
A Música De Dunga – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 143 (2015)
E aí vai mais uma edição do Grand Record Brazil, o “braço de cera” do TM, com o número 143, para seus amigos, cultos e associados. Desta vez, focalizamos a obra musical do compositor e pianista Waldemar de Abreu, o Dunga. Nosso focalizado veio ao mundo no dia 16 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Ganhou o apelido de Dunga aos sete anos de idade, de sua professora, que o considerava o mais querido da turma. Fez o curso primário na escola pública do subúrbio de Haddock Lobo, e o ginásio (até o quarto ano) no Instituto Matoso. Em 1928, começou a jogar futebol, em Petrópolis, região serrana fluminense. Em 1930, ingressou na Leopoldina Railways, trabalhando como conferente, e sempre jogava nos times de futebol e basquete da companhia, sendo campeão da Liga Bancária diversas vezes. Em janeiro de 1935, sai a primeira música gravada de Dunga, para o carnaval do mesmo ano: o samba “Amar pra quê?”, na voz de Sílvio Pinto. Ainda em 35, acontece o enlace matrimonial de Dunga com Zaíra Moreira, que tiveram dois filhos. Em 1940, entrou para a SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), exercendo a função de cobrador junto aos teatros, e , um ano depois, ingressou na UBC (União Brasileira de Compositores), onde permaneceria durante anos. Em 1960, assumiu a vice-presidência da ADDAF (Associação Defensora de Direitos Autorais e Fonomecânicos), sem no entanto abandonar a atividade musical. Ao longo de sua carreira, teve mais de oitenta músicas gravadas, nas vozes de grandes astros da MPB, tais como Orlando Silva, Jamelão, Dircinha Batista, Cyro Monteiro, Déo, etc. Basta lembrar, por exemplo, de “Conceição” (1956), eterno sucesso de Cauby Peixoto, cuja melodia é de Dunga, com letra de Jair Amorim. Eles também fizeram juntos “Maria dos meus pecados”, hit de Agostinho dos Santos em 1957. E Dunga continuaria compondo até sua morte, em 5 de outubro de 1991, aos 83 anos, em seu Rio de Janeiro natal.
Para esta edição do GRB, foram escolhidas músicas de exclusiva autoria de Dunga, ou seja, obras que ele compôs sem parceria. São 29 faixas, interpretadas pelos melhores cantores e instrumentistas de sua época, quase todas sambas. (Uma boa lembrança e colaboração do amigo Hélio Mário Alves, quem nos enviou boa parte desse material). Para começar, temos “Antes tarde do que nunca”, do carnaval de 1940, gravado na Victor por Odete Amaral em 23 de outubro de 39 e lançado ainda em dezembro, disco 34537-B, matriz 33187. Em seguida, um sucesso inesquecível de Orlando Silva, “Chora, cavaquinho”, outra gravação Victor, esta de 27 de agosto de 1935, lançada em dezembro do mesmo ano, disco 33998-B, matriz 80011. Edna Cardoso, cantora que só gravou dois discos com quatro músicas, pela Continental, aqui comparece com as três obras de Dunga que constam dos mesmos. Para começar, temos “Confessei meu sofrer”, lado A do disco 15428, o segundo e último de Edna, lançado em setembro de 1945, matriz 1199. Depois desta faixa, Aracy de Almeida comparece com “Dizem por aí”, gravação Victor de 20 de abril de 1938, lançada em junho seguinte sob número 34321-B, matriz 80761. Em seguida, o delicioso arrasta-pé “Espiga de milho”, executado pelo regional do violonista Canhoto (Waldiro Frederico Tramontano), em gravação RCA Victor de 21 de maio de 1954, lançada em agosto do mesmo não, disco 80-1325-B, matriz BE4VB-0462. Depois, mais três imperdíveis faixas com Orlando Silva. “Esquisita” é da safra do Cantor das Multidões na Odeon, por ele gravado em 23 de junho de 1947 e lançado em setembro do mesmo ano, disco 12797-A, matriz 8246. Voltando à Victor, temos um verdadeiro clássico da carreira de Orlando: o samba-canção “Eu sinto vontade de chorar”, que ele canta acompanhado pela Orquestra Carioca Swingtette, sob a direção de Radamés Gnattali. Gravação de 13 de junho de 1938, lançada em setembro seguinte sob número 34354-B, matriz 80826. “Foi você”, outra das melhores gravações de Orlando, foi feita em 17 de setembro de 1936 e lançada pela marca do cachorrinho Nipper em outubro seguinte com o número 34100-A, matriz 80221. O samba-canção “Justiça”, grande sucesso na voz de Dircinha Batista, foi por ela gravado na Odeon em 20 de junho de 1938, com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 11628-B, matriz 5871. Logo depois, temos “Meu amor”, samba do carnaval de 1949, na interpretação de Jorge Goulart, lançada pela Star em fins de 48 sob número 79-A. Nuno Roland interpreta, em seguida, o samba-canção “Meu destino”, gravação Todamérica de 8 de março de 1951, lançada em abril do mesmo ano, disco TA-5053-A, matriz TA-101. Dircinha Batista volta em seguida com “Moleque de rua”, lançado pela Continental em setembro de 1946, disco 15691-A, matriz 1639. Roberto Paiva interpreta depois “Não sei se voltarei”, em gravação Victor de 13 de julho de 1944, lançada em setembro do mesmo ano, disco 80-0211-A, matriz S-078018. Déo lançou em janeiro de 1945, na Continental, para o carnaval desse ano, o samba “Nunca senti tanto amor”, matriz 912. Em junho do mesmo ano, ele lançou pela mesma marca outro samba de Dunga, “Orgulhosa”, disco 15356-A, matriz 1128. Em seguida, volta Edna Cardoso, desta vez cantando “Pandeiro triste”, lançado em agosto, também de 1945, e pela mesma Continental, abrindo seu disco de estreia, número 15408, matriz 1201. Alcides Gerardi aqui comparece com “Perdoa”, gravado por ele na Odeon em 29 de agosto de 1946, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 12730-A, matriz 8092. “Quando alguém me pergunta”, samba destinado ao carnaval de 1939, tornou-se um clássico na voz de Castro Barbosa, que o gravou na Columbia em 12 de janeiro desse ano, com lançamento bem em cima da folia, em fevereiro, disco 55015-B, matriz 125. Cyro Monteiro, em seguida, interpreta “Que é isso, Isabel?”, gravação Victor de 3 de junho de 1942, lançada em agosto do mesmo ano, disco 34950-B, matriz S-052544. Poderemos apreciá-lo ainda em “Quem gostar de mim”, que gravou na mesma Victor em 8 de julho de 1940, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34646-B, matriz 33461. Janet de Almeida, irmão de Joel de Almeida, falecido ainda jovem, interpreta depois “Quem sabe da minha vida”, batucada do carnaval de 1946, lançada pela Continental em janeiro desse ano, disco 15582-B, matriz 1397. Em seguida, Aracy de Almeida interpreta “Remorso”, gravação Odeon de 30 de março de 1943, lançada em maio do mesmo ano, disco 12305-B, matriz 7244. Temos depois novamente Edna Cardoso, desta vez interpretando “Se ele me ouvisse”, lado B de seu segundo e último disco, o Continental 15428, lançado em setembro de 1945, matriz 1198. Orlando Silva registrou “Soluço de mulher” na Odeon em 6 de agosto de 1944, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 12503-B, matriz 7645. A bela valsa “Sonho” é executada pelo clarinetista Luiz Americano, acompanhado por Pereira Filho ao violão elétrico, em gravação lançada pela Continental em maio de 1945, disco 15337-B, matriz 1105. O choro “Tic tac do meu relógio” foi lançado pela Continental, na interpretação de Carmélia Alves, ao lado do Quarteto de Bronze, acompanhados por Fats Elpídio e seu Ritmo, em março-abril de 1949, sob número de disco 16048-B, matriz 2067, por sinal marcando o início definitivo da carreira fonográfica de Carmélia, seis anos após sua estreia na Victor. O samba “Trapaças de amor” foi gravado na RCA Victor por Linda Batista em 5 de maio de 1947, com lançamento em junho do mesmo ano, disco 80-0519-A, matriz S-078750. Primeiro ídolo country brasileiro, Bob Nélson aqui comparece com “Vaqueiro apaixonado”, marchinha do carnaval de 1951, devidamente acompanhado de “rancheiros” músicos que, mais competentes, não existiam nem mesmo no Texas ou na Califórnia. Gravação RCA Victor de 12 de outubro de 50, lançada ainda em dezembro, disco 80-0726-A, matriz S-092786. Para encerrar, temos “Zaíra”, valsa cuja musa inspiradora foi certamente a esposa de Dunga. É executada ao saxofone por Luiz Americano, em gravação Continental de 5 de abril de 1948, só lançada em março-abril de 49, disco 16015-A, matriz 1831. Enfim, esta é uma justa homenagem do GRB a um dos maiores compositores que o Brasil já teve: Waldemar “Dunga” de Abreu!
* Texto de Samuel Machado Filho
Coro Da Associação De Canto Coral – O Natal Você E Sua Família (1963)
Olá, meus amigos cultos e ocultos! Para que vocês possam ter tempo para baixar e ouvir, estou postando o disco natalino com antecedência. Como disse anteriormente, na postagem de ontem, para este Natal só vão rolar esses dois discos, o compacto de Boas Festas, de ontem e agora este belíssimo lp lançado pela Odeon em 1963, apresentando o côro da Associação de Canto Coral, do Rio de Janeiro. Embora tenhamos aquele sempre mesmo repertório, vale a pena conhecer as diferentes interpretações. Um disco realmente muito bonito, que caí como uma luva durante a ceia de Natal.
Desde de já eu deixo aqui as minhas saudações a todos. Que os amigos cultos e ocultos tenham nessa noite junto aos seus, um encontro de paz, fraternidade e amor.
Boas Festas – Compacto (196…)

Os Violinistas De Copacabana – Cordas Mágicas (1960)
Hoje o Toque Musical oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum dos Violinistas de Copacabana, ao que parece o único. Foi lançado em 1960 pela Copacabana, evidentemente, com produção caprichada. O texto de contracapa foi escrito por Irany Pinto, não por acaso um dos melhores violinistas de seu tempo, com vários discos gravados. E os Violinistas de Copacabana têm o apoio de outros instrumentistas de quilate, destacando-se Abel Ferreira ao saxofone, e o pianista Chaim Lewak. O repertório é igualmente muito bem cuidado, apresentando peças clássicas em ritmo popular (como “Olhos negros”, canção popular russa, em ritmo de bolero, assim como “Barqueiros do Volga”, a “Serenata” de Toseli a “Meditation” de Massenet e a “Rêverie” de Schumann, “Melodia in F”, de Arthur Rubinstein, em ritmo de rumba, e as “Czardas” em ritmo de fox). A famosa modinha “Quem sabe?”, de Carlos Gomes (“Tão longe, de mim distante”…) também virou bolero aqui. Completando o repertório, o clássico “Copacabana”, de Braguinha e Alberto Ribeiro, e um bolero-beguine de autoria de outra notória instrumentista, Lina Pesce, “Canción de mi alma”, não por acaso lançado em 1958 pelo contracapista do álbum, Irany Pinto, claro que em solo de violino. As orquestrações ficaram por conta de Gustavo Carvalho, no lado A, e Leal Brito (creio que seja o pianista e compositor Britinho), no lado B. Mas o destaque fica por conta do regente. É nada mais, nada menos que o maestro Mário Tavares, potiguar de Natal, nascido em 18 de abril de 1928. Para ele, “música boa é música bem feita”, o que define uma carreira que nunca se prendeu a qualquer rótulo, sem barreiras entre o erudito e o popular. Desde cedo, Mário Tavares foi incentivado a ser músico, e aos 8 anos ganhou um violoncelo de sua avó, Amélia. Aos 12, já integrava a orquestra de salão da Rádio Educadora de Natal, dirigida por dois Carlos, o Lamas e o Faracchi. Em 1944, aos 16 anos, já residindo no Recife, Tavares ingressa na Orquestra Sinfônica da capital pernambucana, criada três anos antes por Vicente Fittipaldi. Ali, foi influenciado pelo frevo, tornando-se amigo de um autêntico mestre do gênero, Nélson Ferreira. Em 1947, Mário Tavares viaja para o Rio de Janeiro, a fim de concorrer a uma vaga de violoncelista na Orquestra Sinfônica Brasileira, sendo devidamente aprovado e contratado,em abril desse ano, permanecendo na OSB até 1960, quando tornou-se maestro titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio. Tavares também fez carreira internacional bem-sucedida, apresentando-se na Alemanha, EUA, Portugal, Porto Rico, Chile, Colômbia, Peru, Romênia e Bulgária. Considerado o melhor intérprete da obra orquestral de Heitor Villa-Lobos, Mário Tavares, atuaria igualmente na televisão, com produções musicais para as redes Globo e Manchete. Ocupou a cadeira número 30 da Academia Brasileira de Música, cujo patrono é o compositor Alberto Nepomuceno. Mário Tavares faleceu em 5 de fevereiro de 2003, no Rio de Janeiro, aos 74 anos, de câncer, e sua presença como regente credencia, e muito, este álbum dos Violinistas de Copacabana, elogiado inclusive pela seção “Esquina sonora”, do jornal carioca “Correio da Manhã”, quando de seu lançamento,por volta de setembro de 1960. Um discão!
copacabana
serenata
meditation
cancion de mi alma
czardas
reverie
quem sabe
olhos negros
melodia in f
os barqueiros do volga
* Texto de Samuel Machado Filho
Waltel Branco & Cia – Mancini Também É Samba (1966)
Olá. meus queridos amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou trazendo mais um daqueles discos que ficaram na fila de espera. No caso específico deste lp, me faltou a lembrança de fotografar, como de costume, também os selos do disco. Como eu já o havia vendido para um colecionador, fiquei com a cópia incompleta, esperando até que outro aparecesse em minha reta. Mas este é um álbum difícil de achar. Vendi por 200 pratas há quase dois anos. Foi na época um excelente negócio, mas confesso que hoje me arrependo… Não consegui os selos, mas o disco está aí. Estamos falando de um lp dos mais interessantes da safra nacional nos anos 60. Temos aqui a música do genial compositor americano, Henry Mancini, autor de grandes temas e trilhas do cinema, aqui interpretado em ritmo de samba por um time de músicos brasileiros de primeiríssima linha, vejam na contracapa. Sob a direção de Waltel Branco, que também é responsável pelos arranjos e regência, desfilam 12 grandes sucessos, numa releitura em ritmo de samba, bossa… que é o que acaba virando. Apenas ‘Peter Gunn’ e o ‘Tema da Pantera Cor de Rosa’ ficaram meio assim… meio jazz. Mas enfim, é um discão, merece muto ser ouvido.
Achados & Perdidos (1974)
Boa tarde, meus prezados amigos cultos e ocultos! Felizmente, neste fim de ano, consegui entrar no recesso. Só volto ao trabalho em janeiro, que maravilha! Daí, aproveito para tentar colocar um pouco mais em dia as nossas postagens. Espero que daqui até o fim do ano a sequência de publicações seja diária. Tem um montão de discos aqui na fila e também nos meus ‘arquivos de gaveta’. Vamos logo pondo isso pra fora…
Na cola do sucesso do originalíssimo Secos & Molhados nascia, também lá pelos idos de 1973, um projeto musical chamado Achados & Perdidos. Um nome bem sugestivo para um trio, idealizado por Edson Mello e encarnado por membros do grupo Os Diagonais. A ideia era criar um grupo pop vocal na linha dos S&M, com os mesmo adereços, roupas espalhafatosas, cabelos coloridos e uma música com os mesmo ingredientes da turma do Ney Matogrosso. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Contudo, os diagonais Achados & Perdidos, conseguiram fazer um bom trabalho, lançando em 1974 pela RCA, este lp. O disco fez um relativo sucesso na época com músicas como, “Pinga colírio nessa paisagem”, “Eu e a Carolina”, “Festa dos bichos”e outras… Porém, diferente dos Secos & Molhados, ficaram apenas nesse único disco. O álbum original é hoje uma preciosidade para colecionadores e ostentadores. No Discogs este lp original está contado há quase 500 reais. No Mercado Livre tem maluco achando que é ouro e procurando um idiota que pague 1000 pratas. O disco é realmente muito bom, mas por esses preços, eu prefiro ficar no mp3. Para os que ainda não conhecem, eis aqui a oportunidade…
Grupo Mambembe – Mambembe (1981)
Olá amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês um disco muito bacana, produção independente feita aqui nas Geraes. Trata-se do primeiro e único disco do grupo Mambembe, formado em Belo Horizonte, em 1974. Durante os anos 70 o Mambembe participou dos mais importantes eventos, festivais e projetos musicais de Minas, entre eles o “Travessia – O canto dos mineiros”, que foi um trabalho coletivo reunindo vários artistas da terra em um disco e show no Palácio das Artes. Este lp, por sinal, já foi postado aqui no Toque Musical. O grupo era formado por Cadinho Faria, Murilo Albernaz, Toninho Camargos, Miguel Queiroz, Cláudia Sampaio, Rogério Leonel, Lina Amaral, Aldo Fernandes, Edson Aquino, Antônio Martins e Ana Iris Teixeira. Essa última viria mais tarde seguir em carreira solo com o nome de Titane. Em 1981 eles finalmente tiveram a chance de produzir e lançar este lp independente. Um disco muito bem elaborado, tanto na parte musical, quanto na parte gráfica. Quando gravaram este lp o grupo já estava reduzido a cinco membros. Este disco hoje se tornou objeto de desejo de muitos colecionadores, principalmente europeus e japoneses. Só neste ano eu vendi 4 dos seis que eu arrematei de um estoque de loja, ainda nos anos 90. Se soubesse quanto valeria este disco hoje, teria levado os que sobraram.
A História De 1975 – Música E Informação (1976)
Trio De Ouro – O Famoso Trio De Ouro (1958)
Olá amigos cultos e ocultos! Sei que temos em nosso grupo, o GTM, quase 3 mil associados. Com tudo, menos da metade recorre a ele com frequência. Para quem não sabe, os links das postagens feitas aqui no Toque Musical são compartilhados no GTM. Basta dar uma lida rápida nos textos laterais do blog para entender o processo de filiação. Recordando: os links tem um prazo de validade de aproximadamente 6 meses e depois não há reposição. Eventualmente eu reposto um novo link, mas não é de praxe. Para este fim de ano, considerando que em 2015 não tivemos postagens diárias ou regulares, eu estou repostando no grupo alguns novos links das antigas produções exclusivas do TM, pois essas eu mantenho os arquivos guardados. Este é o meu presente de Natal para vocês,ok?
E dando sequencia as postagens, eu trago hoje este lp do Trio de Ouro, um dos mais importantes trios vocais brasileiros, formado inicialmente por Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas. trata-se de um lp lançado originalmente pela Odeon, no final dos anos 50. Uma coletânea que abrange um período de dez anos, entre 1937 a 47, a fase mais fértil e de sucessos desse fabuloso trio. Aqui estão algumas das mais importantes gravações feita na Odeon, Este disco viria a ser relançado no final dos anos 60 através do selo Imperial e ao que parece chegou também, mais tarde, a ser lançado em cd. Na internet, em diversos sites e blogs, assim como no You Tube este disco já foi bem divulgado, porém, sempre achei a qualidade dos arquivos meio tosca. Daí uma das muitas razões pela qual estou trazendo ele pra cá. Certamente é um disco que merece ser conhecido, ouvido e compartilhado. Se você ainda não o ouviu, corre lá no GTM e baixe logo. O tempo é limitado!
Vinícius: Poesia E Canção Vol. 2 (1966)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje, dia 13 de dezembro, fazem 50 anos que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo o encontro da poesia e da canção de Vinícius de Moraes. Foi uma noite de gala onde estiveram presentes grandes nomes da música como Baden Powell, Carlos Lyra, Cyro Monteiro, Edu Lobo, Elizeth Cardoso, Francis Hime, Pixinguinha e (claro) Vinicius de Moraes. A apresentação foi feita pela filha do poeta, Suzana de Moraes e contou também com a participação do ator Paulo Autran que recitou alguns de seus poemas. Este show teve um registro a altura, gerando ao final dois lps, produzidos por Roberto Quartin e seu selo Forma. Os discos foram lançados no ano seguinte. Acredito que na época não era muito comum álbuns duplos, daí os dois discos saíram separadamente. Muito por conta disso eu começo pelo segundo volume, que é o que eu tenho. O certo seria postar primeiro o volume 1, mas esse eu vou ficar devendo. Quem sabe no ano que vem, quando então o disco completa 51 anos (uma boa ideia!). Mas antes disso, se for o caso, eu irei postar o que falta, não se preocupem…. Por enquanto, vamos só celebrar e comemorar a poesia e a canção de Vinícius de Moraes.
Hugo Fattoruso – Oriental (1991)
Cássia Eller (1990)
Olá amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês o primeiro disco da Cássia Eller, lançando em 1990, pela Polygram/Philips. disco de estréia que alcançou uma boa vendagem e despertou o público, principalmente pela música “Por enquanto”, de Renato Russo, que foi um dos seus grandes sucessos. Cássia Eller se firmou mais como intérprete do que como compositora. De sua autoria neste disco, apenas a faixa “Lullaby”, em parceria com Márcio Faraco. Aliás, em seus outros discos, mais uma ou duas músicas fazem parte da sua produção autoral. A moça era boa mesmo é na interpretação de outros autores. Este disco, em lp, se tornou uma raridade, sendo objeto de disputa entre colecionadores.
Luis Vagner – Pelo Amor do Povo Novo (1982)
Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Seguimos aqui, na fase ‘sempre que possível’, hoje trazendo um artista que até o momento ainda não teve a sua vez no Toque Musical, o gaúcho Luis Vagner. Um artista que está na estrada não é de hoje. Fez parte dos grupos Os Brasas e Os Diagonais no final dos anos 60. Tocou com diversos artistas e participou de muitos discos até chegar nos anos 70 onde seguiu carreira solo gravando uma dezena de discos. Sua música sempre teve uma influência de ritmos como o reggae, samba, rock e soul, ou ainda, black music. Ao lado de Bebeto, Tim Maia, Cassiano, Jorge Benjor e outros, é considerado um dos expoentes do estilo ‘sambarock’.
Neste lp, de 1982, o quinto de sua carreira, ele nos traz onze, sendo dez autorais e apenas uma, “Crioulo glorificado”, de Jorge Ben(jor), música esta, por sinal que ele defendeu no Festival MPB Shell. Coisa curiosa é saber que Luiz Vagner também foi jogador de futebol profissional e internacional! Jogou, já na casa dos 40 anos, em um time da terceira divisão, na França. O cara é fera mesmo 🙂
Luely Figueiró – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 142 (2015)
Em sua edição de número 142, o Grand Record Brazil tem a satisfação de apresentar uma cantora que também mostrou seu talento no cinema, como atriz, e ainda hoje lembrada por muita gente. Estamos falando de Luely da Silva Figueiró, seu nome completo na pia batismal, Nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, no dia 26 de setembro de 1935. Cantava no rádio desde a mais tenra idade, tendo sido eleita, em 1957, Rainha do Rádio Gaúcho. Logo depois, mudou-se para São Paulo (residiu também no Rio), e gravou seu primeiro disco, em 78 rpm, pela Continental, apresentando o tango “Yasmin de Santa Mônica” e o bolero “Quero te assim”. Luely foi também estrela do cinema nacional, em filmes como “A doutora é muito viva”, “Casei-me com um xavante”, “Vou te contá” e “Marido de mulher boa”. Esteve também entre as “certinhas do Lalau”, seção que Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, mantinha em sua coluna no jornal “Última Hora”. Em 1958, foi eleita Rainha dos Músicos de São Paulo. Luely foi esposa do compositor Sérgio Ricardo, com quem apresentou o programa musical “Balada”, da TV Continental, Canal 9, do Rio de Janeiro. Atuou também na TV Tupi e na Rádio e TV Record de São Paulo, as chamadas “Emissoras Unidas”. Sua discografia abrange doze discos 78, quase todos pela Continental e o último deles pela RCA Victor, um compacto simples pela Chantecler, em 1967, e apenas dois LPs, “Gauchinha bem querer” (Continental, 1959) e “Nova era” (independente, 1981), este último já oferecido a vocês pelo TM, além de participações em álbuns coletivos. Convertendo-se ao espiritismo, Luely Figueiró deixou a carreira artística e retomou seus estudos, diplomando-se professora de ensino de segundo grau, tendo exercido a profissão por muitos anos até ser aposentada pelo Estado de São Paulo, na virada do século XXI. Dedicou-se à literatura espírita, lançou livros religiosos e se tornou também astróloga. Não cantava mais profissionalmente, mas apenas em encontros comunitários. Sua última aparição foi em agosto de 2008, em São Paulo, durante o show musical de lançamento do livro “A era do rádio”, do pesquisador Waldyr Comegno, onde apresentou-se ao lado de nomes como Denise Duran e Roberto Luna. Luely Figueiró morreu em 6 de dezembro de 2010, aos 75 anos. Nesta edição do GRB, apresentamos catorze preciosas gravações de Luely Figueiró em 78 rpm. Para começar, as músicas do disco RCA Victor 80-2281, gravado em 26 de outubro de 1960, com lançamento em janeiro de 61, por sinal o único de Luely na marca do cachorrinho Nipper. No lado A, matriz L2CAB-1116, a toada “Amor ruim”, de Sérgio Ricardo. E no verso, matriz L2CAB-1117, o samba-canção “Chuva que passa”, de Durval Ferreira , Maurício Einhorn e Bebeto. Durval e Maurício fizeram parte, respectivamente como violonista e gaitista, do grupo Os Gatos. As onze faixas seguintes são da Continental, primeira gravadora de Luely, incluídas, em sua maior parte (exceto “O relógio da saudade”, “A felicidade” e “O nosso amor”), no primeiro LP da cantora, “Gauchinha bem querer”. E a terceira faixa desta seleção é justamente a que deu título ao vinil, toada de Tito Madi que foi gravada originalmente por ele mesmo, em 1957. E Luely a registrou um ano mais tarde, a 22 de abril de 1958, com lançamento pela Continental em julho-agosto seguintes sob número 17565-A, matriz 12078. “A felicidade”, samba clássico da parceria Tom Jobim-Vinícius de Moraes, foi feito para o filme “Orfeu negro”, produção franco-italiana rodada em cores no Brasil, e originalmente exibida nos cinemas daqui como “Orfeu do carnaval”. Interpretado na trilha sonora por Agostinho dos Santos, é aqui oferecido por Luely na gravação que a Continental lançou em agosto de 1959 com o número 17713-A, matriz C-4191. Depois, temos “Eu não sei”, samba-canção de autoria do cantor Lúcio Alves, lançado em maio de 1959 sob número 17664-B, matriz 12181. “O nosso amor” é outro samba da parceria Tom Jobim-Vinícius de Moraes feito para o filme “Orfeu negro” (nos cinemas, “Orfeu do carnaval”), e foi nele interpretado por Elizeth Cardoso. Luely Figueiró o canta aqui em gravação que a Continental lançou em agosto de 1959 sob número 17713-B (o outro lado de “A felicidade”), matriz C-4190. “Quero-quero” é uma valsa campeira em estilo gauchesco, de autoria de Luiz Carlos Barbosa Lessa. É o lado B do segundo 78 de Luely, o Continental 17469, lançado em julho-agosto de 1957, matriz 11974. “Até…”, também conhecido como “Até que…”, é a versão de Oswaldo Santiago para o fox “Till”, de Carl Sigman e Charles Danvers. Foi lançado pela Continental em setembro-outubro de 1958, sob número 17589-B, matriz 12120, e na época foi também gravado por Julie Joy. “Não quero, não posso, não devo”, samba-canção de Dirce Moraes, é o lado B de “Eu não sei”, lançado em maio de 1959, matriz 12181. “Nasce uma pobre menina”, samba-canção de Alcyr Pires Vermelho e Alberto Ribeiro, abre o segundo 78 de Luely, o Continental 17469, lançado em julho-agosto de 1957, matriz 11974, e na mesma ocasião também teve registro de Léo Vaz, na Todamérica. “O relógio da saudade”, a faixa seguinte, é uma verdadeira relíquia para colecionadores, e me foi enviado a pedido pelo pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, lá de Fortaleza (CE), a quem agradecemos a cortesia. Trata-se de um samba-canção de Sérgio Ricardo, com quem Luely foi casada, e saiu pela Continental em julho de 1959 sob número 17698-A, matriz C-4178, estranhamente com o título de “O relógio da vovó”! Por certo o título foi mudado em tiragens posteriores, e Luely também interpretou a música no filme “Marido de mulher boa”, da Herbert Richers. A valsa “Olhe-me, diga-me”, de autoria de Tito Madi, é bastante conhecida e tem vários registros, inclusive do próprio autor. Este foi feito na Continental por Luely em 22 de abril de 1958, com lançamento em julho-agosto do mesmo ano, disco 17565-B (do qual aqui também está o lado A, “Gauchinha bem querer”), matriz 12072. “O relógio da saudade” teve regravações por Rosana Toledo e pelo próprio Sérgio Ricardo. O bolero “Quero-te assim (Te quiero asi, asi)”, de Bernardo Sancristóbal (espanhol radicado no México) e Miguel Prado, em versão de Carlos Américo, é o lado B do 78 rpm de estreia de Luely Figueiró, o Continental 17438, lançado em maio-junho de 1957, matriz 11952. Encerrando esta edição do GRB, o divertido “Xote do Netinho”, de autoria do violonista Ângelo Apolônio, o Poly, em parceria com Victor Dagô, lançado pela Continental em janeiro-fevereiro de 1959 sob número 17635-AZ, matriz 12177. Esta é, portanto, a homenagem que o Grand Record Brazil presta a Luely Figueiró, também uma grande contribuição à preservação de nossa memória musical. Para ouvir e guardar com carinho!
* Texto de Samuel Machado Filho
Orquestra Romanticos De Cuba – Quiereme Mucho (1959)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais um disco da fabulosa Orquestra Românticos de Cuba. E eu que pensava já ter postado aqui mais de uma dúzia de discos dessa orquestra, percebo agora que não chegaram a 4. Então, tenho aqui um bom motivo para postar este disco, “Quiereme Mucho”, terceiro disco dos Românticos de Cuba pela sofisticada Musidisc. Um álbum luxuoso que teve na época duas edições, uma mono hifi e outra em estéreo. Lançado originalmente em 1959, o disco dá sequência aos ritmos latinos, ao bolero principalmente, que está presente nos dois primeiros lps. Desta vez, porém, o repertório inclui autores nacionais como Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, Getúlio Macedo e Irani de Oliveira, Alcyr Pires Vermelho e Jair Amorim, Dalton Vogeler e Esdras Silva e Dolores Duran. Um disco, sem dúvida, perfeito para os amantes de orquestras. Repertório fino! Confiram…
Jessé – Volume 3 (1982)
O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o terceiro álbum gravado por um cantor talentoso e de voz potente, que por certo deixou muitas saudades: Jessé Florentino Santos, na pia batismal. Ou simplesmente Jessé. Nosso focalizado nasceu na cidade de Niterói, litoral do Rio de Janeiro, em 25 de abril de 1952, criando-se na capital do país, Brasília. De lá, mudou-se para São Paulo, já adulto, atuando como crooner em boates. Depois, integrou os grupos Corrente de Força e Placa Luminosa (é dele o solo vocal em “Velho demais”, sucesso do Placa Luminosa em 1977), animando bailes por todo o Brasil. Chegou inclusive a gravar em inglês com o pseudônimo de Tony Stevens, obtendo sucesso com “If you could remember”. Mas foi em 1980 que Jessé revelou-se para o grande público, ao apresentar, no festival MPB-80, da TV Globo, a música “Porto Solidão”, de Zeca Bahia e Gincko. Este foi o primeiro e maior sucesso de sua carreira, que lhe deu o prêmio de melhor intérprete do festival e tornou-se o compacto simples mais vendido daquele ano. No festival MPB Shell, de 1981, voltou a vencer como melhor intérprete, desta vez com “Estrela reticente”, também de Zeca Bahia, em parceria com Fernando Coelho Teixeira. Em 1983, venceu outro festival, desta vez internacional, o da OTI (Organización de la Televisión Ibero-Americana),realizado em Washington, capital dos EUA, interpretando “Estrela de papel”, de sua autoria e do artista gráfico Elifas Andreato, que também abiscoitou os prêmios de melhor arranjo e melhor canção. Jessé possuía um repertório bastante diversificado, interpretando músicas próprias e de outros compositores (Chico Buarque, Guilherme Arantes, Belchior, Pablo Milanez, Mílton Nascimento, etc.). Sua discografia abrange um total de doze álbuns, entre os quais se destacam os duplos “Sobre todas as coisas” e “Um sorriso ao pé da escada”. Mesmo não obtendo o reconhecimento da crítica especializada, Jessé prosseguiu sua carreira com muita competência e sucesso, até falecer de forma trágica e prematura, aos 40 anos, no dia 29 de março de 1993, vítima de traumatismo craniano sofrido em acidente automobilístico quando se dirigia para a cidade de Terra Rica, no Paraná, a fim de realizar um show. O álbum de Jessé que o TM oferece a vocês hoje com muita satisfação é o terceiro de sua carreira, editado em 1982 pela RGE. Um trabalho primoroso em tudo, tanto no repertório quanto no aspecto técnico e na parte gráfica, que registra um senhor trabalho de Elifas Andreato. Aqui, o saudoso cantor recorda “Chão de estrelas” (Sílvio Caldas e Orestes Barbosa) e o clássico bossanovista “Onde está você?” (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini). Também batem ponto aqui a dupla Sá e Guarabyra (“Sina de cantador”), Guilherme Arantes (“Óleo e alegria”), Chico Buarque e Francis Hime (“Canção de Pedroca”), entre outros. Destaque também para “Solidão de amigos”, de Mário Maranhão e Eunice Barbosa, pór certo o maior sucesso do disco. Enfim, um trabalho de qualidade do inesquecível Jessé, que faz a gente sentir pena de ele ter partido tão cedo, e de forma tão trágica. Ouçam e recordem…
o ilusionista
vento forte
solidão de amigos
canção de pedroca
laço apertado
óleo e alegria
um grito pelos ares
paraíso das hienas
sina de cantador
chão de estrelas
a hora é essa
onde está você
.
Quinteto Violado – Berra Boi (1973)
Olá meus amigos cultos e ocultos! Até agora há pouco eu estava ouvindo este disco aqui… Tinha certo de que já o havia postado no Toque Musical. Recorri ao index do blog para me certificar e realmente, não consta em nossa lista. E eu que pensava já ter postado vários discos do Quinteto Violado… Vamos então reparar o erro. Segue assim o “Berra Boi”, lp lançado em 1973, uma super safra! 73 foi mesmo o ano onde nasceram os melhores discos de mpb. A Música Brasileira estava mesmo inspirada naquele ano. “Berra Boi” pode ser considerado como o quarto trabalho do grupo, que surgiu em 1970. Antes deste disco o grupo lançou o “Quinteto Violado de 70” (cuja a capa trazia um desenho modificado do artista Roger Dean) e os discos da série Marcus Pereira, Música Popular do Nordeste, em 72, no qual o Quinteto Violado vem acompanhado pela cantora Zélia Barbosa. Em 73 a consagração. O grupo lança este “Berra Boi”, trabalho de excelência, que chama a atenção pela qualidade instrumental, sendo um álbum, praticamente, todo autoral, mantendo viva a essência da música nordestina. Não me recordo se este lp está entre os 300 daquele livro ingrato do Gavin, mas bem que merecia!
Doroty Marques – Criança Faz Arte (1984)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Em nosso show de variedades fonográficas eu hoje trago para vocês um trabalho dedicado as crianças. Disco lançado nos anos 80 pela musicista e e arte educadora Doroty Marques, irmã do também músico, Dércio Marques. O álbum, uma produção independente, traz de um lado o registro de um show realizado em praça pública, na cidade de Penápolis (SP), apresentando temas infantins, músicas folclóricas, adaptações e composições de Dércio Marques. No outro lado, temos uma gravação de estúdio. Uma espécie de opereta popular infantil, intitulada “O vaqueiro e o bicho frôxo”, de autoria da própria artista. Um belo trabalho que dificilmente vocês irão encontrar publicado em outro lugar. Aproveitem a ocasião. O tempo não para no porto e os links do TM são por tempo limitado.
Déo Lopes & Juan Falú – Canticorda (1982)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje levo para vocês um trabalho independente, colaboração do amigo Carlos Moraes, que foi o responsável pela arte da capa deste disco do músico paulista Déo Lopes e seus convidados, o violonista argentino Juan Falú e o grupo Quintaessência. Lançando em 1982, este lp regista o encontro de Déo Lopes com o violonista Juan Falú, Um trabalho realmente interessante, cujo o repertório, embora com músicas cantadas, procura valorizar principalmente o instrumental e o acústico. Muito lindo, vale uma audição!
Gilberto Monteiro – Pra Ti Guria (1987)
Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Aqui vai um lp que encontrei nas minhas andanças pelo Sul. Um trabalho que eu já tinha visto mas nunca me despertou interesse em ouvir. Desta vez, dentro do clima gaúcho e por um precinho camarada, acabei arrematando este disco também. Que grata surpresa foi a minha ao ouvir então o gaiteiro Gilberto Monteiro, umdos mais importantes músicos do Rio Grande. “Pra ti guria” é um disco tri legal. Um passeio pela música gaúcha tradicional, mas dentro de um viés autoral. Gilberto Monteiro assina todas as 10 faixas e conta com as participações de dois outros mestres da gaita/acordeon, os argentinos Raulito Barboza e Antonio Tarrago Ros. Ao que consta, este lp foi o seu primeiro disco, embora já fosse um nome já conhecido e respeitado no Sul. Foi relançado em formato cd no inicio dos anos 2000. Infelizmente a música regional fica mesmo limitada ao seu reduto e em se tratando do Sul, acho que a coisa fica ainda mais isolada…
Wanderley Cardoso (1972)
Hoje, o Toque Musical tem a satisfação de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum gravado por Wanderley Cardoso. Desta vez, é o LP que ele gravou em 1972, sem título, pela Copacabana, marca onde se consagrou e fez a maior parte de seus trabalhos em disco, muitos deles bem-sucedidos, como este. Mesmo com o término da Jovem Guarda, em 1968, Wanderley Cardoso conseguiu se manter num patamar de grande popularidade, sendo cadeira cativa em praticamente todos os programas de auditório da televisão nos anos 1970/80 (Sílvio Santos, Bolinha, Chacrinha, Raul Gil, “Almoço com as estrelas”, “Clube dos Artistas”…), além de ser maciçamente executado em programas das rádios populares de AM (o FM ainda engatinhava no Brasil). E ele estava em plena forma quando gravou o álbum que o TM apresenta hoje. Com produção e seleção musical de Reynaldo Rayol (irmão de Agnaldo Rayol), e a supervisão de outro “cobra”, Léo Peracchi, este trabalho foi gravado em São Paulo, nos Estúdios Reunidos, que ficavam no Edifício Casper Líbero, na Avenida Paulista. Abrindo o disco, uma composição de José Augusto, “Quem nega a luz na sombra vai morrer”, mais tarde regravada pelo próprio autor, que ainda é responsável por outras duas faixas, “A sombra do passado” e “Quero ver um rosto amigo”. Outro compositor de prestígio, Nenéo, assina “E vou dizer adeus mais uma vez” e “Chove solidão dentro de mim”. O lado compositor de “Wandeco” é mostrado em “Vai embora” e “Minha musa”, parcerias dele com Beto. O produtor, Reynaldo Rayol, assina em parceria com Rossini Pinto, fértil compositor e versionista da Jovem Guarda, “Meu erro”. Rossini ainda é responsável pelos dois maiores sucessos desse álbum de Wanderley Cardoso, “Vem ficar comigo” (parceria com Antônio Carlos) e a versão “Fale baixinho (Speak softly love)”, tema principal do filme norte-americano “O poderoso chefão (The godfather)”, de Francis Ford Coppola, estrelado por Marlon Brando e grande êxito de bilheteria na época. Roberto Corrêa (dos Golden Boys) e Jon Lemos contribuíram com a música “Haja o que houver”, e, completando este trabalho, temos “Enquanto houver saudade”, concebida por Bebeto e Solange Corrêa. E a curiosidade fica por conta da presença do maestro Zezinho, que durante anos pertenceu ao estafe de Sílvio Santos, como arranjador em quatro das doze faixas do disco, as oito restantes ficando por conta de Clélio de Britto Ribeiro. Tudo isso fazendo deste álbum de Wanderley Cardoso um dos melhores por ele gravados, fazendo nos voltar a um tempo em que certamente podíamos cantar mais e melhor. Quem viveu essa época terá por certo momentos de feliz reminiscência, e quem só chegou depois poderá conhecer e também desfrutar de momentos agradáveis. Divirtam-se!
quem nega luz na sombra vai morrer
vem ficar comigo
haja o que houver
a sombra do passado
meu erro
fale baixinho
chove solidão dentro de mim
enquanto houver saudade
minha musa
quero ver um rosto amigo
vai embora
e vou dizer adeus mais uma vez
* Texto de Samuel Machado Filho
Cyro Monteiro – Meu Samba Minha Vida (1969)
Bom dia, meus prezados amigos cultos e ocultos! Enquanto espero o café, aproveito para ir logo fazendo esta postagem, pois se não o fizer agora, não sei se terei tempo depois. Trago hoje para vocês o grande Cyro Monteiro, figura que aqui já dispensa maiores comentários. Temos aqui um dos seus lps, lançado em 1969, “Meu samba, minha vida”. este disco, conforme nos informa Ismael Corrêa no texto de contracapa, foi produzido em dois momentos e possivelmente teria saído um ano antes. Infelizmente, na época (1968) faleceu o regente e orquestrado do disco, o fenomenal trombonista Astor Silva, deixando as gravações pela metade. O disco até então contava, além do próprio Astor na direção musical e trombone, com Canhoto e seu regional, Orlando Silveira e um bom grupo de ritmistas. Ao ser retomado, no ano seguinte, Cyro Monteiro contou com a participação também de Chiquinho do Acordeon e o côro da turma do Joab, mantendo assim a mesma ‘viber’ do início.
No repertório temos doze sambas na medida do intérprete, incluindo entre esses duas composições de sua autoria. Disco bacana, confiram aí…
Antônio Carlos Jobim, Francisco Mignone, Dorival Caymmi e Radamés Gnattli – Prêmio Shell Para A Música Brasileira (1984)
Amigos cultos e ocultos, como disse anteriormente, nosso canal de comunicação já está aberto, através da seção de comentários da cada postagem. Agora não tem mais desculpas… Mas por favor, não me venham só com pedidos de reposição de links, pois como informamos no texto lateral do site, não há reposição de links. Esses podem até voltar, mas não me comprometo em fazê-lo de imediato. Quem tiver pressa pode pedir, mas mediante a uma contrapartida, fazendo uma doação ao Toque Musical. Em breve estarei colocando um link facilitador para as doações. Daí, pode ser que as coisas por aqui voltem a funcionar com regularidade.
Segue hoje este lp promocional, que foi lançado em edição limitada, em 1984, patrocinado pela multinacional Shell, em seu evento anual “Prêmio Shell da Música Brasileira”. Este evento foi criado em 1981 e inicialmente era um incentivo a música popular e erudita brasileira, depois se focou apenas na popular. Em 1983 a os promotores culturais desse projeto resolveram lançar este lp, comemorando os 70 anos da empresa no Brasil, trazendo quatro grandes nomes da música brasileira, Antônio Carlos Jobim, Francisco Mignone, Dorival Caymmi e Radamés Gnattli, os ganhadores do prêmio em 1982 e 83.
Abilio Manoel – América Morena (1976)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Finalmente eu consegui corrigir um erro aqui no TM que há tempos tem nos impedido a comunicação, através da seção de comentários. Agora, quem quiser, já pode voltar a tecer seus comentários nas postagens. Só não vale pedir novos links para velhas postagens, pois nem sempre eu vou poder ajudar, ok?
Temos para hoje o luso-brasileiro Abílio Manoel, um grande, porém subestimado compositor, que infelizmente nos deixou há alguns anos atrás. Eu já postei aqui seu lp de 1968 e também um compacto. Desta vez, vamos com este álbum de capa dupla, lançado em 1976 pelo selo Som Livre. “América Morena” foi seu quinto lp e como o próprio nome já sugere, as composições aqui falam de coisas da América Latina, São músicas, em sua maioria, composições próprias e/ou parcerias, além de temas tradicionais do folk latino americano. Um disco muito bom. Eu recomendo!
Compactos – Deny e Dino (1973) – Guris E Marcio Lott (1978) – Marcos Moran (1967) – Mauricio Duboc (1979)


O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais uma leva de compactos simples, esses verdadeiros tesouros de sete polegadas. Os singles aqui reunidos foram lançados entre 1968 e 1979. O mais antigo é o do cantor Marcos Moran, lançado pela Caravelle em 1968. No lado A, temos “A viagem”, composição de João Roberto Kelly, e, no verso, “Bai bai”, de Carlos Imperial e Jorge Roberto. Com onze compactos simples, um duplo, três LPs e um CD como cantor-solo, Moran também participou de álbuns coletivos, sobretudo de sambas-enredos das escolas cariocas para o carnaval. Tanto que um deles, “Sonho de um sonho”, da Unidos de Vila Isabel, lançado para a folia de 1980, é até hoje obrigatório nos shows do cantor. Formada por José Rodrigues da Silva e Décio Scarpelli, ambos paulistas de Santos, a dupla Deny e Dino explodiu no cenário musical brasileiro nos tempos da Jovem Guarda, lançando hits do porte de “Coruja”, “O ciúme”, “Eu só quero ver”, “Eu não me importo” e “Meu pranto a deslizar”. Gravaram mais de 30 compactos e dez LPs, ganhando vários discos de ouro e troféus como Chico Viola e Roquete Pinto. Suas músicas também foram bastante executadas em países da América Latina. Aqui, um single da Top Tape, lançado em 1973, apresentando no lado A “Cantem comigo”, uma composição deles próprios que teve boa aceitação na época. No verso, saiu “Você precisa se acostumar”, de Mickael (produtor desse disco) e Décio Eduardo. Com a morte do Dino original, Décio Scarpelli, em 1994, Deny passou a cantar com outro parceiro, Elliot de Souza Reis, que também assumiu o cognome Dino. Em seguida temos um curioso single da Som Livre, lançado em 1978. De um lado, o grupo Guris interpreta a célebre canção de fim de ano da Rede Globo de Televisão, “Um novo tempo”, composta em 1971 por Nélson Motta e pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, cuja gravação original foi feita naquele ano pelo elenco de artistas globais da época. No verso, o cantor Márcio Lott (Belo Horizonte, MG, 1940) interpreta um grande hit de Roberto Carlos nesse tempo, “Outra vez”, de Isolda. Esta gravação foi, inclusive, tema da novela global “Dancin’ days”, de Gilberto Braga, e só foi lançada depois do LP com a trilha sonora nacional da mesma. Márcio participou de várias dessas trilhas, e, em 2003, fundou o grupo vocal Nós Quatro, ao lado de Célia Vaz, Fabyola Sendino e Ana Zinger, depois substituída por Clarisse Grova. Autor de várias composições de sucesso, muitas em parceria com Carlos Colla e quinze delas gravadas por Roberto Carlos, Maurício Duboc também gravou como intérprete. Aqui, um single que lançou em 1979, pela EMI-Odeon. No lado A, uma regravação de “Pai”, de Fábio Júnior, então sucesso na voz do autor. A faixa apareceu depois no LP-coletânea “Meu velho (Pra você, meu pai)”. No lado B, de sua parceria com Carlos Colla, “Senta aí”, também no gênero romântico. Maurício também participou das trilhas das novelas “O todo poderoso”, da Bandeirantes (1980), e “Despedida de solteiro”, da Globo (1992), além do festival MPB-80 (em que apresentou “Tão minha, tão mulher”) e do álbum comemorativo dos 60 anos de carreira do compositor Sivan Castelo Neto (1984). Enfim, mais quatro raridades para a delícia de vocês que tanto prestigiam o TM. Aproveitem…
*Texto de Samuel Machado Filho
Manduka (1979)
Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Aqui vamos nós nessa ‘dobradinha alternada’, de lps e de compactos. Hoje eu trago para vocês um disco que há muito eu estava para postar. Não entrou antes por falta de oportunidade e porque eu acabei me esquecendo mesmo. Mas, acabei ganhando o vinil do amigo Fáres e daí pude fazer uma digitalização dentro dos meus padrões e do jeito que todos gostam, completo! Temos assim, Manduka, um artista que já apresentamos aqui algumas vezes, através de seus ótimos e raros discos. Na verdade, eu já postei aqui suas primeiras gravações, discos que foram lançados no exterior, onde o artista viveu por muito anos. Este lp marca o retorno de Manduka ao Brasil, sendo ele o primeiro que ele gravou por aqui, em 1979. Para quem pegou o bonde andando, Manduka, ou Alexandre Manuel Thiago de Mello, foi um artista brasileiro, filho do poeta Thiago de Mello. Cantor, compositor e artista plástico. Foi parceiro de artistas como Geraldo Vandré e Dominguinhos. Com Dominguinhos compôs a belíssima “Quem me levará sou eu”, com interpretação marcante de Fagner. Neste lp vamos encontrar nove canções, todas de sua autoria. algumas, inclusive, regravações de trabalhos editados no exterior. Um trabalho muito bonito, mas que poucos chegaram a conhecer. Este lp ganhou força depois que começou a ‘pipocar’ nos blogs. Se depender do Toque Musical, vai continuar ‘pipocando’, pois aqui o lema é: um lugar para quem escuta música com outros olhos.
Compactos – Nerinho Silva (1967) – Noel Carlos (1970) – Rubem Gerardi (1970) – Nilza Pelegrino, Maria Aparecida e Carmem Vilar (1963)

E aí vai, para os amigos cultos, ocultos e associados do nosso Toque Musical, mais um lote de compactos, tipo da postagem sempre bem acolhida por vocês. Hoje temos quatro raríssimos tesouros de sete polegadas, para a alegria dos colecionadores.Pra começar, um compacto duplo do selo Guarani, que pertencia à editora musical Mangione, sem ano exato de lançamento conhecido e de cunho carnavalesco. Aqui, temos intérpretes não lá muito famosas, porém com ótimas qualidades vocais. No lado A, Nilza Pelegrino interpreta duas composições de Moacyr Garrafa, a marcha-rancho “Lembranças do passado” e o samba “Crueldade”, esta de parceria com Roberto Ybraim. No lado B, temos Maria Aparecida interpretando o samba “Pesadelo”, de Talvi Villaró, Vicente Rodrigues e Oswaldo Mendes, e, para encerrar, Cármen Vilar nos traz a marchinha “O embalo”, também de Talvi Villaró, desta vez sem parceiro. Carioca de Vila Isabel, Nerino (Teodoro da) Silva (1920-1979) radicou-se em São Paulo, estreando em disco pela RGE, em 1957, passando depois por várias outras companhias. Aqui o TM oferece um compacto simples da RCA Victor de 1967, no qual ele interpreta dois clássicos de nossa música popular: de um lado, o samba “Laranja madura”, do mestre Ataulfo Alves, e, de outro, “Súplica cearense”, originalmente toada-baião e aqui samba-canção, de autoria de Gordurinha e Nelinho (no selo aparece como parceiro um certo Manoel Ávila Peixoto). As duas faixas apareceram mais tarde no LP “Deixe comigo”, que encerra justamente com “Súplica cearense” e é considerado o trabalho mais conhecido de Nerino Silva em disco. Em seguida, mais carnaval, agora com Noel Carlos, apresentando um single Copacabana de 1970, para a folia de 71. Ele canta duas marchinhas que fez em parceria com João Roberto Kelly e Elzo Augusto, “Meu bem, sai da fossa (Tobogã)” e “Deixa pro ano que vem (Neném)”. Para encerrar, Rubem Gerardi em mais um single da Copacabana para o carnaval de 1971, interpretando dois sambas, “Os galhos da velha mangueira”, de Djalma da Mangueira e Orlando Gazzaneo, e “Trata da sua vida”, do próprio Gerardi em parceria com F. Conceição e A. Pereira. Autênticos e raros tesouros musicais que o TM possui a satisfação de oferecer a vocês. Aproveitem…
Noitada De Samba (1978)
Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês uma ‘Noitada de Samba’. Vamos hoje com um disco que certamente passou batido para muita gente. Coisa fina, coisa rara…
Em 1971 nascia a ideia da Noitada de Samba, um projeto musical criado por Jorge Coutinho e Leonides Bayer. Um encontro de grandes artistas da música popular brasileira que aconteceu no Teatro Opinião por mais de uma década! A Noitada de Samba surgiu em plena ditadura, sendo um foco de resistência, onde os artistas buscavam através de suas músicas expressar seus sentimentos de oposição ao regime militar. O Teatro Opinião foi palco de um espetáculo musical de samba, do artista popular, compositor e intérprete carioca. Um espetáculo que acontecia todas as segundas feiras. Pela noitada passaram dezenas de artistas, grandes nomes do samba como Adelzon Alvea, Ademildes Fonseca, Alcione, Aluisio Machado, Arlindo Cruz, Baianinho, Beth Carvalho, Carlos Lyra, Dona Ivone lara, Leci Brandão, Roberto Ribeiro, Monarco, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, João Nogueira, Martinho da Vila e tantos outros que nem dá para listar. Não somente os sambistas, mas artistas em geral, tinham no Teatro Opinião im dos poucos espaços de expressão. Foram 617 espetáculos ao longo de 13 anos. A Noitada de Samba durou até 1984, Recentemente virou um documentário, dirigido por Cely Leal, (preciso assistir!).
Este disco, um álbum histórico, reúne um pouco do que do que foi a Noitada de Samba, trazendo registros de Clara Nunes, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Odete Amaral, Xangô da Mangueira e muitos outros. É uma pena que seja um disco simples. Considerando o tempo que esse projeto durou, a centena de artistas que participaram e certamente as infinitas horas de gravação, poderiam ter gerado, no mínimo um álbum duplo. Mas é compreensível, tem sempre aquela questão dos direitos autorais, contratos de exclusividade e tantos outros obstáculos nesse grande negócio que foi o mundo da música.
Compactos – Giane (1965) – Silvana (1973)
Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM oferece hoje mais uma seleção de compactos, dessas que tanto têm agradado a vocês. Esses dois tesouros de sete polegadas que hoje lhes oferecemos foram lançados nas décadas de 1960 e 70, e trazem um repertório essencialmente romântico. O mais antigo item de nossa seleção é o compacto simples de Giane (Georgina Morozine dos Santos), uma das precursoras da Jovem Guarda. Paulista de Bebedouro, ela se mudou ainda pequena para Jaboticabal, passando a infância entre essa cidade e Ribeirão Preto, onde começou sua carreira, na TV Tupi, Canal 3, atuando também como crooner da orquestra de Jaboticabal. Seu primeiro disco, em 78 rpm, foi lançado pela Chantecler em fevereiro de 1962, apresentando o samba médio “Quero ver” e o bolero “Por acaso”. É responsável por sucessos inesquecíveis, tais como “Dominique”, “Angelita”, “Não saberás”, “Olhos tristes” (com participação especial de Barros de Alencar), “Saudade que não foi sequer saudade”, etc. Recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua carreira, como o Troféu Chico Viola, em 1964, e, um ano depois, o Roquette Pinto de melhor cantora. O TM oferece um single de Giane lançado pela Chantecler por volta de junho de 1964. De um lado, “Preste atenção (Fais attention)”, versão de Paulo Queiroz para uma balada romântica de origem francesa, que no entanto faria mais sucesso na voz de Wanderley Cardoso, sendo por sinal o primeiro grande hit do cantor. No lado B, o divertido twist “Eu não posso namorar”, de Geraldo Nunes e Roberto Muniz, com um coral à la pato Donald simplesmente hilariante. Ambas as faixas apareceriam depois no segundo LP de Giane, lançado em março de 1965. Por outro, temos o compacto duplo de Silvana (Terezinha Almeida de Oliveira, Campos, RJ, 8/7/1941). Responsável por hits como “Amor, fonte da vida”, “Espinhos da saudade”, “Novilheiro e “Pombinha branca”, formou uma bem-sucedida dupla com Rinaldo Calheiros interpretando tangos (“Cantando”, “Onde estás, coração?”, “Amor”…). Foi casada com o também cantor Marco Aurélio, já falecido, e igualmente gravaram músicas em dupla. Aqui, um compacto duplo Copacabana de 1973, no qual ela interpreta “Se tem que ser adeus… adeus”, de César e Cirus, lançada no ano anterior por Waldik Soriano, “Nunca mais eu te esqueci”, de Almir Rogério, aquele do “Fuscão preto”, em parceria com Jean Pierre, “Você é muito importante em minha vida”, composição de Cláudio Fontana, e “Avenida do amor”, de Carlos Bonani. Enfim, uma seleção com repertório flagrantemente popular, apresentando letras simples e diretas, músicas como não se fazem mais atualmente. Confiram…
*Texto de Samuel Machado Filho