Ele se chamava Antônio Gílson Porfírio. E foi da pronúncia fonética das iniciais de seu nome que se originou o pseudônimo com o qual ele ficaria para a posteridade: Agepê. Nascido no Rio de Janeiro, a 10 de agosto de 1942, filho de uma alagoana de origem índia e de pai músico, passou a infância quase na miséria, no Morro do Juramento, Zona Norte carioca. Órfão de pai ainda menino, foi à luta para ajudar a mãe faxineira. Aos 18 anos, enquanto prestava serviço militar na Aeronáutica, arregimentou uma gangue e fugia sistematicamente do quartel para namorar. Acabou sendo inevitavelmente expulso da corporação… Como integrante da ala de compositores da Escola de Samba Portela, Agepê era uma espécie de ídolo de plantão, e estava sempre presente nos ensaios e desfiles da “azul e branco”. Antes de conquistar a almejada fama, trabalhou como transportador de bagagens, sendo conhecido, nesse tempo, como Ripinha, office-boy da Embaixada da Alemanha no Rio de Janeiro e técnico-projetista da extinta Telerj (Telecomunicações do Rio de Janeiro), ofício que abandonou para seguir a carreira artístico-musical. Em 1975, Agepê consegue seu primeiro êxito logo no primeiro compacto simples, pela Continental, com “Moro onde não mora ninguém”, que fez junto com Canário, seu mais constante parceiro, e que daria título a seu primeiro LP. Esse foi o pontapé inicial para uma trajetória repleta de sucessos, tais como “Todo prosa”, “Sete domingos”, “Moça criança”, “Menina de cabelos longos”, “A dança do meu lugar”, “Ela não gosta de mim”, “Deixa eu te amar” (talvez o maior de todos), “Me leva”, “Lá vem o trem” etc., conquistando um público cada vez mais fiel. Seu eclético repertório, além de sambas, tinha também ritmos nordestinos, em especial o baião. Apresentando-se em impecáveis ternos de cetim branco e sapatos de cromo da mesma cor, Agepê era o símbolo do som romântico, que às vezes até beirava a sensualidade. Humilde, creditava seu sucesso ao fato de já ter vivido “de A a Z”, e, por isso, saber a linguagem do povo. Também obteve êxito com sua regravação de “Cama e mesa”, de Roberto & Erasmo Carlos, em 1992. Agepê faleceu no dia 30 de agosto de 1995, aos 53 anos, em seu Rio de Janeiro natal, vitimado por cirrose alcoólica, deixando uma discografia de quinze álbuns de carreira (o último deles, “Feliz da vida”, foi lançado um ano antes de sua morte, em 1994), e alguns compactos. Dela, o Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, o terceiro LP, “Tipo exportação”, lançado em 1978 pela Continental. Aqui, ele conta com músicos de primeiro time, a começar pelo arranjador e regente, Waltel Branco, o acordeonista Sivuca, o gaitista Maurício Einhorn, o violonista Horondino Silva, o Dino Sete Cordas, o baterista Picolé, os percussionistas Chico Batera, Mestre Marçal e Pedro Sorongo, o tecladista Lincoln Olivetti, etc. No coro, a curiosidade vai para a presença de Roberto Quartin, proprietário, nos anos 1960, da gravadora Forma, que produzia MPB de alta qualidade e era fã incondicional de Frank Sinatra, chegando a ter um completíssimo acervo a respeito do cantor norte-americano, inclusive com registros sonoros inéditos em disco. O próprio Agepê e seu inseparável parceiro Canário assinam cinco músicas deste trabalho, entre elas “Operário Pedrão” (o título talvez seja referência ao concurso Operário Padrão, durante anos promovido pelo Sesi em parceria com o jornal carioca “O Globo”), “A musa dos heróis” e “Dia de graça”. Marcam também presença neste primoroso trabalho composições de Ary do Cavaco (“Prece a Padim Ciço”), das duplas Romildo Bastos-Toninho Nascimento (“Morena da cor da Bahia”) e Wilson Moreira-Ney Lopes (“Samba Ioiô”). Enfim, um trabalho musical da mais alta qualidade técnica e artística, que o TM tem a grata satisfação de oferecer. Dá pra pedir mais?
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou ‘mixturando’ a fome com a vontade de comer, com direito a indigestão para quem não escuta música com outros olhos. Tenho aqui oito discos de 12 polegadas, mas que trazem apenas um ou duas músicas. São os impagáveis filhos dos compactos, que começaram a pipocar a partir do final dos anos 80, discos que passaram a ser chamados de mix, ao estilo disco de DJ’s. Eram muito comuns também em 45 rpm e faziam exatamente a função do antigo compacto que era o de apresentar a tal ‘musica de trabalho’, aquela principal de um determinado artista ou grupo. Aliás, é bom que se diga, mesmo nos dias atuais ainda há muitos artistas que investem em compactos e discos mix, como esse sortimento que agora eu trago para vocês. Como podemos perceber, temos aqui nove discos de diferentes artistas, produções que passam pelas décadas de 80, 90 e nos anos 2000. Dos anos 80 temos as bandas Ego Trip, que trazia em sua formação Arthur Maia e Pedro Gil, filho do Gilberto Gil, Aqui temos deles a música “A lei sou eu”, sucesso nas rádios em 1987. Em 88 temos outro sucesso “Cara pálida” da banda carioca Gang 90. Ainda nos anos 80 temos os ‘mixies’ do conjunto Fator RG7, produzido por Leci Estrada e Eclis, com um pop feito na medida para tocar no rádio, só que não vigou. Entrando pela década de 90, temos o Arnaldo Antunes, ex Titãs com o mix “Nome não”, lançando em 93. Carlos Conceição e seu sucesso localizado, “A tribo” e ainda um mix funk com a desbocada Dercy Gonçalves. Para finalizar, temos um mix mais moderninho, lançado já nos anos 2000 pelo músico baiano Gil Felix, variando em três versões o seu batido em “Que alegria”.