Anjos Do Sol – Compacto (1965)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Voltando aos compactos, trago hoje para vocês os Anjos do Sol, um quarteto vocal surgido em 1962, criado por Waldemar Ressurreição. Os Anjos do Sol fez um relativo sucesso se apresentando nas rádios Nacional, Mauá e Guanabara e também nas emissoras de televisão. Infelizmente as informaçoes sobre os Anjos do Sol são poucas, mas pelo que eu sei, eles chegaram a gravar uns dois ou três lps e também compacto. Mas eu mesmo nunca vi esses outros discos. Segue assim o compacto com duas faixas, lançado, segundo o Samuca, em 1965.

marido e mulher
café diferente
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A Música De Wilson Batista – Parte 3 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 79 (2013)

E aqui estamos mais uma vez na área, com a terceira e última parte da retrospectiva que o Grand Record Brazil dedica à obra musical de Wilson Batista (1913-1968). Desta feita, apresentamos mais treze preciosíssimas gravações, imprescindíveis para colecionadores e apreciadores da melhor música brasileira. Abrindo a seleção desta semana, temos o grande Gilberto Alves (Rio de Janeiro, 1915-Jacareí, SP, 1992). Ele aqui interpreta duas composições de Wilson Batista, ambas gravadas na Odeon. A primeira é  a marchinha “Gaúcho bom”, parceria com Roberto Martins, destinada ao carnaval de 1942. Gravação de 6 de novembro de 1941, lançada ainda em dezembro com o n.o 12082-A, matriz 6834. A outra é o samba “Um pedaço de mim”, que Wilson fez com o “amigo velho” Cristóvão de Alencar, gravado por Gilberto em 31 de maio de 1941 e lançado pela “marca do templo” em julho do mesmo ano, disco 12014-A, matriz 6678. Aurora Miranda (Rio de Janeiro, 1915-idem, 2005), irmã de Cármen, aqui interpreta uma marchinha de meio-de-ano, “Ladrão de corações”, parceria de Wilson Batista com Walfrido Silva. É outra gravação da Odeon, datada de 10 de agosto de 1933 e lançada em setembro do mesmo ano sob n.o 11049-A, matriz 4707. Conhecido como “o cantor que dispensa adjetivos”, Carlos Galhardo (1913-1985) aqui interpreta duas composições de Wilson Batista, por ele gravadas na Victor. Primeiramente, a marchinha “Mariposa” (termo que então designava as mulheres que só saíam de casa à noite, atraídas pela luz artificial, vocês até já devem ter adivinhado o sinônimo), parceria de Wilson com João da Baiana (João Machado Guedes, Rio de Janeiro, 1887-idem, 1974), do carnaval de 1941. A gravação se deu em 8 de outubro de 1940, com lançamento ainda em dezembro sob n.o 34682-B, matriz 52018. Em seguida Galhardo interpreta o bom samba “Deus no céu e ela na terra”, parceria de Wilson Batista com Marino Pinto, gravação de 14 de junho de 1940, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em agosto do mesmo ano, disco 34643-B, matriz 33443, com destaque, no acompanhamento, para a clarineta de Luiz Americano. Zilá Fonseca (Iolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 1929-Rio de Janeiro, 1992) aqui comparece com o samba “Carta verde”, do trio Wilson Batista-Walfrido Silva-Armando Lima, gravado por ela na Columbia em 17 de julho de 1940 e lançado em agosto seguinte com o n.o 55237-B, matriz 304. Edmundo Silva (Rio de Janeiro, c. 1910-idem, 1952), irmão mais velho  de Orlando Silva, teve curta trajetória artística (ao contrário do irmão famoso), e gravou apenas onze discos com vinte e uma músicas, entre 1939 e 1944. Em uma reavaliação, porém, é possível reconhecer-lhe méritos.  Ele aqui comparece com o disco Victor 34560, lançado em janeiro de 1940 visando, obviamente o carnaval. Primeiramente o lado B, o samba “A respeito de amor”, da parceria Wilson Batista-Arnô Canegal, gravação de 17 de novembro de 1939, matriz 33277. Exatamente um dia depois, 18 de novembro de 40, Edmundo gravou o lado A, “Formosa argentina”, marchinha da parceria Wilson Batista-Germano Augusto, matriz 33280. Cármen Miranda (1909-1955), a eterna e sempre lembrada “pequena notável”, abrilhanta nossa retrospectiva  da obra musical de Wilson Batista com o samba “Não durmo em paz”, outra parceria de Wilson com Germano Augusto, por ela gravado na Odeon em 15 de abril de 1936 com lançamento em julho do mesmo ano, disco 11370-B, matriz 5311. Lolita França, cantora sobre a qual pouquíssima coisa se sabe,  gravou apenas oito discos com catorze músicas, entre 1939 e 1942. Aqui, ela comparece com duas gravações Victor para o carnaval de 1940, ambas marchinhas. A primeira é “Casinha pequenina”, da parceria Wilson Batista-Murilo Caldas (irmão de Sílvio), obviamente inspirada na famosa canção de mesmo nome. A gravação é de 11 de novembro de 1939, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 34550-A, matriz 33265. Depois tem “Vale mais”, outra parceria de Wilson Batista com Marino Pinto, gravada em 18 de outubro de 1939 e lançada ainda em dezembro sob n.o 34531-A, matriz 33192. A notável  Dircinha Batista encerra a terceira  e última parte deste retrospecto do GRB sobre Wilson Batista com os dois sambas que gravou no disco Odeon 11834, em 5 de outubro de 1939, mas que só seria lançado em maio de 40.  O do lado A é outra parceria de Wilson com Germano Augusto (uma dupla da pesada na roda da malandragem), “Inimigo do batente”, matriz 6214. O lado B, matriz 6213, é um dueto com Nuno Roland, “Senhor do Bonfim te enganou”, e aqui Wilson conta com a colaboração de Claudionor Cruz e Pedro Caetano, dupla que deixou sua marca na MPB com inúmeros clássicos. Um encerramento com chave de ouro para o retrospecto do nosso GRB sobre Wilson Batista, com toda a certeza. Até a próxima, e obrigado pela atenção!
*Texto de Samuel Machado Filho

Leila Miranda – Zefinha (1972)

Juro que, ao pegar este compacto no sorteio, pela foto da capa, pensei que fosse o Cauby Peixoto. Há pouco tempo atrás ele estava com um visual nessa linha 🙂 Mas qual nada! O que temos aqui não é um cantor, mas sim uma cantora. Ou melhor dizendo, Leila Miranda, rádio-atriz de comédias, que nos anos 60 encarnou o personagem “Zefinha”,  uma fofoqueira que falava mal da vida de todos os artistas, no programa de Haroldo de Andrade, pela Rádio Globo.
Neste compacto duplo Leila Miranda nos apresenta inicialmente, do lado A, dois boleros ultraromâmticos: “Eu também lamento” e “Sem ele não quero viver”, mostrando seu lado cantora. O lado B é do humor, de  Zefinha, o personagem cantando (o que eu imagino) dois temas do programa de rádio: “Escolinha do Seu Neco” e “Meu conselho”. Nessas duas músicas, mais do que tudo, valem os arranjos e instrumental, em especial a guitarra deliciosamente perfeita, que caberia melhor ainda à um outro tipo composição. Gostaria de saber quem foi que tocou guitarra nessas duas músicas. Realmente muito bom!

eu também lamento
sem ele não quero viver
escolinha do seu neco
meu conselho
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Daltony – Compacto (1982)

Dando sequência a nossa mostra de compactos, trago para vocês este compacto do compositor, cantor e violonista Daltony, um nome que talvez poucos conheçam, mas por certo devem conhecer alguma de suas músicas. Daltony (Nóbrega) é mineiro, de Juiz de Fora. Iniciou sua carreira musical nos anos 60 participando do Grupo Mineiro, um conjunto vocal que atuou em festivais e também ao lado de artistas como Beth Carvalho, Marlene e outros, já no início dos anos 70. Nessa década, passou a se apresentar sozinho e suas composição foram gravadas por Evinha, Cláudia, Eliana Pittman, Célia, Trio Mocotó, Simone, Roberto Ribeiro e por aí a fora… Continuou participando de festivais e tendo suas músicas defendidas inclusive por outros intérpretes. Foi diretor musical na TV Globo e por lá fez também muita música, inclusive para projetos infantis, como foram os casos de “Plunct plact zum”, “Turma do Pererê” e “Pirlimpimpim”. Durante as décadas de 80 e 90 esteve sempre muito autuante, trabalhando para a televisão, compondo, produzindo, escrevendo roteiros e também gravando seus discos. Até onde eu sei, Daltony Nóbrega gravou dois lps, “Bate-boca” e “Cirrose”, além de dois compactos, dos quais eu apresento este, lançado em 82. Me lembro de que comprei este compacto, na época, mais pela estranheza da capa. Sempre fui fascinado por essas capas curiosas de discos, tenho até uma coleção! No caso aqui os motivos da capa estão, creio eu, relacionados ao momento político. Início dos anos 80, período em que então o General João Batista de Figueiredo era o Presidente da República. Na capa temos o compositor oferecendo a sua própria cabeça de bandeja, uma alusão a sua possível prisão, frente a crítica musical em “‘Batista”, samba onde ele brinca com a atitude e o estilão do Presidente, que se fazia de popular e bacana. Imagino que ao final, com o disco lançado, tudo acabou dando em nada, era a Abertura! No outro lado do compacto, mantendo o bom humor, temos “Nouveau riche”, um samba de Billy Blanco, que também foi seu parceiro em outras músicas.

batista
nouveau riche
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Eumir Deodato – Compacto (1973)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Que tal um fim de semana de compactos? Fico sempre ensaiando uma leva de disquinhos de 7 polegadas, mas acabo sempre diluindo a coisa. Agora, tenho aqui alguns já prontos para o consumo e como eu gosto, os títulos e gêneros dos mais variados.
Segue aqui este Eumir Deodato trazendo seu maior sucesso, a adaptação do tema clássico de Strauss “Also Sprach Zarathustra”. Esta versão de Deodato parece ter ficado mais famosa que a original e foi lançada em seu disco de estréia na CTI Records, o “Prelude”, de 72. Para mim, os melhores discos do Deodato foram os dessa época, lançados pelo produtor Creed Taylor. “Assim falava Zarathustra” ou “Also sprach Zarathustra – 2001” fez sucesso mundial e até ganhou o Grammy de melhor música instrumental pop do ano. A versão original que está no lp é de uns nove minutos, mas para o compacto ela foi reduzida, garantido assim uma maior popularidade. Taí uma prova da importância do disco compacto. Era ele quem fazia a representação, ou apresentação de um novo projeto musical. Lançavam o compacto, se fizesse sucesso o lp era garantido! Neste compacto temos “também, “Spirit of Summer, belíssima composição do próprio artista, que faz o contrapeso bem na medida. Geralmente, compactos sempre trazem ‘aquela’, que é o sucesso e a outra que é apenas a outra. Mas aqui ela não é mais uma.

also sprach zarathustra
spirit of summer
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Os Prontos – Compacto (1973)

Olá amigos cultos e ocultos! Sexta feira, um baita calor e eu com uma pausa de uma hora, esperando os amigos para logo deliciarmos algumas loiras (quentes e geladas, hehehe…) Mas as vezes, uma hora passa tão depressa que, no aqui, só vai dar mesmo para postar um compacto. E olha que foi escolhido apenas porque já estava tudo engatilhado. Vamos aqui com disquinho, que pela capa nos faz imaginar ser uma daquelas super bandas de rock dos anos 70. Mas, sem dúvida, tem mais aparência do que propriamente rock’n’roll. Temos aqui Os Protons, um conjunto surgido no inícios dos anos 70. Segundo contam, foram descobertos por Eduardo Araújo e chegaram a participar do seu álbum homônimo de 1973. Este compacto, talvez seja o resultado daquelas horas de sobra em estúdio. Infelizmente, pesquisando rapidamente, não há na rede maiores informações sobre Os Protons, nem mesmo consegui identificar quem eram os participantes do grupo. Mas, enfim, o que vale mesmo aqui é o recheio. Corram logo e peguem o seu, pois o tempo é curto, os links não voltam a ser renovados.

my song for you
performance
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Vários – Mário Lago – Nada Além (1991)

Bom dia, caríssimos amigos cultos e ocultos! Aproveitando que estou digitalizando alguns discos para um amigo, seperei este aqui para a postagem de hoje. Trata-se de um encontro com uma dezena de artistas homenageando o compositor, ator e radialista Mário Lago. Estão reunidas aqui algumas de suas mais marcantes composições e parcerias. O disco é bem interessante, pois nos traz uma boa variedade de artistas e interpretações exclusivas. Eu bem que podia ter deixado para fazer esta postagem na semana que vem, especialmente no dia 26, data de aniversário do artista. Se estivesse vivo estaria completando 102 anos! Mas eu como sou muito esquecido, iria acabar nem lembrando. Assim, me adianto nesta homenagem. Fica aqui a nossa lembrança.

quem chegou já tá
a onda
salve a preguiça, meu pai
atire a primeira pedra
ai, que saudade da amélia
aurora
nada além
ficarás
fracasso
faz de conta
faz como eu
dá-me tuas mãos
número um
caluda, tamborins
rua sem sol
fazer um céu
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A Música De Wilson Batista – Parte 2 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 78 (2013)

O GRB apresenta esta semana a segunda parte da retrospectiva dedicada ao compositor Wilson Batista (1913-1968). Desta feita, apresentamos mais 15 gravações preciosas, com alguns dos seus maiores cartazes da época. Para começar, o delicioso samba “Teu riso tem”, parceria de Wilson Batista com Roberto Martins, do carnaval de 1938. Sílvio Caldas, o “caboclinho querido”, fez a gravação na Odeon, em  8 de junho de 37, com lançamento bem em cima da folia, em fevereiro, com o n.o 11574-B, matriz 5596. Sílvio também está presente neste volume em outras três gravações. “Olho nela” (faixa 5), samba da parceria Wilson Batista-Germano Augusto, agora para o carnaval de 1941, em gravação Victor de 26 de dezembro de 40, também lançada bem em cima da folia, em fevereiro, com o n.o 34716-A, matriz 52095. “Lenço no pescoço” (faixa 9) é o samba que iniciou a famosa “polêmica musical” com Noel Rosa, e Sílvio gravou-o na Victor em 18 de julho de 1933, com lançamento em outubro do mesmo ano sob n.o 33712-B, matriz 65805. No acompanhamento os Diabos do Céu, curiosamente dirigidos não por Pixinguinha, mas pelo bandolinista João Martins. Noel , como se sabe, contestaria Wilson com “Rapaz folgado” (“Deixa de arrastar o teu tamanco/ porque tamanco nunca foi sandália”…), só gravado um ano depois da morte do Poeta da Vila, em 1938, por Aracy de Almeida.  “Eu vivo sem destino” (faixa 10), é um samba de Wilson em parceria com Oswaldo Santiago e o próprio Sílvio Caldas, que o gravou também na Victor em 17 de janeiro de 1933, com lançamento em agosto do mesmo ano sob n.o 33690-A, matriz 65649. E desta vez Pixinguinha acompanha Silvio com seu Grupo da Guarda Velha. Conhecido como “o ditador de sucessos”, Déo (Ferjallah Rizkallah, 1914-1971) aqui comparece com sete faixas. “Será” (faixa 2) é um samba da parceria Ataulfo Alves-Wilson Batista, gravado na Odeon em 10 de maio de 1939 com lançamento em novembro do mesmo ano, disco 11786-B, matriz 6085. O lado A, que está na faixa 11, é outro samba, agora de Wilson Batista com Claudionor Cruz, “Ela é…”, matriz 6086. Em seguida, outras quatro faixas gravadas por Déo na Columbia, futura Continental, todas de Wilson Batista sem parceiro. Do disco 8327, lançado em novembro de 1937, estão os dois lados, ambos sambas : “Perdi meu carinho” (faixa 4, matriz 3586) e “Meu último cigarro” (faixa 8, matriz 3586). Na mesma ocasião, saiu o disco 8326, do qual os dois lados também aqui estão:  o samba “Canta” (faixa 13, matriz 3587) e o samba-canção “Cansei de chorar” (faixa 14, matriz 3588). E, da fase de Déo na Odeon, é a sétima faixa, “Não sei dar adeus” outro samba da parceria de Wilson Batista com Ataulfo Alves, gravado em 5 de maio de 1939 e lançado em julho do mesmo ano com o n.o 11736-A, matriz 6077. Presente em nosso volume anterior com “Vinte e cinco anos”, Newton Teixeira está de volta com dois sambas que gravou na Odeon. “N-A-O-til, não” (faixa 6) é da parceria Wilson Batista-Marino Pinto, gravado em 31 de maio de 1941 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12013-A, matriz 6677. “A voz do sangue” (décima-quinta e última faixa deste volume) é uma parceria de Wilson Batista com Walfrido Silva, em gravação de 17 de outubro de 1941, lançada em dezembro seguinte com o n.o 12081-B, matriz 6810, por certo destinada ao carnaval de 42. O Bando da Lua, grupo liderado por Aloysio de Oliveira, que marcou época na MPB com suas vocalizações inovadoras, está aqui presente com o samba “Raiando” (faixa 3), parceria de Wilson Batista com Murilo Caldas, irmão de Sílvio, gravado na Victor em 29 de abril de 1935 e lançado em julho do mesmo ano, disco 33952-A, matriz 79894. Por fim temos outro  antológico grupo vocal, os Anjos do Inferno, interpretando na faixa 12 a deliciosa marchinha “Cowboy do amor”, do carnaval de 1941, outro bem-sucedido produto da parceria Wilson Batista-Roberto Martins. Gravação Columbia de 7 de novembro de 1940, lançada ainda em dezembro com o n.o 55249-B, matriz 333, sendo que os Anjos do Inferno também a interpretaram no filme “Céu azul”, da Sonofilms.  De certa forma, é precursora de um gênero que seria lançado mais tarde por Bob Nélson, o da chamada “música do velho Oeste”, nitidamente influenciado por  astros do cinema americano, como Roy Rogers e Gene Autry. Na próxima semana, encerraremos esta retrospectiva sobre Wilson Batista. Até lá!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Rodolfo Mayer & Baden Powel – Meu Cavalo Swasti (1961)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Como uma coisa sempre leva a outra, eu hoje achei por bem de apresentar este álbum que traz a presença do jovem Baden Powell em uma performace livre, criando de improviso os temas de fundo para os textos de “Meu cavalo Swasti”, de Roger François, declamandos pelo ator Rodolfo Mayer. O álbum é mesmo uma maravilha, em se tratando de figuras como Rodolfo Mayer e Baden Powell, pode saber, só pode ser coisa boa. Roger François, por outro lado, é para mim uma novidade. Eu nunca havia antes ouvido este disco. Procurei informações no Google, mas curiosamente não há nada, inclusive sobre este álbum, também não há muito o que contar. Suponho que Roger François seja um escritor francês. Os textos, claros e poéticos, escolhidos e interpretados por Rodolfo Mayer são um espetáculo de sensibilidade. Ficam ainda melhores tendo o talento espontâneo de Baden Powell. O grande pecado deste disco está na gravação, na distribuição dos graves, agudos e enfim, do volume. O som maravilhoso do violão muitas vezes se perde num silêncio ou entres estalos inevitáveis do velho vinil. Mesmo assim, procurei melhorar ao máximo a qualidade, retirando ‘na unha’ os estalos mais evidentes. Vale a pena conferir. E não demorem, pois o tempo é curto, a fila anda e eu não irei repostar novamente o link no GTM, ok?

swasti
cavalgarei swasti
levarei um presente
preparo-me
encontro com meu pai
volto da casa de meu pai
visitarei o mundo
encontrarei as crianças
o milagre do santo
encontro
1. intermezzo
maluco
embriaguez
as duas velhinhas
2. intermezzo
o cristo do devoto
3. intermezzo
a criança que a convidou-a para almoçar
o homem superior
fim de viagem – converso com swasti
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Baden Powell & Vinícius De Moraes – Os Afro-Sambas (1966)

Olá amigos cultos e ocultos! Ontem recebi duras, porém importantes, críticas de um amigo sobre o que eu escrevo e como escrevo as coisas aqui no Toque Musical. Realmente, os textos das minhas postagens trazem sempre muitos erros, sejam lá de ortografia, concordâncias, ou mesmo de caráter histórico e informativo. Há, sem dúvida, muita coisa errada por aqui (e vai além, hehehe…), mas mesmo assim eu insisto, teimoso como um burro, vou tocando sozinho esse meu ‘mal hábito’. E o mais curioso de tudo isso é que mesmo sendo assim como sou, como é o Toque Musical, tem por aí muita gente que nos copia, que seguem uma ‘linha’ semelhante. Eu já disse isso, o TM faz escola! 😉
Em homenagem ao meu amigo crítico e também a todos os outros cultos e ocultos, eu hoje trago este álbum, um clássico que despensa maiores apresentaçoes. Aliás, melhor apresentação que o texto do próprio autor, ainda mais sendo ele Vinícius de Moraes, não poderia haver. “Os Afro-sambas” é um disco dos mais importantes da MPB, lançado através do selo Forma, de Roberto Quartin, em 1966. Produzido de maneira livre, sem se prender a questões e padrões comerciais, o disco traz apenas oito músicas, mas que são a continuidade de um trabalho que a dupla iniciou quatro anos antes, quando ‘se conheceram’, vamos dizer assim. Um trabalho excepcional, que mesmo nunca esquecido, não poderia deixar de ser lembrado aqui. Há ‘medalhões’ que a gente precisa sempre cultuar, não é verdade?

canto de ossanha
canto de xangô
bocochê
canto de yemanjá
tempo de amor
canto de pedra preta
tristeza e solidão
lamento de exu
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Waldir Azevedo – Lamento De Um Cavaquinho (1978)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Feriadão, coisa boa. Momento bom para colocar em dia algumas postagens. Hoje eu acho que consigo 😉 Vamos ver…
Temos aqui o grande Waldir Azevedo em um dos seus últimos álbum (se não for o último). Lançado em 1978 pelo selo Continental, “Lamento de um cavaquinho” é, sem dúvida, um excelente disco. Um trabalho feito com zelo, produzido por Ramalho Neto, traz Waldir Azevedo muito a vontade ao lado de outras feras da música instrumental brasileira. Figuras como Chiquinho do Acordeon, Pernambuco do Pandeiro, Sebastião Tapajós e outros bambas, fazem desse um dos melhores discos de Waldir. No repertório temos uma série de clássicos da mpb, interpretados com maestria por esses músicos classe A, que fazem deste um lp nota 10!

choro doido
viagem
chorando calado
moderado
ingênuo
as rosas não falam
naquele tempo
maringá
lamento de um cavaquinho
valsa para uma rosa
penumbra
rosa
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Lula Cortes e Ze Ramalho – Pabirú Caminho Da Montanha Do Sol (1976)

Na última Feira do Vinil de Belo Horizonte me apareceu um cara trazendo de baixo do braço o “Paêbirú”, álbum raríssimo gravado por Lula Côrtes e Zé Ramalho em 1974. Segundo o vendedor, o disco caiu em suas mãos meio que por acaso, numa barganha e ele nem sabia da história e do valor do disco, nem ele e muito menos quem lhe passou o lp. Somente alguns dias depois foi saber que se tratava do disco perdido de Zé Ramalho. Aliás, um disco original, relativamente bem conservado e completo. Ouviu alguém cantar que o álbum valia uma boa grana e não deixou por menos, queria 1500 pratas no álbum. Pirou… isso é preço que eu não pago. O disco mais caro que eu comprei até hoje foi o compacto original do OSeis (pré-Mutantes), por 15 reais. Eu disse comprei? Sim, mas vendi por 300 :). Sou até capaz de pagar uma nota preta por um disco, mas tem que ser algo que eu goste muito. Essa coisa de ficar pagando caro só para dizer que tem, eu só faço se for por especulação, como investimento certo para se ganhar em dobro. Porém, no caso deste disco aqui, o cara já colocou o preço lá em cima, 1500 pratas é muita grana, só vai comprar mesmo que for colecionador e abonado. Se tiver alguém aí interessado, eu passo o canal. Me parece que ele ainda não conseguiu vender pelo preço que queria. Há tanta história a respeito deste disco que eu prefiro nem me estender. Quem quiser saber um pouco mais basta consultar a enciclopedia Google. Este álbum, contradizendo a sua raridade, hoje já se tornou figurinha batida em centenas de outros blogs. Foi relançado em vinil e cd, lá fora e também aqui no Brasil. Por conta da fama, ele ainda assim, acaba tendo uma boa cotação. Uma cópia em vinil não sai por menos de 150 reais.

trilha de sumé
culto a terra
bailado das muscarias
harpa do ares
não existe molhado igual ao pranto
omm
raga dos raios
nas paredes da pedra encantada
marácas de fogo
louvação a iemanjá
regato da montanha
beira mar
pedra templo animal
trilha sumé
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A Música De Wilson Batista (Parte 1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 77 (2013)

Em sua edição de número 77, o Grand Record Brazil inicia uma retrospectiva dedicada a um dos maiores compositores que o Brasil já teve, cujo centenário de nascimento é comemorado neste 2013 que ora finda: Wilson Batista. Batizado como Wilson Batista de Oliveira, nosso focalizado nasceu na cidade de Campos, litoral fluminense, no dia 3 de julho de 1913. Filho de um humilde pintor de paredes, funcionário da guarda municipal da cidade, João Batista de Oliveira, e de Isaurinha Alves de Oliveira, ainda menino participou, tocando triângulo, da Lira de Apolo, banda organizada por seu tio, o maestro Ovídio Batista. Era mulato, tinha 1,65m de altura, cabelos ondulados e rosto fino. Ainda em seu berço natal, participou do Bloco Corbeille de Flores, para o qual fez várias composições. Ainda frequentou o Instituto de Artes e Ofícios de Campos, visando se habilitar no ofício de marceneiro, mas sem oportunidade de adquirir muita instrução.  Assinava seu nome com grande esforço, e a coisa ficava ainda mais difícil na hora de escrever um bilhete. No entanto, era capaz de escrever poemas com grande facilidade. Em 1929, mudou-se sozinho para o Rio de Janeiro, disposto a ganhar a vida como compositor, e indo morar por algum tempo com seu tio, que era funcionário da limpeza pública. Logo que chegou ao Rio, chegou a trabalhar como acendedor de lampiões da Light, mas por pouco tempo, pois tinha dificuldade de se adaptar a empregos. Nessa ocasião, passou a frequentar os cabarés da Lapa e o bar Esquina do Pecado, na Praça Tiradentes, pontos de encontro de marginais e compositores, tornando-se amigo dos irmãos Meira, malandros famosos da época, o que lhe rendeu várias prisões. A seguir, começa a trabalhar como eletricista e auxiliar de contra-regra no Teatro Recreio.  Fez seu primeiro samba aos 16 anos, “Na estrada da vida” (nesta seleção), que Aracy Cortes lançou no Recreio e Luiz Barbosa gravou em 1933. O samba “Lenço no pescoço”, lançado por Sílvio Caldas no mesmo ano, deu origem a uma famosa polêmica musical com Noel Rosa, que respondeu com “Rapaz folgado”, contestando  a identificação do sambista com o malandro, e por aí foi.  Apesar dessa longa “briga”, ambos depois se tornaram amigos…  Sua primeira música gravada foi o samba “Por favor, vai embora”, em 1932 (nesta seleção).  No mesmo ano, Wilson Batista passou a atuar como crooner e pandeirista da orquestra de Romeu Malagueta. Sempre vendendo sambas e fazendo parcerias ditas “comerciais”, Wilson conheceu, no lendário Café Nice (Avenida Rio Branco esquina com Rua Bittencourt da Silva), o cantor e compositor Erasmo Silva, com quem forma a Dupla Verde-Amarela (depois Verde e Amarelo). Ambos realizam apresentações no Brasil e em Buenos Aires, a capital da Argentina. A dupla seria desfeita em 1939, justamente com a ida de Erasmo Silva para a Argentina. Reencontraram-se em 1948, e quatro anos mais tarde acontece a dissolução definitiva da dupla. Nas composições de Wilson Batista, com ou sem parceiros,  predominam temas populares, como carnaval, futebol, jogo do bicho, e entre elas destacamos: “Acertei no milhar”, “Nêga Luzia”, “O bonde São Januário”, “Emília”, “Dolores Sierra”, “Louco (Ela é o seu mundo)”, “Samba rubro-negro”, “A mulher que eu gosto”, as marchinhas “Balzaquiana”, “Sereia de Copacabana” e “Pedreiro Waldemar”, “Boca de siri”, “Ganha-se pouco mas é divertido”, “Cabo Laurindo”, “História da Lapa”, “Rosalina”, “Esta noite eu tive um sonho”, “Mundo de zinco”, etc. Embora fanático torcedor do Flamengo, compôs para o carnaval de 1946 a marchinha “No boteco do José”, sobre a conquista do Campeonato Carioca de Futebol pelo Vasco da Gama, hit na voz de Linda Batista. Boêmio durante quase toda a vida, trabalhou nos últimos anos de existência como fiscal da UBC (União Brasileira de Compositores), entidade que ajudou a criar. Foi casado e pai de dois filhos, mas a vida boêmia carioca o fazia ficar longe de casa até três dias (!), para desespero da esposa. Apesar dos inúmeros hits como compositor, Wilson Batista morreu pobre, no dia 7 de julho de 1968, quatro dias depois completar 55 anos, de problemas cardíacos. E seu corpo foi sepultado na tumba da UBC, no cemitério  do Catumbi. Nesta primeira parte da retrospectiva que o GRB oferece por ocasião do centenário de nascimento de Wilson Batista, foram escolhidos onze de seus trabalhos, interpretados por grandes nomes da MPB de seu tempo. Nossa seleção começa com o samba ‘Vinte e cinco anos”, parceria de Wilson com o “amigo velho”, Cristóvão de Alencar, gravado por outro grande compositor, Newton Teixeira (aquele da “Deusa da minha rua”, por exemplo), em 12 de agosto de 1940, sendo lançado pela Odeon em dezembro do mesmo ano, sob n.o 11925-A, matriz 6450, evidentemente visando o carnaval de 41. Newton, por sinal, acabara de com-pletar 25 anos quando gravou a música, daí o título. Em seguida, Murilo Caldas, irmão de Sílvio, interpreta o samba “Refletindo bem”, parceria de Wilson Batista com J. Cascata, em gravação Victor de 21 de agosto de 1939, lançada em novembro do mesmo ano com o n.o 34511-B, matriz 33143. A faixa seguinte é justamente a estreia de Wilson Batista em disco, em parceria com Benedito Lacerda e Osvaldo Silva: o samba “Por favor, vá embora”, que Patrício Teixeira, então já veterano, imortalizou na mesma Victor em 14 de novembro de 1932, com lançamento em dezembro seguinte para o carnaval de 33, por certo, disco 33600-A, matriz 65594. O samba “O bonde São Januário”, de Wilson com outro mestre, Ataulfo Alves, sucesso no carnaval de 1941 na voz de Cyro Monteiro, vem aqui em uma curiosa gravação instrumental do pianista Heriberto Muraro, em ritmo de fox, feita também na Victor em 27 de maio do mesmo ano de 1941, com lançamento em julho seguinte, disco 34762-A, matriz 52163. Em seguida vem o primeiro samba feito por Wilson Batista, sem parceiro, “Na estrada da vida”, rotulado no selo como samba-canção, mas nem parece. A gravação coube a Luiz Barbosa (1910-1938), na Victor, em 28 de abril de 1933, com lançamento em dezembro seguinte, disco 33732-A, matriz 65722. A marchinha ‘Grito das selvas”, parceria de Wilson Batista com Augusto Garcez, é outra gravação Victor, de 14 de novembro de 1940, lançada em dezembro seguinte com o n.o 34694-B, matriz 52047, visando, é claro, o carnaval de 41. Quem canta é Silvino Neto, compositor (“Valsa dos namorados”, ‘Cinco letras que choram” etc.)e também humorista de prestígio no rádio, apresentando o programa ‘Pimpinela Escarlate”, onde fazia imitações de políticos famosos da época e contava piadas. Era pai do também humorista Paulo Silvino, figurinha carimbada dos humorísticos da TV Globo nos anos 1970/80. Outra obra-prima do samba é “Estás no meu caderno”, mais uma parceria de Wilson Batista com Benedito Lacerda e Osvaldo Silva, magistral criação de Mário Reis na Victor em 11 de maio de 1934, lançada em agosto do mesmo ano, disco 33810-A, matriz 79640. “Emília”, outro samba clássico, em que Wilson tem outro ilustre parceiro, Haroldo Lobo. É uma exaltação à então denominada mulher ideal, prendada e submissa, surgida um pouco antes da não menos clássica Amélia de Ataulfo Alves e Mário Lago. Foi imortalizado na Columbia por Vassourinha (Mauro Ramos de Oliveira) em 23 de junho de 1941, sendo lançado em outubro do mesmo ano com o n.o 55302-A, matriz 441. Talento promissor, revelado pela Rádio Record de São Paulo, Vassourinha, entretanto, morreria prematuramente, aos 19 anos, vítima de osteomielite, deixando apenas seis discos 78 com doze músicas (“Emília” é do segundo deles), que mereceriam mais tarde reedições em LP e CD. Depois vem um trio “brabo”: Francisco Alves, Murilo Caldas e Castro Barbosa, interpretando o samba “Desacato”, feito também a três mãos (Wilson Batista, Murilo Caldas e Paulo Vieira). Foi gravado na Odeon em 18 de julho de 1933 e lançado em agosto do mesmo ano com o n.o 11042-B, matriz 4699, atingindo sucesso “desacatador”, conforme diz com bom humor a partitura impressa. Em seguida, o samba-exaltação “Cidade de São Sebastião”, parceria de Wilson Batista com Nássara, gravado na mesma Odeon por Francisco Alves em 10 de julho de 1941, e lançado em agosto do mesmo ano, disco 12028-A, matriz 6710. Foi feito para a segunda edição da peça musical “Joujoux e Balangandãs”, levada a cena, a exemplo da primeira, de 1939, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Por iniciativa da então primeira dama do Brasil, Darcy Vargas, “socialites” da época apresentavam seus dotes artísticos no palco e mostrar generosidade na bilheteria, em prol de suas obras assistenciais. No palco, “Cidade de São Sebastião” foi  interpretado em dueto por Jenny Hime e Roberto Rocha, e a gravação de Chico Alves foi mais tarde relançada com o n.o 12950-B. Para finalizar, a divertida marchinha “As pupilas do senhor Bocage”, parceria de Wilson Batista com Arnaldo Paes, lançado para o carnaval de 1939 pela Columbia, em fevereiro desse ano, na interpretação do também comediante Barbosa Júnior (que marcou época no rádio brasileiro com o programa infantil “Picolino”), com o n.o 55016-B. O título cita o romance ‘As pupilas do senhor reitor”, do escritor lusitano Júlio Diniz (que no Brasil virou até telenovela) e demonstra claramente a errônea associação do poeta Bocage (1765-1805), também português, a piadas eróticas, maliciosas e picantes, isso pelo fato de ele ter escrito poemas eróticos e satíricos. E esta seleção é apenas o começo: vem mais Wilson Batista por aí. Aguardem!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Cartola, Carlinhos Vergueiro & Claudia Savaget – Projeto Pixinguinha 1978 (2013)

E como hoje é domingo e eu estou ligeiramente folgado, vou trazendo aqui mais uma produção da casa,  o Volume 7 da série Projeto Pixinguinha. Coleção esta que eu começei a mostrar no ano passado, buscando divulgar o excelente trabalho do Portal das Artes, da Funarte, um site maravilhoso onde a gente pode encontrar o acervo digitalizado desta Fundação que é uma rica coleção de fotos, arquivos sonoros, textos e documentos de uma boa parte da memória das artes plásticas, cênicas e musical do Brasil. Um verdadeiro tesouro, acessível a todos e o que é melhor, de graça! Infelizmente, em nosso amado país, tudo que é de graça, que é cultural, o povo desconhece ou despreza. Lamentável… Mas é no boca a boca, na informação e no seu compartilhamento é que as coisa funciona. O Toque Musical, além de gostar muito de compartilhar música e outros áudios, adora também divulgar coisas boas. Trazer boas novas é sempre mais gratificante que ser o porta voz de desgraças, embora tenha nesse mundo mais publico para a merda.
“Depois do sucesso em 1977, quando dividiu com João Nogueira um dos espetáculos de abertura do Projeto Pixinguinha, mestre Cartola voltou à estrada em 1978. Desta vez, dividiu o palco com dois novos companheiros: o compositor Carlinhos Vergueiro e a cantora Cláudia Savaget. E, em vez de seis cidades, percorreu um total de dez, distribuídas por quatro regiões do país: Sudeste (Rio de Janeiro e Vitória), Centro-Oeste (Brasília), Nordeste (Salvador, Recife, Maceió, João Pessoa, Natal e Fortaleza) e Norte (Belém)…” Continue a leitura no site Brasil – Memórias das Artes.
como um ladrão – carlinhos vergueiro
camisa molhada – carlinhos vergueiro
mormaço – carlinhos vergueiro
sim – carlinhos vergueiro
alvorada – cartola
tristezas – cartola
o mundo é um moinho – cartola
porque vamos chorando – claudia savaget
valsa – carlinhos vergueiro
apresentando os músicos
brecha – carlinhos vergueiro
orelhão de avenida – carlinhos vergueiro
samambaias – claudia savaget
a cor da esperança – cartola
corra e olha o céu (fragmento) – cartola
a canção que chegou – cartola
as rosas não falam – cartola
as rosas não valam (reprise) – cartola
o sol nascerá – cartola, claudia e carlinhos
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Luizinho, Saraiva, Juca & Canhoto – Choros Famosos Com Os Famosos Do Choro (1970)

Olá amigos cultos e ocultos! A semana passou batidona e eu que já ando meio desanimado com isso aqui, quanto mais me afasto, mais sinto dificuldades em voltar. Postagem é assim, se não se pratica diariamente, acaba se perdendo o jeito e a preguiça toma conta. Como nêgo só entra aqui para pedir, não lê nada (principalmente as instruções e avisos), não comenta nada, o ‘feed-back’ acaba se igualando, se tornando desinteressado, inclusive com os reclames. Sinceramente, para algumas coisas óbvias eu já nem dou mais resposta. E é por essas e outras que o Toque Musical deixou de ser diário, ficou chato e passou a ter um acesso mais restrito.
NÃO ADIANTA FICAREM ME PEDIDO PARA REPOR LINKS ANTIGOS. A REPOSIÇÃO ACONTECERÁ APENAS PARA AQUELES PEDIDOS QUE FORAM FEITOS ATÉ SETEMBRO. COMO JÁ DISSE E REPITO, PELA MILÉSIMA VEZ, DE OUTUBRO PRA FRENTE NÃO FAREI MAIS REPOSIÇÃO DOS LINKS. TODOS OS QUE SÃO ENVIADOS PARA O GTM (GRUPO DO TOQUE MUSICAL) TÊM UM PRAZO LIMITADO DE SEIS MESES. SE NESSE MEIO TEMPO O AMIGO CULTO/OCULTO NÃO BAIXOU, SINTO MUITO, ‘COMEU MOSCA’. A FILA ANDA! PORÉM, PARA NÃO DIZEREM QUE EU SOU UM SACANA, ESTOU ABRINDO UM “CANAL DA RECUPERAÇÃO”, QUE É NA VERDADE A CHANCE PARA SE RECUPERAR OS TÍTULOS QUE NÃO VOLTAM MAIS AO GTM. PARA TANTO, O AMIGO DEVE ENVIAR UM E-MAIL AO toquelinkmusical@gmail.com, LISTANDO AQUILO QUE LHE INTERESSA. TENHO QUEM PODE ENVIAR DIRETAMENTE PELO CORREIOS UM CD (COM ATÉ 20 TÍTULOS!). MAIS UM DETALHE: APENAS AS COLETÂNEAS E PRODUÇÕES CRIADAS AQUI NO TOQUE MUSICAL CONTINUARÃO TENDO SEUS LINKS SEMPRE ATUALIZADOS, OK?
Embora desanimado, continuo sempre trazendo ‘toque musicais’ interessantes e raros. Eis aqui um bom exemplo: choros famosos com os famosos do choro. Como podemos logo ver pela capa, temos  neste álbum reunidos quatro grandes solistas do choro: Luizinho (clarinete); Saraiva (saxofone); Juca (bandolim) e Canhoto (cavaquinho). Embora lançado por um selo paralelo da Continental, o “Popular”, em sua simplicidade, traz um conteúdo de ouro. Um repertório com chorinhos de primeira, executados com a maestria de quem sabe mesmo de música. Disquinho nota 10!
lágrimas de namorados
corinthiano
é do que há
odeon
flor do abacate
murmurando
doce de côco
carioquinha
brejeiro
chorando baixinho
piraporinha
bole bole
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Sylvio Mazzucca E Sua Orquestra – Baile De Sucessos (1961)

Olá meus amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu já no começo da madrugada preparando esta postagem para vocês, quando deveria estar dormindo. As 6 horas já tenho que estar de pé. Mas enquanto o sono não vem, eu vou adiantando as coisas para que logo ao amanhecer o dia vocês já possam apreciar outra boa raridade.
Aqui vai mais um disco do grande maestro e ‘band leader’ Sylvio Mazzucca com sua excelente orquestra, trazendo o “Baile de Sucessos”, um álbum fino que tem em seu programa uma seleção de 16 temas variados de sucesso, músicas nacionais e internacionais, bem conhecidas do público, mas que ele fez questão de gravar, mostrando que quando se tem talento, mesmo o perfeito fica ainda mais que perfeito. Mas quanto a isso, eu deixo para que vocês mesmo decidam, ok? Muito legal este disco 🙂

a felicidade – eu sei que vou te amar
the secret – venus
petite fleur – just young
apito no samba – piston de gafieira
stupid cupid – dynaminte!
recardo – lamento
história – milagre da volta
tunel of love – the diary
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Germano Mathias – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 76 (2013)

Esta semana, o Grand Record Brazil, já em sua edição de número 76, é dedicado a um dos maiores representantes do samba paulista. Estamos falando de Germano Mathias.  Nascido  no Pari, bairro da Zona Leste de São Paulo, no dia 2 de junho de 1934. Passou a infância e a adolescência estudando na zona central da capital bandeirante e, quando saía da escola, dava de cara com as rodas de batucada que os engraxates faziam nas praças Clóvis Bevilacqua e João Mendes. Eles batucavam em suas próprias latinhas de graxa, e Germano passou a acompanhá-los. Revelando espantosa habilidade, Germano  foi logo convidado para tocar frigideira na Escola de Samba Rosas Negras. Incentivado por um amigo batuqueiro, participou, em outubro de 1955, do concurso “À procura de um astro”, promovido pela PRG-2, Rádio Tupi (então “a mais poderosa emissora paulista”), conquistando o primeiro lugar. Foi logo contratado pela emissora Associada como “cantor e executante de instrumentos exóticos” (ou seja, a lata de graxa e a frigideira). Esse estilo de samba, com divisões bem marcadas e batida diferente, tornar-se-ia a marca registrada de Germano.  Em 1956, estreia em disco, através da Polydor, marca que então pertencia ao grupo alemão Siemens, interpretando os sambas “Minha pretinha” e “Minha nêga na janela” (ambos nesta seleção). Um ano depois lança seu primeiro LP, em 10 polegadas, “O sambista diferente”, pelo qual recebe  os troféus Roquette Pinto e Guarani. Em 1958, muda-se para a RGE de José Scatena e lança um de seus maiores hits, “Guarde a sandália dela” , dele próprio em parceria com Sereno, mais tarde regravado ao vivo por Elis Regina e Jair Rodrigues . Quando da primeira aparição de Germano Mathias na televisão, seu sucesso aumentou cada vez mais, pois muitos pensavam que ele fosse negro, e o que se viu na telinha foi um jovem de cor branca, muito bem vestido e bem humorado, que adorava fazer suas “presepadas” no palco.  Em 1959 participou de dois filmes: “O preço da vitória” e “Quem roubou meu samba?”. Foi Germano quem gravou pela primeira vez um samba de Geraldo Filme, “Baiano capoeira”, parceria com Jorge Costa, isso em 1962. Gravou também sambas dos consagrados Zé Kéti (“Malvadeza Durão”, “Nêga Dina”, “Mexi com ela”, entre outros), Nélson Cavaquinho (“História de um valente”), Herivelto Martins (“Vaidosa”), Gordurinha (“Carta a Maceió”) e principalmente dos amigos Elzo Augusto e Jorge Costa. Em 1.o de maio de 1967, ainda no auge da carreira, recebeu o diploma de Bacharel do Samba da Ordem da Palheta Dourada, conferido pela Escola de Samba X-9. Sabendo disso, o apresentador de rádio e TV Randal Juliano logo apelida Germano de “O catedrático do samba”.  Ainda em 67, Germano apresentou o programa “Nosso ritmo é sucesso”, na TV Globo, emissora então em ascensão. Entretanto, no decorrer dos anos 1970, Germano Mathias foi entrando em gradativa decadência, sobretudo por causa de seu gênio intempestivo.  Além disso, foi perdendo todo o dinheiro que ganhou no auge da carreira em farras e jogos.  Voltaria a ser ouvido em 1978, quando foi lançado o LP “Antologia do samba de breque”, no qual foram reaproveitadas antigos registros seus, alternados com regravações feitas por Gilberto Gil.  Depois, nos anos 1980/90, viveu um período de quase total ostracismo. Fez participações especiais em álbuns de outros (caso de “História do samba paulista – vol. 1,editado em 1999 pelo CPC da UMES) e emplacou a música “Jerônimo” na novela “Cambalacho’ (Globo, 1986).                                    Em 2002, 28 anos após lançar seu oitavo e último LP-solo, Germano Mathias lança seu primeiro CD, “Talento de bamba”, pela Atração Fonográfica, feito todo à base de composições de seu amigo Elzo Augusto. O disco recebe elogios da crítica e Germano volta a fazer shows com aqueles sambas rápidos e bem humorados que fizeram sua fama. Em 2005, realizando um velho sonho, lança o álbum “Tributo a Caco Velho”, no qual revive os principais hits desse cantor e compositor gaúcho, tais como “Que baixo” e “Uma crioula”.
 Para esta edição do GRB, foram escolhidas oito das melhores gravações de Germano Mathias, de seu início de carreira, todas na Polydor. Abrindo a seleção, temos exatamente “Minha nêga na janela”, seu primeiro grande sucesso, samba do próprio Germano em parceria com Doca, de seu primeiro disco, número 148, de 1956, matriz POL-1137, correspondente ao lado B. O lado A, matriz POL-1136, é “Minha pretinha”, de Jair Gonçalves e Edson Borges, que encontraremos na faixa 3. A faixa 2 é “Falso rebolado”, de Venâncio e Jorge Costa, gravação de 6 de maio de 1957, e lado B do disco 237, matriz POL-1436. O lado A, matriz POL-1435, está na faixa 4: é “Senhor delegado”, de Ernani Silva e Antoninho Lopes.  Do 78 de número 221, gravado dois dias mais tarde, 8 de maio de 1957, também estão ambas as músicas, a saber: “Eliete vedete”, também da dupla Venâncio e Jorge Costa (lado B, matriz POL-1440) e “Batatinha e cocada”, de Alceu Menezes e Xuxu (o lado A, matriz POL-1439. Para finalizar, as músicas do disco de número 203, gravado em 31 de outubro de 1956: “Rua”, de Jair Gonçalves sem parceiro (lado B, matriz POL-1273) e “A situação do Escurinho”, de Aldacir Louro e Padeirinho (lado A, matriz POL-1272). Este último samba, como indica o título, é uma sequência do clássico “Escurinho”, de Geraldo Pereira, lançado no mesmo ano de sua morte, 1955, por Cyro Monteiro. Uma sequência que o próprio Geraldo tencionava fazer, reabilitando o personagem, o que não se concretizou em virtude de sua morte prematura.  Esta é a homenagem que o GRB presta ao “Catedrático do Samba”, Germano Mathias, que soube dar a volta por cima e continua a receber os aplausos que bem merece, como um dos melhores intérpretes do samba paulista!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.
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The Jones – Interpretam 14 Sucessos (1967)

Olá amiguinhos cultos e ocultos! Para não dizerem que eu não postei nada nesta semana, aqui vai um disquinho, fechando o domingão. Tenho para vocês este álbum lançado nos anos 60 pelo obscuro selo Tropicana, apresentando o grupo The Jones em 14 momentos instrumentais de sucesso. Sem dúvida, o quarteto manda bem. Mas eu, sinceramente, não tenho a menor ideia da origem deste conjunto. Em outros tempos eu até sairia correndo atrás de informações. Mas desta vez vou deixar que os amigos me tragam boas novas nos comentários, ok? Vamos que vamos que o sono bateu! Vamos de The Jones, nos tempos da Jovem Guarda, mora!

tema de lara
these boots are made for walkin’
spanish harlem
i feel fine
o picapau
it’s gonna be all right
green grass
gina
monday monday
california dreamin’
the more i see you
devolva-me
only the young
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IV Festival Internacional Da Canção Popular Rio – Ao Vivo (1969)

Olá amigos cultos e ocultos! Sei que quase ninguém tem lido o que eu escrevo aqui, mesmo assim eu continuo afirmando ser esta a minha primeira voz. Aqui aparecem todas as minhas decisões sobre o blog, o que farei e o que deixarei de fazer. Quem não lê, tem trabalho dobrado e um expectativa muitas vezes frustrada, pois muito do que procuram já não está mais ativo, em links no GTM. E como eu disse, não pretendo repor. Somente o que foi postados nos últimos seis meses é que estará disponível. Quem chega atrasado ou não é cativo, come mosca, fica a ver navios… E não adianta me culparem, pois a culpa pelo que falta é do provedor de links, que tem lá os seus critérios e prazos determinados para cada arquivo hospedado. Nesse sentido, não há muito o que se fazer. Mudar para outro nem sempre resolve, pois todos tem suas vantagens e desvantagens. Entre os atuais, para mim, o melhor e mais adequado ao Toque Musical é o Deposit Files – homeopaticamente bem dosado. Só peca pelo prazo e pela maneira chata para se fazer o download. No mais é só alegria 😉
Seguindo aqui, trago mais um disco de Festival, o “IV Festival Internacional Da Canção Popular Rio”. Como se pode ver pela capa e título na postagem, trata-se da parte internacional deste festival. Uma seleção musical que a princípio não nos traria interesse, não fosse o fato de ser um evento realizado no Brasil e principalmente por apresentar entre elas uma música brasileira e interpretada por brasileiros. Me refiro a belíssima (e já um clássico) “Cantiga por Luciana”, música de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, este último, recentemente falecido (mais uma boa razão para esta postagem). O álbum é apresentado como se tivesse sido gravado ao vivo, mas ao que parece nem todas assim são. Inclusive, “Cantiga por Luciana”, aqui  aparece em outra versão, interpretada pela cantora Reginha. Independente de qualquer coisa, acho que vale a pena conhecer, ou redescobrir este lp. Vamos ouvir?

evie – bill medley (estados unidos)
allors la lune m’appartiendra – lilian askaland (noruega)
new world in the morning – roger whittaker (quênia)
je t’aime et la terre est bleue – tereza (iugoslávia)
mon couer est comme la riviere – herbert leonard (luxemburgo)
joue guitare – rika zarai (israel)
bem bem – bella bellow (tongo)
tous les printemps du monde – romuald (andorra)
penelope – juan manuel serrat (espanha)
cantiga por luciana – regininha (brasil)
a wind sang in the trees – benny borg (suécia)
nel silenzio – amir (italia)
tzeinerlin – anne (mônaco)
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III Festival Internacional Da Canção Popular Vol. 2 (1968)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais um disco do III Festival Internacional da Canção Popular, o volume 2. Confesso que li pouco sobre os antigos festivais de música popular da década de 60. Aliás, sempre faço confusão, pois foram tantos e com nomes, as vezes, até parecidos. O interessante nessa época é que a indústria fonográfica investia pesado nesses projetos. Produziam não apenas o disco com as ’12 mais`, aquelas finalistas, mas também e na sequência, lançavam aquelas músicas que chegavam a classificação. Isso era muito legal, pois permitia que o público apreciasse as outras músicas (que em muitos casos eram tão boas ou melhores que as finalistas. Mas enfim, essa é uma questão polêmica, envolve o gosto do freguês e os planos das gravadoras.
Segue assim este que é o volume 2, trazendo novas canções, mas se repetido em alguns intérpretes. Músicas   de alto nível, principalmente pelos arranjos e batutas dos nossos grandes maestros. Vale uma conferida!

engano – morgana
visão – taiguara
mestre sala – elza soares
filho de iemanjá – mary lauria
américa, américa – luiza
praia só – maria creuza
maria é só você – maria creuza
o tempo terá tua paz – mariá
corpo e alma – clara nunes
mergulhador – luiza
despertar – doris monteiro
canto do amor armando – mary lauria
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Carmen Costa & Henricão – Seleção 78 RPM do Toque Musical – Vol. 75 (2013)

Em sua edição de número 75, o Grand Record Brazil apresenta a segunda parte da retrospectiva dedicada à grande cantora Cármen Costa (1920-2007). Agora, apresentamos aqui sete gravações que ela fez com o cantor e compositor Henricão, pessoa importantíssima em sua carreira, e cuja história de vida conheceremos agora. Henrique Felipe da Costa nasceu em Itapira, interior de São Paulo, no dia 11 de janeiro de 1908, e, por conta da alta estatura (quase dois metros!), ganhou o apelido de Henricão. Em certa época, ganhava a vida como motorista de uma “socialite” que morava na Rua Augusta, e considerava sua a família da própria patroa, que muito o admirava. Cantou em circos, parques de diversões, rádios e festas populares do Nordeste, sozinho ou em dupla com algumas parceiras, a mais famosa, evidentemente, Cármen Costa, que obteve muito mais êxito de público e mídia do que ele, seu lançador. Além das adaptações de “Cielito lindo’ (“Está chegando a hora”) e “Caminito” (“Carmilito”), Henricão assina composições juntamente com Rubens Campos (o parceiro mais constante), Bucy Moreira, Caco Velho e Príncipe Pretinho, entre outros.  Entre suas várias parceiras de cantorias, antecessoras de Cármen Costa, destacam-se a paulistana Risoleta – que faria sucesso no teatro de revista, só e desacompanhada – e a carioca Sarita. Embora tenha composto inúmeras músicas de sucesso , tais como “Só vendo que beleza”, e sua sequência “Casinha da Marambaia” (até hoje muitos pensam que é esse o título da primeira música) e mesmo famoso, Henricão sempre enfrentou dificuldades financeiras, passando fome, mas era constantemente ajudado por amigos,  e levava a vida sempre com otimismo e esperança.  Trabalhou também como ator de cinema, em filmes como “Sinhá moça” (1953), “A estrada” (1956), “Uma certa Lucrécia” (1957), “Cidade ameaçada” (1960), “O puritano da Rua Augusta” (1965),  “Betão Ronca Ferro” (1970) e “Jeca e seu filho preto” (1978), os três últimos produzidos e estrelados pelo eterno jeca, Mazzaropi, com quem também contracenou em “O gato de madame” (1956). Na televisão, atuou na novela “Os imigrantes”  (1981), maior sucesso da Rede Bandeirantes no gênero, e na minissérie “O tronco do ipê” (1982), da TV Cultura de São Paulo, Já tinha feito também alguns episódios do “Vigilante rodoviário” (1961-62), primeiro seriado de TV produzido no Brasil. Seu último trabalho em disco foi o álbum “Recomeço”, lançado pela Eldorado em 1980, e no qual reencontrou a antiga parceira Cármen Costa. Em 1984, já no final de sua vida, foi eleito o primeiro Rei Momo negro da história do carnaval de São Paulo. Faleceu em 11 de junho do mesmo ano, também em São Paulo, de enfarte, aos 76 anos.
Neste volume do GRB,  apresentamos sete  gravações que Henricão fez em dueto com Cármen Costa. Abrindo a seleção, “Samba, meu nêgo”, de Bucy Moreira e Miguel Baúso, lançado pela Columbia em julho de 1941 com o n.o 55286-A, matriz 421. Depois tem “Onde está o dinheiro?”, samba de Henricão sem parceria, em gravação Odeon de 24 de maio de 1939, lançada em  agosto seguinte com o n.o 11749-A, matriz 6105. “Não quero conselho”, samba de Príncipe Pretinho e Constantino “Secundino” Silva, foi gravado na Columbia em 19 de julho de 1940 e lançado em agosto do mesmo ano com o n.o 55239-B, matriz 308. “Não posso viver sem você”, samba da parceria Henricão-Rubens Campos, é o lado B de “Samba, meu nêgo”, matriz 422. “Não dou motivo”, de Max Bulhões e Felisberto Martins, é outro  lado B, este  de “Onde está o dinheiro?”, matriz 6106. “Dance mais um bocado”, de Henricão e Príncipe Pretinho, é o  lado A de “Não quero conselho”, matriz 307. E, para encerrar, a marchinha “A festa é boa”, dos inseparáveis Henricão e Rubens Campos, gravação Victor de 19 de dezembro de 1942, lançada um mês antes do carnaval de 43, em janeiro, disco 80-0045-B, matriz S-052661. Esta é a homenagem do GRB a esses dois nomes importantíssimos na história de nossa música popular.  Até a próxima!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

III Festival Internacional Da Canção Popular – Vol. 1 (1968)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje a noite estou indo para o Rio buscar um tocadiscos que eu comprei. De quebra, claro, vou dar umas garimpadas nas lojas, sebos e feiras pela cidade. Se alguém aí tiver uma boa dica de compra, me avise. Tô ligado! Estou indo para a Cidade Maravilhosa, mas volto no domingo (tempo é curto!)
E como já dizia o Geraldo Vandré: prá não dizer que não falei de flores… quer dizer, que não postei nada nesta semana… aqui vai um disquinho bem legal. Uma seleção da Odeon da músicas classificadas no III Festival Internacional da Canção, de 68. Como vocês podem ver (e também ouvir, claro), temos uma seleção de ótimas músicas e excelentes intérpretes. Interessante notar que aqui também destacaram os maestros em cada música, um dado importante que deveria estar contido em todos os discos do gênero. Deixo aqui o volume 1, quando voltar postarei o volume 2, ok? No mais, aquele abraço! Pois o Rio, mesmo violento e manifestante, continua lindo! 😉

amada canta – luis claudio e grupo de ensaio
razão de cantar – doris monteiro
terra santa – maria creuza
passacalha – vocalistas modernos
capoeira – elza soares
rainha do sobrado – luiz claudio
sabiá – clara nunes
roda de samba – miltinho
salmo – luiza
a noite, a maré e o mar – mary lauria e grupo de ensaio
rua da aurora – clara nunes
herói de guerra – vocalistas modernos
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Carmem Costa – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 74 (2013)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 74. Desta vez, apresentamos a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a uma das maiores cantoras do Brasil, Cármen Costa. Carmelita Madriaga, seu nome na pia batismal, nasceu na pequena cidade de Trajano de Morais, Estado do Rio de Janeiro, no dia 5 de janeiro de 1920. Seus pais eram meeiros (agricultores que trabalham em terras que pertencem a outras pessoas) na Fazenda Agulha, onde a nossa Carmelita, ainda criança, começou a trabalhar como empregada doméstica, em casa de uma família de protestantes. Foi lá que aprendeu hinos religiosos, assim demonstrando seu talento de cantora. Em 1935, vem a inevitável mudança para o Rio de Janeiro, e, com apenas 15 anos, empregou-se como doméstica na residência de nada mais nada menos que Francisco Alves.  É ele quem incentivará Carmelita a seguir carreira artística, fazendo-a cantar numa festa para os convidados, entre eles outra Cármen famosa, a Miranda. Carmelita, em seguida, apresenta-se como caloura no programa do sempre rigoroso Ary Barroso, saindo-se vencedora, e em gravações começou participando de coros em gravações dos “medalhões” da MPB de então. Em 1937, Carmelita conhece o compositor Henricão (Henrique Filipe da Costa), que a batiza artisticamente como Cármen Costa e com quem inicia sua carreira profissional, apresentando-se em feiras de amostras como a do Arraial do Rancho Fundo (Juiz de Fora, MG). Em 1939 Cármen e Henricão se apresentam juntos numa feira de amostras da Praça Quinze, no Rio de Janeiro, ao lado dos maiores cartazes da época (Irmãs Pagas, Alvarenga e Ranchinho, Cármen e Aurora Miranda, etc.). Gravam discos em dupla, cujas músicas iremos apresentar em nosso próximo volume. No carnaval de 1942, consegue seu primeiro grande sucesso com “Está chegando a hora”, presente nesta seleção. Alguns de seus hits: “Só vendo que beleza”, “Carmilito” (também aqui presentes), “Chamego”, “Busto calado”, “Quase”, “Marcha do Cordão da Bola Preta (Segura a chupeta)”, “Tem nêgo bebo aí”, “Cachaça”,  “Jarro da saudade”, “Eu sou a outra”, “Obsessão”, etc. Em 1945, casa-se com o americano Hans Van Koehler, e vai viver com ele nos EUA, onde passa uma temporada em Los Angeles e até trabalha como prensadora de discos na RCA Victor! Ela também participou do histórico concerto de bossa nova no Carnegie Hall de Nova York, em 1962, marco da internacionalização do movimento.  Ao voltar para o Brasil, nos anos 1950, conhece o compositor Mirabeau Pinheiro, com quem viveu por cinco anos e teve sua única filha, Silésia, também conhecida como Lu. Entre 1959 e 1963, excursiona por diversos países e passa temporadas no Brasil, voltando aos EUA em 1964, e atua em vários shows ao laod do acordeonista Sivuca.  Cármen retorna definitivamente à nossa terra no início dos anos 1970, cantando em boates do Rio e de São Paulo. Também gravou muitos LPs, inclusive um de ladainhas e benditos.  Apareceu cantando em filmes, tais como “Pra lá de boa” (1949), “Carnaval em Marte” (1955), “Depois eu conto” (1956) e “Vou te contá” (1958). Em 2003, por iniciativa do Museu da República, é “tombada” como patrimônio cultural do Brasil, através de projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal do Rio. Sua última gravação foi com o cantor Elymar Santos, de quem era convidada especial em alguns shows. Cármen Costa faleceu em 25 de abril de 2007, no Rio de Janeiro, de insuficiência renal e  parada cardíaca. Mas será sempre lembrada como uma de nossas maiores intérpretes femininas. Nesta primeira parte do retrospecto que a ela dedicamos, apresentamos  onze de suas melhores gravações como solista, todas pela Victor.  E começamos muito bem, com o samba “Só vendo que beleza”, de Henricão e Rubens Campos, gravação de 19 de fevereiro de 1942, lançada em abril seguinte com o n,o 34892-B, matriz S-052483 (regravado inclusive por Elis Regina). É claro que iremos também ouvir, na faixa 5, o lado A, justamente o clássico “Está chegando a hora”, adaptação em ritmo de samba que, feita pelos mesmos Henricão e Rubens Campos, da canção rancheira mexicana “Cielito Lindo”, composta em 1882 por Quirino Mendoza e Cortés (c.1859-1957) e abriu as portas do estrelato para Cármen Costa. Como não conseguissem gravar a música, Henricão e Cármen  pagaram uma tiragem particular na Victor, distribuída somente às emissoras de rádio (gravação de 30 de dezembro de 1941, matriz R-236). Mesmo divulgada precariamente, “Está chegando a hora” obteve sucesso no carnaval de 1942, o que convenceu a Victor a contratar Cármen Costa e a relançar essa mesma matriz, agora em tiragem comercial. Até hoje a música é sucesso no carnaval e em qualquer ocasião em que se precise de uma canção de despedida. Henricão e Rubens assinam também “Siga seu destino”, samba gravado por Cármen em 15 de março de 1946 e lançado em  maio seguinte com o n.o 80-0403-A, matriz S-078443. “Não me abandone”, outro samba dessa dupla inseparável, aqui em companhia de José Alcides, foi gravado por Cármen em 24 de novembro de 1943, com lançamento um mês antes do carnaval de 44, janeiro, sob n.o 80-0153-B, matriz S-052889. Dos mesmos Henricão e Rubens é o samba “Já é de madrugada”, gravação de 10 de fevereiro de 1943 lançada em abril do mesmo ano, disco 80-0071-B, matriz S-052717. De Bucy Moreira (ilustre neto da lendária Tia Ciata), Carlos de Souza e Antônio Morais é o samba “Festa na roça”, gravação de 5 de agosto de 1942 lançada em outubro seguinte com o n.o 80-0004-B, matriz S-052591. “Chorei de dor” é outra adaptação de Henricão e Rubens Campos, em ritmo de samba,  de canção internacional, esta americana, de autoria de Kennedy e Carr, gravada por Cármen em 24 de novembro de 1943 e lançada em janeiro de 44 (para o carnaval, claro) com o n.o 80-0153-A, matriz S-052888. O samba “Casinha da Marambaia” vem a ser a continuação de “Só vendo que beleza”, dos mesmos Henricão e Rubens, e Cármen irá imortalizar esta sequência  no selo do cachorrinho Nipper em  15 de fevereiro de 1944, com lançamento em abril, sob n.o 80-0172-B, matriz S-052927. Em seguida, temos a adaptação sambística, feita por Henricão, para o tango argentino “Caminito”, de Juan de Diós Filiberto. Rebatizada “Carmilito”, é o lado A de “Festa na roça”, matriz S-052590. Depois, Henricão assina com Príncipe Pretinho o samba “Caramba”, destinado ao carnaval de 1943, gravação de 19 de novembro de 42 lançada um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-0045-A, matriz S-052660. Completando o programa, o samba-exaltação “Bahia, terra santa”, dos inseparáveis Henricão e Rubens Campos, gravação de 15 de março de 1946, lançada em julho seguinte sob n.o 80-0412-A, matriz S-078445. E na próxima semana, apresentaremos as gravações feitas por Cármen Costa em dueto com Henricão. Encontro marcado! Até lá…
* Texto de Samuel Machado Filho

Vinícius De Moraes – Poesias (1959)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Como as nossas postagens não seguem mais aquele obsessivo ritmo diário, posso me desculpar por só estar celebrando os 100 anos de Vinícius agora, um dia depois. Acho que tudo bem, não é mesmo? Afinal, uma figura como Vinícius de Moraes e em seu centenário, merece comemoração por pelo menos uma semana! O Toque Musical não poderia deixar esse momento passar em branco. Como a obra do Poetinha já está prá de bem divulgada, fica difícíl achar alguma coisa diferente, rara, como cabe ao TM. Acabei optando por este álbum de poesias, lançado em 1959, pelo selo Festa, que muito se dedicou a promover a poesia brasileira. Neste pequeno lp de 10 polegadas vamos encontrar cinco de seus mais famosos poemas e, claro, recitado pelo próprio autor.
Parabéns, Vinícius! Que seja eterno por toda a vida 🙂

o mergulhador
soneto n. 2 de meditação
os acrobatas
a hora íntima
receita de mulher
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Ataulfo Alves – Tradição (1967)

Olá amigos cultos e ocultos! Depois de alguns dias ausente, aqui estou eu novamente, trazendo sempre um velho novo toque musical. E para compensar, nada melhor que um disco inédito ‘nas bocas’ (pelo menos as que eu conheço). Vamos trazendo mais uma vez o grande Ataulfo Alves, figura sempre em destaque aqui no nosso TM.
Temos assim,”Tradição”, um álbum lançado em 1967, pela Polydor. Creio eu que este foi o seu último disco de carreira. Os que vieram depois são gravações antigas, ou registros em apresentações ou coletâneas. Este álbum também não deixa de ter algumas regravações, inclusive na “Polêmica”, uma espécie de pot-pourri que ele fazia em par com a cantora Carmen Costa, em seu disco anterior, o “Eternamente Samba”, de 66. Neste álbum ele traz uma nova “Polêmica”, com outros sambas e ao lado da cantora Diana. “Miraí” e “Requebrado da mulata” foram sambas de muito sucesso e estão presentes na bolacha.. Ele grava também “Quando o samba acabou”, música de Noel Rosa e “Favela”, de Roberto Martins e Valdemar Silva. Bom disco, não deixem de conferir. 🙂

cabe na palma da mão
quando o samba  acabou
requebrado da mulata
miraí
favela
saudade da saudade
nem que chova canivete
polêmica:
infidelidade
o pavio da verdade
nunca mais
errei sim
atire a primeira pedra
fenix
o homem é o cão
gente bem também samba
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Ary Toledo – No Fino Da Bossa (1988)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Diante a sempre falta de atenção dos amigos em ler as informações sobre o funcionamento do blog e principalmente os textos, continuo batendo na mesma tecla: NÃO ESTAREI MAIS REPONDO LINKS NO GTM DE POSTAGENS ANTIGAS, SOLICITADAS A PARTIR DESTE MÊS DE OUTUBRO. QUEM TIVER INTERESSADO, PODE ATÉ PEDIR (VIA E-MAIL), MAS VOU COBRAR UMA DOAÇÃO, UMA AJUDA DE CUSTO.
Seguimos agora com este disco do Ary Toledo, uma gravação feita em 1966, ao vivo em apresentação no auditório da TV Record, durante o programa O Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina. Nessa época o Ary era tido também como cantor. Aliás, ele era um cantor e compositor, mas logo nos primeiros discos e apresentações já demosntrou talento para o humor. Foi aconselhado por amigos a seguir a carreira de comediante. Colecinando piadas ele acabou por se tornar um dos mais importantes no gênero. Este disco é sem dúvida seu melhor trabalho musical. Aqui encontraremos aquelas músicas que tanto fizeram sucesso. Coisas como o seu primeiro sucesso: “Tiradentes”, composição sua em parceria com Chico de Assis. Ou, mais ainda, “Pau de Arara”, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. Essas duas músicas, por sinal, eu já postei aqui em um compacto lançado na mesma época. Mas temos outras, também muito boas e na mesma linha. Este disco foi lançado originalmente em 1966, parece ter tido uma reedição em 68 e outra (esta), lançada em 1988. Vamos dar uma conferida? 😉

descobrimento do brasil (chegança)
testamenteo do padre cícero
peba na pimenta
os ovos que a galinha pôs
pau de arara
tiradentes
as virgens rezadeiras
incelença
o anúncio
romance de dona juliana
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Odete Amaral (Parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 73 (2013)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, apresentando a segunda parte da retrospectiva que estamos dedicando à “voz tropical do Brasil”, Odete Amaral  (1917-1984). Desta feita, apresentamos  onze gravações desta intérprete notável, dona de bela voz.  E começamos muito bem, apresentando um samba do grande Geraldo Pereira, em parceria com Ari Monteiro, “Carta fatal”, gravação Odeon de 5 de abril de 1944, lançada em junho do mesmo ano, disco 12450-B, matriz 7537. A faixa seguinte, “Na chave do portão”, é de autoria de Djalma Mafra e Alberto Maia. Este samba foi gravado na Victor em 29 de novembro de 1945, e lançado bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, com o número 80-0382-B, matriz S-078404. O samba “Sorris de mim” é de Babaú da Mangueira (Waldemiro José da Rocha, 1914-1993) e João da Baiana, gravação Victor de 9 de julho de 1940, lançada em setembro seguinte com o número 34657-B, matriz 33463. Voltando à Odeon, apresentamos a marchinha “Salve o inventor da mulher”, gravação de 13 de outubro de 1944, lançada um mês antes do carnaval de 45, em janeiro, com o número 12535-B, matriz 7681. João da Baiana, agora sem parceiro, assina o samba “É melhor confessar do que mentir”, gravado na Victor em 14 de dezembro de 1937 e lançado bem em cima do carnaval de 38, em fevereiro, disco 34283-A, matriz 80626. Geraldo Pereira se faz de novo presente, agora em parceria com Arnô Provenzano, com o samba “Resignação” , lado A do Odeon 12330, gravado em 2 de junho de 1943 e lançado em julho do mesmo ano, matriz 7305. O mestre Ary Barroso também bate ponto aqui com um dos maiores hits da carreira de Odete, o samba “A batucada começou”, por ela gravado na “marca do templo” em 24 de abril de 1941 e lançado em junho seguinte com o número 11999-A, matriz 6627. “Só você” é um samba-canção de Hanibal Cruz (tio de Vinícius de Moraes e parceiro de Vicente Paiva no clássico “Diz que tem”,  hit de Cármen Miranda em 1940), gravado por Odete na Victor em 25 de maio de 1937 e lançado em julho do mesmo ano, disco 34183-B, matriz 80418. De José Alvarenga, o Alvarenguinha, e Marcílio Vieira, é o samba “Lágrimas sentidas”, gravado por Odete na marca do cachorrinho Nipper em 21 de julho de 1937 e lançado em dezembro seguinte, visando o carnaval de 38, sob número 34241-A, matriz 80550. Temos em seguida um retumbante sucesso da cantora nesse mesmo carnaval, a bem-humorada marchinha “Não pago o bonde”, dos mestres J. Cascata e Leonel Azevedo, que Odete imortalizou no dia seguinte, 22 de julho de 1937, e a Victor lançou também em dezembro, com o número 34256-A, matriz 80551. É uma crônica do tempo em que o bonde era o principal meio de transporte no Rio de Janeiro. Se habitualmente os passageiros já procuravam fugir ao pagamento da passagem, em tempo de carnaval era quase inútil atender ao apelo (“por favor”), do cobrador, geralmente português. Alguns se atreviam a desafiar o coitado, pedindo “mande a Light me cobrar”. Na época, a empresa, conhecida como “polvo canadense”, era concessionária do serviço de bondes na então Capital Federal.  Para encerrar, em clima de conto de fada, temos o samba “A bela adormecida”, samba de outra festejada dupla de autores, Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr., gravação Victor de 26 de abril de 1938, lançado em junho do mesmo ano sob número 34324-B, matriz 80766, e evidentemente baseado na famosa história do escritor francês Charles Perrault. Em algumas gravações da Victor aqui incluídas, vale ressaltar, quem acompanha Odete Amaral é a orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida pelo mestre Pixinguinha. E é com muita alegria que o GRB apresenta a segunda parte desta retrospectiva dedicada àquela que será para sempre “a voz tropical do Brasil”!
*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO
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Côro Infantil Do Clube Do Guri Com Orquestra Sob Direção De Lyrio Panicali – Cantigas De Roda (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Quando o Dia das Crianças cae no sábado, o domingo automaticamente passa a ser uma prorrogação. Afinal, todo domingo é dia da criança, quando os pais levam seus filhos para os parques, jardins, clubes… tudo em nome da diversão.
Assim sendo, aqui vai mais um disco relacionado ao universo infantil. Claro que estamos falando aqui do universo das crianças de 40, 50 ou 60 anos atrás, quando, por exemplo, dar com um pau num gato era coisa mais natural desse mundo. Tem gente, hoje em dia, que fica horroziado com essa letra. Mas os tempos eram outros e gato só servia mesmo para fazer tamborim.
Temos aqui um disco de cantigas de roda, lançado pelo selo Columbia, em 1961. Nele encontraremos doze temas clássicos interpretados pelo Côro Infantil do Clube do Guri, de Samuel Rosenberg, acompanhados de orquestra sob a orquestração e regência do maestro Lyrio Panicali. Taí, mais um disquinho para matar a saudade daquele tempo de criança. Aaah…

ciranda, cirandinha
carneirinho, carneirão
eu entrei na roda
de marré, marré, marré
passarás, não passarás
onde está a margarida
nesta rua tem um bosque
terezinha de jesus
atirei o pau no gato
passa, passa gavião
eu fui no tororó
o cravo brigou com a rosa
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José Vasconcelos Conta Histórias De Bichos (1962)

Bom dia criançada culta e oculta! Com tantas manifestações relacionadas ao ao universo infantil e principalmente por conta de ser hoje o Dia das Crianças, aqui vamos nós com uma homenagem a altura e bem ao gosto do Toque Musical. Apesar de reduzir o fluxo de postagens, o TM não pára e continua mandando vê… e ouvir, claro!
Olha aí, que legal! Trago para vocês este raro e interesantíssimo lp do saudoso comediante José Vasconcellos, figura que foi muito popular, principalmente nos anos 60. Este álbum tem um quê de especial porque não se resume apenas a mais um disco do humorista. Trata-se de um disco voltado para o público infantil. As músicas são criações do maestro Lindolfo Gaya, com letras de Pascoal Longo. Eu mesmo, quando criança, ouvi este disco até acabar e sabia até cantar as músicas de introdução. Taí outro e importante valor agregado, a cada história contada pelo Zé, vem de abertura um trecho musical cantado por algumas estrelas do ‘cast’ da Odeon na época. Daí, já deu para perceber… Celly Campello, Moreira da Silva, Anísio Silva, Stellinha Egg, Elza Soares, Noriel Vilela, Trio Irakitan, Norma Bengell e até o João Gilberto. Curiosamente, tem por aí alguns fãs do João que nunca ouviram essa faceta, vão gostar. Ë nessa hora que eu fico pensando e me perguntando, quando que a indústria fonográfica conseguiria repetir algo parecido, ou, do mesmo nível. Ah, que bobinho sou eu… isso tudo já é coisa do passado. (acho que é por isso que eu sou tão saudosista)

o presunto do jacaré – celly campello
a roupa do leão – joão gilberto
o elefante tarzan – noriel vilela
vicente, o peru diferente – norma bengell
o rato cangaceiro – trio irakitan
rosa, a macaca formosa – anísio silva
a barata serafina – elza soares
panchito, o galo tenor – trio esperança
a pirraça da tartaruga – stellinha egg
o gato raulino – moreira da silva
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Fellini – 3 Lugares Diferentes (1987)

Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Pelo visto, creio que muitos por aqui ainda não se tocaram com relação as mudanças que tenho feito. Eu até entendo, pois sei que a maioria que passa por aqui têm preguiça de ler. Preferem escrever solicitando algo ou perguntando aquilo que não leram. Bom, mais uma vez eu informo: NÃO ESTAREI MAIS REPONDO LINKS PEDIDOS A PARTIR DE OUTUBRO. APENAS AQUELES (MILHARES) QUE FORAM SOLICITADOS ANTES DISSO TERÃO REPOSIÇÃO NO GTM. NO MAIS, ESTARÃO APENAS OS LINKS DAS POSTAGENS RECENTE E (OBVIAMENTE) DE ACORDO COM O TEMPO LIMITADO PELO PROVEDOR DE ACESSO. FORA DESSE PADRÃO, SÓ NA BASE DE ‘SERVIÇO PRESTADO’. INTERESSADOS, FAÇAM CONTATO ATRAVÉS DE E-MAIL (toquelinkmusical@gmail.com).
Ok, vamos ao disco do dia. Hoje eu trago para vocês a banda paulista Fellini, forma nos anos 80 por Cadão Volpato, Thomas Pappon, Jair Marcos e Ricardo Salvagni. “3 Lugares Diferentes” foi o terceiro disco  do grupo, lançado em 1987 pelo selo independente Baratos Afins. De quarteto inicial, passaram a dupla no segundo disco (apenas Catão e Thomas Pappon) e a trio neste trabalho, com a volta de Salvagni.
É claro que também eles sempre contam com colaboradores, as participações de outros músicos. O Fellini viria ainda a gravar mais discos e também participar de coletâneas nacionais e internacionais. Para muitos fãs da banda, este é seu disco mais experimental e inovador. Gosto, em especial, de “Teu inglês”. Mas no geral, o disco é muito bom. Eu recomendo…

ambos mundos
rosas
la paz song
teu inglês
zum zum zum zum zazoeira
pai
valsa de la revolucion
massacres da coletivização
rio-bahia
lavorare stanca
onde o sol se esconde
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