Aurora Miranda – Sucessos De Aurora Miranda (1956)

Olá amiguinhos cultos e ocultos, boa noite! Como eu já havia comentado outras vezes, meu tempo para o blog tem ficado cada dia mais curto. Não posso negar que adoro essa coisa de postar um disco todos os dias, mas está mesmo difícil conciliar a dedicação com a obrigação. Ser autor de blog não é mole não, principalmente quando ele é diário e possui um público cativo tão numeroso. A gente acaba saindo do pessoal e caindo no profissional. Sinceramente, não era bem isso que eu queria, mas o blog toma uma dimensão que as vezes me assusta. Há cobranças de todos os tipos e a exigência de uma postura mais equilibrada. Eu que sou doido varrido, fico ainda mais pirado. Pensei na possibilidade de ter uma pessoa que ficasse por conta do blog nos momentos em que eu estivesse ausente. É claro que isso muda um pouco nossa rotina, mas pelo menos teríamos garantida a postagem diária. Acredito que todos sabem como é difícil manter um blog, principalmente como o Toque Musical. É daí que andei pensando em rever alguns dos meus conceitos e condutas. Vou passar a aceitar doações, como muitos já me ofereceram. Sinceramente eu não acho muito certo isso, mas para manter um secretário e os serviços, só mesmo se for pagando. Acho chato fazer isso e muito mais falar sobre o assunto, mas não vejo outra solução.
Mas, vamos deixar esse assunto para quando rolar. Vamos falar de outro, da preciosidade que é este disquinho, que o Toque Musical tem o prazer de apresentar. Reservei para hoje este ‘long play’ de dez polegadas da cantora Aurora Miranda. Vejam vocês que bela capa, um cenário obviamente hollywoodiano, dos estúdios Disney. É, a moça não era apenas irmã da Carmen Miranda, ela era Aurora Miranda! Eu acredito que ela só não foi além devido ao fato de ser irmã de Carmem e também de ter se casado logo cedo. Isso a ofuscou e freou um pouco, sem falar na timidez. Para se ter uma ideia, Aurora foi a cantora que mais vendeu discos na década de 30, atrás apenas da irmã. Quando numa temporada morou com Carmem nos Estados Unidos, gravou discos e trabalhou em clássicos filmes de Walt Disney. Neste álbum, lançado pela Sinter em 1956, Aurora Miranda regrava alguns de seus maiores sucessos. Entre eles temos a marchinha “Cidade Maravilhosa”, que se tornou o hino oficial do Rio de Janeiro. Esta música ficou conhecida inicialmente na voz de Aurora, em dueto com o autor, André Filho, no concurso de carnaval de 1935. Há também outros sucessos gravados por ela em dueto com Francisco Alves como, “Você só… mente”, de Noel Rosa e “Cai, cai balão, de Assis Valente. Todas as demais foram gravadas anteriormente em discos de 78 rpm. “Sucessos de Aurora Miranda” é exatamente isso, um disco reunindo antigos sucessos, regavados aqui com os arranjos e orquestração de Lyrio Panicali. Diquinho nota 10! Confiram o toque…

cidade maravilhosa
boa noite, passe bem
se a lua contasse
petisco do baile
fiz castelos de amor
você, só… mente
cai, cai, balão
sem você

Doris Monteiro – Confidências de Doris Monteiro (1956)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! De volta ao lar, tenho novamente um número infinito de títulos a publicar. De uma certa forma isso é até ruim porque aumenta a minha indecisão, fico sem saber o que postar.
Escolhi para hoje a Doris Monteiro em um raro álbum de 1956. Este foi o seu segundo lp de dez polegadas, um álbum onde ela canta exclusivamente músicas do compositor Fernando Cesar, na época, uma grande revelação. Algumas faixas foram extraídas de bolachas de 78 rpm gravadas anteriormente pela cantora. Entre os destaques, temos “Vento soprando”, “Cigarro sem baton” e “Dó, ré mi”. Não tenho certeza, mas acredito que essas músicas contaram com a orquestração e os arranjos de Antonio Carlos Jobim.
Se eu hoje ainda tiver um tempinho, volto para fechar com mais um compacto, ok? Divirtam-se aí…

quando as folhas caírem
vento soprando
graças a deus
cigarro sem baton
o amor é isso
joga a rede no mar
dó, ré, mi
melancolia

Zé Beto Corrêa – Cine Metropole (1992)

Belo Horizonte… êta saudade… tô voltando… E para tanto, nada melhor que sintonizar as minhas ondas com as boas lembranças da cidade. Como hoje é dia de artista/disco independente, não encontrei melhor escolha para nossa postagem que este belo trabalho do cantor, compositor e instrumentista mineiro, Zé Beto Corrêa, ou Zebeto Corrêa, como ele assina hoje. Começou a carreira musical como integrante da banda Fogo no Circo, quando gravou o primeiro disco. Pouco tempo depois partiu para a carreira solo, lançando um primeiro álbum em 1986. Pela qualidade de seu trabalho, sempre teve boas críticas, mas como bom (ou mal?) (do) mineiro, prefere trabalhar em silêncio, ou por outra, buscando outros caminhos. Zebeto, pelo que li em seu site, já tem uma dezena de álbuns lançados ao longo da carreira. Ele produz e apresenta um programa na Radio Nacional do Rio, chamado “Sotaque Brasileiro”, que vai ao ar duas vezes por semana.
“Cine Metrópole” foi seu segundo álbum e é o que podemos chamar de um autêntico disco de mineiro, a começar pelas evidências que temos logo na capa, com a fotografia do extinto e saudoso cinema da cidade. Zebeto usa esta referência para falar de uma Belo Horizonte que a cada dia vai ficando apenas na fotografia e na lembrança daqueles que a viveram. Mas mesmo com tanto regionalismo, o disco não perde sua dimensão musical e agrada com facilidade. As composições de Zebeto não são apenas para ouvir, mas também para cantar e em qualquer lugar.

branca de lua
florecência
cine metrópole
casa vazia
serenidade
brincadeira
devaneio fatal
baião atravessado
entre nós

Djalma Dias – Compacto Duplo (1971)

Como no dia de ontem, as coisas se repetem… Faltou tempo e uma Internet de verdade no hotel, isso aqui só serve mesmo para ler e-mail e olhe lá…
Para hoje, ainda do pacote, temos este raro compacto duplo do Djalma Dias. Vocês se lembram dele? Porque se procurarem na rede, não irão encontrar muita coisa. Aliás ao digitar o seu nome encontraremos apenas referências ao grande jogador de futebol dos anos 60 (Galooo!!!). Mas foi também nesta década que surgiu o cantor. Djalma foi cantor de boate, intérprete vitorioso em festivais e de trilhas de novelas da Rede Globo. Gravou diversos sucessos, entre os mais famosos temos “Capitão de Indústria”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle para a novela “Selva de Pedra”. Aliás, é bom dizer, Djalma gravou diversas músicas dos irmãos Valle. Isso muito se deve ao fato de que Marcos Valle tinha contrato com a Som Livre, era um dos principais compositores para os programas da Globo e Djalma Dias era também contratado, principalmente como cantor e atuando em coros de trilhas e especiais da emissora. Ele gravou vários discos, os quais ainda hoje são difíceis de ver (e ouvir) na blogosfera. Aqui no Toque Musical vocês poderão encontrar a participação do cantor no raríssimo disco “Uma noite no Beco” e neste compacto duplo, da Som Livre. Reparem que o disquinho traz duas músicas dos Valle, “Rosto barbado e Burguês fino trato”, essa última em parceria com João Donato. Tem também o samba “Ninguém tasca”, que se tornou um grande sucesso popular e outro, “Maria José”. De quebra, incluí como bônus, mais uma extra… “Nada sei de preconceito”, de Leci Brandão. Confiram…

ninguém tasca
buguês fino trato
rosto barbado
maria josé
nada sei de preconceito

Tamba Trio – Tempo (1964)

Bom dia! Ontem eu cheguei cansado e babando de sono. Tentei postar o compacto prometido, usando o computador do hotel, mas a conexão estava tão lenta que acabei desistindo. Só consegui um contato mediúnico para o toque hoje cedo.
Vamos desta vez com Tamba Trio em seu delicioso álbum “Tempo”. Taí um disco que eu sempre quis postar aqui no blog, mas ele acabou se perdendo entre tantos outros também na mesma situação. Acabou vindo para no gavetão, virou uma postagem de gaveta, esperando a hora exata para entrar.
“Tempo” foi o terceiro álbum do grupo e também o último formado por Luiz Eça, Bebeto Castilho e Hélcio Milito. No lugar de Hélcio entraria em seguida o Rubens Ohana. Milito só voltaria nos anos 70. Pessoalmente, eu gosto mais dessa primeira fase e dos discos onde a uma forte presença vocal. “Tempo” é assim, um lp com um repertório belíssimo para tocar e cantar. Quem ainda não o ouviu por aí, tem agora a chance de ouví-lo aqui. Confiram…

borandá
nuvens
se eu pudesse voltar
barumba
pregão
danielle
berimbau
o amor em paz
a morte de um deus de sal
yansã
consolação
moto contínuo

Antonio Adolfo & Brazuca – Compacto Duplo (1970)

Na sequência da nossa rodada dupla, vamos agora com o Antonio Adolfo e a sua Brazuca, conjunto formado originalmente por Luiz Claudio Ramos (guitarra), Luizão Maia (baixo), Victor Manga (bateria), Julie (voz) e Bimba (voz). Outro disquinho que o colecionador não levou. Lançado em 1970, este compacto traz quatro músicas que só vieram a ser incluídas como bônus, na versão cd do primeiro disco do Brazuca. Não chega a ser uma super raridade, mas já tem colecionador de olho no meu pacote 🙂

gloria, glorinha
o baile do clube
ao redor
mg 8-80-88

Orquestra Som Bateau – Som Bateau Ataca Novamente (1971)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Enquanto tomo o café, tomo emprestado o computador do meu colega aqui. Coisa rapidinha, só para fazer esta postagem. Lanço mão hoje dos meus ‘arquivos de gaveta’, pois o tempo é curto. Vamos com o Som Bateau, vocês se lembram desses discos? Fizeram muito sucesso nos anos 70. O Som Bateau foi uma armação criada pela Phonogram para faturar um dinheirinho a mais. O nome surgiu inspirado numa famosa boate que havia no Rio nos anos 60. Uma orquestra que a cada novo disco trazia músicos, arranjos e ideias diferentes. Voltados, obviamente para o gosto popular, com repertórios que vão do rock ao brega, do samba ao pop. Uma verdadeira salada mista que muito agradava a quem estava mais interessado na música do que na originalidade de interpretação. Discos ótimos para se colocar em festas de reveillon de empresas, naquela altura em que o camarada já tomou seu Activa e umas boas doses de Johnny Walker, estando literalmente cagando e andando para o que está tocando. É por aí… 🙂 Som ambiente para festa sem anfitrião. Apesar dos pesares, não há como negar a qualidade, principalmente se comparado ao que seria o Som Bateau nos dias de hoje. Taí um disco para realmente se ouvir com outros olhos. Em cada faixa, duas músicas para atingir ao máximo as suas expectativas. Confiram…

deixe estar como está – chocolate
ovo de codorna – 16 toneladas
mar de rosas – copacabana meu amor
minha senhora – boêmio demodê
você mudou demais – carta de amor
você não entende nada – você abusou
vamos lá pra ver – só vou criar galinha
amada amante – eu só tenho um caminho
bye bye – sim baby
que diabo você tinha – já faz tempo não lhe vejo
só quero – ana
menina da ladeira – mudei de ideia
balada nº 7 – não devo ficar

Golden Boys – Compacto Duplo (1970)

Olha aí mais um compacto do pacote. Ainda bem mesmo que eles não foram embora. Pelo menos não antes que eu pudesse ouví-los novamente e também trazê-los até vocês. Segue aqui um Golden Boys em sua melhor fase. Espero que apreciem… porque eu vou é dormir. Chapei no fumacê 😉

comunicação
avenida atlântica
se você quiser mas sem bronquear
fumacê

André Penazzi – 2º Orgão Samba Percussão (1963)

Bom dia a todos! Esta é a primeira vez que eu faço uma postagem em trânsito, quer dizer, durante uma viagem. Nada como a comodidade de um computador portátil. Um dia eu ainda compro um para mim. Só não o fiz antes porque sei que aí ele vai ficar literalmente grudado em mim, e eu nele. Por enquanto eu não estou querendo ficar ‘on line’ o tempo todo. Não é atoa que eu odeio celular. Sem dúvida, um ‘notebook’ como esse Mac é uma tentação, mas por enquanto quero-o apenas emprestado por alguns minutos. Já preparei os títulos para as postagens da semana, sem esquecer dos compactos, claro! Basta agora eu achar tempo e a camaradagem aqui do colega de me emprestar seu ‘MacBook Air’ para publicar as postagens.
Segue aqui o volume 2 que faltava da série “Orgão – Samba – Percussão”, postada no Toque Musical. Não muito diferente dos dois outros volumes, temos no lp um repertório de ótimos sambas. E por incrível que pareça, depois de tanto ouví-los, mudei o meu conceito. Realmente é verdade, ‘nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais’.

apito no samba
zelão
a tua vida é um segredo
samba em prelúdio
se acaso você chegasse
tamanco no samba
eu não tenho onde morar
agora é cinza
menino desce daí
tem bobo pra tudo
implorar
cadência do samba

Marcos Valle – Compacto Duplo (1971)

A partir de amanhã eu estarei viajando, sem saber ao certo se terei tempo para nossas postagens. Há algum tempo atrás havia uma ferramenta no Blogger que permitia fazermos postagens programadas. Vi isso uma vez, mas nunca coloquei em prática. Se for mesmo possível, acho que farei algumas para a semana. Na pior das hipóteses, tentarei pelo menos a forma mais fácil: Ctrl+C, Ctrl+V. Vamos ver se rola…
Segue aqui outro compacto do pacote. Outro disquinho que vai fazer os amigos dar pulinhos de alegria. Afinal, quem não gosta de Marcos Valle? Eis aqui um compacto duplo que a gente pode comparar com as versões em lps de 70 e 71. Seriam as mesmas? Já a faixa “Berenice”, foi trilha do filme “Lua de mel e amendoim”, de Fernando de Barros e Pedro Carlos Rovai. Acredito que esta música seja exclusiva, me parece ter sido lançada apenas neste compacto. Confiram a raridade em primeira mão 😉

berenice
paz e futebol
o cafona
esperando o messias

Mutantes – Ao Vivo Em Ribeirão Preto (1978)

Atendendo ao pedido de um dos nossos visitantes, estou postando aqui hoje este ‘bootleg’ de um grupo que insistiu em ser Mutantes, muito por conta de seu guitarrista, Sérgio Dias Baptista. Esta gravação registra o último show do grupo, em 1978, na cidade de Ribeirão Preto. Segundo contam, um tremendo fracasso de público. Era uma época onde as viajadas progressivas da banda já estavam ultrapassadas. Naquela época os Mutantes só conseguiriam sobreviver se escolhessem entre o punk, o metal ou a disco music, pois voltar ao que foram no passado seria ainda mais improvável. Sérgio percebeu que já era hora dele largar as velhas muletas e partir para o vôo solo. Ele foi, mas nunca abandonou a ideia de ressuscitar a velha banda, coisa que aconteceu em 2006 com o show em Londres. Depois, eles continuaram, quer dizer, o Sérgio continuou e mantém acessa a chama com o último discos lançado em 2009, “Haih Or Amortecedor”.
Como eu disse, atendendo à pedidos, dei uma melhorada no som (melhorou?) e criei a capinha, que é o que ficou melhor. Ainda hoje eu postarei algum compacto, como prometido. Aguardem…

arena
ando meio desligado
panis et circences
falsifiquei minha caderneta
frutificar
semente da paixão
aurora boreal
mensageiro da ladeira
genesis
amanhecer
paranóia (vou olhar o mar)
te encontrar
cidadão da terra
magia e coração
do que vale meu rock’n’roll
rock’n’roll city

Os Pequenos Cantores da Guanabara – Vozes Da Cidade Maravilhosa (1962)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! A ideia de postarmos mais alguns compactos parece ser bem apreciada. Vamos ver se na próxima semana eu consigo preparar outros do pacote que comentei. Por enquanto, deixa eu por em dia algumas pendências, que por certo agradarão da mesma forma.
Tenho aqui um lp dOs Pequenos Cantores da Guanabara, um vocal formado por alunos, meninos de 9 a 14 anos, do Colégio Salesiano, do Rio de Janeiro. O coral nasceu em 1958, fundado pelo padre da escola, João Bedeschi. O grupo se tornou muito popular, fazendo apresentações por diversas cidades do Brasil, na televisão e no rádio. Influenciaram diversos outro grupos musicais estudantis. Gravaram diversos discos ao longo dos anos, mantendo sempre renovada as suas vozes com a entrada de novos alunos cantores. Em “Vozes da Cidade Maravilhosa” temos doze temas inspirados. Músicas escolhidas a dedo e interpretadas com um profissionalismo, hoje em dia difícil de comparar. No repertório, além de grandes sucessos da nossa música popular, destaco as composições do Padre Ralfy Mendes, são geniais. Gostaria até de saber um pouco mais sobre ele. Será que tem outras composições? E os meninos, heim? Vejam só que beleza… cantam muito bem 🙂

ok
valsa de uma cidade
ave maria
pastorinhas
tiro liro liro
rapsódia infantil
no tempo do onça
rancho das flores
sonhei
bem te vi
favela diferente
sempre vivas:
nesta rua
casinha pequenina
maringá
cidade maravilhosa

Johnny Alf – Compacto (1972)

Olás! Olha só o que eu achei aqui… Nem me lembrava mais desse disquinho. Na verdade nem me dei conta de um envelope escondido na estante, atrás dos lps. Eram alguns compactos daqueles em embalagens chamadas de ‘sanduiches’, onde a capa vem envolvida por um plástico. Eram muito comuns nos anos 60, principalmente nos lps. Me parece até que era patenteada, uma exclusividade da Odeon, embora existam discos assim de outras gravadoras, como a Som Livre. Fiquei rindo atoa com esse achado. Eu havia separado os disquinhos para um colecionador. Como o cara não me procurou mais, acabei deixando o embrulho no limbo.
Esse compacto do Johnny Alf eu ainda não tive tempo de ouvir e comparar as músicas com as gravadas em lps. Geralmente sempre encontramos uma gravação diferente, uma versão para os compactos. Por vezes até músicas que não chegaram a entrar nos álbuns. Seria o caso desse? Eu acho que sim 😉 Mas vamos conferir juntos…

eu e a brisa
tema carnaval
sandália de prata
não deixe a zorra morrer

Zimbo Trio – Fianca (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui estamos em mais uma sexta feira, dia do disco/artista independente. Como ando cada vez mais sem tempo, ainda não tive como preparar os discos de artistas independentes que me são enviados. Estou lançando mão do que já tenho pronto, na ponta da agulha. Hoje, por exemplo, iremos com este álbum do Zimbo Trio, criado especialmente como brinde de fim de ano pela Fiança, na época das ‘vacas gordas’, quando eles podiam se dar ao luxo de presentear seus clientes e parceiros com álbuns exclusivos. O que eu não sei ao certo é se essas gravações do Zimbo foram feitas com a mesma exclusividade. Normalmente, para discos promocionais e de brindes como este, o que temos são coletâneas, faixas extraídas de outros álbuns. Aqui, eu não saberia confirmar, embora no texto do encarte, como vocês poderão ler, nos passe essa ideia. Independente de qualquer coisa, temos aqui um disco de música instrumental da melhor qualidade. Estou vendo aqui agora que o mesmo disco já foi postado no Loronix. Se soubesse disso antes teria escolhido outro. Mas baixei e vi que o meu está mais completo. Duvidam? Então confiram… 😉

esse cara
na tonga da mironga do caburetê
cotidiano nº2
trem das onze
se é pecado sambar
apesar de você
que maravilha – chove chuva – mas que nada
falei e disse
tristez e pé no chão
folhas secas
retalho de cetim
orguho de um sambista
ana luiza
carinhoso

Victor Assis Brasil Quarteto – Pedrinho (1979)

O dia hoje é chuva só. Bom para ficar em casa, tomando um vinho e ouvindo um jazz. No que depender de mim, vou logo providenciando a trilha musical e de quebra atendendo aos pedidos. Vamos com o Victor Assis Brasil Quarteto, disco do saxofonista acompanhado pelo piano e vibrafone de Jota Moraes, Paulo Russo no contrabaixo e o americano Ted Moore na bateria. Este é mais um desses álbuns que eu sinto não ser duplo, ou tripo. Bom demais…

it’s all right with me
nada será com antes
pedrinho
‘s wonderful
penedo
o cantador night and day

II Festival Internacional Da Canção Popular (1967)

Olá amigos cultos e ocultos! Como nesta semana eu já andei postando um disco de Festival, acho que vou mandar outro para vocês. Segue aqui um raríssimo e esperado exemplar do II Festival Internacional da Canção Popular, edição Rio, de 1967. Este álbum, com certeza, vai fazer muita gente dar pulinhos da alegria. Temos aqui momentos realmente memoráveis que jamais voltaram a ser vistos e principalmente ouvido pela grande maioria. Eu mesmo, que tenho o disco a tanto tempo, já faz um tempão que não o ouço. As vezes a gente precisa dar uma geral nas estantes de discos. Fico aqui matutando, tem discos que eu não escuto faz tempo. É, mas mesmo que eu quisesse… nem que eu tivesse mais 100 anos de vida, acho que não daria tempo de ouvir tudo. Por isso eu vivo numa constante overdose musical. No dia em que eu acabar de digitalizar todos os meus discos (hoje por volta de 6 terabites, com backup!), acho que não saberei o que fazer depois. Mas tenho a certeza de uma coisa, terei uma tremenda discoteca digital, capaz de suprir os mais variados gostos. Se um dia a música no mundo desaparecer, podem me procurar, eu tenho tudo guardado 😉 Como eu disse uma vez ao Zecaloro, eu não tenho só os meus, tenho também os seus 😉 e os de outros blogs que fazem um bom serviço completo. Meu alvo principal é sempre a música/disco fora de catálogo. São dos esquecidos é que precisamos nos lembrar e preservar. O novo terá o seu amanhã.
Bom, mas falando do álbum do dia, confesso estar um pouco confuso. Me lembrei agora que já havia postado um outro disco deste II Festival em maio do ano passado. Essas histórias de festivais bagunçam a minha cabeça, principalmente porque há discos que foram lançados com músicas de um determinado festival, mas necessariamente não são as representativas ou as que chegaram à final. No caso específico deste lp, as músicas e artistas não correspondem aos apontados com finalistas ou vencedores. Há, por exemplo, quatro faixas com a Gracinha Leporace. Será que ela defendeu essas quatro músicas no festival? Não estou bem certo e nem quero procurar agora essa informação. Vou deixar essa questão em aberto para ver se algum dos amigos cultos e ocultos esclarecem as coisas. As vezes é bom ter comentários que vão além, pertinentes ao disco postado e que complementam a informação. Me sinto mais motivado quando percebo esse interesse. Falem, Zuzas!

margarida – gutemberg guarabyra e grupo manifesto
carolina – nara leão
o sim pelo não – mpb-4
canto da despedida – gracinha
de serra, de terra e de mar – claudete soares
desencontro – gracinha leporace
travessia – elis regina
cantiga – mpb-4
oferenda – gracinha leporace
eu sou de oxalá – quarteto em cy
canção de esperar você – gracinha leporace

Tavinho Moura (1980)

Bom dia! Há três anos atrás eu postei aqui um disco do Tavinho Moura, na verdade o seu primeiro lp. Naquele início do blog eu ainda não estava muito certo se o levaria a diante ou não, as coisas seguiam meio sem propósito e o meu envolvimento era apenas superficial. Acabei deixando de falar um pouco sobre esse artista mineiro que eu gosto tanto.
Tavinho, para os que não o conhece, é um compositor mineiro, nascido lá em Juiz de Fora, mas criado em Belo Horizonte. É um artista da geração do pessoal do Clube da Esquina. Aliás, um membro do grupo, pois na adolescência ele já corria com sua bicicleta pelos lados de Santa Tereza e o Horto. Conheceu nessa época Toninho Horta, Nelson Angelo, Milton e os irmãos Borges. Dessa convivência só podia mesmo render frutos musicais. Tavinho já arranhava o violão e fazia lá as suas composições. Trabalhou inicialmente fazendo trilhas sonoras. Da convivência com o Clube da Esquina nasceu muita música e parcerias. Só veio a gravar seu primeiro disco no final dos anos 70 pela RCA. Um disco com cara de estréia, muito bem feito e que lhe rendeu boas críticas. Em seguida veio este, sem um título, apenas com o seu nome estampado. Eu, sinceramente, não sei qual é o melhor, gosto de todos os dois. Acho até que são muito parecidos, uma sequência do primeiro trabalho. Neste álbum praticamente quase todas as faixas são de sua autoria ou parcerias com Fernando Brant, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, além do ótimo poema musicado de Carlos Drummond de Andrade, “Cabaré mineiro”. De quebra, ainda temos sua interpretação de “A página do relâmpago elétrico”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Taí, um disco que um trem bão demais. Não deixem de conferir… 😉

cabaré mineiro
a página do relâmpago elétrico
findo amor
corte palavra
o sonho
peixinho do mar
nossa senhora do ó
peixe vivo
as meninas no trem de sabará

IV Festival De Música Popular Brasileira Vol. 1 (1968)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Começamos a semana bem, relembrando a ‘Era dos Festivais’. Há algum tempo atrás eu pensei em juntar todos os discos relativos aos Festivais, da década de 60 a 80 e postá-los no Toque Musical. Acontece que sempre falta um ou outro e além do mais se eu fosse entrar nessa, ficaria um mês inteiro só falando sobre o assunto. Por outro lado, já existe um blog especializado no assunto. Daí, prefiro ir de vez em quando postando os meus sem necessariamente ter que seguir uma ordem.
Tenho aqui o volume 1 do IV Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record de São Paulo em 1968. Como disse bem Zuza Homem de Mello em seu livro “A Era dos Festivais”, o ano de 1968 foi marcado por uma fase de transição, “a Era dos Festivais entrava em sua curva descendente”. Os militares no poder, a Tropicália, o AI-5, Gil e Caetano presos, a perseguição política, os exilados… Era um momento político conturbado onde este 4º festival aconteceu. Terminaria aí a sua fase contestadora. Os Festivais que viriam depois já não teriam esse perfil.
No presente álbum temos relacionadas doze músicas classificadas…

benvinda – mpb-4
boletim – trio marayá
são paulo, meu amor – marília medalha
a família – jair rodrigues
casa de bamba – josé ventura
sem mais luanda – joyce
dom quixote – os mutantes
atento, alerta – marília medalha e egberto gismonti
sentinela – mpb-4
cantiga – o quarteto
o viandante – lucelena
todas as ruas do mundo – rosely

Alexandre Trik e Helena Maia – Waldemar Henrique, O Canto da Amazônia (1982)

Caramba! A propaganda é mesmo a alma do negócio. Ontem eu fui lá na Feira, um pouco desanimado com a chuva que caiu durante todo o dia. Quase desisti, mas acabei indo. Pensei que não teríamos público. Na verdade o que faltou foi expositor. Os poucos que lá tiveram, fizeram a festa, não havia concorrência. No meu caso, nem com concorrência, pois boa parte do que levei já estava praticamente vendido, graças ao anúncio antecipado.
Como ontem nós tivemos um disco da Ely Camargo, achei que hoje seria um bom dia para postarmos este álbum, lançado através do Projeto Promemus (Projeto Memória Musical Brasileira) da Funart. Trata-se de um trabalho que procura divulgar um pouco da obra do compositor paraense Waldemar Henrique. Quem aqui conhece este compositor? Talvez poucos, mais fácil se lembrarem de suas composições. Waldemar Henrique foi um artista que se dedicou ao estudo do folclore amazônico, particularmente o paraense. Como Ely Camargo, recolheu temas de diferentes regiões amazônicas e motivos folclóricos que foram por ele adaptados e (ou musicados). Foi um dos primeiros e mais importante divulgador da cultura musical de sua região. Pode-se dizer que a música paraense, em sua maior pureza, está fundamentada nos trabalhos de Waldemar Henrique.
Para mostrar um pouco da obra do artista, temos a dupla Alexandre Trik e Maria Helena Maia. Alexandre é carioca, professor de canto lírico e também artista plástico. Seu nome está associado à música de câmara brasileira. Da mesma forma é Maria Helena Maia, pianista renomada, principalmente fora do Brasil. Lecionou nas Universidades Federais do Rio e do Pará. Foi também diretora musical do Instituto Cultural Brasil-Rússia e do Centro Cultural Franscico Mignone.
Um outro bom motivo para esta postagem é mostrar aos meus amigos paraenses que nunca me esqueço deles. O que me falta são os discos.

Lendas Amazônicas:
tamba-tajá
curupira
foi o boto, sinhá
uirapuru
matintaperêra
manha-nungara
cobra grande
Pontos Rituais:
sem seu
no jardim de oiera
aba-logum
abaluaê
Danças Brasileiras:
rolinha
boi bumbá
hei de seguir teus passos
côco peneruê
Peças Avulsas:
adeus
hei de morrer cantando
senhora dona sancha
trem de alagoas

Ely Camargo – Canções Da Minha Terra Vol. 3 (1964)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Daqui a pouco eu estarei indo para a Feira do Vinil. O tempo está chuvoso, mas mesmo assim o vinil vai rolar solto. Juntei um monte de ‘preciosas raridades’, com disse o amigo visitante, e agora vou levar para as minhas trocas e vendas. Quem está em Belô e gosta de vinil e cds de artistas independentes, não deve perder. A feira abre às 12 horas e vai até às 20. Antes mesmo de chegar lá, já tem gente me enviando e-mails, pedindo para reservar discos. Não vou garantir sem garantia$. Quem realmente estiver interessado, vai chegar na hora. 😉
Entre os quase 200 discos que pretendo levar para a Feira, há também este da Ely Camargo. Artista maravilhosa, que todos por aqui já devem conhecer através dos vários discos que andei postando. Quem ainda não teve a oportunidade de ouvir este volume 3, eu recomendo. É tão bom quanto todos os outros da série. Este “Canções da minha terra”, como podemos ver pelos títulos das faixas logo a baixo, não se limita à música de seu estado, Goiás. O ‘minha terra’ aqui é o Brasil. E como uma genuína artista brasileira, ela conhece como poucos a música regional e folclórica, do Iapoque ao Chuí. Confiram aqui essas pérolas e gemas, já bem conhecida por todos nós, mas ainda mais belas através da interpretação de Ely Camargo.

lampião de gas
boi barroso
flor de são joão
upa upa (a canção do trolinho)
tristezas do jeca
noites gaúchas
viola cantadeira
casinha pequenina
pezinho
maringá
fiz a cama na varanda
quem sabe
santo rei
chuá chuá
azulão
pingo d’agua
o jangadeiro
guacyra
luares goianos

Rodrigo Valle – Inesquecível Futuro (1983)

Para a nossa sexta feira independente, hoje vamos com mais um disco do mistérioso Rodrigo Valle. Digo misterioso porque mesmo sendo mineiro e estando a algumas poucas montanhas daqui, eu quase nada sei dele. Assim como na rede, também, sem nenhuma informação. Eis uma coisa que eu não consigo entender. Afinal o cara fez não foi apenas um ‘disquinho’ e mesmo que fosse, está bem acima da média, principalmente do que foi feito naquela década. Por onde anda Rodrigo Valle? Foi essa a pergunta que fiz desde que postei o seu primeiro disco, em setembro de 2007. Até hoje ninguém se manifestou oferecendo mais informações. Seja como for, com o pouco que temos, já dá para começar.
“Inesquecível Futuro” é um disco tão bom ou melhor que o primeiro. Uma fusão progressiva que o coloca na classe dos discos inclassificáveis. Seria rock, jazz, new age, mpb, mpm… tpm? Não sei… O que sei é que temos um trabalho de qualidade, com a participação de alguns dos melhores músicos mineiros como Nivaldo Ornellas, Nenem, Ivan Correa, Augusto Rennó, Laércio Vilar, entre outros. O disco é essencialmente instrumental. A música que eu faço questão de destacar é “Frequência Modulada”, além de ser um jazz a la Clube da Esquina, manifesta o verdadeiro e tradicional sentimento futebolístico mineiro. É Galoooo!

rocky
astral chart
nosso amor
fequência modulada
yod
dança dos gnomos
inesquecível futuro
mantra
afrodite
guerreiro cósmico africano

Sábado Na Feira Do Vinil

Já ia me esquecendo… sábado é dia de Feira de Discos! Fim de ano tá chegando e eu precisando fazer um dinheirinho, hehehe… Acho que vou levar alguns discos também para vender por lá. O foda é que eu sempre acabo comprando mais do que vendendo. Já começei a separar as minhas raridades para levar. Tô descendo da estante algumas coisas do acervo do Toque Musical e olha que já tem nego me ligando atrás de disco. Calma moçada! Tem para todos… Apareçam por lá e confiram as ofertas 😉

Irio De Paula – Jazz A Confronto (1974)

Eu havia dito que esta semana seria bem variada como uma colcha de retalhos, mas acabei ficando na música instrumental e jazz. Acontece que nesses dias eu estou em trânsito, pequenas viagens. Daí, acabei não tendo como cumprir o prometido. Mas, acredito eu, que as postagens estão de bom tamanho (e o ‘ibope’ também). Talvez, mais que vocês, eu estou me divertindo muito e aproveitando o momento para curtir também esses discos bacanas. Estou com a série toda da “Jazz A Confronto” em meu Ipod. São discos ótimos e no ‘cast’ do selo tem alguns músicos brasileiros que muitos poucos brasileiros ouviram falar. Além do Afonso Vieira que eu já postei, tem também o percussionista Mandrake (Ivanir do Nascimento) e o guitarrista Irio de Paula. A série criada pelo produtor Aldo Sinesio nos anos 70 teve 35 volumes, ou seja, 35 discos de um variado grupo de músicos jazzístas europeus, americanos e brasileiros. A ‘química’ do sucesso da “Jazz A Confronto” é justamente o entrosamento entre os músicos, criado pelo produtor. Os músicos tocam nos discos uns dos outros, surgindo assim parcerias inéditas e resultados surpreendentes. O disco que deu origem a série foi este álbum produzido inicialmente com o título de “Balanço” e lançado em 1972. Nele tocam Irio de Paula, Afonso Vieira, Ivanir do Nascimento (o Mandrake) e o baixista italiano Giorgio Rosciglione. Na contracapa, apresentado os artistas, temos um texto do maestro Enrico Simonetti, bem conhecido por todos nós aqui no Brasil através de seus discos e trabalhos pelo selo RGE. A capa que vemos acima já é a da série JAC, de 1974.
Antes de chegarem ao Simonetti, deixa eu clarear um pouco mais… Irio de Paula é um renomado guitarrista de jazz europeu. Já tocou com inúmeros e não menos famosos músicos de várias partes do mundo. Tem em seu currículo discográfico mais de 60 trabalhos. Nos anos 70 esteve na Europa acompanhado a cantora Elza Soares e por lá ficou, estabelecendo residência na Italia. O Afonso Vieira eu já citei no disco anterior da JAC, é outro na mesma linha. Quanto ao Ivanir do Nascimento, mais conhecido por Mandrake (apelido este adquirido por sua semelhança com o personagem da estória em quadrinhos, quando ainda usava um bigodinho), se estabeleceu na Europa no final dos anos 50. Gravou poucos discos autorais, mas participou de diversos projetos e álbuns de outros artistas, principalmente no Jazz e trilhas para cinema. Tanto Mandrake como Afonso Vieira estiveram na trilha criada pelo argentino Gato Barbieri para o polêmico filme de Bertolucci, “O Último Tango em Paris”. Outra curiosidade, Mandrake, falecido nos anos 80, era primo do nosso craque, o Rei Pelé. Confiram também este toque… 😉

mato grosso
astrud
nós quatro
sbrogue
saudade
não quero nem saber
já era
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Sonia Rosa – Golden Bossa Nova (1969)

A semana tem sido gratificante, em termos de música, aqui para nós. Hoje eu estou trazendo para vocês mais um disco garimpado, que não podia faltar no Toque Musical. Depois da dica de um de nossos visitantes sobre onde encontrar outros discos da série Reader’s Digest, fui parar no blog do “Mr. Snookles”, o Third Island. Caramba, super legal! Me lembrou a discoteca do tio de um amigo meu, lá por volta dos anos 70, cheio discos internacionais de orquestras e coisas de um gênero que só depois dos 40 fui dar valor (ups!). A gente paga língua, essa é uma grande verdade. Verdade também, que a medida em que vamos ‘crescendo’, vamos ficando mais seletivos e apurados. O foda é quando começamos a radicalizar, daí é melhor ‘pendurar as botas’ e vestir o pijama. Mas, longe disso e sem comparações, na terceira ilha há uma ‘fauna variada’, curiosa e das mais interessantes. De provedor, as vezes, também sou ‘provador’ e consumidor voraz de coisas curiosas e interessantes. Sonia Rosa é bem mais que isso e por alguns momentos nem me atinei quem seria essa cantora de voz (maravilhosamente) suave. Foi preciso ouvir o disco para a memória voltar. Me lembro que a primeira vez que ouvi Sonia Rosa foi através do Zeca e seu Loronix, no disco “A Bossa Rosa de Sonia“. Eu já conhecia o disco pela capa, mas até então nunca o tinha ouvido. Que beleza! Que voz gostosa de se ouvir. Voz de Bossa Nova.
Sonia Rosa, pelo que eu pesquisei, gravou seu primeiro disco em 1968 e logo em seguida mudou-se para o Japão. Em 69 ela gravou em um moderníssimo estúdio em Tokyo, da EMI, este disco ainda mais bacana. O fato curioso é que “Golden Bossa Nova” é um disco com capas diferentes, assim como o seu lançamento. O álbum que eu baixei no Third Island, me parece, foi uma edição original de 1969, lançado (ou apenas prensado e encapado) na Austrália. Em 1970 o álbum aparece com outra capa, através do selo japonês Express, também postado no Loronix (e eu nem vi…).
“Golden Bossa Nova” é um trabalho onde Sonia contou com a colaboração de renomados músicos de jazz japoneses, como o saxofonista Sadao Watanabe e seu quarteto, Shunichi Makaino, Kunihiko Suzuki, Koichi Uzaki e Akio Miyazawa. O repertório, sem dúvida, é cavado na Bossa Nova e talvez pela suavidade da voz de Sonia e algumas semelhanças ritmicas, melódicas e harmonicas, foram incluídos também alguns temas internacionais como sucessos de Burt Bacharach, que a cantora Dionne Warwick jurava ser o criador da Bossa Nova.
Apenas para finalizar, Sonia Rosa, embora longe do Brasil, continua ligadíssima no que rola por aqui. Ela gravou a pouco tempo atrás, “Depois de nosso tempo”, um disco com músicas de autores da nova safra brasileira, como Wilson Simoninha e Jair de Oliveira. Taí uma cantora que eu recomendo com todos os toques. 🙂 Não deixem de conferir…

the girl from ipanema
fly me to the moon
desafinado
the look of love
meditation
corcovado (quiet nights of quiet stars)
i’ll never fall in love again
the shadow of your smile
la chanson d’orphee
alfie
secret love
tristeza

Joe Carter With Nilson Matta – 2for2 (2000)

Olás! O dia hoje, por aqui, está cinzento. Não animei nem a botar o pé para fora de casa. O tempo está bom para ficar na cama, vendo algum filme na televisão. Ou melhor ainda, ouvindo uma boa música e de papo pro ar. Eu estou fazendo a minha parte 😉
Acabei de ouvir (e por mais uma vez) este disco bacana, de um dos nossos ilustres amigos (cultos) visitantes, o violonista americano Joe Carter. Ele gentilmente me enviou e autorizou a publicação do trabalho aqui no Toque Musical. O disco, em formato cd, foi lançado nos Estados Unidos em 2000. “2for2” é um cd em parceria com o baixista brasileiro Nilson Matta, radicado nos “States” desde a década de 80. Um trabalho acústico, somente contrabaixo e violão. No repertório eles trazem, além de músicas próprias, coisas de Noel Rosa, Baden Powell e Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Dolores Duran, Carlos Lyra e Maurício Einhorn. Joe Carter é um músico de formação jazzística. É professor de violão e também escreve sobre o assunto. Tornou-se ainda mais apaixonado pela música brasileira depois de ter vindo ao país na década de 80. Nilson Matta é também um músico fera, com larga experiência profissional, já tocou com muita figurinha carimbada da música instrumental e jazz, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Ele integra o renomado Trio da Paz, formado também por Romero Lubano e Duduka Fonseca.
Não sei se por brincadeira ou mesmo pela humildade, ao me enviar o disco o Joe disse, que ter o seu trabalho no Toque Musical o faria famoso. Hehehe… A minha recíproca, talvez seja mais verdadeira. 🙂

feitio de oração
papa’s baião
luciana
olinda
lígia
influência do jazz
berimbau
feitiço da vila
nascente
do you remember that picture, chicção?
estrada do sol

Luis Agudo & Afonso Vieira – Jazz A Confronto 33 (1976)

Olá, amigos cultos e ocultos! Estamos para iniciar um novo Governo em nosso país. Independente da divergências políticas, desejo a todos nós brasileiros muita sorte. Escolher entre esses dois candidatos o que melhor poderia representar o Brasil não foi fácil. Agora é esperar…
Abrindo uma nova semana de postagens, eu desta vez vou fazer um mexidão para agradar tucanos, estrelas e indecisos. Vamos ver se a gente consegue fazer uma bela colcha de retalhos.
Eu ontem, procurando na rede por discos do genial compositor italiano, Piero Umiliani, acabei descobrindo um blog de jazz super bacana. Trata-se do Jazz A Confronto, um espaço dedicado aos famosos discos do selo italiano HORO Records. Este selo surgiu no início dos anos 70 através do cineasta e produtor Aldo Sinesio, um apaixonado por jazz. A série “Jazz A Confronto”, pelo que eu li no blog, teve 35 títulos, realizados de 1972 a 76. Uma boa média em apenas cinco anos.
Há tempos atrás eu tive um disco deste selo, mas nunca encontrei outros da série. São importados e hoje em dia muito mais raros. Felizmente, meio sem querer, acabei descobrindo a fonte e como dizem por aí, estou que nem pinto no lixo, baixando tudo antes que o seu autor mude de ideia. Entre os diversos álbuns há alguns que levam uma pitada brasileira. Músicos de alto nível que saíram do Brasil para tentar a sorte na Europa. Artistas que por aqui a gente nem lembrava mais. Mas vamos recordar… Pretendo ainda nesta semana postar um do Irio de Paula (lembram dele?).
Para começar, vai aqui um disco que eu fiquei de cara. A sensação foi a mesma de quando eu ouvi pela primeira vez “Krishnanda” do Pedro (Sorongo) Santos. Um ‘disbunde sonoro’ que me encantou e com certeza vai encantar vocês também. Me fez lembrar outro, os primeiros tempos do Naná gravando pela ECM. O disco em questão é de uma dupla percurssiva. Luis Agudo é um percussionista argentino, bastante familiarizado com os ritmos brasileiros. Ele aqui faz parceria com o mineirinho lá de Cataguases, o baterista Afonso Vieira (lembram dele também?). Este, começou a carreira sendo ‘apadrinhando’ pela cantora Sylvia Telles. Trabalhou com os mais diversos artistas da música mundial. Tem um currículo de dar inveja. É um artista brasileiro respeitadíssimo lá fora. Vocês precisam conferir… 😉

jorge do pandeiro
sumaré
coacatu
bachicha
floresta
agueira

Balona e Seu Conjunto – Garota de Ipanema (1967)

Hoje eu acordei na maior indecisão… Ou isto ou aquilo?
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Salve Cecília Meireles! Só você mesma para adoçar a minha indecisão.
Pronto! Tá feito, tá escolhido… hoje vamos de Bossa Nova 😉 (ou vocês estavam esperando outra coisa?) Ah, é… também fui lá votar. Espero ter feito uma escolha tão boa quanto a do disco de hoje. A verdade é que não importa se estávamos predispostos ou não a ouvir um determinado estilo musical. O que conta mesmo é que ao tocar ele agrade a todos nós. Por isso, relaxem… agora é ‘jazz’, é bossa, é a escolha da maioria…
Temos então para hoje um dos discos que ficou para a final da mostra Paladium. De tanto zelo e preparativos para apresentar essa jóia, acabei sem achar um dia especial para postá-lo. Vamos assim com este disco raríssimo do músico mineiro, Célio Balona. Ao contrário dos outros três álbuns do instrumentista postados aqui, este é o único o qual podemos chamar de um legítimo bossa nova. Mesmo assim, nunca o vi postado no Loronix ou qualquer outro blog. Quem não conhece, não sabe o que estava perdendo. “Garota de Ipanema” foi um dos melhores e mais autênticos álbuns lançados pelo selo mineiro. Quem pensa que a Paladium só fazia aqueles disquinhos maquiados, não ouviu tudo. Este é um trabalho bem elaborado, com um conjunto de primeira linha e liderado por um artista super profissional e talentoso. (Célio) Balona e Seu Conjunto nos apresenta 12 temas finos entre composições autorais e destaques como o samba “Aurora” de Roberto Roberti e Mário Lago, a belíssima “Céu e mar” de Johnny Alf ou “Duas contas” de Garoto. Virando o disco ainda temos, claro, a “Garora de Ipanema” e “Insensatez”, ambas de Tom e Vinícius. As demais faixas não deixam nada a desejar, se mantendo no mesmo nível de qualidade. Não tenho certeza, mas acho que Helvius Vilela e Nivaldo Ornelas também faziam parte do conjunto do Balona. Este álbum foi relançado em 1976, nessa época já pelo selo Bemol. Não deixem de conferir…
aurora
amor que vem
céu e mar
tema para dedé
duas contas
balonadas
meu balanço
tema para dois
vem menina
garota de ipanema
insensatez
balanço 67

Inezita Barroso – Danças Gaúchas (1955)

Olá, moçada culta e oculta! Pelo jeito, a turma lá do Sul anda visitando pouco o nosso blog. Não houve uma manifestação gaúcha durante a semana. Barbaridade, tchê! O jeito vai ser eu encerrar por aqui o meu chimarrão. Mas a gente ainda volta para um passeio nos Pampas 🙂
Para fechar com chave de ouro, deixei para hoje essa obra prima, uma raridade que poucos tem hoje a oportunidade de ouvir. Este lp foi o terceiro disco gravado no Brasil pelo selo Copacabana. Não sei se está incluído entre os 300 discos mais importantes da música popular brasiliera, mas se não estiver, merecia. A própria Inezita afirma ser esse seu melhor trabalho.
Embora um tanto quanto desgastado pelo tempo e bem arranhado, consegui dar uma boa melhorada no som. Temos pois, a grande cantora brasileira ao lado do Grupo Folclórico de Barbosa Lessa. Neste álbum eles interpretam da forma mais pura e tradicional as composições de Barbosa Lessa e seu parceiro de pesquisa Paixão Côrtes. Inezita viria a regravar todas essas músicas seis anos depois, acompanhada de orquestração, no álbum de 12 polegadas com o mesmo título. Falar de tradicionalismo gaúcho sem tocar no nome de Barbosa Lessa, chega a ser até um pecado.
Eu já comentei sobre ele logo nas primeiras postagens. Foi um personagem dos mais importantes para a cultura gaúcha. Reproduzo aqui um texto extraído do site do Governo do Rio Grande do Sul falando sobre ele:
Luiz Carlos Barbosa Lessa nasceu em 13 de dezembro de 1929 e faleceu em 11 de março de 2002. Destacou-se na música popular e na literatura. Entre suas músicas, sempre de cunho gauchesco, estão Negrinho do Pastoreio, Quero-Quero, Balseiros do Rio Uruguai, Levanta, Gaúcho!, Despedida, e as danças tradicionalistas em parceria com Paixão Côrtes. De sua obra literária com mais de 50 títulos, estão os romances República das Carretas e Os Guaxos (prêmio 1959 da Academia Brasileira de Letras), os contos e crônicas de Rodeio dos Ventos, o ensaio indigenista Era de Aré, a tese pioneira O sentido e o Valor do Tradicionalismo, o ensaio Nativismo, um fenômeno social gaúcho, Mão Gaúcha, introdução ao artesanato sul-rio-grandense, o álbum em quadrinhos O Continente do Rio Grande (com desenhos de Flávio Colin) e os didáticos Problemas brasileiros, uma perspectiva histórica, Rio Grande do Sul, pra zer em conhecê-lo, e Primeiras Noções de Teatro. Também há os dois volumes do Almanaque do Gaúcho. Foi fundador do primeiro CTG – Centro de Tradições Gaúchas, o “35”, em Porto Alegre. De 1950 a 1952, com o amigo Paixão Côrtes, realizou o levantamento das danças regionais e produziu a recriação de danças tradicionalistas. Dessa pesquisa, resultou o livro didático Manual de Danças Gaúchas e o disco Danças Gaúchas, na voz da cantora paulista Inezita Barroso. Barbosa foi, também, Secretário Estadual da Cultura e idealizou a Casa de Cultura Mário Quintana. Foi, também, Conselheiro Honorário do MTG – Movimento Tradicionalista Brasileiro.
Taí um disco pelo qual eu tenho certeza, vai levantar não só a gauchada 😉

levante – tirana do lenço
pezinho
quero mana
o anú
balaio
maçanico
chimarrita balão
meia canha serrana
rancheira de carrerinha