além de ter revelado uma nova geração de músicos. Aplaudido pela crítica, “Som Livre Exportação” revolucionou os musicais de televisão ao romper com a fórmula do programa de auditório, intercalando depoimentos de personalidades e recolhendo opiniões de populares, o que imprimia um dinamismo próprio a cada número. Alternando planos com cortes que passavam do cantor para a plateia, a direção quebrava a imobilidade tradicional dos demais programas do gênero. O presente álbum, gravado ao vivo (aliás é o volume 2) e lançado pela Philips em 1971, com o selo Forma, reúne alguns dos melhores momentos do “Som Livre Exportação”. Tudo começa com a Orquestra da TV Globo executando o tema de abertura do programa. Depois, Elis Regina interpreta “Black is beautiful”, dos irmãos Valle, nada mais atual nestes tempos de luta pela igualdade racial. Em seguida, um Gonzaguinha em princípio de carreira interpreta “Raça superior”, de sua autoria. Os Mutantes vêm logo depois com “Benvinda”, de Rita Lee e Arnaldo Batista, e Fábio (aquele da música “Stella”) apresenta “A volta do corisco”, dele e Paulo Imperial. Ivan Lins interpreta “Bia, Bia, Beatriz”, de sua parceria com Ronaldo Monteiro de Souza, um dos temas da novela global “O cafona”, cuja trilha sonora estava estourada na época. O Trio Mocotó nos apresenta “Esperança”, de Jorge (então) Ben e Yara Rossi. Maria Bethânia vem em seguida, com “Dia quatro de dezembro”, de Tião Motorista. Maysa canta “Homem de bem”, de César Costa Filho e Aldir Blanc. O grupo O Terço, então despontando com grande vigor, apresenta “Saturday dream”. E, para encerrar, o MPB-4 vem com “Eu chego lá”, composição do mestre Dorival Caymmi. Enfim, este é um disco repleto de bons momentos, mais uma raridade merecedora de nosso Toque Musical. A conferir no GTM, sem falta.
 
tema de abertura – orquestra da tv globo
black is beautiful – elis regina
raça superior – luiz gonzaga jr
benvinda – mutantes
a volta do corisco – fábio
bia bia beatriz – ivan lins
esperança – trio mocotó
dia 4 de dezembro – maria bethania
homem de bem – maysa
saturday dream – o terço
eu cheguei lá – mpb4
 
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho 

Nara Leão, Paulo Autran, Tereza Rachel e Oduvaldo Vianna Filho – Liberdade, Liberdade (1966)

Olá amigos cultos e ocultos! Não sei se dou bom dia ou meus pêsames. Afinal, a ‘idiotocracia’, tão bem exercida pelo povo brasileiro, ontem nós levou ao golpe e agora é esperar a terra e a cal, pois no fundo do poço nós já estamos. Sinceramente, não vejo luz no fim do túnel, muito pelo contrário. Pressinto que vamos logo entrar num caos, que mais uma vez nos levará a perder nossa liberdade. Diante ao que vem pela frente, achei oportuno repostar este disco, mesmo sabendo que a multidão que nos levou a esse estado não vai ouvir, não sabe do que se trata e nem tem condições para absorver tal interpretação. Mesmo assim, vale trazer a tona, pois muito do que se falava nessa época, cabe direitinho nos dias atuais. Para não perder tempo, replico aqui um texto extraído da internet com algumas outras informações que complementam o texto da contracapa:
No ano seguinte ao golpe militar, o Grupo Opinião estréia uma das obras pioneiras do teatro de resistência. A peça Liberdade, Liberdade, escrita por Millôr Fernandes e Flávio Rangel, reúne textos de diferentes épocas e estilos para falar de um direito que está prestes a ser seqüestrado.
Como lembra, na época, o crítico Décio de Almeida Prado, ninguém clama por liberdade se não se sente ameaçado de perdê-la. Esta premissa é a idéia que permanece nas entrelinhas do espetáculo e que dá sentido e contundência a cada palavra proferida em cena. O texto que Millôr Fernandes escreve no programa do espetáculo aborda com bom humor a dificuldade de falar de uma coisa que falta e que não se pode reivindicar:
“Uma pitadinha de liberdade aqui, uma lasquinha de liberdade ali (…) e a turma vai vivendo que afinal também o pessoal não é tão voraz assim. Já está mais ou menos acostumado. Por isso o texto que escrevemos e selecionamos para Liberdade, Liberdade é bem ameno. Lírico, pungente, uma gracinha leve, uma coisinha, assim, delicadinha. Não é por nada não – só medo. (…) Porque, senão, vão dizer por aí, mais uma vez, que eu sou um cara perigoso. E eu tenho que responder mais um vez, com lágrimas nos olhos: Triste país em que um cara como eu é perigoso. (…)” 1
Em outro texto, o Grupo Opinião assina coletivamente um quase manifesto em que diz:
“Muitos acharão que Liberdade, Liberdade é excessivamente circunstancial. O ato cultural muito submetido ao ato político. Para nós, essa é a sua principal qualidade. (…) Consciente de si, do seu mundo, [o artista brasileiro] marca a sua liberdade, inclusive, realizando obras que são necessárias só por um instante. E que, para serem boas, necessariamente terão que ser feitas para desaparecer; deixando na história não a obra, mas, a posição. (…) muitas vezes a circunstância é tão clara, tão imperiosa, que sobe à realidade (…). Afirmamos que nesse instante a realidade mais profunda é a própria circunstância – e nesse momento não ser circunstancial é não ser real”.2
Os princípios do teatro de resistência encontram no espetáculo do Grupo Opinião talvez a primeira das inúmeras formas que assumirá durante os anos de silêncio para denunciar o esquema opressor que domina o país. Os autores constroem o texto por meio de pesquisa, tradução e síntese de textos de outros autores. Conseguem obter uma coerente e sagaz estrutura dramatúrgica com fragmentos da literatura universal dedicados ao tema da liberdade, costurados com canções sobre o mesmo assunto e com corrosivas piadas. Criam assim uma aproximação entre as tomadas de posição de autores de outros tempos e outros países e a situação brasileira de 1965. Paulo Autran é o ator a quem cabe a condução do espetáculo e os melhores papéis. O crítico Yan Michalski, que dedica quase metade de sua coluna à apreciação do ator, afirma que “a versatilidade demonstrada por Paulo Autran é impressionante: em duas horas de espetáculo ele esboça umas dez ou quinze composições diferentes, sempre adequadas e inteligentes, sempre livres de quaisquer recursos de gosto fácil” – e considera que este virtuosismo é resultado do “domínio dos problemas técnicos” e “de todos os meios de expressão do ofício de ator”. 3 A crítica de um modo geral ressalta também o desempenho de Tereza Raquel e faz algumas observações negativas em relação ao trabalho de Oduvaldo Vianna Filho e à direção do espetáculo.

Embora bastante questionado na época, por ser mais um show do que propriamente uma peça de teatro, Liberdade, Liberdade revela-se uma iniciativa seminal, que influencia fortemente a dramaturgia da década. O espetáculo faz enorme sucesso no Rio de Janeiro e em longa turnê pelo país, tendo tido desde então muitas novas montagens no Brasil e no exterior.

.

Vinícius: Poesia E Canção Vol. 2 (1966)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje, dia 13 de dezembro, fazem 50 anos que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo o encontro da poesia e da canção de Vinícius de Moraes. Foi uma noite de gala onde estiveram presentes grandes nomes da música como Baden Powell, Carlos Lyra, Cyro Monteiro, Edu Lobo, Elizeth Cardoso, Francis Hime, Pixinguinha e (claro) Vinicius de Moraes. A apresentação foi feita pela filha do poeta, Suzana de Moraes e contou também com a participação do ator Paulo Autran que recitou alguns de seus poemas. Este show teve um registro a altura, gerando ao final dois lps, produzidos por Roberto Quartin e seu selo Forma. Os discos foram lançados no ano seguinte. Acredito que na época não era muito comum álbuns duplos, daí os dois discos saíram separadamente. Muito por conta disso eu começo pelo segundo volume, que é o que eu tenho. O certo seria postar primeiro o volume 1, mas esse eu vou ficar devendo. Quem sabe no ano que vem, quando então o disco completa 51 anos (uma boa ideia!). Mas antes disso, se for o caso, eu irei postar o que falta, não se preocupem…. Por enquanto, vamos só celebrar e comemorar a poesia e a canção de Vinícius de Moraes.

abertura – guerra peixe
zambi – edu lobo
pedro, meu filho – vinicius de moraes
sem mais adeus – francis hime
soneto da felicidade – suzana de moraes
minha namorada – carlos lyra
lamento – cyro monteiro
eurídice – baden powell
monólogo de orfeu – vinicius de moraes
vinicius do encontro – suzana de moraes e paulo autran
.

Baden Powell & Vinícius De Moraes – Os Afro-Sambas (1966)

Olá amigos cultos e ocultos! Ontem recebi duras, porém importantes, críticas de um amigo sobre o que eu escrevo e como escrevo as coisas aqui no Toque Musical. Realmente, os textos das minhas postagens trazem sempre muitos erros, sejam lá de ortografia, concordâncias, ou mesmo de caráter histórico e informativo. Há, sem dúvida, muita coisa errada por aqui (e vai além, hehehe…), mas mesmo assim eu insisto, teimoso como um burro, vou tocando sozinho esse meu ‘mal hábito’. E o mais curioso de tudo isso é que mesmo sendo assim como sou, como é o Toque Musical, tem por aí muita gente que nos copia, que seguem uma ‘linha’ semelhante. Eu já disse isso, o TM faz escola! 😉
Em homenagem ao meu amigo crítico e também a todos os outros cultos e ocultos, eu hoje trago este álbum, um clássico que despensa maiores apresentaçoes. Aliás, melhor apresentação que o texto do próprio autor, ainda mais sendo ele Vinícius de Moraes, não poderia haver. “Os Afro-sambas” é um disco dos mais importantes da MPB, lançado através do selo Forma, de Roberto Quartin, em 1966. Produzido de maneira livre, sem se prender a questões e padrões comerciais, o disco traz apenas oito músicas, mas que são a continuidade de um trabalho que a dupla iniciou quatro anos antes, quando ‘se conheceram’, vamos dizer assim. Um trabalho excepcional, que mesmo nunca esquecido, não poderia deixar de ser lembrado aqui. Há ‘medalhões’ que a gente precisa sempre cultuar, não é verdade?

canto de ossanha
canto de xangô
bocochê
canto de yemanjá
tempo de amor
canto de pedra preta
tristeza e solidão
lamento de exu
.

Dulce Nunes – Dulce (1965)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aqui vamos nós com mais uma toque musical. Sempre trazendo raridades e curiosidades da fonografia nacional. E para comemorar o feriadão que vem chegando (o meu já começa amanhã) e também para levantar a moral e contrabalancear a programação postal (hehehe…), eu trago para vocês esta jóia de disco, a bela Dulce Nunes numa produção de Roberto Quartin e seu sofisticado selo Forma. Beleza de lp, lançado em 1965. Traz um repertório da melhor qualidade e participações prá lá de especiais, além dos arranjos e regência do maestro Guerra Peixe. Entre os músicos participantes temos Baden Powell, recém chegado da Europa, trazendo além de seu violão, uma série de músicas, composições em parceria com outros grandes, que fazem parte deste álbum. Nota 10!
cântico
bom dia amigo
canção da minha amanda
canção em modo menor
estrada branca
derradeira primavera
canção do amor ausente
minha desventura
canção de ninar meu bem
eurídice
onde está você?
soneto da separação

Ivan Lins – Agora (1971)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Tentei começar  esta postagem na folga do café da tarde, Começar e terminar, claro. Mas foi totalmente impossível. O bicho tá pegando! Muito serviço e pouco dinheiro.
Abril é um mês complicado para mim., principalmente na segunda quinzena. Mas eu vou segurando a peteca e mandando ver…
Temos aqui, para marcar o dia, o pai da Madalena, o grande Ivan Lins. Para quem não conhece ou nem lembrava mais, este foi o primeiro álbum dele, lançado em 1971, através do selo Forma. “Agora” é um dos discos que eu mais gosto, um trabalho com garra, jovem, bem a cara daquele começo dos anos 70, longe do internacional Ivan Lins de hoje. Obviamente, não estou querendo com isso provocar alguma comparação, apenas constando as transformações, ou evolução de um artista brasileiro de talento. O álbum foi produzido por Paulinho Tapajós e conta com os arranjos de Arthur Verocai. Temos em “Agora” uma série de múiscas que fizeram sucesso e ainda fazem, com certeza. Quem há de esquecer “Madalena”, “Salve, salve”, “O amor é o meu país” e “Agora”? São as primeiras composições ao lado do então parceiro, Ronaldo Monteiro de Souza. Aproveitando que estou com a mão na massa, incluí o compacto, também da Forma, lançado um ano antes, 1970. Confiram aí porque eu daqui já estou dormindo. Zzzz… (Se houver algum erro criminoso, reclamem com o Morfeu)

salve, salve
agora 
emy
minha história
a próxima atração
novamente nós
corpo-folha
o amor é o meu país
madalena
baby blue
hei, você   
tanauê ou se o índio fosse consumido pela civilização moderna

Compactos De Festivais (1968, 70, 72)

Compactos de Festivais ou festival de compactos? É, pelo jeito teremos que prolongar por mais uma semana as postagens de compactos. Está ‘bombando’, como diz o outro… Acho que vou fazer o seguinte, na próxima semana, colocarei intercalado às postagens tradicionais, os disquinhos, ou então irei revezando. Vamos ver…

Hoje temos aqui três compactos de três diferentes festivais de música. Como podemos ver logo acima (ou logo a baixo), temos: o III Festival Internacional da Canção Popular de 1968 trazendo Cynara & Cybele cantando “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim, música vencedora, que levou o primeiro lugar da festa. Do outro lado temos o terceiro lugar, “Andança”, de Danilo Caymmi, Paulinho Tapajós e Edmundo Souto, aqui cantanda por Danilo e Vânia (Santos Leal de Carvalho, irmã de Beth Carvalho). Segue com o III Festival Universitário da Música Brasileira, de 1970. Neste temos o MPB 4 com o samba, “Amigo é pra essas coisas” de Aldir Blanc e Sílvio da Silva Jr. Do outro lado segue o Gonzaguinha com sua música “Parada obrigatória para pensar”. No terceiro compacto vamos ter o VII Festival Internacional da Canção, de 1972, aqui representados por Jorge Ben e seu “Fio Maravilha” e o MPB 4 com “Viva Zapátria”, dos mineiros Sirlan e Murilo Antunes. Os disquinhos desta série não chegam a ser totalmente raridades, considerando que praticamente tudo dos antigos festivais pode ser encontrados na blogosfera, mas não deixam de ser uma boa e interessante opção. Vamos conferir? 😉
andança – danilo caymmi e vânia
sabiá – cynara e cybele
+
amigos é pra essas coisas – mpb 4
parada obrigatória para pensar – luiz gonzaga jr
+
fio maravilha – jorge ben
viva zapátria – mpb 4