Antenógenes Silva, Edú Da Gaita, José Menezes, Waldir Azevedo E Dilermando Reis – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 22 (2012)

Easy listening tupiniquim da melhor qualidade. É o que nos oferece esta vigésima-segunda edição do Grand Record Brazil, apresentando instrumentistas brasileiros que deixaram sua marca em nossa música popular.Começamos com um autêntico mago do acordeão: Antenógenes Silva (1906-2001), mineiro de Uberaba. Ele também exerceu profissões paralelas: comerciante de queijos e químico industrial, tendo sido fundador, no Rio de Janeiro, do Laboratório Creme Marcília, que existe até hoje. Os discos de Antenógenes, quando cantados (gravou com muitos intérpretes, tais como Gilberto Alves, Alcides Gerardi e Jamelão), traziam seu nome em destaque, aparecendo embaixo do de quem cantava, tamanho era seu prestígio popular. Da extensa discografia de Antenógenes, foi escalado para esta edição o disco Odeon 11739, gravado em 19 de junho de 1939 e lançado em julho seguinte, com duas valsas adaptadas por ele próprio. Abrindo o disco, a matriz 6113 apresenta a tradicional “Saudades de Ouro Preto”, gravada e regravada por inúmeros intérpretes, entre eles outro sanfoneiro, o grande Luiz Gonzaga (de quem Antenógenes, aliás, afinava ocasionalmente a sanfona, conforme revelou em entrevista a um programa de rádio). No verso, matriz 6114, vem “Saudades de Uberaba”, de autoria de Oscar Louzada, cuja primeira gravação foi feita ainda na fase mecânica pelo Grupo Vienense, em 1917. O acompanhamento em ambas as faixas é do violonista Rogério Guimarães.Em seguida, aquele que sem dúvida foi o maior virtuose da gaita que o Brasil já teve: Eduardo Nadruz, aliás, Edu da Gaita (Jaguarão, RS, 1916-Rio de Janeiro, 1982). Ele aqui aparece com “Capricho nortista”, uma seleção de baiões compostos por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, numa época em que o baião estava no auge do sucesso. Saiu pela Continental em maio-junho de 1950, ocupando os dois lados do 78 rpm 16192, matrizes 2259 e 2260. O arranjo e a regência do acompanhamento de cordas são de Alexandre Gnattali, irmão de Radamés.Trazemos depois o multi-instrumentista José Menezes de França, cearense de Jardim, nascido em 6 de setembro de 1921. O disco aqui apresentado é o Sinter 00.00-053, lançado em meados de 1951, em que Menezes executa seu cavaquinho à frente de seu conjunto e com a participação ao clarinete de outro grande instrumentista brasileiro, Abel Ferreira. Abrindo o disco, matriz S-107, o choro “Encabulado”, do próprio Menezes em parceria com Luiz Bittencourt, então diretor artístico da Sinter. No verso, matriz S-108, o clássico “De papo pro á”, de Joubert de Carvalho, em ritmo de baião, e lançado em 1931 por Gastão Formenti, com letra de Olegário Mariano. José Menezes, nos anos 1960, criou a orquestra dos Velhinhos Transviados, que tocava músicas atuais com arranjos antigos e vice-e-versa, lançando mais de 15 LPs.O nome seguinte é uma autêntica referência quando se fala em solistas de cavaquinho: Waldir Azevedo (Rio de Janeiro, 1923-São Paulo, 1980). Autor e intérprete de choros que marcaram época (como “Brasileirinho”, “Carioquinha”, “Pedacinhos do céu”, “Vê se gostas” e “Amigos do samba”, além do baião “Delicado”, hit internacional), Waldir aqui comparece com o disco Continental 16428, gravado em 27 de junho de 1951 e lançado entre julho e setembro do mesmo ano. No lado A, matriz 2635, Waldir sola o tango “Jalousie”, clássico de autoria do dinamarquês Jacob Gadé, composto em 1925 e sucesso instantâneo em todo o mundo. No verso, matriz 2637, o choro “Camundongo”, do próprio Waldir em parceria com o pandeirista Risadinha, então músico do conjunto do notável cavaquinista.E, para encerrar com chave de ouro, um violonista que também é referência obrigatória: Dilermando Reis (Guaratinguetá, SP, 1916-Rio de Janeiro, 1977). Ele manteve durante anos na lendária Rádio Nacional carioca o programa “Sua majestade, o violão”, além de ter dado aulas de seu instrumento a Juscelino Kubitschek de Oliveira, quando este era presidente do Brasil. Dilermando, um autêntico mago do violão, comparece aqui com duas gravações Continental: do disco 17522-A, lançado em janeiro-fevereiro de 1958, matriz C-4075, ele sola sua valsa “Se ela perguntar”, que fora sucesso em 1952 na voz de Carlos Galhardo, com letra de Jair Amorim. E do 78 de número 17604-A, lançado em novembro-dezembro do mesmo ano, matriz 12154, ele apresenta a canção (na verdade, um estudo em mi) “Romance de amor”, de autoria controvertida. Nesse disco, aparece como autor o nome de outro violonista e guitarrista, Vicente Gómez (Madri, Espanha, 1911-Los Angeles, EUA, 2001). Outras fontes atribuem a paternidade de “Romance de amor” a um misterioso Antonio Rovira, de biografia desconhecida, provavelmente um pseudônimo (fala-se até que ele nunca existiu). Ambas as faixas também saíram no LP “Sua majestade, o violão”, o segundo de Dilermando e o primeiro no formato-padrão de doze polegadas. Enfim, uma primorosa edição do GRB, para aqueles que sabem o que é bom e apreciam a arte de nossos maiores músicos. Não deixe de ouvir e guardar! 



*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Radamés Gnatalli – Concerto Para Harmonica De Boca E Orquestra – Brasiliana nº 3 (1961)

Eis aqui um disco raro, objeto de desejo de muitos colecionadores e de pesquisa, ou puro deleite, para quem escuta música com outros olhos. Uma atração à parte e especial que com toda certeza irá avivar os olhos e ouvidos dos meus amigos cultos e ocultos. Tenho hoje para vocês, o aclamado, “Concerto para Harmônica de Boca e Orquestra” de Radamés Gnatalli. Uma peça muito comentada, inclusive aqui no Toque Musical, mas que até hoje continuava escondida, recolhida como a grande maioria dos discos produzidos pelo selo Festa. Recementemente a Tratore Discos relançou uma dezena de títulos da gravadora de Irineu Garcia, mas se esqueceu deste que é talvez um dos mais raros e importantes discos de seu catálogo. Trata-se, obviamente, de um álbum de música erudita, o que de uma certa forma, comercialmente e no Brasil, não seria muito ‘produtivo’. Mas este disco tem uma importância também histórica, ou por outra, tem uma história que precisa ser ouvida.
Temos aqui o Maestro Radamés Gnatalli com a Orquestra Sinfônica Brasileira apresentando duas de suas peças em momentos distintos. O primeiro e principal, “Concerto para harmônica de boca e orquestra”, dedicado ao amigo, o gaitista Edu da Gaita, gravado ao vivo na estréia, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em novembro de 1958. Contou com a participação do homenageado, Edu (da gaita) Nadruz, como solista. O segundo momento, também gravado ao vivo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, aconteceu no mês de julho do ano seguinte, por ocasião do Festival Radamés Gnatalli.
Não vou entrar em detalhes sobre esses trabalhos, deixando que a contracapa e os comentários generosos complementem nossa postagem. A interação é fundamental!
Este álbum, eu não soube precisar a data de seu lançamento, mas suponho que tenha sido em 1960 ou 61. Outra curiosidade: nunca tive nas mãos um disco ‘cinquentão’ tão novinho. Acredito que este lp nunca chegou a ser tocado por uma agulha. É mesmo de dar gosto 🙂 Salve São Pampani! Obrigadão!
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concerto para harmonica de boca:
allegro moderato
lento e expressivo
allegro marcato
brasiliana nº 3:
pampeano (allegro moderato)
modinha (adagio)
rojão (allegretto mosso)
capoeira (vivo)

Edu Da Gaita – Edu E Sua Gaita (1956)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Vamos bem rapidinho porque a semana só está começando e eu ‘cheio de costura’, como dizia minha tia. Abrindo a semana, temos aqui mais uma postagem dedicada ao grande gaitista Eduardo Nadruz. Neste pequeno álbum de 10 polegadas nós encontraremos oito temas internacionais bem conhecidos, pelo menos naquela época. Um repertório que exige do gaitista qualidades técnicas que só mesmo um Edú da Gaita seria capaz de executar. Chamo a atenção para a faixa “Deep Purple” de Peter De Rose e Mitchell Parish, onde podemos comprovar o quanto Edú era da gaita, um trabalho maravilhoso!

deep purple
vous que passez sans me voir
paganini
poema de fibich
sunny boy
fraquita
no jardim de templo chinês
jeanine

Edu Da Gaita – Uma Gaita Para Milhões (1959)

Quando falamos de gaita brasileira, inevitavelmenteo o nome de Eduardo Nadruz, o Edu da Gaita, está sempre presente. Em nossa semana temática, sobre o instrumento aqui no Toque Musical, também não podemos nos limitar a apenas um disco. Embora a sua discografia esteja quase fora de catálogo, ainda é nesta que nos apoiamos quando o assunto é a gaita. Obviamente existem outros músicos, gaitistas brasileiros importantes, mas poucos apresentam tamanha dedicação ao instrumento em termos fonográficos. Mais ainda no que diz respeito à música brasileira. A gaita ainda hoje no Brasil é considerada um instrumento exótico. Que eu saiba, não existe uma formação acadêmica para o instrumento no país. Ela ainda é tratada quase como um brinquedo. O interesse pela harmonica em nosso país hoje em dia, vem atrelada à tradição do blues, a música americana. Todo jovem que começa a tocar gaita, muitas vezes se inicia pensando no blues. Mas ao ouvirmos um artista como foi Eduardo Nadruz, percebemos logo que a gaita de boca não se limita a solos ou acompanhamento. Na mão e na boca de um artista sensível se pode fazer miséria, ou melhor dizendo, riquezas sonoras. Aqui temos mais um bom exemplo disso e principalmente da genialidade de Edu da Gaita. O presente álbum, relançado na década de 70 pelo selo Beverly da Copacabana é de 1959. Um lp interessantíssmo onde Edu procura mesclar sua técnica entre o erudito e o popular. Temos em seu repertório desde Jean Wiener, Chopin e Dvorak à Luiz Bonfá, Bororó e João Gilberto. No álbum, Edu da Gaita vem acompanhado de orquestra e côro. Severino Filho cuida da orquestração e regência. Há também a participação de Altamiro Carrilho na flauta e no assobio. Taí, mais um belíssimo e imperdível disco. Confiram…

le grisbi
noturno nº 2
humoresque
meu silêncio
xamêgo de yayá
dança espanhola nº 5
samba de orfeu
sorte é pra quem tem (basta olhar)
num jardim de um templo chinês
as coisas que eu não te disse
bom que dói
hô-bá-lá-lá

Edú Da Gaita (1979)

Pois é meus prezados, rapadura é doce mas não é mole. Hoje cedo levei meu computador para a manutenção. O problema desta vez foi no Windows, tivemos que reinstalar o programa. Com medo de perder alguma coisa ao ser formatado, achei melhor comprar um novo HD e instalar o Windows nele, assim eu não perderia o que estava no antigo. Assim foi feito. Depois, verifiquei que vários arquivos que eu havia feito download e os discos de gaita que já estavam digitalizados ficaram na pasta Meus Documentos. Em outras palavras, perdi tudo! Sinceramente, dei uma brochada… Também não tive tempo de instalar todos os programas que normalmente uso aqui. Fiquei meio sem opção, meio sem vontade de postar. Mas novamente, eu não quero deixar a peteca cair. Forçando a barra, já quase meia noite, aqui vou eu atrasadíssimo, trazendo a postagem do dia.
Vamos de gaita, vamos com o Edú da Gaita. Eis aqui um álbum lançado pelo Estúdio Eldorado em 1979. Produzido e dirigido por Theo de Barros, também responsável pelos arranjos ao lado de Leo Peracchi. O repertório, como disse o Sr. Aluízio Falcão em seu texto de contracapa, é bem brasileiro, “é uma boa amostra da peculiaríssima sonoridade e da variedade de timbres que uma gaita bem temperada pode alcançar.” Eduardo Nadruz foi mesmo o Paganini da harmonica de boca. Muito bom!

primeiro amor
tenebroso
por um beijo
banzo
melodias brasileiras
numa seresta
batuque nº 1
disparada
roda
murmurando
capricho nortista

Edu Da Gaita – Edú (195?)

Ufa! Que dia! Se não fosse a promessa de repetir a dose, teria deixado por hoje apenas a postagem do Codó. Estou aqui agora apenas por honra da firma. Trazendo outro fantástico gaitista, o inigualável Edu da Gaita. Este álbum é a versão 12 polegadas do lp de 10 lançado em 1953. Nele estão incluídas mais quatro faixas. Procurei maiores informações sobre este disco, mas não encontrei nem sua data de lançamento. Suponho que este tenha sido lançado alguns anos depois, por volta de 58, quando os álbuns de 12 polegadas começaram a ficar mais comuns.
Desculpem, mas hoje tá osso! Deixo para vocês os comentários e informações complementares… Deixa eu ir dormir… boa noite!

dança do sabre
espanha
fantasia espanhola
ritmos do brasil
andaluzia
banzo
capricho espanhol:
a) alvorada
b) cena cigana
c) canto cigano
d) fandango das asturias
o cisne
tristeza eterna
whispering