Dois cantores e compositores nascidos na Bahia, e ainda hoje queridos do público. São Antônio Carlos e Jocafi, que trazemos hoje para os amigos cultos e ocultos do Toque Musical. Ambos são da capital da Boa Terra, Salvador. Antônio Carlos Pinto veio ao mundo em 24 de outubro de 1945, no Alto da Silveira, bairro do Garcia. Por volta de 1955, sua família se mudou para o Rio Vermelho. Desde cedo Antônio Carlos, evidentemente, se interessava por música, tocando um pouco de violão e piano, e já começando a compor. Isso iria aproximá-lo da nata da musicalidade que morava no Rio Vermelho ou frequentava o bairro, famoso pela boemia, por suas tradições e seus moradores ilustres (entre eles o escritor Jorge Amado). Com o tempo ele adquire prática, e se transforma em guitarrista de orquestra, passando a tocar com o maestro Carlos Lacerda (a quem por sinal o álbum de hoje do TM é dedicado) em clubes e boates soteropolitanos. E foi tocando numa festa no Clube Português que conheceu uma cantora que também se iniciava e seria sua parceira na vida e na música: Maria Creuza. É ela quem defende, no Festival de MPB da TV Record de São Paulo, em 1967, sua música “Festa no terreiro de Alaketu”, que acabaria sendo a primeira gravação da cantora. Jocafi (sigla de seu nome completo, José Carlos Figueiredo), nasceu em 21 de dezembro de 1944, no bairro soteropolitano de Cosme de Farias. E sua história não é lá muito diferente da do parceiro Antônio Carlos: ambos gostavam de futebol e aprenderam a tocar o violão de rua, e Jocafi teve a oportunidade de ser pupilo-admirador do lendário compositor, violonista e cantor Codó.Sua experiência musical começou igualmente na infância, seja ouvindo o som do serviço de alto-falante (que tocava Waldik Soriano, Bienvenido Granda, Lucho Gatica, Trio Irakitan…) enquanto jogava futebol de rua, seja ouvindo sua mãe cantar músicas antigas de Noel Rosa, Ismael Silva e outros. Ainda adolescente, José Carlos,o futuro Jocafi, começa a frequentar com assiduidade o Mercado Modelo, a Meca da música baiana nesse tempo, assimilando os batuques, a capoeira e os sambas-de-roda, que seriam essenciais em seu trabalho criativo. Mesmo com as serestas lhe atraindo mais que os estudos,consegue conciliar estudo, trabalho e boemia, graças à boa formação familiar. Conheceu Antônio Carlos por intermédio do já citado maestro Carlos Lacerda, passando a se apresentar juntos em programas da televisão baiana, cantando e tocando violão e guitarra. Com Antônio Carlos ao piano, Evandro na bateria e Luís Berimbau no baixo. Em 1969, a dupla tem sua composição “Catendê” (parceria com o letrista Ildásio Tavares) defendida por Maria Creuza no Festival de MPB da TV Record. Um ano mais tarde, Antônio Carlos e Jocafi são contratados pela RCA e gravam seu primeiro disco, um compacto simples com duas músicas de autoria própria: “Roberto, não corra” (resposta a “Por isso corro demais” e “As curvas da estrada de Santos” , hits de Roberto Carlos) e “Por causa dela”. Um ano mais tarde, chegam os primeiros sucessos: para começar, o clássico “Você abusou” , até hoje o maior hit da dupla, cuja versão em francês, “Fais comme l’oiseau”, feita por Michel Fugain, virou hino do Partido Socialista da França, e que tem outras versões gravadas internacionalmente, inclusive por Stevie Wonder e Célia Cruz. Depois, vem “Desacato”, segundo lugar no FIC (Festival Internacional da Canção), promovido pela TV Globo naquele ano de 1971. Completando a história, vem o primeiro LP, “Mudei de ideia” (cuja faixa-título imediatamente chama a atenção do público). Também compuseram as trilhas sonoras de duas novelas da TV Globo, “O primeiro amor” (1972) e “Supermanuela” (1974). Outros hits conhecidos de Antônio Carlos e Jocafi são “Teimosa”, “Fraqueza”, “Toró de lágrimas”, “Dona Flor e seus dois maridos”, “Jesuíno Galo Doido”, “Ossos do ofício”, “Chuculatêra”, “Dona da casa” , “Estrela amante” e “Deixe que é dengo dela”, só para citar alguns. A discografia de Antônio Carlos e Jocafi em dupla abrange um total de 12 álbuns, e inúmeros compactos. Este “Trabalho de base”, que o TM apresenta hoje, é o oitavo LP da dupla, também correspondendo ao nome do grupo que os acompanha, com o devido apoio do “cobra” José Briamonte nos arranjos e nas regências. Dez faixas são assinadas pelos próprios Antônio Carlos e Jocafi (algumas com parceiros), e duas por Zé do Maranhão (uma delas, “Roça errada”, tem a respeitável co-autoria de Noca da Portela). Mesmo esquecidos por boa parte da mídia, como costuma acontecer, Antônio Carlos e Jocafi continuam na ativa, recebendo os aplausos merecidos do público, redescobertos por DJs nacionais e estrangeiros e até mesmo por Marcelo D2 . Este “Trabalho de base”, por certo, irá agradar aos fãs da dupla, e é um de seus raríssimos vinis, daqueles que ninguém se desfaz por dinheiro algum. Ouçam e comprovem!
De Castro – Melodias Do Brasil (196…)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Não era para estranhar. Depois de quase 8 anos na ativa, mantendo sempre uma identidade muito própria, o Toque Musical tem se tornado alvo de especulações. Tem gente por aí de olho no nome Toque Musical. Estão querendo o domínio e se eu marcar bobeira vão me tirar até as minhas marcas e logos. Já recebi uns três e-mails de gente me forçando a liberar o domínio. Mas enquanto eu conseguir manter este espaço independente, longe do julgo e deliberação de Blogger, Worldpress e outros, vou continuar agarrado no osso. Não largo mão desse endereço e nem da marca Toque Musical. O avatar do Augusto TM também é outro que já foi parar em botons, estampado em camisetas e até sacolas. Virou um ícone! Vai lá, divulguem, mas ajuda a gente aqui a manter o disco rodando. Em tempos como este, toda doação é bem vinda.
Muito bem, eis aqui a postagem do dia… Trago hoje para vocês mais uma dessas raridades. Aliás, não sei o que é mais, se raro ou curioso. Como se pode ver logo de cara, ou melhor, de capa (e contracapa), temos aqui um disco estrangeiro, vindo lá da Polonia, E claro, acabou caindo na minha mão (eu adoro isso). Temos aqui “Melodias do Brasil”, um inusitado álbum que tem como seu intérprete o sorridente cidadão, De Castro. Mas quem seria esse artista? Nunca tinha visto, nem ouvi falar. No texto de contracapa, escrito em polonês e também em inglês, a informação é superficial e não nos esclarece muito. Conforme o texto, De Castro era Niltinho, cantor da noite, artista com apresentações em casas noutrnas, no rádio, tv e cinema. Também compositor, tendo, segundo o texto, participado com sua música de filmes importantes. Com um currículo como este era para a gente encontrar muita informação através do Google. Mas, qual nada… De Castro, Niltinho, Nilton de Castro… era como procurar agulha no palheiro. Definitivamente, não achei uma pista, apenas suposições. Quem seria este artista? Talvez fizesse parte de algum grupo brasileiro em excursão pela Europa. No texto diz que ele fez uma tournê de sucesso por vários países europeus, o que talvez tenha motivado os polacos a gravarem o rapaz. Mas é ouvindo o disco que a gente consegue imaginar melhor a situação. Pra começar, parece que nessa investida fonográfica, de brasileiro só tinha ele mesmo. Até mesmo os músicos que o acompanham, logo de cara se percebe, não são brasileiros. Aquela batida do samba, aquele jeito de tocar não era coisa daqui. Chega mesmo a ser curiosa algumas interpretações, tais como o samba carnavalesco de Haroldo Lobo e Niltinho, “Tristeza”, ou “Manhã de carnaval”, de Luiz Bonfá. Melhor ainda, no quesito curiosidades, temos também a “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, ou “A felicidade”, de Tom e Vinícius, aqui chamada de “Adieu tristesse”. O resultado é aquela coisa que a gente já sabe, um quase samba, uma quase bossa. Samba do crioulo branco. Por outro lado, temos também as composições próprias. Quatro das doze faixas são composições do De Castro, músicas essas, por sinal, muito boas. Teriam um melhor sabor se fossem arranjadas e interpretadas por brasileiros. O resultado, num geral é algo que lembra assim um Agostinho dos Santos ao lado da orquestra do Paul Mauriat (só lembra,ok?)
No campo da suposições, acredito que este artista tenha ficado um bom tempo na Polônia pois, como disse, ele está sozinho nessa empreitada e pelos resultados, creio que coube a ele também ensinar aos polacos a batida da música brasileira e isso é coisa que não se faz em menos de um mês. Para finalizar, deixo aqui outra curiosidade, das mais interessantes supostas por mim 🙂 Pesquisando daqui e dali com as poucas pistas que consegui, chego a conclusão de que Nilton De Castro era irmão por parte de pai do Wilson Simonal. No livro “Nem vem que não tem – A vida e o veneno de Wilson Simonal”, de Ricardo Alexandre, há uma passagem em que ele fala de um show na boate Sucada, onde Simonal apresenta ao público o seu pai, Lúcio Pereira de Castro, que havia saído de casa, abandonando a família há mais de 20 anos. O velho foi assistir ao show do filho acompanhado pelos meio-irmãos, entre esses um que se chamava Nilton de Castro, que também era compositor e Simonal inclusive chegou a gravar uma música sua. Juntando peças daqui e dali, cheguei então a essa conclusão. Será mesmo o De Castro irmão por parte de pai do grande Simonal? Termino deixando assim esta dúvida. Que me corrijam os ‘entendidos’… Nem vem que não tem! 😉
Marília Batista – Dircinha Batista – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 129 (2014)
Nesta edição do GRB, um pouco do legado artístico-musical de Dircinha Batista. Para começar, a bem-humorada e divertida “Canção pra broto se espreguiçar”, que leva a respeitável assinatura de Mário Lago, gravada na RCA Victor por Dircinha em primeiro de julho de 1955 e lançada em setembro do mesmo ano, disco 80-1493-B, matriz BE5VB-0810. Mais tarde, entraria no LP-coletânea de 10 polegadas “Elas cantam assim”. “Chico Brito” é um samba clássico e bastante conhecido, de autoria de Wilson Batista e Afonso Teixeira. Gravado por Dircinha na Odeon em primeiro de dezembro de 1949, só seria lançado menos de um ano depois (outubro de 50), sob número 13047-B, matriz 8603. O nome Peçanha foi posto na letra da música para substituir “meganha”, gíria da época para policial. Note-se também uma menção à “erva do norte”, possivelmente… Adivinha! O samba “Icaraí”, de Raimundo Flores e Célio Ferreira, é uma exaltação à famosa praia situada em Niterói, litoral fluminense, imortalizada por Dircinha Batista na Continental em 19 de abril de 1948 e lançada em julho-setembro do mesmo ano, disco 15923-A, matriz 1851. Mostrando que sabia dar o recado até em inglês, Dircinha interpreta depois, com acompanhamento orquestral de Aristides Zaccarias, o fox “I only have eyes for you”, de Harry Warren e Al Dubin, composto em 1934. Gravação RCA Victor de 1957, do LP de 10 polegadas “Música para o mundo”. “O teu sorriso me prendeu” é uma marchinha de meio-de-ano, assinada pelo pistonista Bomfiglio de Oliveira, com letra de Walfrido Silva. Dircinha a gravou na Victor na plenitude de seus 13 anos, acompanhada pela endiabrada orquestra Diabos do Céu, de Pixinguinha, em 8 de julho de 1935, sendo lançada em agosto do mesmo ano, disco 33961-B, matriz 79969. A batucada “A coroa do rei”, de Haroldo Lobo e David Nasser, foi uma das músicas campeãs do carnaval de 1950, imortalizada por Dircinha na Odeon em 30 de setembro de 49 e lançada ainda em dezembro, disco 12962-B, matriz 8564. Do carnaval de 1946 é o samba “Que papagaio sou eu?”, de Wilson Batista e Henrique de Almeida, lançado por Dircinha na Continental em janeiro daquele ano, disco 15574-B,matriz 1352. Encerrando este volume,uma curiosidade histórica: o jingle publicitário gravado por Dircinha para o Auris Sedina, um remédio para dor de ouvido, produzido até hoje pelos Laboratórios Osório de Moraes. Bastante veiculado no rádio durante os anos 1950, ficou na memória de muita gente. E, se depender de iniciativas como a deste volume do GRB, as Batistas aqui recordadas, Marília e Dircinha, vão ficar para sempre na memória de muitos!
* Texto de Samuel Machado Filho
Trio Camara – Le Trio Camara (1968)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Nesse mundo de colecionadores de vinil a gente sempre tem muitas surpresas. Como eu sempre digo, o grande barato disso tudo não está em ter raridades, mas está sempre a procura delas. Ou mais ainda, o momento do encontro, quando que por sorte ou por destino aquele determinado disco cai na sua mão. Na semana passada estive garimpando discos aqui pela cidade. Geralmente eu não faço isso aqui em Belô, dou preferência por outras praças, outras cidades onde sei que vou encontrar coisas diferente. Já conheço bem as lojas e os colecionadores de BH e por aqui os acervos não mudam muito. É preciso dar um tempo. O tempo para os encantos se desencantarem. Para os desapegos florescerem e definitivamente, para que coleções fiquem órfãs e sejam de imediato descartadas pelos familiares do falecido. É, o mundo dos discos e das raridades é assim… ao longo do tempo eles acabam passando de mão em mão, isso quando não se perdem nas mão de outros, os descuidados. Dá mesmo um puta prazer encontrar um disco raro e em boas condições. Melhor ainda quando a gente o encontra perdido entre as ofertas à preço de uma banana. Foi mais ou menos assim que aconteceu comigo há alguns dias atrás. Encontrei em um dos grandes sebos da cidade esta jóia que aqui eu volto a postar. Digo volto, porque há tempos atrás, logo no início do Toque Musical eu cheguei a postá-lo aqui, através de uma colaboração de um dos nossos visitantes. Agora, tendo o disco integralmente em meu prato, posso novamente postá-lo de maneira descente. Como vocês sabem, eu gosto de publicar os discos completos, incluindo capa, contracapa, selos e encartes quando tem. Foi providencial eu ter digitalizado e fotografado a capa logo no mesmo dia que comprei, pois ontem, na Feira de Vinil da Savassi, levei ele para um passeio e não deu outra… acabei vendendo. Mas só vendi porque a oferta foi tentadora. Paguei 15 reais e vendi por 250. Teria me arrependido não fosse o fato de que com esses mesmo 250 comprei um lote de uns cento e poucos discos, entre os quais haviam tantas outras preciosidades as quais eu ainda estou avaliando. Logo vocês terão notícias por aqui, pois certamente irei compartilhar minha alegria com todos.
Bom, falando um pouco sobre a ‘joinha’ do dia, este é um álbum essencialmente de jazz, o jazz com bossa, o jazz made in brazuca. Um disco originalmente produzido na França, em 1968 e editado pelo selo francês Saravah, apresentando o Trio Camara, formado pelos músicos brasileiros Fernando Martins (piano), Edson Lobo (contrabaixo) e Nelson Serra (bateria). Para muitos, este é considerado um dos melhores discos de música instrumental, na linha jazz-bossa. Excelentes músicos gravando em condições perfeitas e apresentando um repertório fino com músicas próprias e dos mestres Baden Powell, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Edu Lobo, Noel Rosa, Sérgio Mendes, João Donato e Durval Ferreira.
Como disse, este lp foi produzido por uma editora francesa, mas veio também a ser lançado no Brasil, no ano seguinte (1969) pelo obscuro selo Joda Discos, com as mesmas características do original, ou seja, em capa dupla. Um disco, sem dúvida, muito bom. Vale a pena ouvir de novo 😉
The Brasilia Nueve – How Insensitive (1967)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Fuçando em uma pilha de discos que tenho e que nunca dei muita bola, achei por acaso este álbum que aqui eu apresento a vocês. Eu também, por certo, estou conhecendo este lp agora. Trata-se de um disco estrangeiro, de jazz, liderado pelo pianista americano Bill Potts. Como podemos ver logo de cara, na capa e contracapa ele nos apresenta um título bem sugestivo: “How insensitive” e completando, o nome do conjunto é The Brasilia Nueve. Não é preciso dizer mais nada, já dá para entender que a onda aqui é a Bossa Nova. A bossa, influencia do jazz, ou o jazz influenciado pela bossa? A coisa se materializa quando ao virar a contracapa encontrarmos “Insensatez”, de Tom e Vinícius; “Agora posso entendê-lo”, de Nelson Lins de Barros; “Samba da benção”, de Baden e Vinícius (e que também foi tema do filme “Um homem e uma mulher”); “Meditação”, de Tom e Newton Mendonça e “Esquecendo você”, também de Tom Jobim.
O disco foi lançado originalmente nos ‘States’ em 1967, pelo selo Decca. No Brasil o álbum foi lançado no ano seguinte pela Chantecler. Não vou entrar em detalhes sobre o conjunto, pois para a minha felicidade já está tudo bem explicadinho na contracapa. Aproveitem a ocasião, pois como todos devem saber os prazos por aqui são limitados. Se não baixarem logo no GTM vão ficar a ver apenas esta postagem. Como já disse, links por aqui não tem retorno, ok?
Sílvia Maria – Coragem (1981)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu até que estava animado com os discos de samba, mas por não ter nada que achasse relevante em minha gaveta, preferi tomar outro rumo. Ou melhor, decidi postar outra coisa, outro disco… Vamos hoje com a cantora paulista Silvia Maria. Uma artista muito talentosa que em 1973 estreou em lp com o excelente álbum “Porte de rainha”, álbum este que eu já postei aqui há tempos atrás. Passaram-se quase oito anos até que ela voltasse em um novo álbum solo. Tomou coragem, quer dizer, gravou em 1980 este que foi o seu segundo trabalho e que justamente se chama “Coragem”. Um disco também muito bom, com dez faixas muito bem escolhidas e participação especial do violonista Baden Powell.
Pelo jeito, Silvia Maria não é desses artistas que gravam muito, mas sim que gravam bem. Em 2011 ela voltou à cena lançando o CD “Ave rara”. Vamos ver se a gente o encontra para postarmos aqui no Toque Musical numa próxima oportunidade. Confiram…
Bahiano – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 128 (2014)
O Grand Record Brazil chega à sua edição de número 128 trazendo um autêntico pioneiro da gravação de discos no Brasil: o Bahiano.
Joel De Castro – Interpreta Os Poetas Da Portela (1991)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Continuando na cadência do samba, vamos desta vez com um álbum dedicado aos poetas da Portela. Um disco diferente motivado em mostrar alguns dos mais importantes compositores desta Escola. Para interpretar os dez sambas escolhidos, chamaram o cantor e sambista Joel de Castro, uma artista com uma voz muito boa e uma interpretação fina, capaz de dar ainda mais brilho a essas músicas. O álbum não traz data de lançamento, mas creio que é de 1991, conforme dedicatória. Curiosamente, também não achei qualquer informação sobre o nosso intérprete, mas sei que ele é daqui das Minas Gerais. Como me disse o radialista Luiz Pedro, da antiga Rádio Capital, que foi quem me doou este disco, mineiros e cariocas têm uma sintonia muito fina, os dois estados que se completam. Há, sem dúvida, uma relação muito boa dos cariocas com os mineiros e isso é fato!
Paulo Vanzolini – Por Ele Mesmo (1981)
Olá amigos cultos e ocultos! Seguindo no samba, eu hoje trago um disco que para caçadores e garimpeiros musicais já não é nenhuma novidade e nem raridade. Mas tem, para mim, uma importância que eu faço questão de manifestar através desta postagem. Paulo Vanzolini é um dos meus compositores prediletos. Sua música tem uma característica própria e suas letras são verdadeiras crônicas com começo, meio e fim. Gosto disso. Gosto também do seu humor e da sua maneira de descrever as relações. Me faz lembrar outro grande compositor, o Billy Blanco.
Neste álbum, lançado pelo Estúdio Eldorado, no início dos anos 80, temos então o autor, pela primeira vez, interpretando a si mesmo. Vanzolini era antes de tudo um compositor e seu sucesso vem através de seus intérpretes e claro, de suas muitas canções que ficaram para sempre marcadas em nossa memória. Aqui ele interpreta treze impecáveis composições, músicas de diversos momentos, acompanhado por um time de músicos, como Adalto Santos, Edson Alves, Heraldo do Monte, Bolão e outros, que entendem o seu recado. O disco é realmente uma bela produção. Só peca pelo fato de ser um álbum de um disco só. Merecia mais. Isso porém viria a acontecer no lançamento em 2003 do box, “Acerto de contas”, com quatro cds trançando toda a sua produção conhecida, editado pela Biscoito Fino.
Cartola 70 – Fala Mangueira! (1978)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! No batido do samba aqui vamos nós com mais um disco bacana. Eu, na verdade estou fazendo uma reprise. Há alguns anos atrás eu postei aqui o álbum, “Fala Mangueira!”, originalmente lançado em 1968, pela Odeon. Um verdadeiro clássico do samba. Disco que não pode faltar em nenhuma boa coleção. Estamos falando aqui do feliz encontro de Cartola, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho e Odete Amaral, num disco dedicado à Mangueira. Conforme relata o texto de contra capa desta edição, foi uma ideia de Vianinha (Oduvaldo Vianna Filho) sugerida ao Herminio Bello de Carvalho para um musical falando sobre a Mangueira. Espetáculo este que nunca chegou a acontecer, infelizmente. Mas pelo menos esse encontro se eternizou em disco, neste lp que aqui retorna após 10 anos numa edição comemorativa em homenagem aos 70 anos do Cartola. Por essa razão o disco mudou de nome, mas o material, a gravação é a mesma. Fica aqui esta segunda chance, para manter o pique do samba 😉
A Música De Caxiné – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 127 (2014)
João Nogueira & Cartola – Projeto Pixinguinha 1977 (2014)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Já faz tempo que eu não dou sequência a esta coleção de shows do Projeto Pixinguinha. Tá na hora de voltar, pois afinal ainda temos uma dezena de espetáculos, com um time de artistas de primeiríssima. Como já informei em outros volumes, as gravações aqui apresentadas fazem parte de material do excelente site “Brasil Memória das Artes“, um projeto da Funarte onde boa parte do seu acervo em áudiovisual está disponível para consulta permanente. Entre esses os registros de shows do Projeto Pixinguinha.
Como todos podem ver, temos aqui em nosso volume 8 dois grandes sambistas. Melhor ainda, dois grandes compositores reunidos em show realizado em 1977. Aqui temos apenas 17 músicas, num roteiro que contava com mais de 20. Infelizmente nem todas foram disponibilizadas. Procurei editar cada música seguindo a sequência do programa. A gravação não está muito boa pois o som captado vem apenas dos microfones de voz. Daí, os instrumentos aparecem muito baixo. Mas mesmo assim vale a pena conferir esse encontro histórico.
Célia Mara Apresenta: Ninguém Segura Meu Samba (197…)
Fátima Guedes (1979)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Estive ouvindo ontem, coisa que não fazia há tempos, a cantora Fátima Guedes. Há tempos não escuto ela mais pelas rádios. Acho que as rádios de hoje não estão interessadas em música boa. O negócio é negócio, ou seja, música para vender e fazer sucesso e no geral, só lixo! Felizmente ainda existem apresentadores finos e esses trazem para seus programas coisas de seus acervos, pois rádio hoje em dia não tem mais discoteca. Isso me faz lembrar a discoteca da Rádio Inconfidência. Ah, que acervo! Quanta coisa boa, quantas raridades. E isso eu me refiro só aos discos nacionais! Era um tesouro. Mas com a chegada da era digital, da modernização das rádios, uma discoteca física se tornou um problema, um arquivo morto. Acho que mortos estavam aqueles que deixaram tudo se perder. Não tiveram a preocupação de digitalizar obras raríssimas, que foram aos poucos sucateadas, levando o resto para depósitos onde se perderam ou foram para o lixo. Uma pena… Hoje quando se ouve discos, como os que apresentamos no Toque Musical, esses são levados para as rádios por seus próprios apresentadores, de suas coleções particulares. Daí, são raras as chances de se ouvir no rádio artistas como a Fátima Guedes. Aliás, a Fátima Guedes não é apenas uma cantora, ela é uma grande compositora. Expoente da geração do final dos anos 70. Produziu muita coisa boa, música popular brasileira realmente de qualidade. Algumas, grandes sucessos. Gravada por outros tantos artistas, ela é, sem dúvida, uma das nossas melhores compositoras. Continua na ativa, sempre produzindo e pelo que andei vendo, dividindo mais suas criações em parceria com outros artistas.
O disco que apresento a vocês, muitos irão lembrar, foi o lp de estréia. Fátima nos apresenta um trabalho totalmente autoral em dez composições que se de todo não foi um grande sucesso, abriu com certeza mais as portas para o seu talento. Lançado em 1979, este álbum foi produzido por Renato Corrêa e contou com orquestração e regências de Oscar Castro Neves e Gilson Peranzzetta. Por aí já dá para se ter uma ideia do nível do trabalho. Um bom começo 😉
Ester De Abreu – Amar Amar (1975)
Olá amigos cultos e ocultos, boa noite! Eu havia planejado postar aqui nesta semana um grupo de discos com vozes femininas. Infelizmente eu não consegui manter a regularidade nas postagens, daí vamos para o ‘quando der’, mas sem perder o foco 😉
Tenho aqui a cantora Ester de Abreu, uma artista que já apresentamos em outras épocas no Toque Musical. Desta vez eu trago o disco “Amar, amar” lançado pela Tapecar, em 1975. Pelo recado impresso na própria capa, percebe-se que é um disco de retorno. Acredito também que este tenha sido seu último trabalho. Não consta em sua discografia outros álbuns.. Ester, como sempre, nos vem com um repertório bem português, alguns temas clássicos, fados, como era o seu estilo. “Amar, amar”, título do disco, é também o nome de uma das faixas, composição para o poema de Florbella Espanca. “Ai, Mouraria”, “Nem as paredes confesso”, “Coimbra” e tantas outras fazem parte desse retorno. Bem legal, não deixem de conferir…
Adelaide Chiozzo (parte B) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 126 (2014)
Marlene – Vamos Dançar Com Marlene E Seus Sucessos (1956)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Atendendo a pedidos (foram cinco!) estou trazendo para hoje o álbum de 10 polegadas, “Vamos dançar com Marlene e seus sucessos”. Um disco lançado pela Sinter em 1956 reunindo alguns de seus muitos sucessos. Gravações que originalmente foram apresentadas em discos de 78 rpm.Temos aqui um disco com sambas, mambos e um baião. Marlene atacando com tudo em “Samba rasgado”, de Zé Ketti e Jaime Silva; “Saudosa maloca”, de Adoniran Barbosa e outros sambas, mambo e até baião. Ah! Não posso me esquecer de outro clássico, “O lamento da lavadeira”, de Monsueto, Nilo Chagas e João Violão. Um samba com muito humor que retrata bem a situação atual de falta de água (mas a chuva está chegando). Enfim, olha o disco aí…
Nora Ney – Meu Cantar É Tempestade De Saudade (1987)
Marília Batista – Vai Marília (1989)
Olá amigos cultos e ocultos! Nesta semana que passou fiquei conhecendo um antigo radialista, o Sr Luiz Pedro Rodrigues. Ele foi cantor, apresentador e diretor de várias rádios no Rio de Janeiro, São Paulo e finalmente em Belo Horizonte. Era mais conhecido por Pedro Luiz, uma inversão do nome, que segundo ele, para um artista do rádio, era ‘mais sonoro’. Ele trabalhou ao lado de grandes nomes da música brasileira. Foi também compositor. Para a minha grande surpresa, autor de jingles que eu cantava na minha infância, como o do arroz Paranaíba, da TV Itacolomi e algumas chamadas da Rádio Inconfidência. Ele conheceu de perto pessoas que fizeram parte desse universo, inclusive do lado do público. Figura da mais interessantes e discursivas, me contou alguns fatos interessantes, memórias e coisas ligadas ao rádio. Muitas dessas histórias fazem parte de um de seus livros: “Show do Rádio – Pessoas e Fatos Ligados Ao Rádio de Minas Gerais”, lançado pela editora Armazém de Ideias em 2002. Mais uma fonte de informação que eu até então desconhecia. Fiquei amigo do moço e por conta disso, logo vou postar aqui uma seleção com alguns dos seus trabalhos… Do nosso encontro também surgiu o presente um raro disquinho que eu aqui apresento a vocês. Um compacto da cantora e compositora Marília Batista que ele mesmo recebeu da artista. Segundo consta, este foi o último trabalho realizado por Marília antes de vir falecer, em 1990. Para os desatentos, Marília Batista foi uma das mais importantes intérpretes da obra de Noel Rosa. (Em uma próxima oportunidade postarei aqui as gravações dela com Noel.)
Ao lado do Regional Recordando, de Vadinho do Bandolim, Marília nos traz em um compacto duplo e independente quatro de suas composições, entre elas “Garota Sapeca”, gravada por Aracy de Almeida. Mesmo para um compacto e gravado de maneira independente, o disquinho é encantador, samba e choro com muita qualidade. Taí um disquinho que merece fazer parte do nosso acervo. Falou que é raro e curioso, é aqui mesmo, no Toque Musical 😉
Adelaide Chiozzo (parte 1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 125 (2014)
Gazolina Do Brasil & News Brasas Samba Show – Ao Vivo (197…)
Olá amigos cultos e ocultos! Nos últimos dias andei meio sumido. Para não variar, sem tempo e cada vez mais distante desse objetivo. Acho que, de certa forma, a fase máxima, a febre dos blogs musicais já passou. Por outro lado, paradoxalmente, os discos de vinil que eram seu assunto principal, a fonografia, passam agora por uma revitalização, com o retorno de diversos títulos raros, tudo sendo relançado em cópias quase perfeitas. Acredito que uma das razões para o retorno do vinil está diretamente relacionada aos movimentos de blogs como o Toque Musical. Creio que isso despertou muita gente e o interesse pelo vinil voltou aqui no Brasil. Eu mesmo, que pensava em apenas compartilhar e desfazer dos lps após digitalizar, também mudei de ideia e retomei minha coleção. Realmente isso é uma cachaça. Penso que por conta de me preocupar mais com a retomada da minha coleção, acabei direcionando o meu foco musical só para isso. O blog foi perdendo um pouco do sentido, sei lá… Mas, por outro lado, sei que não dá para abandonar um compromisso de quase oito anos. Ou por outra, não dá para abandoná-lo assim. Vamos seguindo então, em frente e a cada dia nos adaptando às regras e ao jogo. O TM não pára, segue ao ritmo e dança conforme a música.
Nos últimos dias andei meio afastado, pois estive viajando. Fui ao meu sempre querido Rio de Janeiro e por lá não deixei de sair no garimpo, em busca de discos que considero interessantes e principalmente para a minha própria coleção. Me lembrei também do Toque Musical, claro! E por lá adquiri algumas que aos poucos irão chegando aqui para vocês. Entre tantos, começo com este lp que eu mesmo não conhecia (adoro coisas assim). Trata-se de um curioso álbum lançado pela Tapecar, sem data, mas creio que deve ser do início dos anos 70, com o cantor Antônio Monte de Souza, mais conhecido como Gasolina. Um nome hoje pouco lembrado. Segundo consta, Gasolina veio da Rádio Gaúcha, em Porto Alegre, onde foi descoberto pelo radialista Ivan Castro. Conheceu o sucesso quando veio para as rádios do Rio de Janeiro e São Paulo. Cantou ao lado e foi impulsionado por grandes nomes como Nelson Gonçalves, Noite Ilustrada, Silvio Caldas e tantos outros. Foi também ator, fez teatro e cinema (O Auto da Compadecida, O Cantor e o Milionário) e na televisão se apresentava no programa “Copacabana Show”, lá pelos anos 60. O que foi feito dele, qual o seu paradeiro, isso é coisa que não consegui descobri. Mas aqui neste álbum ele aparece como “Gazolina do Brasil”, com Z. Talvez por conta de contratos com outra gravadora, ou por erro mesmo. O álbum não é qualquer coisa não. É de um tempo que a produção podia esbanjar. Neste lp temos uma capa dupla com fotos e mais detalhes sobre o trabalho. Diz a capa que é uma gravação ao vivo, porém pela qualidade da gravação e pela falta do público eu diria que não. Ou talvez até tenha sido, mas sem público, apenas aproveitando o espaço e o clima da churrascaria Las Brasas, onde os shows comandados por Gasolina aconteciam. Este álbum é uma síntese do show 😉 São 13 faixas na quais estão distribuídas 42 músicas entre sambas, machinhas, pontos e outros batuques. Gazolina vem acompanhado do conjunto New Brasas Samba Show e da cantora Célia Reis. Infelizmente não consegui localizar a data, mas certamente é um disco dos anos 70. No arquivo não nomeei as faixas devido a quantidade de músicas. Deixo que cada qual resolva isso ao seu modo, ok?
Cantores – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 124 (2014)
Orquestra Românticos De Cuba – Românticos De Cuba No Rio (1983)
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Beto Saroldi – Metrô (1988)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Quebrando um pouco o ritmo, saindo um pouco do antigo para algo mais próximo da nossa atualidade, tenho hoje para vocês o primeiro disco do compositor e instrumentista Beto Saroldi. Para quem não conhece, Beto Saroldi é um saxofonista, compositor e produtor musical que já tocou com grandes nomes da música brasileira como, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Lulu Santos, Lô Borges e muitos outros. Isso também, sem falar em outros grandes nomes da música instrumental, que é a verdadeira praia deste artista.
“Metrô” é o nome do seu primeiro lp lançado em 1988, uma produção independente que teve a graça de ver incluída uma de suas faixas como tema da novela “Bebê a bordo”, da poderosa Rede Globo. O disco, num geral é bom. Quem curte música instrumental é que vai gostar 🙂
Pedroca E Seu Piston – As Garotas Gostam De Dançar Com Pedroca E Seu Piston (1958)
Sambas – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 123 (2014)
E prossegue a gloriosa trajetória do Grand Record Brazil. Já estamos na edição de número 123, e nela estamos apresentando uma seleção especialmente dedicada ao samba. São 15 gravações, com sambas de autores consagrados do gênero, interpretados pelos melhores cantores de sua época. Abrindo esta edição, temos “Capital do samba”, de José Ramos (1913-2001), fluminense de Campos, que ajudou a fundar a ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na interpretação do sempre notável Gilberto Alves. Gravação Odeon de 9 de setembro de 1942, lançada em outubro do mesmo ano, disco 12214-A, matriz 7053. Dos cariocas João da Baiana (João Machado Guedes, 1887-1974) e Babaú da Mangueira (Waldomiro José da Rocha, 1914-1993) é “Sorris de mim”, a faixa seguinte, interpretada por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”. Ela o gravou na Victor em 9 de julho de 1940,com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34657-B, matriz 33463. De Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975) e do lendário Paulo da Portela (Paulo Benjamin de Oliveira, 1901-1949), foi escalado “Arma perigosa”, na interpretação de Linda Rodrigues (Sophia Gervasoni, 1919-1995). É o lado A de seu terceiro 78, o Continental 15423, lançado em setembro de 1945, matriz 1136. Na quarta faixa, um clássico indiscutível do mestre Ary Barroso: é “Morena boca de ouro”, na interpretação de Sílvio Caldas, que o imortalizou na Victor em 4 de julho de 1941, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34793-A, matriz S-052259. Foi várias vezes regravado,inclusive por João Gilberto, que o incluiu em seu primeiro LP, “Chega de saudade”, em 1959. O dito popular “Quem espera sempre alcança” dá título à nossa quinta faixa, mais uma composição do lendário Paulo da Portela. Quem canta este samba é Mário Reis, em gravação lançada pela Odeon em setembro de 1931, disco 10837-B, matriz 4272, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman. “Quem mandou, Iaiá?” é de Benedito Lacerda (também no acompanhamento com sua flauta mágica e inconfundível) e Oswaldo “Baiaco” Vasques, e foi lançado pela Columbia para o carnaval de 1934, em janeiro desse ano, na voz de Arnaldo Amaral, disco 22262-A, matriz 1005. Também de Baiaco, em parceria com João dos Santos, é nossa sétima faixa, “Conversa puxa conversa”, gravação Victor de Almirante (“a maior patente do rádio”) em 24 de abril de 1934, lançada em julho do mesmo ano com o n.o 33800-A, matriz 79615, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida por Pixinguinha. Babaú da Mangueira volta em nossa faixa 8, “Ela me abandonou”, samba do carnaval de 1949, em parceria com Taú Silva. Novamente aqui comparece Gilberto Alves, em gravação RCA Victor de 23 de dezembro de 48, lançada um mês antes da folia,em janeiro,disco 80-0591-B, matriz S-078852. Autor de clássicos do samba, Ismael Silva (1905-1978) mostra seu lado de intérprete em “Me deixa sossegado”, que assina junto com Francisco Alves e Nílton Bastos, e foi lançado pela Odeon em dezembro de 1931, disco 10858-B,matriz 4281. De família circense, sobrinho do lendário palhaço Piolim, o comediante paulista Anchizes Pinto, o Ankito (1924-2009), considerado um dos cinco maiores nomes da era das chanchadas em nosso cinema, bate ponto aqui com “É fogo na jaca”, samba de Raul Marques, Estanislau Silva e Mateus Conde. Destinado ao carnaval de 1954, foi lançado pela Columbia (depois CBS e hoje Sony Music) em janeiro desse ano, sob n.o CB-10017-B, matriz CBO-152. Paulo da Portela volta na faixa 11, assinando com Heitor dos Prazeres “Cantar pra não chorar”, do carnaval de 1938. Quem canta é Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, em gravação Victor de 15 de dezembro de 37, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 34278-B, matriz 80634. Na faixa 12, volta José Ramos, agora assinando com o irmão, Marcelino Ramos, “Jequitibá”. Gravação de Zé e Zilda (“a dupla da harmonia”), em 1949, na Star, disco 151-B, por certo visando o carnaval de 50. A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, vem com o samba “Mulher de malandro”, de Hervê Cordovil. Gravado na Victor em 23 de outubro de 1945, seria lançado apenas em setembro de 46, sob n.o 80-0431-B, matriz S-078380. Ernani Alvarenga, o Alvarenga da Portela, assina “Fica de lá”, samba do carnaval de 1939, em gravação Odeon de Francisco Alves, datada de 16 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia,em fevereiro, disco 11700-A,matriz 5995. Por fim, temos o samba “Não quero mais”, samba de autoria de Zé da Zilda (também conhecido por Zé com Fome e José Gonçalves) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Castro, que apareceu no selo com o sobrenome errado, “da Silva”), gravado na Victor por Aracy de Almeida em 9 de setembro de 1936 e lançado em dezembro do mesmo ano, disco 34125-A, matriz 80214, certamente com vistas ao carnaval de 37. Note-se, a respeito deste samba, que Cartola tinha feito duas segundas partes, mas Zé da Zilda fez uma outra segunda parte por conta própria e, assim, eliminou Cartola da co-autoria. Enfim, é uma excelente seleção de sambas que o GRB nos oferece, para apreciação de todos aqueles que apreciam o melhor de nossa música popular.
* Texto de Samuel Machado Filho
Zimbo Trio – Vol. 2 (1966)
Olá, amigos cultos e ocultos! Nesta semana nós acabamos por não publicar aqui o volume 123 da coleção exclusiva Grand Record Brazil. Sei que tem muita gente que nos acompanha e os e-mails não param de chegar. Calma, a coleção ainda não acabou. Só termina no dia em que não tivermos mais nada em 78 rpm para apresentar. Amanhã tem mais um volume, garantido!
Para a noite de domingo ficar ainda mais gostosa, eu trago para enriquecer nossa lista um disco que há muito já devia ter entrado: Zimbo Trio Vol. 2. Aliás, eu também já deveria ter postado o volume 1 e outros mais, afinal o que é bom a gente deve sempre manter. Mas o Zimbo Trio, embora acima da média, é figurinha fácil e repetida. Muitos outros blogs já postaram ele por aí e por certo, deste não há muito o que dizer além do que já foi dito. Um super trio que teve em seu elenco original Luiz Chaves, Rubens Barsotti e Hamilton de Godoy.
Este lp foi o terceiro gravado por eles. Lançado em 1966 pelo selo RGE, o álbum traz um repertório fino, com doze temas impecáveis e hoje clássicos, alguns autorais. Música instrumental de alto padrão, que agrada cultos e ocultos.
Salinas – Alice Street Gang (1976)
Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu, como sempre inicio justificando as pausas e falhas de postagem em nosso Toque Musical. Vocês já sabem, é falta de tempo! Não foi a toa que eu resolvi incluir outros textos do amigo Samuel Machado Filho, além dos habituais em nossa coleção Grand Record Brazil. Se dependesse apenas dele, nossas postagens continuariam diárias e sem furo. Já tenho aqui uma dezenas de textos prontos para os diferentes discos que enviei para ele. Falta agora, tão somente, eu publicar, mas nem para isso eu tenho tido tempo. Hoje, por acaso, a manhã tá livre, daí eu me divirto mais e tomo a direção e apresentação.
Trago para este sábado um disquinho curioso. Comprei este lp há alguns anos atrás. Achei a capa interessante, pensei até se tratar de uma banda de rock, daquelas obscuras dos anos 70. Levei o disco sem olhar muito, afinal haviam outros na compra e como estava barato, foi na leva. Só alguns dias depois foi que eu vim a conhecê-lo realmente. De saída fui logo percebendo que não se tratava de rock e sim de algo no gênero ‘disco music’. E para a minha surpresa o tal Alice Street Band era conduzido por Daniel Salinas. Quer dizer, trata-se de um trabalho do eclético maestro Daniel Alberto Salinas, produzido, arranjado e tocado por ele. Eu já cheguei a postar aqui outro disco dele, o “Paz, Amor e… Samba”, de 1972. Salinas foi um maestro e arranjador muito atuante nos anos 60 e 70, trabalhando com artistas da Jovem Guarda e tantos outros dos mais variados gêneros nas décadas seguintes. Agora voltamos com este, da era ‘discoteca’. Naquele estilo inconfundível da música americana da segunda metade dos anos 70, quando a ‘disco music’ tomou conta do pedaço. Lembram aquelas músicas de aberturas em seriados tipo ‘As Panteras’, ‘Casal 20’, ‘Chips’… é por aí… Lembra também, inevitavelmente, o Eumir Deodato, principalmente na música de abertura, ‘Also Sprach Zarathustra’ em fusão com ‘Bahia’, clássico de Ary Barroso. Salinas mostra em seus arranjos que não fica por menos, apresentando um trabalho de primeira linha. Tenho certeza de que se algum desavisado ouvir este álbum é capaz de dizer que é coisa de gringo, estrangeiro. E tem tudo a ver, não só pela qualidade dos arranjos e execução. Um trabalho bacana, digno de muitos toques musicais. Pessoalmente, nunca fui muito fã do estilo, mas hoje, sou capaz de ouvir e dizer, realmente foi um trabalho bem feito. Fiquei pensando de onde foi que o Salinas tirou esse nome de ‘Alice Street Gang’. Desconfio que trata-se do endereço do estúdio da Amazon Records, na Rua Alice, do bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro, onde a gang tocou. Tá no selo… 🙂