Jacob Do Bandolim 6 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 53 (2013)

E aqui vamos nós com a edição de número 53 do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, a sexta dedicada ao mago do bandolim, mestre Jacob Pick Bittencourt. Desta feita, apresentamos uma seleção de 14 fonogramas preciosos, extraídos de acetatos radiofônicos. O início da gloriosa carreira do mestre foi justamente como calouro no “Programa dos novos”, da Rádio Guanabara, em 1934. Sem pretensões profissionais, alcançou a nota máxima, disputando com 28 concorrentes, e ainda com um júri do qual faziam parte Orestes Barbosa, Francisco Alves e Benedito Lacerda, entre outros. Na mesma emissora, formou o grupo Jacob e sua Gente, revezando-se com o Gente do Morro, de Benedito Lacerda, no acompanhamento dos grandes astros da época (Noel Rosa, Lamartine Babo, Ataulfo Alves, Augusto Calheiros…). Com o sucesso obtido na Guanabara, o mestre Jacob passa a ser presença constante em programas radiofônicos, tocando, em troca de cachê , nas rádios Cajuti, Fluminense, Transmissora, Mayrink Veiga (onde atuava no programa de Ademar Casé, avô da Regina) e Ipanema, depois Mauá, sendo nesta última que Jacob ganhou um programa só seu.
Bem, senhores ouvintes, a PR-GRB tem o prazer de apresentar esta seleção dos melhores momentos das audições radiofônicas de Jacob do Bandolim. Para começar, temos o choro “Dengoso”, de autoria de João Pernambuco (João Teixeira Guimarães, Jatobá, hoje Petrolândia, PE, 1883-Rio de Janeiro, 1947), gravado originalmente por ele mesmo em solo de violão, em 1930. Em seguida temos “Gadu namorando”, de Ladislau Pereira da Silva e Alcyr Pires Vermelho (não anunciado pelo locutor como parceiro). A peça tem inúmeros registros, o primeiro deles feito em 1956 pelo trombonista Raul de Barros. Passando do choro à valsa, temos “Lamento”, de Nestor Monteiro e Gilberto Santos, uma joia rara que, infelizmente, não chegou ao disco comercial. Voltando ao choro, Jacob nos oferece “Soluçando”, de Cândido Pereira da Silva, o Candinho Trombone (Rio de Janeiro,1879-idem, 1960), originalmente gravado em 1916 pelo Grupo o Passos no Choro. Em seguida temos mais uma valsa, “Adelina”, de autoria do cavaquinista Mário Álvares Conceição, o Mário Cavaquinho (Rio de Janeiro, 1861-idem, 1905), cujas primeiras gravações foram feitas ainda na fase mecânica, pela Banda da Casa Edison, sem indicação exata de anos. Depois vem um choro do próprio Jacob, “Carícia”, por ele mesmo gravado na RCA Victor em 1956. O tango “O despertar da montanha”, faixa seguinte, é certamente o mais famoso trabalho do compositor Eduardo Souto, paulista de Santos (ou São Vicente, não há certeza), nascido em 1882 e falecido no Rio de Janeiro em 1942. “O despertar” foi composto em 1919 e sua primeira gravação data de 1931, pela Orquestra Colonial. Tem vários registros, inclusive do próprio Jacob do Bandolim, feito em 1949, e é uma obra conhecida até mesmo a nível internacional. Ganhou letra de Francisco Pimentel em 1946, gravada nesse ano por Sílvio Caldas. Logo depois, os choros “Cristal” e “Diabinho maluco”, do próprio Jacob, por ele gravados, respectivamente, em 1951 e 1956. Compositor, organista e maestro, Henrique Alves de Mesquita (Rio de Janeiro, 1830-idem, 1906) comparece aqui com “Batuque”, rotulado como “tango característico” no selo da primeira gravação, feita em 1910 pela Banda do Corpo de Bombeiros na Victor americana. Já o “Choro da saudade” é de autoria de um… paraguaio! Sim, é do violonista Agustín Barrios (1885-1944), que homenageou a música e o povo de seu Paraguai natalício compondo obras modeladas a partir de canções populares das Américas Central e do Sul. “Saxofone, por que choras?” é o choro mais conhecido do clarinetista Severino Rangel, o Ratinho (Itabaiana, PB, 1896-Duque de Caxias, RJ, 1972), que também formou dupla humorística com Jararaca, de geral agrado. O choro foi lançado pelo próprio Ratinho em 1930, e tem vários registros (o próprio Jacob fez o seu em 1952). “Heróica” é outra composição do mago do bandolim, mas só seria gravada comercialmente em 1980, por outro bandolinista de renome, Déo Rian. E, para terminar, temos uma fala do próprio Jacob do Bandolim, na qual ele exalta a força de vontade e a capacidade de seus músicos acompanhantes, e elogia a acolhida que o público de São Paulo sempre lhe deu, mais que o do próprio Rio de Janeiro natal. Ah, como são as coisas… Não poderia haver melhor encerramento para esta compilação de registros radiofônicos do mestre Jacob, que certamente será muitíssimo bem recebida pelos ouvintes da PR-GRB. E semana que vem tem mais Jacob, hein? Aguardem…
TEXTO SAMUEL MACHADO FILHO

Free Jazz Festival – Brasil 86 (1986)

Olá amigos cultos e ocultos! Para não deixar o Robin Kenyatta perdido em meio a tantos e diferentes títulos nacionais, escolhi par ao domingo outro disco de jazz. Quem não se lembra do Free Jazz Festival? Um evento anual patrocinado pela Souza Cruz, a maior empresa de fumo do Brasil. Promovendo uma de suas mais populares marcas de cigarro, o Free. Nome este também dado a um estilo de jazz que teve com seus maiores expoentes figuras como John Coltrane, Rashied Ali, Sun Ra e muitos outros. Porém, longe de ser um festival de “free jazz”, este foi mesmo um fetival de música, contemplano gêneros bem variados e principalmente o jazz em sua mais ampla concepção. O Free Jazz Festival teve peo menos umas 15 edições e apresentou ao longo de todos esses anos artistas dos mais variados, nacionais e internacionais. Vingou de 1985 até 2001, provando que boa música sempre teve o seu espaço. O Free Jazz só não foi mais adiante devido a política antitabagismo que passou a ser mais intensa nas últimas décadas.
Temos aqui o que representa o ano de 1986. Ao contrário do que se esperava, este álbum, embora dúplo, não é gravado ao vivo. Uma pena. São na verdade fonogramas retirados de outros álbuns. Mesmo assim, vale a pena dar uma conferida.Temos entre os nacionais Cesar Camargo Mariano, Grupo D’Alma, Ricardo Silveira, Leny Andrade, Azymuth, Egberto Gismonti, Marcos Ariel, Turibio Santos, Paulo Moura, Rique Pantoja e Grupo Cama de Gato e até Dominguinhos

stardust – wynton marsalis
prisma – cesar camargo mariano
the lady in my lafe – stanley jordan
sonho de voar – grupo d’alma
dançador ruim – dominuginhos
rock and roll shoes – bj thomas and ray charles
may i have this dance – azymuth
little big horn – gerry mulligan
bom de tocar – ricardo silveira
casa de campo – leny andrade
sun on stairs – gerry mulligan
o trenzinho caipira – egberto gismonti
seven spanish angels – ray charles and willie nelson
mistura e manda – paulo moura
prelúdio nº3 – turíbio santos
esperançao – idriss boudioua quinteto
manaus – marcos ariel
melancia – rique pantoja e grupo cama de gato

Robin Kenyatta (Dom Salvador) – Nomusa (1975)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para não perder o hábito de postar nessa salada mista algo de novo (ou de velho), eu hoje estou trazendo para vocês um disco de jazz. Álbum importando, lançado em 1975 pelo selo Muse Records. Temos aqui o saxofonista americano Robin Kenyatta, um nome bem conhecido no mundo do jazz internacional. Gravou uma dezena de disco ótimos, sempre acompanhado por grandes nomes. Entre esses, o pianista brasileiro Dom Salvador. Foi extamente por conta da presença de Dom Salvador neste lp que ele está sendo postado aqui. Fiquei admirado com “Nomusa”, um autêntico “free jazz”, muito bem dosado. Traz Robin Kenyatta no sax alto; Dom Salvador no piano e orgão; Stafford James no contrabaixo e Joe Chambers na bateria. Dom Salvador tem neste álbum uma presença de destaque, principalmente nas faixas “Nomusa”, um fusion quase progressivo,onde ele toca orgão e em “Slow boat to China” onde ele também dá um show roubando toda a cena, mesmo com Kenyatta em dose dupla. Disco bem agradável de se ouvir, mesmo para quem não é lá muito fã de jazz. Pessoalmente, achei ótimo e recomendo…

nomusa
warm valley
slow boat to china
afternoon outing
prettyside avenue

Marlui Miranda – Rio Acima (1986)

Olá amigos cultos e ocultos! Abril é um mês complicado para mim. Sempre cheio de muita coisa para fazer, daí não sobra tempo para o blog e nem para responder às solicitações. Estou, dentro do possível, repondo os links pedidos. Tenham paciência e enquanto isso, vão curtido as novas postagens.
Hoje, sexta feira, venho trazendo mais uma produção independente. Pela primeira vez estou postando aqui no Toque Musical um disco da cantora e compositora cearense Marlui Miranda. Já passava da hora de termos aqui algum trabalho desta artista, que também está entre as minhas favoritas. Marlui tem um trabalho muito próprio, uma música voltada para as questões indígenas e ecológicas. Suas pequisas nessas áreas lhe renderam um reconhecimento internacional e vários prêmios. Trabalhou em filmes e documentários, criando diversas trilhas. Já tocou e se apresentou ao lado de grandes nomes como Egberto Gismonti, Gilberto Gil, Nana Vasconcellos e internacionais como Jack De Johnette e John Surman.
“Rio Acima” foi seu terceiro álbum e traz além de suas composições, músicas como o clássico “Na asa do vento”, de Luis Vieira e João do Vale e também “Volto prá curtir”, de Jards Macalé e Waly Salomão.

na asa do vento
tininim
morena bonita
volto prá curtir
lavandeira
na zagaia
do pilá
neliandra
no tempo do espicho

Ary Toledo – Compacto (1965)

Gente culta e oculta, bom dia! Estou hoje tão corrido que até me esqueci dos amigos… Enquanto tomo o meu café, aqui vai o post do dia, um simples compacto para não demorar… Se à noite ainda sobrar um tempinho, incluo outro disquinho para complementar a ‘dieta’.
Segue aqui este compacto do Ary Toledo, quando ele era antes mais cantor/compositor do que comediante, muito embora, em toda a sua trajetória, o humor sempre foi pontual. Temos aqui este compacto simples, lançado pela Fermanta em 1965. Vamos encontrar nele duas músicas de sucesso, a ótima “Pau de arara”, composição de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes que retrata as desventuras de um nordestino na praia do Copacabana. Seria triste se não fosse cômico. E também “Tiradentes”, composição de Ary e Chico de Assis, contando a história de Joaquim José da Silva Xavier, numa moda de viola nordestina. Não fosse o personagem o Tiradentes, talvez essa música não passasse pela censura. Mas aqui, desobediência civil (e também militar) pôde ser contada com duplo sentido, ou num entendimento mais crítico, sei lá…
Vai também incluido no pacote o compacto de 1969, já postado aqui há algum tempo atrás, trazendo as faixas “Maria Clara” e “O que será que as outras tem que a linda não tem?”.

pau de arara
tiradentes
maria clara
o que será que as outras tem que a linda não tem

Antonio Carlos Barbosa Lima – Viola Brasileira – Concerto Em Hi Fi (1963)

Olá amigos cultos e ocultos! Andei dando uma filtrada nos comentários através de uma outra configuração para evitar os ‘spams’, mas pelo jeito espantou também os ‘cultos’. Mas tudo bem… acho que já estou começando a exigir demais de vocês.
Para darmos sequencia nesta quarta feira, eu estou trazendo este raro e belísimo álbum lançado pela Chantecler em 1963. “Concerto em Hi Fi – Viola Brasileira”. Um disco gravado pelo excepcional violonista Antonio Carlos Barbosa Lima, acompanhado por orquestra e regência do maestro Armando Belardi. Nele é apresentado pela primeira vez o “Concertino para Viola Brasileira e Orquestra de Câmara” e “7 Prelúdios (6 nos modos da viola)”, do compositor, também mestre de Barbosa Lima, Theodoro Nogueira. Para quem gosta de viola, este disco é obrigatório, pois foi talvez a primeira incurssão da viola caipira no campo da música erudita. O disco é um registro de um concerto realizado na época, no Teatro Municipal de São Paulo. Um trabalho belíssimo, pouco explorado e conhecido do público, mesmo naqueles tempos…
concertino para viola brasileira e orquestra de câmara:

alegro moderato
andante expressivo
festivo
6 prelúdios (nos modos da viola):
lentamente
bem ritmado
lento – animado – lento
vagaroso
vivo
moderado – ligeiro
prelúdio nº 7 (bem chorado)

Trio Surdina – Boleros Famosos Vol. 1 (1955)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Há uns dois anos atrás eu postei aqui um disco do Trio Surdina. Foi a primeira vez que publiquei um trabalho desse trio maravilhoso, formado por Garoto, Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeom. Na época, o disco em questão era “Boleros Em Surdina – Vol. 2”. Eu postei ele meio que incomodado por iniciar justamente com o volume 2. Naquele momento eu não tinha em mãos (e nem em pratos) o primeiro volume. Ficamos assim na pendência, até que hoje, procurando o que postar, dei de cara com o procurado volume 1. Meu engano foi por conta da capa, são bem semelhantes, o que muda são apenas as cores da ilustração. Nem me toquei para o detalhe. Mas, como dizem, nunca é tarde para ser feliz. Como em 1954 o trio original se desfez, por conta da morte de Garoto, Nilo Sérgio, o produtor, resolveu manter o nome Trio Surdina com outros músicos e com esses veio a lançar mais uma série de discos. Eu, tenho para mim, que “Boleros Famosos”, tanto o vol 1 como o 2 são com o trio original. Que tal a gente ouvir e comentar, heim? Quem quiser também pode dançar 😉

usted
sinceridad
cancion del alma
solamente una vez
un minuto
contigo
angelitos negros
pecadora

Jacob Do Bandolim 5 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 52 (2013)

Este é o quinquagésimo-segundo volume do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, e o quinto dedicado ao riquíssimo legado deixado por esse autêntico mestre das cordas que foi Jacob do Bandolim. E com ele, retomamos a apresentação de registros comerciais de Jacob, uma vez que, como os amigos cultos, ocultos e associados do TM se recordam, no volume anterior tivemos gravações domésticas extraídas dos “saraus” que o mago do bandolim promovia em sua casa no bairro carioca de Jacarepaguá.

São doze preciosas gravações, todas evidentemente feitas na RCA Victor. Abrindo nossa seleção desta semana, um choro do próprio Jacob, “Ciumento”, gravação de 14 de março de 1955, lançada em maio do mesmo ano, disco 80-1434-B, matriz BE5VB-0700. Em seguida, outra joia do choro concebida por ele mesmo, “Sempre teu”, gravada em 13 de junho de 1955 e lançada em agosto seguinte com o número 80-1476-A, matriz BE5VB-0769. Depois tem a música do verso desse disco, matriz BE5VB-0770, uma regravação do choro “Um a zero”. Ele foi composto por Pixinguinha em 1919,  por ocasião da conquista do Campeonato Sul-Americano de Futebol pelo Brasil, que derrotou o Uruguai exatamente por essa contagem, gol de Arthur Friendenreich. A primeira gravação, no entanto, só saiu em 1946, com o próprio Pixinguinha ao saxofone em dueto com a flauta de Benedito Lacerda, que entrou como parceiro na música por acordo comercial que existia entre ambos. Jacob recorda logo depois o “tango brasileiro” “Amapá”, de Juca Storoni (João José da Costa Jr., Rio de Janeiro, 1868-idem, 1917), cujo primeiro registro deu-se em 1909, na Victor americana, pela Banda do Corpo de Marinheiros Nacionais. Jacob fez seu registro em 13 de janeiro de 1956, com lançamento em março seguinte sob n.o 80-1565-B, matriz BE6VB-0942, e voltaria a gravar “Amapá” em 1960, no LP “Na roda do choro”. O registro do “ponteado” “De Limoeiro a Mossoró”, do próprio executante, data de 13 de março de 1956, com lançamento em maio seguinte sob n.o 80-1596-A, matriz BE6VB-1015. Outra obra-prima do mestre é “Carícia”, choro que ele gravou em 13 de julho de 1956, com lançamento em setembro do mesmo ano, com o n.o 80-1667-B, matriz BE6VB-1214. Temos em seguida outra demonstração do apreço de Jacob ao carnaval pernambucano, com o frevo “Buscapé”, gravado em 14 de setembro de 1956 e lançado em novembro (certamente com vistas à folia recifense de 57) sob n.o 80-1706-A, matriz BE6VB-1305. Apresentamos também o verso desse disco, matriz BE6VB-1306, outro frevo, só que de Jonas Cordeiro, “Pimenta no salão”. Um clássico do mestre Pixinguinha, o choro “Sofres porque queres” foi por ele composto inspirado em uma briga conjugal! Ele próprio o gravou pela primeira vez com sua flauta, em 1917, e o regravaria ao saxofone junto com o flautista Benedito Lacerda (que recebeu co-autoria) em 1946. Onze anos depois, a 10 de julho de 1957, Jacob do Bandolim gravou esta sua versão, lançada em setembro seguinte com o n.o 80-1845-A, matriz 13-H2PB-0165. Do limiar de 1958, em 17 de janeiro, é a gravação de Jacob para seu choro “Implicante”, lançada em abril do mesmo ano com o n.o 80-1930-A, matriz 13-J2PB-0339. O maxixe “Fubá”, motivo folclórico adaptado por Romeu Silva, surgiu em 1925, em gravação do cantor Fernando Albuquerque, e é revivido por Jacob em registro de 26 de agosto de 1959, lançado em novembro seguinte com o n.o 80-2125-A, matriz 13-K2PB-0736. A voz que se ouve vocalizando o refrão junto com o coro é a do próprio Jacob! Para finalizar, o lado B desse disco, matriz 13-K2PB-0737: o choro “Velhos tempos”, outra composição própria do mestre com a qualidade habitual. E atenção: nas próximas duas semanas, teremos mais tesouros preciosos gravados pelo mestre Jacob do Bandolim. Aguardem!

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Marku Ribas – Marku (1973)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Domingo triste esse… Ontem a noite faleceu o Mestre Marku Ribas, vítima de um câncer. Ele estava nessa peleja desde o ano passado, quando então foi contatada a doença. Imagino como deve ter sido a barra neste seu último ano, principalmente sendo ele um cara tão ativo e irriquieto. Tive o prazer de conviver com ele em várias situações. Chegamos certa vez a dividir um quarto num hotel em Diamantina, quando então participavamos de um Festival de Inverno, da UFMG. Ele era realmente um Ser Musical, até nas nossas conversas a coisa rolava em forma de música. Sempre batucando com as pontas dos dedos, caminhavamos pelas ladeiras geladas da cidade. Numa dessas noites viramos sozinhos uma garrafa de whisky. Eu nem acreditei que tivesse bebido tanto. Mas ainda bem que foi um scotch, pois se fosse vodka eu nem nem lembraria desse caso. Pois é… a vida é assim, as coisas são assim… Tô mesmo muito triste 🙁
Em sua homenagem, faço aqui este post, trazendo o que foi um de seus primeiros trabalhos, lançado em 1973 pelo selo Underground (que muitos pensam ser o nome do trabalho).O disco foi uma produção dirigida por Cesare Benevenutti e contou arranjos e regências do maestro Erlon Chaves e supervisão musical de outro maestro, Leo Peracchi. No álbum vamos encontrar um repertório inteiramente autoral, com um originalidade abusiva e influências das mais distintas, fruto de suas pesquisas viajando pela Africa e Caribe. O álbum, em sua primeira edição saiu em capa dupla. Teve alguns problemas com a Censura, mas malandro que é malandro não bobeia… Conseguiu fazer o disco assim como queria. Aqui, o grande destaque é a faixa “Zamba Ben”, música que a cada nova década ganha mais admiração, atualíssima!
Este disco, assim como toda a discografia do artista, voltou à tona muito graças ao trabalho de divulgação em blogs e sites especializados. E isso que eu estou dizendo são praticamente as palavras do artista.
Valeu Mestre! Vai com Deus! Vai tocar ao lado de tantos outros que se foram, lá no céu.
zamba ben
5,30 schoelcher
o adeus segundo maria
n’biri n’biri
porto seguro
pacutiguibê iaô
madinina
matinic moins
orange lady

Projeto UniMúsica (1984)

Boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Já faz um bom tempo que eu não pego uma gripe, desta vez ela veio com vontade. Não fosse o meu empenho, hoje não teríamos postagem. Mas vamos lá…
“Unimusica: Espaço Aberto Para o Som” foi um projeto musical que aconteceu em Porto Alegre nos anos 80, promovido pela Univesidade Federal do Rio Grande do Sul. Era, como nos informa o texto de contra capa, um espaço aberto a todas as manifestações musicais da comunidade universitária da UFRGS. Acontecia todas as sextas feiras no final da tarde, trazendo para apresentações diferentes artistas daquele Estado. Foram vários os artistas que se apresentaram no palco da Unimúsica e este lp é um resumo de tudo isso. Disco bacana, cheio de músicas boas, com artistas da melhor safra daquela época. Confere aí que eu de cá já vou me deitar. Mais uma aspirina, por favor…
horizontes (bailei na curva) – elaine geissler
porque ela me chama de pequeno – nelson coelho de castro
bicho – luis felipe franco
no, no chace – ney lisboa
êxodo – totonho villeroy
aves daninhas – victor hugo e geraldo flack
majestic – kim ribeiro
cantar – grupo canto livre
passarada – gloria oliveira
preconceitos e teoremas – josé luis galia
joana araguaia – paulo gaiger
tangará – os posteiros

Chico Lessa – No Tom De Sempre (2009)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Chegamos então à sexta feira, o melhor dia da semana! E hoje eu espero que seja mesmo. Esse tempo nublado não vai molhar o meu chapéu 🙂
Como tradicionalmente a sexta é dia de artista/disco independente, eu venho trazendo para vocês um disco nota 10, lançado em 2009 e pouca repercussão teve na época. Eu mesmo, não conhecia. Não conhecia este trabalho, mas o Chico Lessa é figurinha carimbada, cantor e compositor, um artista que tem sua trajetória associada ao pessoal do Clube da Esquina, aos festivais e agitos musicais cariocas daqueles anos 70. Eu sempre pensei que o Chico fosse mineiro, mas o cara é capixaba, nasceu em Vitória. Tomei um baita susto ao vê-lo nas fotos deste cd. Me lembro dele magrinho, meio hipponga. De repente me aparece assim, quase careca, de cabelso brancos… caraí… o tempo passou mesmo! Mas, considerando o inevitável, ele até que está muito bem e melhor ainda nessa produção feita pelo amigo Toninho Horta. Bom, por aí já dá pra imaginar o que temos neste cd. “No mesmo tom de sempre” é um trabalho que contempla (claro!) as composições de Chico, algumas, inclusive, em parcerias. Esta que dá nome ao disco, por exemplo, é uma música que ele fez em parceria com o Márcio Borges e foi incluida no disco “Os Borges – Em Famíla (1980)“. Como se pode ver pela contracapa são ao todo doze músicas, com participações super especiais de outros artistas como Carlar vilar, Yuri Popoff, Rudi Berger, Tatta Spalla, Robertinho Silva, Chico Amaral, Lô Borges, Juarez Moreira, Nivaldo Ornellas… e tem mais… inclusive o Toninho Horta, claro!
Quem quiser saber mais sobre o Chico Lessa e também sobre o lendário Clube da Esquina, sugiro uma visita ao blog Museu Clube da Esquina. Tem muita história para contar 🙂
Se alguém estiver interessado em comprar o cd, ainda é possível adquiri-lo através do site da Música Que Vem De Minas.

cá entre nós
ciúmes do rei
puxando o trem
poucas e boas
no tom de sempre
mesmo assim
vitória blues
sinal verde
groove do suá
samba do caxinguelê
seu fã
veneciano ausente

Dolores Duran – Canta Para Você Dançar (1957)

Muito bom dia a todos os amigos, mais ocultos do que cultos! (afinal, comentários contextualizados não andam rolando muito por aqui). Não sei vocês perceberam, mas nesta semana eu estou alternando, um dia para eles, outro dia para elas (e todos os dias para nós, é claro!)
O toque de hoje é com a cantora e compositora Dolores Duran, um nome já bem divulgado por aqui, inclusive, boa parte deste repertório volta a se repetir. Mesmo assim, eu achei por bem de postar o álbum original com capa da época. Este disco, óbvio, já foi relançado outras vezes, creio inclusive que já tenha saído também em cd (mas quem é que está procurando cd por aqui?). Certo é que “Dolores Duran Canta Para Você Dançar” é um disco ótimo. Conforme se pode ler no texto da contracapa, este foi o terceiro álbum de Dolores lançado pelo selo Copacabana, em 1957. “Canta Para Dançar Com Você” teria no ano seguinte um segundo volume (logo que der eu posto aqui para vocês). Creio que não seja necessário entrar em detalhes sobre o conteúdo musical deste lp, na contracapa, como vocês verão há uma descrição de cada uma das faixas. Pessoalmente, neste disco, o que mais me agrada são as músicas de Billy Blanco, que no álbum formam quatro. Não posso esquecer também da cereja do bolo, a faixa “Por causa de você”, de Dolores e Antonio Carlos Jobim. A cantora neste lp vem acompanhada por Severino Filho e seu conjunto. É dele também todos os arranjos. Um belo disco, independente qualquer coisa, essencial nas fileiras do Toque Musical 😉

scapricciatiello
por causa de você
ohô-ahá
quem foi
feiúra não é nada
que mormuren
coisas de mulher
viens
conceição
se papai fosse eleito
mi ultimo fracasso
camelot
only you
estatuto de boite

Paulo Cesar Pinheiro (1974)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Acordei hoje com uma sensação estranha, um misto de decepção e alívio que ao final se resume numa angústia. Bom, não quero falar disso não… O dia mal começou… Por isso mesmo, hoje eu estou postando um disco mais ao gosto do Augusto aqui 🙂 As vezes eu preciso ouvir coisas como a poesia de Paulo Cesar Pinheiro para exorcisar as ‘inhacas’. Como ele mesmo diz: “quando um muro separa, uma ponte une…”
Olhaí, que beleza de álbum! Quem conhece sabe, quem não sabe, precisa ouvir. Mais uma vez, marcando presença no nosso Toque Musical, um dos maiores letristas da MPB, hoje talvez o melhor, Paulo Cesar Pinheiro. Temos aqui este que foi o seu primeiro lp, gravado em 1974. Nessa época ele já era considerando um grande compositor (letrista) e prova disso são as músicas que fazem parte deste álbum. É nele que iremos encontrar alguns de seus grandes êxitos ao lado de parceiros como Eduardo Gudin, Maurício Tapajós, Baden Powell, João de Aquino e Miltinho (do MPB-4). Disco nota 10, recomendadíssimo!

maior é deus
bandoneon
eu não tenho ninguém
sagarana
falei e disse
besouro mangangá
lapinha
viagem
cicatrizes
recado do poeta
pesadelo
maior é deus

Dalva De Andrade – Amor E Ciúme (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Diante a penca de ‘spams’ que venho recebendo na seção de comentários das postagens do blog, achei por bem dar uma filtrada temporária, só para ver se esses idiotas se tocam e param de ficar enviando mensagens que nunca chegarão a serem publicadas aqui. Isso, sem dúvida não me afeta e nem trabalho me dá para excluí-los, mas as vezes a gente tem que fechar as portas para mostrar quem manda aqui. Comunicação nesse período, somente via e-mail. Não sabem não? Então dêem uma boa conferida no blog. Tudo que vocês precisam saber está aqui, basta procurar e ler, ok?
Bom, hoje vamos com a cantora Dalva de Andrade, que não é a primeira vez que aparece aqui no Toque Musical. Trago para vocês “Amor e Ciúme”, álbum lançado pela Odeon em 1961. Neste disco, para não variar, iremos encontrar aquele mesmo repertório romântico que sempre acompanhou a cantora. Porém, o que mais me agrada são músicas como o samba “Mente”, de Armando Cavalcanti; a versão de Romeo Nunes para “Cubanacan”, ou melhor ainda, a canção que abre o disco, “Benedito”, de Edson e Leila de França.

benedito
uma vez mais
onde estás meu amor
a volta
quando um amor se acaba
se você se importasse
cubanacan
súplica
mente
amor e ciúme
deixei de sorrir
meu lago azul

Jacob Do Bandolim – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 51 (2013)

E chegamos à edição número 51 do Grand Record Brazil, apresentando a quarta e última parte desta retrospectiva dedicada a este mestre das cordas que foi Jacob do Bandolim. E neste volume, o acervo do pesquisador Sérgio Terra nos revela 20 gravações que nunca foram lançadas comercialmente, feitas em gravador doméstico durante os antológicos “saraus” que o mestre promovia em sua casa, no bairro carioca de Jacarepaguá, semanalmente. Abrindo esta seleção, a valsa “Quando me lembro”, de outro bandolinista famoso, Luperce Miranda (1904-1977), por ele próprio gravada originalmente em 1932. O choro “Murmurando”, que vem em seguida, não é a famosa composição do maestro Fon-Fon, parece ser um outro choro do próprio Jacob. “O voo da mosca”, também do mestre, é uma réplica ao “Voo do besouro”, de Rinsky e Korsakov, e seria por ele gravada na RCA Victor em 1962, no álbum “Primas e bordões”. “Mariposa da luz” é da pianista e professora de música Neusa França, só gravado comercialmente em 1973, pelo citarista Avena de Castro. Na faixa 6, outro clássico do choro, “Flor do abacate”, de autoria de Álvaro Sandim (1862-1919), surgido em 1913, na fase mecânica de gravação, em registros do Grupo Faceiro e dos Chorosos do Abacate. Jacob do Bandolim o gravou duas vezes pela RCA Victor, em 1949 e 1960. E já que, neste 2013, comemoramos os 150 anos de nascimento do compositor e pianista Ernesto Nazareth (1863-1934), ele comparece nesta seleção de inéditas do mestre Jacob com uma de suas obras mais famosas, a polca-choro “Apanhei-te cavaquinho”, faixa 4, surgida em disco no ano de 1916, na gravação do flautista Passos, e inúmeras vezes regravada, inclusive pelo próprio Nazareth em solo de piano. Temas clássicos também batem ponto nesta seleção: a “Valsa número 7 de Chopin” (temos também a “número 1”) e as “Czardas”, do italiano Vittorio Monti (1868-1922). “Noites cariocas” é outro choro clássico do mestre Jacob, por ele lançado em 1957 e com inúmeras regravações, sendo até hoje peça obrigatória no repertório de qualquer “chorão”. “Receita de samba” e “Vibrações” são outras composições muito apreciadas do mago do bandolim, e foram por ele gravadas na RCA Victor em 1967, no excelente álbum “Vibrações”. Um certo doutor Formiga (quem seria?) recita um “Poema para Jacob”, por ele feito em justa homenagem ao mestre. Chico Buarque comparece aqui com “Carolina”, composição surgida em 1967 no Terceiro Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, defendida por Cynara e Cybele, recém-saídas do Quarteto em Cy. Jacob muito admirava Chico, e previu, acertadamente, que ele “atravessaria os anos”. O mestre também apresenta sua valsa “Santa Morena”, cuja gravação comercial, de 1954, está no volume 3 de nosso retrospecto. A clássica valsa “Velho realejo”, de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, é outro clássico de nosso cancioneiro, e foi lançada em 1940 na voz de Sílvio Caldas, sendo várias vezes regravada. Outro clássico é “Três estrelinhas”, de autoria de Anacleto de Medeiros (1866-1907), músico, compositor, fundador e regente da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Recebeu depois letra de Catulo da Paixão Cearense, sendo rebatizada como “O que tu és”. Antônio d’Áuria (1912-1988) aparece como uma espécie de convidado especial, nas faixas “Poesia e amor”, de Mário Álvares Conceição, só gravada comercialmente em 1976 por outro bandolinista, Déo Rian, e “Helena”, valsa de Albertino Pimentel, surgida ainda no tempo da gravação mecânica, em 1909, em execução da já mencionada Banda do Corpo de Bombeiros carioca. Encerrando esta seleção tempos “Marilene”, choro de Pixinguinha e Benedito Lacerda, por eles próprios lançado em 1950, com o mestre Pizindim ao saxofone e Benedito à flauta (na verdade a música é só de Pixinguinha, e Benedito entrou como parceiro por acordo comercial entre ambos). Enfim, um tesouro raro, de notável importância histórica, que o GRB oferece a tantos quantos apreciem a boa música instrumental brasileira. As 122 fitas cassetes gravadas por Jacob do Bandolim durante seus “saraus” foram doadas ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, e aqui apresentamos uma preciosíssima amostra deste trabalho. Bom divertimento!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Angela Maria – Quando Os Maestros Se Encontram Com Angela Maria (1957)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Bom dia e boa Páscoa, é claro! O dia não está lá uma beleza, o céu está fechado e São Pedro logo vai mandar aquela ducha para melar de vez o domingo. Mas quem tem em casa um bom chocolate, pode ficar na boa, comendo ovos de Páscoa… naquele laricão… Melhor ainda quando se pode também ouvir uma boa música. Eu como sempre, bem acompanhado, posso me dar ao luxo de escolher a vontade 🙂 Escolher para mim, e para vocês também. Hoje eu vou ficar aqui ouvindo só Jards Macalé e Paulo Vanzolini. Pensei até em postar algum disco de um desses artistas, mas como ainda estou no embalo e promessa de trazer cantoras, vamos dar sequência…
Separei para hoje este raro álbum da cantora Angela Maria, um disco que podemos considerar histórico dentro do mundo fonográfico. Foi um dos primeiros discos de 12 polegas lançado pela gravadora Copacabana. Foi uma superprodução, um dos discos mais caros a ser realizados naquela época. Isso por conta da ousadia de seus produtores em fazer um disco onde foram escalados oito grandes maestros e suas orquestras para acompanharem Angela Maria. O disco se divide em oito faixas, trazendo um repertório fino, que agrada em cheio e para um público além de tietes da cantora. É interessante notar como cada música se torna especial, com características próprias, sob os arranjos e regências dos mestres Gabriel Migliori; Guaraná; Léo Peracchi; Gaya; Lyrio Panicalli; Renato de Oliveria; Severino Araújo e Sylvio Mazzucca. Não deixem de conferir. Comentários também são bem vindos 😉

dora – com severino araújo
aos pés da cruz – com lindolph gaya
adeus – com renato de oliveira
saia do caminho – com léo peracchi
carinhoso – com lyrio panicalli
promessa – com gabriel migliori
caminhemos – com gustavo de carvalho (guaraná)
canta brasil – com sylvio mazzucca

Dora Lopes – Minhas Músicas E Eu (1965)

Olá, amigos cultos e ocultos! Agora que eu entrei no embalo, vamos continuar com as vozes femininas dando o toque musical. Hoje eu trago para vocês a cantora e compositora carioca, Dora Lopes, uma artistas que iniciou sua carreira ainda bem moça, nos anos 40, se apresentado em casas noturnas. Seu primeiro disco ela gravou no início dos anos 50. Passou por diferentes gravadoras, lançando ao longo de sua carreira 19 bolachas de 78 rpm e 3 lps. Entre os ‘long plays’, lançou este em 1965, pela Copacabana, onde ela pela primeira vez apresenta um trabalho totalmente autoral, em parceria com outros compositores.
Taí um disco que eu mesmo estou conhecendo agora. Não fosse por esta postagem ele ainda iria ficar um tempo na estante me esperando para ser ouvido. Estão vendo? É também assim que eu escuto e conheço velhos e novos discos. Produzir este blog é isso, um eterno aprendizado musical. 🙂

dona solidão
ambiente diferente
recalque noturno (eu sou a madrugada)
canção do que você é
dúvida
pintura manchada
meu alguém
com dolores no céu
meu samba triste
se arranca que vem chuva
lavadeira tem filho doutor
madrugada zero hora

Claudette Soares – A Dona Da Bossa (1987)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Geralmente, quando estou fazendo alguma postagem, tenho sempre ao meu lado alguns ‘cúmprices-críticos’ dando seus ‘pitacos’, antes mesmo de ver a coisa publicada. Nessa semana já criticaram (em tom de gozação) o fato de eu estar postando um disco da cantora Carmen Silva. Gritaram da cozinha: “olha o público!” Caraí.., parece até que não conhecem o Augusto aqui e seu Toque Musical! Muito menos a máxima: “Um lugar para se ouvir música com outros olhos”. Agora, ouvi lá da sala a mesma voz dizendo (também em tom de gozação): “aí, heim? se redimindo…” Sinceramente, essa eu não entendi…
Bom, vamos toque… hoje eu trago para vocês a cantora Claudette Soares em seu primeiro lp. Na verdade, trata-se de um relançamento feito nos anos 80 através do selo Imagem, do lendário Garoto da Lua, Jonas Silva. Como já disse, em outra ocasião, Jonas criou esse selo para lançar, em especial artistas e discos de jazz. Relançou diversos álbuns, alguns inclusive nunca tiveram antes lançamento no Brasil. Na década de 80 ele relançou entre outros este que foi o primeiro lp gravado pela cantora Claudette Soares. O álbum originalmente saiu em 1964 pelo selo pernambucano Mocambo, gravadora a qual Jonas também trabalhou como produtor musical. O lp saiu com uma capa diferente, com a foto recortada e sem o título original. Ao que parece este relançamento foi bem oportuno, pois veio numa fase de ostracismo da cantora e resgatava um de seus mais belos trabalhos. Aqui encontraremos um repertório essencialmente de bossa nova e para época, da melhor qualidade. Quem ainda não ouviu, faça-me o favor…

pra que chorar
azul contente
samba do avião
sem você
ah, se eu pudesse
tristeza de nós dois
garota de ipanema
samba só
crediário do amor
bossa na praia
evolução
conselho a quem quiser voltar

Alaide Costa – Canta Suavemente (1960)

Olá amigos cultos e ocultos! É… definitivamente eu chego a conclusão de que as pessoas que passam por aqui, em sua maioria, não lêem os conteúdos das postagens e muito menos as informações e orientações de uso do blog. Seria, para mim, apenas lamentável não fosse também uma amolação, pois estou sempre tendo que explicar o óbvio. Não seria mais fácil simplesmente ler o que está escrito no Toque Musical? Estão perdendo tempo… Inclusive, aproveitando o ensejo, quero deixar claro e avisado aqui também (e mais uma vez) que a configuração de participação dos associados ao GTM deve ser SEMPRE e EXCLUSIVAMENTE a de não receber e-mails do grupo. Muitos, aos se associarem, marcam lá nas opções o recebimento de mensagens (ou links), mas isso não está valendo. Todos, ao se inscreverem, são automaticamente redefinidos para essa opção. Aqueles que teimam, entram no site do GTM e muda suas configurações de recebimento, logo que assinalados têm seus e-mails banidos. Por isso, peço a todos que fiquem atentos. Que leiam e aceitem as condições deste blog, ok? O Toque Musical só tem sentido se houver participação, o famoso ‘feed-back’.
Bom, para hoje eu estou trazendo um disco de uma das minhas cantoras favoritas. Se até hoje eu não andei postando muitos discos dela aqui, foi apenas por descuido, ou mesmo porque sempre podemos encontrar sua voz cantando em outras fontes. Mas dessa vez, movido pelo embalo do canto feminino da semana, achei por bem trazer para o nosso lado outro disco da Alaide.
Temos aqui o “Alaide Costa, Canta Suavemente”, álbum lançado em 1960 pela RCA Victor. Este foi o segundo ‘long play’ gravado pela cantora, mantendo um inquestionável bom gosto de repertório, com músicas como “Esquecendo você”, de Tom Jobim; “Complicação”, de Ronaldo Boscoli e Chico Feitosa; “Chora tua tristeza”, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini; “Dindi”, de Aloysio Oliveira e Jobim… Putz, só tem coisa boa aqui! Entre outras, era também a Bossa Nova se manifestando na voz de uma das maiores cantoras do Brasil! Melhor listar logo a baixo todas de uma vez 🙂

esquecendo você
complicação
história de nossa história
ciúme
é mentira nosso adeus
chora tua tristeza
dindi
jura de pombo
o nosso olhar
dê-me o braço
discussão
fim de noite

Dulce Nunes – Dulce (1965)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aqui vamos nós com mais uma toque musical. Sempre trazendo raridades e curiosidades da fonografia nacional. E para comemorar o feriadão que vem chegando (o meu já começa amanhã) e também para levantar a moral e contrabalancear a programação postal (hehehe…), eu trago para vocês esta jóia de disco, a bela Dulce Nunes numa produção de Roberto Quartin e seu sofisticado selo Forma. Beleza de lp, lançado em 1965. Traz um repertório da melhor qualidade e participações prá lá de especiais, além dos arranjos e regência do maestro Guerra Peixe. Entre os músicos participantes temos Baden Powell, recém chegado da Europa, trazendo além de seu violão, uma série de músicas, composições em parceria com outros grandes, que fazem parte deste álbum. Nota 10!
cântico
bom dia amigo
canção da minha amanda
canção em modo menor
estrada branca
derradeira primavera
canção do amor ausente
minha desventura
canção de ninar meu bem
eurídice
onde está você?
soneto da separação

Carmen Silva E Los Bronces – Sabor Romântico (1981)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Como sempre na correria, sem tempo nem para um café descente, aqui vou logo cedo, dando o toque desta terça feira. Puxando dos meus ‘arquivos de gaveta’, no sorteio veio este para a alegria dos ultra românticos, apaixonados por boleros. Curioso… À medida em que a gente vai ficando mais velho, começa a gostar daquelas coisas que antes chegavamos até a criticar. Eu, pessoalmente nesse sentido, sou um cara muito bem resolvido, escuto tudo sempre com outros olhos. Daí, vem o ecletísmo musical nacional do Toque Musical (putz, deu até rima!), hehehe…
Olha aí, vamos hoje com este lançamento da RCA, trazendo a cantora Carmen Silva, acompanhada pelo trio Los Bronces, do produtor, maestro e compositor argentino, Pepe Avila. Neste álbum, por sinal muito bem produzido, temos uma seleção de boleros famosos, como uma interpretação impecável de Carmen. Eu confesso que pouca coisa conheço desta cantora, mas entre os discos dela que já ouvi, este foi o que me pareceu melhor. Nada como um bom produtor e uma boa gravadora para elevar um artista. É nesse momento que a gente vê a capacidade do artista. Bom, estou dizendo isso de uma produção fonográfica que existiu até a década de 80. Depois disso, tudo ficou mais fácil e ordinário (com raras exceções!)

o dia que me queiras
nunca jamas
vem perto de mim
sabor a mim
contigo na distância
estou perdendo a cabeça por você
contigo
contigo aprendi
sejas bem feliz
onde estás coração
angústia
uma aventura a mais

Jacob Do Bandolim 3 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol 50 (2013)

É com muita alegria que estamos de volta com o Grand Record Brazil, a divisão de 78 rpm do TM, para alegria de nossos amigos cultos, ocultos e associados. E nesta quinquagésima edição, apresentamos a terceira parte desta retrospectiva de gravações do genialíssimo Jacob do Bandolim, este que sem nenhuma dúvida foi um autêntico mestre das cordas. Todas as gravações, evidentemente, são da RCA Victor, feitas entre 1953 e 1955, do acervo do colecionador Sérgio Prata, a quem novamente agradecemos a cortesia. Em ordem de lançamento, são estas as 13 joias que lhes apresentamos: para começar, o lado B do disco 80-1163 (faixa 11 de nossa sequência), o choro “Pardal embriagado”, de Patrocínio Gomes, gravação de 14 de maio de 1953, lançada em julho seguinte, matriz BE3VB-0122. Em seguida, o disco 80-1214, gravado em 13 de agosto de 1953 e lançado em outubro seguinte: abrindo-o, matriz BE3VB-0235, o baião “Brotinho”, faixa 12 de nossa sequência, composto por nada mais nada menos que seu filho Sérgio Bittencourt, que seria também cantor e compositor (autor de clássicos como “Eu quero”, “Canção a medo”, “Modinha” e, naturalmente, “Naquela mesa”, em homenagem póstuma a seu pai), além de colunista de jornais e revistas. Jacob o executa ao vibraplex (instrumento que ele mesmo criou, um violão-tenor ligado a um órgão Hammond, que tinha som parecido com os dos atuais sintetizadores), e esta foi a primeira composição gravada do filho Sérgio. No verso, matriz BE3VB-0236, uma primorosíssima execução de Jacob para a clássica valsa “Rapaziada do Brás”, de Alberto Marino (faixa 13 de nossa sequência), que homenageia o bairro de São Paulo de mesmo nome, cuja população era basicamente de imigrantes italianos e seus descendentes. Surgida em 1926, na gravação dos irmãos saxofonistas Jota e O.Pizarro (quem seriam?), esta valsa teve maior repercussão a partir de 1932, nos registros dos Sextetos Piratininga e Bertorino Alma (anagrama do autor, Alberto Marino), e em 1960 ganhou letra do filho do autor, Alberto Marino Jr., gravada com êxito por Carlos Galhardo. Temos depois o frevo “Sai do caminho”, do próprio Jacob, disco 80-1226-B, gravado em 10 de setembro de 1953 e lançado em novembro seguinte para a folia de 54, matriz BE3VB-0254 (faixa 8 de nossa sequência), no qual ele mostra a admiração que tinha pelo carnaval do Recife, embora não-folião. A mazurca “Vidinha boa”, do próprio executante, faixa 9 desta seleção, foi gravada em 15 de fevereiro de 1954, com lançamento em abril seguinte sob número 80-1269-B, matriz BE4VB-0346. O samba-canção “Santa morena”, também de Jacob, e faixa 10 de nossa sequência, foi gravado pelo mestre em 13 de abril de 1954, com lançamento em julho seguinte sob número 80-1295-A, matriz BE4VB-0411. No verso, matriz BE4VB-0412, outra primorosa execução ao vibraplex, a do samba-canção “Saudade”, composição própria do mestre e faixa 5 de nossa sequência. As faixas 6 e 7 são do disco seguinte, o RCA Victor 80-1344, gravado em 12 de julho de 1954 e lançado em setembro seguinte com dois choros do nosso próprio mestre: abrindo-o, matriz BE4VB-0503, “Bola preta”, e, completando-o, matriz BE4VB-0504, “Saliente”, ambos bastante conhecidos e apreciados. Do disco 80-1390, gravado em 14 de setembro de 1954 e lançado em dezembro seguinte, apresentamos as duas faixas, que novamente demonstram o apreço de Jacob pelo carnaval recifense, sendo evidentemente frevos: abrindo-o, “Toca pro pau”, matriz BE4VB-0577 (faixa 4 de nossa seleção) e, completando-o, matriz BE4VB-0578, “Rua da Imperatriz” (faixa 3), visando, claro, a folia pernambucana de 1955. Em seguida, primeira faixa da nossa sequência, o samba “Meu segredo”, gravação de 13 de janeiro de 1955 lançada em março seguinte (80-1418-B, matriz BE5VB-0642). E encerrando cronologicamente nossa seleção, sendo na sequência a faixa 2, outro primoroso choro do próprio executante, “Benzinho”, gravação de 14 de março de 1955, matriz BE5VB-0699, lançada em maio do mesmo ano sob número 80-1434-A. Enfim, mais uma bela amostra do talento e da maestria deste mágico das cordas que foi Jacob do Bandolim! Gostaria inclusive de dedicar esta nossa retrospectiva ao Daniel Soares, o SenhorDaVoz, meu colega de YouTube, grande admirador de Jacob do Bandolim e do choro, cujo canal lá no YT pode ser visitado. Lá você vai encontrar vídeos com hits da MPB de várias épocas, inclusive diversos registros do grande Jacob do Bandolim, de quem continuaremos este retrospecto. Até lá!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Ester De Abreu – Canta (1956)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Estou num desânimo que vocês não fazem ideia. Tudo por conta de uma constipação que refletiu até nos meus movimentos. Minha coluna até parece ter saido do lugar. Dói prá Augusto! E se não bastasse, ainda é domingo e de chuva. Daí, eu fico quietinho e para destrair, melhor mesmo é fazer minha postagem. Escolhi, portanto, um disco que já estava pronto, esperando a sua hora.
Vamos pela segunda vez trazendo a cantora portuguesa, Ester de Abreu. Há praticamente dois anos atrás eu postei aqui um outro disco dela, lançado pela Sinter, em 1954, como acompanhamento da Orquestra de Lyrio Panicali. Hoje vamos com este, lançado em 1956 pela Victor, onde Ester, também acompanhada da orquestra da casa, nos brinda com um repertório meio lá, meio cá. Quero dizer, no bom sentido, com músicas famosas de sua terra e também brasileiras, ou adaptadas. Acho interessante a maneira de interpretação desta cantora, principalmente ao cantar música brasileira. Parece que ela se transforma, sua voz fica ainda mais bonita. Confiram aí…
lisboa não sejas francesa
ilha da madeira
lisboa antiga
uma casa portuguesa
malageña
se um dia
ninguém como tu
mais um pouco de amor

Rago – Em Sonorâmico (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como fiquei por quase dois meses sem fazer novas postagens, acho que muita gente pensou que o Augusto aqui não fosse voltar. Mas enquanto ouver sulco na agulha o Toque Musical continua mandando brasa! Como já havia comentado, estou aos poucos repondo novos links. Primeiro cuidamos da postagem diária, depois vamos para as solicitações de reposição de links pedidos por vocês. A propósito disso, conto com a paciência de todos, pois vou colocando novos links de acordo com a ordem de chegada. Estamos ainda na pendência de 119 novos links. Aos poucos ou aos muitos eles saem. Paciência…
Escolhi para hoje este disco do violonista e compositor paulista Antonio Rago. Juro que eu nem lembrava de que já havia postado aqui um outro disco dele. Aliás, uma coletânea, a qual traz diversas músicas deste outro que estou trazendo agora. Certamente, quem estiver lendo este post já sabe onde clicar para chegar à postagem do disco anterior. Lá também vocês saberão um pouco mais a respeito desse artista.
“Rago, Em Sonorâmico” foi um lp da Continental, lançado em 1960. Neste álbum Rago vem acompanhado por seu regional, formado com Portinho, na clarineta; Hortêncio, na gaita; Jocy Alves, no violão; Nefe, no contrabaixo; Xixa, no cavaquinho e Pedro (Sorongo) no pandeiro. Antonio Rago, como se pode ver na capa do disco, vem pilotando seu violão elétrico, instrumento esse, criado exclusivamente para ele pela fábrica Di Giorgio. No repertório temos uma seleção variada de ritmos, entre boleros, baiões, mambo, choro, toada, samba e cha cha cha. Todas as músicas são de sua autoria.

jamais te esquecerei
folinha
mentiroso
mambo na glória
se ela voltasse
cha cha cha
em tuas mãos
o barão na dança
festa portuguesa
encantamento
boneca japonesa
você é meu samba

Top 19 – O Melhor Da Música Feita Em Minas Em 2012 (2013)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Olha sexta-feria chegando aí… E foi agora que eu me lembrei que tradicionalmente na sexta é que fazemos as postagens de discos/artistas independentes e coletâneas especiais do Toque Musical. Assim sendo, vou logo postando aqui esta coletânea criada no final do ano passado pelo meu amigo Edu Pampani. Na verdade é a segunda edição, pois no ano passado também tivemos outro “Top 19“, com os melhores da música independente mineira de 2011. Desta vez vamos com aquilo que, segundo o Pampani, foi o melhor da música feita em Minas em 2012. Eu, cá, só tenho a endossar 🙂

macaxeira fields – alexandre andrés
rap’ente – bilora
estação 104 – chico amaral
felicidade certa – dudu nicácio
burian – frederico heliodoro
estrela cadente – gabriel guedes
let me do it – gabriela pepino
juriti – gustavito
aurora – luiza brina
mar deserto – paula santoro
qualquer palavra – quarteto cobra coral
baião do caminhar – rafael martini
carne boa – roberta campos
vida no interior – rubinho do vale
de volta a delegacia – thiago delegado
rui macacada – tiãoduá
burn fya – uai sound system
cúria – urucum na cara
zé da guiomar – retrato da bahia

Meus Favoritos Columbia (1956)

Bom noite, amigos cultos e ocultos! Estou eu aqui passando um mal com minha coluna. Depois que chega na idade do condor, todo dia tem uma enhaca diferente. Esses dias eu não estou nada bem. Mas vou tentar aqui fazer esta postagem para ver se me distraio um pouco.
Segue aqui este lp de 10 polegadas, lançado pela Columbia nos anos 50. Como se pode ver, trata-se de uma coletânea reunindo gravações de cinco cantores do ‘cast’ da gravadora: Cauby Peixoto, Luiz Claudio, Lana Bittencourt, Alcides Gerardi e Zezé Gonzaga. São músicas extraídas de bolachas em 78 rpm desses artistas, sucessos nos anos de 1955 e 56. Vamso conferir?

para que recordar – alcides gerardi
os pobres de paris – luiz claudio
meu benzinho – lana bittencourt
lisboa antiga – cauby peixoto
história de um amor – luiz claudio
arrivedercy roma – zezé gonzaga
é tão sublime o amor – cauby peixoto
tudo foi ilusão – alcides gerardi

Emílio Santiago (1975)

Olá amigos cutlos e ocultos! Eu realmente ando sem tempo para as nossas postagens. Ontem mesmo, eu não tive condições. Tô num corre corre que nem paulista. Mas hoje eu não poderia deixar de prestar aqui a minha homenagem ao grande cantor que foi Emílio Santiago. Ele faleceu hoje pela manhã.
Como disse, estou sem condições, daí tive que apelar para um arquivo de gaveta, mas daquelas onde a gente guarda as coisas que as pessoas vão lhe enviando. Para lembrarmos do talento desse cantor, trouxe para vocês um álbum, me parece que foi o primeiro gravado por ele. Neste álbum ele conta com a participação de time de primeiríssima. Só tem feras: Wilson das Neves, Hélio Delmiro, Azimuth, Vitor Assis Brasil, Dori Caymmi. Copinha, Durval Ferreira, Ivan Lins, João Donato e outras estrelas reluzentes.
Um abraço para o Emílio Santiago!

bananeira
quero alegria
por que somos iguais
batendo a porta
depois
brother
la mulata
nêga dina
doa aque doer
sessão dsa dez

Jacob Do Bandolim 2 – Seleção 78 RPM Do Toque Musucal – Vol. 49 (2013)

Em sua quadragésima nona edição, o Grand Record Brazil apresenta a segunda parte da retrospectiva dedicada a este genial instrumentista que foi Jacob Pick Bittencourt, o notável Jacob do Bandolim (1918-1969). Aqui apresentamos mais doze preciosas gravações, do acervo do pesquisador Sérgio Prata, que por certo farão a alegria e o deleite de todos aqueles que apreciam a boa música instrumental brasileira. Como já informado anteriormente, é na RCA Victor, a partir de 1949, que Jacob irá registrar toda a sua discografia em 78 rpm e quase toda em LPs (nesse formato, gravou na CBS o álbum “Retratos”, em 1964).
Evidentemente, as doze faixas desta segunda parte são registros RCA Victor. Para começar, um choro de outro mestre, Pixinguinha, “Teu aniversário”, originalmente intitulado “Recordando” e com gravação original pelo próprio Pizindim com sua flauta, em 1935. Jacob o regravou com o novo título em 30 de junho de 1950, com lançamento em setembro seguinte sob n.o 80-0688-B, matriz S-092700 (o lado A é “Mexidinha”, que está em nosso volume 1 deste retrospecto). Temos depois um choro do próprio mestre, “Por que sonhar?”, gravado em 16 de março de 1953 e lançado em maio seguinte, com o n.o 80-1122-B, matriz BE3VB-0050. No lado A, matriz BE3VB-0049, mais um choraço dele mesmo, “Tatibitate”. E é como compositor que Jacob comparece na maior parte das faixas deste volume 2. Caso do choro “Biruta”, gravado em 19 de junho de 1952 e lançado em outubro seguinte, disco 80-0987-B, matriz SB-093331, do qual também apresentamos a faixa de abertura, o coco “Forró de gala”, matriz SB-093300, dele mesmo, claro. Do compositor e instrumentista carioca Mário Álvares da Conceição, também conhecido como Mário Cavaquinho (1861?-1906?), Jacob resgata o choro ‘Teu beijo”, gravação de 11 de setembro de 1950, lançada em novembro seguinte com o n.o 80-0711-B, matriz S-092750 (ao que parece o registro original). Temos em seguida outra bela e conhecida obra-prima do choro, concebida pelo próprio Jacob: “Doce de coco”, em antológica gravação de 18 de dezembro de 1950, lançada em março de 51 (80-0745-B, matriz S-092813), sendo até hoje número obrigatório em qualquer roda de choro. Depois iremos travar contato com a primeira gravação que Jacob fez do choro clássico “Lamento”, de Pixinguinha (que depois teve o título mudado para o plural, “Lamentos”), originalmente lançado em 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. Jacob o registrou pela primeira vez em 14 de março de 1951 com lançamento em junho seguinte (80-0767-A, matriz S-092905), e voltaria a gravá-lo primorosamente, em 1967, para o álbum “Vibrações”. Na faixa 10 está o verso desse disco, a polca “Siri tá no pau”, matriz S-092906, de autoria de Miguel de Vasconcellos, originalmente lançada em 1914 pelo grupo O Passos no Choro e também bastante conhecida. Na faixa 9, Jacob executa à violinha (!) outro belo choro seu, “Nostalgia”, gravação de 23 de julho de 1951, lançada em outubro seguinte sob n.o 80-0813-B, matriz S-092986. “Eu e você” é outro choro do próprio mestre, gravado em 5 de maio de 1952 e lançado em julho seguinte (80-0931-B, matriz S-093263). Para encerrar esta segunda parte, temos “Choro de varanda”, no caso, certamente, a varanda da casa de Jacob, em Jacarepaguá, que é o lado A de “Teu beijo”, de Mário Cavaquinho, matriz S-092749 (claro que essa outra música é do Jacob mesmo). Enfim, mais uma amostra da magia, do talento e da maestria do eterno Jacob do Bandolim. E vem muito mais por aí, esperamos…

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO.

Conjunto Fogueira Três – Varig 1927-1987 (1987)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Estou ao poucos recolocando no GTM novos links solicitados por vocês. Com já disse outras vezes, é preciso ter paciencia e aguardar na fila, pois são muitos os pedidos e a coisa aqui vai por ordem de chega, ok?
Hoje eu estou trazendo um disquinho curioso. Um álbum promocional lançado pela empresa de aviação Varig em comemoração aos seus 60 anos de existencia. Isso foi em 1987! Para a ocasião eles criaram um álbum personalizado, com um disco colorido, tendo a logomarca impressa diretamente no vinil. Um luxo só! Para melhorar, escolheram o requintado conjunto de bossa jazz, Fogueira Três, formado pelo contrabaixista Fogueira, Haroldo Jobim na bateria e Alfredo Cardim no piano. Creio eu que os fonogramas que fazem parte desse repertório sejam de algum disco lançado por eles anteriormente. Simplesmente delicioso de se ouvir, bossa e jazz…
garota de ipanema
samba de verão
corcovado
what watch happens
wave
the gentle raim
agua de beber
ela é carioca
batida diferente
amazonas

Flávio Cavalcanti – O Repórter Da História (1973)

Bom noite, amigos cultos e ocultos! Mal eu retornei e a perseguição continua. Hoje eu recebi uma notificação do 4Shared avisando que o arquivo do disco “Superstar”, do Cauby Peixoto, foi suspenso devido a uma reclamação anônima. Bom! Anônimo agora também é detentor de direitos autorais. A RCA Victor, ou quem a representa atualmente, nem deve saber da existência desse disco. Aliás, se ficou sabendo foi mesmo por conta do Toque Musical. Porque se depender de gravadoras, multinacionais, só interessa o que ainda der retorno financeiro. Como se trata do Cauby Peixoto, acho até que algum dia eles irão relançar… via iTunes os mp3 que a gente posta aqui. E lá, claro, quem quiser baixar tem que pagar. Se perguntarem quanto que o Cauby, os compositores e músicos envolvidos vão ganhar com isso, eu lhes digo com certeza: nada! As gravadoras, ou algo assim, estão se redescobrindo. Perceberam que podem continuar explorando a ‘cultura fonomusical’ de maneira ainda mais vantajosa. Eles agora vendem o imaterial. Antes vendiam discos, hoje vendem concessão para ouvir. Música se tornou apenas um entretenimento ordinário Algo sem compromisso como se ouvir tudo pelo rádio. As pessoas hoje gostam do que é formatado para elas. Talvez seja por isso que o nível musical pelo mundo caiu tanto. Seja como for, o importante é não deixar que o lixo atual atropele a rica produção de outras décadas. O mundo está sempre mudando e precisamos estar atentos para não deixar o barco ir de encontro às pedras…
E falando em história, eis aqui um lp bem curioso. Um disco que só mesmo no Toque Musical vocês poderiam encontrar. Olhem só, o impagável apresentador Flávio Cavalcanti, num momento raro e exclusivo, entrevistando as nobres figuras de Pedro Alvares Cabral, Tiradentes, Dom João VI, seu filho Dom Pedro I, a Princesa Isabel e de quebra, ainda sobrou para o Santos Dumont. É isso aí, ele conseguiu entrevistas exclusiva que nos revelam um pouco da nossa história. Seis personagens importantes contando ao repórter seus fatos mais marcantes. Alguns, hoje sabemos, não de todo verdadeiros. Enfim, um curioso relato em forma de entrevista. Creio eu que na época, no programa do Flávio havia um quadro assim. Ou estarei enganado? Flávio Cavalcanti entrevista:

pedro alvares cabral
tiradentes
d. joão VI
d. pedro I
princesa izabel
santos dumont
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