Chico Buarque De Hollanda – Na Itália (1968)

Buongiorno a tutti! Hoje vamos de Chico Buarque, cantando em italiano. Um álbum gravado na Itália em 1968, com direção musical de Toquinho. Eu não sei bem o porque, mas este disco sempre teve, para mim, um certo ar dominical e também natalino. Sendo o dia de hoje o último domingo que antecede ao Natal, eu não poderia deixá-lo de fora. Por certo, nele não há nenhuma música natalina, mas acredito que é um bom presente para a data. Acho que eu fiz essa associação porque em algum Natal passado (bem no passado) este disco foi parte da trilha sonora das minhas festividades familiar. Compartilho assim com vocês esse momento muito especial. Chico Buarque é o tipo de artista que caí bem em qualquer momento, não é mesmo? E sobre ele não há muito ou pouco o que dizer que já não tenha sido dito. O melhor mesmo é ouvi-lo e cantar com ele. Vamos nessa? 🙂

far niente (bom tempo)
la banda (a banda)
juca
olê olá
rita (a rita)
non vuoi ascoltar (você não ouviu)
una mia canzone (meu refrão)
c’é piú samba (tem mais samba)
maddalena é andata via (madalena foi pro mar)
carolina
pedro pedreiro
la tv (a televisão)

Astrud Gilberto With Turrentine (1977)

Manhã de sábado bonita e ensolarada. Pelo jeito eu não vou demorar muito aqui em frente ao computador. Vou pra rua passear, sair para comprar presentes de natal. Ainda não fiz as minhas compras. E olha que eu tenho três festinhas de amigos ocultos para participar. Já não me basta os milhares de amigos cultos e ocultos, fui ainda arranjar mais esses. Eu mereço 🙂

Antes de sair, deixa eu fazer logo nossa postagem diária. Hoje iremos com a cantora Astrud Gilberto. Entre os diversos discos que ela gravou e que eu conheço, este é um dos que eu mais gosto. Lançado no Brasil pela Continental, este é mais um álbum do excelente selo CTI do trompetista e produtor Creed Taylor, responsável por levar ao público americano grandes nomes da Bossa Nova. A presença do nome do saxofonista Stanley Turrentine no subtítulo deste lp, acho, se deve ao fato de que o álbum foi lançado para o mercado americano. Uma maneira de engrossar o caldo, pelo menos para os lados de lá. Turrentine é sem dúvida um dos maiores nomes do jazz americano, mas a sua participação no disco é tão igual quanto a de outros músicos que fazem o trabalho brilhar. Aliás, é bom dizer, este disco é uma constelação ou um baú cheio de jóias. Só para se ter uma ideia, temos a participação de Sivuca, Dom Um Romão, Airto Moreira, João Palma, Ron Carter, Toots Thielemans, Hubert Laws, Bob Mann e mais uma meia dúzia de outras feras. Isso sem esquecer de Eumir Deodato que além de tocar é também o arranjador. Astrud, com sua vozinha doce e angelical, dá ainda mais sabor numa seleção de ótimos ‘hits’ escolhidos a dedo. Um disco realmente fino!
wanting things
brazilian tapestry
to a flame
solo el fin (for all we know)
zazueira
ponteiro
traveling light
vera cruz
história de amor
where there’s a heartache
just be you (bonus)
the puppy song (bonus)
polytechnical high (bonus)

Renato Andrade – Concerto Para Amigos (1983)

Aqui estamos em mais uma sexta-feira, dia onde normalmente tenho dedicado à postagem de artistas ou álbuns independentes. Hoje e mais uma vez farei de uma gravação caseira o correspondente a um disco sem gravadora, independente. O nosso álbum de hoje é um registro caseiro da viola de Renato Andrade. Trata-se de uma gravação feita em 1983, em Belo Horizonte, na casa de amigos do violeiro. Um encontro, uma festa descontraida, onde Renato toca diversas músicas demonstrando o seu talento por quase uma hora. O cara era mesmo um grande conhecedor da viola. Privilegiados foram esses que estiveram com ele nesse dia e sorte nossa que alguém lembrou de gravar. Taí um tipo de áudio que tem tudo a ver com o Toque Musical. E como não podia deixar de ser, dei um trato na qualidade do som e criei esta capinha para fazer nossa postagem ficar ainda mais convidativa, interessante… Não consegui identificar a maioria das músicas. Se alguém se habilitar, mande a lista para mim. Eu prometo que faço a contracapa 😉

Ivon Curi – Um Espetáculo A Parte (1963)

Para descontrair nossa quinta-feira, tenho um espetáculo a parte: Ivon Curi. Depois do grande sucesso na postagem de um outro disco do cantor, em abril deste ano, vamos mais uma vez a repetir a dose. Tenho aqui um álbum gravado ao vivo, no ínicio dos anos 60, logo depois que ele saiu da RCA para a Odeon. Ivon Curi sempre foi um ‘showman’ e prova disso é a gravação de “Um espetáculo à parte”. Neste show, onde pouco importa onde foi, mas como foi, ouvimos Ivon , entretendo o público em onze temas dos mais variados e agradáveis. Temos as divertidas “Piano em dó, ré, mi”, “Casar é bom”, “Relendo tua carta” e o “Felizardo”, esta última de Vicente Celestino, que eu não conhecia e nem sabia que era dado ao humor. Metade do disco são músicas de compositores franceses em adaptação ou versões do dramaturgo e poeta Guilherme de Figueiredo. Ivon Curi consegue realmente dar corpo às suas interpretações. Não é por acaso que o chamaram de ‘o ator das canções’.
piano em dó ré mi
o felizardo
a valsa de mil tempos (la valse a mille temps)
casar é bom
relendo tua carta
a coisa (the thing)
amor naquela base
só (seul)
guerra e paz
as blusas brancas (les blouses blanches)
soliloquio (soliloquy)

Joe Pass And Paulinho Da Costa – Tudo Bem (1978)

Olá meus prezados amigos cultos e ocultos, tudo bem? Por aqui tudo bem, tudo muito bem, como se pode comprovar logo acima. Muita variedade musical para agradar gregos, troianos e a turma lá do monte Olimpo. Salve, salve!

Hoje nossa trilha musical vai ser o jazz. Tenho para vocês este maravilhoso disco do guitarista americano, Joe Pass, reconhecidamente um dos maiores nomes do jazz internacional. Um guitarista dos mais interessantes, dono de um som cristalino e redondo nas cordas, que fez escola. Na verdade, pelo título do álbum, fica claro que se trata de um disco não apenas de Joe Pass, mas também do percussionista Paulinho da Costa e dos demais, Claudio Slon, Octavio Bailly, Oscar Castro Neves e Don Grusin, figurinhas emblemáticas do ‘latin jazz’ e outras bossas. Um álbum inspirado, com um repertório essencialmente de compositores brasileiros como Tom Jobim, Marcos Valle, Menescal e Boscoli, Luiz Bonfá e outros… Este lp foi lançado pela Pablo Records em 1978 e segundo o produtor, Norman Granz, a ideia da gravação veio depois que Joe Pass esteve no Brasil, no Carnaval de 77 e ficou encantado como os ritmos, principalmente o samba. Juntou-se à Paulinho da Costa, outro artista da mesma gravadora, considerado até então (e por eles americanos) o maior percussionista brasileiro. Este por sua vez recrutou os demais instrumentista, conhecedores nato (ou quase) da música brasileira. Todos, artistas tarimbados, brasileiros, americano e argentino. Segundo Norman, nas palavras de Joe Pass este foi o disco mais caloroso e melódico que ele gravou. E deve ser mesmo, afinal a música brasileira é a melhor do mundo, porque sintetiza o nosso espírito alegre e sabe absorver o dos outros e sem preconceitos. Como diz a minha secretária doméstica, é tudo de bom! Tudo bem!
corcovado
tears (razão de viver)
wave
você
if you went away
que que há?
the gentle rain (chuva delicada)
barquinho
luciana
i live to love

Emilinha Borba – Os Grandes Sucessos de Emilinha Borba (1969)

Bom dia a todos! Verificando no blog, percebi que injustamente nunca postei um disco da cantora Emilinha Borba, exceto uma ou outra faixa com ela. Por outro lado já tivemos muitos da Marlene. Pessoalmente, na escolha de repertório, prefiro mesmo a Marlene, mas a Emilinha também tem seus encantos e acho que já é hora de mostrá-los também. A cantora Emilinha Borba gravou ao longo de sua carreira centenas de discos. Fica até difícil escolher entre tantos, um que representasse bem a figura da cantora, que também foi “A Rainha do Rádio”. Escolhi então esta coletânea lançada pela CBS em 1969, num período onde a cantora estava afastada do público, devido a um problema nas cordas vocais. Uma das coisas que acho mais interessantes na Emilinha é o seu carisma. É impressionante como a cantora conseguiu conquistar tantos fãs, mesmo numa fase onde a turma da sua época vivia um momento de ostracismo. Ela sempre se manteve emparelhada com sua rival Marlene. Afinal, quem já foi rainha não pode perder a majestade. Se manteve ativa até em seus últimos tempos. Sempre lembrada, sempre querida.

Este disco, sem dúvida, não representa o que de melhor fez a cantora, mas pelo menos garante o seu lugar aqui no Toque Musical. Para aqueles fãs, de carteirinha ou não, deixo já avisado: ela ainda volta 😉
história de minha vida
juntinhos é melhor
cachito
castigo, meu amor
me leva pro céu
boa noite meu bem
dez anos
milhões de carinhos
chiquita bacana
benzinho
intriga
a menina da areia

Mazzaropi – Os Grandes Sucessos De Mazzaropi (1968)

Olás! Ainda nem dei tempo para vocês digerirem direito o Gilberto Gil e já vamos para outro sucesso garantido. Este disco do Mazzaropi teria entrado ontem, não fosse a falta de energia elétrica e a estratégica postagem para o Gil. Pela milésima vez eu assisti ao filme “O corintiano” e como sempre, dei boas gargalhadas. Mazzaropi é mesmo ótimo, seus filmes sempre me trazem boas lembranças da minha infância. Acho que assisti a todos e sempre volto a revê-los. Ainda não encontrei uma pessoa que não goste desse jeca. Neste álbum, lançado pela RCA Camden em 1968 temos reunidas algumas das músicas de maior sucesso em diversos filmes de Mazzaropi. As composições, em sua maioria, são do centenário músico de São Luiz do Paraitinga, Elpídio dos Santos. As versões aqui apresentadas são as originais dos filmes, “Jeca Tatu”, “Tristeza do Jeca”, “O corintiano”, “Casinha pequenina”, “O jeca e a freira”, “O lamparina”, “As aventuras de Pedro Malazarte”, “Zé Periquito” e “O vendedor de linguiça” – com a interpretação sempre muito pessoal do velho Mazzaropi. Discos como este são difíceis de ver e ouvir por aí. Com toda certeza, muita gente vai gostar…

dor da saudade
fogo no rancho
azar é festa
meu burrinho
sopro do vento
ingratidão
jeca magoado
alma solitária
lamparina do nordeste
coração amigo
jóia do sertão
o linguiceiro

Gilberto Gil – Ao Vivo Na Escola Politécnica Da USP (1973) Repost!

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou trazendo para vocês uma raridade das melhores. Uma colaboração do DJ Mandacaru, do site Hipopótamo Zeno. Ele generosamente me enviou a dica do link referente à gravação integral do lendário show de Gilberto Gil na Escola Politécnica da USP, em 1973. Este material, embora já tenha sido anunciado a quatro cantos na rede, já há sete anos atrás, parece ter sido novamente esquecido. Apenas alguns poucos blogs chegaram a publicar os arquivos e mesmo assim incompletos. Pelas informações que li, este material seria lançado comercialmente numa edição especial em três cds, com o aval do artista. Se isto aconteceu realmente, eu não fiquei sabendo. Para mim, a coisa ficou apenas nos arquivos de som compartilhados na rede e sem os devidos tratamentos. Desta vez, temos tudo na íntegra, num pacote que incluí a re-remasterização, edição das músicas e capinhas/encarte, confeccionados especialmente pelo Toque Musical. Acredito que o resultado ficou bastante aceitável.

Em 1973, o estudante de geologia da USP, Alexandre Vanucci Leme, foi torturado e morto pela repressão política do regime militar. Gilberto Gil, que estava em São Paulo, então recém chegado do exílio, foi procurado pelos universitários que o convidaram para fazer um show de protesto, improvisado no campus. Por volta de umas duas mil pessoas assistiram a esta apresentação nas dependências da Escola Politécnica da USP. Gil tocou e conversou com o público durante três horas de show. Esta apresentação foi registrada pelos estudantes em um gravador de rolo (benditos gravadores de rolo!). A fita ficou guardada e esquecida por um longo tempo. Apenas algumas poucas pessoas tiveram acesso a este material. As cópias em fita K7 eram fragmentadas e com um som de má qualidade. Vinte anos depois a fita master foi encontrada e restaurada, inicialmente pelo músico do Grupo Rumo, Paulo Tatit, para um projeto de lançamento da gravação comercial em cd.
Como eu disse, a gravação aqui apresentada foi extraída da fita original, integral e já remasterizada. Sua edição posterior, para o Toque Musical, foi feita de maneira a não perder nenhuma informação gravada. Estão incluídas, além das músicas, as longas conversas de Gil com o público. Um serviço completo e um registro acima de tudo, histórico!
oriente
gil fala
chicletes com banana
minha nêga na janela
senhor delegado
eu quero um samba
meio de campo
cálice
gil fala
o sonho acabou
ladeira da preguiça
expresso 2222
procissão
gil fala
domingo no parque
gil fala
umeboshi
objeto sim objeto não
gil fala
ele e eu
noite morena
cidade de salvador
iansã
eu só quero um xodó
edith cooper
back in bahia
filhos de gandhi
eu preciso aprender a só ser
cálice (final)

Maurilio Rocha – Canções Para O Mambembe e Sonhos De Uma Noite De Verão (2005)

Olá amigos cultos e ocultos! Como eu havia dito ontem, hoje será o nosso dia do artista/disco independente. Estou trazendo para vocês um disco dos mais bonitos que eu ouvi ultimamente. Um trabalho de grande sensibilidade feito pelo músico e professor do Curso de Artes Cênicas da Escola de Belas Artes da UFMG, Maurilio Rocha. Este cd foi lançado há alguns anos atrás, sendo um projeto beneficiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Governo de Minas. Trata-se de um disco onde Maurilio retoma a criação de canções populares, feitas exclusivamente para as peças “O mambembe” de Arthur Azevedo e “Sonhos de uma noite de verão” de Shakespeare, espetáculos encenado pela Z.A.P. 18 e Cia. Acaso. Gostaria de tecer aqui algumas considerações a mais a respeito do disco e do artista, mas outros compromissos estão já estão me chamando. O sábado tá pegando! Como de sempre, o pacote vem completo. As informações adicionais podem ser conseguidas no encarte. Só digo mais uma coisa, este disco faz valer o dia lindo de sol que vejo da janela lateral. Coisas de Minas 😉

botequim
quelque chose
o sonho
mandala
com alguma habilidade
jura
viva o frazão
ajudinha
quelque chose (instrumental)

Dom Pepito Y Su Ritmo Tropical – Rumbas & Bongos (1963)

Olá amigos cultos e ocultos. Hoje o meu dia foi meio preguiçoso, por isso, até agora a pouco eu não estava muito animado a fazer a postagem. Não tive tempo para preparar o que seria a o disco independente do dia, embora tivesse outra opções (vai ficar pra amanhã). Contrariando também a rotina, resolvi trazer um disco de rumba, aquele ritmo dançante cubano, num álbum supostamente de um artista estrangeiro, Dom Pepito. Alguém já ouviu falar nele? Pois saibam que nem eu. Acredito que Dom Pepito é mais um desses pseudônimos criado por artistas nacionais. Como já sabemos, este é um artifício que foi bastante usado por diversos artistas e também pelas gravadoras, fugindo de burocracias contratuais e também numa forma de proteger seus verdadeiros nomes e até mesmo por brincadeira. Não consegui descobrir quem seriam os músicos por trás de Dom Pepito Y Su Orquestra, mas tenho por certo que ser trata de uma produção nacional. A direção artística é de Armando Pittigliani, um dos mais importantes produtores musicais brasileiros. No disco, lançado pela CBD – Companhia Brasileira de Disco, com o selo Philips, não há informações precisas sobre quem é Dom Pepito. Outra coisa que me faz duvidar dos ‘pseudocubanos’ é resumida ficha técnica que tudo nos leva a crer ser este disco totalmente ‘made in brazil’. De internacional aqui, apenas o repertório, recheado de ‘standards’. Diga-se de passagem, da melhor qualidade. ‘Dar de baja!’

sun sun babaê
dance avec moi
ave maria lola
aquellos ojos verdes
carioca
amapola
caravan
tequila
when
el cumbanchero
vereda tropical
la paloma

Don Euclydes – Piano Espetacular (1984)

Olá! Estava eu aqui me lembrando de uma viagem de férias que fiz a Porto Seguro, Bahia a um tempo atrás. Me lembrei de ter ido jantar em um restaurante, numa noite das mais agradáveis e por lá eu ouvi alguém tocando um piano ao fundo. Minha curiosidade musical foi despertada no momento em que ouvi “Apelo” de Baden e Vinícius, uma música que eu gosto muito. Não sei se foi o vinho, mas fiquei realmente empolgado com aquele pianista solitário, concentrado em suas teclas e notas agudas. Pelo jeitão do músico pensei que fosse um artista internacional. Fiquei alí ouvindo ele tocar um repertório essencialmente romântico. Talvez, se eu já não tivesse ‘mamado’ quase duas garrafas de vinho, aquele músico teria passado batido. Apesar de já um pouco ‘alto’, para não pagar mico, me limitei a perguntar ao garçon quem era o artista. Ele então me respondeu que se tratava de Don Euclydes, um tecladista recém contratado pelo restaurante, vindo do Rio. Eu realmente gostei do cara e se não fosse a família a tira colo, eu teria ficado a noite toda ouvindo aquele piano. Recentemente descobri que tinha este disco dele e nem havia me tocado para esse fato. Ouvindo-o novamente percebi que no disco ele também interpreta “Apelo”. Sinceramente, gostei mais do que ouvi no restaurante. Acho que naquela noite ele e eu estávamos mais inspirados.

Don Euclydes é um músico profissional de formação clássica e popular. Seu público alvo se encontra em restaurantes e hotéis, geralmente turistas. Hoje em dia ele toca ao lado da esposa, a cantora Tetê Aciolly. Gravou diversos discos pelo selo CID na década de 80. Entre eles temos este chamado “Piano Espetacular – Sucessos de Nelson Gonçalves”, acompanhado de orquestra. Para os ultra românticos e como música ambiente, esse é o cara…
risque
camisola do dia
apelo
hoje quem paga sou eu
atiraste uma pedra
dolores sierra
ninguém me ama
naquela mesa
doidivana
argumento
as rosas não falam
mágoas de caboclo

Roberto Audi – Música Para Nós Dois (1961)

Olá amigos! Como todos já perceberam, os links apresentados nos comentários, referentes aos discos postados, são exclusivamente pelo Rapidshare. A única vantagem que eu via nele era o fato de suportar até 200 megas em arquivos e nos dá até 90 dias ativo com download. Parece que agora eles querem mudar a política, passando para apenas 60 dias. Não duvido nada que em breve eles também reduzam de 200 para 100 mb o espaço para upload. Mas o pior mesmo é essa jogada que eles andam fazendo, bloqueando intermitentemente os arquivos quando queremos baixá-los. Eles estão forçando a barra para fazer a gente adquirir uma conta Premium. Se a coisa continuar assim, em janeiro vou mudar para o Mediafire. Eu sou free, sempre free…

Seguindo em nossas postagens, vamos com mais um disco raro adquirido na Feira do Vinil. Desta vez eu trago um cantor, hoje pouco lembrado, Roberto Audi. Ele iniciou a carreira como corista em shows de Carlos Machado. Foi visto (e ouvido) por Leny Eversong que o incentivou a continuar cantando. Na época ele, ainda jovem, estava em dúvida se deveria ou não seguir a carreira artística. Estreou em disco ao lado da cantora, em 1958. Ainda nem era conhecido do grande público. Nunca havia antes se apresentado em rádio ou televisão. Leny Eversong o considerava a grande revelação e o apontava como um dos futuros astros da canção brasileira. Em pouco tempo e com o apadrinhamento da cantora ele conquistou o seu lugar. Foi premiado várias vezes, inclusive como “Revelação do Ano”. Tornou-se conhecido nacionalmente. Gravou o primeiro lp “E as operetas voltaram” pela Copacabana em 1959, numa produção de Lamartine Babo, que bateu todos os recordes de vendagem na época.
“Música para nós dois” foi seu terceiro álbum em ‘long play’ de 12 polegadas, lançado também pela ‘voz do caramujo’ em 1961. O álbum, embora marque um melhor momento de sua interpretação, foi também seu penúltimo disco gravado. De 1961 a 64 ele passou a fazer shows. Viajou pelo Brasil e alguns países da América do Sul. Foi também se apresentar em Portugal e nos Estados Unidos. A partir de 1964 ele abandonou as gravações e se dedicou somente à apresentações em cidades do interior. Acredito que por conta de sua impostação vocal, ao estilo dos primeiros cantores como Vicente Celestino e Francisco Alves, começava a não despertar mais interesse de público nos grandes centros urbanos, num momento onde a Bossa Nova era a grande estrela.
música para nós dois
ninguém é de ninguém
romântica
um novo céu
sombras
a noite vem
sol de verão
mundo mau
a canção dos seus olhos
duas rosas
i could have danced all night
sonata sem luar

Sivuca – Motivo Para Dançar (1956)

Olá amigos cultos e ocultos! Nesta semana eu vou aproveitar para mostrar a vocês algumas das pérolas recolhidas na última Feira do Vinil. Discos raros, em bom estado de conservação e por um preço que eu ainda não vi igual. Este por exemplo, me custou apenas 15 reais! Uma bagatela para quem sabe o valor que um álbum desses tem. Ainda mais em se tratando do mestre Sivuca em gravações que nunca chegaram a serem relançadas. Podem dizer o que quiserem contra a falta de respeito dos blogs de música aos direitos autorais, mas cá prá nós, nos últimos cinco anos foram eles (foram nós) quem ressuscitou a velha e boa música brasileira. Me digam vocês, quantos títulos só chegaram aos seus ouvidos depois do surgimento dos blogs? Por certo foram muitos. Já que não temos uma política de proteção, preservação e respeito pela memória musical e fonográfica brasileira, cabe a nós, ‘anarquistas do som’, fazermos valer o que ainda hoje para as gravadoras não faz um tostão. Vivam os blogs, viva a cultura informal!

Segue assim este maravilhoso disco do Sivuca. Lançado nos 50, no auge dos bailes e horas dançantes, este disco foi feito mesmo para dançar. Um trabalho muito bem elaborado por Sivuca, com músicas escolhidas a dedo e ensaiadas exaustivas vezes antes de serem gravadas. Neste disco há a participação de Altamiro Carrilho e são dele também uma boa parte das músicas apresentadas. Infelizmente não encontrei outras informações sobre este que foi um dos primeiros álbuns gravados por Sivuca. Let’s dance!
bem te vi atrevido
angel’s lullaby
tu e eu
gracioso
marimba
x-9
moonlight serenade
enignático
duas contas
bolero da sorte
misterioso
por hoje é só

Edu Lobo & Maria Bethania – Edu E Bethania (1967)

Eu havia prometido a mim mesmo que não iria mais postar discos que são comuns em outros blogs, mas alguns casos, pela excepcionalidade, merecem ser aqui também lembrados. Estou postando este disco da Elenco que foi mais um dos que eu comprei na Feira do Vinil, também por apenas 10 reais! A feira foi magra, mas as compras e trocas foram gordas. Valeu demais! Eu até que tenho esse disco em versão cd, mas ter o original é que é legal. Segue assim mais uma jóia resgatada do mofo e da poeira, agora vai para a estante, para o prato da minha vitrola e para as minhas mãos 😉

Temos aqui o feliz encontro de Edu Lobo com Maria Bethania. Uma produção de Aloysio de Oliveira reunindo os dois jovens talentos. Edu já era um artista conhecido, consagrado. Maria Bethania por outro lado, ainda uma recente cantora, trazia na bagagem suas primeiras experiências musicais, o talento demonstrado no show Opinião. As músicas do disco, trazem as parcerias de Edu com Torquato Neto, Capinan, Vinicius de Moraes e Gianfranco Guarnieri. Acompanham a dupla neste disco Dori Caymmi, Dório e Edson Machado. Os arranjos são do maestro Gaya. Taí, mais um clássico da Elenco, confiram…
upa neguinho
cirandeiro
sinherê
lua nova
candeias
borandá
pra dizer adeus
veleiro
só me fez bem
o tempo e o rio

Roberto Menescal E Seu Conjunto – Bossa Nova (1964)

Olá! Aqui estou eu neste domingo nublado trazendo para vocês um dos álbuns que adquiri ontem na Feira do Vinil. Acho que a chuva espantou um pouco as pessoas, tirou o ânimo daqueles que, sinceramente, perderam uma boa oportunidade de levar para casa jóias como esta, que saiu por apenas 10 reais! Se por um lado a feira foi fraca em termos de público, por outro foi ótima para aqueles que lá estiveram. Pudemos comprar e trocar discos se afobação, podendo escolher direitinho aquilo que interessa. Hoje a feira continua e eu daqui a pouco volto para lá. Ainda tem muita coisa boa me esperando 😉

Como disse, tenho aqui um dos álbuns que comprei por lá, Roberto Menescal e seu disco “Bossa Nova”, lançado em 1962 pela Odeon. Eu inclusive até tenho este disco em formato digitalizado, mas o que estou apresentando tem um diferencial, a edição. Nele a capa é diferente, acho até mais bonita num tom lilás, tem mais a ver com bossa nova instrumental (e é em vinil, claro!). Este álbum saiu pelo selo Imperial, dois anos depois, em 1964. Como já é do conhecimento de todos por aqui, o selo Imperial pertence a Odeon e foi criado na época para atender às vendas à domicílio. Os discos Imperial eram vendidos não apenas em lojas, mas também pelo correio ou através de seus agentes de vendas. Lançaram muita coisa. Fizeram reedições apresentando velhos álbuns com novas caras. No caso de “Bossa Nova”, o disco saiu com esta capa (a menor é a original) e as faixas em outra ordem, mas é o mesmo disco, a mesma gravação.

Temos aqui um dos personagens dos mais importantes da primeira leva da Bossa Nova, Roberto Menescal acompanhado de seu conjunto, formado por Eumir Deodato no orgão e piano, Henri Ackselrud na flauta, João Palma na bateria, Sérgio Barroso no contrabaixo e Ugo Marotta no vibrafone. Este disco foi produzido pelo André Midani. Eu achava que algumas das faixas fossem as mesmas do disco do Menescal lançado pela Elenco, mas não tem nada a ver. “Bossa Nova” é um álbum exportação, um disco fino, um clássico instrumental e acima de tudo lindo de ouvir. Se você ainda não esbarrou com este álbum por aí, não perca tempo. Como dizem por aqui, “trem bão é coisa boa” e passa antes que possamos contar o número de vagões. Confiram a pérola que amanhã tem mais… 😉
corcovado
garota de ipanema
quem quiser encontrar o amor
menina feia
influência do jazz
rio
só danço samba
andorinha preta
fala de amor
o pato
vagamente
nos e o mar

Isaura Garcia – Documento Inédito (1987)

Olá amigos cultos e ocultos! Meio na pressa, saindo já para a Feira do Vinil, aqui vou eu rapidinho deixando a nossa postagem do dia. Como informei na anterior, a feira acontece durante todo o dia, hoje e amanhã, no Centro Cultural Padre Eustáquio, no antigo mercado coberto do bairro Padre Eustáquio. Quem é de Belô não vai ter como errar o endereço, entrada pela rua Jacutinga ou pela rua Padre Eustáquio. Apareçam porque vai ter muito coisa bacana. Eu vou cedinho para pegar ‘a primeira fornada’. 😉

Bom, aqui vai o do dia, Isaura Garcia num disco muito interessante lançado pelo Estúdio Eudorado em 1987. Trata-se de um momento raro, uma gravação de uma entrevista dada pela cantora à Rádio Eldorado em 1979. Nesta entrevista, que na verdade é um depoimento, Isaura Garcia conta um pouco de sua vida, o início de carreira, os momento áureos no rádio, o casamento com Walter Wanderley e principalmente fala de música, daquelas que ela gravou e de tantas outras que ela gostaria de ter gravado. O álbum é também uma oportunidade única onde ela pode realizar esse desejo de gravar suas canções prediletas. Musicalmente é um disco singelo, onde Isaura Garcia canta descompromissada, tendo apenas um violão por acompanhamento. O resultado desta gravação como disco ficou ótimo e é sem dúvida um depoimento histórico. Vale a pena dar uma conferida…
só louco
e o mundo não acabou
por causa de você
preciso aprender a ser só
não se esqueça de mim
falando sério
fênix
matriz ou filial
contrasenso
tenho que ir
se você visse
sufoco

Pascoal Meirelles – Considerações A Respeito (1981)

Bom dia, boa sexta-feira, meus prezados! Inicio esta postagem lembrando a todos, em especial àqueles que estão em Belo Horizonte, que amanhã dia 5 de dezembro e também no domingo, dia 6, haverá mais uma edição da Feira do Vinil e CDs Independentes, promovida pela Discoteca Pública. Desta vez o evento acontece no Centro Cultural do bairro Padre Eustáquio, em paralelo às comemorações ao primeiro aniversário do CCPE. Para quem não conhece, o Cento Cultural fica no antigo mercado do bairro Padre Eustáquio (a feira coberta), que fica na Rua Jacutinga 821. O evento acontecerá de 10 às 19 horas. Vai ser uma grande festa e uma ótima opção para o fim de semana. Desta vez a feira do vinil promete ser das melhores, com participação de colecionadores de vários lugares do Brasil. Chega essa época, muita gente quer comprar e vender discos. Taí uma boa oportunidade de adquirir um presente original de natal.

Hoje nossa postagem é dedicada aos independentes. Tenho aqui um disquinho bacana do baterista/percussionista mineiro Pascoal Meirelles. Lançado em 1981 pelo selo independente Moleque, “Considerações a respeito”, foi seu primeiro álbum solo. Um disco instrumental dos melhores, sortido de estrelas como o céu de uma noite de verão no interior de Minas. Não vou listar aqui todos os que participam do trabalho, mas só para se ter uma idéia, temos entre os mais conhecidos as figuras de Márcio Montarroyos, Leo Gandelman, Jota Moraes, Osmar Milito, Jamil Jones, Nivaldo Ornellas, Helvius Vilela, Marcos Resende e outros não menos importantes, todos músicos de primeiro time. A destacada presença de Paqualito se faz não apenas por ser seu álbum solo, mas também pelo fato de que todas as faixas são composições próprias, de sua autoria. O que dá ao trabalho um sentido musical ainda mais pessoal.
Pascoal Meirelles é um dos maiores instrumentista da música brasileira. Nos anos 60, ainda muito jovem, integrou o grupo de Paulo Moura. Acompanhou artistas como Chico Buarque, Elis Regina, Ivan Lins e Luiz Bonfá. Participou também de diversos discos de artistas como Tom Jobim, Gonzaguinha e Wagner Tiso. Nos anos 80 ele formou com Mauro Senise, Nelson Matta e Romero Lubambo o grupo instrumental Cama de Gato. Pasqualito é hoje considerado um dos maiores bateristas de jazz do Brasil. Professor, pesquisador e principalmente músico requisitadíssimo. As ‘consideações a respeito’ eu vou deixar para os meus amigos cultos e também ocultos. Fiquem a vontade para comentar… 😉
amanhã
valse
considerações a respeito
redenção
estudo nº 1 para flauta e percussão
dedicado a nivaldo ornellas

João Gilberto – Live In Tokyo (2004)

Depois que eu comentei sobre o João Gilberto e este ‘bootleg’, recebi uma série de e-mails pedindo para publicá-lo logo. Ok, está na mão… vamos chegar junto 🙂

Temos aqui uma versão paralela do que foi lançado oficialmente pela Verve. Com certeza, numa qualidade inferior à gravação comercial, questionável inclusive pelo perfeccionismo do próprio artista, mas extremamente valioso para nós, seus apaixonados fans. Trata-se de 25 canções, as quais eu ainda dei uma retocada, tanto na edição do som, quanto da produção da capa. Vale como uma curiosidade exclusiva, retirada da lavra do nosso já conhecido colecionador sueco e trazida até a mim pelo ‘brother’ Chris Rousseau.
ligia
aguas de março
foi a noite
de conversa em conversa
eu sambo mesmo
caminhos cruzados
samba de uma nota só
wave (vou te contar)
retrato em branco e preto
bolinha de papel
ave maria no morro
um abraço no bonfá
isso aqui o que é
corcovado
chega de saudade
desafinado
insensatez
felicidade
mulata assanhada
foi o destino talvez
estate
preconceito
curare
saudade da bahia
garota de ipanema

Rosinha de Valença & Banda – Ao Vivo (1975)

Hoje eu amanheci numa dúvida. Como no poema da Cecília Meireles fiquei naquela, “ou isso ou aquilo”. Eu estava sem saber o que iria postar, “são tantas emoções”. Estava na dúvida entre este disco da Rosinha de Valença e um ‘bootleg’ do emblemático João Gilberto. Deixei a solução para o amigo Chris que ainda agorinha trocava e-mails comigo. Foi ele quem me cedeu essas duas pérolas. Infelizmente precisei mudar de conta para fazer esta postagem e não houve tempo de deixar ele escolher (desculpa aí, brother!). Decidi então pela Rosinha de Valença. O João já tem o lugar dele garantido e fica para uma outra ocasião (putz, até rimou!)

Vamos com a Rosinha de Valença & Banda, ao vivo! E que banda, diga-se de passagem. Neste disco, lançado em 1975, temos a violonista cercada por um time de primeiríssima. Só tem fera tocando com ela, olha só: João Donato, Tuti Moreno, Helvius Villela, Copinha, Oberdan Magalhães, Frederiko, Franklin, Raul Mascarenhas Jr., Alberto das Neves, Celinhho e no ‘gogó’ vai ainda Dona Ivone Lara, Miucha e Thelma. Depois dessa apresentação não é preciso dizer mais nada. Um registro ao vivo e dos melhores. Pena esse disco ser somente parte de um show, merecia um álbum duplo! Nele vocês conferem as seguintes músicas…
araponga
testamento de sambista
de amor eu morrerei
4 de dezembro
with little help from my friends
fiz a cama na varanda
o meu boi morreu
peguei um ‘ita’ no norte
prenda minha
tema espanhol
foi deus
uirapuru
saudades de matão
brasileirinho

Rago E Seu Conjunto – Os Grandes Sucessos De Rago (1980)

Hoje o nosso toque musical é dedicado à Antonio Rago, um nome pouco lembrado e na ‘blogosfera’, nem sequer comentado. Se por um lado isso é ruim, por outro me dá o prazer de ser o primeiro a apresentá-lo. Espero que de agora em diante este título se replique ou que outros discos dele venham a aparecer.

Rago, como ficou mais conhecido, foi um compositor e violonista dos mais brilhantes e originais, nascido no bairro do Bixiga, reduto italiano da capital paulista. Iniciou sua carreira ainda na adolescência, acompanhado outros músicos locais nas noites de serenata. Estudou violão clássico e profissionalmente começou a tocar aos vinte anos, integrando o conjunto regional de Armandinho, outro grande violonista paulista famoso. Em pouco tempo foi se tornando um dos acompanhadores preferidos dos grandes cantores da época, inclusive de Francisco Alves com quem ele trabalhou na última apresentação, um dia antes do trágico acidente que vitimou o cantor. Rago, em seguida, montou o seu Regional, tocando na Rádio Tupi de São Paulo. Seu grupo se tornaria famoso, principalmente pela qualidade artística de seus componentes. Sua composição mais conhecida foi o bolero “Jamais te esquecerei”, em parceria com Juracy Rago. Outro fato interessante na figura de Antonio Rago é que ele foi o pioneiro na eletrificação do violão. A fábrica Di Giorgio criou exclusivamente para ele o primeiro violão elétrico. Ao contrário dos violões elétricos atuais, o dele tinha características, tanto técnicas quanto sonora, mais próxima da guitarra, produzindo um efeito único até então. Não se ouvia nessa época nada parecido. A sonoridade de seu Regional com o violão eletrificado traçou um outro caminho para uma música essencialmente acústica. O disco que temos aqui reúne alguns de seus melhores momentos. Confiram já esse toque…
jamais te esquecerei
nada
despertar da montanha
festa portuguesa
que importa
boneca japonesa
motivo cubano
pelo teu amor
lisboa antiga
mambo na gloria
o barão na dança
carambolas

Carmen Miranda E O Bando Da Lua – Ao Vivo (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como disse uma amiga, meus textos são quase locuções radiofônicas. Eu faria apenas uma correção: ‘locuções blogofônicas’. Sem dúvida, tem tudo a ver… O monólogo e chamadas que se repetem, o assunto e a presença diária. Tudo leva e dá esse sentido. Como tantos outro blogs, vou acabar transformando o Toque Musical numa ‘webrádio’.

Hoje o nosso foco é mais uma vez a Carmen Miranda e o Bando da Lua. O disco que temos aqui é uma peça rara criada por Aloysio de Oliveira e sua série Evento, para a Odeon. Lançados a partir de 1974, os discos pelo selo Evento/Odeon, foram uma tentativa de Aloysio de retomada na produção fonográfica semelhante à Elenco, criada por ele na década anterior. O selo Evento buscava produzir discos do mais alto nível, com artistas e compositores, que segundo Aloysio, constituíam um ‘Evento’ em termos fonográficos e musicais. Foram lançados discos com a cantora Maysa, Billy Blanco, Ary Barroso & Dorival Caymmi, Sylvia Telles, Sérgio Ricardo e outros. Esses álbuns traziam relançamentos e também coisas inéditas, entre eles este de Carmen Miranda e o Bando da Lua. Um registro ao vivo até então nunca publicado, trazendo de um lado Carmen em um dos diversos shows que ela fazia nos Estados Unidos. Do outro lado vem o Bando da Lua, também registrado ao vivo num programa de rádio, feito mais ou menos na mesma época da gravação do show de Carmen, em 1950. Este disco é para ser entendido como um evento, documento e uma curiosidade. No disco não temos nem a separação por faixas. A qualidade do som, mesmo retrabalhada, demonstra que se trata de uma gravação que serviu apenas e naquela época como um registro, hoje histórico! Confiram o toque…
Lado Carmen Miranda
south american way
when i love, i love
cuanto le custa
i make my money with bananas
cooking with glass
ai, ai, ai, i like you very much
Lado Bando da Lua
aquarela do brasil
na baixa do sapateiro
tico tico no fubá
quizas, quizas, quizas
the old piano roll blues
chiquita bacana
aquarela do brasil

Ed Lincoln – Orgão Maravilhoso (1982)

Bom dia! Enquanto tomo o meu café, vamos rapidinho à postagem de hoje. É domingo, mas eu terei que ir trabalhar 🙁 Vida de peão não é mole não (mas rima!)

Vamos nessa com uma coletânea bacana do Ed Lincoln, lançada em 1982 pela série Gala Super da Soma/Som Livre. Neste álbum temos reunidas doze faixas selecionadas de diversos discos do tecladista na década de 60. Algumas até inéditas na ‘blogosfera’. Em breve postarei mais alguns discos do Ed, que sei, fazem sempre muito sucesso. Hoje é só um ‘tiragosto’ dominical. Aproveite o domingo!
aquarela do brasil
ai que saudade dessa nêga
a rosa
arrasta a sandália – não poe a mão
são salvador
o ganso
voltei
miss balanço
teleco teco nº2
na onda do berimbau
mulher de trinta
vou andar por aí
o mar e a rosa
é o cid

Os Populares (1967)

Olá amigos cultos e ocultos! Não fosse o compromisso diário de postagem, eu hoje iria deixar vocês na mão. Estou numa preguiça de fazer inveja a baiano. Por mim, hoje eu ficaria só ouvindo música e no chocolate. Quero aproveitar o sábado, pois o domingo vai ser osso, vou trabalhar 🙁

Eu estava aqui ouvindo este disco dOs Populares. Eu estava crente que já o havia postado, daí percebi meu engano. Como hoje eu ainda não havia preparado nada, achei uma boa oportunidade. Este álbum dOs Populares é ótimo, talvez o melhor. Foi o segundo disco do grupo lançado no mesmo ano do primeiro, 1967. O repertório é só alegria e o grupo não deixa a peteca cair. Julio Cezar, o guitarrista e lider da banda é mesmo um fera, toca muito!
Vou deixar vocês aí ouvindo e me jogar no balanço de outra rede. Deixa eu descansar…
meu limão meu limoeiro – lara’s themes
balanço de vera
sous le ciel de paris
esploration in terror
meu sonho
acorda maria bonita – se eu soubesse
balança a cabeça
lejania
zero zero cezar
theme for lovers
deixe de esnobar
valsa da despedida – está chegando a hora

Morgana – Esta É Morgana (1959)

Olá! Finalmente é sexta-feira! Vamos hoje no embalo da fada loira, Morgana Cintra. Eu já havia apresentado a vocês um disco desta cantora, o seu segundo álbum. Agora voltamos, para a alegria de muitos que havia pedido, com o seu primeiro lançamento. Morgana estreou em disco pela Copacabana em 1959 com este lp, que na época fez muito sucesso. Pelo menos duas faixas colaboraram muito para o reconhecimento dela perante ao público, “Serenata do adeus” de Vinicius de Moraes e “Era uma vez” de Lina Pesce. Outro fato curioso neste lp é a presença de Ormar Milani e sua orquestra em quatro faixas exclusivas. Pelo que eu pude entender, o disco de Morgana Cintra era para ser um lp de dez polegadas, tradicionalmente com oito faixas. A gravadora Copacabana resolveu lançar o disco no formato, então recente, de doze polegadas e com doze faixas. Na falta de mais quatro canções com a cantora, decidiram incluir o Osmar Milani, responsável pela orquestração, em outros quatro temas instrumentais. Podemos assim dizer que o disco é meio da Morgana Cintra e meio do Osmar Milani e Sua Orquestra. Um bom disco, pode acreditar!

serenata do adeus
era uma vez
andré de sapato novo
sombras entre nós
dois orgulhosos
volta ao mundo
conselho
mais brilho nas estrelas
solidão
porque tu me feres
amar ou não amar
mocinho bonito

Pepe Castro Neves – Coração Vulgar (1979)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Estou chegando a conclusão de que todos os discos que tenho disponível e que penso em postar, de uma forma ou de outra já foram postados por algum outro blog. Não sei se o número de blogs aumentou ou se os discos mais comuns estão chegando ao fim. O fato é que as coisas se repetem. Se por um lado isso dá ao disco mais visibilidade, por outro se torna desanimador para quem posta. Estou vendo que preciso sair do senso e do gosto comum, voltar às origens. Por enquanto, vamos cozinhando o tradicional já que o estoque ainda guarda muita digitalização e horas trabalhadas.

Hoje o dia é do independente e trago para vocês o álbum “Coração Vulgar” de Pedro Paulo Castro Neves, o Pepe, da musical família Castro Neves. Pepe é um cantor talentoso, o caçula da família que aprendeu tudo ouvindo os imãos mais velhos e seus ilustres amigos visitantes. Segundo o texto do encarte, aos 20 anos estudava música e tentava uma oportunidade como programador da Rádio Jornal do Brasil. Trabalhou com Egberto Gismonti fazendo parte do coro em alguns dos seus discos e em vários concertos entre os anos de 72 e 74. Através de Gismonti, Pepe conheceu o francês Michel Legrand com quem chegou a gravar um disco. Foi morar na França onde cantou e estudou com Bruno Wyzui. Lançou este disco, seu primeiro álbum individual, em 1976 por um selo independente. Montou um repertório dos mais interessantes com músicas de Ivan Lins, Egberto Gismonti, Toninho Horta, Sá & Guarabyra, Nelson Cavaquinho e outros. Não bastasse o ‘menu’, contou com a participação de gente tarimbada, músicos como Wagner Tiso, Robertinho Silva, Luiz Alves, Mauro Senise e outros. O resultado não podia ser outro, um belo disco! Tá duvidando? Confira então…
coração vulgar (você vai pagar)
bailarinha
luto
pedar da lua
segredo quebrado
calma
se
passarinho
músicos da noite

Grupo Manifesto – Nº 2 (1968)

Bom dia! Um caso que tem deixado muita gente com ‘a pulga atrás da orelha’ é o sumiço do nosso amigo Zeca, do Loronix. Estão todos por lá sem saber do paradeiro do loro. Há exatos dois meses ele fez sua última postagem e desde então nunca mais apareceu. Não postou mais nada e nem responde aos inúmeros e-mails e mensagens deixadas no Comentários. No quadrinho de bate-papo todas as hipóteses já foram levantadas, alguns inclusive já estão rezando missa de sétimo dia (xô, coisa ruim!). Ninguém sabe, ninguém viu… Até os que se dizem ‘mais chegados’ estão sem saber. Um mistério… Mistério é bom, levanta poeira… Mas vou baixar ela um pouco e já avisando: ele em breve vai voltar. Problemas todo mundo tem, mas o tempo faz tudo se resolver. Aguardem!

Bom, meu primeiro manifesto já foi feito. Agora vamos ao segundo… vamos com o Grupo Manifesto. Uma turma de jovens artistas, que se juntou a partir de 1966 para formarem um conjunto vocal/instrumental dos mais interessantes. Faziam parte do Manifesto nomes que hoje se tornaram artistas e produtores musicais consagrados. Era formado por Gutemberg Guarabyra (da dupla Sá & Guarabyra), Guto Graça Melo (compositor e produtor), Mariozinho Rocha (produtor e diretor musical da Rede Globo), Fernando Leporace (compositor e arranjador, fez também parte do grupo Vox Populi), os cantores Augusto César Pinheiro, José Renato Filho e Junaldo, além da cantoras Gracinha Leporace e Lucinha (da dupla Luli & Lucina). O grupo teve uma breve existência de apenas três anos. Gravaram somente dois ‘long plays’ e pelo selo Elenco. Dizem que os dois discos foram relançados na versão cd pela PolyGram, mas pelo jeito, em edição limitadíssima. Eu mesmo nunca vi. O primeiro disco é realmente muito bom, mas o número dois não fica atrás. As composições são quase todas de músicas próprias. Nenhum grande sucesso, mas todas da melhor qualidade. Um disco que merece também o nosso toque musical.
Esta postagem vai em especial para o meu amigo Chris, empolgado ao ter em mãos o vinil que eu agora estou postando. Taí, brother, agora é só conferir 😉
maria redentora
diferença
pra que brigar
hoje é domingo
quem vem
bloco da vida
garoto paissandu
sem dor
minha decisão
marianinha

Angela Maria – Angela A Maior Maria (1964)

Mais uma vez, marcando presença em nosso Toque Musical, temos a Angela Maria, uma de nossas mais queridas cantoras, dona de uma voz única e de um repertório que agrada gregos e troianos. A “Sapoti” como ficou também conhecida, apelido dado a ela por Getúlio Vargas, foi durante os anos 50 a maior cantora do rádio. De caloura profissional passou a ser a cantora excepcional. Gravou seu primeiro disco em 1951, pela RCA Victor, com as músicas “Sou feliz” de Augusto Mesquita e Ari Monteiro e “Quando alguém vai embora” de Ciro Monteiro e Dias Cruz. Com apenas essas duas músicas gravadas já se tornou um grande sucesso nacional. Durante a década de 50 ela então gravaria dezenas de discos. De ‘princesa do rádio’ passou a ser a rainha. Paralelo ao rádio, ela também atuou no cinema, o que de uma certa forma colaborou em muito para com a sua popularidade. Participou de diversos filmes durante três décadas. Nos anos 60, mesmo com tantas mudanças no cenário musical brasileiro, Angela continuou firme, se destacando como uma cantora essencialmente romântica. Apesar de muitas vezes trazer em seu repertório um certo ‘ar brega’ (talvez pelo romantismo popular), sua arte e qualidades são inegáveis. Entre seus diversos álbuns, um dos que eu mais aprecio é este disco lançado em 1964. O lp é num todo uma beleza, a começar pela capa, pela foto da cantora que aqui nunca esteve antes ou depois tão bonita. Gosto mesmo dessa capa! Mas o disco não fica só na estampa e o meu gosto também. Temos nele diversas músicas bacanas, entre as quais eu destacaria “Estereofonia”, uma das muitas versões de Hélio Justo para este disco. Temos também Ary Barroso em “Canção em tom maior”, “Felicidade virá” de Orlann Divo e “Samba novo” de Newton Chaves e Durval Ferreira. Taí um disco clássico da Sapoti. Vamos ouvir?

a saudade bateu… valeu
esta noite não
estereofonia
poeira do caminho
o amor mais belo
samba novo
canção de tom maior
felicidade virá
loucura
não há mais tempo
as noites de inverno chegam mais cedo
clarinada

Márcio Montarroys & Orquestra – Piston Internacional (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos!. Algumas pessoas andam reclamando de links que não estão (aparentemente) funcionando. Eu procuro verificar imediatamente e meus famosos colaboradores vão logo oferecendo o link novo. Acontece que na maioria das vezes o problema não é o link vencido. O que temos são erros geralmente por falta de atenção ao copiar o link e agora, mais comuns, provocados pelo próprio Rapidshare, forçando a barra para que a gente adquira uma conta Premium. A sugestão que dou nesses casos é desligar e ligar novamente o seu computador. Dessa forma ele estárá gerando um novo número IP e assim possibilitando o download imediato. Isso vale também para quando a gente não quer ficar esperando os 15 minutos para fazer um novo download. Em alguns casos não é preciso nem desligar o computador, basta desligar e ligar novamente o ‘molden’. Isso é o que podemos chamar de um ‘clean’ básico 😉

Iniciando a semana, tenho para hoje este maravilhoso disco do pistonista/trompetista Marcio Montarroyos, um dos grandes instrumentistas brasileiros, falecido no final de 2007, vítima de um tumor no pulmão. Márcio iniciou a carreira nos anos 60. Compositor, arranjador e instrumentista de mão cheia, fez parte do grupo A Turma da Pilantragem. Estudou na ‘Berklee School Of Music’ no início dos anos 70, voltando logo em seguida ao Brasil onde se apresentou em diversas casas de shows. Tornou-se um dos mais requisitados músicos, trabalhando ao lado de outros grandes nomes da música, não só nacionais, como os internacionais Stevie Wonder, Sérgio Mendes, Sara Vaughan, Nancy Wilson, Carlos Santana, Ella Fitzgerald e por aí a fora… Entre seus diversos discos gravados eu escolhi este, “Piston Internacional”, exclusivamente por causa de duas músicas, as quais eu considero como das suas mais belas interpretações. Me refiro a “Stormy Weather” e “Carinhoso”. Esta última então, nem se fala… se já era naturalmente linda, ficou ainda mais maravilhosa. Me lembro de ter ouvido essa interpretação a primeira vez na trilha de abertura de uma novela da Globo. Perfeita! Taí então um belo disco para começarmos bem a semana. Confiram o toque…
stormy weather
maria
stardust
carinhoso
as time goes by
no rancho fundo
da cor do pecado
how about you
chão de estrelas
misty
mulher
i’ve got you under my skin

Carolina Cardoso De Menezes – Boite Carolina (1957)

Correndo contra o tempo aqui estamos. Ontem, nesse ritmo, acabei não publicando a postagem do dia. Ainda bem que ninguém notou. Somente hoje pela manhã foi que percebi. Vacilão 😛

E por falar em capas de discos, eis uma das mais bonitas, “Boite Carolina”. Como na postagem anterior, um disco com qualidades visuais e principalmente musicais. Temos aqui a grande pianista Carolina Cardoso de Menezes em mais um de seus memoráveis momentos. Um disco com um repertório bem dosado feito para se ouvir neste domingo. Muito samba, fox e baião. Vai aí que eu vou indo aqui… correndo…
despedida de mangueira
boa noite amor
puladinho
mulher de malandro
nancy
dono dos teus olhos
maria maria
dôr de recordar
batuquente
vai haver barulho no chateau
preludiando
boa sorte

Ed Lincoln – Seu Piano E Seu Orgao Espetacular (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! Meu sábado está prá lá de corrido, por isso farei rapidinho a postagem do dia. Trabalhar no fim de semana é coisa que ninguém merece, mas quando se precisa de grana, o jeito é correr atrás, né não?

Hoje vamos com o tecladista Ed Lincoln. Este é um artista que até então eu ainda não havia postado nada. Embora não seja uma raridade/novidade na blogosfera, irei aqui trazendo a minha versão 🙂 Taí um álbum bacana. A começar pela capa que é pura Op Art. No disco é só balanço, muito samba e bossa puxado pelo ‘orgão espetacular’ desse grande instrumentista. Sua música, principalmente nos dias de hoje, toma um novo sabor, agradando inclusive aos ouvidos mais novos. Um álbum perfeito para este sábado, mono, mas em Hi Fi. Agora só falta a cuba libre 😉
miss balanço
só danço samba
vou rir de você
influência do jazz
um samba gostoso
vamos balançar
o samba é bom assim
pra que
é um estouro
balansamba nº 1
tristeza
olhou pra mim