Gazolina Do Brasil & News Brasas Samba Show – Ao Vivo (197…)
Olá amigos cultos e ocultos! Nos últimos dias andei meio sumido. Para não variar, sem tempo e cada vez mais distante desse objetivo. Acho que, de certa forma, a fase máxima, a febre dos blogs musicais já passou. Por outro lado, paradoxalmente, os discos de vinil que eram seu assunto principal, a fonografia, passam agora por uma revitalização, com o retorno de diversos títulos raros, tudo sendo relançado em cópias quase perfeitas. Acredito que uma das razões para o retorno do vinil está diretamente relacionada aos movimentos de blogs como o Toque Musical. Creio que isso despertou muita gente e o interesse pelo vinil voltou aqui no Brasil. Eu mesmo, que pensava em apenas compartilhar e desfazer dos lps após digitalizar, também mudei de ideia e retomei minha coleção. Realmente isso é uma cachaça. Penso que por conta de me preocupar mais com a retomada da minha coleção, acabei direcionando o meu foco musical só para isso. O blog foi perdendo um pouco do sentido, sei lá… Mas, por outro lado, sei que não dá para abandonar um compromisso de quase oito anos. Ou por outra, não dá para abandoná-lo assim. Vamos seguindo então, em frente e a cada dia nos adaptando às regras e ao jogo. O TM não pára, segue ao ritmo e dança conforme a música.
Nos últimos dias andei meio afastado, pois estive viajando. Fui ao meu sempre querido Rio de Janeiro e por lá não deixei de sair no garimpo, em busca de discos que considero interessantes e principalmente para a minha própria coleção. Me lembrei também do Toque Musical, claro! E por lá adquiri algumas que aos poucos irão chegando aqui para vocês. Entre tantos, começo com este lp que eu mesmo não conhecia (adoro coisas assim). Trata-se de um curioso álbum lançado pela Tapecar, sem data, mas creio que deve ser do início dos anos 70, com o cantor Antônio Monte de Souza, mais conhecido como Gasolina. Um nome hoje pouco lembrado. Segundo consta, Gasolina veio da Rádio Gaúcha, em Porto Alegre, onde foi descoberto pelo radialista Ivan Castro. Conheceu o sucesso quando veio para as rádios do Rio de Janeiro e São Paulo. Cantou ao lado e foi impulsionado por grandes nomes como Nelson Gonçalves, Noite Ilustrada, Silvio Caldas e tantos outros. Foi também ator, fez teatro e cinema (O Auto da Compadecida, O Cantor e o Milionário) e na televisão se apresentava no programa “Copacabana Show”, lá pelos anos 60. O que foi feito dele, qual o seu paradeiro, isso é coisa que não consegui descobri. Mas aqui neste álbum ele aparece como “Gazolina do Brasil”, com Z. Talvez por conta de contratos com outra gravadora, ou por erro mesmo. O álbum não é qualquer coisa não. É de um tempo que a produção podia esbanjar. Neste lp temos uma capa dupla com fotos e mais detalhes sobre o trabalho. Diz a capa que é uma gravação ao vivo, porém pela qualidade da gravação e pela falta do público eu diria que não. Ou talvez até tenha sido, mas sem público, apenas aproveitando o espaço e o clima da churrascaria Las Brasas, onde os shows comandados por Gasolina aconteciam. Este álbum é uma síntese do show 😉 São 13 faixas na quais estão distribuídas 42 músicas entre sambas, machinhas, pontos e outros batuques. Gazolina vem acompanhado do conjunto New Brasas Samba Show e da cantora Célia Reis. Infelizmente não consegui localizar a data, mas certamente é um disco dos anos 70. No arquivo não nomeei as faixas devido a quantidade de músicas. Deixo que cada qual resolva isso ao seu modo, ok?
Cantores – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 124 (2014)
Orquestra Românticos De Cuba – Românticos De Cuba No Rio (1983)
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Beto Saroldi – Metrô (1988)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Quebrando um pouco o ritmo, saindo um pouco do antigo para algo mais próximo da nossa atualidade, tenho hoje para vocês o primeiro disco do compositor e instrumentista Beto Saroldi. Para quem não conhece, Beto Saroldi é um saxofonista, compositor e produtor musical que já tocou com grandes nomes da música brasileira como, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Lulu Santos, Lô Borges e muitos outros. Isso também, sem falar em outros grandes nomes da música instrumental, que é a verdadeira praia deste artista.
“Metrô” é o nome do seu primeiro lp lançado em 1988, uma produção independente que teve a graça de ver incluída uma de suas faixas como tema da novela “Bebê a bordo”, da poderosa Rede Globo. O disco, num geral é bom. Quem curte música instrumental é que vai gostar 🙂
Pedroca E Seu Piston – As Garotas Gostam De Dançar Com Pedroca E Seu Piston (1958)
Sambas – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 123 (2014)
E prossegue a gloriosa trajetória do Grand Record Brazil. Já estamos na edição de número 123, e nela estamos apresentando uma seleção especialmente dedicada ao samba. São 15 gravações, com sambas de autores consagrados do gênero, interpretados pelos melhores cantores de sua época. Abrindo esta edição, temos “Capital do samba”, de José Ramos (1913-2001), fluminense de Campos, que ajudou a fundar a ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na interpretação do sempre notável Gilberto Alves. Gravação Odeon de 9 de setembro de 1942, lançada em outubro do mesmo ano, disco 12214-A, matriz 7053. Dos cariocas João da Baiana (João Machado Guedes, 1887-1974) e Babaú da Mangueira (Waldomiro José da Rocha, 1914-1993) é “Sorris de mim”, a faixa seguinte, interpretada por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”. Ela o gravou na Victor em 9 de julho de 1940,com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34657-B, matriz 33463. De Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975) e do lendário Paulo da Portela (Paulo Benjamin de Oliveira, 1901-1949), foi escalado “Arma perigosa”, na interpretação de Linda Rodrigues (Sophia Gervasoni, 1919-1995). É o lado A de seu terceiro 78, o Continental 15423, lançado em setembro de 1945, matriz 1136. Na quarta faixa, um clássico indiscutível do mestre Ary Barroso: é “Morena boca de ouro”, na interpretação de Sílvio Caldas, que o imortalizou na Victor em 4 de julho de 1941, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34793-A, matriz S-052259. Foi várias vezes regravado,inclusive por João Gilberto, que o incluiu em seu primeiro LP, “Chega de saudade”, em 1959. O dito popular “Quem espera sempre alcança” dá título à nossa quinta faixa, mais uma composição do lendário Paulo da Portela. Quem canta este samba é Mário Reis, em gravação lançada pela Odeon em setembro de 1931, disco 10837-B, matriz 4272, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman. “Quem mandou, Iaiá?” é de Benedito Lacerda (também no acompanhamento com sua flauta mágica e inconfundível) e Oswaldo “Baiaco” Vasques, e foi lançado pela Columbia para o carnaval de 1934, em janeiro desse ano, na voz de Arnaldo Amaral, disco 22262-A, matriz 1005. Também de Baiaco, em parceria com João dos Santos, é nossa sétima faixa, “Conversa puxa conversa”, gravação Victor de Almirante (“a maior patente do rádio”) em 24 de abril de 1934, lançada em julho do mesmo ano com o n.o 33800-A, matriz 79615, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida por Pixinguinha. Babaú da Mangueira volta em nossa faixa 8, “Ela me abandonou”, samba do carnaval de 1949, em parceria com Taú Silva. Novamente aqui comparece Gilberto Alves, em gravação RCA Victor de 23 de dezembro de 48, lançada um mês antes da folia,em janeiro,disco 80-0591-B, matriz S-078852. Autor de clássicos do samba, Ismael Silva (1905-1978) mostra seu lado de intérprete em “Me deixa sossegado”, que assina junto com Francisco Alves e Nílton Bastos, e foi lançado pela Odeon em dezembro de 1931, disco 10858-B,matriz 4281. De família circense, sobrinho do lendário palhaço Piolim, o comediante paulista Anchizes Pinto, o Ankito (1924-2009), considerado um dos cinco maiores nomes da era das chanchadas em nosso cinema, bate ponto aqui com “É fogo na jaca”, samba de Raul Marques, Estanislau Silva e Mateus Conde. Destinado ao carnaval de 1954, foi lançado pela Columbia (depois CBS e hoje Sony Music) em janeiro desse ano, sob n.o CB-10017-B, matriz CBO-152. Paulo da Portela volta na faixa 11, assinando com Heitor dos Prazeres “Cantar pra não chorar”, do carnaval de 1938. Quem canta é Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, em gravação Victor de 15 de dezembro de 37, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 34278-B, matriz 80634. Na faixa 12, volta José Ramos, agora assinando com o irmão, Marcelino Ramos, “Jequitibá”. Gravação de Zé e Zilda (“a dupla da harmonia”), em 1949, na Star, disco 151-B, por certo visando o carnaval de 50. A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, vem com o samba “Mulher de malandro”, de Hervê Cordovil. Gravado na Victor em 23 de outubro de 1945, seria lançado apenas em setembro de 46, sob n.o 80-0431-B, matriz S-078380. Ernani Alvarenga, o Alvarenga da Portela, assina “Fica de lá”, samba do carnaval de 1939, em gravação Odeon de Francisco Alves, datada de 16 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia,em fevereiro, disco 11700-A,matriz 5995. Por fim, temos o samba “Não quero mais”, samba de autoria de Zé da Zilda (também conhecido por Zé com Fome e José Gonçalves) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Castro, que apareceu no selo com o sobrenome errado, “da Silva”), gravado na Victor por Aracy de Almeida em 9 de setembro de 1936 e lançado em dezembro do mesmo ano, disco 34125-A, matriz 80214, certamente com vistas ao carnaval de 37. Note-se, a respeito deste samba, que Cartola tinha feito duas segundas partes, mas Zé da Zilda fez uma outra segunda parte por conta própria e, assim, eliminou Cartola da co-autoria. Enfim, é uma excelente seleção de sambas que o GRB nos oferece, para apreciação de todos aqueles que apreciam o melhor de nossa música popular.
* Texto de Samuel Machado Filho
Zimbo Trio – Vol. 2 (1966)
Olá, amigos cultos e ocultos! Nesta semana nós acabamos por não publicar aqui o volume 123 da coleção exclusiva Grand Record Brazil. Sei que tem muita gente que nos acompanha e os e-mails não param de chegar. Calma, a coleção ainda não acabou. Só termina no dia em que não tivermos mais nada em 78 rpm para apresentar. Amanhã tem mais um volume, garantido!
Para a noite de domingo ficar ainda mais gostosa, eu trago para enriquecer nossa lista um disco que há muito já devia ter entrado: Zimbo Trio Vol. 2. Aliás, eu também já deveria ter postado o volume 1 e outros mais, afinal o que é bom a gente deve sempre manter. Mas o Zimbo Trio, embora acima da média, é figurinha fácil e repetida. Muitos outros blogs já postaram ele por aí e por certo, deste não há muito o que dizer além do que já foi dito. Um super trio que teve em seu elenco original Luiz Chaves, Rubens Barsotti e Hamilton de Godoy.
Este lp foi o terceiro gravado por eles. Lançado em 1966 pelo selo RGE, o álbum traz um repertório fino, com doze temas impecáveis e hoje clássicos, alguns autorais. Música instrumental de alto padrão, que agrada cultos e ocultos.
Salinas – Alice Street Gang (1976)
Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu, como sempre inicio justificando as pausas e falhas de postagem em nosso Toque Musical. Vocês já sabem, é falta de tempo! Não foi a toa que eu resolvi incluir outros textos do amigo Samuel Machado Filho, além dos habituais em nossa coleção Grand Record Brazil. Se dependesse apenas dele, nossas postagens continuariam diárias e sem furo. Já tenho aqui uma dezenas de textos prontos para os diferentes discos que enviei para ele. Falta agora, tão somente, eu publicar, mas nem para isso eu tenho tido tempo. Hoje, por acaso, a manhã tá livre, daí eu me divirto mais e tomo a direção e apresentação.
Trago para este sábado um disquinho curioso. Comprei este lp há alguns anos atrás. Achei a capa interessante, pensei até se tratar de uma banda de rock, daquelas obscuras dos anos 70. Levei o disco sem olhar muito, afinal haviam outros na compra e como estava barato, foi na leva. Só alguns dias depois foi que eu vim a conhecê-lo realmente. De saída fui logo percebendo que não se tratava de rock e sim de algo no gênero ‘disco music’. E para a minha surpresa o tal Alice Street Band era conduzido por Daniel Salinas. Quer dizer, trata-se de um trabalho do eclético maestro Daniel Alberto Salinas, produzido, arranjado e tocado por ele. Eu já cheguei a postar aqui outro disco dele, o “Paz, Amor e… Samba”, de 1972. Salinas foi um maestro e arranjador muito atuante nos anos 60 e 70, trabalhando com artistas da Jovem Guarda e tantos outros dos mais variados gêneros nas décadas seguintes. Agora voltamos com este, da era ‘discoteca’. Naquele estilo inconfundível da música americana da segunda metade dos anos 70, quando a ‘disco music’ tomou conta do pedaço. Lembram aquelas músicas de aberturas em seriados tipo ‘As Panteras’, ‘Casal 20’, ‘Chips’… é por aí… Lembra também, inevitavelmente, o Eumir Deodato, principalmente na música de abertura, ‘Also Sprach Zarathustra’ em fusão com ‘Bahia’, clássico de Ary Barroso. Salinas mostra em seus arranjos que não fica por menos, apresentando um trabalho de primeira linha. Tenho certeza de que se algum desavisado ouvir este álbum é capaz de dizer que é coisa de gringo, estrangeiro. E tem tudo a ver, não só pela qualidade dos arranjos e execução. Um trabalho bacana, digno de muitos toques musicais. Pessoalmente, nunca fui muito fã do estilo, mas hoje, sou capaz de ouvir e dizer, realmente foi um trabalho bem feito. Fiquei pensando de onde foi que o Salinas tirou esse nome de ‘Alice Street Gang’. Desconfio que trata-se do endereço do estúdio da Amazon Records, na Rua Alice, do bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro, onde a gang tocou. Tá no selo… 🙂
Saraiva – Saraiva… É Sucesso (1965)
Os Violinos Mágicos – Música Maravilhosa Dos Grandes Filmes (1961)
Cezar De Mercês – Nada No Escuro (1979)
Boa noite, amigos eleitores cultos e ocultos! Desta vez, nesta eleição, eu procurei não me manifestar. Minha candidata era a Luciana Genro, mas eu já sabia que não ia dar em nada. Escolher entre Aécio e Dilma foi difícil, mais ainda por conta dos diversos amigos, cada um me puxando para um lado. Para evitar discussão, disse a todos que iria anular o meu voto. E me deu vontade mesmo, principalmente por conta das campanhas e propostas apresentadas pelos dois candidatos. Enfim, acabou… A Dilma venceu e vamos ver o que nos espera por aí. De resto, que quero mais é chocolate 😉
Eu poderia hoje estar postando algo mais condizente com o momento. Mas, sinceramente já estou de saco cheio disso tudo. Prefiro aplicar aqui um som mais legal, um disco que nos leve para outros caminhos mais iluminados. Nada no escuro… Sim, é este o nome do primeiro disco solo do cantor e compositor Cezar de Mercês, um músico que faz parte da história do rock nacional. Foi um dos integrantes do Terço, grande banda dos anos 70, em dois momentos, de 70 a 74 e depois entre 77 e 78. Em 2013 ele voltaria a se reencontrar com a turma, ao lado de Sergio Hinds, Flávio Venturini e Magrão para o lançamento, na época, de um show em DVD. Cezar de Mercês compôs muitas músicas, não apenas par o Terço. Gravaram suas composições artistas como Roberto Carlos, Jane Duboc, Nico Rezende, 14 Bis e outros. Em 1979 lançou através do selo Epic (CBS) este que foi o seu primeiro disco solo, o álbum “Nada no escuro”, nome de uma das onze músicas que compõe o lp, em parceria com Luiz Carlos Sá. Ainda com parceiros ele conta com Sergio Magrão, em “Pequenas coisas” e Rogério Duprat, em “Sopro no coração”. As demais músicas são composições próprias. Este disco chegou a ser relançado há coisa de uns cinco anos atrás, na versão cd, mas novamente hoje volta a ser uma boa raridade.
Nova Canção Do Sul (1980)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, marcando presença, trago para vocês outra boa doação do amigo Fáres. Tenho aqui um disco bem interessante. Um verdadeiro mostruário da música popular brasileira feita no sul do Brasil. Uma série de artistas vindos do Rio Grande, músicos que se despontaram naquele início de década. Repetindo o que está no texto da contracapa, desde Lupicínio Rodrigues não se ouvia falar em personalidades musicais gaúchas inseridas no processo criativo da MPB. Porém, a música no Sul sempre existiu, presente nos bares, boates, festivais e no rádio da região. No início dos anos 80 surgia com muita força uma nova e expressiva geração de artistas que viriam a ganhar espaço não apenas no estado, mas em todo o país. Nomes como Bebeto Alves, Kleiton & Kledir, Carlinhos Hartlieb, José Vicente e muitos outros, como vocês verão aqui, formam essa excelente e rara coletânea. Produzida pela Cristal Discos, com selo Clack. A capa é um trabalho do artista gráfico Elifas Andreato. Não deixem de conferir 😉
Sertanejos – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 122 (2014)
Abrindo esta seleção, um representante da música regional nordestina, Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB, 18/12/1908-idem, 2/10/1979). Ele nos apresenta aqui uma bela toada que fez em parceria com José Martins, “Lua bonita”, por ele mesmo interpretada no filme “O cangaceiro”, da Vera Cruz, êxito internacional que, no entanto, não impediu a falência do estúdio, pois tal repercussão beneficiou apenas sua distribuidora, a multinacional Columbia Pictures. Gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril do mesmo ano, disco 80-1100-B, matriz SB-093595. Conhecido como “a maravilha negra das Américas”, Edson Lopes (c.1930-?) aqui nos oferece o jongo “Cafuné”, assinado pelo campineiro Dênis Brean (Oswaldo Duarte Ribeiro) em parceria com Gilberto Martins. Originalmente lançado por Aracy de Almeida, em 1955, é revivido aqui por Edson em gravação Odeon de primeiro de fevereiro de 1957, lançada em maio do mesmo ano, disco 14202-A, matriz 11543. Da escassa discografia da dupla Coqueiro e Belinha (apenas cinco discos 78 com dez músicas), foi escalada a guarânia “Lei de um mandamento”, de Coqueiro sem parceria. Foi gravada na Odeon em 13 de junho de 1960, e lançada emjulho do memso ano, disco 14639-A, matriz 50567, sendo que a “marca do templo” o reeditou mais tarde com o selo Orion, sob número R-072. Em seguida apresentamos as faixas do único 78 da dupla Ibirama e Maruí, o RCA Camden CAM-1092, gravado em 17 de outubro de 1961 e lançado em janeiro de 62,com músicas assinadas por Pavãozinho. No lado A, matriz M3CAB-1508, o xote “Linda gaúcha”, em que Pavãozinho tem a parceria de Sereno. No lado B, matriz M3CAB-1509, a canção rancheira “Deixe eu sofrer”, de Pavãozinho sem parceiro. O “trio orgulho do Brasil”, Luizinho, Limeira e Zezinha, aqui bate ponto com o conhecidíssimo baião “Casamento é uma gaiola”, de autoria do Compadre Generoso (muita gente se lembra dessa música na voz do Sérgio Reis, e aqui vai o registro original) , por eles gravado na Odeon em 2 de abril de 1959 e lançado em junho do mesmo ano sob número 14463-B, matriz 50108, sendo depois relançado com o selo Orion sob número R-058, além de figurar em LP sem título. A dupla Mariano e Cobrinha, ambos de Piracicaba, SP, apresentam aqui a toada “Mágoas de carreiro”, de autoria do comediante e ventríloquo Batista Júnior, pai das cantoras Linda e Dircinha Batista. Lançada em 1929 pelo próprio autor, é aqui apresentada em gravação feita por Mariano e Cobrinha na Continental em 6 de abril de 1948 e lançada em maio-junhoi do mesmo ano, disco 15902-B, matriz 10839. O próprio Batista Júnior, aliás, agradeceu pessoalmente a dupla por esta regravação. Do único 78 da dupla Oswaldinho e Vieirinha, o RCA Victor 80-1818, gravado em 25 de março de 1957 e lançado em julho do mesmo ano, aqui está o lado B, a toada “Canção do tropeiro”, de exclusiva autoria de Vieirinha, matriz 13-H2PB-0078. Temos em seguida, as faixas do único disco da dupla feminina Chiquita e Chinita,o Columbia CB-10280, lançado em outubro de 1956, ambas de autoria de Francisco Lacerda com parceiros, um em cada música. No lado B, o valseado ‘Cavalinho pampa”, matriz CBO-821, o parceiro de Lacerda é Ricardo Jardim, e no lado A, o tango “Parabéns, meu amor”, matriz CBO-820, o co-autor é José Maffei. Outra dupla feminina de discografia escassa (seis discos 78 com doze músicas, todos pela Columbia), as Irmãs Cavalcanti (Noemi, que foi vocalista do Trio de Ouro em sua segunda fase, e Odemi) aqui comparecem com as faixas do disco de estreia, número CB-10029. No lado A, delas próprias, matriz CBO-170, o baião “Lumiô, lumiô”, e no lado B, matriz CBO-171, a guarânia “Ponta Porã”, de Pereirinha e Jamir da Silva Araújo. As Irmãs Maria (Thereza Gadotti e Maria Aparecida Oliveira), também de curta carreira discográfica, aqui apresentam o huapango “Por te querer”, de Piaozinho e Maria Aparecida Oliveira, lançadopela Continental, selo Caboclo, em julho de 1961, disco CS-457-A. Silveira e Barrinha, “a dupla dos 22 Estados”, nos oferece a clássica moda campeira “Coração da pátria”, de Silveira, Lourival dos Santos e Sebastião Victor, gravação RCA Camden de 25 de maio de 1962, disco CAM-1133-A, matriz N3CAB-1712. E, encerrando esta seleção, Zé Carreiro e Carreirinho, “os maiores violeiros do Brasil”, apresentam o cururu clássico “Saudades de Araraquara”, de exclusiva autoria de Zé Carreiro, gravado na Continental em 9 de maio de 1952 e lançado entre esse mês e junho do mesmo ano, disco 16580-A, matriz 11381. Enfim, a mais autêntica música do sertão brasileiro, para fazer a gente recordar, como diz meu colega de YouTube Adalésio Vieira, “um tempo em que realmente havia música sertaneja”… Deliciem-se!
*Texto de Samuel Machado Filho
Tobias Troisi – Valsas Brasileiras N. 2 (1959)
Maria Creuza – Sedução (1981)
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.
Núbia Lafaette (1977)

Waleska – Um Novo Jeito De Amar (1988)
4 Ases & 1 Coringa (parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 121 (2014)
José Domingos – Exemplo (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês um disco muito bacana e que há tempos venho ensaiando a postagem, mas sempre aparecia outra coisa, me tirando do alvo. Hoje, finalmente, ele sai…
Temos aqui o álbum “Exemplo” do cantor e compositor José Domingos, um artista que pouco se houve falar, embora tenha lá muitos anos de estrada e alguns bons discos gravados. Nascido em Guaxupé, Minas Gerais, logo cedo se mudou com a família para São Paulo. Foi por lá que iniciou sua carreira artística, no início dos anos 60 como cantor da noite, se apresentando em boates ao lado de outros grandes nomes da época. Eu sempre confundi ele com o Noite Ilustrada, talvez pela semelhança física e pelo estilo musical. E pelo que pude verificar, essa não era uma confusão só minha, muita gente pensava assim. Ao que consta, ele gravou até então seis discos. Eu mesmo só conheço este e mesmo sem saber dos demais digo sem medo de errar, este foi seu melhor trabalho. Não se trata de um álbum essencialmente autoral. Há nele suas belas composições e também a de outros como o Lupicínio Rodrigues de quem ele interpreta três clássicos, entre eles a música “Exemplo” que dá nome ao disco. Para acabar de embelezar a coisa, temos um time de músicos de primeiríssima. Não vou aqui listá-los, mas só para se ter uma ideia, Zé Domingos vem acompanhado por Amilson Godoi, que também foi responsável pelos arranjos e regência; Cláudio Henrique Bertrami; Heraldo do Monte; Isidoro Longano (o Bolão); Hector Costita e outra feras mais…
Ao que parece, discos do Zé Domingos nunca chegaram a ser divulgado em blogs musicais. Nunca vi um. Este está sendo o primeiro e o Toque Musical se sente muito honrado em dar o primeiro toque. Álbum bacana, produção independente que as grandes gravadoras não souberam dar o devido valor. Um grande artista. Vale a pena conhecer!
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5º Festival De Músicas De Favela (1974)
Olá amigos cultos e ocultos! Aproveitando uma encomenda de digitalização de discos, escolhi entre os tantos este curioso e obscuro lp. Digo isso porque além de ser um trabalho antigo, deve ter sido também um disco de edição limitada. Uma produção da CID (Companhia Industrial de Discos), de Harry Zuckermann, mas com o selo OBA (a Etiqueta do Sambista), criado especificamente para atender ao propósito que era a quinta edição do Festival de Músicas de Favela. Este festival, por certo foi um evento tradicional na cidade do Rio de Janeiro, como podemos ver aqui, já estava em sua quinta edição. Inclusive, fui buscar na rede mais informações, mas não há nada além do fato de que na terceira edição, de 1965, quem se saiu vencedor foi a cantora e compositora Aparecida com seu samba “Zumbi, Zumbi”, defendendo a favela da Cafúa. Numa pesquisa rápida ao Google não passamos disso. Há referencias sobre outras edições, mas principalmente no Mercado Livre, onde ainda se pode encontrar esses discos. E pelo que vi, houve outros festivais de música nessa linha como o “I Festival de Favelas”, gravado ao vivo e lançado nos anos 60 pelo selo Caravelle e o “Festival de Favela”. Em 1976 saiu pela Top Tape um lp que eu entendo como sendo a sexta edição do Festival de Músicas de Favela. Pelos artistas participantes, acredito que seja o mesmo festival e pelo jeito deve ter sido o último que mereceu um registro fonográfico.
Nesta quinta edição que eu apresento a vocês temos doze sambas de qualidade. Aliás, qualidade e originalidade é o que não faltava nessa época. Músicas muito boas, com compositores e intérpretes muito bem selecionados. Se fosse hoje, um festival como este teria a maldição do funk, do rap e outras merdas que vem ajudando a destruir a cultura musical dos morros, das favelas do Rio de Janeiro. Aqui ainda podemos encontrar o “Morro original”, que é também o título da música vencedora desta edição, composta por Fabrício Silva e Dodô Marujo e defendida por João de Deus. Sem dúvida, um disco interessante, que merece seu destaque no universo histórico do samba.
A Bossa De Ontem É De Sempre (1975)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Finalmente é sexta feira e aqui estou eu, de novo ao ‘volante’. É muito bom poder contar com o amigo Samuel, seus textos são ótimos, bem informativos, mas isso aqui precisa também ter um lado pessoal, passional e até tendencioso, porque não? 🙂 Daí, o Augusto aqui volta para que o Toque Musical não perca essas características (tem que ter o lado irritante, kkk…)
Para esta sexta feira ficar mais feliz eu estou trazendo outra boa doação, feita pelo nosso amigo Fáres. Vamos de bossa nova, nesse lp lançado pela CBS em 1975. Trata-se de uma coletânea reunindo alguns dos artistas do seu ‘cast’, da década de 60: Tito Madi, Conjunto Farroupilha, Thelma Soares, Maysa e a Elis Regina (do tempo que ela assinava o nome com dois L). Esta era uma boa maneira das gravadoras reapresentarem artistas, que muitas vezes já nem faziam parte do seu elenco, mas que tinha deixado ali um legado de sucesso. E a Bossa Nova, que nunca morreu, vez por outra acendendo paixões, estava naquele 75 em alta. Daí talvez um bom motivo para acionar alguns de seus artistas ‘bossanovistas’. O repertório é, sem dúvida, muito bom e bem conhecido de todos. Um deguste sempre necessário que acaba fazendo a gente revisitar velhos álbuns.
Dalva De Andrade – Prece (1964)
Marion Duarte (1986)
4 Ases & 1 Coringa (parte 1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 120 (2014)
Roberto Fioravante – Valsas De Zequinha De Abreu (1964)
*Texto de Samuel Machado Filho
Luiz Eça E Radamés Gnatalli – Os 6 Mais Numa Imagem Barroca (1968)
Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu marcando o ponto, que é para não perder o costume. Ultimamente eu tenho andado muito preguiçoso até mesmo para ir mantendo as postagens do Toque Musical com textos preparados pelo nosso amigo Samuca. Enviei para ele uma dúzia de discos para serem ‘resenhados’ e mais que de pressa já recebi tudo pronto. Só falta agora eu achar um tempinho e sair dessa ‘lomba’. Infelizmente, eu não tenho conseguido manter regular e diária as nossas postagens. Tá tardando… mas não falha 😉
Hoje eu resolvi `tomar o volante` e fazer a postagem deste sábado. Estou trazendo um lp que ganhei de presente do amigo Fáres. Aliás, foram vários discos que ele me deu, mas este, em especial, está valendo o dia. Trata-se de um lp lançado pela CBS em 1968. Uma produção de Helcio Milito para dois grande artistas, Luiz Eça e Radamés Gnattali. Este é mais um daqueles lps maravilhoso da CBS, que nasciam por acaso, como foi o disco “Krishnanda”, do Pedro (Sorongo) Santos, onde os artistas tiveram total liberdade de criação, aproveitando quem sabe os momentos de folga, ou horas que sobravam em fitas do estúdio. Essa descontração sempre faz gerar bons frutos. E o resultado é um disco surpreendente, pois traz a música de seis grandes compositores: Milton Nascimento, Sidney Miller, Dori Caymmi, Chico Buarque, Johnny Alf e o próprio Luiz Eça em uma faceta musical barroca. Quer dizer, são doze composições desses artistas arranjadas e interpretadas por Radamés e Luiz Eça, num clima de música barroca, caraterizada, principalmente, pelo cravo e a flauta. É bom lembrar que arranjos com esses, naqueles anos 60, estavam muito em voga. Basta lembrarmos do Lalo Schfrin que em vários de seus discos explorou essa sonoridade. Pela própria CBS teve o Roberto Carlos em “É por isso que eu estou aqui”, que tem essa mesma atmosfera ‘barroca’. E também naquela mesma década a gravadora lançou o álbum “Música Barroca Francesa” com o cravista Roberto de Régina. Os anos 60 foi bem sortido de música clássica e a barroca foi a que mais se destacou em popularidade. Lembram do conjunto Musikantiga? Acho que foi nessa onda que Radamés e Luiz Eça resolveram surfar e se deram muito bem. Boa música popular brasileira interpretada e arranjada por dois dos maiores músicos deste nosso Brasil. Um disco que agrada em cheio! Eu tô adorando 🙂
Maysa (1969)
Sem sombra de dúvida, Maysa Figueira Monjardim (1936-1977) foi uma figura singular na história da música popular brasileira. E, como tal, teve uma vida atribulada, como bem frisado na resenha da edição do Grand Record Brazil que lhe dedicamos. Seu estilo singular de composição e interpretação, que a fez um dos maiores nomes da canção intimista, influenciou ao menos meia dúzia de músicos de sua geração, e principalmente os que surgiram muito depois dela, tais como Ângela Rô Rô, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Simone e até mesmo Cazuza e Renato Russo. Em 1969, após residir por cinco anos na Espanha, Maysa retornou definitivamente ao Brasil, bem mais magra,animada e alegre. Dizia ter perdido não quilos mas litros, em inúmeras clínicas de emagrecimento. É desse ano o álbum que o Toque Musical apresenta a hoje a seus amigos cultos,ocultos e associados. Mas, como ela mesma escreveu na contracapa, “eu nunca parti. Eu fui ali e já vim. Eu nunca parti. Eu só reparti. Só não reparti partidas. E nem sempre quem reparte fica com a melhor parte. Eu por exemplo fiquei com o pior. Fiquei com as saudades de vocês”. E não gostava da palavra “volta”. Quem está na foto da capa com ela é o filho Jayme Monjardim, mais tarde talentoso diretor de programas de televisão, em especial novelas e minisséries (como a que focalizou a própria mãe, na Globo, em que Larissa Maciel a encarnou à perfeição). Gravado na extinta Copacabana, este disco, o décimo-quinto álbum de carreira, mostra uma Maysa bastante afinada com as manifestações musicais que ocorriam à sua volta. Tanto que os acompanhamentos foram entregues a músicos de extrema competência e bastante conceituados, Antônio Adolfo e Egberto Gismonti, além dos então já veteranos Lindolfo Gaya e Severino Filho. São doze músicas de compositores que ainda iniciavam sua trajetória na MPB e eram ainda pouco conhecidos, mas que iriam se consagrar com o tempo. O próprio Antônio Adolfo assina três faixas em parceria com Tibério Gaspar: “Rosa branca”, “Tema triste” e “Você nem viu”.O irmão de Antônio Adolfo, Ruy Maurity (responsável por hits como “Serafim e seus filhos” e “Nem ouro nem prata”) assina,em parceria com José Jorge, “Estranho mundo feliz” (que parece ser obra da própria Maysa, dada sua personalíssima interpretação) e “Quebranto”. Egberto Gismonti (que mais tarde faria bem-sucedida carreira internacional) vem com “Um dia” e “Indí”, esta em parceria com Arnoldo Medeiros, cujas letras, sensíveis e muito singelas, chegam a abordar elementos da natureza, o que iria caracterizar a obra de Gismonti futuramente. A faixa de abertura, “Pra quem não quiser ouvir meu canto”, é de César Roldão Vieira”, nome que então começava a se destacar em festivais de MPB. O recém-falecido Nonato Buzar assina “Canto de fé”, em parceria com Willian Prado, Paulinho Tapajós vem com “Catavento”, que fez com Arthur Verocai, e Durval Ferreira comparece com “Eu e o tempo”, parceria com Flávia,que também assina “Imensamente”, junto com Hedya. O resultado disso tudo é um dos trabalhos mais delicados e modernos de toda a carreira de Maysa, verdadeiro achado em sua discografia, com sua sonoridade suave e sofisticada. Um trabalho irretocável de ponta a ponta, da primeira à última faixa, sendo impossível não se encantar. E, como ela mesma escreveu na contracapa, “agora, muito simplesmente, eu quero pedir a vocês que me ouçam”…
* Texto de Samuel Machado Filho