Grupo Engenho – Engenho (1981)

Muito boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Entre os muitos discos enviados pelo meu amigo Fáres, tenho aqui mais um que eu mesmo pouco conhecia, talvez uma ou outra música. Estamos falando do grupo catarinense Engenho, conjunto instrumental e vocal formado nos anos 70, na efervescência dos circuitos universitários, dos festivais e eventos. Gravaram três lps, sendo este o segundo. Param as atividades pouco tempo depois de lançarem o terceiro disco. Depois de mais de uma década o Grupo Engenho retoma os trabalhos com uma nova formação. Gravaram mais dois discos, sendo um cd e depois um dvd. Ao que parece, eles continuam atuantes. Infelizmente, não conseguiram um destaque nacional, mas bem que mereciam, pois sua música, embora muito atrelada ao regional, parece falar a todo o Brasil. Composições de qualidade e músicos também. Nessa leva veio também o primeiro lp, mas vamos deixar para uma próxima oportunidade, ok? Confiram este no GTM…
 
engenho
menina rendeira
fandango
carro de boi
exilio
gerações
braço forte
homem do planalto
tropeadas
aquela da baratinha
causas e consequências
vaquejada
 
 
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Barulho – Poeira Cósmica Distribuída Pela Vastidão Do Espaço (2017)

Boa noite, meus nobres amigos cultos e ocultos! Depois de postar aquele disco “objeto de arte” do Cildo Meireles, volto agora com outro disco, também do campo das artes visuais. Disco este também raro, em edição limitada, O ‘lp’ objeto, muito bonito, por sinal, vem neste álbum super elegante, com encartes e informações que registram o lado sonoro deste evento.
Produzido para o Festival Multiciplidade que é um evento de cunho internacional de performances audiovisuais e que acontece desde de 2005 no Rio de Janeiro, trazendo ao público um leque de atrações no Oi Futuro Flamengo e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O seu principal conceito é unir em um mesmo palco arte visual e sonoridade experimental.
Segue aqui um pouco mais do texto sobre este festival e o vinil Barulho:
 

O Multiplicidade sempre fez jus ao nome. Ao longo dos seus 14 anos de vida, o festival de imagens e sons inusitados, dirigido por Batman Zavareze, já se transformou em livro de arte (foram dez), teses de mestrado (em três estados do país) e até em uma série de televisão (no Canal Brasil). Agora, ele se desdobra em um novo formato: o vinil, com o lançamento de um disco com sons registrados na sua mais recente edição. A peça, com edição limitada, vem assinada pelos DJs e produtores Nado Leal e Calbuque. “Sendo um festival que traz no seu nome imagens e sons inusitados, confesso que tinha sempre em meu radar o sonho de um dia produzir um vinil” – explica Zavareze. –  “Um objeto de arte que tivesse a mesma importância do livro em nossa história, ser uma obra artística que resgate em nossa memória a experiência do festival.” A oportunidade de transformar esse sonho em acetato surgiu em 2017, quando o barulho foi o tema central do festival. O evento teve a participação de artistas da França, Itália, Canadá, Espanha, Sri Lanka e, claro, do Brasil, incluindo dez representantes da comunidade Kuikuro, no Xingu, como resultado de um intercâmbio promovido pelo festival, em parceria com o People’s Palace Projects, dirigido pelo britânico radicado no Brasil, Paul Heritage, com o centro de pesquisa britânico da Queen Mary University of London, com a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (AIKAX) e com o Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura (NECCULT/UFRGS). Foram dias e noites intensos, com experimentações musicais e visuais inesquecíveis.  Tivemos a videoarte de Tarik Barri (Holanda) na performance “Continuum AV”; o espetáculo de ruídos e luzes “Field”, de Martin Messier (Canadá); o minimalismo digital de Alex Augier (França) em “_nybble_” e a performance arrebatadora da Quasi-Orquestra. Presenciamos o cinema sensorial de Carlos Casas (Espanha), ao lado do Chelpa Ferro, com intervenções de Neil Leonard e Nikhil Uday Singh; uma instalação do coletivo Manifestação Pacífica e o virulento show do Ninos du Brasil (Itália). Curtimos também o desfile coletivo do Looping: Bahia Overdub, a música desafiadora do DJ Coni (França) e as obras de DMTR, Fabiano Mixo e Gabriela Mureb. “Pudemos explorar e investigar o som com especial atenção como jamais havíamos pensado. Tivemos dez diferentes línguas de países que representaram a multiplicidade e riqueza de nosso line up” – conta o curador. –“ Coletamos sons com gravações de campo do Xingu e com os barulhos do público na abertura. Registramos também todas as performances durante o festival.”  Depois de organizar todos esses sons e registros, o festival convidou Nado Leal e Calbuque, com suas vivências como DJs, para criar um remix livre e pessoal do que aconteceu na temporada 2017 do Multiplicidade. O resultado é uma peça nova, única, (re)criando camadas hipnóticas e poéticas com um novo corpo sonoro. Lado A (Nado), lado B (Calbuque). “Poder trabalhar e reorganizar artistas como Carlos Casas, Chelpa Ferro , Alex Augier, Dmtr, entre outros, foi provocador”  – admite Nado. – “Mas aos poucos foi nascendo essa faixa ininterrupta, às vezes lúdica, em outras brutal e incômoda.” “Foi um desafio que me pegou de surpresa e me estimulou muito” – conta Calbuque. – “Vi todas as apresentações do festival e sabia o contexto exato de cada som que tinha nas mãos. O que busquei foi re-contextualizar aquelas células musicais e tentar criar algo novo, sem perder o sentido de experimentação que marcou o festival. Foi um meticuloso trabalho de arquitetura sonora.” Com o trabalho finalizado, o design recebeu um cuidado todo especial, com a direção de arte da Bold°_a design company, comandado por Leo Eyer. O resultado foi uma edição luxuosa com capa dupla, com encarte gráfico especial, com fotos em páginas duplas e uma bolacha em acrílico vermelha. “É mais um registro e um documento histórico de uma longa caminhada. Regando a arvore que não para de crescer e gerar novos frutos.” – resume Batman Zavareze (Idealizador e curador do festival Multiplicidade)

barulho…

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Torquato Neto – Um Poeta Desfolha A Bandeira… (1985)

Boa tarde a todos, amigos cultos e ocultos! Nesta semana recebi dezenas de lps, enviados pelo meu amigo Fáres. Três pacotões recheados de disco de música brasileira. Nesses eu ainda não mexi, mas olhando por alto, não pude resistir a este lp, “Torquato Neto – Um poeta desfolha a bandeira…”. Uma edição produzida pelo Centro de Cultura Alternativa, do Rio de Janeiro em parceria com a Secretaria de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí que já havia dado o pontapé inicial criando o Projeto Torquato Neto. Lembrando que nosso poeta nasceu no Maranhão, daí a parceria entre duas secretarias de cultura de dois estados. Este disco procura homenagear e pontuar a figura do poeta, letrista, jornalista e ator maranhense que foi uma das importantes figuras do movimento da Tropicália. Parceiro de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo, Jards Macalé e outros. Aqui neste lp temos uma seleção de suas parcerias mais conhecidas. Uma compilação, em boa parte, de músicas que se tornaram grandes sucessos nas vozes de Elis Regina, Nara Leão, Gal Costa e os próprios Caetano e Gil. Este disco, por não ser comercial foi produzido em apenas dois mil exemplares, assim, considerando ter sido lançado em 1985, hoje talvez, já não existam tantos por aí.
 
louvação – elis regina e jair rodrigues
pra dizer adeus – elis regina
a rua gilberto gil
vento de maio – nara leão
zabelê – caetano veloso e gal costa
marginália II
geléia geral – gilberto gil
ai de mim copacabana – caetano veloso
mamãe coragem – gal costa
deus vos salve a casa santa – nara leão
let’s play that – jards macalé
três da madrugada – gal costa
 
 
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Banda Azul – Espelho Nos Olhos (1988)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro das escolhas aleatórias, do nosso ‘drops misto’ de janeiro, hoje o nosso encontro é com a Banda Azul, um grupo musical evangélico formado em Belo Horizonte nos anos 80. A Banda Azul em seu disco “Espelho dos Olhos” é considerado um dos clássicos do chamado ‘rock cristão’. Liderada pelo cantor, compositor Janires Magalhães Manso. Gravaram este lp, com produção do próprio Janires que infelizmente veio a falecer em um acidente de automóvel, alguns meses antes do lançamento do lp. Eis aí um trabalho interessante que agrada não apenas ao público evangélico. Confiram no GTM…
 
canção das estrelas
espelho nos olhos
foi por você
amigo amiga
veleiro
baião eletrônico
amigo poeta
meninos da rua
coração azul
trem da amizade
 
 
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Maricenne – Correntes Alternadas (1992)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! A música brasileira e seus artistas tem histórias realmente surpreendentes. A cada dia descobrimos coisas que nem imaginávamos. Há pouco tempo atrás encontrei este disco em um sebo. Me chamou a atenção logo pela capa, me pareceu logo de cara um disco de alguma artista alternativa, coisas obscuras da produção independente paulista. Mal sabia eu quem era Maricenne até ler com atenção o encarte do disco. Fiquei realmente surpreso, primeiro pelo trabalho, este lp chamado “Correntes Alternadas”, disco produzido por Paulo Barnabé, com participações inusitadas que vão da banda punk Inocentes ao violonista Paulinho Nogueira e mais… Tem espaço para Tom Zé e Richie, Paulo Vanzollini, Haroldo Barbosa… É, sem dúvida, um trabalho diferente, de vanguarda e isso se vê também no repertório. Maricenne parece não ter um público certo, mas nesse conjunto musical ela demonstra um ecletismo dos mais saudáveis que não soa feio ou pretencioso, mito pelo contrário, ela passeia bem por diferentes gêneros e o disco, no geral é realmente muito bom. Porém, as surpresas não param por aí. A coisa fica ainda mais interessante quando descobrimos que Maricenne não é uma novidade, muito pelo contrário, tem uma trajetória artística de chamar a atenção. Sua carreira começa ainda nos anos 50. Quando adolescente já fazia parte de um grupo musical em sua cidade natal, Cruzeiro (SP). Ficou famosa da noite para o dia quando venceu o concurso “Voz de Ouro ABC” da TV Tupi. Teve nesta emissora um programa em horário nobre, gravou seu primeiro disco, ainda em 78 rpm. Trabalhou também na TV Record e já no início dos anos 60 passou a se apresentar em casas noturnas ao lado grandes músicos como Pedrinho Mattar, Manfredo Fest e Walter Wanderley. Viajou e se apresentou em temporadas na Espanha e Portugal. Em 1964 gravou num compacto, a “Marcha para um dia de sol”, primeiro registro gravado de uma música de Chico Buarque de Holanda. Participou de vários dos grandes festivais de música dos anos 60. Trabalhou com Walter Wanderley nos Estados Unidos, participando de diversos shows por lá, o que lhe rendeu um contrato com uma grande gravadora, mas infelizmente teve problemas como seu empresário e acabou voltando para o Brasil. Na década de 70 passou a trabalhar também como atriz, retomando as atividades de cantora no final desta década, quando então gravou seu primeiro lp, em 1980. “Correntes Alternadas” foi assim o seu segundo disco, um registro fonográfico que merece muito a nossa atenção. Com um pouco de sorte, quem se liga em vinil, pode ser que encontre um exemplar ainda dando sopa no Mercado Livre. Pura raridade que vale a pena conhecer. ..
 
muito prazer
wild life
dor de dente
angelitos negros
garotos do subúrbio
valsa das três da manhã
céu cor de rosa
foot prints in the sand
eterno enlevo
 
 
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Gilberto De Abreu & A Cia. – João, Gilberto E Clarisse (2001)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Em nosso ‘drops sortido’ de janeiro, eu hoje quero apresentar a vocês um cd, ao invés do tradicional vinil/lp. Não me recordo mais onde foi que achei este trabalho, mas há tempos venho querendo trazer aqui para o nosso Toque Musical. Trata-se do genial artista plástico mineiro, nascido na cidade de Espinosa, Minas Gerais. Um talento, que sempre passeou também pelos campos da música. Este cd foi lançado em 2001, aqui em Belo Horizonte e para mim, é uma das coisas mais bonita de se ouvir, dentro da produção musical mineira. É um trabalho excepcional, pois ultrapassa os limites de uma simples produção musical. Convido os amigos aqui para essa audição. E para clarear um pouco mais esta postagem, incluo uma resenha que veio incluída nos arquivos. Segue… 
O trabalho, fruto de três anos, tempo dedicado à criação, ensaios, apresentações e gravações, está em sintonia com a proposta da poesia sonora, que trata o poema não como letra numa música nem como texto a ser recitado, mas como célula expressiva em diálogo com o som, provocando imagens e reflexões. O cd é composto de dez faixas e sete poemas, todos colhidos na safra da poesia contemporânea mineira: Murilo Antunes, Ronaldo Brandão, Luciana Tonelli, Maria José Bretas, Joana Guimarães, além do próprio Gilberto, responsável pela concepção musical e arranjos finais de todas as faixas. Tocando um cavaquinho em outra afinação, acrescida de efeitos sonoro/tecnológicos, dá o tom pra percussão de João Carlos e a rebeca de Clarisse Alvarenga, formando o trio que desembocou no título do trabalho e remete a João Gilberto e Clarice Lispector, dois gigantes da música e das letras. Das três faixas que não trazem poemas, duas são instrumentais, entre elas uma releitura de “Carinhoso”, de Pixinguinha e João de Barro, clássico inquestionável da música brasileira. Há também uma curiosa regravação de “O Tempo vai Apagar”, canção de Paulo César Barros e Getúlio Côrtes, conhecida na voz de Roberto Carlos. João Carlos, percussionista, parceiro e amigo de Gilberto tem uma participação fundamental nesse trabalho, dividindo com ele a concepção minimalista do cd, que conta também com as participações especiais dos músicos; Tattá Spalla e Fernando Lopes e o ator e músico Kimura Schetino. Clarisse Alvarenga, também jornalista deixou gravada a sua participação com a rabeca em “Gente”, e Gabriela Ruas emprestou sua voz infantil ao “O Monstro”. Gravado e mixado no estúdio Audio-Digital por Sérgio Murilo entre setembro de 1999 e dezembro de 2000, o cd teve edição esgotada, houve ainda uma segunda edição distribuída no “mano a mano”. Com o traço indelevelmente associado à história de um dos mais importantes movimentos musicais do Estado, além de capas de discos de Beto Guedes, ele tem desenhos em discos de Toninho Horta e Lô Borges, para os quais também fez cenários de shows – Gilberto de Abreu não poderia negar a relação que mantêm com a música desde que, ainda na adolescência, se tornou vizinho dos Borges no edifício Levy, no Centro de Belo Horizonte, onde foi morar quando se transferiu de Montes Claros, oriundo de Espinosa, norte de Minas, para a capital. Na estréia fonográfica marcada pela independência, o CD que foi inteiramente bancado pelo artista, à base de permuta com seus quadros, reúne a sua produção poética e a de amigos. O artista plástico, performer e poeta admite ter encontrado no disco o formato ideal para expor parte de sua irrequieta produção artística que, além de desenhos e pinturas, inclui poemas e composições feitas no cavaquinho que toca desde a década de 70, quando entrava em cena em companhia do instrumento no espetáculo teatral “Risos e Facadas”, de Eid Ribeiro e Ronaldo Brandão, inspirados em textos de Samuel Becket. Sobrinho do flautista Oswaldo Lagoeiro, que fez carreira em emissoras de rádio da cidade quando o veículo ainda cultivava performances ao vivo de profissionais da música, e primo do baixista e compositor Yuri Popoff, Gilberto diz que não precisou freqüentar escola de música depois da intensa convivência com os integrantes do então nascente Clube da Esquina. “Enquanto aprendia música com eles, alguns como o Beto Guedes se enveredavam na pintura comigo” recorda das incursões dos dois no ateliê do chorão e pintor Godofredo Guedes, pai de Beto. Na linha inversa dos que fazem da música um mero fundo musical para a poesia, no disco ele promove a interação total das duas manifestações, dando origem a um novo formato do gênero. 
“Quando ele dedilha o cavaquinho, parece estar sintonizado a uma época de questionamento e inconformismo, a mesma que viu surgir grande parte de sua produção artística, que hoje ultrapassa 30 anos de vida”. (Textos de Alécio Cunha, Ailton Magioli e Alexandra Martins)
 
clarice lispector, joão gilberto (instrumental)
gente
quadra 76
o carinhoso 
lapso
o mostro
só o tempo vai apagar
velhocyclo
joão gilberto
vida (mix)
 
 
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Grupo Gralha Azul (1981)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Há algum tempo atrás, estava eu em Sampa passeando pelos sebos da periferia, quando num desses deparei com um colecionador, um sujeito japonês, que estava enchendo a sacola de discos, numa voracidade que me chamou a atenção. Entre os discos que levou havia um lote com talvez uma dúzia de um mesmo lp, no caso, este aqui do Grupo Gralha Azul. Os discos estavam novinhos e pelo jeito era sobra de estoque. O cara catou tudo, pagou e foi embora. Por curiosidade, perguntei ao vendedor que discos eram aqueles e daí foi que fiquei sabendo que o comprador tinha mesmo vindo do Japão, era um colecionador que eventualmente aparecia por lá e comprava, segundo ele, todo estoque de discos independentes. Quando perguntei ao vendedor que disco era aquele que o japa comprou em lote, ele disse que era de um conjunto musical lá do Paraná. Tirou de trás do balcão um outro exemplar, me mostrou e perguntou: “quer levar um? este é o último”. Evidentemente, acabei comprando, mais pela curiosidade. Ao final o vendedor ainda me disse: “aproveita porque agora este disco vai valorizar, esse moço que saiu tem loja no Japão e vende lá esses discos bem caro”. E realmente, tempos depois vi este lp sendo vendido no e-Bay por umas 100 ‘doletas’. No Mercado Livre tinha um, mas logo foi vendido. Hoje, voltando a esse site de vendas, vi que apareceram outros e com preços muito bons. Acho até que vou comprar outro para garantir o momento especulativo, hehehe… Mas, convenhamos, faz sentido este lp entrar para o hall dos disco raro, afinal os poucos que tinha por aqui já foram embora e certamente, uma produção independente como essa não deve ter passado de mil cópias. Contudo, isso ainda não é nada, não fosse também a qualidade do produto. O Grupo Gralha Azul surgiu na cidade de Paranavaí, dentro do Teatro Estudantil da cidade. Foi fundado pelo professor Huany França, em 1969, porém, somente em 1977 o grupo assume mesmo uma forma ao participar, em Maringá, do 1º Femucic, um festival regional que lhes serviram de impulso para novas aventuras. Desde então, o Gralha Azul passou a se apresentar em público e também em outros festivais, ultrapassaram as fronteiras e chegaram até São Paulo, onde então ganharam mais destaque. Em 1981 o grupo então grava este que seria o seu primeiro disco, um lp independente e como o próprio texto interno nos fala, sem grandes pretensões. Sem dúvida, é um disco com muita simplicidade, mas também com identidade própria, explorando temas rurais, regionais, em composições próprias. Muito interessante, vale uma conferida no GTM…
 
girassol
a hora da bóia
pequena história
geração
saudades da gralha azul
navio de sonhos
américa
ciranda paranaense
pé de meia
viola cor de sangue
remanso
martin pescador
 
 
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Yukiaki Taguchi – Enka Em São Paulo (1977)

Boa noite a todos os amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, vão aqui os nossos votos de um feliz ano novo, que superemos toda essa crise e que nos venha a vacina! Como dizia a música do Belchior: “ano passado eu morri, mas este ano eu não morro…” Viva a vida!
Para começar o ano temos aqui um disco diferente, um lp, como se pode ver, de um artista estrangeiro. Na verdade um artista japonês, olha só que interessante… Como todos devem saber, eventualmente publicamos também artistas/discos estrangeiros, numa forma de ampliar nossas sensações e nossa curiosidade fonomusical. Melhor ainda quando de alguma forma há uma relação com o Brasil, ou a brasilidade. Temos aqui um disco de produção independente, apresentando o cantor japonês Yukiaki Taguchi. Este lp, ao que parece, foi gravado em São Paulo, uma produção não comercial e certamente uma edição limitada, voltada para a comunidade nipônica no Brasil. Pelo texto em português, do próprio artista, este é um disco onde ele nos apresenta o “Enka” que é o estilo tradicional da música popular japonesa, algo que lembra bem a música pós Jovem Guarda, aquele jeitão romântico, um tanto brega, diga-se de passagem. Yukiaki Taguchi, conforme texto veio para o Brasil em 1968. Embora o texto de contracapa seja em japonês, entende-se que ele já tinha no Japão uma carreira artística.
Como temos um grupo grande de amigos ocultos japoneses sempre por aqui, creio que este lp pode ser, também para eles, interessante, não é mesmo? Começamos então 2021! 
 
kuchinashi no hana
shinobi goi
kamomemach minatomachi
toshiue no hito
kita kôro
sakariba blues
onna no yume
minatomachi namidamachi wakareemachi
onna ho iji
kiri no defune
sassoriza no onna
kushiro no yoru
 
 
 
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Henrique Cazes (1988)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! E aqui vai mais um discaço de choro, um choro moderno, ou mais próximo da nossa contemporaneidade, embora já tenha se passado mais de 30 anos do seu lançamento e também, como não poderia faltar a um disco de choro, tem também alguns clássicos para engrossar mais o caldo. Em resumo, temos aqui e mais uma vez o cavaquinista, pesquisador, compositor e arranjador Henrique Cazes. Já publicamos, em outra ocasião, um outro disco dele. E artista que faz ‘discos para se ouvir com outros olhos’ merece sempre a nossa atenção. Aqui encontramos uma produção independente lançada por ele em 1988. Um trabalho bem bacana cujo o repertório com onze faixas é de primeira linha, entre clássicos do choro e composições próprias. Henrique Cazes vem acompanhado por um time de feras, músicos como Rafael Rabello, Marcos Suzano, Luiz Otávio Braga, Zeca Assumpção e outros que podem ser conferidos log aqui na contracapa. Enfim, um belo disco para abrilhantar a nossa quarta-feira. Confiram…

vê se gostas

vocês me deixam ali e seguem de carro

lingua de preto

modulando

estudo nº1 em mi menor

os oito batutas

valsa para radamés

coisa de garoto

mitsuru no cavaco

eu quero é sossego

desengomando

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Dito E Feito – Choro Novo (1992)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Procurando sempre trazer para vocês aquilo que não se vê e não se ouve em qualquer esquina, embora em cada esquina possamos encontrar muitas surpresas, hoje vamos com um disco independente lançado em 1992 pelo grupo niteroiense de choro Dito e Feito que trazia como seus integrantes músicos tarimbados da cena musical carioca, figuras como o bandolinista Cleber Castro, o percussionista Paulão Meneses e Lula Espírito Santo, violonista e cavaquinista, este responsável pela formação do grupo e deste que foi infelizmente o único disco do grupo. O lp traz apenas seis músicas, composições feitas de 1976 a 92, sendo duas dessas músicas, choros, feitos por artistas uruguaios, Jorge Larrosa e Ricardo Laquan. Taí um dos poucos discos de chorinho que não tem nenhum clássico, se firma apenas por um trabalho autoral e de qualidade, diga-se de passagem. Vale a pena conhecer. Confiram no GTM…

filhote
choro noturno
princesinha
flauteando
segunda feira
com o meu na reta
 
 
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Coral Das Missionárias De Jesus Crucificado – Hosana Ao Filho De Davi (196…)

Boa noite meus queridos amigos cultos e ocultos! Há tempos eu deixei de ficar aqui atendendo solicitações de postagens por inúmeros motivos. Porém, depois de receber coincidentemente  uma meia dúzia de pedidos para (se possível) postar este lp do Coral das Missionárias de Jesus Crucificado e por acaso eu o ter encontrado, seria um pecado da minha parte não publicá-lo agora. Então, está aí, mais um disco de cunho religioso, este no caso, católico. “Hosana ao filho de Davi”, um disco sem data, mas certamente dos anos 60.  Confiram…
 
hosana ao filho de davi
os filhos dos hebreus
gloria louvor
entrando o senhor
quinta feira santa
cristo
novo mandamento
ode o amor e a caridade
eis o lenho da cruz
nós te adoramos
vigília pascal
cantemos ao senhor
ladainha dos santos
 
 
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Minas Ao Luar (1988)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Um dos eventos musicais mais tradicional em Minas Gerais, que creio eu, ainda existe é o “Minas ao Luar”, promovido pelo Sesc/MG. Trata-se de um projeto musical itinerante, que periodicamente percorria várias cidades mineiras levando grupos de artistas seresteiros para apresentações em praças públicas. Em Belo Horizonte eu tive a oportunidade de assistir vários e são realmente muito animados. Em 1988 os produtores lançaram este lp, reunindo alguns de seus mais expressivos artistas e apresentando um repertório tradicional, bem conhecido do grande público. Quem gosta de seresta e serenatas, não pode perder esse toque musical. Confiram no GTM….

apresentação de carlos felipe

elvira escuta

noite tristonha

gondoleiro do amor

sereno da madrugada

guitarra de prata

hino de minas gerais

ave maria

última estrofe

vivo a cantar

o bardo

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Irineu – Eu (1991)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Temos hoje para o nosso toque musical mais um artista mineiro, o qual merece nosso destaque. Estou falando do Irineu, ou como hoje em dia assume, Irineu de Palmira. Músico nascido em Belo Horizonte, também cantor e compositor. Iniciou sua carreira nos anos 70 participando de eventos culturais e em diversos festivais de música, onde sempre se destacou como compositor, arranjador ou intérprete. Ganhou vários festivais, o que acabou levando-o para trabalhar em São Paulo, onde então a sua carreira ganhou força. Trabalhou como instrumentista e cantor na banda da casa noturna de Oswaldo Sargentelli. Aliás, foi tocando na noite que ele ganhou prestigio, ao lado de grandes nomes como Cauby Peixoto, Pery Ribeiro, Hector Costita, Carmen Costa, Wilson Simonal e muitos outros. Fez trilhas para teatro e tv. Também como compositor tem músicas gravadas por grandes nomes da MPB. Continua sempre muito ativo e recentemente vi ele numa live, no Facebook. Acredito que tenha lançado novos trabalhos, pois este foi o seu disco de estreia, um trabalho que começou a se gravado em 1988 e finalizado em 91, quando então foi lançado, em produção independente. Um disco praticamente todo autoral, mas tendo também o clássico de nosso cancioneiro, “Maringá”, de Joubert de Carvalho. O disco tem a produção musical de Kapenga, do grupo Bendegó, que também participa do trabalho juntamente com grandes nomes como Gereba, Papete, Duda Neves e outros… Não deixem de conferir no GTM…

descaminhos

eu não vou dizer mais nada

marias gerais

emoção só

maringá

bolero qualquer

tudo nada

lume

saudade (belo horizonte)

em nossas mãos

samba da metade

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Luizinho Lopes – Nem Tudo Que Nasce É Novo (1990)

Boa noite, meus amigos cultos e ocultos! Nesta semana estive separando e selecionando uns discos para nossas próximas postagens. Entre esses estava este disco do cantor e compositor mineiro Luizinho Lopes. Confesso que só conhecia este artista apenas pelo nome, nunca tinha ouvido nada dele. Mas que grata surpresa tive eu ao ouvi-lo. Sinceramente, superou as minhas expectativas. Belíssimo disco. Composições de uma beleza singular, ou por outra, muito original. É bom descobrir artistas assim, cuja a obra tem uma identidade própria. Boas letras, boas composições, bons arranjos, enfim, um trabalho exemplar. “Nem tudo que nasce é novo” foi o primeiro disco deste artista, que até onde sei é da cidade de Pirapora (MG), mas reside em Juiz de Fora. O álbum foi gravado em São Paulo e lançado em 1990, uma produção independente na qual o nosso artista vem acompanhado por um time de excelentes músicos, mineiros e paulistas. Sua produção seguiu aquele esquema que hoje em dia chamam de ‘crowfunding’, ou seja, as pessoas compram antecipada a obra ainda a ser produzida e lançada. Isso também é um indicativo de que se trata de uma edição limitada e como todo disco independente e de boa qualidade, hoje já se tornou item raro e caro para colecionadores de vinil. Luizinho Lopes, como disse, foi uma grande surpresa e já estou antenado para outros trabalhos que lançou. Aí está um artista que vale a pena a gente conhecer. Que tal começar por este lá no GTM? 
 
nem tudo que nasce é novo
quando o sol foi para o japão
til
do futuro
dossiê
alimento
vide gula
contando estrelas
ponto
em mim
agora é tarde
 
 
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Geraldo Espindola (1991)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aproveitando as heranças blogueiras, aqui temos um disco, entre muitos que nos foi enviados, discos que já tiveram o seu momento em outros blogs e agora aqui se completam e perpetuam enquanto este toque durar. Temos aqui um disco do cantor e compositor Geraldo Espíndola, irmão das cantoras Tetê e Alzira Espíndola. Neste lp ele marca seus então vinte anos de carreira apresentando algumas de suas obras mais conhecidas. Sem dúvida, um disco especial que merece ser ouvido de cabo a rabo. Produção independente da melhor qualidade. Não deixem de conferir no GTM…

cunataiporã

pequenos aliados

amarga solidão

divindade

raça das matas

forasteiro

fala bonito

quyquyho

deixei meu matão

Júlio Costa (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Entre os muitos ‘discos de gaveta’, aqueles que já estão prontos, esperando a vez, tenho este do músico, compositor e instrumentista Júlio Costa que sempre esteve a um passo de ser publicado aqui no Toque Musical. O que faltou, ou que ainda falta são informações sobre o artista. Caramba, tem discos/artistas que até hoje você não encontra nada sobre eles na rede! Incrível isso, visto que não se trata de algo tão antigo ou tão oculto assim. Parece que nosso artista não fez muita questão de divulgar melhor esse seu trabalho. Oque é uma pena, pois o disco é muito bonito, praticamente, quase todo pautado no instrumental e trazendo um time de músicos de primeira linha. O disco é uma produção independente, o que justifica talvez uma divulgação limitada. Seja como for, acho que vale a pena conhecer e ouvir. Confiram no GTM…

samba torto II

sirius

a idade exigida

a coisa

vega

o trapezista

antares

quebra-cabeças

paisagem marinha

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Flávio Carvalho (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje o nosso encontro é com Flávio Carvalho. Cantor e compositor paulista, conhecido também como ‘Flávio Chão de Estrelas’, por conta do programa de TV, no qual foi (ou é ainda) o apresentador. Aliás, Flávio Carvalho também apresentava um programa na TV Gazeta, ao lado de Helô Pinheiro. Flávio começou sua carreira a partir da década de 70. Teve sua música “Nada na cuca” como tema da novela “Um dia, o amor”, da antiga TV Tupi, em 1975 e que lhe rendeu o prémio Globo de Ouro. Trabalhou também na criação de trilhas sonoras e jingles. O artista, ao longo de sua carreira já gravou uns dez discos, sendo os primeiros na fase do vinil. O disco que apresentamos foi seu primeiro lp, lançado de forma independente, em 1980. Sem dúvida, um disco muito bonito e bem produzido e pelo fato de ser independente torna-se raro, difícil de se ver e ouvir por aí. Vale a pena conferir…

na varanda
fuga nº1
prá são paulo
deixa prá lá
noite de são joão
do jeito que você é
dom de me encantar
vou brincar de envelhecer
conto de fada
bye bye
 
 
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Irmãs Missionárias De Jesus Crucificado – Quando Canta O Coração (1964)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! O TM apresenta mais um disco de música religiosa, mais precisamente de música católica. É “Quando canta o coração”, gravado pelo coral das Missionárias de Jesus Crucificado em 1964. Ao ouvirmos as doze faixas deste disco, percebemos que as Missionárias já faziam um trabalho musical precursor ao dos padres cantores, tipo Marcelo Rossi, Fábio de Melo e Reginaldo Mazzotti. E podemos ouvir louvores a Deus em ritmos variados, como samba-canção, twist, bolero e bossa nova.  Tudo devidamente abrilhantado pelos arranjos de Pachequinho, que não é outro senão o maestro Diogo Pacheco. Só este detalhe credencia o disco, repleto de belas mensagens musicais, para católicos ou não. É mais um trabalho bastante interessante, merecedor de nosso Toque Musical. É ir ao GTM e conferir. 

não se deixe vencer pelo mal
toda gente sabe
sorrir
bairrismo
a amizade é um bem
se você já sabe cismar
um pouco de perfume
juventude
vida porque corres
a verdadeira alegria
fumaça
o sol continua a brilhar
 
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho
 

Festival Villa-Lobos – II Concurso Internacional De Violão (1980)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Mantendo a nossa velha e boa tradição, aqui vai mais uma raridade para o deleite de todos, ou, em especial, os amantes do violão. Por aqui sempre aparece algum violonista pedindo discos onde o violão é o instrumento de destaque. Então, aqui temos mais um, disco não-comercial, o que, por certo o faz ser quase um inédito. Sai dos limitados para a vitrine do nosso Toque Musical. Como podemos ver, trata-se do Festival Villa-Lobos, de 1980, onde aconteceu o II Concurso Internacional de Violão. A música brasileira, de grandes mestres desse instrumento, na interpretação de vários instrumentistas, nacionais e internacionais. Na contracapa vocês encontrarão mais informações sobre este disco, que realmente é uma joia. Confiram no GTM…

francisco mignone – estudo nº 8 – eduardo castañera

francisco mignone – estudos nº 6 e 12 – mara portela

edino krieger – ritmata – jungen shollman

marlos nobre – momentos nº 1 – marcelo jehá kayath

marlos nobre – homenagem a villa-lobos – rodolfo m. lahoz

guerra peixe – prelúdios nº 4 e 5 – roland dyens

nestor de hollanda cavalcanti – suite quadrada – roland dyens

aldo taranto – modulando – istván adrovicz

pedro cameron – repentes – istván adrovicz

arthur bosmans – brasileiras: modinha – willem brioen

marcelo de camargo fernandes – sonatinha – eduardo elias isaac

heitor villa-lobos – valsa choro – roland dyens

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2º Festival MPB Carrefour (1992)

Amigos cultos e ocultos, como vão, tudo bem? Olha aí o que temos para hoje… Um disco de festival. Faz tempo que não postamos nada por aqui. Desta vez temos a segunda edição do Festival de MPB Carrefour. Este festival aconteceu em 1992 promovido pelo grupo multinacional Carrefour, tendo como organizador e diretor artístico, o jornalista Zuza Homem de Mello. O Festival selecionou 84 concorrentes, teve uma fase semi-final em várias cidades do país, sendo que a final aconteceu no Rio de Janeiro. Este lp é o resultado, traz as dez músicas que foram as finalíssimas. Por certo já não se fazem músicas para festivais como antigamente, ou por outra, as músicas já não encantam como as de antigamente. Porque será? Claro que não me refiro especificamente a este disco, aqui tem até umas músicas bacanas e vocês poderão conferir no Grupo do Toque Musical. 

bombonière – josias damasceno e júlio cesar moschen
a meia luz – jorge vercillo e altay veloso
espinha dorsal do mim – chico cesar
o vento – dedé mendoça
portal – jerônimo jardim
sonhando com a felicidade – jocelino peres
dor de calundu – luiz dillah
meias partes – irinéia maria e sueli correa
reviravolta – juraides da cruz
senhores condôminos – paulo de castro
 
 
 
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Alcides Neves – Des-trambelhar Ou Não (1983)

Boa noite, caros amigos cultos e ocultos! No ritmo do imprevisível dessa nossa salada mista musical, temos aqui um disco, no mínimo curioso do artista cearense, radicado em São Paulo, Alcides Neves. “Des-trambelhar ou não” foi seu segundo disco, lançado de forma independente, em 1983. Antes deste ele havia gravado outro, o “Tempo de fratura”, de 79, um disco tão anti-comercial quanto o que temos aqui. Aliás, o trabalho musical de Alcides Neves parece refletir um pouco da sua realidade como psiquiatra. Sua música é um trabalho muito pessoal, de difícil digestão para o consumidor comum de musica popular. Quebra com conceitos e desafia o senso comum. É talvez o discurso do louco que ele conhece tão bem. Me lembrou um Damião Experiença num delírio controlado, ou também outro mais recente, Rogério Skylab. Tudo isso temperado com alguma essência nordestina.
Alcides não faz disco para vender e talvez por isso mesmo seja pouco conhecido. Seus lps, hoje fazem parte daquelas raridades que passaram a ser vendidas a preço de ouro no Mercado Livre e Discogs. Seu trabalho musical permeia o experimentalismo, um trabalho de vanguarda talvez, embora ele mesmo não goste de assumir esse termo para definir sua música. Segundo o artista esses dois discos e mais um terceiro que eu nunca vi, “Dr. Louk’Américas”, formam uma trilogia.
Infelizmente, não há muito o que se encontrar sobre este artista, as referencias são poucas e se repetem. Mas para quem não conhece, vale a pena buscá-lo no GTM.

recuerdos ‘tempo de fratura’
tetéu
abutre-abate-amorfo (de como compositores da mpb perderam seu cavalo-estético e continuaram a culpar a censura)
alegres stravinsky
de ‘tempo de fratura’ a ‘destrambelhar ou não
cidade-país-cidade
estrutura jazz (morta)
descampado
re(ligare)
maracatu martelado



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Pegando Fogo – Sambas & Pagodes (198…)

Boas noites, amiguíssimos cultos e ocultos! Meio que no acaso fui buscar este disco entre tantos que aguardam pela triagem. Achei interessante a capa e mais ainda o conteúdo, o que se confirmou quando coloquei o escurinho para rodar. Caramba, que disco bom! Um grupo de sambistas, por certo cariocas, se alternando em doze faixas, com arranjos do maestro Agostinho Silva, da Orquestra Commander. Como podemos ver logo pela capa, temos Léo Costa, Paulo Oliveira, Tito Reis, Carlinhos do Império, Lays de Oliveira e Samuel Coragem, nossos artistas intérpretes numa seleção de sambas ‘de primeira’. Infelizmente, não há informações sobre a data de lançamento. Mas com certeza deve ser do início dos anos 80, ou mantes.. não importa… o que importa está no GTM, confiram…

pegando fogo – léo costa
que sorriso – paulo oliveira
senti firmeza – léo costa
não diga nada – tito reis
vou esperar – lays de oliveira
cadê o verde – samuel coragem
o pássaro – carlinhos do império
mulher perere – carlinhos do império
vida de cachorro – léo costa
a dúvida – paulo oliveira
realista – tito reis
ao meu lado – lays de oliveira

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Laercio de Freitas – Terna Saudade (1988)

Pianista, tecladista, maestro, compositor e ator. Assim é Laércio de Freitas, que o Toque Musical põe em foco no dia de hoje. Laércio nasceu em Campinas, interior de São Paulo, em 20 de junho de 1941. Estudou piano no Conservatório Carlos Gomes, graduando-se em 1957. A partir de 1966, deu início a sua carreira internacional, apresentando-se na Europa, Ásia e México. No final dos anos 1960, substituiu Luiz Eça no grupo Tamba 4, oriundo do Tamba Trio. Em 1971, regressando ao Brasil, fez parte do grupo de Luiz Carlos Vinhas, gravando em compacto simples da Tapecar as músicas “Capim gordura”, do próprio Laércio, e “Chovendo na roseira”, de Tom Jobim. “Capim gordura” estourou nas paradas de sucesso da época e seria regravada por Laércio um ano mais tarde, em seu primeiro LP como solista, “Laércio de Freitas e o som roceiro”. Laércio acompanhou artistas como Maria Bethânia, Ângela Maria, Marcos Valle, Wilson Simonal, Nancy Wilson, The Supremes, Quarteto em Cy, Martinho da Vila, Ivan Lins, César Costa Filho, Emílio Santiago e muitos outros. Integrou a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, e do sexteto de Radamés Gnattali. Em 1980, lançou pela Eldorado o álbum “São Paulo no balanço do choro”, totalmente autoral, e participou de alguns discos da série “Um piano ao cair da tarde”, da mesma gravadora. Dois anos mais tarde, passou a se dedicar cada vez mais à orquestração e à regência, além de elaborar arranjos para o pianista Arthur Moreira Lima. Na televisão, participou de programas como “Um toque de classe”, da extinta Rede Manchete, “Alegria do choro” e “Café Concerto”, ambos na TV Cultura de São Paulo. Na Rede Globo, foi ator nas novelas “Mulheres apaixonadas” e “Viver a vida”. No cinema, ganhou o Kikito de Ouro, prêmio do Festival de Gramado, em 1999, pela trilha sonora do filme “Amassa que elas gostam”, de Fernando Coster, e ainda participou de outros dois filmes como ator: “Jardim Beleléu” (2009) e “Chibata” (2015), neste último fazendo o papel  de João Cândido, o líder dos marinheiros em 1910 depondo para a posteridade em 1968. Enfim, um artista completo, também pai da atriz e cantora Thalma de Freitas. Em “Terna saudade”, álbum de 1988 que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, Laércio de Freitas interpreta, em solo de piano, onze clássicos de nosso cancioneiro, como a faixa-título, “Lábios que beijei”, “Maringá”, “Carinhoso” e “Casinha pequenina”. Como escreve Nina Rosa na contracapa, Laércio tem um modo jeitoso e peculiar de tocar seu instrumento, como os pianeiros do cinema mudo, também revivendo os saraus de antigamente. Enfim, é um disco que faz a gente voltar no tempo, mais uma produção digna de nosso Toque Musical. Não deixem de conferir no GTM.

flor amorosa
subindo ao céu
casinha pequenina
chuá chuá
jovial
lua branca
carinhoso
maringá
talento e formosura
terna saudade
lábios que beijei
 
 

*Texto de Samuel Machado Filho 

Ponta De Rama (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Vez por outra, recebo mensagens por e-mail de pessoas falando sobre o nosso Toque Musical. Recentemente alguém escreveu: “gosto do TM por conta da variedade, de coisas tão diversas, das coisas que descubro nele. Nunca pensei que a música no Brasil tivesse tantas variantes. O Toque Musical é sempre uma caixinha de surpresas.” Esse definiu bem nossa proposta. É mais ou menos por aí…
E hoje o que temos é o grupo paulista Ponta de Rama em seu primeiro e único disco, lançado de forma independente, em 1980. Descobri este grupo/disco há pouco mais de um ano. Agradei logo de cara, pela capa. Uma capa muitas vezes já define tudo e nesse caso não foi diferente. Incrível como um disco como este não ganhou repercussão, ficou esquecido, restrito ao público orbital. E curiosamente, desde então, nunca foi redescoberto por esses ‘entendidos em discos’. Por sorte, ainda hoje é possível encontrar exemplares sendo vendidos a preço de banana no Mercado Livre e Discogs. Por garantia, comprei logo uns três, pois certamente, depois dessa postagem a galera vai começar a inflacionar e o Ponta de Rama vai virar raridade. E sinceramente, acho que merece, pois é um disco único de um grupo que não existe mais, independente e um trabalho de qualidade acima da média. Por certo é também de edição limitada. Ao que parece, chegou a ser relançado em formato cd, no início dos anos 2000.
Achar informações sobre este grupo não é fácil. Aliás, sobre o grupo não há nada, além de algumas músicas postadas no Youtube de forma aleatória. O pouco que sei é que era formado por estudantes da USP (Alex Antonelli, Chico Ribas, Flávio Pacheco de Castro, Jorge Cordeiro, Klecius Albuquerque, Luiz Milan, Oscar Torales e Paulo Bafile), hoje em dia acadêmicos, profissionais liberais. Alguns até seguiram na música ou tem ela como atividade paralela, como é o caso do Klecius Albuquerque e o Luiz Milan. A música do Ponta de Rama tem as qualidades que condizem ao seu elenco, música boa sim e acima da média. Há neste trabalho pitadas de rock rural, folk, samba… mas essencialmente é um belo disco de música popular brasileira. Vale a pena conhecer.

igrejas
luiza luiza
viva a vida
indigesto
precisavas
carta pra ontem
corta essa
amigo hermano
thais
o rio é uma rua
bossa sul realista

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Canto & Dança Do Povo De Uberaba (1984)

Boa noite a todos, amigos cultos e ocultos! Aqui temos para hoje um disco de caráter folclórico e dos  mais interessantes. Trata-se, como se pode ver nas ilustrações da capa, de um lp que reúne quatro diferentes manifestações populares de música e dança da região do Triangulo Mineiro, ou mais especificamente da cidade de Uberaba, Minas Gerais. Lançado em 1984 pela Fundação Cultural de Uberaba, temos aqui um disco de Catira, Congado, Moçambique N. S. do Rosário e Folia de Reis. Um registro valioso e importante da nossa cultura que vale a pena ter e conhecer. Confiram no GTM…

congado – minas brasil
folia de reis – paulo curi
folia de são sebastião – sebastião mapuaba
moçambique – nossa senhora do rosário
catira dos borges – moda e recortado
catira dos borges – recortado
 


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Juarez Moreira – Bom Dia (1989)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! E para ser mesmo um ‘bom dia’, só mesmo com este maravilhoso disco de um dos grandes mestres das cordas, o mineiro de Guanhães, Juarez Moreira. Temos aqui o primeiro disco solo deste compositor, violonista, guitarrista, produtor e arranjador, o álbum “Bom dia”, lançado de forma independente em 1989. Um disco onde ele conta com a participação de outros feras como Toninho Horta, Zeca Assumpção, Paulo Moura, Nenen e André Dequech. Por aí já dá para se ter uma ideia do nível da ‘coisa’. Depois deste lp, relançado em 97 em cd, Juarez já gravou mais uma dezena de discos e cada vez mais respeitado como um dos nossos grandes talentos nacionais. Vale a pena a conferida…

bom dia
depois do amor
samba pra toninho
pas de deux
baião barroco
chora jazz
valsa pra maria
diamantina
chaplin
 
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Aline c/ Toninho Horta Beto Lopes Helvius Vilela Bernard Aygaoux – Mares De Minas (1988)

Boa tarde, companheiros e amigos cultos e ocultos! Cá estamos novamente, sempre com alguns atrasos, mas sempre procurando não pular dias.
Hoje temos um disco da cantora e compositora mineira, Aline, de Montes Claros. Há algum tempo atrás nós chegamos a postar o primeiro disco dela lançado também de forma independente em 1979. Agora trazemos um outro trabalho dela, na verdade o seu terceiro disco, lançado em 1988 de forma independente. “Mares de Minas” é um disco que reúne gravações de 1985 a 87. Como se pode ver logo pela capa, Aline vem muito bem acompanhada por Toninho Horta no violão e guitarra, Bernard Aygadoux nos teclados, Helvius Vilela no piano e Beto Lopes no violão. A produção ficou por conta de Adriano Martins. No repertório há um certo regionalismo, mas no conjunto da obra o que temos um trabalho sensível e de muita qualidade. Não deixem de conferir no GTM

mar de espanha
oi no colo dele
papel maché
dois mil e indio
primeiras bicicletas
vida consagrada
infância
noite no sertão
era só começo o nosso fim
o bardo
yo digo que las estrellas
na rama da alegria
amo-te muito



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Darcy De Paulo – Na Memória (1985)

Bom dia, caríssimos amigos cultos e ocultos! Uma das coisas boas nesse nosso Toque Musical é a variedade e diversidade e porque não dizer a surpresa. Pois aqui temos um pouco de tudo e se as vezes seguimos postagens por tema, outras, somos um verdadeiro ‘samba do crioulo doido’. Nesses dias estou surtado e sortido, nunca se sabe o que vem por aí. E se ontem foi estorinhas infantis, hoje vamos de música instrumental.
Trago hoje para vocês o músico e tecladista Darcy de Paulo em seu único disco, “Na memória”, gravado em 1983 e lançado, segundo o Dicionário Cravo Albin em 1985. Este disco foi lançado pelo selo PPA e deu ao seu autor o premio de melhor disco instrumental independente pela Associação dos Produtores Independentes de Discos e Fitas. Sem dúvida, este trabalho é realmente muito bom e Darcy conta com a participação de um time bacana como o trombonista Sylvio Barbosa e o grupo vocal Arcos Íris, além de outros grande músicos, como consta na ficha da contracapa.
Darcy de Paulo, infelizmente veio a falecer em 2000 vítima de um tumor, como apenas 47 anos. Sua trajetória começa no início doa anos 70 onde participou do MAU (Movimento Artístico Universitário), no qual estiveram presentes dezenas de outros artistas da música popular. Seu momento mais ativo foi nos anos 80 onde produziu o seu disco e também compôs várias músicas e em parcerias.
Confesso que não entendi bem o ‘layout’ dessa capa. Considerando que este lp foi lançado em 85 e Darcy veio a falecer em 2000, chego a pensar que se trata de uma premonição, um presságio. A capa mais parece antigos cartões de falecimento, as cores, a margem preta e para completar o título do disco. “Na memória”. Chego quase a acreditar que se trata na verdade de um disco póstumo. Ou não?

ano novo
vai trabalhar
estudo chorado
bahia
uma balada
relembrando
chor pra elenice
na memória
olhando pra cima
afeto
um tema em cinco por quatro

Harry Crowl – Concerto Para Violino, 12 Instrumentistas E Soprano (1991)

Bom dia, meus amigos cultos e ocultos! Começando bem a semana, com pensamento positivo e mantendo o máximo de cuidado nessa pandemia. E enquanto ela não passa, vamos passar o nosso tempo fazendo coisas boas como ouvir e descobrir músicas e esse vasto campo fonomusical que um dia existiu.
Hoje vamos de música erudita. Mais um daqueles discos que vocês só irão encontrar por aqui: “Concerto para violino, 12 instrumentistas e soprano Memento Mori”, de Harry Crowl. Este é mais um lp de produção independente, lançado no início dos anos 90. Trata-se, como o texto de contracapa já define muito bem, de um concerto para violino, 12 instrumentistas e soprano, concebido como um concerto de câmara onde o solista dialoga ora com o soprano, ora com o concertino, na concepção do concerto grosso barroco, que é constituída de flauta, violão, violoncelo, cravo e piano. São seis seções tocadas sem pausa de faixa. O disco foi todo gravado ao vivo e em diferentes momentos, no Rio de Janeiro.
Achei interessante postar este disco pois ele cairia, para mim, como uma perfeita trilha sonora para um filme sobre essa quarentena infinita.
Sobre Harry Crowl, ele mineiro, de Belo Horizonte, é professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Segundo fontes, desenvolveu um estilo muito pessoal de composição com obras concebidas com  um painel musical em que a maior parte das ideias nunca é repetida. Dentre suas obras destacam-se  os Concertos para oboé e cordas e concerto para piano e orquestra. Um trabalho bem bacana que merece atenção.

concerto para violino, 12 instrumentistas e soprano
introdução com cadência
ária (in memoriam carlos drummond de andrade)
solo soprano
antífonas
tempo de minueto
cadência II
conclusão
memento mori
introdução
recitativo a 3
ária a 5
recitativo
ária a duo
recitativo
a due cori
postludium

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Helvius Vilela – Planalto Dos Cristais (1983)

Boa noite meus queridos amigos cultos e ocultos! Quero agradecer as dezenas, talvez porque não dizer, centena de mensagens e e-mails recebidos por conta dos 13 anos do nosso Toque Musical. Valeu demais, meus caros! Agradeço a todos, em especial aqueles que sempre colaboraram de uma forma ou de outra para que nosso projeto se mantivesse vivo até hoje. Valeu e continua valendo! 🙂
Abrindo mais ano temos, para começar, um disco nota dez. Nada como um trabalho autoral onde o artista atua em todas as frentes desde a concepção, interpretação e produção. E nesse caso não se trata de qualquer um não. Estamos falando aqui de um dos grandes músicos mineiros, o pianista, compositor e produtor Helvius Vilela, figura importante na história da música mineira e que alcançou projeção nacional graças ao seu talento. Tocou com grandes nomes da música popular brasileira. Nos anos 60 fez parte do Tempo Trio, grupo de bossa cujo disco hoje é uma raridade. Nos anos 60 ele esteve na bossa, nos 70 nos discos de muita gente da mpb em geral e nos anos 80 passa a se dedicar a música instrumental. “Planalto dos Cristais” foi seu único disco solo, realizado em 1983 numa produção independente. Acompanhado por um time de músicos também de primeiríssima ele nos apresenta um trabalho instrumental, influencias jazzísticas, eruditas e populares. Um disco muito agradável e com o inconfundível sabor mineiro. Não deixem de conferir…

soledade
fruto generoso
o coronel e o lobisomem
rua java
nove de fevereiro
planalto dos cristais
diminuto
choro
companheira


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