Hugo Y Osvaldo – La Bossa Nova De Hugo Y Osvaldo (1969)

Temos agora um álbum muito curioso e interessate: La Bossa Nova De Hugo Y Osvaldo. Esta dupla vem do Uruguai, formada pelos irmãos Hugo e Osvaldo Fattoruso. Para os que não sabem, eles foram integrantes da mais famosa banda de rock em seu país, “Los Shakers”. Os uruguaios mais Beatles de todos os tempos. Em 1969 os Shakers já estavam chegando ao fim e os dois irmãos começaram a flertar com a música brasileira. Daí surgiu este álbum, com elementos da Bossa Nova em arranjos simples, suave, no melhor estilo ‘cool’ e todo cantado em inglês. Um repertório que vai de músicas próprias, passando por Tom e Vinicius, Burt Bacharach e é claro, os Beatles. Muito bom… Vale o toque.

Sueño Realidad 2:18 Hugo Fattoruso – Osvaldo Fattoruso
Muchacho Está Enamorado de Ti 2:41 Burt Bacharach – Hal David
Samba Doble 2:52 Hugo Fattoruso – Osvaldo Fattoruso
Ojos Oscuros 3:47 Hugo Fattoruso – Marta Lynch
La Larga Noche 2:11 Hugo Fattoruso – Osvaldo Fattoruso
Chicalanga 3:04 Manolo Guardia
Hechizo 2:17 Hugo Fattoruso – Osvaldo Fattoruso
Me Gustas Demasiado 2:24 George Harrison
Poema de Las Cinco Rosas 3:32 Hugo Fattoruso – Osvaldo Fattoruso
Nunca Nunca 2:09 Hugo Fattoruso – Osvaldo Fattoruso
Amaneciendo 2:43 Hugo Fattoruso – Osvaldo Fattoruso
El Pino y la Rosa 3:28 Hugo Fattoruso – Osvaldo Fattoruso

Sergio Godinho – Canto Da Boca (1982)

Vamos com mais um português nota 10, Sergio Godinho. Ele é um dos maiores nomes da música popular portuguesa. Consagrado internacionalmente, embora pouco conhecido no Brasil. Como outros compositores portugueses postados aqui, Godinho também foi um representante da música de protesto em seu país. Este disco, o sétimo de sua carreira, me parece ter sido o único lançado no Brasil. Ao longo desse tempo nunca vi um outro disco do cara por aqui. Suas composições são belíssimas e merecia mais atenção p’rás bandas de cá.

Com brilhozinho nos olhos
Eu contigo
É terça-feira
Antes o poço da morte
O rei vai nu
Já joguei ao boxe, já toquei bateria
Espalhem a notícia
Caramba
Sempre foi assim
O Porto aqui tão perto
Bate o meu coração

Fausto Bordalo Dias – Para Além Das Corilheiras (1987)

Considerado por muitos como o compositor e intérprete mais carismático da Música Popular Portuguesa, Fausto Bordalo Dias está em disco desde 1970 – quando gravou seu primeiro lp, que incluí diversos textos de poetas portugueses. Como outros compositores e artistas portugueses, Fausto também esteve envolvido com a música de protesto durante os anos 70. Pelas bandas de cá, o cara é muito pouco conhecido. O disco que temos aqui, o único lançado no Brasil, já é de uma nova fase. A vivência nos anos 80 e como o próprio título nos sugere, para além das cordilheiras. Segundo dizem, este é o álbum mais europeu do compositor e que lhe valeu o prêmio José Afonso, no Festival de Música Popular da Amadora.

Lusitana
Toda a Europa à proa
Foi por ela
Prego a fundo
Ali está a cidade
Porque me olhas assim
Eu cá sou do “midi”
Europa, querida Europa
De ocidente a oriente

Agustin Pereyra Lucena (1970)

Outro cara pouco divulgado por aqui é Agustin Pereyra Lucena, compositor e violonista argentino. Aliás, pouco divulgado até mesmo na rede. Há muito pouca coisa sobre ele, além de seu site. Sua música é uma mistura de jazz, bossa e elementos latinos – sendo a Bossa Nova e Baden Powell uma eterna fonte de inspiração e tributos. O disco que tenho aqui foi seu primeiro trabalho, um álbum voltado interiamente para a Bossa Nova. Lindo, perfeito de se ouvir como a bossa in jazz. Agustin gravou no ano seguinte um disco com o Naná Vasconcelos. Eu nunca ouvi, mas tenho interesse… Se alguém tiver, por favor, mande um link para mim.

O astronauta (Baden Powell – Vinicius de Moraes)
Tristeza de nos dois (Mauricio Einhorn – Durval Ferreira – Bebeto)
Chuva (Pedro Camargo – Durval Ferreira)
Tema para Martín (J. Demonte)
Consolação (Baden Powell – Vinicius de Moraes)
Canto de Ossanha (Baden Powell – Vinicius de Moraes)
Pro Forma (Mauricio Einhorn – Arnaldo Costa)
Samba do Avião (A. Carlos Jobim)
Niña no divagues (A. y F. Pereyra Lucena)
Berimbau (Baden Powell – Vinicius de Moraes)

Tarancón – Rever Minha Terra (1979)

Para a alegria de muitos, aqui está mais um álbum do Tarancón. Na minha modesta opinião, este é o melhor disco deles. Digo o melhor como sendo o que mais aprecio. Dizer que o grupo fez algum trabalho médio ou ruim chega a ser um pecado. Vejam e escutem esta seleção de clássicos da música latino-americana. Um lp maravilhoso!

1-a la molina no voy mas
2-jenecheru
3-pobre mi gente
4-madrugada camponesa
5-chacarera de ub triste
6-zamba de las tolderias
1-lejania
2-guillatun
3-promessas do sol
4-papel de plata

José Afonso – Cantigas Do Maio (1971)

Eis um disco que não poderia faltar neste toque prá lá de musical. “Cantigas do Maio” é um álbum clássico da música popular portuguesa. É neste disco que surge “Grândola Vila Morena”, que será mais tarde imortalizada como um dos símbolos da revolução de Abril, conhecida mundialmente e por aqui também cantada e tocada. José Afonso, também conhecido na “terrinha” como Zeca Afonso, foi um dos mais ilustres compositores portugueses. Ele foi um dos grandes incentivadores do fado e da música tradicional portuguesa, mas sua fama está associada à música de protesto, através da qual criticava o Estado Novo, regime de ditadura vigente em Portugal entre 1933 e 1974.

01 – Senhor Arcanjo (José Afonso)
02 – Cantigas do Maio (popular/José Afonso)
03 – Milho Verde (popular/arr. José Mário Branco)
04 – Cantar Alentejano (José Afonso)
05 – Grândola, Vila Morena (José Afonso)
06 – Maio Maduro Maio (José Afonso)
07 – Mulher da Erva (José Afonso)
08 – Ronda das Mafarricas (António Quadros/José Afonso)
09 – Coro da Primavera (José Afonso)

Julio Pereira E Carlos Cavalheiro – Bota Fora (1975)

Aqui temos um outro disco português, que sem dúvida merece um toque e onde mais uma vez o temos classificado como um álbum de rock. Este, por certo, tem tudo a ver… E por falar em ver, vejam (e leiam) a baixo o texto sugeneris sobre este lp no site do músico Julio Pereira.

“Após o 25 de Abril, Júlio Pereira e Carlos Cavalheiro decidem fazer um LP com uma sonoridade rock visando a guerra colonial. Convidam alguns cantautores e amigos para escreverem as letras; daí resulta uma breve homenagem aos movimentos de libertação de três ex-colónias portuguesas onde os autores tiveram a sorte de não ir parar…”
Fico me perguntado se pela sorte de não terem ido às tais colonias eles teriam alguma coisa a acrescentar além de rock às letras de seus convidados. Bom, seja como for, por essas estranhezas ou não, o disco tem seu valor e seus compositores mais ainda. Melhor ouví-los…
1. Pedro soldado 4:02
2. Cordas 3:38
3. Capitão Ambrósio 5:32
4. Sachilemo 3:29
5. Bota-fora 3:49
6. M.P.L.A. 3:18
7. Independência 3:35
8. Viva a Guiné Bissau livre e independente 4:26
9. A nossa homenagem 1:09

Banda Do Casaco – Contos Da Barbearia

Mesclando um pouco as coisas, vamos em frente, agora com os portugueses. Existem alguns discos da música portuguesa que eu acho um primor musical. São álbuns como este da Banda Do Casaco, um grupo que mistura em seu trabalho o pop, rock e folk – criando uma sonoridade própria. Muitos o consideram uma banda de rock progressivo. Se o são deve-se a outros discos, este em especial me soa mais como um pop/folk bem ao estilo dos anos 70. Seja como for, e até mesmo para que vocês o possam julgar, melhor mesmo é ouvir este toque.

“Na Cadeira do Barbeiro”
“O Diabo da Velha”
“A Noite Passada em Caminha”
“O Enterro do Tostão”
“La Pastorica”
“Malfamagrifada”
“Zás! Pás! (O Casório do Trolha)”
“Retrato D’Homenzinho Pequenino Com Frasco”
“Amo Tracinho Te”
“Godofredo Cheio de Medo”

Quilapayun – Santa Maria de Iquique (1970)

Começando as postagens do dia, temos aqui um disco que vale a pena ouvir. Uma obra criada por Luis Advis para o grupo Quilapayun. Advis é considerado um dos maiores maestros e compositor da música chilena. Neste trabalho, em forma de cantata, ele descreve o massacre ocorrido na escola Santa Maria de Iquique, em 1907 no Chile, onde foram assassinados quase mil trabalhadores de um salitre. Esta cantata ficou famosa, se tornando uma obra conhecida por todos os chilenos.
No sentido de não criar intervalos quebrados entre uma faixa e outra, preferi manter o disco em apenas duas partes, o lado A e o lado B. Informações adicionais, vejam no encarte incluido.

pregon
preludio instrumental
relato
cancion
interludio instrumental
relato
cancion
interludio instrumental
relato
interludio cantado
relato
cancion
interludio instrumental
relato
cancion letania
cancion
pregon
cancion final

Los Guaraguao – Las Casas De Carton (1973)

Aqui vai mais um toque musical, um disco que é considerado um clássico da música de protesto na América do Sul e mais especificamente na Venezuela. A música “Casas de cartón”, que fala das desigualdades sociais do povo venezuelano, é do compositor Alí Primera – desaparecido durante o período mais negro das ditaduras sulamericana. Mas há também outras boas… Muito do sucesso e da atenção por esse trabalho do Los Guaraguao se deve as composições de Alí. Este lp é realmente muito bom. Vale um conferida…

1-Casas De Cartón
2-Otra Vez
3-Gaita Margaritena
4-Perdoname Tio Juan
5-Que Pasa En El Mundo
6-Jesus Caminante
7-No Basta Rezar
8-Ire Cantando
9-Los Estudiantes
10-Yo Pregunto

Inkaquenas – Los Quechuas (1979)

Sempre tive uma dúvida com este disco. A princípio eu achava que o grupo se chamasse Los Quechuas. Na capa e contra-capa não há referências e nem mesmo no selo. Procurei informações na rede, mas só encontrei pistas que me levaram a entender que o grupo se chama Inkaquenas. Embora o disco tenha sido gravado na Argentina, os Inkaquenas são peruanos. Os Quechuas são descendentes da cultura Inca. Habitaram a Colombia, Equador, Peru, Bolivia, Argentina e Chile, transformando-se em uma das maiores etnias da America do Sul.
A músicas deste disco fazem parte do folclore andino. São obras bem populares, mesmo no Brasil. Quem nunca ouviu “el condor pasa”, “moliendo cafe” ou mesmo “carnavalito”?

1-humahuaqueno
2-el condor pasa
3-moliendo cafe
4-virgenes del sol
5-pajaro campana
6-chelijchi
7-carnavalito
8-tarqueada
9-amor indio
10-danza altiplano
11-cacharpaya del indio
12-america india

Bana – Canta A Magia De Cabo Verde (1972)

Como havia dito, logo no início da semana, minha intensão nos próximos dias é a de postar algumas coisas de nossos ‘hermanos’ vizinhos latinos e também os irmãos de língua portuguesa. Pelo jeito, terei que extender por mais uma semana esses toques, pois além de ter muita bala na agulha, estamos também fazendo muito sucesso.
Bana é considerado uma das maiores vozes de Cabo Verde, um fruto da magia da cidade do Mindelo. Foi um dos primeiros artistas a ser reconhecido na Europa.

01 Sayko
02 Judith
03 Alfacinha
04 Mar de canal
05 Sodade de Cabo Verde
06 Separação
07 Sangue de Berona
08 Tchan de pedra
09 Nha Bolanha
10 Ondas tchora
11 Sonho Di Nha’ Spreranca
12 Nha Bitinha

Amparo Uchoa Y Los Folkloritas – El Cancionero Popular (1980)

Agora temos aqui outro grande nome da música de protesto e folclórica latino-americana, Amparo Ochoa, que também pertence ao grupo e geração do movimento “Nueva Canción”, surgido nos anos 70. Neste álbum Amparo é acompanhada pelo grupo mexicano “Los Folkloristas”, um dos mais tradicionais e atuantes até os dias de hoje. Ochoa é uma artista que vale a pena ouvir.

01 El barzón (Canción corrido del Estado de Aguascalientes, época agrarista)
02 Tierra húmeda (Julio Solórzano)
03 A que le tiras cuando sueñas mexicano (Salvador “Chava” Flores)
04 El negro Manuel Antonio (Nicomedes Santa Cruz)
05 Bola Suriana de la muerte de Emiliano Zapata (L: Armando Liszt – M: Graciela Amador)
06 La maldición de la malinche (Gabino Palomares)
07 Jugar a la vida (Enrique Ballesté)
08 La prietita clara (Echeverría – Jufresa)
09 Como tú (poema de León Felipe – M: Paco Ibáñez)
10 Canción para despertar a un negrito (poema de Nicolás Guillén – M: Martha Contreras)
11 Mi abuelo (Mario López)12 Quiero (Echeverría – Jufresa)

Los Folkloristas – México (1979)

“Los Folkloristas” é um grupo musical mexicano super premiado por seu trabalho de resgate da música folclórica e tradicional mexicana. Estão na estrada musical a mais de 40 anos. Ao longo desse tempo gravaram dezenas de discos e ainda continuam atuantes, fazendo apresentações pelos quatro cantos do mundo. É isso aí, temos que manter vivas as nossas tradições, nem que seja apenas para um dia lembrarmos de onde viemos.

1-la malaguena
2-por a’hi va la bola
3-la mujer inconforme
4-male betulia
5-la renca
6-tierra mestiza
7-las conchitas
8-la golondrina yel zanate
9-san lorenzo y bolonchon
10-la maldicion de malinche

Tarancón – Gracias A La Vida (1976)

Outro grande grupo do qual sou um fan e com quem aprendi a gostar mais ainda da música latino-americana é o sensacional Tarancón. Um grupo dos mais interessantes formado por múscos e artistas de vários países da America Latina. A proposta do grupo era pesquisar e divulgar a diversidade de ritmos e canções latino-americanas. Eles surgiram na década de 70, participando de festivais e espetáculos por todo o continente. Fizeram enorme sucesso no circuito universitário brasileiro e são possivelmente os mais populares. Aqui temos o primeiro disco deles. Vejam a baixo o repertório muito bem escolhido e variado.

01 – El Tinku – Folclore (Bolívia Tonada Potosina)
02 – Los Pueblos Americanos – Violeta Parra (Chile-Cueca)
03 – Gracias a la vida – Violeta Parra (Chile)
04 – Te Recuerdo Amanda – Victor Jará (Chile)
05 – Nao mande a geada – Maria do Céu(Brasil)
06 – Nanas de la cebolla – Miguel Hernandez – Alberto Cortez
07 – Soy libre soy bueno – Atahualpa Yupanqui (Argentina Baguala)
08 – Boquita de cereza – Oscar ( Taquirari)
09 – Tikiminki – G.Rojas (Taquirari)
10 – El buen borincano – Rafael Hernandez (Guajira)
11 – En la mina el Tarancón – Anônimo asturiano (Espanha)
12 – Parabién de la paloma – Rolando Alarcon

Mercedes Sosa – Homenaje A Violeta Parra (1971)

Mercedes Sosa é uma das mais populares cantoras argentina, simbolo da canção folclórica e de protesto. A preocupação sócio-política refletiu-se no seu repertório, tornando-se uma das grandes expoentes da “Nueva Cancion”, um movimento musical latino-americano da década de 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. “La Negra”, como é também chamada (por seus cabelos longos e negros) é uma figura conhecida mundialmente. Tem com os artistas e público brasileiros uma relação musical antiga e muito forte. Gravou no Brasil com Milton Nascimento, Fagner, entre outros… Neste disco, maravilhoso por sinal, temos “La Negra” em uma homenagem a outra grande artista, a chilena Violeta Parra, outro grande ícone da música de protesto latino-americana. Imperdível!

01. – Defensa De Violeta – 4:53″
02. – Gracias A La Vida – 4:25″
03. – Segun El Favor Del Viento – 3:42″
04. – Arriba Quemando El Sol – 2:47″
05. – Me Gustan Los Estudiantes – 2:57″
06. – Volver A Los 17 – 5:27″
07. – La Carta (con Quilapayún) – 2:49″
08. – Que He Sacado Con Quererte – 4:00″
09. – La Lavandera – 3:21″
10. – Rin Del Angelito – 3:20″
11. – Los Pueblos Americanos – 1:37″

Daniel Viglietti – Trópicos (1973)

Daniel Viglietti é uruguaio, nascido em Montevideo, numa família de músicos. Sua carreira começou nos anos 60. Trabalhou com música e teatro em seu país, desenvolvendo uma intensa atividade, que por suas posições sociais e políticas, acabou levando-o ao exílio nos anos da ditadura. Durante um bom tempo ele viveu na Espanha. “Trópicos” é um disco de 1973 e nele temos dois momentos do movimento musical latino-americano – cantando os autores da (então) Nueva Trova Cubana (Noel Nicola, Silvio Rodriguez e Pablo Milanés) e a Nova Canção Brasileira (Chico Buarque, Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri). Daniel é acompanhado pelo Grupo de Experimentación Sonora do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica. Álbum raríssimo que merece toda a atenção.

1- dios le pague
2- yo vivo en un tiempo de guerra
3- acalanto
4- upa negrito
5- construccion
6- comienzo el dia
7- existen
8- cancion del elegido
9- pobre del cantor
10- un hombre se levanta

Grupo Agua – Transparência (1978)

Sempre acreditei que o Grupo Agua fosse brasileiro. Isso devido ao fato de que na segunda metade dos anos 70, a música latino-americana estava em voga e vários grupos se formaram aqui no Brasil. Foi nessa efervecência latino-musical que surgiram grupos como o Tarancón, Raizes de América e também o Grupo Agua, que veio do Chile. Depois de excurcionarem por toda a America Latina, ‘aportaram’ no Brasil, lançando este que foi o primeiro disco. O álbum teve um relativo sucesso e penetração em todo o país, devido a veiculação constante dos lançamentos da Som Livre na TV Globo. Disquinho bacana, com alguns classicos da canção latino-americana que vale o toque.

01. El Colibrí.
02. Esperanzas.
03. Transparencia.
04. Juerga.
05. La luna llena.
06. El Guillatún.
07. La semilla.
08. Caldera.
09. Baioncito.
10. Volver a los 17.
11. Tarkeada.

Agrupacion Musica De Buenos Aires – Folklore Musica Del Sur Argentina

Um disco muito bonito que reúne uma seleção com dez das mais conhecidas músicas folclóricas do sul da Argentina. A concepção e direção deste álbum é de Enzo Gieco, renomado compositor, maestro e flautista argentino. Infelizmente, não há muito o que encontrar sobre o álbum, que suponho, seja mais uma raridade por aqui e por lá. Melhor mesmo ouvir esse toque…

01 Kacharpari
02 Baguala popular salteña
03 Carnavalito quebradeño
04 Recuerdos de Calahuayo
05 Danza del gurí
06 Subo subo
07 El sombrerito
08 Antonino
09 Muñequito de cobre
10 Romance entre pastores

Victor Jara – El Derecho De Vivir En Paz (1971)

Um nome importantíssimo no cenário da música de protesto latino-americana, Victor Jara. Cantor, compositor, diretor de teatro chileno Foi assassinado barbaramente em 16 de setembro de 1973, em Santiago, capital do Chile, nos primeiros dias de repressão que se seguiram ao golpe de estado de Augusto Pinochet contra o governo do presidente Salvador Allende, ocorrido em 11 de setembro daquele ano. Desde então Victor Jara tornou-se um síbolo da resistência contra os governos militares. Suas canções tornaram-se hinos de protesto, cantadas em toda a América Latina.

1 El Derecho De Vivir En Paz
2 Abre La Ventana
3 La Partida
4 El Niño Yuntero
5 Vamos Por Ancho Camino
6 A La Molina No Voy Mas
7 A Cuba
8 Casitas De Barrio Alto
9 El Alma Llena De Banderas
10 Ni Chicha Ni Limona
11 Plegaria A Un Labrador
12 B R P (Brigada Ramona Parra)

Ruben Pagura – Volve Frijol! (1975)

Nesta semana estarei fugindo do tradicional. Vamos dar um tempinho nos nacionais e olhar um pouco além do horizonte. Vamos dedicar a semana aos artistas de países vizinhos e de língua portuguesa. Começarei com Rubén Pagura, ator, cantor e dramaturgo argentino radicado na Costa Rica. Foi o fundador do movimento da Nova Canção da Costa Rica. Artista premiado, tem suas obras teatrais encenada desde 1972, assim como suas canções. O disco que tenho aqui é uma obra tão rara que nem mesmo Pagura tem mais seu exemplar. Felizmente nós estamos aqui, também para isso, resgatar obras perdidas. Vamos então ouvir e conhecer Rubén Pagura.

America Latina
Buen dia sol
Camino del mar
Cancion para pescar
Con vos
Habia una vez
La comision de censura
La cosecha
La vaca
Los dos dioses
Toma la tierra
Volvé frijol

Sá & Guarabyra – Cadernos De Viagem (1975)

Fechando a semana, aqui vai o último toque. Sá e Guarabyra, dupla que dispensa apresentações, num disco da fase de ouro. Mesmo com a saída de Zé Rodrix, a dupla continuou investido no seu ‘rock rural’. Um disco raro, gostoso de ouvir. Me faz lembrar coisas do “Clube da Esquina”. Belo álbum!

Caderno de viagem (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Dança o atrevido (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Muchacha (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Passo-preto (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Lá vem o bicho (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Velho camalião (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Xote correntino (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Roda o mundo (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Ondina Paconé (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Tarzan dos cromados (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 O que você quiser (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)
 Mundo invisível (Luiz Carlos Sá – Guarabyra)

Ciro Monteiro – A Bossa De Sempre (1966)

Mais um disquinho interessante aqui, que com certeza irá agradar. O grande Ciro Monteiro numa coletânea que procura resgatar seus sucessos na RCA Victor, entre as décadas de 30 à 50. Uma compilação criada e lançada originalmente em 1966. Foi pouco mais de uns 5 anos atrás relançado em cd. É bem possível encontrá-lo a venda. Se liga nesse toque.

01-se acaso você chegasse
02-dinheiro não é semente
03-oh! seu Oscar
04-linda Yaya
05-a mulher que eu gosto
06-Rosinha
07-beijo na boca
08-quem gosta de mim
09-você quis saber da minha vida
10-tua beleza
11-a mulher faz o homem
12-vida apertada

Guilherme Lamounier (1970)

Aqui temos agora um disco bem raro. Fui juntado os caquinhos, até completar este obscuro album do Guilherme Lamounier, lançado em1970 pela Odeon. Ao ouvir uma primera vez, lembra-se um pouco aquela linha brega do pós-jovem guarda. Mas num segundo momento começamos a perceber as sigularidades. Com produção de Carlos Imperial e participação de Dom Salvador e Maestro Cipó, o disco foi comparado a “uma versão crua e rude de Wilson Simonal” (nada a ver…) Sem dúvidas, o álbum de 73 é insuperável e talvez por isso mesmo convém uma conferida neste primeiro lp.

01 linda
02 não lembro mais
03 um passo a frente
04 eu e a chuva
05 a casa onde ela mora
06 cristina
07 febre
08 as lágrimas caem
09 curtição n.1
10 o adeus

Luli & Lucina – Amor Mulher/Yorimatã (1982)

Uma coisa leva a outra. Depois de ter postado “A Nova Estrela” do Som Imaginário, me lembrei da dupla Luli e Lucinha (ou Luhli e Lucina). Essas duas moças fizeram muito a minha cabeça. Quanta coisa bonita elas criaram. Quantas boas recordações, momentos felizes ao som dessas duas mulheres maravilhosas. Minha fase ‘on the road’ foi embalda por coisas desse tipo. Lembranças de Mauá, Mangaratiba, Resende, Armação de Búsios, Parati, Ouro Preto, Dimantina… ô tempinho bão!
Quanto ao lp, podemos dizer que são dois discos em um. De um lado temos “Amor Mulher” e do outro “Yorimatã”. Segundo Luli, “…que canta a vida e a magia dos elementos”. Um trabalho esmerado, com capa dupla. Este álbum foi premiado como melhor disco independente no Brasil e como melhor disco estrangeiro na França. Simplesmente lindo!

Amor de Mulher
Semente
Luz da Noite
Terra e Lua
Primeira Estrela
Sina Cigana
Alojá Yin
Iansã
Ponto de Oxum
India Puri
Tripa de Peixe
Alojá Yang / Gira das Ervas

Elizeth Cardoso – Naturalmente (1958)

Na dúvida, realmente, o melhor é manter o charme. E que charme é poder ouvir a Elizeth Cardoso! Acho que todos os discos dela já foram postados pelos amantes da boa música. Eu, mais uma vez, volto com essa magnífica cantora, trazendo um disco de 1958. Este álbum tem uma outra (e original) capa, que infelizmente eu não consegui. Mas o mais importante tá aqui nesse toque, confira…

É luxo só
Suas mãos
Olhe-me, diga-me
Praça Sete
Onde estará meu amor?
Sozinha
Na cadência do samba
Jogada pelo mundo
Você voltou
Pedestal
Fui procurar distração
E nada mais

Uakti – Oficina Instrumental (1981)

Para um dia bonito como o de hoje, nada melhor que uma trilha musical a altura. Trago para vocês o primeiro disco do grupo Uakti. Este disco nunca foi relançado em cd e provavelmente nenhum outro blog deve tê-lo postado ainda. Assim, farei eu as honras da casa na certeza de que todos irão adorar a bolacha da vez.
O grupo Uakti surgiu em Belo Horizonte no início dos aos 80, porém já germinava desde 1978 como reuniões dos músicos na Fundação de Educação Artística. O grupo, liderado pelo músico e inventor de instrumentos Marco Antônio Guimarães trouxe uma nova proposta musical através de seus instrumentos inusitados e diferentes. Frutos da convivência e estudo de Marco com o mestre Smetak anos antes, em Salvador.
Como todo primeiro disco, este é inesquecível, brilhante, perfeito e raro!

promessas do sol
dança da chuva
maíra
as nove esferas
uakti
planeta terra

Som Imaginário – Nova Estrela (1971)

Atendendo aos meus caros amigos, vamos com o segundo disco do Som Imaginário. Neste álbum, o som vai além do imaginário. Zé Rodrix havia saído do grupo. Eles continuaram como banda de apoio de Milton Nascimento e Gal Costa. Tocaram também outros artistas. Em 1971 eles participaram de um filme, um curta rodado em super 8 de André Adler, chamado “Nova Estrela”. Segundo contam, este filminho esteve guardado com a Lucinha (Lucina) da dupla Luli & Lucina. Me parece que o filme foi rodado em Mangaratiba (RJ), onde elas moravam. Para os mais interessados, este filme pode ser visto no Youtube. Acho que o lp tem esse nome por causa da música do Wagner Tiso e por isso, correto? Toque dado, toque já…

01. Cenouras
02. Você Tem Que Saber
03. Gogó (O Alívio Rococó)
04. Ascenso
05. Salvação Pela Macrobiótica
06. Ue
07. Xmas Blues
08. A Nova Estrela

Roberto Corrêa – Uróboro – Viola Caipira (1994)

Existem alguns trabalhos musicais onde o artista, além de ser artista tem que ser tudo. De produtor à empresário, de engenheiro de som à promotor e por aí vai… É este o caso de Roberto Corrêa, violeiro de mão cheia, acadêmico e músico independente. Embora como professor da UFB, suas pesquisas são geralmente voltadas para um trabalho pessoal. “A minha sensação é de que existe dentro de mim um vão muito grande que não foi preenchido com a tradição por causa de uma tragédia. Mas este vão existe e eu vou atrás de preenchê-lo. Na verdade, eu pesquiso para mim mesmo, o imaginário deste povo passa a ser meu”, afirma ele.
Neste disco, ele dá uma verdadeira aula de viola caipira, No encarte que acompanha e complementa o cd tem também um belo texto trilígue (em português, ingles e espanhol) sobre a
viola caipira e suas origens. Este texto eu não incluí porque se trata de um trabalho que pode ser encontrado e comprado diretamente com seu autor. Normalmente, não publico títulos recentes, em catálogo e de artistas que lutam para mostrar seus trabalhos e precisam vendê-los. Por essa razão, estou apenas apresentando o disco e dando um toque para quem gostou. Roberto Corrêa é um artista mais conhecido fora do Brasil e pouco divulgado aqui dentro. Sugiro que vocês visitem o seu site para conhecê-lo melhor e adquirir seus outros e maravilhosos trabalhos. Vale a pena…

1- baião do pé rachado
2- folia desmilinguida
3- lacuticho
4- cançãodo repente
5- lagoa morta
6- caninana do papo amarelo
7- urutu cruzeiro
8- jararaca chateadeira
9- cascaveu quatro ventas
10- peleja da siriema com a cobra
11- cocho do valo
12- lambança qu’imbalança
13- perobeira maria
14- anti-viola
15- desinfeliz
16- pinguela da fonte
17- araponga isprivitada
18- parecença
19- antiquera
20- mazurca pantaneira
21- arrevoada no caraça

Solange Borges – Bom Dia Universo (1984)

Matando a curiosidade de alguns, aqui vai o disco da Solange Borges, cantora e compositora do clã dos Borges (Lô, Marilton, Telo, Yê…). Me parece que este foi o único disco gravado pela irmã do Lô Borges. Ela participou de diversos trabalhos da família e amigos como Milton Nascimento e outros… O disco da moça não podia ser ruim, afinal está na veia artística, no sangue… Pessoalmente, acho que para cantora ela é uma ótima compositora. Talvez seja por isso mesmo que ela só ficou num disco. Não estou com isso tirando o seu mérito. Não é só por ser da família Borges que a faz uma artista. Solange é uma ótima compositora e podemos nos certificar disso nas músicas que compoe este álbum. Vale ouvir, vale o toque…

1- Bom Dia Universo(Nico Borges/Solange Borges)
2- Santa Tereza(Yé Borges/Tito Andrade)
3- Águas de Rios(Nico Borges/Solange Borges)
4- Loucos, Poetas ou nós?(Telo Borges/Solange Borges)
5- Imagem(Rogério Mourão/Ronaldo Venturini/Roberto Zara/Gerdson)
6- Outro Astral(Maurinho Rodrigues/Solange Borges)
7- Descobrindo(Fernando Moura/Duca Leal)
8- Convite(Túlio Borges/Solange Borges)
9- Pium-í(Marcelo Sarkis/Silvio Nélio)
10-Beija Flor(Gerdson)

Ps.: de bônus vai uma faixa do Sirlan, quem sabe assim você baixa ele também.