Baden Powell – Love Me With Guitars (1976)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu fiquei na dúvida, não sabia se postava um Sergio Mendes, um Paulinho Nogueira ou um Baden Powell. Confesso que tirei no palitinho e deu Baden em duas tentativas. Sempre faço assim para comprovar os caprichos do destino.
Temos então o “Love me with guitars”, um álbum originalmente intitulado “O mundo musical de Baden Powell”, lançado em 1964 pelo selo francês Barclay, o primeiro de uma série gravado por ele na Europa. Ao longo do tempo e da carreira de Baden, este trabalho teve pelo menos umas duas edições, sem falar nas versões em cd. Capas diferentes e sob o curioso nome de “Love me with guitars” (de onde foi que eles tiram isso?) Bom, até aí tudo bem. Confunde um pouco a cabeça da gente e na desatenção nos leva a comprar gato por lebre, ou seria comprar o gato novamente? Digo isso porque, mesmo sabendo que se trata daquele velho lançamento internacional, a gente ainda insiste na esperança de ouvi-lo sem os defeitos de algumas faixas. Parece não haver nessas o sincronismo dos canais, provocando um ruído estranho, uma reverberação, que sem dúvida compromete a audição. Quem tem ouvidos apurados e quer sentir a magnitude musical do instrumentista, nessa hora passa raiva. Eu não chego a ser assim tão radical, mas sempre é bom ouvir a coisa certinha 🙂 Nesta edição pelo selo Image de 1976 também não foi diferente, tá lá o barulho. Felizmente a tecnologia da digitalização e suas ferramentas me permitiu aplacar um pouco esse defeito. Não ficou 10, mas modéstia a parte, acho que consegui amenizar a situação. Contudo, se acaso vocês não gostarem, basta importar o cd duplo lançado em 2003 na França. O ‘albinho digital’ reúne a produção do músico no período que vai de 1964 a 72, gravações feitas para os selos Barclay e Festival. Obviamente estão incluidas todas as músicas desse lp e certamente sem os tais ‘defeitinhos’. Apreciem e comentem 😉

deve ser amor
choro para metronome
adágio
berimbau
samba em prelúdio
chanson d’hiver
samba triste
berceuse a jussara
prelude
eurídice
bachiana
garota de ipanema

Milton Banana (1974)

Em 2008 eu postei aqui no Toque Musical um disco do Milton Banana, o qual por engano ficou registrado como sendo de 1974. Este detalhe ficou apenas no nome do arquivo, mas foi o suficiente para causar algumas confusões, principalmente para aqueles amantes do batido desse grande baterista, que buscavam pelo disco. Embora o álbum anterior (que na verdade é de 1975) fosse também uma novidade na blogosfera, muitos acreditavam se tratar deste que agora eu estou apresentando. Nessa confusão toda, ainda continuo recebendo mensagens e e-mails, apontando para o erro ou mesmo pedindo para inclui-lo também nas postagens . Ok, depois de tanto insistirem, resolvi então atender aos pedidos. Estranhei ao perceber que assim como o outro, este lp de 74 também continua inédito, tanto entre os blogs quanto no formato cd. Sendo assim, temos mais bons motivos para trazê-lo para o nosso blog. Quando Milton Banana assinou com a Odeon, passou a gravar pelo menos um disco por ano. Este foi de um da boa safra. O repertório escolhido transita por um variado grupo de compositores. Tem Gil, Jorge Mautner, Benito Di Paula, Tom & Dito, Antonio Carlos & Jocafi, Nelson Cavaquinho e seu parceiro Guilherme de Brito. Tem também Luiz Vagner, Dora Lopes, Eduardo Gudin e Paulo Cesar Pinheiro, Walter Queiroz e Carlos Imperial. Milton conta ainda com a produção do seu xará Milton Miranda, a direção musical dos maestros Gaya e Briamonte. As orquestrações e regências são dos maestros Kuntz Naegele e José Briamonte. Realmente, um bom disco. Podem agora conferir, sem erro 🙂

só que deram zero pro bedeu
folhas sêcas/minha festa
testamento de bamba
olha o que ela fez
ela veio do lado de lá
pior pra ela
feijãozinho com torresmo
ladeira da preguiça
porta aberta
porte de rainha
se é questão de adeus, até logo
teimosa
falsa cabrocha/liso, leso e louco
maracatú atômico

Arnaud Rodrigues (1989)

Olá, amigos cultos e ocultos. A postagem de hoje está sendo dedicada ao grande artista, ator e compositor Arnaud Rodrigues, que morreu na terça-feira passada, vítima de afogamento, quando a embarcação em que se encontrava afundou no lago da Usina Hidrelétrica de Lageado, no Tocantins. Arnaud foi sempre lembrado como humorista, principalmente ao lado de Chico Anísio, com quem trabalhou por muito tempo encarnando o personagem de Paulinho na dupla (trio, com Renato Piau) “Baiano & Os Novos Caetanos”. Ele trabalhou em diversos programas humorísticos e atuou também no cinema. Como cantor e compositor, gravou muitos discos, sempre demonstrando qualidade, coisa que em geral se dilui em artistas multifacetados, principalmente no caso dos humoristas. Tende-se a achar que a criação musical está sempre associada ao humor o que nem sempre foi o caso de Arnaud. Sua música autoral é rica, bem variada e criativa. Já tivemos aqui um bom exemplo de seu trabalho musical no disco “Sound & Pyla ou Homenagem do A ao Z”. Agora trago este lp, uma produção independente lançada no final dos anos 80. Um álbum muito bom e que nunca recebeu a devida atenção. Espero, nesta homenagem, trazer um pouco do cantor e compositor que agora nos deixa na saudade. 🙁

sete fôlegos
imaginando john lennon
vingança do menino da porteira
escravos de hoje
índio do uruguai
acorda brasil
noites de vila bela
passarinho amigo
tudo é carnaval
o bahia ganhou

Conjunto Sete De Ouros – Sete De Ouros (1962)

Olá amigos cultos e ocultos! Passou o Carnaval, mas pelo jeito os ânimos continuam exaltados. Antes fosse apenas para exaltar o samba. Mas vamos deixar as broncas de lado. Vamos à música!
“Com o sax tenor de Cipó, o trombone de Maciel, o piston de Julinho, o piano de Lauro Miranda, o contrabaixo de Vidal, bateria de Paulinho, as vozes de Lenita Bruno e Zezinho. A Odeon tem o prazer de apresentar o Conjunto Sete de Ouros.” É bem assim que tudo começa neste primeiro disco do Conjunto Sete de Ouros. Uma apresentação que vai além da impressa na contracapa. É exatamente isso, um conjunto formado por feras, artistas de primeira linha que dão um show. Como podemos ver logo a baixo a seleção musical é composta de samba, bossa nova, fox e cha-cha-cha.
Pelo que eu pude observar, este lp foi relançado em formato de cd e ainda se encontra a venda. Taí uma boa chance para conhecer melhor o disco e depois comprá-lo para sua coleção 🙂 Confira aí…

prefixo
dizem por aí
menina feia
penúltimo
never on sunday
cocktail for two
saudade não tem cor
chorou, chorou
o barquinho
você passou
fiz o bobão
that old black magic
honey suckle rose

Fantasia E Fantasias (1954)

Em homenagem à nossa terça-feira, dia oficial do Carnaval, estou trazendo uma raridade que cabe bem para a ocasião. Um álbum para fechar com chave de ouro a nossa mostra carnavalesca. Mas não pensem vocês que se trata de mais um disco de 10 polegadas feitos para celebrar a festa de um determinado ano. O que temos aqui é a trilha sonora de um espetáculo audacioso apresentado no Golden Room do Copacabana Palace em 1954, chamado “Fantasia e Fantasias”. Criado e dirigido por José Caribé da Rocha, o ‘show musicado, sem interrupção e sem parte falada’ foi uma produção envolvendo música erudita, dança clássica e popular, samba, carnaval e artistas dos mais diversos. Um elenco de bailarinos, cantores e instrumentistas. A coreografia era de Nina Verchinina. Participavam em cena e como cantores, Doris Monteiro, Helena de Lima, Marisa, Claudia Morena, Carlos Augusto, Luiz Bandeira e o conjunto Quatro Azes & Um Coringa. O espetáculo deve ter sido realmente muito interessante. Na contra capa há um texto descrevendo toda a ação. A peça se divide em dois momentos. Inicialmente temos coisas de Liszt, Rachmaninoff e Kachaturian, abrindo os primeiros minutos do disco. Em seguida, ainda no primeiro lado, o ‘pot-pourri’ envereda para o popular, para o samba e as marchinhas de carnaval.
Taí,um trabalho dos mais interessantes. Uma raridade da qual não existe nenhuma referência publicada na rede. Possivelmente pode ser o último exemplar que restou para contar a história. Felizmente aqui volta a ser revelado. Escutem com outros olhos, ok?

overture
prelúdio
polichinelo
rapsódia sueca
concerto para celo e orquestra
história da maçã
se a lua contasse
serpentina
pierrot apaixonado
caraboo
pegando na chaleira
abre alas
miau, miau
assisti de camarote
marcha do tambor
bica nova
carrasco
mora na filosofia
só eu não
é bom parar
teu cabelo não nega

Elizeth No Bola Preta Com A Banda Do Sodré (1970)

Olá amigos cultos e ocultos! Desculpem a pressa, mas o meu bloco está passando e eu não posso parar. Rapidinho, segue aqui o disco do dia. Para manter o clima de carnaval, vamos com Elizete (ou Elizeth?) Cardoso fazendo a festa no Bola Preta, acompanhada da Banda do Sodré. Um disco gravado ao vivo, sem pausas, feito mais para se sentir o clima, em um dos mais tradicionais espaços do carnaval carioca. Taí… “quem não chora não mama, segura meu bem a chupeta, lugar quente é na cama ou então no Bola Preta”. Um bom carnaval a todos! Fui…

Trio Elétrico Dodô & Osmar – Incendiou O Brasil (1981)

Olá foliões cultos e ocultos! Espero que todos tenham chegado inteiros após a jornada carnavalesca de ontem. Se tiverem com ressaca, tomem um sal de fruta com água tônica, costuma ser muito bom. Eu já tomei e melhorei 🙂
Hoje eu vou mandar cedo. Na sequência da folia, temos um disquinho curioso. Quem vê pela capa, estampando uma belíssima gravura de Fayga Ostrower, não imagina que por trás, ou melhor, por dentro, vamos encontrar o Trio Elétrico de Dodô & Osmar. Muito menos se pensaria em um disco de carnaval. Porém tudo se justifica (justifica?). Na verdade, trata-se de um lp que faz parte de uma série criada pela Funart para o então Departamento de Cooperação Cultural, Científica e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, a partir de 1978. A ideia era a de propagar a diversidade musical brasileira pelos cinco continentes, em vários países, dando a esses a oportunidade de conhecer melhor o variado leque musical produzido originalmente em nosso país. Ao que tudo indica, esse trabalho teve bons resultados, o que acabou gerando uma segunda versão, a qual passou-se a chamar “Projeto Ary Barroso” e sendo coordenado por Hermínio Bello de Carvalho. Se tratando de uma coleção promocional, esses discos pouco foram vistos (e ouvidos) por aqui. Da série, temos o disco 4, celebrando os baianos do Trio Elétrico. E Trio Elétrico é sem dúvida sinônimo de carnaval. Assim sendo, mesmo com uma gravura que mais caberia à música erudita, a temática aqui é carnavalesca. Até que pensando bem ela tem tudo a ver com o espírito baiano de ser, incorporando o improvável, misturando ‘Pires de Oliveira com pratinho de azeitona’. Uma simpática e estranha combinação que sempre acaba em alegria. Salve a Bahia! Viva o Carnaval!

saravá lennon
incendiou o brasil
é massa
trajetória do trio
dia de carnaval
de lá da bahia
turmalina
viva o rei nagô
besouro quente
granadinho
ladeira da lenha
dodô no céu, osmar na terra

Carnaval 1970 – Volume 1 (1969)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos (rapidinho!) com a postagem do dia, porque a noite é de carnaval! Vamos para um baile de salão? Mais ou menos parecido com este da foto que ilustra a capa do disco de hoje. Aliás, de 1969!
Temos aqui um belo exemplar do que é Carnaval. Um disco realmente perfeito, tanto na capa como em seu conteúdo. Uma seleção de músicas verdadeiramente de Carnaval com diversos artistas da Odeon. Destaco também a presença de Chacrinha e Silvio Santos, duas figuras que além de apresentadores de programas na tv, todo ano, também gravavam marchinhas de sucesso, clássicos para todos os bailes carnavalescos.
Bom, taí… Eu vou nessa, porque o baile já começou

eu grito – orlando dias
marcha da pírula – chacrinha
banquete de arlequim – roberto audi
deixa o sol brilhar – joel de almeida
tirei a máscara – gilberto alves
dig-dim – silvio santos
o foguete – heleninha costa
brincadeira de roda – ivete garcia
contra maré – helio chaves
não chore oh! linda mascarada – risadinha
chuva de verão – dalva de oliveira
meu bloco – osny silva

Carnaval RCA Victor – Volume 1 (1957)

Olá foliões cultos e ocultos! Estamos enfim chegando à apoteose com nossa comissão de frente, que como todos viram, também é boa de lado e costa. Desta vez vamos ver as coisas por um outro ângulo. Vamos com este raro lp preparado pela RCA Victor para o Carnaval de 1958. Sem dúvida, outra boa pedida. Nossa bela modelo, aqui, parece não ter conseguido ficar de pé. ‘Chapou’ o melão com o lança perfume, tropeçou na serpentina e quase deixou quebrar a taça de cristal, derramando pelo chão toda a ‘champanhota’. Sorte foi estar cercada de balões que amorteceram a sua queda. Hehehe… brincadeirinha… Disse isso apenas para chamar a atenção dos amigos para a beldade que estampa a capa. Moça bonita, né não? Bonito também é o repertório e a escolha de seus intérpretes. Sob o comando do maestro Zaccarias, temos aqui um elenco de famosos artistas da gravadora, escalados no primeiro de dois lp’s, lançados com antecedência no final de 1957 para o Carnaval do ano seguinte. Temos aqui gravações raras, algumas nunca chegaram a sair em discos além dessa coletânea. Confiram o toque…

lili analfabeta – nelson gonçalves
o gemido da saudade – linda baptista
boêmio de verdade – carlos galhardo
topada – dircinha baptista
sêde de amor – francisco carlos
quando o sol raiar – linda rodrigues
o diabo é esquisito – césar de alencar
fogo na marmita – marlene
qual é o caso – linda baptista
alvorada – coro misto
boemia – nelson gonçalves
quem vive de vento – dircinha baptista
foi por causa dela – francisco carlos
morango com peru – carlos gonzaga
lealdade – orlando correa
s.o.s. – carlos galhardo

Carnaval 78 (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Estão gostando das coisas boas do carnaval? Muita música boa, né não? Pois é, nada como um desfile em bloco para animar a festa. Como eu já informei, o que não falta no Toque Musical é música de carnaval. Tem de todo tipo, de todas as épocas e para todos os gostos. Basta consultar nosso index, a lista de postagem por nomes. Tá tudo aí…
Seguimos com mais um álbum bacana, a começar pelas mulatas (do Sargentelli) estampadas na capa. Que belo chamarisco, heim? Para endossar, este disco é uma produção da RCA, um garantia de que temos aqui uma coletânea da melhor qualidade. Ao contrário dos discos anteriores, neste o repertório é interpretado por astros da gravadora, nomes de peso e horas de bailes carnavalescos, como Nelson Gonçalves, Noite Ilustrada, Os Originais do Samba e outros… Um disco ao melhor estilo dos clássicos de outros tempos. Só no sapatinho…

jamais, jamais, jamais… – nelson gonçalves
agora vai – os originais do samba
leviana – aroldo santos
a marcha da decisão – zelão
garota perigosa – noite ilustrada
carnaval é isso – nilton cesar
a marcha do caneco, beijinho de boa noite,
a marcha do pam pam e eu te amo meu brasil – coro rca
agua do pote – noite ilustrada
foi lindo o nosso amor – aroldo santos
swat – nelson gonçalves
todo mundo quer moleza – marly marlei
a marcha do lhe – zelão
bloco do eu sozinho – os originais do samba
bilu tetéia, a marcha do pedro bó,
este é um país que vai pra frente, marcha da torcida brasileira – coro rca

Samba Suor E Ouriço – Vol. 5 (1980)

De boa em boa vamos a cada dia nos aproximando do Carnaval. Pena eu não ter tido tempo para fazer uma seleção um pouco mais apurada, tanto de capa quanto de conteúdo musical. Tem umas ótimas, mas na pressa acabei catando o que estava à mão. E pelo jeito só está dando anos 80. Acho que me empolguei…
O disco de hoje é bem na linha do que foi postado ontem. São 28 músicas num ‘pot pourri’ com pausa apenas para virar o lado. Estão reunidos aqui alguns dos melhores sambas enredos, numa gravação direta, ao vivo e cheia de folia. Viva o Carnaval!

hoje tem marmelada
macunaíma
ilu-ayê
lapa em três tempos
no reino da mãe do ouro
o mundo encantado de monteiro lobato
lendas do abaeté
festa do círio de nazaré
mãe menininha
a festa do divino
sonhar com rei dá leão
os sertões
a festa dos deuses afro brasileiros
martim cererê
o que será
o amanhã
domingo
sonho de um sonho
iaiá do cais dourado
alô alô taí carmen miranda
nordeste, seu povo, seu canto e sua glória
heróis da liberdade
exaltação a tiradentes
lendas das sereias rainha do mar
festa para um rei negro
bahia de todos os deuses
chica da silva
mangueira minha querida madrinha

A Banda Do Carnaval (1984)

Mais uma ‘boa’ para anunciar o Carnaval. Temos aqui o que foi o embalo da festa do ano de 1984. Um lp feito para animar a turma do salão, enquanto a banda de verdade descansa e toma um guaraná. São 33 sucessos da música popular brasileira em ritmo de folia sem intervalos, exceto para mudar o lado do disco. Taí uma coisa que eu gosto na música de carnaval é essa facilidade de adotar além do samba (claro!), o rock, o pop, o sertanejo e tantos outros tipos de música – transformando tudo numa grande folia. Como podemos constatar, as músicas desse ‘pot pourri’ de carnaval são todas sucessos da época, músicas das mais variadas no cenário ‘rádio pop’ do anos 80. Aqui não há lugar para as marchinhas clássicas. E realmente nem precisa. Ficou apenas o espírito da alegria e o batido de carnaval. Pode conferir…

abertura
é de chocolate
super fantástico
comer, comer
bicicleta
mama maria
masculino feminino
close
carrossel de esperança
baile dos passarinhos
banho de cheiro
do jeito que a gente gosta
descobridor dos sete mares
tic tic nervoso
beth balanço
eu sou free
vamos a la playa
a dois passos do paraíso
enredo do meu samba
deixa eu te amar
coisas de momento
biquini amarelinho
on the rock’s
maior abandonado
beth frígida
ursinho blau blau
transas e caretas
casanova
como eu quero
eva
sonia
sonífera ilha
telma eu não sou gay
fusção preto

Samba 80 (1980)

Olá amigos cultos e ocultos! Como informei ontem, nesta semana só vamos ter ‘as boas’. Apenas não decidi ainda se serão as moças das capas ou as músicas de carnaval. Por via de dúvidas, vou mantendo as duas 😉
Olhem só que beleza… quer dizer, olhem só que coletânea boa, muito bem recheada. Não é extamente carnavalesca, mas é autenticamente de samba e carnaval é muito samba, né não? Pois é, temos aqui este álbum promocional, uma produção RCA, reunindo um pouco da sua safra de sambas para o ano de 80. Apreciem com moderação. Amanhã tem mais 😉

beth carvalho – pedi ao céu
conjunto samba som sete – sonho sonhado
joão bosco – sudoeste
tom, miucha e chico – turma do funil
aparecida – ela mandou
originais do samba – cadê maria
martinho da vila – no embalo da vida
joana – diga aí
antonio carlos e jocafi – roça errada
eliana pittman – lenço branco
luiz américo – desabafar
os batuqueiros – o galo da vovó

Emilinha Borba E Jorge Goulart – Oh! As Marchinhas (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Nosso domingo começa quente, antecipando o Carnaval que já vem chegando. Como é do conhecimento dos frequentadores e já esclarecendo aos novos visitantes, o que não falta aqui é disco e músicas de carnaval. Se você está pensando em reviver momentos de pura folia, entrou no lugar certo. Para a sua consulta, sugiro que pesquise em nosso index por nomes em ordem alfabética, na barra lateral direita. Consultar pela barra de pesquisa do Blogger não adianta, algum sacana mudou a tempos atrás as diretrizes do html no intuito de sabotar o Toque Musical. Como eu não sei resolver esse problema, adotei o index por nome de artista, assim temos uma outra alternativa para consultar o que já foi postado aqui. A lista vem crescendo a cada dia. Vai chegar uma hora em que eu terei que tomar alguma outra providência. Por isso eu sugiro, inclusive, àqueles que ainda não se colocaram como seguidores do TM que o faça. Dessa forma não irão perder nada do que temos postado aqui diariamente. Como eu disse, o Carnaval está chegando aí e aqui você encontra tudo, inclusive o frevo e coisas do carnaval baiano. Por essas e por outras é que neste ano eu vou fazer diferente. Para a próxima semana (temática) só vai dar as ‘boas’.
Abrindo o nosso grito de carnaval, temos para hoje um disquinho sensacional (até rimou!). Vamos com Emilinha Borba e seu parceiro Jorge Goulart, desfilando as mais famosas marchinhas carnavalescas de todos os tempos. Um disco o qual podemos chamar de básico para os quatro dias de folia. Pode até ser que o Carnaval já não tenha mais o mesmo encanto daqueles que eram embalados por essas músicas. Mas elas serão eternas, independente do que hoje virou aquela festa inventada pelo diabo, mas que Deus abençoou. (o diabo antes tinha bom gosto)

raminho de café
joga a chave meu amor
israel
colombina yê-yê-yê
cabeleira do zezé
mulata yê-yê-yê
as pastorinhas
rancho da praça onze
história do brasil
touradas em madrid
pirata da perna de pau
pirulito
tem gato na tuba
lourinha
yes, nós temos banana
chiquita bacana
a água lava tudo
vai com jeito
pó de mico
tomara que chova
marcha do remador
passarinho do relógio
o passo do cangurú
miau… miau
índio quer apito
o teu cabelo não nega
grau 10
linda morena
zé pereira
o abre alas
o pé de anjo
balzaqueana

Os Demônios Da Garoa – Ói Nóis Aqui Tra Veis (1969)

Eu sei que ninguém pediu, ‘mas óia eles aqui tra veis’. Claro que estamos falando desse maravilhoso grupo vocal, Os Demônios da Garoa. Com este álbum vamos para o terceiro do grupo postado no Toque Musical. E como sempre buscando os mais raros, tendo eles custado um ou mil reais. O importante aqui é como eu sempre digo, ouvir com outros olhos. É dentro dessa teoria aparentemente absurda que eu procuro demonstrar que tudo pode ter um lado interessante. Tem gente que não pensa assim, mas à essas pessoas, quando se manifestam com suas ‘crititicas’ e insultos, eu incorporo o personagem mais lembrado dos sete mares, coloco o tapa olho e ponho elas para andar na prancha. Pega tubarão! hehehe… Sei que a maioria não deve estar entendendo nada dessa conversa e nem precisa, afinal ela já tem um endereço certo. Melhor voltarmos à música, aos Demônios da Garoa.
Temos aqui um álbum lançado em 1969. Um disco com todos os ingredientes que fizeram deste grupo um dos mais queridos e alegres do Brasil. Tem Noel e Adoniran, outros paulistas e também sambistas. Um lp que contempla humor, alegria, samba e futebol. Podemos quase dizer que se trata de uma homenagem ao Corinthians. A música que dá nome ao disco foi criada por um corintiano, Geraldo Blota, em parceria com Joseval Peixoto. Em 2008 a música foi usada exatamente para isso, homenagear o Corinthians pelo seu retorno triunfal. “Timão” também é outra a qual está mais do que na cara, feita por Samuel Andrade e Paulo Gallo. Agora, aqui para mim, acho que “Time perna de pau”, de Vicente Amar, foi feita para outra equipe da massa, o meu velho e surrado Galo. Êta que essa música vem servindo de trilha perfeita para o Atlético Mineiro! Mas nóis aqui também num disisti… Sofremos, mas não desistimos! Há de chegar o dia em que também cantaremos “Ói nóis aqui tra veis”, uai! (e por favor, sem gozação!) Como sempre digo, perco a noção, mas não perco a piada (ou algo assim).
Deixemos os partidarismo esportivo e partamos ao comunismo musical (ou algo assim). Ups!

felicidade
time perna de pau
ói nóis aqui tra veis
mulher, patrão e cachaça
vim te ver
maxi mini saia
vila esperança
não quero entrar
você passa eu acho graça
timão
estou ficando louco
seleção de sambas

Antonio Adolfo – Viva Chiquinha Gonzaga (1985)

Olá amigos cultos e ocultos, aqui vamos nós para mais uma sexta independente. Estou cozinhado esta postagem desde hoje cedo. A primeira parte já foi, agora só falta a resenha e jogar na rede. Então vamos lá…
Temos aqui Antonio Adolfo em mais uma de suas boas produções independentes. Desta vez interpretando a obra de uma compositora pioneira na nossa música popular brasileira, Chiquinha Gonzaga. Este trabalho de releitura feito por Antonio Adolfo é dos mais interessantes, apresentando onze músicas de Chiquinha, sendo algumas até então inéditas. Ou seja, nunca antes gravadas por qualquer artistas, inclusive a própria autora. O ‘Brazuca’ vem acompanhado por uma turma da melhor qualidade. Como se pode ver estampados na capa, temos os nomes de Paulo Moura, Vital Lima, Rafael Rabello, Nilson Chaves, Sivuca, Jorginho do Pandeiro, Ubirajara do Bandoneon, Dino Sete Cordas e o grupo de chorinho Nó Em Pingo D’água.
Enriquecendo mais o álbum, temos incluído um encarte de vinte páginas com informação sobre Francisca Gonzaga, sua obra e esta produção. Trabalho bacana de um artista preocupado em preservar a memória musical de Chiquinha, que ainda hoje só é lembrada pela trilha mais tradicional do Carnaval, “O abre alas”.

o abre alas
faceiro
a côrte na roça
satan
gaúcho
cordão carnavalesco
angá
ismênia
o forrobodó
lua branca
atraente

Walter Barbedo E Seu Conjunto – Deixe De Lado A Tristeza (1958)

Ufa! Finalmente consegui um tempinho para a postagem de hoje. Achei que ficaria apenas na marcação do ponto, liberando o este post só na madrugada ou no dia seguinte. Preparei para hoje um álbum na linha ‘super raros’ seguindo os ensinamentos de um de nossos amigos cultos, o Sérgio. Foi ele quem me deu a dica dos ‘tags’ e me enviou o programinha também. Confesso que ainda estou engatinhando nessas questões de identidade digital de arquivos. Estou mais focado nos discos, no trabalho arqueológico fonográfico e suas curiosidades. Acredito que essa inclusão de dados complementares de identificação vai acabar me tomando mais tempo. Sei não…
Bom, aqui está o disco do dia. Apresento a vocês o instrumentista, maestro e compositor Walter Barbedo. Alguém aqui o conhece ou tem informações sobre ele? Pergunto isso porque eu mesmo não saberia nada além do que temos na contracapa (que não informa nada) e nas pouquíssimas referências extraidas pela rede. Seria mais fácil encontrar ouro nas ‘minas geraes’. Walter Barbelo, por incrível que pareça, é hoje apenas uma citação. Um nome pinçado daqui e dali, mas somente como uma referência incompleta. Mesmo com pouco tempo, não poupei esforços em minha pesquisa. Infelizmente, pela web não há nada! O jeito é apelar para os nossos ‘universitários’, como dizia o Silvio Santos. Contudo, ou melhor, com nada, só nos restou falar de sua música e do disco em si. “Deixe de lado a tristeza” é um lp bacana, com um repertório bem combinado, onde predomina uma música dançante, alegre (claro!) e variada. Quase todas as faixas são de composição própria do artista, cabe também um Perez Prado com a gostosa “Patrícia” (tô falando da música, viu gente?) e outra boa “Cachito”, um mambo abolerado de Consuelo Velasquez que foi sucesso na voz de Nat King Cole. Disquinho bão, pode acreditar!
Outra curiosidade que eu chamaria a atenção é a qualidade do som. Para um disco com mais de 50 anos, embora muito bem conservado, possui uma gravação nota 10! Segundo a Chantecler o sistema de gravação, conhecido como VIK, é tecnicamente perfeito e para a época o ‘supra-sumo’ da alta fidelidade. Uma inovação que até então só se via e ouvia em discos americanos. Vamos conferir? 😉

maxixa meu bem
patrícia
conversa de pistões
vo tchi contá
felicidades
virado paulista
paula
deixe de lado a tristeza
polca do darcy
dona catarina
cachito
serenata de miados

Al Quincas & Nestor Campos – Boite Para Dois (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando sequência às nossas postagens de ‘super raros’, trago aqui mais disquinho jóia (putz! quanto tempo eu não pronuncio essa palavra!). Mas é jóia mesmo. Se ontem tivemos ‘um em dois’, hoje teremos ‘dois em um’. Segue aqui o lp “Boite para dois”, um disco ‘mezzo a mezzo’. De um lado temos Joaquim Gonçalves, mais conhecido como Al Quincas e do outro Nestor Campos, dois ilustres representantes do lendário Trio Surdina, respectivamente violino e guitarra, fechando com Gaúcho no acordeon. Aqui, neste álbum, podemos conhecer um pouco mais das qualidades desses dois grandes músicos instrumentistas. Nestor Campos, um fera das cordas, pouco lembrado como um dos maiores guitarristas brasileiros, tem aqui a função não apenas de tocar maravilhosamente bem. É dele também os arranjos e a liderança num conjunto com piano, vibrafone, acordeon, baixo e bateria. Num estilo bem dançante, ele nos apresenta oito temas de sucesso, entre sambas, fox-trot e outros bailados. Por parte de Al Quincas, temos o músico acompanhado de orquestra. Só que em suas oito faixas, também composta por ‘standars’ de sucessos, ele toca é saxofone. E muito bem, como poderão verificar. Um discão que sem dúvida irá agradar a todos os que nos acompanham. Escutem aí…

morena boca de ouro
the rose tatoo
dance e não se canse
bailinho da madeira
agora é cinza
arriverdeci roma
c’est la vie
molly-o
lisboa antiga
stranger in paradise
moritat
cocktail for two
donne moi
memories are made of this
os pobres de paris
c’est a hambourg

Sambistas Da Guanabara – Show De Samba (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aproveitando o ar matinal, enquanto preparo o meu café, vou logo fazendo a postagem do dia. Para manter o nível de excelência musical da semana, estou trazendo um disco que é pura emoção. Um disco de samba instrumental, ou seria de samba orquestrado? Não importa, o que vale é a qualidade. É mesmo um show de samba! E os intérpretes aqui são denominados os “Sambistas da Guanabara”. Na verdade, trata-se de uma produção planejada da Odeon. Os “Sambistas da Guanabara” é uma orquestra formada por músicos de estúdio da gravadora, os quais não aparecem nos créditos. Esses cabem apenas ao seu diretor artístico Ismael Corrêa e aos maestros e arranjadores Osvaldo Borba e Lindolfo Gaya. São eles os responsáveis por este álbum que nos remete a tantos filmes antigos das décadas de 50 e 60, que tem como fundo a cidade do Rio de Janeiro, a malandragem e obviamente o samba. As músicas que fazem parte deste lp são clássicos do samba de outras décadas, obras de artistas como Pixinguinha, Noel Rosa, Sinhô, Ary Barroso, Braguinha, Lamartine e outros… Há também espaço para o novo, uma faixa de Tom Jobim e Newton Mendonça. Tudo feito quase por encomenda, como qualidade e um profissionalismo musical de fazer inveja a estrangeiros. Em resumo, um disco muito bacana e imperdível.
Foi buscando informações complementares (que não se encontra), que acabei caindo no Loronix. Por lá encontrei mais um disco dos “Sambistas da Guanabara”, o volume 2, agora mais bossa nova. Este, também maravilhoso, lançado segundo o Loro, em 1964. Resolvi então incluí-lo nesta postagem, afinal, se um é show, dois é espetacular! Confiram aí essas duas pérolas…

volume 1
a tua vida é um segredo
se você jurar
samba de uma nota só
o apito no samba
o amor e a rosa
até amanhã
na baixa do sapateiro
carinhoso
não tenho lágrimas
jura
com que roupa
fita amarela
volume 2
bigorrilho
falsa baiana
sa-saure
eu não tenho onde morar
provei
sal e pimenta
berimbau
miss balanço
mas que nada
implorar
está nascendo um samba
o orvalho vem caindo

Carlos Monteiro De Souza – Metais Em Brasa Na Bossa Nova (1963)

Bom dia! Nossa semana começa muito bem, fazendo jus às duas últimas postagens, trazendo de volta aquilo que já se transformou em raros momentos. Já andei selecionado para os próximos dias alguns disquinhos literalmente fora de série. Só espero ter tempo para fazer o embrulho dos presentes e postá-los como gosto. As vezes falta tempo, outras vezes inspiração, mas o que não pode faltar é o compromisso diário. Seja ao meio dia, seja até a meia noite 🙂
Temos aqui este maravilhoso álbum na linha “Metais em brasa”. Lembram desse título, que serviu para dar nome a muitos discos de orquestras? Pois é, também serviu para a Bossa Nova. Aliás, este foi o primeiro disco a apresentar uma grande orquestra interpretando a bossa nova. É o que diz o texto da contracapa e deve ser verdade mesmo. Eu não me lembro de outro antes dele. Temos assim uma ‘big band’ formada por vinte e três músicos e um côro de oito vozes, dirigida e orquestrada pelo maestro Carlos Monteiro de Souza. Os arranjos de bossa nova para orquestra ficaram ‘finos’, um trabalho tipo exportação e que não deixa nada a desejar em comparação a outras orquestras pelo mundo. Do repertório, todas as músicas são bem conhecidas do público, exceto a faixa de abertura, “This is Bossa Nova”, música inédita de autoria do próprio Carlos Monteiro. Taí, um disco que vale a pena ouvir. Muito bom!

this is bossa nova
só danço samba
desafinado
corcovado
amor sincopado
sambadinho
o pato
samba de uma nota só
lôbo bôbo
este seu olhar
tristeza de nós dois
o barquinho

Conjunto Melódico Norberto Baldauf – Rock On Big Hits (1959)

Olá amigos cultos e ocultos! Demorei, mas cheguei. Antes das doze badaladas findando o dia, aqui estou eu para garantir a frequência. Desculpem, mas meu final de semana foi ‘ralação’.
Depois de um Walter Wanderley, acho que cai bem outra raridade da safra de 59. Tenho aqui um álbum muito interessante gravado pelo Conjunto Melódico Norberto Baldauf. Este grupo surgiu no Rio Grande do Sul, na década de 40. É considerado o conjunto musical mais antigo do mundo ainda em atividade e com seus membros originais. Gravaram diversos discos, principalmente nas décadas de 50. Mas o forte do do grupo eram mesmo os bailes. Segundo contam, “Rock On Big Hits” foi um disco imposto pela Odeon. Eles tiveram que gravar o álbum com uma seleção de musical que não era exatamente o estilo da turma. O rock’n’roll estava chegando ao país, dividindo o bolo das novidades e um grupo como o de Norberto veio a calhar para a Odeon. No álbum temos uma série ‘hits’ bem conhecidos de Paul Anka, Neil Sedaka e outros. “Melodias conhecidas em trepidantes rock’n’rolls”. E sem dúvida, muito bem executadas pelo conjunto. Este disco se tornou uma peça importante por sua raridade no cenário histórico do rock nacional. Muito se falou, pouco se ouviu. Taí, a grande oportunidade… toque este toque 😉

come prima
you are my destiny
just walkin’ in the rain
my special angel
the diary
only you
stupid cupid
have lips. will kiss in the tunnel of love
piove
sereno
petit fleur
just young

Walter Wanderley E Seu Conjunto – Feito Sob Medida (1959)

Olás! Hoje o meu sábado está mais parecendo um dia de semana comum. Em outras palavras, estou na ralação, com o tempo curtinho para me dedicar ao blog. Aproveitando a folga do almoço, entre uma garfada e outra vou fazendo esta postagem. Que correria! Hoje o papo é curto, mas o disco é grande 🙂
Vamos com Walter Wanderley em um de seus primeiros e raros lps. Temos aqui o álbum “Feito sob medida”, um disco bem na linha do que rolava nos anos 50, feito para dançar. Nele encontramos um repertório rico em rock balada, cha-cha-cha, bolero e samba. Tem Tom Jobim e João Gilberto, num prenúncio de bossa nova. Para a época era o ‘top’ de modernidade. Aliás, até na capa sentimos isso. A modelo, fotografada por Chico Pereira, parece ao estilo dos tempos atuais, nada convencional. Confiram aí…

este seu olhar
lamento
lobo bobo
siete notas de amor
el reloj
hô ba lá lá
the diary
stupid cupid
my heart sings
adiós
quizas, quizas, quizas
perfidia

Fred Williams – Ritmo Quente (1960)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Hoje é sexta-feira, mas não será dia de disco/artista independente. Temos ainda uma gaita para tocar. Na verdade até teríamos mais, porém as que ainda estão na manga vão ficar para uma outra vez. Percebi que algumas delas ainda podem ser encontradas facilmente nos melhores blogs do ramo, hehehe… Quem sabe numa próxima oportunidade possamos também trazer outros Omar Izar, Edu da Gaita, Tavares da Gaita, Maurício Einhorn, Rildo Hora e inclusive o Fred Williams. Além do mais, para a próxima semana eu pretendo engrossar o caldo…

Seguindo em nossa jornada musical temos, como prometido, mais um disco de Manoel Xisto, o Fred Williams. “Ritmo Quente” é um álbum de 1960. Eu acredito que este veio a ser o seu quarto lp. Penso ainda que as músicas desses lp são relançamentos, reunidas de diversas bolachas gravadas por ele na RCA Victor, nos anos 50. Aqui encontramos as seguintes músicas…

rapasiada alegre
barrigudinha
horas de prazer
baião da serra do mar
menina romântica
pagode bom
pulo do gato
ritmo quente
baião das moreninhas
mambo para milhões
xote dos carecas
amor e gaita

Omar Izar – A Gaita Mágica De Omar Izar (1969)

Outro grande nome da harmônica no Brasil é Omar Izar. Como Edu da Gaita ele foi um dos primeiros a se profissionalizar. Dono de um técnica muito pessoal e sem dúvida um dos maiores nome do instrumento. Como Eduardo Nadruz ele ajudou a difundir a gaita no Brasil, que até então via o instrumento quase como um brinquedo. Omar, ao longo de mais de 50 anos de carreira já tocou em diversos países, e com os mais diferentes nomes da música nacional e internacional, sempre fazendo muito sucesso. Gravou também por diferentes selo, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, onde viveu alguns anos. Segundo informações colhidas na rede, ele ainda hoje continua muito atuante, principalmente em São Paulo, o seu reduto. Na capital paulista ele criou uma casa de espetáculos chamada “Obar” (o bar do Omar), onde ele se apresenta nas noites de quarta a sexta-feira. Quem já esteve por lá diz que o ambiente é ótimo, sempre uma festa, sempre com convidados ilustres dando canjas. “Obar” fica na Vila Mariana, na Av. Lins de Vasconcelos 2090. Se forem aparecer por lá é bom fazer a reserva antecipada. O local é discreto e para entrar tem que tocar a campainha.
Bom, agora falando do disco, temos aqui um álbum nota 10. Por ele, em seu repertório, podemos perceber logo na primeira faixa, o nível de excelência de Omar. O cara toca de tudo. O álbum, num geral é excelente, mas gostaria de destacar as faixas “Stormy Weather”, “Ebb Tide” e “Hot Canary” onde Omar abusa da técnica, tirando da gaita uma sonoridade criativa, muito além do convencional. Uma demonstração da riqueza do instrumento, que cabe nos mais diversos estilos e arranjos musicais. Outra música que chama a atenção é “Saint Louis Blues”, Omar segura uma nota num sopro de mais de um minuto (haja pulmão!). E além dos incríveis ‘pot pourris’, tem também o famoso “Tema (televisivo) de Roy Rodgers” e “Sem ninguém”, uma composição do próprio gaitista. Aqui encontramos um pouco de tudo, mas sempre com atmosfera ‘lounge’. Muito agradável, confiram…

rapsódia espanhola:
granada
la violetera
el gato montez
españa cañi
stormy weather
ebb tide
i love paris
lover
tres guarachas
el cubanchero
cumaná
oye negra
tema de roy rodgers
everybody somebody’s fool
pot pourri:
trenzinho do meu brasil
eh! são paulo
peguei um ita no norte
paraíba
vassourinhas
você já foi a bahia
oh, minas gerais
cidade maravilhosa
the hot canary
saint louis blues
sem ninguém

Edu Da Gaita – Uma Gaita Para Milhões (1959)

Quando falamos de gaita brasileira, inevitavelmenteo o nome de Eduardo Nadruz, o Edu da Gaita, está sempre presente. Em nossa semana temática, sobre o instrumento aqui no Toque Musical, também não podemos nos limitar a apenas um disco. Embora a sua discografia esteja quase fora de catálogo, ainda é nesta que nos apoiamos quando o assunto é a gaita. Obviamente existem outros músicos, gaitistas brasileiros importantes, mas poucos apresentam tamanha dedicação ao instrumento em termos fonográficos. Mais ainda no que diz respeito à música brasileira. A gaita ainda hoje no Brasil é considerada um instrumento exótico. Que eu saiba, não existe uma formação acadêmica para o instrumento no país. Ela ainda é tratada quase como um brinquedo. O interesse pela harmonica em nosso país hoje em dia, vem atrelada à tradição do blues, a música americana. Todo jovem que começa a tocar gaita, muitas vezes se inicia pensando no blues. Mas ao ouvirmos um artista como foi Eduardo Nadruz, percebemos logo que a gaita de boca não se limita a solos ou acompanhamento. Na mão e na boca de um artista sensível se pode fazer miséria, ou melhor dizendo, riquezas sonoras. Aqui temos mais um bom exemplo disso e principalmente da genialidade de Edu da Gaita. O presente álbum, relançado na década de 70 pelo selo Beverly da Copacabana é de 1959. Um lp interessantíssmo onde Edu procura mesclar sua técnica entre o erudito e o popular. Temos em seu repertório desde Jean Wiener, Chopin e Dvorak à Luiz Bonfá, Bororó e João Gilberto. No álbum, Edu da Gaita vem acompanhado de orquestra e côro. Severino Filho cuida da orquestração e regência. Há também a participação de Altamiro Carrilho na flauta e no assobio. Taí, mais um belíssimo e imperdível disco. Confiram…

le grisbi
noturno nº 2
humoresque
meu silêncio
xamêgo de yayá
dança espanhola nº 5
samba de orfeu
sorte é pra quem tem (basta olhar)
num jardim de um templo chinês
as coisas que eu não te disse
bom que dói
hô-bá-lá-lá

Rildo Hora – O Tocador De Realejo (1987)

Olás! Cá estamos de volta. Aos trancos e barrancos, vou recuperando o fôlego. Entre uma folguinha e outra vão saindo as postagens com o melhor da gaita nacional. E até que eu me reestabeleça, vamos com as reservas da gaveta 😉
Temos para hoje outra fera da gaita de boca, o excelente Rildo Hora. Para quem não conhece, Rildo é gaitista, compositor, arranjador e produtor musical. Está na estrada não é de hoje e já tocou com muita gente importante e passou por diversos caminhos das trilhas musicais. Já trabalhou com João Bosco, Luiz Gonzaga e Fagner. Alguns dos maiores nomes do samba como Beth Carvalho, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara e muitos outros, são artistas cujos os discos já foram assinados por ele. Como músico e compositor, na linha de frente, tem gravado discos que são sempre festejados.
“O tocador de realejo” é um de seus discos mais bonitos. Realejo é o nome que se dá a gaita no nordeste e pelo jeito é como Rildo prefere chamar o instrumento. Neste álbum ele toca além de composições próprias, músicas de Hermeto Pascoal, Milton Nascimento, Zé Dantas e Luiz Gonzaga. Tocam com ele as feras que nem preciso dizer o nome, estão na capa! Há também a presença do seu filho, Misael Hora. Os dois tocam junto a série “De pai para filho”, muito bonita!
Este álbum Rildo dedica ao gaitista Manoel Xisto, mais conhecido como Fred Williams.

arara
sinha tô
chorinho pra ele
morro velho
algodão
canto de sede
xengo
o ovo
brabeira
de pai para filho – a meu filho misael
coe coe – ameu filho ziraldo
cafuza – a minha filha patrícia

Edú Da Gaita (1979)

Pois é meus prezados, rapadura é doce mas não é mole. Hoje cedo levei meu computador para a manutenção. O problema desta vez foi no Windows, tivemos que reinstalar o programa. Com medo de perder alguma coisa ao ser formatado, achei melhor comprar um novo HD e instalar o Windows nele, assim eu não perderia o que estava no antigo. Assim foi feito. Depois, verifiquei que vários arquivos que eu havia feito download e os discos de gaita que já estavam digitalizados ficaram na pasta Meus Documentos. Em outras palavras, perdi tudo! Sinceramente, dei uma brochada… Também não tive tempo de instalar todos os programas que normalmente uso aqui. Fiquei meio sem opção, meio sem vontade de postar. Mas novamente, eu não quero deixar a peteca cair. Forçando a barra, já quase meia noite, aqui vou eu atrasadíssimo, trazendo a postagem do dia.
Vamos de gaita, vamos com o Edú da Gaita. Eis aqui um álbum lançado pelo Estúdio Eldorado em 1979. Produzido e dirigido por Theo de Barros, também responsável pelos arranjos ao lado de Leo Peracchi. O repertório, como disse o Sr. Aluízio Falcão em seu texto de contracapa, é bem brasileiro, “é uma boa amostra da peculiaríssima sonoridade e da variedade de timbres que uma gaita bem temperada pode alcançar.” Eduardo Nadruz foi mesmo o Paganini da harmonica de boca. Muito bom!

primeiro amor
tenebroso
por um beijo
banzo
melodias brasileiras
numa seresta
batuque nº 1
disparada
roda
murmurando
capricho nortista

Filigranas Musicais Volume XI – Carnaval da RCA (1988)

Olá! Como vocês podem ver, meu desejo de postar aqui alguns gaitistas teve que ser adiado Problemas, problemas, problemas… Como se já não bastasse o caso do meu HD, que aos poucos eu vou recuperando, agora veio mais uma merda. Como diz o pessimista, nunca está tão ruim que não possa ficar pior. Bela merda esse domingo! Não é atoa que nesse dia eu tenho a tendência de ficar deprimido. E hoje a bruxa está solta para o meu lado. Eu nem me arrisco a botar o pé para fora de casa. Hoje tá foda! Perdi a hora ao acordar, atrasado para um compromisso familiar, deixei a turma toda p… da vida. Perdi a hora e o almoço combinado. Na minha rua, a Cemig, estava fazendo um serviço de manutenção da rede elétrica, estávamos sem energia. Daí resolvi sair de bicicleta, dar umas voltas e espantar o mau humor. Longe de casa, já a uns cinco quilometros, o pneu furou. Não havia nas imediações nenhum borracheiro. Voltei, parei em um posto de gasolina e tentei enchê-lo para pelo menos não voltar carregando a bike. Não adiantou muita coisa, o pneu estava rasgado. Isso nunca aconteceu comigo. Voltei zangado, cheguei mais que suado, cansado. Nessa altura a luz já havia voltado, o que me poupou ter que subir cinco andares de escadas carregando a ‘magrela’. Tomei um banho, tomei um café e fui então preparar a postagem do dia. Foi aí que eu me lembrei que havia esquecido o computador ligado desde a noite anterior. Me dei mal… acho que como a manutenção da rede, uma sobrecarga talvez ao voltar, detonou alguma coisa nele. O fato é que não consegui fazer o computador funcionar. Ele liga, mas não abre. Fica apenas tentando acessar o ‘RWindows’. Tentei de tudo, passei o dia todo tentando resolver e nada… PQP!!! É hoje! Diante a merda, só me restou ligar o computador do meu filhote, aproveitando que ele não está por perto. Pensei em não fazer nenhuma postagem hoje, aliás eu não estou como o menor pique. Perdi mesmo o tesão.
Porém, já que tenho alguns ‘discos de gaveta’, para não perder também o dia, resolvi usar um deles. Escolhi entre as poucas opções este disco da série “Filigranas Musicais”. Embora a capa nos faça entender que seriam composições de Lamartine Babo e Haroldo Lobo, percebemos logo que a coisa não é bem assim. Na verdade o disco (pelo selo) chama-se “Carnaval da RCA” e nele estão reunidos diversos temas carnavalescos das décadas de 30 e 40. Necessariamente não são só músicas de autoria de Lalá e Haroldo. Confesso que eu não entendi qual era a razão de termos os dois estampados na capa. Mas tudo bem, não deixa de ser um disco bacana, que atende aos desejos daqueles que haviam me pedido discos da carnaval. Taí, caiam na folia… eu vou me guardando para fevereiro. Amanhã eu levo o computador para o conserto. Tomara que não seja nada sério. Eu já havia preparado alguns discos de gaitistas, mas até segunda ordem, ficaremos na gaveta. Torçam por mim, torçam por nós.

morena imperatriz – almirante e os diabos do céu
não pretendo mais amar – orlando silva
ali babá – odette amaral e os diabos do céu
louca – roberto paiva com benedito lacerda e seu regional
não resta a menor dúvida – bando da lua
quem é você – cyro monteiro
tapete de bagdá – carlos galhardo
mulher fingida – orlando silva e os diabos do céu
levante o dedo – moreira da silva e os diabos do céu
formosa mulher – nelson gonçalves
armas e os barões – almirante e os diabos do céu
chorei – silvio caldas e grupo da velha guarda

Fred Williams – O Mágico Da Gaita Em Hi-Fi (1959)

Trocando figurinha com o gaitista baiano Luiz Rocha, numa pesquisa que ele está fazendo sobre o instrumento no Brasil, acabei adotando a ideia de termos aqui uma semana temática com alguns discos disponíveis. Como sei que vai render, vou começar a partir de hoje mesmo. Vamos levar a semana na gaita 😉

Temos aqui, e mais uma vez, o gaitista carioca Fred Williams, um dos maiores nomes do instrumento, ao lado de Edú da Gaita. Eu já havia postado no TM um disco dele, de 1971, “Fred Williams e Dalila” (Uma coisa que eu acho curiosa é que nesse primeiro disco ele aparenta mais jovem, assim como o Waldir Calmon em “E seus multisons“que também estampa uma cara mais jovial, hehehe…). Agora vamos com este álbum pela RCA Victor, lançado em 1959. Um disco que atraí logo a atenção, vejam a variedade de gaitas do cara! Mas tem que ouvir também. O repertório é quase todo autoral, explorando ritmos como maxixe, choro, valsa, bolero, entre outros…
.
um pagode no rio
saudades da paulicéia
lembranças do sertão
suspirando
recordações de minas
barril de chopp
uma noite em porto alegre
manhãs de sol
tarde feliz
na casa da filhinha
enconsta moreninha
um chorinho para aniversário

Eliane Salek – Baiôro (1985)

Olá amigos cultos e ocultos! Deixa eu aproveitar aqui a pausa para o café e fazer logo nossa postagem do dia, antes que o tempo me engula e o sono me ponha a nocaute nos últimos minutos. Hoje é dia de disco/artista independente. Caçando daqui e dali, cheguei à Eliane Salek. Eis aqui um nome, de uma certa forma, conhecido do público em geral. Poucos tem o prazer de conhecer o talento desta artista. Eliane Salek é uma das poucas mulheres no cenário musical brasileiro com um variado leque de atuação artístico. Ela é cantora, compositora, arranjadora e instrumentista. Toca excepcionalmente bem o piano e a flauta. Uma musicista de formação erudita, mas fortemente influenciada pela música popular, por onde transita com grande desenvoltura. É considerada uma artista do jazz, mas uma de suas grandes paixões é o choro. Até onde eu sei, ela gravou apenas dois discos. Mesmo assim é uma artista de reconhecimento internacional e possui um currículo invejável.

“Baiôro” foi seu álbum de estréia, uma produção independente lançada na década de 80. Segundo Eliane, “Baiôro é mais que um fusão dos ritmos, baião com o choro. É uma fusão de linguagens e estilos…” uma mistura de todas as suas influências. Sem dúvida, é um disco que contempla além de belíssimas composições próprias, músicas de Gershwin, Michel Legrand, Zequinha de Abreu e Luiz Gonzaga. Somando a tudo isso temos ainda uma turma de músicos excelentes como Romero Lubambo, Nilton Rodrigues, Raul Mascarenhas e muitos outros. Taí, um disquinho bacana, vamos conferir? 😉
baiôro
tico tico no fubá
verão 42
dia de festa
o xote das meninas
pra brincar
summertime
valsa triste
on the sunny side of the street