Olá amigos cultos e ocultos! Continuando… segue aqui mais um volume de coleção. Mais um raro entre os mais raros. “Eternamente te amarei” faz parte da série que vinha em ‘box’, ou seja, em uma caixa com outros volumes, como foi também o “Bem Bolado – Gravado Ao Vivo Na Boate Uai”. Esses discos, como vocês poderão perceber, não traziam nenhuma informação sobre seu conteúdo além da relação das músicas. Ficha técnica, nem pensar. Talvez alguma outra informação na caixa ou mais certo ainda no selo. Aqui temos uma coletânea que, por sorte, nos traz pelo menos os nomes dos artistas. Embora eu não me lembre, acredito que os artistas aqui são nomes de verdade. Seriam músicos mineiros, paulistas? Não se sabe… Pelo título do álbum a gente logo pensa que se trata de um disco com músicas suaves, românticas e até orquestradas, mesmo sendo a capa um tanto quanto psicodélica. Na verdade, em se tratando da Paladium, não se pode prever nada. O que temos aqui é uma salada mista que reúne bandas de rock, jovem guarda, pop internacional e um cantor chamado Jomar, que à ouvidos leigos irão dizer que é o Nelson Gonçalves versão pão de queijo. Infelizmente duas das faixas apresentam problemas. Foram atacadas por cupins, juro! Quem pensa que cupim come só madeira se enganou. Bichinho voraz! Isso é o que se pode chamar literalmente de um ‘jantar musical’. Confiram aí antes que ele coma mais… 🙂
Conjunto Paladium – Parada De Sucessos (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos! Como eu havia informado, continuaremos nesta semana apresentando mais alguns discos da série Paladium. Vamos assim, a cada dia, descobrindo um pouco mais sobre essa incrível aventura fonográfica nascida em Minas Gerais.
Ainda trabalhando com suposições, temos para hoje o Conjunto Paladium, nome dado ao grupo de instrumentistas (anônimos) que realizaram as gravações do volume “Parada de Sucessos”. Pensando um pouco melhor, ao conhecermos o exato sentido das Coleções Paladium e a maneira como tudo era feito, entendemos que realmente pouca importância faria na época os seus discos trazerem uma ficha técnica verdadeira, ou mais completa. Como já foi dito, a Bemol/Paladium não trabalhava exatamente com artistas renomados, não tinha em sua folha de pagamentos artistas contratados e exclusivos. Segundo as minhas investigações, os músicos eram recrutados para fazerem um ‘bico’, um trabalho musical sem grandes pretensões (para eles, claro!). Nos primeiros momentos da Paladium as gravações eram feitas em estúdios de São Paulo e com músicos paulistas. Depois, para reduzir as despesas, Dirceu Cheib e sua equipe, passaram a fazer as gravações em Belo Horizonte mesmo. Ele já estava planejando a criação de seu estúdio, que entrou em funcionamento a partir de 1967. Mas antes que o estúdio se tornasse uma realidade, ele adotou a capelinha de São Francisco de Assis, na Pampulha, criada por Oscar Niemayer, como o local ideal para suas gravações. Muitos desses discos do selo Paladium nasceram na igrejinha e foram concebidos de madrugada. Nessas aventuras pela noite a dentro participaram músicos que hoje são artistas mineiros famosos. Entre eles temos o maestro e arranjador Aecio Flávio de quem eu incluo parte de um texto onde ele descreve esse momento, leiam:
Havia um grupo de empresários mineiros liderados por Dirceu Cheib, que fabricava e distribuia de casa em casa, por todo o estado de M.G., Coleções de Discos LP como, por exemplo: “As melhores músicas romanticas italianas”,”Sucessos musicais do Cinema”, por aí a fora… Tinham um Selo próprio de nome Palladium; Aquilo devia vender mais que chuchú na feira. As gravações eram feitas em Estúdios de São Paulo, com arranjos e músicos de lá.
Com o surgimento de músicos da nossa geração, que “resolviam a parada”, esse pessoal resolveu gravar em Belo Horizonte mesmo, o que inclusive devia baratear a produção.
Um belo dia, fui chamado para participar da gravação de um desses LPs tocando acordeon, meu instrumento na época (anos 50). O mais curioso é que como ainda não existia Estúdio de gravação em Belô, O Dirceu Cheib teve a feliz ideia de experimentar a Acústica da famosa Igrejinha da Pampulha, projetada pelo Oscar Niemeyer, já famosa no Brasil e no exterior, não pela sua Acústica, mas pelo próprio Niemeyer e pelas pinturas de Portinari, que decoravam a Igreja, ao invez das tradicionais Imagens de Santos.
Pois bem, o pessoal da “Palladium” tinha lá um acordo com o padre responsável pela igreja, que a liberava para as gravações, desde que fossem realizadas depois da meia-noite e depois de verificar que as músicas do repertório não eram tão profanas assim. Se fosse nos dias de hoje seria todo mundo excomungado, por causa do repertório, com certeza, haja visto o que faz sucesso por aí! E lá fomos nós (violinos, metais, percussão violões, acordeon, etc) em várias Kombis, saindo do “Ponto dos músicos”, pra desembarcar na frente da Igrejinha da Pampulha, depois de meia-noite, que nem um bando de Saltimbancos (Eu disse “saltimbancos…). E não é que a acústica era boa mesmo? Principalmente para os violinos, violas e cellos. Tinha uma reverberação natural muito boa que, só era m pouco exagerada pra os instrumentos de rítmo (os santos deviam olhar desconfiados praqueles “instrumentos de Carnaval”) mas que com uma dinâmica caprichada de orquestra, não comprometia o resultado. Eu estava que nem “Pinto no lixo”né, gravando pela 1ª vez, com orquestra de cordas, na Igreja da Pampulha, era a glória! O repertório naquela noite era de músicas italianas de sucesso na época, tipo “Yo che no vivo sensa te” e outras do gênero. O Maestro que dirigia a gravação, responsavel pelos arranjos, era o falecido e engraçadíssimo pianista Zé Guimarães, que atuava tambem comigo na Orquestra do Delê, o dono dos bailes em B. Hte!
No final da gravação, percebendo que ainda faltavam algumas músicas pra completar o LP de italianas, eu me enchí de coragem e pedí pro Zé Guimarães:-“Oh Zé,deixa eu fazer um desses arranjos aí pra te ajudar?” (Na maior cara de pau, porque eununca tinha ousado fazer um arranjo pra ser gravado, só mesmo pro meu grupo de bailes, com 2 instrumentos de sopro e a cozinha) “Claro… disse o Zé, …ainda faltam esta e esta aquí, escolhe uma e manda brasa! E assim fiz e gravei , em outra sessão, o meu primeiro arranjo pra orquestra. Fiquei na maior emoção quando ouví o resultado. Algumas passagens soaram melhor do que eu esperava, mas outras, se eu pudesse mexia, melhorava… Mas, do “alto” dos meis 18 anos e em frente aqueles senhores, violinistas da Sinfônica, não tive coragem de parar a gravação e consertar alguma partitura. Mas mesmo assim, me orgulho mais daquele arranjo do que eu fiz anos mais tarde para a Grande Orquestra da Rede Globo, num dos extintos “Festivais Internacionais da Canção”, no Maracananzinho, já então como maestro-arranjador, contratado, onde tive a honra de conviver com os Maestros Radamés Gnatalli (grande figura), Kachimbinho, Leonardo Bruno Ferreira, Geraldo Vespar, Guto Graça Melo, Cipó, Mário Tavares e outros…
Pouco tempo depois das experiências na Igrejinha da Pampulha, Dirceu Cheib (não disse que vendia feito chuchú na feira?) construiu e inaugurou o primeiro estúdio de gravação de B Hte, o estúdio da “Gravadora Bemol”que existe até hoje e onde, convidado, trabalhei muitos anos como arranjador, aprendí muito, fazendo, experimentando; e levei o garôto Antônio Maurício Horta de Melo, pra fazer sua estreia como violonista em Estúdio de gravação… lembra, Toninho Horta ?*
Como podemos ver, a Bemol/Paladium tem muitas histórias para contar. Essa em especial, acho que tem a ver com o disco do dia. Seria o Aecio Flávio um dos músicos participantes desta “Parada de Sucessos”?
Paco Gonzalez – Harpa Sentimental (S/D)
Eu teria para hoje diferentes discos e bem apropriados para comemorarmos o Dia das Mães. Mas como estamos na semana dedicada aos discos do selo Paladium, achei melhor não quebrar o ritmo e procurar entre os álbuns da série algo condizente com a data.
Bem Bolado – Gravado Ao Vivo Na Boate Uai (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos! Vez por outra nossos arquivos para ‘download’ tem apresentado problemas na hora da descompactação. Isso na verdade acontece no momento do ‘upload’. É como se houvesse uma ruptura nos dados quando os mesmos são enviados. O jeito é reenviar o arquivo compactado para o servidor. Como vocês já sabem, eu não tenho tempo para checar se o arquivo está certo ou não. Por isso, peço que continuem avisando quando isso acontecer. A correção é rápida, mas depende do clima lá do céu ;).
Reservei para hoje um dos discos mais raros da série Paladium. Um álbum do qual eu não me lembro de já tê-lo visto anteriormente, nem em sebos. Dos discos lançados pelo selo, este talvez seja um dos mais importantes, pois registra um show ao vivo, um momento interessante na história da música popular em Minas Gerais. Não se trata, obviamente, de algum artista de renome ou especial, bem porque, sendo um disco da Paladium, não temos nenhuma informação nem sobre os músicos participantes, ou mesmo sobre a gravação (data e local). Mas o que o torna um álbum singular é o fato de ter sido gravado ao vivo, talvez o primeiro em Minas Gerais. Pelas poucas informações, sei apenas que foi gravado numa boate de Belo Horizonte chamada Uai (também não me lembro dela). Nesta época, um dos principais músicos da Bemol era o Célio Balona. Ele gravou vários discos pelo selo Paladium, muitas dessas gravações inclusive nem constavam o seu nome. É de se supor que neste “Bem Bolado” tenha também os dedos dele.
No álbum temos um repertório mesclado por temas nacionais e internacionais, sucesso da época num clima de ‘night club’. São doze músicas, as quais não trazem separação por faixas. Porém, para esta edição, fizemos o favor de desmembrá-las, dando um ‘trato’ também no som do nosso ‘chiadofone’. Outra curiosidade no disco, diz respeito a sexta faixa/música, um ‘standard’ do jazz americano, bem ao estilo do Dick Farney, a qual não foi listada na capa e nem no selo. Segundo me informaram ela só não entrou na lista impressa porque no dia da produção do disco ninguém sabia o nome da música. Incrível, não? 🙂 Eu até que conheço a música, só não sei o seu nome e nem vou procurar saber. Deixo essa para vocês.
Taí, uma postagem merecedora de comentários que vão mais além do que apontar erros ortográficos do escriba aqui. Quem tiver algo a complementar, por favor, não se faça de rogado. Eu ainda não consegui maiores informações sobre a Era Paladium, mas antes que o nosso tempo acabe, espero esclarecer alguns pontos ainda obscuros. Vamos conferindo…
Turma Da Lenha – É Uma Brasa (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos! Para que possamos dar sequência em nossa mostra de álbuns da série Paladium, nesta semana, não teremos o artista/disco independente. Agora que eu entrei no embalo, não dá para parar…
O disco de hoje ‘é uma brasa’, mora? Sim, uma seleção de ‘hits’ extraídos exclusivamente da Jovem Guarda. São doze músicas interpretadas pelo conjunto Turma da Lenha. Mais um grupo musical criado para complementar o disco (e vice versa). A respeito disso, soube que muitos dos (hoje famosos) músicos mineiros passaram pela Paladium e possivelmente até tocaram neste e outros discos do selo. Ao ouvir o lp percebemos que a turma mineira, embora batendo de ‘covers’, não deixa nada a desejar aos originais da Jovem Guarda. Confiram o toque…
Roy Miller E Sua Orquestra – Música Espetacular (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos, estão gostando da semana Paladium? Segurem a onda porque ainda tem mais. Só não sei se uma semana irá bastar. Existem muitos discos pelo selo, inclusive compactos. Um outro fato interessante sobre a Paladium é que quando ele nasceu, os primeiros discos (que eu não sei exatamente quais são) foram gravados em São Paulo, com músicos (anônimos) paulistas. Isto porque na terras das alterosas ainda não havia um estúdio profissional de gravação. Suponho inclusive que quem andou dando uma força musical nesses primeiros tempos foi o maestro paulista Edmundo Peruzzi. Foi ele quem deu a idéia à Dirceu Cheib de criar uma gravadora em Minas Gerais.
Nosso próximo título é “Roy Miller e Sua Orquestra”, conhecem o artista? Provavelmente não, ele nunca existiu, foi mais um no jogo dos pseudônimos. Como outros títulos do selo, temos aqui o mesmo formato de repertório misto, internacional e instrumental. Música ambiente, daquelas que tocavam em elevador. Hoje a chamamos de ‘lounge’. Chic, né? Para não ficarmos só nos internacionais eles resolveram incluir o então sucesso recente de Chico Buarque, a emblemática “Carolina”, uma música com cheiro de nostalgia, bem na estética das demais. Como sempre, a capa é a contradição do conteúdo, psicodelia na casa da vovó. Tem também uma outra versão para “You only live twice”. Tá valendo… 🙂
Beagá Band’s – Em Cima Do Sucesso
Taí, mais um álbum da Paladium. Desta vez temos o grupo Beagá Band’s. Pelo nome já deu para perceber que se trata de um conjunto formado por artistas da capital mineira, Belo Horizonte. Infelizmente não temos o nome dos integrantes. Na verdade seria mesmo difícil, visto que a Beagá Band’s pode ter sido ‘montada’ com diversos artistas e sessões de gravações. Pelo que eu pude entender, o selo Paladium não estava buscando criar um ‘cast’, não tinha artistas contratados e nem investia na carreira dos mesmos. Seu foco era mais a produção em cima do que já era conhecido, ou seja, o negócio era vender música e estilos musicais conhecidos. Para isso, criavam grupos e orquestras fictícias, nomes que só existiam para dar uma certa identidade ao disco. Podemos dizer que o selo Paladium foi o maior produtor fonográfico de ‘covers’, ou pelo menos o único exclusivo.
No presente álbum, temos uma seleção musical das mais improváveis. Fica claro ao ouvirmos, que este disco foi gravado entre diferentes dedos, mãos e bocas. Um trabalho inteiramente instrumental num repertório todo ‘demodê’. A única música que faz jus à capa com tema psicodélico é “Satisfaction” dos Stones. As demais caberiam em algo parecido com “Beagá Orquestra’s” ou coisa assim. Disquinho curioso…
Os Abutres – Let Kiss (S/D)
Como vocês perceberão, os discos do selo Paladium não trazem data. Em algumas postagens anteriores de discos dessa série, aqui no TM, os álbuns foram datados por suposição. Ainda não consegui descobrir a época certa em que as coleções da Paladium começaram a sair. Sei apenas que foram a partir da segunda metade dos anos 60. Vou ver se consigo mais informações com o Dirceu Cheib. Vou ligar para ele. Esta é uma história que precisa ser contada!
Seguindo, temos para hoje, entre os mais raros, o álbum “Let Kiss” do grupo Os Abutres. Ao que tudo indica, esses Abutres não são os mesmo do álbum (Os Abutres Atacam) postado aqui há quase três anos atrás. Segundo as informações da contracapa (como se valesse alguma coisa), esta foi a primeira gravação do grupo. O conjunto era integrado por cinco jovens (sem nomes) e a seleção musical feita com preocupação para agradar ao público cativo do selo. Ainda, segundo o texto, “o certificado da qualidade do conjunto foi conquistado no ‘Festival da Música Trepidante’ (nunca ouvi falar), através do troféu entregue ao Abutres pela inequívoca vitória alcançada. Participaram do festival 14 conjuntos considerados os melhores…” A seleção musical é bem na linha do famoso grupo dos anos 60, o The Pop’s. Aliás, Os Abutres mineiros fazem bem o gênero. Tem que conferir…
The Hot Gang – Explosive Young Impact (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos. Logo nos primeiros meses de existência do Toque Musical, eu comecei a levantar a lebre sobre o selo mineiro Paladium.
Até então obscuro, não havia nada na rede falando sobre os discos lançados por essa etiqueta. O que víamos eram alguns desses discos sendo vendidos através do Mercado Livre e Ebays da vida. Eu já sabia que a Paladium era na verdade um produto da gravadora Bemol, ou antes disso, da MGL (Minas Gravações Limitada). Porém, na época, nem mesmo no site da Bemol havia informações a esse respeito. Foi meio que por acaso que eu encontrei uma entrevista com Dirceu Cheib, criador da lendária gravadora, feita pelo engenheiro de som Peron Rarez. Nessa entrevista, muito esclarecedora por sinal, Dirceu também fala sobre a criação da Paladium. Segundo ele: “Depois da fracassada tentativa de encarar as multinacionais e com grande quantidade de discos em estoque, meu irmão Afrânio Cheib, que também trabalhava comigo no estúdio, sugeriu a ideia de venda domiciliar. Criamos coleções de seis discos, montamos várias equipes de vendas e saímos pelo Brasil afora com as coleções Paladium, vendendo de porta em porta (loja em loja).” Não ficou muito claro se a Paladium foi criada naquele momento ou se já existia e não conseguia emplacar devido às grandes gravadoras. Segundo o maestro e arranjador Aecio Flávio, que no início de carreira também passou pela gravadora, os discos da Paladium vendiam mais que chuchu em feira. O fato é que a Paladium foi uma etiqueta mineira cujos os seus discos, hoje, são disputadíssimos por colecionadores (principalmente os estrangeiros). Uma das curiosidades da Paladium era a criação de títulos dos mais variados, buscando abranger os mais diversos gostos musicais. Assim, temos sambas, orquestras, músicas românticas internacionais, jovem guarda e até bossa nova. Nessa onda, eles criavam também nomes fictícios de artistas e orquestras, pseudo artistas internacionais com nomes realmente curiosos. Ao longo da semana vocês verão um pouco mais dessa fantástica iniciativa fonográfica. Eu pretendo apresentar aqui mais alguns discos dessas coleções. Digo mais, porque antes disso, já havíamos postado alguns outros, que podem também serem conferidos aqui.
Para começar, vamos como “The Hot Gang”. Gostaram do nome? Pois é, um disco jovem, feito para o gosto musical da rapaziada da época. Saber quem são os músicos verdadeiros é uma investigação trabalhosa e talvez impossível. Inicialmente a coisa era toda feita em estúdios e com músicos de São Paulo. Depois, para baratear as despesas, passaram a gravar em Belo Horizonte mesmo, mais precisamente utilizando a Igrejinha da Pampulha, construida por Niemayer. Mas essa história a gente continua nas outras postagens. Melhor agora é ouvirmos o “The Hot Gang” que traz em seu repertório uma verdadeira salada mista. Confiram…
Galo Campeão Da Raça – Itatiaia Campeã De Audiência (1970)
Depois de um banho de descarrego ao som do ‘heavy metal’ alvinegro, acrescento agora um disco de verdade, num tempo que o Atlético Mineiro se destacava até no campo fonográfico. O Galo foi talvez um dos times brasileiros que mais teve discos produzidos, tanto musicais quanto documentários. Eis aqui um bom exemplo. Um álbum lançado pela Bemol, celebrando a conquista do campeonato de 1970. São gravações feitas pela Rádio Itatiaia de Belo Horizonte com os comentaristas esportivos da rádio, sob o comando de outro lendário comentarista, Oswaldo Faria (coragem para dizer a verdade). Embora seja um disco sobre o Atlético Mineiro, não deixa de ser curioso e interessante para aqueles que curtem o futebol.
Galo – Campeão Mineiro de 2010
Caçulinha – Samba’ação (1965)
Não muito diferente do dia de ontem, hoje também eu estou sem pique e sem tempo para me envolver com mais empenho na postagem. Felizmente, sempre temos como salvar o dia. Os amigos, cultos ou ocultos, sempre sabem a hora de aparecerem, trazendo novidades e raridades.
O álbum de hoje é uma colaboração do amigo Sérgio Digital, que enviou além desse, outros discos, os quais ao longo de nossa jornada diária irão sendo apresentados.
Temos então, em nosso blog e mais uma vez, a figura de Caçulinha, um artista hoje lembrado apenas como animador musical no programa do Faustão. Mas como já vimos aqui, em outra postagem, Caçulinha é muito mais que isso. Mais uma prova de seu talento é este maravilho lp, lançado por ele na Continental, em 1965. Um álbum bacana e como disse o Sérgio, um momento raro de ver e ouvir Caçulinha dedilhando um Hammond ao lado de seu conjunto. O repertório é dos melhores, como se pode conferir logo abaixo. Um disco que nessa algura do meu cansaço vale mais a pena ouvir. Confiram o toque…
Tatiana Monteiro – Tati Canta (2010)
Olá! Hoje está sendo mais um desses dias difíceis para mim. Embora seja sexta feira, estou me sentindo como se fosse uma segunda brava. Aproveito o tempinho do café da tarde para fazer a postagem do dia. Se não for agora, hoje não tem mais… Com é sexta feira, dia do artista/disco independente, não posso dar o bolo. Reservei para o dia de hoje o nosso encontro com a cantora pernambucana Tatiana Monteiro. Ela ainda é pouco conhecida aqui para as bandas do sul. Só recentemente é que vim conhecer o seu trabalho. Segundo as informações que eu recebi, Tati, que também e compositora, estreou em disco (cd) em 2001, numa coletânea de músicas carnavalescas classificadas num concurso promovido pela Prefeitura do Recife. De lá para cá ela fez muitas outras coisas, não apenas se dedicou à música de carnaval, mas também abriu o leque cantando bossa nova, regional, jazz, músicas francesas e muito mais. Tatiana faz parte do “Bande Ciné”, um grupo dedicado a interpretar clássicos musicais do cinema americano. No disco, um cd lançado apenas para o amigos, temos reunidos todos esses momentos. São 16 músicas, sendo algumas de sua autoria. Poderemos ver e ouvir Tatiana Monteiro em diferentes fases. A cantora tem uma bela voz e um estilo bem prórpio. Ela canta e encanta. Podem conferir que eu garanto 😉
Dilermando Reis – Saudades De Ouro Preto (1968)
Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Hoje eu vou atender à um pedido que me foi feito a quase um ano atrás. Na época, realmente não foi possível, pois o disco que eu tinha estava em péssimo estado e em se tratando de música instrumental, solo de violão e principalmente sendo o Dilermando Reis, seria um pecado apresentá-lo nessas condições. Por outra, acho que não me preocupei mais porque acreditei que este lp, lançado em 1968 pela Continental, fosse uma coletânea. Ainda suspeito que sim, pois muitas das músicas contidas nele, Dilermando já havia gravado nos anos 50. Como não tive tempo para ouvir e comparar versões, deduzo que sejam as antigas gravações. Vou deixar essas questões para os comentários de vocês. Para variar, estou um pouco atrasado e como já dizia minha velha tia, ‘cheio de costuras’. Confiram e comentem…
Sexteto Prestige – Música E Festa (1958)
Olá amigos cultos e ocultos! Estou um pouco atrasado na postagem, mas ainda estamos em dia. Vejam vocês como são as coisas… O tal advogado me retornou após a minha resposta. Dizia ele: Prezado Senhor, Respeitando os seus argumentos – os quais já escutamos por diversas vezes de outras pessoas – reiteramos que retire de imediato o audio de seu blog, sob pena do devido processo legal. Atenciosamente, Dr. Francisco Rezende (taí o nome do hômi). Resolvi entrar na brincadeira e respondi novamente (o que é uma verdade), não tenho nenhum arquivo de áudio no blog e muito menos link. Há sim, uma indicação no Comentários de um endereço, o qual o visitante poderá copiar e depois colar no seu navegador e assim ir ao site onde o arquivo de áudio esta disponível para baixar. Dizer que o que eu faço é pirataria é aplicar errado o termo, no sentido de ofender. Mas eu não ligo, porque sei que a esses falta a consciência e sempre nos próximos capítulos eles tropeçam em suas próprias armadilhas. Quando a gente faz alguma coisa nessa vida por bem, é impossível que ela acabe mal.
Bom, deixando de lado essas questões desagradáveis, vamos ao disco do dia. Trago hoje este álbum, o primeiro disco lançado pelo selo Prestige. “Chama-se assim, justamente porque não pretende ser apenas mais uma nova marca a fazer lançamentos comuns, mas cercar seu nome de uma auréola de prestígio permanente, graças a uma série de discos da mais alta qualidade técnica e artística” Dessa maneira dizia o texto da contracapa, apresentando o primeiro disco e o conjunto da casa, o Sexteto Prestige, formado por músicos que alguns dizem ser integrantes, o pianista Waldir Calmon e o saxofonista Moacyr Silva. De fato, não existe uma informação, pelo menos eu não achei, sobre quem fazia parte do grupo. Suponho que o Sexteto Prestige, ao longo dos diversos álbuns lançados, teve várias formações. Vamos percebendo isso à medida em que eu for postando aqui os outros discos da série.
Quanto ao disco em si, o conteúdo musical, é realmente de prestigiar. Temos aqui apenas quatro faixas, mas em cada uma delas vem uma sequência em ‘pot pourri’. São 16 sucessos nacionais e estrangeiros, entre os quais os de grandes nomes como Antonio Carlos Jobim, Billy Blanco, Ary Barroso e outros. Vejam a baixo…
Rud Wharton Quarteto – Tempo De Dança Nº1
Bom, passado os desabafos, vamos ao disco do dia. Tenho para hoje este obscuro albinho de dez polegadas lançado pela Musidisc nos anos 50. Rud Whaton é um nome desconhecido para mim. Pesquisei exaustivamente na rede sobre esse artista, mas não tive muita sorte. Não encontrei quase nada, além do próprio disco sendo anunciado em diversos sebos para venda. Nesses anúncios, geralmente, também não há informações. Embora o lp nos apresente um repertório com temas nacionais, inclusive um autoral, um chorinho, chego a acreditar que Rud Wharton é um artista internacional ou um pseudônimo para algum instrumentista que por questões de contrato gravou com esse nome. Em algumas consultas e informações relacionadas, encontrei Rud Wharton com sendo um organista. Seria ele Ed Lincoln, Celso Murilo, Britinho, Waldir Calmon ou algum outro tecladista da época? Taí um mistério a ser revelado. Alguém saberia esclarecer? Ouçamos…
Um Desencontro No Au Bon Gourmet
Olá amigos cultos e ocultos! Começo a semana com uma postagem diferente, pelo menos inicialmente. Estou trazendo a público uma questão que eu gostaria de compartilhar com todos e por certo receber os comentários e opiniões.
Recebi neste fim de semana, para meu espanto (pois nunca passei por uma situação semelhante), um e-mail de um advogado (pelo menos é o que ele afirma ser), ‘informando’ que a gravação amadora do lendário show no restaurante Au Bon Gourmet, feito por Tom, Vinícius, João Gilberto e Os Cariocas é hoje de propriedade do Instituto Moreira Sales. Que esse registro fôra ‘vendido’ pelo radialista Pica Pau, segundo ele, detentor dos direitos autorais (embora a gravação tenha sido feita e era de propriedade de Jorge Karam). O advogado pede a retirada do arquivo imediatamente, sob pena de uma ação judicial. Como vocês todos devem saber, o Toque Musical não é uma loja virtual de discos. Aqui não há comércio ou ‘outros negocinhos’. Não estamos vendendo ou doando discos, fitas ou qualquer outro objeto do gênero. Aqui, apenas falamos desses e os indicamos. Será que encontraremos no site do IMS acesso à esses arquivos sonoros? Será que a história da Música Popular Brasileira só pode ser contada e ouvida através de grupos limitadores? Como é que é isso?
Publico a baixo a minha resposta, que foi enviada a este advogado. Para evitar possíveis ‘penas de talião’, estou retirando o link enviado. Caso alguém o procure, sabe-se que o mesmo eu poderei repassar por e-mail. Segue a baixo a minha resposta:
Sr Advogado,
a título de esclarecimento, gostaria de mais informações sobre o assunto. Pelo que eu sei, esta gravação, assim como tantas outras relacionadas à Bossa Nova estão disponíveis não apenas na Internet, em diversos sites para download, mas também (e principalmente) no Japão onde são comercializadas em cópias piratas. O mais curioso disso tudo é saber que os detentores de acervos dessa natureza, venderam (por um bom dinheiro) essas fitas (ou cópias) para colecionadores japoneses, os quais em seguida começaram a vender cópias (apenas no Japão) para interessados no mundo inteiro.
Se o senhor perceber bem, verá que no blog não há arquivos para serem baixados. O Toque Musical não disponibiliza produtos, apenas indica conteúdo. Por outro lado, gostaria também que o senhor me mostrasse esse contrato assinado. Como posso ter a certeza de que a gravação é a mesma e pertence ao IMS? Ela está acessível às pessoas, mesmo que para venda? Afinal, como é isso? Vocês tem o direito, estão usando esse material para alguma pesquisa? Estão disponibilizando à pesquisadores? Qual é o critério necessário para se ter direito a ouvir o conteúdo dessas gravações? Sinceramente, essas são questões que não apenas eu o faço, mas com toda a certeza muitos querem saber. Vivemos hoje um momento de revolução (e evolução). A lei do direito autoral ainda não foi mudada e nas condições atuais suas normas não se aplicam. Prova disso é que hoje qualquer conteúdo digital pode e está sendo compartilhado livremente. É bom lembrar que aqui, ninguém roubou nada de ninguém. Não há crime em falar publicamente sobre isso. A gravação que eu indico no meu blog está espalhada pela rede. Existem, que eu sei, pelo menos mais uns oito locais, sites ou blogs (isso para não falar em torrent, e-mule e tantos outros) compartilhando esses arquivos. Sugiro ao senhor fazer essa investigação, pois não será privando um blog respeitado como o Toque Musical que seu trabalho estará resolvido. Mesmo retirando a minha indicação de locais para se baixar os arquivos, eles continuarão existindo e com certeza estarão se multiplicando. Ao longo dos 3 anos de existência do blog, nunca tive problemas dessa natureza, isso porque não publico material que esteja em catálogo e nem os comercializo ou aceito doações em dinheiro em função do meu trabalho. Estou apenas preenchendo um espaço vazio, levando às pessoas interessadas um pouco de informação, história e cultura, a nossa cultura fonográfica e musical, que desde a muito tempo vem sendo sucateada, vendida ou entregue para estrangeiros, ou ainda capsuladas em museus que ninguém pode acessar.
Sugiro ainda que o senhor processe a Google, ao Rapidshare, Mediafire, Megaupload e tantos outros verdadeiros fomentadores, donos das ferramentas e responsáveis principais pelo que anda acontecendo no mundo, nesse sentido. São nesses que vocês devem focar. Não adianta aparar a grama, precisa mesmo é acabar com a praga. Resta saber o que é ou não é a praga. Eu, no meu entender, vejo que a praga é a ganância, o oportunismo vantajoso, a inveja e a ignorância…
Para finalizar, consultei o departamento jurídico do Instituto Moreira Sales sobre a sua pessoa e não encontrei o seu nome no quadro de funcionários ou de profissionais prestando serviços ao mesmo. Afinal, a quem mesmo o senhor está defendendo os direitos?
Cordialmente,
Augusto TM
Nazareno & Pena Banca – Um Sorriso E Tudo Bem (1975)
Êta dominguinho puxado! Pensei que não chegaria a tempo para a nossa postagem do dia. Hoje eu trabalhei o equivalente a uma semana. Estou exausto, mas vamos lá…
Hoje o nosso encontro é com a dupla Nazareno e Pena Branca. Alguém se lembra, já ouviu falar…? Pois é, antes que passe pela cabeça de vocês a ideia de uma dupla sertaneja, vou logo dizendo que não tem nada a ver. Aliás, o Pena Branca aqui é outro. Eles estão mais para Antonio Carlos e Jocafi ou Tom e Dito. Surgiram como duo justamente numa época onde duplas como essas faziam muito sucesso. E para fazer sucesso como elas, tinham de ser realmente boa. Os dois eram oriundos do Quarteto Teorema. Durante os anos 70 trabalharam em dupla, lançado este álbum, “Um sorriso e tudo bem”. Acredito que tenham gravado outros discos. Nazareno Vieira, o compositor principal, iniciou a carreira ainda nos anos 50. Sempre fez parte de trios, quartetos e duplas. Muitas de suas músicas foram gravadas por nomes como Wilson Simonal, Originais do Samba, Elizeth Cardoso, Emílio Santiago e outros…
Quanto ao disco, posso dizer que é um bom trabalho, bem acima da média. Músicas boas, arranjos melhores ainda. Tem “Desencontro”, música de Chico Buarque de Hollanda e “Cansei de ser você”, um chorinho de Pixinguinha. E tem mais… confira aí que eu aqui já estou babando de sono. Boa noite! Zzz…..
Sérgio Sá – Voa Vida (1982)
Olá amigos cultos e ocultos! Nosso encontro hoje é com o cearense paulista Sérgio Sá, um artista que tem andado sumido, pelo menos para mim. Já faz um tempo que não escuto falar dele, mas sei que continua muito atuante, inclusive como escritor. Sérgio veio para São Paulo ainda na adolescência. Cego de nascença, enfrentou diversos obstáculos, comuns a uma pessoa com deficiência visual, mas como tantos se tornou um vitorioso. Construiu sua carreira como músico, se tornando intérprete, compositor e arranjador. Já tocou com os mais diversos artistas, figuras do quilate de Hermeto Pascoal, Gilberto Gil e até Stevie Wonder. Tem em seu currículo um respeitável leque de canções gravadas por, também, outros diversos artistas famosos. Começou a carreira profissional nos anos 60, aos 16 anos. No início da década de 70 ele passou a compor para temas de novelas. Se tornou Paul Bryan, um pseudo artista internacional que emplacou uns quatro temas entre os dez mais vendidos no ano de 1974. Entre essas, a famosa “Don’t say good by”, que fez parte da novela da Globo “Cavalo de Aço”. Trabalhou também fazendo arranjos e como instrumentista (tecladista) para discos de artistas como Roberto Carlos, Simone, Jane Duboc e outros mais… Em 1982 ele gravou pela RCA este disco, intitulado “Voa vida”. Um álbum onde praticamente quase todas as faixas são autorais. Os destaques vão para a belíssima instrumental “Decolagem”, “Amigo desconhecido” e “Eu me rendo”. Essa última se tornou também sucesso na interpretação de Fábio Jr. Confiram…
Claudio Popó – Vendedor De Vidas (S/Data)
Ufa! Finalmente um tempinho para o descanso e também para a postagem do dia, que até agora não havia saído. Hoje, dia do artista/disco independente estava com duas outras opções de postagem já prometidas, mas devido a uns pequenos detalhes ficarão para as próximas semanas. Quem saiu ganhando com isso foi o cantor e compositor maranhense Cláudio Popó. O “Vendedor de Almas” já estava no jeito, esperando sua vez. Só não postei este disco antes porque não encontrei informações disponiveis na rede. Continuo na mesma, mas desta vez vou inverter o jogo, publico para que alguém se manifeste. A única coisa que sei sobre Cláudio Popó é que ele é um artista maranhence radicado no Rio de Janeiro. Era, ou é, proprietário de uma casa noturna, onde por lá se apresenta. O que desperta o interesse em conhecer melhor este artista é por certo a qualidade de suas músicas. O álbum, um lançamento independente, reúne 10 composições próprias, com belíssimos arranjos e participação de um grupo de instrumentistas muito bons. Será que o Cláudio Popó já pendurou a chuteira? Largou a vida incerta de artista e foi ser empresário. Alguém confirma?
Independente de qualquer coisa, este é um disco que vale a pena ser ouvido. Confira aí…
Pacífico Mascarenhas – Conjunto Sambacana – Sambacana (1964) Repost
Olá amigos cultos e ocultos! O meu tempo anda curto e a cabeça ligada em outras coisas. Por isso, acabei sem querer fazendo uma repostagem. Há quase dois anos atrás eu postei aqui este Sambacana, só que com a capa da versão lançada em 1969, pelo selo Imperial. Nem me toquei para o fato e só agora percebo isso. Seja como for, num ‘repeteco’ que vale a pena ouvir de novo, temos o Conjunto Sambacana, do precursor bossa nova mineira, Pacífico Mascarenhas. Este disco foi lançado em 1964 e como já foi dito, o primeiro da série Sambacana, de um total de seis lps. O trabalho contou com os arranjos de Roberto Menescal e Hugo Marota. Foi um disco aclamado pela crítica da época e é hoje um símbolo do movimento bossanovista nas Geraes. Se você ainda não tinha visto (e ouvido) o Sambacana por aí, não vai perder agora a oportunidade. Confira já!
Airto Featuring Flora Purim & Special Friends – The Essential… (1976)
Olás! Neste feriado de 21 de abril eu pensei em postar aqui um disco que tivesse algo a ver com a data. Pensei no Tiradentes, no Trancredo Neves, nos policiais civis e militares, na cidade de Brasília e nos metalúrgicos. Todos merecedores de considerações no dia de hoje. Tenho até discos relacionados aos mesmos, mas para não dizerem que eu estou aproveitando da situação, querendo me promover (promover em quê?), decidi me focar em um outro assunto. Ou melhor, resolvi dedicar esta postagem ao amigo Chris Rousseau que está de viagem marcada para a França. Ele vai, mas volta logo, com certeza. Nesse meio tempo irei apresentando a vocês alguns trabalhos dele, que irão entrando ao longo das nossas ‘sextas feiras independentes’. Estou ainda em processo de confecção das artes das capinhas (e dependendo da aprovação do artista). Tem muita coisa legal, vocês irão gostar 🙂
Segue assim este disco nota 10 do percussionista brasileiro radicado nos Estados Unidos, Airto Moreira. “The Essential…” é um álbum duplo (merecia ser triplo ou mais) que o instrumentista divide com a esposa e parceira Flora Purim e os convidados prá lá de especiais, Sivuca, Hermeto Pascoal e Ron Carter. Posso dizer sem certeza, mas com convicção, que este disco foi o melhor lançamento (no estilo) daquele ano. O álbum, felizmente, saiu no Brasil no ano seguinte através da Tapecar. Foi lançado em edição controlada pela gravadora americana Buddah Records. Quem tem o disco da edição nacional sabe disso. Os selos trazem um número de série das cópias produzidas, o que dá ao disco um carácter ainda mais raro. Musicalmente eu não me atrevo nem a comentar, visto que se trata de uma jóia de extrema qualidade e beleza. As músicas, quase todas, são do bruxo Hermeto que também é o responsável pela direção musical e arranjos. Um belíssimo trabalho, ‘but, made in USA’. Confiram já antes que jazz… 🙂
Viva Voz (1979)
E aqui vamos nós entre tapas e beijos… Eu correndo contra o relógio, sem muito tempo para render assunto. Nossas postagens seguem em frente, porque o toque não pode parar.
Temos para hoje o grupo Viva Voz, um sexteto vocal dos mais interessantes surgido no final dos anos 70. Começaram muito bem com este lp, lançado em 1979 pela EMI Odeon. Um trabalho produzido por Maurício Tapajós, com participação de grandes instrumentistas e também dos padrinhos Ivan Lins, Joyce e Djavan. As músicas escolhidas são quase todas inéditas e de autores de peso como os já citados e mais Milton Nascimento com Ferreira Gullar (ou Drummond), Sergio Ricardo, Novelli, Villa Lobos e Paulo Cesar Pinheiro que também assina o texto da contracapa apresentando a moçada do grupo.
Realmente um disco muito bom, talvez o melhor dos que eles gravaram. Bem produzido, bem arranjado e já com a firmeza de um conjunto experiente. Muito bom, muito bem… Viva a voz!
Roberto Carlos – Curiosas Raridades Dos Primeiros Anos Do Rei (1966)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje, dia 19 de abril, o Rei Roberto Carlos está completando 69 anos de vida. Vamos todos aplaudir e desejar juntos felicidades e muitos anos de vida. Que o Roberto possa ainda nos surpreender com suas criações. Pessoalmente, venho esperando isso há mais de 35 anos! Parabéns Roberto Carlos!
Para comemorar a data, improvisei rapidamente esta postagem, reunindo algumas gravações curiosas. São trechos gravados em estúdio, mostrando um jovem Roberto Carlos ainda no processo de criação de alguns de seus maiores sucessos. Tem também trechos de uma apresentação do artista no Estádio do Guarani, em 1966. Propagandas e televisão. Aliás, todo esse material me parece ter sido dessa época e não exatamente dos primeiros anos como indica a capa. Essas gravações me foram enviadas já faz tempo, nem me lembro mais quem foi. Contudo, esse material não é nada inédito e já esteve circulando pela rede há tempos atrás. Eu apenas organizei. Está incluído também um disquinho de papel, propaganda promocional das canetas Sheaffer, onde temos a versão de sucesso, “O calhambeque”. Faço dessa forma a minha homenagem a um dos artistas mais popular da música brasileira de todos os tempos. Salve Roberto Carlos!
Tibor E Sua Orquestra – Ray-O-Vac Apresenta (s/data)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! A sexta-feira, já se tornou um dia propício para postagem de álbuns e artistas independentes, fora do eixo das grande gravadoras. Acredito, todos já sabem disso, mas é sempre bom lembrar e esclarecer aos novos visitantes. O disco de hoje, talvez não seja exatamente um álbum independente. Lançado como promoção das pilhas Ray-O-Vac, através de um obscuro selo PAT Records, este lp nos traz um encontro exclusivo com o maestro e arranjador Tibor Reisner e sua orquestra. Por certo, a maioria das pessoas não fazem ideia de quem foi este músico. Húngaro naturalizado brasileiro, o maestro Tibor viveu e atuou em Joinville – SC por muitos anos. Foi regente da extinta Orquestra Filarmônica-Lyra e diretor da Escola de Música Villa Lobos, ambas nessa cidade. Nos últimos anos de vida mudou-se para São Paulo, depois de ter amargado o desgosto de não conseguir criar em sua cidade uma Orquestra Sinfônica. Segundo informações, ele vivia sozinho em São Paulo. Já doente, foi resgatado por amigos e levado de volta a Joinville. Seu único parente era uma irmã que veio da Alemanha para cuidar dele. Levou-o de volta para a capital paulista para tratamentos. Faleceu aos 73 anos, em 1999. Deixou uma obra volumosa, inédita e inacaba.
Neste álbum promocional, encontramos o arranjador, regente e instrumentista a frente de uma pequena orquestra formada por músicos estudantes, possivelmente da sua Escola de Música Villa Lobos. O repertório, dividido em sete faixas em ‘pot pourri’, apresenta uma série mista com temas nacionais e internacionais. Há também uma faixa autoral, “watakashi to anata”. Um trabalho feito exclusivamente para o disco promocional das populares pilhas ‘amarelinhas’, agradando a todo tipo de público da época.
Orquestra Do Sindicato Dos Musicos Profissionais Do Rio De Janeiro – Pérolas da Música Brasileira (1955)
Olá amigos cultos e ocultos! No ritmo das orquestras, temos para hoje (e rapidinho) um encontro de músicos que atuavam em diversas orquestras do Rio de Janeiro na década de 50. São instrumentistas das rádios Nacional, Mayrink Veiga e Tupi. Componentes das orquestras de Severino Araújo, Peruzzi, Carioca e outras. A ideia de reunir os instrumentistas associados ao Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro partiu do Maestro Gustavo de Carvalho, mais conhecido como Maestro Guaraná. Ele também é o responsável pela direção da orquestra e todos os arranjos. O disco, um lp de dez polegadas, tem uma seleção musical muito boa, como se pode ver logo a baixo. Os arranjos do Maestro Guaraná são arrojados, primando pela qualidade, bom gosto e uma singularidade que se destaca de outras versões orquestrais para as mesmas músicas. Posso parecer meio ingênuo, mas esses arranjos me lembram coisas de Villa Lobos e Antonio Carlos Jobim. O que não deixa de ser uma feliz comparação. Vale mesmo a pena ouvir este raro disquinho. Confiram já este toque….
Orquestra Brasileira De Danças – Uma Orquestra Em Ritmo De Samba (1959)
Olá a todos! Pelo andar da carruagem, acho que nossa semana vai ser assim, ao ritmo das orquestras, seus regentes e instrumentistas. Tenho aqui uma lista de espera com algumas raridades que precisamos escutar. É incrível a quantidade de títulos musicais produzidos em vinil nas décadas de 50 e 60. Isso para não falar do antes e do depois. Além dos Estados Unidos, acredito que o Brasil foi um dos maiores produtores de discos. Tem coisa demais! E pensar que hoje em dia temos apenas uma fábrica de vinil que só trabalha por encomenda. Não é por acaso que a indústria fonografica foi pro saco. Não foi apenas culpa das novas mídias, da tecnologia digital ou da Intenet. Foi mesmo uma falta de visão, de gerência e de competência. Agora só nos resta lembranças que podem ser guardadas num IPod. Quem ainda quiser manter o ‘fetiche’ tem mais é que correr nos sebos, nas feiras de discos ou pagar caro através da rede. Putz! Nem sei porque eu começei esse assunto. Esse papo rende e eu não tenho tempo…
Aqui vai mais um disquinho inédito, “Uma Orquestra Em Ritmo de Samba”. Este álbum foi gravado nos final de 1959 para o selo Philips, um de seus primeiros minigrooves de 12 polegadas. A Orquestra Brasileira de Dança foi um nome adotado pela gravadora para reunir em disco alguns dos melhores instrumentistas da época. Cada faixa contempla um solista e a regência e direção musical é do Maestro Carlos Monteiro de Souza. No lp encontramos um repertório calcado no samba, mas tendo como base uma curiosa mistura que vai do clássico ao popular. Tem Beethoven, Chopin e Tchaikovsky, passando por “Stranger In Paradise”, um ‘standard’ da música americana e como recheio principal vem composições de Ary Barroso, Dolores Duran, Antonio Carlos Jobim e outros… Confiram já antes que jaz…
Renato De Oliveira E Sua Orquestra – Este É O LP (1960)
Bom dia amigos cultos e ocultos! Não sei se vale a pena deixar um recado aqui para os desatentos, mesmo assim, vou repetir: os links válidos (ativos) são sempre os mais recente. Parece uma coisa muito óbvia, mas para algumas pessoas ainda é difícil entender como funciona o Toque Musical. Acredito até que alguns visitantes entram, não encontram o link e simplesmente vão embora. Uma pena (pra eles), prova que não estavam mesmo interessados.
Hoje, nossa postagem não é apenas um toque promocional. Quem viu essa imagem em uma edição anterior pode estar achando que eu continuo batendo na mesma tecla. Sou mesmo repetitivo, redundante e todo errado (seria mais chato se fosse todo certinho). Mas o que temos aqui, dessa vez, é o álbum de verdade. Estamos falando do maestro Renato de Oliveira e sua orquestra. Este disco pode até não ser, musicalmente, um destaque especial, porém essa capa traz algo de novo, um conceito de arte gráfica diferente para a época. Coisa que só viríamos com mais frequência nos anos 70. Pessoalmente acho essa capa um ‘sarro’ (putz! quanto tempo não uso essa gíria, será que vão entender?)
Renato de Oliveira foi um maestro, regente e arranjador muito atuante nos anos 50, 60 e 70. Trabalhou com os mais diversos artistas da música brasileira. Por ser um músico de estúdio, quase sempre esteve por trás das cortinas. Não me lembro de nenhum outro disco, especificamente dele, além deste álbum que agora eu tenho o prazer de apresentar a vocês. O repertório é composto de temas nacionais e internacionais muito em voga no final dos anos 50. São boleros, sambas, mambo e cha cha cha. Há também uma composição própria, “Sombras”, um bolerinho bem original. A qualidade do som está um pouco precária, aliás o disco é que estava. Fiz o pude na digitalização em 15 minutos, mas se alguém tiver mais tempo e condições tem como melhorar.
Djalma Ferreira Com Orgão E Orquestra – Baile De Formatura (1963)
Olás! Depois de um sarau de poesias, vamos seguindo com outras curiosidades e raridades fonográficas. Daqui até o fim do mês não vou prometer nada, nem para mim mesmo. Estou com outras atividades importantes que irão me tomar todo o tempo e atenção. Não sei nem se vou conseguir manter o ritmo diário das publicações. Talvez eu apele para uma simples postagem a seco, na lata, como fazem a maior parte dos outros blogs. Peço a todos que tenham paciência quanto aos links vencidos. Depois que passar essa onda a gente volta a normalidade.
Para começar a semana, vamos com o Djalma Ferreira e seu “Baile de Formatura”. Este álbum é mais um dos diversos feitos pelo artista, através de seu selo Drink. Drink aliás, era também o nome de sua boate, que funcionou de 1954 a 1960. Por lá passaram diversos nomes, como Miltinho, Ed Lincoln, Silvio Cesar e Helena de Lima. Djalma, como Waldir Calmon, criou o seu próprio selo, lançando assim os seus discos e também os de artistas que se apresentavam em sua boate.
Em “Baile de Formatura”, um álbum de composições próprias e algumas parcerias, encontramos doze sambas ‘swingados’, maquiados ou com ‘gumex’ para um autêntico baile de formatura daqueles tempos. A orquestração fica por conta do Maestro Nelsinho. Disquinho bacana, podem conferir…
Paulo Autran – Melhores Momentos (1979)
Olá amigos cultos e ocultos! Dando a todos mais uma colher de chá de poesia, eu deixo para a postagem de hoje outra boa opção, Paulo Autran em alguns de seus melhores momentos. Neste disco ele recita Casimiro de Abreu, Castro Alves, Carlos Drummond, Vinicius de Moraes, Millor Fernandes, Mario Quintana, Sergio Porto, Luiz Fernando Veríssimo e Chico Buarque. Puxa, quanta gente boa! Não dá outra, sucesso total. Ótima a interpretação de Paulo, que incorpora como poucos os personagens de tantas histórias e autores. Confiram…
