“Ama o teu vizinho como a ti mesmo, mesmo que ele faça barulho…” Era com essa máxima que eu, nos meus bons tempos de república, me apoiava para justificar nossos excessos e arroubos estudantis frente a vizinhança, que ficava de cabelo em pé. Estou iniciando nossa postagem por aí, devido ao fato de ser agora 4 horas da manhã e a moçada do andar de baixo nem se tocar que seus vizinhos querem dormir. Aliás, tocar eles querem, o violão. Vocês bem sabem, eu adoro música, mas de madrugada, no meio da semana e em um edifício residencial, aí é foda! Pior ainda é quando os caras não tocam nada, só sabem fazer barulho. Na minha época pelo menos a gente morava em casa e tocávamos muito bem, diga-se de passagem. Me lembro que apenas uma única vez a vizinhança horrorizou, foi quando num dia depois da meia noite, um colega da casa trouxe este disco de samba. Passamos o dia inteiro ouvindo o partido alto de Aniceto e Campolino. Aliás, passamos o dia e também a noite, já nessa altura devidamente ‘mamados e fumados’. Não deu outra, o vizinho foi lá reclamar. Foi só uma vez, para nunca mais. Aqui, pelo jeito, só chamando a polícia, pqp! Como não consegui mais dormir, resolvi então adiantar nossa postagem. Lembrei desses meus tempos, lembrei da música de Sá, Rodrix e Guarabyra e lembrei principalmente do disco do Aniceto e Campolino. Por essa razão, é ele quem vai fazer nossa cabeça no dia de hoje. Este álbum já foi visto em outros blogs, com certeza, mas aqui ele vem à carácter, como cabe a um bom toque musical. Para aqueles que ainda não o conhece, eis aqui a grande oportunidade. Quem gosta de samba de raiz, samba de verdade, não pode perder a chance de ouvir isso, é bom demais!
Este disco, lançado pela Fundação Estadual de Museus do Rio de Janeiro e MIS em 1977 foi o primeiro e talvez o único disco gravado por esses dois sambistas. A produção artística do álbum é de Elton Medeiros. Foi ele o responsável por trazer a tona e ao grande público os dois artistas e também despertar para um tipo de samba que há muito vinha sido esquecido (ou deturpado), o Partido Alto. Falar sobre este tipo de samba não é coisa que se possa fazer numa pequena resenha postal. Além do mais, a definição do que é realmente o Partido Alto é uma coisa em que não há consenso nem mesmo entre os estudiosos do assunto. O que posso dizer à respeito de Aniceto de Menezes e Nilton da Silva é o que está na contracapa e bem resumido. Eles fazem um tipo de samba com uma forte influência rural, um samba criado fora do morro urbano do Rio de Janeiro, onde os elementos temáticos são bem diferentes e até a instrumentação. Tem inclusive viola caipira! A dupla vem acompanhada pelo Grupo Chapéu de Palha e o quarteto vocal As Autênticas. Taí uma raridade que merece toda a nossa atenção. Não deixem de conferir…
Os Boêmios (1965)
Olás! Apostando na competência dos meus queridos colaboradores, estou trazendo agora um disco o qual as informações que possuo são apenas as de contracapa. Espero que alguém apareça com informações complementares, pois este disco é realmente muito interessante e vale o toque. Trata-se de um grupo de chorinho intitulado “Os Boêmios”. Um lançamento da Musidisc sob o selo Rádio. Pelo que consta na contracapa, o presente álbum faz parte de uma série criada pela gravadora, onde temos além deste, o Conjunto Caravelle e Ed Lincoln. Suponho, tomando pelo disco do Ed, que esta série reúne coletâneas. O disco dOs Boêmios pode muito bem ser alguma coisa assim. Algum pseudônimo, algum relançamento como cara de coisa nova. A Musidisc também era mestre nessas jogadas comerciais.
O certo é que independente do obscurantismo, o disco que temos aqui é ótimo. Eu disse logo acima que se trata de um grupo de choro, mas devo corrigir para um grupo de seresta. Na seresta tem chorinho, mas tem também valsinhas. O repertório é dos mais conhecidos, com doze faixas em gravações de muito boa qualidade, entre choros e valsas seresteiras. Quero destacar aqui a faixa de abertura, o famoso chorinho “André de sapato novo”, uma interpretação das mais belas que eu já ouvi da música. A gravação está perfeita 😉 Confiram e comentem!
Edu Da Gaita – Edu E Sua Gaita (1956)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Vamos bem rapidinho porque a semana só está começando e eu ‘cheio de costura’, como dizia minha tia. Abrindo a semana, temos aqui mais uma postagem dedicada ao grande gaitista Eduardo Nadruz. Neste pequeno álbum de 10 polegadas nós encontraremos oito temas internacionais bem conhecidos, pelo menos naquela época. Um repertório que exige do gaitista qualidades técnicas que só mesmo um Edú da Gaita seria capaz de executar. Chamo a atenção para a faixa “Deep Purple” de Peter De Rose e Mitchell Parish, onde podemos comprovar o quanto Edú era da gaita, um trabalho maravilhoso!
Waldir Calmon – Ritmos Melódicos (1952)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu vou postar mais um disco do Waldir Calmon. Devo confessar que este artista caiu na minha simpatia. Há coisa de uns dez anos atrás, falar e principalmente ouvir Waldir Calmon era coisa totalmente fora dos meus conceitos musicais. Eu chegava a ter uma certa implicância daquilo que me parecia rançoso. Acho que associava ele aos meus velhos tios, aquela coisa ultrapassada, se lá… Nada como criar um blog de música que nos permita a aprender a gostar e também conhecer melhor os nossos artistas. Esta, sem dúvida, é a grande contrapartida que existe ao se fazer algo assim.
Bom, temos aqui não apenas mais um disco do Waldir Calmon, mas o primeiro disco em formato de lp de 10 polegadas do músico e também o primeiro lançado na América Latina. Até então, os discos comerciais eram aqueles de 78 rpm, com apenas duas músicas, uma de cada lado. Em 1952 surgia o selo Radio e também o disco de 10 polegadas. Este é mais um daqueles álbuns importantes da história fonográfica brasileira. Uma autêntica raridade!
Waldir Calmon vem acompanhado pelo seu conjunto, tocando oito temas variados, entre sambas, boleros, baião, biguine e como destaque um autêntico blues – “Telefone Blues” – que é título de pelo menos mais uns dois ou três blues famosos que conheço. Este, no caso, é de George Green, que na gravação faz o vocal. Sinceramente, eu não me lembro de nenhum ‘bluesman’ com este nome. Alguém aí pode esclarecer?
Pantanal – Alerta Brasil – Reserva Nacional (1988)
Não fosse o ‘alerta’ de uma boa amiga e a folhinha Mariana pregada na parede, eu hoje teria deixado passar batido um dia tão importante para todos nós. Hoje é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia. Eu, na verdade, bem que sabia e havia até reservado este disco bacana para celebrarmos juntos aqui no Toque Musical, mas acabei fazendo confusão e trocando a semana. Como se trata de uma produção independente, eu pensava em postá-lo na sexta, como de costume, antecipando a celebração. Acabei quase comendo mosca. Mas estamos aí… Teremos assim, uma semana com duas produções independentes.
Segue então o álbum “Pantanal – Alerta Brasil”, um trabalho feito por gente que há muito vem cantando uma consciência ecológica, despertando através da música a importância de pensarmos num mundo limpo. Geralmente, só quem vive em contato com a natureza sabe dar o devido valor à sua preservação. O homem das grandes cidades não tem tempo para pensar (ou não sabe) em outras coisas que não sejam aquelas que fazem parte das engrenagens da máquina louca do desenvolvimento desenfreado. Ele gosta de curtir a natureza, mas só se for dentro do seu Jeep 4×4, num fim de semana, sabendo que pode encontrar na beira da estrada de terra, em cada parada um Pizza Hut ou um McDonald’s. Eu conheço muitos tipos assim.
Mas deixemos de lado os tipos ‘flex’ e vamos à música. O lp do dia é o resultado fonográfico de um show ao vivo, realizado no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, nos dias 19 e 20 de dezembro de 1987, com diversos artistas do pantanal matrogrossense. Tocam no disco Almir Sater, Alzira Espíndola, Celito Espíndola, Geraldo Espíndola, Guilherme Rondon, João Figar, Paulinho Simões e Toninho Porto – todos artistas vindos do centro oeste, do Pantanal e região. Este registro, que virou disco, foi gravado de maneira bem despretenciosa, em um simples gravador K7. Mesmo assim, não peca na qualidade do som. Vale como um registro de um momento. Vale como um alerta ecológico.
Mario Reis E Carlos Galhardo – Relíquias Brasileiras (1986)
Olá, amigos cultos e ocultos! Chegamos a mais uma sexta independente, trazendo o lado alternativo do universo musical e fonográfico. Temos para hoje o lp “Relíquias Brasileiras, Volume 7”, um álbum realizado de forma independente por uma produtora mineira, com o apoio de colecionadores de antigas bolachas de 78 rpm. Conforme a informação do texto na contracapa, este é mais um volume da coleção motivada pelo tradicional programa “Relíquias Brasileiras” da Rádio América (AM 750 khz) de Belo Horizonte. O que me pareceu estranho foi que nunca vi e nem achei nenhum outro volume da série. Não sei explicar a razão do tal volume 7 🙁
Independente de qualquer coisa, o que temos aqui são gravações raras de Mário Reis e Carlos Galhardo. São quatorze faixas onde temos de um lado Mário Reis acompanhado pela Orquestra Diabos do Céu, em gravações originais que vão de 1933 a 35. Do outro, temos Carlos Galhardo, também acompanhado pela Orquestra Diabos do Céu e Orquestra Victor Brasileira entre os anos de 1937 a 39. Completa a relação com a música “Ré misteriosa”, de 1947, onde Galhardo vem acompanhado pela Orquestra do Maestro Zacarias. Taí, uma seleção muito boa e rara que ninguém pode perder 🙂
Jorge Veiga – Café Soçaite Em Ritmo De Samba (1956)
Embora sem muitos comentários, acredito que a semana vem agradando, basta verificar o nosso índice de audiência e todas as informações que o Google Analytics me oferece. É gente de várias partes do mundo e principalmente do Brasil. Anônimos e ocultos apenas na intenção (esses recursos são ótimos!). Mas deixemos de lado o ‘big brother’, vamos ao que lhes interessam…
Trago para esta quinta feira fria um disco quente. Vamos como Jorge Veiga interpretando a música de Miguel Gustavo. Este lp de 10 polegadas é ótimo. Uma sátira à alta sociedade, ao ‘café soçaite’ e toda a sua pompa. Música feita por publicitário é sempre bem direta e Miguel Gustavo soube como ninguém caricaturar essa realidade. Jorge Veiga é sem dúvida um de seus melhores intérpretes. Este álbum traz um atrativo a mais que é a contracapa, com as considerações do lendário colunista social Ibrahim Sued. Ele foi chamado, muito a contra gosto, para dar o seu parecer quanto a cada uma das oito faixas do disco. Ele escreve dizendo que aceitou apenas porque lhe prometeram não censurar a sua crítica às músicas. Na verdade o que ele faz é o que sempre fez, defender a sua ‘champanhota’. Mete o pau nas músicas e ainda insinua que o autor na tem ‘crasse’, coisa de plebe… Seu texto é tão divertido quanto a interpretação de Jorge Veiga e a música de Miguel Gustavo. Outra coisa interessante de saber, graças ao Ibrahim, é que Jorge Veiga vem acompanhado por um time de músicos da pesada, entre eles o Irani Pinto, Sivuca e o Zé Menezes. Os arranjos e regência é do maestro Vicente Paiva. Confiram aí essa pérola…
Paulo Tapajós – Luar Do Sertão
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu não vou tomar muito tempo. Continuo fazendo pé de moleque… Segue aqui mais um disco bacana para abrilhantar nossa semana. Vamos com Paulo Tapajós, interpretando algumas das mais famosas pérolas de Catulo da Paixão Cearense. Este é um daqueles discos clássicos da música brasileira. Tem que ouvir…
Ary Lobo – Último Pau de Arara (1958)
Olás! Hoje eu me atrasei. O dia foi doce, mas duro que nem rapadura. Por sorte, no final, surgiu o amendoim torrado. Vou logo fazer um pé de moleque, deixe estar… Mas antes que o dia acabe, aqui vai nossa postagem. Dedico este disco aos amigos paraenses, em especial à amiga Dani que há tempos tem andado sumida, suponho ser devido ao mestrado (né, dona? manda vê…). Foi pensando em vocês que decidi postar um artista da terra, um nortista que saiu de Belém para fazer sucesso no Rio e em todo o Brasil. Ary Lobo já era cantor em sua terra, mas foi no Rio de Janeiro que sua carreira deslanchou. Gravou se primeiro disco em 1956, uma bolacha de 78 rpm, com as músicas “Atchim”, de Pires Cavalcanti e Renda Dá, de Gandé e Walfrido Silva. O disco agradou à muita gente, inclusive ao humorista Chico Anisio, que usando de sua influência, conseguiu colocar Ary como cantor contratado na Rádio Mayrink Veiga. Sua popularidade foi crescendo e em 58 ele gravaria este que foi o seu primeiro lp. Como um primeiro álbum de uma artista nortista, nada melhor que um repertório recheado de ritmos e melodias da região. Tem côcos, rojões, samba, batuque e um baião, o “Último Pau de Arara”. Disquinho da hora, podem acreditar!
Dick Farney – Trio (1956)
Olás! Bom dia a todos! Hoje eu acordei no maior pique e disposto a fazer uma semana de postagens da melhor qualidade. Andei separando ontem algumas raridades que nossos gentis colaboradores vem sempre me enviando. Não é atoa que eu rezo sempre por essa turma celestial e agradeço igualmente aos amigos cultos e ocultos que também colaboram 🙂
Para abrir nossa semana de jóias raras, eu começo com um disquinho especial de 10 polegadas do grande Dick Farney, coisa ainda inédita no blogosfera, com certeza. Acredito que a discografia de Farney esteja quase todo disponibilizada, mas até hoje eu ainda não havia visto este álbum, lançado em 1956. Um boa safra, com certeza, principalmente porque ele vem acompanhado por Dinarte Rodrigues Filho na guitarra e Ed Lincoln no contra baixo. Para quem ainda nunca ouviu o Ed Lincoln, nos primeiros anos, tocando contra baixo, essa é uma oportunidade imperdível. Trata-se, sem dúvida, de um disco moderno para a época, essencialmente de jazz. Como informa o texto da contracapa, “é um lp que, além de servir para a dança, proporcionará excelente fundo musical para um ‘cocktail e emoldurará um romance à meia luz”, viu? Confiram aqui em primeira mão ou espere até que seu blog favorito o poste também 😉
A Música Das Estrelas – Um Programa Exclusivo De Castro Muniz S.A. (1956)
Prezados amigos cultos e ocultos, reservei para este domingo um programa especial. Uma daquelas postagens que só mesmo no Toque Musical vocês podem encontrar. Teremos hoje realmente um programa, o de númeo 73, gravado em 30 de novembro de 1956. Estou me referindo à “A música que vem das estrelas”, uma produção exclusiva para a Cassio Muniz S. A.
Temos aqui um raro exemplar de um vinil de 12 polegadas e 33 rpm gravado em 1956 para o grupo Cassio Muniz. Este nome compreende entre outras coisas uma antiga e bem conhecida loja de departamento que existia no centro de São Paulo. Era uma loja que vendia de tudo, de carro a roupa de cama. Tinha também o departamento de eletrodoméstico e de disco, o qual a Cassio Muniz era representante e distribuidora de diversos selos e gravadoras. O grupo empresarial paulista Cassio Muniz S. A. atuava em diversos segmentos, inclusive o fonográfico. Em 1957 criaram a Chantecler, um gravadora conhecida principalmente pela produção de discos de música sertaneja. Antes disso, porém eles já tinha uma boa visão comercial, produzindo em discos programas prontos para serem executados nas rádios. Um ideia genial, uma pausa para o locutor. Era botar o disco no prato e sentar a agulha.
Temos então de amostra um programa da série “A música das estrelas”. Durante quase um hora vocês terão o prazer de ouvir os temas do filme “Melodia Imortal” (The Eddy Duchin Story), estrelado por Kim Novak e Tyrone Power. O filme conta a história do compositor americano Eddy Duchin. A trilha, com músicas de Duchin e também uma versão de “Aquarela do Brasil”, são interpretadas pelo pianista Carmen Cavallaro. No disco tudo isso é apresentado como na deliciosa transmissão radiofônica. Porém, para salvar ainda mais o dia, incluí um recheio especial, que é para não deixar ninguém na vontade… Só falta agora alugar o filme para assistir 🙂
Sacha – No Balaio – Gravado Ao Vivo Vol. 2 (1969)
Olá amigos cultos e ocultos! Nossa postagem para este sábado foi motivada por um trecho de leitura no livro de memórias da Danuza Leão, que por acaso descobri ontem na rede. No livro, em versão digital, ela conta casos dos mais interessantes e possivelmente inéditos do grande público. Foi de lá que eu desenterrei o Sacha, uma figura pitoresca, personagem bem conhecida na noite carioca nos anos 50 e 60. Sacha Rubin foi um pianista trazido ao Brasil pelo Barão Max Stukart, empresário austríaco residente no país, ao criar a boate Vogue. A Vogue foi uma casa noturna muito badalada, se tornando um ponto de encontro de figuras das mais importantes da sociedade carioca da época. Foi ao final dos anos 40 que Sacha passou a se apresentar. Segundo contam, Sacha Rubin era de origem turca, mas se fazia passar por francês (que era mais chique, claro). Tocava piano, invariavelmente com um cigarro (americano) no canto da boca e um copo de uísque (escocês legítimo) do lado. Fazia um tipo meio Humphrey Bogart, no filme Casablanca. Gostava de saudar os frequentadores tocando ao piano suas músicas prediletas, logo que esses adentravam no recinto. Provavelmente inspirado no Rick’s Bar de Casablanca ele também criou a sua casa noturna, a Sacha´s, também famosa naqueles tempos. Sacha Rubin gravou alguns discos, entre eles temos os álbuns gravados ao vivo na boate Balaio, recriando toda aquele atmosfera ‘noir’. Se não me engano, foram gravados três volumes neste estilo e em anos diferentes. O lp que apresento é o volume dois. Nele temos um repertório misto, feito para agradar gregos, troianos e principalmente os frequentes da boate. Para os temas nacionais, Sacha conta com a participação o ‘crooner’ Mano Rodrigues. No disco, devido ao fato do pianista tocar sem parar, não há divisão das músicas por faixas. O sentido aqui é recriar todo o espírito da noite. Mais do que a música, o importante aqui é registrar o momento. (êta povo que falar, sô!)
Confraria (1980)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje é sexta feira independente e eu nem me lembrei disso. Na verdade nem me lembrei da postagem de hoje. O dia foi bem agitado e só agora eu me dei conta de que ainda faltava o nosso encontro diário. Não tive tempo de preparar um disco da lista dos independentes, daí, longe do QG, o jeito foi apelar para alguma reserva, um disco de gaveta 🙂
Tenho aqui este disco, gravado em 1980, por um grupo chamado Confraria. A razão pela qual eu havia deixado de lado (no fundo da gaveta) este álbum, foi porque não encontrei absolutamente nada sobre o grupo e seus integrantes. Também fiquei desmotivado pela qualidade do som, a digitalização não ficou muito boa. Mesmo assim, vou arriscar a apresentação, pois o conteúdo musical é dos melhores. A música é boa e a turma toca direitinho. Consta a participação de um tal Filó. Seria o Filó Machado?
Desta vez a postagem corre assim meio a solta. Quem tiver um complemento, inclua-o no comentários. Toda informação é sempre bem vinda. Vou nessa que o dia é longo… 😉
PS.: Não demorou muito e logo me enviaram informações sobre o grupo, cujo lider é o músico carioca Robson Santos. Segue a baixo o texto complementar enviado pela amiga Evangelina:
Filó Machado: Em 1980 produziu e dirigiu o LP “Confraria” de Robson Santos. Nascido no Rio de Janeiro, Robson Santos já residiu em várias cidades no Brasil (Campo Grande-MT, Santos, São Paulo, Belo Horizonte, Ribeirão Preto) e mesmo no exterior (Cleveland-OH). Isso talvez seja uma das explicações para a variedade de estilos de suas composições. Tem parcerias com Nonato Luiz, Henrique Anes, Filó Machado e Amaury Angelo (Aranha) , entre outros. Acabou de gravar seu quarto disco que contou com a participação de Filó Machado, Cibele Codonho e da cantora americana Holly Holmes com quem divide a autoria de uma das 16 musicas do CD Límbico Trem. Além de Filó Machado, outros músicos importantes participaram das gravações: Nenen (Esdras), Adriano Campagnani, Amaury Angelo e Daniel Silveira (teclados). Dividiram os arranjos Amaury Angelo, Adriano Campagnani, Filó Machado e Daniel Silveira, parceiro de Robson na música “Pra você”.No primeiro disco, LP Confraria gravado em 1980, Robson Santos contou com a participaçào de Celso Machado, Filó, Sizão Machado e da cantora Nilza Maria. Várias parcerias suas com Nonato Luiz foram incluidas nesse disco. Já no segundo disco, o CD Profissão de Menino, gravado em 1994, Robson Santos optou por incluir musicas essencialmente de sua autoria. Participaram desse CD o cantor Tadeu Franco, a cantora Cibele Codonho e Filó Machado, que também ficou responsável pelos arranjos. No terceiro CD Verniz de 1999, Robson contou com a participação de Beto Guedes e Filó Machado dentre outros. Amaury Angelo fez os arranjos. Além de compositor e interprete, Robson Santos é cientista atuando na área cardiovacular. Tem mais de cem trabalhos publicados mas a música não fica para tras. Já passam de cem suas composições que vão do rock ao baião, passando pelas baladas, samba e jazz e bossa nova.
Bob Nelson & Seus Rancheiros – Vaqueiro Alegre (1959)
Olá a todos! Hoje o nosso encontro é com o ‘cowboy’ Bob Nelson. Quem foi criança nos anos 50 não há de esquecer essa lendária figura que recriava aqui as proezas de um vaqueiro do velho oeste americano.
Era um artista bastante popular nos anos 40 e 50, tanto no rádio como na televisão. Seu nome verdadeiro era Nelson Roberto Perez. Foi inspirado no filme “Idílio nos Alpes” que ele começou seu tirolês (yodel) e toda essa onda de vaqueiro, o cowboy americano. Adaptou para o português a tradicional canção americana “Oh, Suzana”, que se tornou também bastante popular no Brasil. Impulsionado por essa música, foi assim incorporando o personagem. Chegou, inclusive a cantar, na época da Segunda Guerra, para o comandante norte americano Gal. Douglas MacArthur, em homenagem feita por Assis Chateubriand, quando o militar esteve no país.
O álbum que apresentamos é um relançamento feito pelo selo Moto Discos, especializado em raridades produzidas nos anos 30, 40 e 50. Este disco, em especial, foi lançado originalmente em 1959 no formato de lp pela Polydor, reunindo gravações feitas para diversas bolachas de 78 rpm. Quem sempre foi fã, de carteirinha, do Bob Nelson era o Roberto e Erasmo Carlos. Chegaram até a gravar uma música em sua homenagem, “A lenda de Bob Nelson”, lançada em álbum de 1974. Confiram aí a cópia mais original brasileira do vaqueiro americano. Foi por aí que tudo começou…
Anjos Do Inferno – Brasil Pandeiro (1971)
Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Ainda na pressa, aqui vamos nós com a postagem de hoje. Não posso me prolongar. Entre um gole de café e uma fatia de pão, vou postando este álbum de um dos maiores conjuntos vocais brasileiros, Os Anjos do Inferno. O grupo nasceu no Rio de Janeiro, na década de 30 e tinha como lider o cantor Leo Vilar. Foi um dos grupos vocais mais populares nas décadas de 30 e 40. Tiveram várias formações, mas se destacaram com Leo Vilar, o vocalista principal, Roberto Medeiros e Nanai nos violões, Russinho e Miltinho nos pandeiros e Harry Vasco de Almeida no piston. Excursionaram pelos Estados Unidos com Carmem Miranda e também estiveram por um período longo, quase quatro anos, no México. Ao retornarem ao Brasil, se deram conta de que a onda havia mudado. O povo por aqui estava agora ligado era no samba canção e no baião. Haviam também outros e novos grupos vocais como os 4 Azes e 1 Coringa, Os Titulares do Ritmo e Os Cariocas. Dessa forma Os Anjos do Inferno, logo nos primeiros anos da década de 50, se dissolveram. Em 1963 Leo Vilar produziu um lp com reminiscências dos Anjos do Inferno, buscando reviver alguns de seus antigos sucessos. Para isso contou com o apoio de alguns membros dos Titulares do Ritmo. Em 1971 a RCA Candem relança o álbum com o nome Brasil Pandeiro. O álbum se divide em dois momentos. De um lado temos a música de Dorival Caymmi que foi sucesso na voz dos Anjos entre os anos de 1941 e 43. Do outro, desfilam diversos sambas que também marcaram a existência do grupo. Podemos dizer assim, que este disco não é apenas dos Anjos do Inferno, mas de Leo Vilar e Os Titulares do Ritmo. Muito bom, confiram…
Silvio Cesar – A Minha Prece De Amor (1970)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje a pressa me pegou, por isso estou lançando mão de mais um dos já famosos ‘discos de gaveta’, aqueles que estão sempre prontos para as eventualidades 🙂
Vamos hoje com o cantor e compositor Silvio Cesar, um artista que começou sua carreira no início dos anos 60, gravando seus primeiro discos pelo selo Musidisc, ao lado de Orlan Divo e Ed Lincoln. Começou fazendo samba, indo aos poucos para um trabalho mais romântico. Sua música sempre teve um apelo bem popular, o que fez muita gente torcer o nariz. Mas isso se deve ao fato de não conhecerem um pouco mais o seu trabalho. Suas músicas fizeram sucesso não apenas por interpretação própria, que aliás, faz dele também um excelente cantor. Diversos e dos mais talentos artistas já gravaram suas músicas. O presente álbum é entre outros um de seus trabalhos mais conhecidos e de sua melhor fase. “A minha prece de amor” é um disco totalmente autoral, uma prova de seu talento. Além da música que dá nome ao disco, temos também como destaques o sucesso “Prá você” e “Eu quero que você morra”, uma bela e curiosa canção gravada também por outros intérpretes. A direção musical deste trabalho é do maestro Lyrio Panicali e a regência ficou à cargo de Waldemiro Lemke, Geraldo Vespar, Elcio Alvarez e José Briamonte. Confiram aí, porque eu já fui…
Simonetti & Orquestra RGE – Brasil A Jato (1959)
Olá amigos cultos e ocultos. Passadas três semanas, dedicadas aos discos Paladium, já é hora de levantarmos vôo para outras paragens. Mesmo sem muito tempo para novas ‘aventuras fonográficas’, estou preparando um espaço especial para essa curiosa experiência musical que foi a Coleção Paladium da gravadora mineira Bemol. Em breve estarei anunciando aqui o novo blog, aguardem!
Vamos hoje decolar em direção a outras raridades musicais. E para tanto, nada melhor que um disco feito de encomenda e em edição limitada, promocional. Este álbum é mais uma colaboração do amigo Sérgio Digital, que gentilmente o preparou e nos enviou prontinho para o vôo.
“Brasil a jato” foi um disco encomendado à RGE pela Varig, em 1959, quando a empresa aérea comprou da França os dois aviões a jato “Caravelle” para a sua frota. Foram os primeiros aviões comerciais a jato no Brasil. A gravadora então recrutou seu maestro principal para preparar um disco comemorativo, o qual foi distribuído entre clientes e funcionários. Trata-se portanto de um álbum não comercial, o que, obviamente, não tira a possibilidade de também ter sido posteriormente comercializado, embora não tenhamos certeza. O disco apresenta um repertório muito bem preparado pelo Maestro Simonetti, com músicas referentes a cada escala do novo avião, passando por diversos estados do país. Muito bacana, podem conferir…
Sidney Jones E Sua Orquestra – Juventude Amor E Música (S/D)
Embora tenhamos muitos outro discos Paladium para serem mostrados, vamos dar uma pausa nessa ‘novela’, como disse alguém há alguns dias atrás. Novela pra uns, programa de variedades para outros… O Toque Musical é sempre bem sortido. Tem para todo gosto 😉
Finalizando, aqui vai “Sidney Jones e Sua Orquestra”, mais uma produção da Bemol para as coleções Paladium. Este volume é composto totalmente por músicos que tocavam na noite belorizontina. Me parece, inclusive, que dele participam Aécio Flávio, Célio Balona e outros nomes bem conhecidos atualmente da música mineira. O repertório, como podemos ver logo a baixo, traz sucessos daquela época, tanto nacionais quanto internacionais. Gostosinho de ouvir 😉
Típica Rosário – Fumando Espero (S/D)
Buenas noches! Hoje eu me atrasei ‘un poquito’, mas antes tarde do que nunca. A postagem de hoje é dedicada à Evangelina, uma nova amiga culta, argentina, pero ligadona nos lançamentos da Bemol. Retribuindo sua gentileza nas últimas semanas, aqui vai para ela e também para todos os amigos cultos e ocultos que nos visitam, um outro álbum Paladium. Desta vez temos a “Típica Rosário”, outro grupo inventado pela Bemol para o selo Paladium. Por muito tempo eu pensei que quem tocava neste disco fosse o argentino, radicado no Brasil, Rufo Herrera. Alguém uma vez me contou isso, mas nunca consegui confirmar. A única vez em que eu tive a oportunidade de conversar com o Rufo foi em uma festa na casa do meu cunhado e não faz muito tempo isso. Pena eu não ter lembrado dessa história e esclarecido tudo. Também, naqueles dias eu nem pensava em vir fazer esta postagem. Seja ele ou não, não importa agora. Vale mais aproveitar o resto do sábado e ouvir essa série, essencialmente dedicada ao tango. Vamos dançar? 🙂
Adilson Adriano – Eu Gosto Tanto De Você (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Hoje é sexta feira, mas independente de qualquer coisa, continuamos batendo na mesma tecla. Ainda neste resto de semana irão ecoar os discos Paladium. Por isso, não teremos aqui o álbum/artista independente. Semana que vem a gente volta à normalidade, ok?
Seguimos com mais um disco sob o selo Paladium. Desta vez temos o cantor revelação da Bemol, Adilson Adriano. Seu primeiro disco, “Nasce um novo ídolo”, saiu pelo selo Bemol.
Embora eu nunca o tenha escutado, vejo pelo anúncio de venda do lp em vários sites, que se trata de um disco de Bossa Nova, mas eu duvido, considerando que este artista foi moldado para a Jovem Guarda. Além de cantor, o cara era também compositor. Existem músicas dele gravadas por artistas da Jovem Guarda. A Bemol também lançou ele em compacto, uma prova de que a gravadora tinha interesse em investir em sua carreira. Pelo que eu soube, ele começou a se destacar, fazendo páreo com figuras como Agnaldo Timóteo e aí, a Odeon resolveu contratá-lo, prometendo lhe um disco que nunca saiu. Ele foi colocado na geladeira. Uma estratégia típica das grandes empresas quando querem abafar o concorrente. Ele tentou voltar à Bemol, mas nessa altura a gravadora já não tinha mais interesse. Não sei que fim levou…
O presente álbum, parte de alguma caixa das coleções Paladium, reúne uma série de música de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, Luiz Ayrão e também composições próprias. Tudo isso revestido por uma atmosfera de Jovem Guarda romântica e brega. Acredito, pelo estilo Paladium, que essas músicas são as que forma lançadas em seu lp e compacto anterior pelo selo Bemol.

The Terribles – Brasa (1966)
Na onda da Jovem Guarda, aqui vai mais um disquinho a la Paladium. Desta vez temos o conjunto The Terribles. Segundo o site Jovem Guarda Obscura, o grupo era mineiro. Atuaram entre os anos de 1966 a 1968, gravando ao longo desse tempo cinco discos, quatro deles por um desconhecido selo NCV (Super Brasa Vol. 2, Brasa Três, Brasa Quatro e o psicodélico Genial! Universal Sound) e este que foi o primeiro, lançado pelo selo Itamaraty. Eu até então acreditava que o álbum Brasa fosse de 1968. Agora já sabemos que é de 66, embora eu o tenha ‘tageado’ com a data errada.
Neste disco encontramos um repertório de sucessos da Jovem Guarda. São doze faixas com músicas bem conhecidas de todos. Trata-se de um disco de ‘covers’. Mesmo assim, é uma brasa, mora?!
lobo mau
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The Rock Fingers – Hot Line (1981)
Olá amigos cultos e ocultos! Pela primeira vez ao longo de quase três anos de existência do blog recebi uma notificação do Blogger, à pedido do DMCA. O que mais me estranhou foi que eles censuraram dois discos que eu jamais pensei que o fizessem. O primeiro é “Simonetti, Mezzaroma e Wanderley – Música Para O Amor”, disco lançado em 1959! O segundo é um álbum da Ely Camargo, “Cantos da Minha Gente” de 1974. Fico aqui pensando, com tantos outros títulos mais sugestivos eles foram escolher justamente esses. Enfim…
Deixando de lado esse papo, vamos ao disco do dia. Hoje eu trago o grupo The Rock Fingers, mais uma cria da Paladium/Bemol, lançado ainda nos anos 60 e relançado pela Beverly/Copacabana nos anos 80. Segundo me contou o Dirceu Cheib, “The Rock Fingers” foi o nome dado a um grupo de ‘ie ie ie’, formado por jovens estudantes de Belo Horizonte. O nome do conjunto foi criado por ocasião da gravação. Embora fosse um grupo amador da época da Jovem Guarda, seus membros (ilustres desconhecidos), faziam um som bem ‘maneiro’. Vemos aqui um seleção totalmente internacional, com temas bem conhecidos dos anos 60. Disquinho bacana, podem conferir…
Geraldo Tavares – Noites Que Não Voltam Mais (1981)
Olha aí… Ontem eu falava dos ‘troca trocas’ das gravadoras, do uso de fonogramas, matrizes e artistas com pseudônimos. Postei um disco do selo Paladium e agora vamos com outro bem parecido (pelo menos na capa), originalmente lançado por este selo nos anos 60 e relançado vinte anos depois pelo Beverly, um selo da gravadora Copacabana.
Reparem que a foto é a mesma. Não tiveram nem a preocupação de tirar a palavra “seresta”, que até parece uma logomarca. Vemos aqui que não só a Bemol com seu selo para coleções fazia dessas loucuras. Muda-se nomes, muda-se artistas, mas a capa é a mesma. Isso sim é que é economia e reciclagem, hehehe…
Nosso artista da vez é Geraldo Tavares, um nome de verdade. Um dos poucos que tiveram oportunidade de se mostrar através do selo mineiro. Geraldo foi um seresteiro, nascido na cidade de Juiz de Fora. Trabalhou por mais de quaretenta anos em estações de rádios, principalmente na Rádio Guarani e Inconfidência, onde também apresentava um programa dos mais tradicionais da rádio mineira, o saudoso “Noites que não voltam mais”. Não foi por acaso que o presente lp, seu primeiro disco, teve este nome. Segundo as informações colhidas no blog A Música Que Vem de Minas, ele aqui vem acompanhado pelo Regional de Waldir Silva. Geraldo gravou também um outro lp, “Na Casa Branca da Serra” (suponho que seja também pela Bemol). Foi um dos maiores incentivadores da seresta, trazendo em seus programas radiofônicos os mais diversos artista seresteiros. Promoveu e atuou em serestas inesquecíveis, por diferentes lugares dessa Minas Gerais.
Oswaldo Silva – Seresta (S/D)
Bom, já se passaram duas semanas com postagens diretas dedicadas à Paladium. Se formos continuar nessa linha, provavelmente teremos ainda muitas outras semanas. Por essa razão e por outras também, estou pensando em criar um blog exclusivo para os discos do selo. Já até criei uma nova conta no Blogger e no WordPress para isso. Só me falta agora achar tempo para administrar mais um blog (ou dois). Vamos ver…
The Black Boys – I’m A Believer (S/D)
Olás! Eu pensei que teria mais tempo no fim de semana para me dedicar às postagens dos discos do selo Paladium. Fiquei de fazer aqui um relato sobre o meu encontro com o Sr. Dirceu Cheib, mas realmente não tive tempo. Além de problemas pessoais, estou também cheio de trabalhos que me roubam muitas horas e até a inspiração. Estou chegando a conclusão de que não adianta eu ficar planejando ou prevendo o que virá em seguida. Acabo me comprometendo e criando expectativas em vocês. Pelo jeito, ainda não vai ser hoje que irei relatar alguns fatos, os principais, sobre o selo mineiro e suas aventuras fonográficas.
Por hoje, vamos seguir com mais um exemplar das coleções. “The Black Boys” é outro daqueles discos sortidos e dirigidos ao público jovem da época. Uma série de ‘hits’ tanto da Jovem Guarda quanto internacionais, com direito até a uma versão de “Delicado” de Waldir Azevedo.
Dentro desse esquema de produção de discos, saber quem foram os “The Black Boys” é uma questão que nem mesmo o Dirceu Cheib saberia nos responder. Mas por certo, foi mais um grupo anônimo de músicos mineiros gravando na madrugada. Confiram aqui o repertório…
Conjunto Los Romanticos – Dos Almas (S/D)
Vamos hoje bater com o lado internacional da Paladium. Vai ganhar outro doce quem descobrir quem realmente foi o Conjunto Los Romanticos. 🙂
Luiz Humberto – Temas Para Dançar (S/D)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como eu havia comentado ontem, aqui vai mais um bom exemplo dessa história de discos relançados com nomes trocados pelo selo Paladium. Assim como o Rubens Bassini se tornou Raul Ferreira, o organista Celso Murilo se transformou em Luiz Humberto. E olha que pela selo mineiro ele saiu em dois disco, este e o “Dançando nas nuvens”, postado aqui em agosto do ano passado. “Temas para dançar” foi apresentado há tempos atrás pelo excelente blog Bossa Brasileira. Foi de lá que eu busquei mais este exemplo, o qual, como poderemos constatar era antes o “Ritmos na passarela”, lançado à uns três ou quatro anos antes, também pelo selo Pawal. Se formos pesquisar a fundo, veremos que talvez, muitos lançamentos da Pawal se tornaram novos discos nas versões da Paladium, Coledisc, Beverly e outros selos considerados obscuros ou de segunda linha. Ao contrário do que anunciou nosso amigo do blog Bossa Brasileira em sua postagem, “Luiz Humberto, Orgão & Ritmos – Temas para dançar (1962)”, o álbum foi lançado pela Paladium por volta de 64 ou 65. Foi nessa época que a Paladium começou a trabalhar com ‘as matrizes intercambiáveis’. Conforme me contou o Dirceu Cheib, o que era produzido de verdade na Bemol, muitas vezes era também relançado com outros nomes e em outras gravadoras. Este era um procedimento aparentemente normal entre as pequenas editoras (e nas grandes também!).Rubens Bassini E Os 11 Magníficos – Ritmo Fantástico (1961)
Excepcionalmente, estou abrindo espaço para mais uma postagem no dia, esclarecendo um pouco sobre este curioso fato do disco do Rubens Bassini que virou nas mãos da Paladium Raul Ferreira e Seus Ritmistas. É interessante perceber como um disco lançado em 1961, uns quatro anos depois, reaparece com outro nome e em outro selo como se antes nunca tivesse existido. Provavelmente deve ser o que pensaram os responsáveis pelo selo Pawal ao repa$$ar para outros os fonogramas. Tenho certeza que o pessoal da Paladium não se apropriou indevidamente dessas gravações. A coisa não chegava a esse ponto. Como eu havia dito anteriormente, a Bemol/Paladium fazia umas ‘transações fonográficas’ com uma turma do Rio de Janeiro que havia criado um selo, o Coledisc. Eles negociavam matrizes, relançando com outros nomes e capas. Ainda não havia no Brasil um controle de direitos autorais com os de hoje… quero dizer, no sentido técnico da coisa. Provavelmente o Rubens Bassini não ganhou muito com a gravação desse disco e com certeza não viu um centavo estando na pele de Raul Ferreira. Talvez ainda, nem tenha ficado sabendo dessa história (isso para não falar no álbum relançado lá fora, em cd, pela WhatMusic).
Por outro lado, a Bemol ao adquirir as gravações ou matrizes nem devia saber quem era o artista ou quanto este disco havia vendido. Certamente, embora seja um excelente trabalho musical, não deve ter despertado muito interesse na época. Tanto assim que poucos anos depois ele já tinha se transformado em outra coisa.
Amanhã postarei mais um caso, semelhante a este. Confiram também aqui as duas versões. Este disco é tão bom que vale a pena uma dose dupla 😉
Raul Ferreira E Seus Ritmistas – Céu E Mar (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos! Gostei de ver… responderam prontamente à última postagem. Alguns tiveram até a gentileza de enviar a capa e contracapa original, o que mais uma vez eu agradeço. Embora agora já tenhamos o disco completo, não irei mexer em nada, deixarei a postagem como está. Só assim ela faz sentido, não é mesmo?
Para hoje vamos com “Raul Ferreira e Seus Ritmistas”. Este disco é um dos poucos da Paladium que já foi bem divulgado em blogs e sites. Atualmente pode ser encontrado também no Acervos Origens, e para a venda do vinil, em diversos sites e no Mercado Livre. Entre os discos da Paladium este é um dos poucos que nos parece ser um álbum de carreira, ou melhor dizendo, um disco de artista de verdade. Pelo nome, pela capa, temos quase a certeza de que Raul Ferreira existiu. Mas, segundo o criador da Paladium, Dirceu Cheib, trata-se de mais um pseudônimo. Ele não se lembra mais quem interpretou esse papel, mas afirmou ser este mais um nome fictício. Eu desconfio que este disco em especial foi gravado no Rio de Janeiro, com músicos locais. Digo isso porque na conversa que eu tive com o Dirceu ele me contou que fazia um certo ‘intercâmbio fonográfico’ com uma editora musical do Rio, a Coledisc, que seguia na mesma onda da Paladium, fazendo discos para coleções e vendas a domicílio. Pelo estilo e repertório do ‘Raul Ferreira e Seus Ritmistas” eu tenho quase a certeza de que foi assim. Quem ainda não viu e nem ouviu o disco, tem aqui o prazer de conferir. Muito bom!
P. Trio – Embalo (S/D)
Olás! Diante a tantos discos e a toda oculta história da Paladium, eu acho que ainda iremos render mais uma semana postando seus títulos. Eu ontem estive no Estúdio Bemol recolhendo um depoimento com o Dirceu Cheib e ele me esclareceu muitas coisas sobre o selo. Sem dúvidas, muito do que eu já supunha e escrevi em postagens anteriores foi confirmado. Deixarei para fazer o relato de tudo no final de semana, quando terei mais tempo para escrevinhar a verdadeira história da Paladium e o meu encontro com este senhor, que foi o pioneiro e é um dos mais respeitados profissionais da gravação no Brasil.
Para compor o nosso dia, estou trazendo hoje um disco, o qual eu não tenho a capa. Descobri que se tratava de um exemplar com erro. O selo do lado B não corresponde às músicas das faixas. Consta como sendo do ‘conjunto’ The Black Boys, um grupo ao estilo da Jovem Guarda. Mas ao ouvir percebemos o engano. O selo foi colado no disco errado. O que temos na verdade não é ‘êi êi êi’ e sim um belo disco de bossa e jazz. O lado B é a sequência do disco do ‘grupo” P. Trio, pura Bossa Nova. Como eu não tenho a capa, não achei informações sobre o disco. Quanto ao “P. Trio”, não deve ser mineiro, possivelmente deve ter sido formado por músicos paulistas ou ainda cariocas. Havia um certo ‘intercâmbio fonográfico’ entre a Bemol/Paladium e um grupo de empresários cariocas responsáveis pelo obscuro selo Coledisc, que seguia a mesma onda do selo mineiro. Algumas das faixas do lado trocado, eu não soube imediatamente identificar. Estou deixando essa missão para os amigos cultos e ocultos do blog. Quem adivinhar ganha um doce 🙂 O concurso termina assim que todas as faixas forem nomeadas 😉
A capa original eu não consegui localizar, nem como exemplo. Daí, criei essa frontal que nada mais é que uma derivação da capa do disco dOs Abutres, já postado aqui. Notaram a semelhança? Confiram o disco. muito bom!
spanih feea