Olá amigos cultos e ocultos! O tempo realmente passa depressa e a gente nem percebe. Parece até que foi ontem o lançamento deste disco. Ele ainda me soa como algo novo, um verdadeiro sanguinho novo. E olha que já se passaram 25 anos! Caracas! Este lp foi lançado em 1989 reunindo alguns dos mais expressivos nomes do hard, punk e pop rock nacional da época. Grupos e artistas de uma linha mais ‘cult’, ou melhor dizendo, alternativos do rock nacional. Bandas paulistas, cariocas e mineiras prestando um tributo a um dos mais importantes nomes do rock tupiniquim, o genial Arnaldo Baptista. Não sei bem o que motivou a produção desta coletânea, na época eu até pensei, será que o Mutante se foi de vez? Afinal, tributos em música a gente só costuma ver quando o artista morre. Felizmente aqui não foi bem assim. O que rolou mesmo foi uma demonstração de afinidades, um encontro de várias bandas ligadas numa pessoa só. Um sangue novo para um grande ícone do rock brasileiro, que andava meio esquecido (até para ele próprio). São doze bandas em releituras desconcertantes de algumas das muitas composições de Arnaldo ao longo de toda a sua carreira, seja com os Mutantes ou sozinho.
Gilberto Alves – É Só… Samba (1966)
Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos novamente em toques musicais descompassados, pausando mais que samba de breque. Mas estamos aí… sempre!
E por falar em samba, eu hoje vou brindar vocês um disco muito bom do cantor Gilberto Alves. Este álbum, ao que consta, foi lançado em 1966 pela selo Copacabana. “É só… Samba” já diz tudo, um disco cujo o repertório é todo de samba. O cantor nos traz aqui uma seleção muito boa com vinte sambas, alguns, verdadeiros clássicos. Com vocês poderão perceber, em algumas faixas temos até quatro músicas, formando uma espécie de pot pourri. Este é. sem dúvida, um álbum raro de Gilberto Alves, pois nem mesmo uma menção a ele a gente encontra nos canais de informação. E eu diria, sem pensar duas vezes, para mim, este é um de seus melhores discos 🙂
João Petra De Barros – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 106 (2014)
The Pop’s Ao Vivo – O Melhor De Ontem Para Você Recordar (1990)
Olá amigos torcedores! Hoje, por certo, todo mundo é torcedor, querendo ou não. Inevitável. Torce Brasil! Torce e se contorce, senão o bicho vai pegar. Ontem foi um sufoco contra o Chile. Se o Brasil sair dessa Copa o mal humor e a indignação vão estar de volta. Enquanto isso, eu por aqui vou a passos lentos, despreocupado com tudo, inclusive com as postagens deste mês que eu deveria estar fazendo com mais empenho, afinal estamos hoje completando 7 anos de atividades. Diferente dos anos anteriores, neste eu não estou fazendo festa. Se de uns tempos pra cá o ‘ibope’ no Toque Musical já não andava como nos velhos tempos, imagina agora neste mês com todos votados para o ‘grande circo’ da Fifa… sem chance! Vou enquanto isso é aproveitar, me despreocupar com as publicações, deixar rolar conforme o disco 😉
Segue aqui um outro e curioso disco do The Pop’s, aquele grupo instrumental da Jovem Guarda, que por aqui eu sempre apresento. Desta vez temos um álbum lançado nos anos 90. Suponho que tenha sido o último de uma saga e que certamente não se trata de um retorno do grupo que fez sucesso nas décadas de 60 e 70, mas sim de uma ‘arranjo’ feito pelo produtor, Oswaldo Cadaxo, em seu então novo selo, o Padrão. Oswaldo era quem comandava o lendário selo Equipe nos anos 60, por onde passaram vários artistas, inclusive os da Jovem Guarda e entre esses estava o conjunto The Pop’s. Ouvindo o disco, eu imagino que o produtor, aproveitando seu material da Equipe, relançou as gravações antigas do grupo fazendo um mix com falas e barulhinhos, típicos de gravações feitas ao vivo. Para quem entende, logo se percebe o engodo. O disco não apresenta separação de faixas, dando a entender que se trata mesmo de um show. Porém, as gravações são as mesmas extraídas de outros discos, vocês irão perceber. Contudo, o resultado ficou assim bem curioso e interessante de ouvir. Confiram…
with a little help my friend
Alvarenga & Ranchinho – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 105 (2014)
O Grand Record Brazil está de volta, após uma semana de recesso, desta vez trazendo de volta os “milionários do riso”: Alvarenga e Ranchinho, sem dúvida uma das duplas sertanejas mais famosas e queridas do Brasil. A dupla era formada por Murilo Alvarenga, nascido na cidade mineira de Itaúna, em 22 de maio de 1912, e Diésis dos Anjos Gaia, paulista de Jacareí, nascido em 23 de maio de 1913. Após o falecimento de sua mãe, Murilo passou a residir no Brás, bairro italiano de São Paulo. Trabalhava em circos como trapezista ao lado de seus tios, e ainda cantava tangos. Diésis atuava como cantor na Rádio Clube de Santos, apresentando um repertório romântico, e uma de suas músicas prediletas era “No rancho fundo”, de Ary Barroso e Lamartine Babo, sendo por isso apelidado de “Rancho”. Em 1928, durante uma seresta em Santos, Murilo e Diésis resolveram cantar juntos. Murilo aproveitou o sobrenome Alvarenga, e Diésis, conhecido como “baixinho” em função do porte físico, aproveitou o apelido das serestas e pôs no diminutivo – Ranchinho. De início apresentavam-se em circos, com um repertório variado (valsas, modinhas, tangos, chorinhos), contando “causos” e piadas entre uma música e outra, sempre garantindo o riso e a diversão do público. É em 1933 que a dupla começa efetivamente sua carreira, atuando no Circo Pinheiro, em Santos. Mais tarde, seguem para São Paulo, apresentando-se na Companhia Bataclã. Um ano depois, ingressam na PRA-5, Rádio São Paulo (“a voz amiga”), a convite do maestro da orquestra da emissora, Brenno Rossi. Em 1935, Alvarenga e Ranchinho venceram o concurso de músicas carnavalescas da prefeitura de São Paulo com a marchinha “Sai, feia”, gravada por Raul Torres. Mais tarde, conhecem o compositor Silvino Neto e formaram o trio Mosqueteiros da Garoa, de curta duração. Um dia, a dupla passeava pelas ruas de violas na mão, quando foi vista pelo Capitão Furtado e, a convite deste, participou do primeiro filme falado produzido em São Paulo, “Fazendo fita”, substituindo Mariano e Caçula, que desistiram de atuar no mesmo em virtude do atraso nas filmagens. Em 1936, a dupla chega ao Rio de Janeiro para uma temporada na Casa de Caboclo,uma casa noturna erguida no lugar do antigo Teatro São José,e ingressam na Rádio Tupi, com apresentações no programa “Hora do Guri”. Nesse ano, gravam seu primeiro disco, na Odeon, com a moda de viola “Itália e Abissínia” e o cateretê “Liga das Nações”. Em 1937, já consagrados, Alvarenga e Ranchinho são contratados pelo Cassino da Urca, onde permanecem até a proibição do jogo no Brasil, em 1946. Em 1938, obtêm êxito no carnaval com a marchinha “Seu condutor”, deles com Herivelto Martins, e nesse ano Ranchinho se desliga pela primeira vez da dupla. Alvarenga passa a cantar com Bentinho e forma o grupo Alvarenga e sua Gente. Mas, em 1939, Alvarenga e Ranchinho recompõem a dupla, que um ano mais tarde grava um de seus maiores hits, “Romance de uma caveira”. Em suas apresentações, o forte da dupla eram as sátiras políticas, com a diversão do público e o consequente descontentamento de alguns políticos atingidos. Inclusive o então presidente Getúlio Vargas, e a dupla passou a enfrentar problemas com o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão de censura do Estado Novo. Porém, certa vez, no dia do aniversário de Getúlio, 19 de abril, sua filha Alzira Vargas convidou Alvarenga e Ranchinho para cantar no Palácio do Catete. Após ouvir a dupla, inclusive as sátiras que o atingiam diretamente, Getúlio acabou gostando e decidiu liberar suas músicas. Após uma excursão pelo Rio Grande do Sul, são contratados pela Rádio Mayrink Veiga, onde recebem o título de “Milionários do Riso”, tendo atuado também na lendária Rádio Nacional. Em 1950, apresentaram-se no Cassino Estoril, dePortugal, e, nessa época, são contratados pela Rádio e Televisão Tupi, juntamente com seu descobridor, o Capitão Furtado, “a trinca do bom humor”. Na década de 50, Diésis novamente deixa de cantar com Alvarenga por dois meses, desta vez substituído por Delamare de Abreu, irmão de Alvarenga por parte de mãe, que mais tarde deixou a carreira artística e virou pastor protestante. Em 1965, Diésis, o primeiro Ranchinho, abandona definitivamente Alvarenga, sendo substituído por Homero de Souza Campos, que já integrara o Trio Mineiro, ao lado de Bolinha (Euclides Pereira Rangel) e Cosmorama. A 18 de janeiro de 1978, em São Paulo, Alvarenga falece, encerrando definitivamente a dupla. Diésis dos Anjos Gaia, o primeiro Ranchinho, continuou a se apresentar solo, inclusive participando, em 1981-82, do programa “Som Brasil”, apresentado por Rolando Boldrin na TV Globo. Diésis faleceu em 5 de julho de 1991. Nesta edição do GRB, apresentamos alguns dos melhores momentos da vitoriosa carreira de Alvarenga e Ranchinho, perfazendo um total de dezesseis faixas, todas em gravações Odeon. Abrindo esta seleção, justamente o lado A do primeiro disco da dupla, a moda de viola “Itália e Abissínia”, deles mesmos mais o Capitão Furtado, abordando o conflito entre os dois países, que precederia a Segunda Guerra Mundial. Histórica gravação de 16 de março de 1936, lançado em maio do mesmo ano, disco 11342-A, matriz 5286. “O divórcio vem aí”, de Alvarenga, Ranchinho e mais ninguém, reflete uma das muitas ocasiões em que o tema estava na pauta das discussões, em gravação datada de 11 de julho de 1939 e lançada em setembro do mesmo ano sob n.o 11757-A,matriz 6153. Em seguida temos o lado B desse disco, o cateretê “Nóis em Buenos Aires”, também de composição própria, matriz 6154, concebido após uma temporada de sucesso na capital argentina. A moda de viola “Racionamento de gasolina”, de Palmeira e do Capitão Furtado, retrata uma situação decorrente da Segunda Guerra Mundial, com o uso pelos automóveis de gasogênios (aparelhos que substituíam gasolina por gás). Alvarenga e Ranchinho a gravaram na ”marca do templo” em 13 de julho de 1942, com lançamento em setembro do mesmo ano sob n.o 12195-B, matriz 7013. Também do Capitão Furtado e Palmeira, agora com a companhia de Piraci (Miguel Lopes Rodrigues), é a moda de viola “Você já viu o cruzeiro?”, outra crônica musical em que se aborda a implantação do cruzeiro como moeda nacional (após frustrada tentativa no governo de Washington Luís), gravação de 15 de setembro de 1943, lançada em novembro do mesmo ano, disco 12376-B, matriz 7384. Uma das muitas homenagens musicais prestadas à capital paulista, o samba “Eh! São Paulo”, da própria dupla, é conhecido até hoje, e foi gravado em 13 de dezembro de 1943, com lançamento em março de 44, disco 12423-B, matriz 7449. A divertida moda de viola “Liga dos bichos”, dos próprios Alvarenga e Ranchinho mais o Capitão Furtado, foi lançada originalmente na Victor, em 1936. Aqui,a segunda gravação, feita na Odeon em 27 de fevereiro de1948 e só lançada em maio de 49 sob n.o 12933-A, matriz 8322. Composta e gravada na época do Estado Novo, a moda de viola “História de um soldado”, de Alvarenga sem parceria, foi vetada pela censura na época. Mas, em 5 de fevereiro de 1953, Alvarenga e Ranchinho fazem nova gravação, esta sim lançada em disco, em maio do mesmo ano, com o n.o 13437-B, matriz 9615, e com o título alterado para “História de um palhaço’ (!). “Dança do chegadinho” é uma marchinha do carnaval de 1942. Assinada pelos próprios Alvarenga e Ranchinho, foi por eles gravada em 19 de novembro de 41, com lançamento pela “marca do templo” um mês antes dos festejos de Momo, em janeiro, sob n.o 12102-A, matriz 6857. A rancheira “As três festas”, também composição própria da dupla, é gravada em 16 de abril de 1941, mas só chega as lojas em março de 42, no disco Odeon 12124-B, matriz 6614. Em seguida, temos o clássico “Tico-tico no fubá”, “choro sapeca” de Zequinha de Abreu, originalmente lançado em 1932 pela Orquestra Colbaz, apenas instrumentalmente. Com o subtítulo de “Vamos dançar, comadre” e com letra de Alvarenga, é por ele gravado com Ranchinho na Odeon em 27 de julho de1942, com lançamento em outubro do mesmo ano sob n.o 12202-A, matriz 7021 (a letra mais conhecida, porém, é a de Eurico Barreiros, gravada no mesmo ano por Ademilde Fonseca). A “Valsa do assobio”, dos próprios Alvarenga e Ranchinho, é por eles gravada em 16 de abril de1941, mas só sai em março de 42 sob n.o 12124-A,matriz 6615. O cateretê “Fogo no canaviar”, outra composição própria da dupla, é gravação de 13 de dezembro de 1943, só lançada em junho de 44, disco 12449-B, matriz 7450. “Vamos arrastar o pé”, de Alvarenga e Chiquinho Sales, é uma marchinha do carnaval de 1943, que os “milionários do riso” gravam na “marca do templo” em 13 de novembro de 42 com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 12248-B, matriz 7140. As duas últimas faixas mostram a veia romântica de Alvarenga e Ranchinho. A rancheira “Adeus, Mariazinha”, de Fausto Vasconcelos, é gravada pela dupla em 25 de janeiro de1944,com lançamento em maio do mesmo ano, disco 12442-B, matriz 7480. E, por fim, encerrando esta seleção do GRB, a valsa “Aquela flor”, da própria dupla, gravação de 13 de julho de 1942, lançada somente em outubro de 44, disco 12498-A, matriz 7011. Enfim,uma retrospectiva bastante expressiva da carreira de Alvarenga e Ranchinho, os eternos e insubstituíveis “Milionários do Riso”! –
*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO
Dilermando Reis – Presença De Dilermando Reis (1962)
Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Aqui vai um disco que certamente irá agradar aos garimpeiros de plantão. Temos para hoje este álbum do violonista Dilermando Reis, lançado em 1962, pela Continental. Nele encontraremos um repertório quase todo autoral. Diferente de outros discos do artista, neste ele vem acompanhado por Radamés Gnatalli e sua orquestra, que dá ao trabalho um caráter ainda mais amplo, deixando Dilermando mais como um solista da orquestra. Participa também o organista e compositor Steve Bernard, figura muito citada na Rede, mas eu mesmo não encontrei nada sobre ele. Me parece, pelo nome, que era um músico estrangeiro que teve passagem pelo Brasil, suponho eu. Confiram aí este lp e se alguém souber, esclarece aqui quem foi esse Steve Bernard. Fiquei curioso…
Chico Buarque De Hollanda (1966)
Salve, amigos cultos e ocultos! Aqui estou de volta. Este é um mês especial e eu não poderia deixá-lo passar assim com tantas falhas, com postagens picadas e coisa e tal… Assim sendo, vamos tratar de por a casa em ordem, apresentando títulos realmente interessantes para se ouvir com outros olhos.
Como disse, este é um mês especial. O Toque Musical está fazendo aniversário. Coincidentemente o Chico Buarque também. São 7 do TM e 70 do Chico. Parabéns aos dois! Parabéns ao grande compositor Chico Buarque de Holanda, figura que indiscutivelmente é um dos maiores artistas brasileiros. Considero-o como o Noel Rosa contemporâneo. Artista do mesmo quilate do Poeta da Vila, cujas criações são eternas. Não tenho nada que possa acrescentar ao que já foi dito sobre ele. Amo o Chico de paixão e é por isso, pelo seu aniversário que estou postando hoje o seu primeiro lp. Disco este, por sinal, que me acompanha desde o seu lançamento. Foi comprado na época por alguém lá de casa e eu ao final acabei herdando toda a discoteca. Eu sempre fui muito cuidadoso e aprendi cedo a zelar pelos vinis. Este, continua intacto, perfeito, sendo um dos meus prediletos. Tem história, tem momentos e…, porra, é um puta disco!
Lançado pelo selo RGE em 1966, este foi o primeiro lp de Chico Buarque. Um álbum magnífico onde iremos encontras algumas de suas mais célebres canções. No disco ele conta com a participação de Toquinho, que o acompanha em várias faixas. Também o acompanha o quinteto de Luiz Loy e em algumas faixas os arranjos são do maestro Francisco de Moraes. Sem discussão, um disco nota 10! Básico em qualquer discoteca que se preze. 😉
Sempre No Meu Coração – Always In My Heart (2014)
Olá amigos cultos e ocultos! Eu havia dito que faria uma pausa nas postagens, mas devido as circunstâncias, me vi obrigado a fazer mais uma. Considerando que hoje é um dia muito especial para todos nós brasileiros, quando então um sentimento, a paixão, nos arrebata fazendo nosso coração vibrar, eu daqui não pude me furtar a esta saudação: feliz Dia dos Namorados! É, vocês estavam pensando que eu me referia à Copa? Nada disso, nada de copa… a conversa é no quarto, entre quatro paredes. Só love, só love… Aproveitei que tinha aqui uma seleção de versões para um clássico da música americana, “Always in my heart”, canção composta nos anos 40 por James Kimball Gannon, para um filme de Hollywood, com o mesmo nome. Graças ao filme, a canção ganhou o mundo e também muitas versões. Selecionei aqui vinte delas internacionais e outras vinte da versão nacional. Entre as versões nacionais, faço constar também a interpretação do cantor Pedro Paulo Lecuona, grande colecionador de lps, dos quais muitos foram extraídos como parte do acervo digital do Toque Musical..
Segue assim 40 diferentes versões para a música “Always In My Heart”. Um presentaço para velhos casais ainda apaixonados. Listados abaixo vão os intérpretes nacionais:
Toquinho, Vinícius & Amigos (1973)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Contrariando as expectativas, por aqui, realmente, não vai ter Copa! Não adianta nem pedir ajuda à Fifa, ao Lula ou à Dilma. Adoro futebol, mas aqui ninguém é idiota. Vai que o Joseph Blatter e sua gang resolvem começar a fazer exigências… querer deixar isso aqui parecido com o Loronix, tudo em inglês, texto perfeito padrão Fifa… sem chance! Aqui, faço eu!
Vamos então rodando o nosso disco do dia. Vamos com este célebre lp de Toquinho & Vinícius lançado pela RGE/Fermata em 1973. Um álbum cheio de convidados, como se pode ver logo pela capa: Chico Buarque, Maria Bethania, Maria Creuza, o italiano Sergio Endrigo e Ciro Monteiro, que aparece aqui em suas últimas gravações.
Sérgio Ricardo (1975)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Com o início da Copa do Mundo, eu estou pensando aqui em dar uma parada. Uma pausa para desafogar, descansar, ou ainda, parar de vez… Neste mês de junho o Toque Musical estará completando 7 anos de atividades. Ao contrário dos anos anteriores, quando então eu sempre celebrei a data, desta vez ando meio desanimado. Não fiz ainda nenhuma chamada e nem estou pensando em grandes coisas. Este ano eu estou no espírito da Copa, ou seja, totalmente broxado… Devo dar uma pausa logo no fim da semana, ok?
Bom… falando do que é bom, eu hoje estou trazendo aqui para vocês este já bem conhecido, porém sempre bem vindo, álbum do cantor e compositor Sérgio Ricardo. Este lp foi lançado em 1975 pela RCA Victor e traz o artista interpretando, em novas versões, alguns de seus temas para o filme, também de sua autoria, “A Noite do Espantalho”; o clássico “Zelão”; “Dlce Negra”; “Bouquet de Isabel”, “Ausência de você” e também o tema da peça infantil de Maria Clara Machado, “Flicts”, em parceria com Ziraldo.
A Música De Henricão – Seleção 78 RPB Do Toque Musical Vol. 104 (2014)
Apresentamos anteriormente, aqui no Grand Record Brazil, várias composições de Henricão (Henrique Felipe da Costa, Itapira, SP, 1908-São Paulo, 1984), inclusive duetos dele com Cármen Costa, cantora que ele próprio lançou,na edição de número 75, e que conseguiria maior sucesso de mídia que ele. Como bem se lembram os amigos cultos, ocultos e associados do TM, apresentamos na ocasião um esboço biográfico da obra deste compositor, que ganhou o apelido por causa de sua exagerada estatura (quase dois metros de altura) e, pouco antes de falecer, ficou na história como o primeiro Rei Momo negro do carnaval de São Paulo. Também marcou presença como ator de cinema e televisão e, apesar de ter feito inúmeras composições de sucesso e de toda a sua fama, vivia em dificuldades financeiras, até passando fome, mas sempre ajudado pelos amigos e encarando a vida com otimismo e esperança. Pois nesta centésima-quarta edição do GRB, apresentamos mais um pouco do legado do notável Henricão,tanto como autor quanto apenas intérprete, com uma seleção de nove gravações de valor artístico e histórico inquestionáveis. Abrimos a seleção desta semana com três duetos do compositor com a carioca Sarita, cuja biografia é um mistério para muitos pesquisadores, em gravações Odeon. O primeiro é “Moreninha do sertão”, toada do acordeonista Antenógenes Silva , evidentemente com a participação dele mesmo no acompanhamento (sua popularidade era tão grande que seus discos, mesmo quando cantados, tinham seu nome acima dos de quem interpretava as músicas). A gravação é de 9 de maio de 1936, tendo sido lançada em outubro do mesmo ano com o número 11398-B, matriz 5340. A segunda faixa com Henricão e Sarita é “Noiô noiô”, maracatu dos irmãos Paulo e Sebastião Lopes (autores também de um clássico do gênero, “Coroa Imperial”), destinado ao carnaval pernambucano de 1937. A gravação data de 15 de dezembro de 36, sendo lançada um mês antes dos festejos momescos pela “marca do templo” com o número 11447-A,matriz 5494. Escalou-se também, na faixa seguinte, o lado B, outro maracatu, este de Benigno Gomes e Franz Ferrer, “Chora, meu goguê”, matriz 5495. Em seguida, como solista, Henricão nos traz o samba “Pra que tanto ciúme?”, de Bucy Moreira e Lacy Martins (irmão de Herivelto),.também gravação Odeon, datada de 10 de dezembro de 1937, com lançamento em fevereiro de 38 (para o carnaval, “of course”), disco 11565-A,matriz 5731. O lado B, matriz 5732, também aqui está, e também é samba: “Qual foi o mal que te fiz?”, de Getúlio “Amor” Marinho e O. Patrício. O samba-choro “Casinha da Marambaia”, de Henricão e Rubens Campos (sequência de “Só vendo que beleza”, de 1942), originalmente lançado por Cármen Costa em 1944, é aqui revivido ao solovox (considerado o primeiro sintetizador monofônico da história musical) pelo também maestro Roberto Ferri, à frente de seu conjunto, em raríssima gravação do selo Califórnia (gravadora fundada pelo compositor Mário Vieira e até hoje em atividade, dirigida pela terceira geração da família), datada de 28 de novembro de 1960, disco TC-1191-B, matriz TC-502. A “Marcha dos Democráticos”, interpretada solo por Henricão na faixa seguinte, é de Sátiro de Melo, José Alcides e Tancredo Silva, mesmos autores do clássico “General da Banda”. Só se sabe que é gravação RCA Victor, possivelmente de disco promocional, não-comercializado. “Não me abandone”, samba do carnaval de 1944, que Henricão fez com Rubens Campos e José Alcides, é interpretado pela cantora que o compositor apadrinhou, Cármen Costa, em gravação Victor de 24 de novembro de 43, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 80-0153-B, matriz S-052889. O multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955) executa ao cavaquinho, em ritmo de baião, “Está chegando a hora”, adaptação de Henricão e Rubens Campos para a valsa mexicana “Cielito lindo”, escrita em 1882 por Quirino Mendoza y Cortés. A música teve seu título mudado para “Chegou a hora” nesta gravação Odeon de 26 de maio de 1953, lançada em julho seguinte sob número 13472-B, matriz 9716. A faixa seguinte, “Dever de um brasileiro”, com o próprio Henricão, outra parceria sua com Rubens Campos, é um samba da época da Segunda Guerra Mundial, relatando a despedida de um pracinha da FEB (Força Expedicionária Brasileira) para lutar na Itália, Gravação Victor de 4 de maio de 1943, lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0095-A, matriz S-052762. Por fim, “Será possível?”, samba também de Henricão e Rubens Campos e outra gravação Victor, agora do “Formigão’ Cyro Monteiro, datada de 5 de junho de 1941 e lançada em agosto seguinte com o número 34781-A, matriz S-052234. É a faixa que encerra esta pequena-grande retrospectiva de Henricão, apresentando músicas seja de outros autores, por ele interpretadas solo ou acompanhado, e composições próprias apresentadas por outros expressivos nomes da MPB. Divirtam-se!
Claudia Telles – Claudia (1977)
Carlinhos Vergueiro – Só O Tempo Dirá (1975)
Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Aqui estamos com mais uma boa postagem. Mais um bom toque musical. Hoje apresentado o segundo disco do cantor e compositor Carlinhos Vergueiro. O primeiro, “Brecha”, de 1974, eu já publiquei aqui há mais tempo. “Só o tempo dirá” foi o disco onde o artista ganhou projeção, principalmente por conta da primeira faixa do lado B, “Como um ladrão”, música vencedora do Festival Abertura, da Rede Globo, de 75. Esta música é mesmo muito bonita e com o arranjo do Nelson Ayres ficou sensacional. O álbum, num geral e como convém à produção fonográfica dos anos 70, muito boa. Hoje, talvez, mais ainda se compararmos à mediocridade reinante. O trabalho é praticamente todo autoral tendo apenas o choro, “Paraquedista”, que é de José Leocádio, trombonista da Orquestra Tabajara. Carlinhos Vergueiro conta ainda com a participação da Velha Guarda da Portela na faixa que dá nome ao disco, “Só o tempo dirá”. A propósito, será que este lp chegou a ser relançado? Sinceramente, eu nunca vi em lojas e nem nas bocas. Talvez por isso é que eu o estou postando. Confira aí, antes que a Fifa domine..
Francisco Carlos – Adorável Como Um Sonho (1957)
Olá amigos cultos e ocultos! Tem horas em que eu penso seriamente em desistir dessa minha peleja que é (hoje) tentar manter diariamente as postagens do Toque Musical. Eu realmente ando muito sem tempo e também meio desanimado. Perdi um pouco a graça com algo que já não consigo manter. Adoro música, discos… e adoro compartilhar isso tudo com vocês, mas realmente está difícil… 🙁 Enquanto ainda aguento, enquanto ainda há um pingo de vontade e alguns minutos de folga, vou publicando aqui…
Seguimos hoje com outro disco do cantor Francisco José, seu terceiro lp lançado pela RCA Victor em 1957. Um álbum de 12 polegadas com doze faixas em um repertório romântico, com músicas de famosas, na qual eu destaco a belíssima “Você não sabe amar”, samba de Dorival Caymmi e Carlos Guinle, antecipando aquela bossa nova.
Sylvinha Mello – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 103 (2014)
Quinteto Agreste – Sol Maior (1982)
Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Para não passarmos em branco o fim de semana, de última hora, aqui vai um disco bacana, que cura qualquer depressão domingueira. Apresento a vocês o Quinteto Agreste, um grupo cearense de primeiríssima qualidade, surgido lá pelos anos 70, em Fortaleza. Injustamente, foi um conjunto que não recebeu a devida atenção da crítica e de um público a nível nacional. Ficaram meio que restritos ao regional, não conseguindo a merecida projeção. Pelo pouco que sei, o grupo ainda se mantém ativo, apesar de algumas alterações. Gravaram ao longo do tempo dois lps e um compacto. Depois, parece, lançaram um cd nos anos 2000. “Sol Maior” foi o primeiro lp, produção independente lançada em 1982, com o apoio da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura. Um trabalho realmente muito bem produzido e autêntico. São dez faixas entre temas autorais e outros conhecidos como “Na hora do almoço”, de Belchior; “Vaca Estrela, Boi Fubá”, de Patativa do Assaré e “Riacho do Navio”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Não deixem de conferir… O link não fica no blog, não demora no GTM, não espera ninguém… 🙂
Moreira Da Silva – O Rei Do Gatilho (1985)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aqui vou eu lançando mão de mais um ‘disco de gaveta’, aquele sempre pronto para entrar em cena quando a cena complica aqui para o meu lado. Trago aqui para vocês este lp do Moreira da Silva, lançado em 1985 pela PolyGram. Trata-se, naturalmente, de uma coletânea de gravações dos anos de 79 e 81. Músicas que sempre estiveram em seu repertório e que nós, certamente, sempre apreciamos, não é mesmo?
Hermeto Pascoal & Grupo – Live In Hamburg 1985 (2014)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu hoje estou trazendo uma ‘produção exclusiva’, aproveitando o tempinho de folga e em consequência da ‘geral’ que eu andei dando em um dos meus HDs. Foi fazendo uma faxina digital que encontrei uns arquivos em uma pasta chamada Hermeto Pascoal & Grupo – Ao Vivo Em Hamburgo 1985. Creio que foi alguma das muitas coisas que sempre recebo dos amigos e acabo esquecendo de postar. Na verdade, esperando uma hora como essa em que eu animo e banco a embalagem. Continuo produzindo essas capinhas porque sei que muita gente gosta (e eu também).
Segue então este registro que consta como sendo um show ao vivo de Hermeto Pascoal e seu grupo, em Hamburgo, na Alemanha em 1985. Passando o olho pelo Google, não encontrei nada a respeito desse show. Será que alguém aí sabe? Diz aí Hermeto!
O mais importante nisso tudo é que a gravação é de muito boa qualidade, o que garante uma audição prazerosa, principalmente em se tratando de Hermeto Pascoal. Fica em aberta esta postagem, esperando que os comentários se façam como complemento. Hermeto Pascoal é show! 😉
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Zimbo Trio – Tributo A Tom Jobim Vol. 1 (1988)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Iniciamos esta manhã de terça feira mantendo o alto nível musical. Pois não há nada melhor do que começar o dia ao embalo da boa música, não é mesmo? É certo que aqui, no Toque Musical, não existe música ruim, as vezes temos algo curioso, mas apenas para temperar nosso cardápio sofisticado, hehehe…
Vamos assim com o Zimbo Trio neste álbum lançado em 1988. Um disco que foi originalmente criado para o mercado japonês. Encomenda muito específica, com escolha de repertório e tudo mais que os japoneses podem comprar. O álbum acabou sendo também lançado no Brasil, de maneira meio que independente, por uma entidade chamada CLAM (Clube dos Amigos da Música). Este disco, que eu saiba tem pelo menos outras duas versões de capa e chegou a ser relançado em versão cd. Embora conste como sendo o volume 1, eu mesmo nunca vi o tal volume 2, daí penso que ele não chegou a ser lançado. Ou quem sabe, o pacote completo ficou só no Japão.
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Dick Farney – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 102 (2014)
Dick Farney – No Waldorf (1960)
Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais um grande disco, mais um álbum do Dick Farney. Por certo, entre os garimpeiros, esta é uma pedra já bem tocada. Muitos blogs e outras fontes já o divulgaram em outras épocas. Para que a chama não se apague, vou dar a minha colaboração por seis meses. Depois, não adianta pedir reposição. Como sempre digo, a fila anda…
Segue assim, “Dick Farney no Waldorf”, um álbum que reúne uma série de músicas apresentadas por ele em sua temporada no famoso hotel Waldorf Astoria, de New York City. São dez músicas, um repertório, claro, de clássicos do jazz. Mas cabe também a belíssima “Não Tem Solução”, música de Dorival Caymmi e Carlos Guinle. E ainda “Waldorf Blues”, do próprio Dick Farney. Sem dúvida, um excelente disco!
Quem gosta de Dick Farney, fique atento. Segunda é dia dele no “Grand Record Brazil”, com a sempre completa resenha do nosso amigo Samuel Machado Filho. Fiquem ligados!
Ed Lincoln – Orgão E Piano Elétrico (1967)
Olá amiguíssimos, cultos e ocultos! Hoje vamos de Ed Lincoln, em um álbum bem ‘na onda’, com se dizia naquele tempo, naqueles anos 60. “Ed Lincoln – Orgão e Piano Elétrico” é um de seus discos que eu mais gosto. Isso, muito pelo fato de que neste álbum, quem lhe deu o formato foi o José Roberto Bertrami, grande músico, que além de cuidar dos arranjos, dizem, também tocou muito neste trabalho. Eis aí um disco bacana, pop e muito bem feito. Podemos dizer que se trata de um dos precursores do estilo ‘samba-rock’. Não sei porque ninguém ainda não pensou em relançá-lo em uma nova edição. Bem que merecia, em cd e vinil. Eu compraria um, só para fazer companhia para o original. Destaque para todas, mas “Saci Pererê” faz a cabeça 😉 Muito bom, confiram…
Tito Madi – A Saudade Mata A Gente (1958)
Conjunto 3D – Tema 3D (1964)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Virando a direção de nosso barco, vamos agora percorrer outros mares. Se nada me atrapalhar, pretendo nesta semana postar alguns discos que sempre ficaram para trás, talvez esperando a badalação passar. Como vocês já devem saber, eu não gosto de ficar postando o que já tem em outras fontes, outros blogs… Mas também não vou me negar ao direito de postar aquilo que realmente fez do Toque Musical o blog que é, música de qualidade, raridades e curiosidades!
Finalmente, temos aqui o disco “Tema 3D”, álbum raríssimo, nunca relançado em cd ou mesmo na versão vinil. Um disco que faz a alegria de qualquer colecionador de vinil e levanta a moral de um blogueiro como eu. Este álbum eu já o encontrei nas feiras sendo vendido a 400 pratas! Muito por conta da sua falta de reedição. É, sem dúvida, um excelente trabalho e que merece sempre o destaque. O conjunto 3D surgiu em 1964, do encontro de três grandes músicos: Antônio Adolfo, Rubens Bassini e o argentino Cacho. Eles iniciaram tocando na boate “Little Club”, onde faziam uma bossa-jazz no agrado. Foram logo contratados pela RCA Victor onde lançaram este delicioso lp. Curiosamente, alguns chamam o 3D de conjunto, outros de trio, mas isso é lá a mesma coisa, convenhamos… Eram realmente um trio, mas ao gravarem este disco podemos dizer que viraram um conjunto, pois nas gravações aparecem ainda Arísio, no violão e Claudinho, no piston. E ainda teve a participação maior do baterista Dom Um Romão, que toca em cinco das faixas.
O 3D depois de estrear com este disco viria a lançar, creio eu, mais uns três ou quatro lps, um em 65, com ilustres convidados, outro com a Beth Carvalho e Eduardo Conde, em 67 e no ano seguinte um ao vivo com a cantora Eliana Pittman, em 68, mas já nessa altura com outra foramção, tendo apenas o Antonio Adolfo, que também já estava pensando em outros vôos… Confiram logo, porque aqui não tem mais reposição, ok?
Trio De Ouro – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 101 (2014)
Ultrapassando a barreira das 100 edições , o Grand Record Brazil chega justamente à centésima-primeira. E, para abrilhantá-la em grande estilo, eis aqui um dos grupos vocais mais queridos e populares de nossa música popular: o Trio de Ouro. A história do trio começa em 1932, ocasião em que Herivelto Martins e Francisco Sena faziam parte do Conjunto Tupi, de J. B. de Carvalho, e ao mesmo tempo formaram a Dupla do Preto e do Branco. Com a morte prematura de Sena, em 1935, Herivelto reorganiza a dupla, agora com Nilo Chagas. No ano seguinte, Herivelto conhece Dalva de Oliveira, e esta, a seu convite, passa cantar junto com o duo. Inicialmente conhecidos como Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco, foram depois rebatizados como Trio de Ouro. O grupo estreou em gravações na Victor, em 1937, interpretando “Ceci e Peri” e “Itaquari”. Nessa ocasião, Herivelto e Dalva se casam, e dão a seu primeiro filho o nome de Pery (o excelente cantor Pery Ribeiro), tirado justamente da marchinha “Ceci e Peri” (se fosse menina, claro, seria Ceci, conforme combinado com os ouvintes de rádio). O Trio de Ouro, em sua primeira fase, deixou um acervo de mais de 50 gravações, a maioria na Odeon, com passagem também pela Columbia, futura Continental, repertório esse de grande valor artístico, sem as exigências comerciais que se registrariam tempos depois. Entretanto, o grupo se desfez em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Um ano mais tarde, o Trio de Ouro retoma suas atividades, ainda com Nilo Chagas (já com as relações bastante estremecidas com Herivelto) e, agora, com Noemi Cavalcanti, descoberta por Príncipe Pretinho, que a ouvira no programa de César de Alencar, na Rádio Nacional, levada pelo também compositor Raul Sampaio, capixaba de Cachoeiro de Itapemirim. Ele desempenhou papel decisivo para que o trio não acabasse de vez com a retirada de Dalva, e tem mais de 250 músicas gravadas como autor, entre elas clássicos como “Eu chorarei amanhã”, “Nono mandamento” e “Meu pequeno Cachoeiro” (que seu conterrâneo Roberto Carlos converteu em hit nacional, em 1970). O primeiro disco dessa segunda formação, lançado em agosto de 1950, trouxe o samba “A Bahia te espera” e o samba-canção “Caminho certo”. Essa fase, porém, dura pouco, pois, no começo de 1952, Nilo Chagas e Noemi Cavalcanti abandonam Herivelto Martins em definitivo, deixando um saldo artístico de 15 discos gravados, todos pela RCA Victor. Uma noite, Herivelto Martins e Raul Sampaio foram à casa de Nélson Gonçalves, a fim de entregar uma nova composição de Herivelto para o “metralha do gogó de ouro” gravar. É quando a então mulher de Nélson, Lourdinha Bittencourt, se oferece para cantar no Trio de Ouro. Assim começa a terceira fase do grupo vocal, com Lourdinha, Herivelto e Raul. O primeiro disco do novo trio sai pela RCA Victor em agosto de 1952, trazendo uma regravação do clássico “Ave-Maria no Morro”, e o bolero “Se a saudade falasse” (este último aqui incluído). Aqui, já se registra, de forma mais acentuada, a necessidade de sucesso imediato, e até versões como “Índia”, “Luzes da ribalta” (ambas nesta seleção) e “Vaya com Diós” são gravadas pelo trio, atendendo a interesses comerciais, mas o grupo nunca deixou de cultivar nossas origens. Nessa fase, o Trio de Ouro gravou 32 discos em 78 rpm, quase todos pela RCA Victor, e a formação duraria bem mais tempo: até 1979,com o falecimento de Lourdinha Bittencourt. Contudo, para matar as saudades de seus fãs, Herivelto e Raul continuaram a recompor o Trio de Ouro em ocasiões especiais, com a colaboração da excelente cantora Shirley Dom. A morte de Herivelto Martins, em 1992, encerraria definitivamente a longa trajetória do Trio de Ouro. Trajetória esta que agora o GRB revive, apresentando 13 gravações de suas três fases (principalmente da primeira, com Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas), sempre se mantendo em alto nível artístico. A seleção abre com uma gravação da terceira fase, a conhecidíssima guarânia paraguaia “Índia”,de José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerrero, em versão de José Fortuna. Como todos sabem, este foi um dos carros-chefes da dupla Cascatinha e Inhana, que lançou a versão com êxito arrebatador em 1952. Aqui, a gravação do terceiro Trio de Ouro, na RCA Victor, datada de 13 de março de 1953, e lançada em maio seguinte com o número 80-1120-A, matriz BE3VB-0045. Pulamos depois para a primeira fase, com o batuque “Lamento negro”, de Constantino “Secundino” Silva e Humberto Porto (este falecido prematuramente, em 1943, aos 35 anos), lançado pela Columbia em maio de 1941, sob número 55270-B, matriz 385. Lourdinha Bittencourt e Raul Sampaio voltam a cantar com Herivelto na faixa seguinte, “Luzes da ribalta” (“Limelight”), de Charles Chaplin, do filme de mesmo nome, o último em que ele interpretou Carlitos, só lançado nos EUA em 1972, uma vez que o comediante estava na lista negra do macartismo. A versão de Antônio Almeida e João de Barro, o Braguinha, teve inúmeros registros, e o do Trio de Ouro, na RCA Victor, em ritmo de bolero, é de 14 de agosto de 1953, lançada em outubro seguinte com o número 80-1216-A, matriz BE3VB-0239. Já do final da primeira fase do trio é a marchinha “Minueto”, sucesso do carnaval de 1948. De autoria de Herivelto Martins e Benedito Lacerda, é gravação Odeon de 27 de novembro de 47, lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, disco 12830-A,matriz 8299. Dessa fase também é o samba “Calado venci”, que, segundo o próprio Herivelto Martins, foi a única parceria dele com Ataulfo Alves. É do carnaval de 1947, gravado na Odeon em 6 de dezembro de46, lançada bem em cima da folia, em fevereiro, sob número 12758-B, matriz 8145. Waldemar de Abreu, o Dunga, e Mário Rossi assinam o samba “Fantasia”, que o Trio de Ouro grava na “marca do templo” em 2 de outubro de 1945 e é lançado em novembro do mesmo ano com o número 12644-A,matriz 7915. Lauro “Gradim” dos Santos e Príncipe Pretinho vêm em seguida com outro samba, “Sorri”, para o carnaval de 1941, que o trio grava na Columbia em 11 de novembro de 1940, com lançamento ainda em dezembro, disco 55252-B, matriz 343. “Adeus, Estácio”,outro samba, é de Benedito Lacerda e Gastão Viana,para o carnaval de 1939, numa gravação Odeon do primeiro Trio de Ouro, feita em 8 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia momesca, em fevereiro, disco 11696-B, matriz 5989. Da terceira fase do grupo é a regravação, em ritmo de baião, do samba-canção “Um caboclo apaixonado”, da parceria Herivelto Martins-Benedito Lacerda, originalmente lançado em 1936 por Sílvio Caldas. Herivelto, Raul Sampaio e Lourdinha Bittencourt o reviveram na RCA Victor em 13 de março de 1953, com lançamento em maio do mesmo ano, disco 80-1120-B, matriz BE3VB-0046. Voltando à primeira fase, temos o interessante samba-crônica “Bom dia, Avenida”, dando boas vindas à Avenida Rio Branco, antiga Central, como novo palco dos desfiles das escolas de samba cariocas, em substituição à Praça Onze de Junho, demolida para dar lugar a outra avenida, a Presidente Vargas (nem se sonhava com o atual Sambódromo da Rua Marquês de Sapucaí!). De autoria de Herivelto Martins e do ator Grande Otelo (Sebastião Bernardes de Souza Prata), que também fizeram pouco antes o clássico “Praça Onze” (glosando tal demolição), foi gravado pelo trio na Odeon em 23 de novembro de 1943, sendo lançado um mês antes do carnaval de 44, janeiro, disco 12406-B, matriz 7425. Voltando à terceira fase, temos outro samba de Herivelto, agora em parceria com David Nasser: “Maria Loura”, gravação RCA Victor de 14 de agosto de 1953, lançada em outubro seguinte com o número 80-1216-B, matriz BE3VB-0240. Da segunda fase do trio (Herivelto, Nilo Chagas e Noemi Cavalcanti) é a penúltima faixa, o samba-canção “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues, gravado na mesmíssima RCA Victor em 10 de abril de 1951, e lançado em junho do mesmo ano, disco 80-0776-B, matriz S-092932. Este registro original, porém, passou em branco, pois, como todos sabem, “Vingança” só fez sucesso meses mais tarde, na interpretação de Linda Batista, que o tornou um clássico, sendo talvez o maior de todos os hits de Lupicínio como autor (com os direitos autorais da música, ele até comprou um carro que apelidou de “Vingança”!). Foi inspirado numa mulher com quem Lupi viveu seis anos, e a quem ele abandonou ao descobrir que ela o traía (quando ela tentou uma reconciliação, Lupi compôs “Nunca”, hit de Dircinha Batista, irmã de Linda, um ano mais tarde). Encerrando esta seleção do GRB, temos justamente o lado A do primeiro disco da terceira fase do Trio de Ouro, o RCA Victor 80-0957, do qual falamos lá atrás: o bolero “Se a saudade falasse”, de Herivelto sem parceiro, gravação de 11 de junho de 1952, lançada em agosto do mesmo ano, matriz SB-093321. Uma seleção que traz aos amigos cultos, ocultos e associados do GRB e do TM um pouco da trajetória do Trio de Ouro, que, durante todos esses anos, sempre fez por merecer seu nome. Ouçam e confirmem!
* Texto de Samuel Machado Filho
Tânia Braz – Mistura Pura (1992)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Chegamos aqui a mais uma postagem dedicada aos artistas do meu bairro, quero dizer, da minha cidade de Belo Horizonte 🙂 Trago agora para vocês a cantora e compositora Tânia Braz, uma artista que se estivesse vivendo no Rio ou em São Paulo, certamente estaria por aí fazendo o maior sucesso. De formação acadêmica, iniciou sua jornada artística no renomado coral da UFMG, o Ars Nova. Formada em Arquitetura, acabou se ‘bandeando’ para a música onde também se graduou em composição e orquestração na Escola de Música da UFMG. Estudou canto lírico, teatro e dança, sendo assim uma artista bem completa. Sempre esteve envolvida em projetos culturais da cidade, principalmente na década de 90, quando então teve a oportunidade de gravar este que foi o seu primeiro disco. Tânia Braz é mesmo uma artista e tanto, mostrando sua arte em diversos e diferentes espetáculos. Passou pela música espanhola e latino americana com seu grupo “Agny”, com o qual realizou diversas apresentações em Belo Horizonte. Trabalhou também com o grupo Uakti e foi vocalista e compositora no grupo de rock progressivo “Arion” com quem gravou um cd , voltado principalmente para o mercado internacional. O disco foi distribuído pela gravadora Rock Symphony/Musea e Tânia consagrada como uma das melhores cantoras de progressivo no mundo em 2001.
“Mistura Pura”, seu primeiro disco solo, é um lp muito interessante, onde Tânia nos apresenta suas boas composições e também interpreta com estilo outras, como “Gracias a la vida”, de Violeta Parra; “La vien rose”, de Edith Piaf; “Don’t cry for me Argentina”, da obra “Evita”, de Andrew Lloyd Weber.
Tânia passeia bem por todos os gêneros que se envolve. Ao longo desse tempo ela gravou, pelo menos, mais uns dois cds. Eu não os conheço, mas acredito que sejam tão bons quanto este. 😉
Geninho Lima – Vida Belvedere Blues (1990)
Amigos cultos e ocultos, boa noite! Continuando a mostra dos artistas e conjuntos mineiros, segue aqui mais um. Desta vez eu apresento a vocês, Geninho Lima, um guitarrista e violonista que foi destaque nos anos 80 na música feita em Minas Gerais. Pelo pouco que eu sei, ele gravou uns três disco solo e esteve presente em gravações de outros artistas. Há tempos ele anda sumido, não sei se ainda continua produzindo. O que se encontra de informação é somente através de suas músicas, publicadas no Youtube. Quem sabe, uma hora dessas alguém, ou ele próprio, apareça por aqui esclarecendo um pouco mais as coisas?
“Vida Belvedere Blues”, creio eu , foi o seu terceiro disco, produção independente de 1990. Um álbum de capa dupla, bem produzido e um repertório autoral acima da média. O disco foi gravado no Estúdio JG, do baterista João Guimarães, que também marca presença no disco ao lado de outras feras como Mário Castelo e Gilberto Diniz (Agência Tass), Reginaldo Silva (Kamikaze), Marcos Gauguin (Sgt. Pepper’s Band), Carlos Ivan e Fernando Chico. Um bom disco, podem conferir…
Edição Extra – Tudo Trocado (1987)
Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Na sequência das postagens dos grupos de Beagá, eu escolhi para hoje um disco que não me desse trabalho. Rápido de digitalizar, pois se trata de um EP, um disco com apenas quatro faixas, porém para contrariar as minhas expectativas, trata-se de uma banda totalmente desconhecida, inclusive em pesquisas no Google. Eu como não tenho tempo a perder, nem vou correr atrás de informação. Esta, por certo, uma hora aparece. Sempre tem alguém que conhece, que sabe alguma coisa… quando não, até mesmo os próprios artistas. Por onde será que anda essa moçada hoje em dia?
A música do Edição Extra reflete bem a atmosfera dos anos 80, porém eu imagino que eles não decolaram por conta da sua música, que ao meu ver (e ouvir) fica numa indecisão entre pop, rock… meio que rebuscado, sei lá… acho que faltou uma pega, um refrão… Talvez ao vivo a música do Edição Extra funcionasse melhor. Independente de qualquer coisa, penso que a banda merece uma segunda chance, por isso é que ela está aqui. Faz parte da história da música jovem feita em Minas. Querem conhecer?
Fernando Rodrigues – Tocar E Ser Livre (1984)
Olá meus prezados, cultos e ocultos! Eis que acho uma hora aqui para a nossa postagem. Esta, em especial, eu estava segurando, tentando conseguir informações sobre o artista. “Tocar e ser livre” foi o único disco do compositor mineiro Fernando Rodrigues. Na verdade um álbum póstumo, lançado, acredito eu, em 1984. Do pouco que sei, Fernando Rodrigues era um músico promissor. Tocou e gravou com diferentes artistas nacionais. Neste lp podemos ouvi-lo tocando ao lado de Afonsinho, Alexandre Lopes, Calos Bala, Claudio Venturini, João Guimarães, Lincoln Cheib, Luiz Avelar, Marcus Viana, Nico Assumpção, Telo Borges… Putz, é gente que não acaba mais… Tá tudo aí, na capa!
Esta postagem, por hora, fica assim. Por certo, algum dos amigos cultos virá complementar as informações, trazendo um pouco de luz e lembranças deste jovem artista que nos deixou prematuramente.
Eugênio Brito – Trilha Mineira (1991)
Olá amigos cultos e ocultos! Eu pensei que iria ficar mais folgado a partir deste mês, tendo assim mais tempo para me dedicar às postagens, mas realmente está difícil. Morreu o Jair Rodrigues, teve o Dia das Mães… e eu acabei não prestando as minhas homenagens. Podia até fazê-las agora, porém ainda estou na dívida com a ‘minerada’. Vou continuar nesta semana apresentando a música que vem de Minas.
Para hoje eu trago esta produção independente do compositor Eugênio Brito, lançada em 1991 pela editora Letra & Música e gravado na Bemol. Este álbum é resultado da premiação de Eugênio Brito no 1º Festival de Música da Cidade de Vespasiano, realizado em 1990. Neste festival, produzido também pela Letra & Música, Eugênio faturou o primeiro lugar com a canção “Trilha Mineira” e teve também outra música, “Giramundo”, classificada entre as oito finalistas. O lp saiu no ano seguinte, sendo produzido pelo próprio artista e contando com a participação de outros grandes nomes da música mineira, como Maurício Tizumba, Fernando Rodrigues e outros. André Dequech e Renato Mota, que também tocam nas faixas, são os responsáveis pelos arranjos. Por aí já dá para sentir as qualidades deste trabalho. Confiram!