Nazareno & Pena Banca – Um Sorriso E Tudo Bem (1975)

Êta dominguinho puxado! Pensei que não chegaria a tempo para a nossa postagem do dia. Hoje eu trabalhei o equivalente a uma semana. Estou exausto, mas vamos lá…
Hoje o nosso encontro é com a dupla Nazareno e Pena Branca. Alguém se lembra, já ouviu falar…? Pois é, antes que passe pela cabeça de vocês a ideia de uma dupla sertaneja, vou logo dizendo que não tem nada a ver. Aliás, o Pena Branca aqui é outro. Eles estão mais para Antonio Carlos e Jocafi ou Tom e Dito. Surgiram como duo justamente numa época onde duplas como essas faziam muito sucesso. E para fazer sucesso como elas, tinham de ser realmente boa. Os dois eram oriundos do Quarteto Teorema. Durante os anos 70 trabalharam em dupla, lançado este álbum, “Um sorriso e tudo bem”. Acredito que tenham gravado outros discos. Nazareno Vieira, o compositor principal, iniciou a carreira ainda nos anos 50. Sempre fez parte de trios, quartetos e duplas. Muitas de suas músicas foram gravadas por nomes como Wilson Simonal, Originais do Samba, Elizeth Cardoso, Emílio Santiago e outros…
Quanto ao disco, posso dizer que é um bom trabalho, bem acima da média. Músicas boas, arranjos melhores ainda. Tem “Desencontro”, música de Chico Buarque de Hollanda e “Cansei de ser você”, um chorinho de Pixinguinha. E tem mais… confira aí que eu aqui já estou babando de sono. Boa noite! Zzz…..

igual a você
um sorriso e tudo bem
mentira de viver em paz
não me acorde para dizer adeus
minha caminhada
amiga
pão de cada dia
desencontro
chegamos pra vadiar
cansei de ser você
dia a dia
não se avexe
vai doer

Sérgio Sá – Voa Vida (1982)

Olá amigos cultos e ocultos! Nosso encontro hoje é com o cearense paulista Sérgio Sá, um artista que tem andado sumido, pelo menos para mim. Já faz um tempo que não escuto falar dele, mas sei que continua muito atuante, inclusive como escritor. Sérgio veio para São Paulo ainda na adolescência. Cego de nascença, enfrentou diversos obstáculos, comuns a uma pessoa com deficiência visual, mas como tantos se tornou um vitorioso. Construiu sua carreira como músico, se tornando intérprete, compositor e arranjador. Já tocou com os mais diversos artistas, figuras do quilate de Hermeto Pascoal, Gilberto Gil e até Stevie Wonder. Tem em seu currículo um respeitável leque de canções gravadas por, também, outros diversos artistas famosos. Começou a carreira profissional nos anos 60, aos 16 anos. No início da década de 70 ele passou a compor para temas de novelas. Se tornou Paul Bryan, um pseudo artista internacional que emplacou uns quatro temas entre os dez mais vendidos no ano de 1974. Entre essas, a famosa “Don’t say good by”, que fez parte da novela da Globo “Cavalo de Aço”. Trabalhou também fazendo arranjos e como instrumentista (tecladista) para discos de artistas como Roberto Carlos, Simone, Jane Duboc e outros mais… Em 1982 ele gravou pela RCA este disco, intitulado “Voa vida”. Um álbum onde praticamente quase todas as faixas são autorais. Os destaques vão para a belíssima instrumental “Decolagem”, “Amigo desconhecido” e “Eu me rendo”. Essa última se tornou também sucesso na interpretação de Fábio Jr. Confiram…

amigo desconhecido
repartir a vida
ciência e natureza
decolagem
represa
menino de la mancha
tod menino
índios, crianças e bêbados
eu me rendo
saudações ao fim do mundo

Claudio Popó – Vendedor De Vidas (S/Data)

Ufa! Finalmente um tempinho para o descanso e também para a postagem do dia, que até agora não havia saído. Hoje, dia do artista/disco independente estava com duas outras opções de postagem já prometidas, mas devido a uns pequenos detalhes ficarão para as próximas semanas. Quem saiu ganhando com isso foi o cantor e compositor maranhense Cláudio Popó. O “Vendedor de Almas” já estava no jeito, esperando sua vez. Só não postei este disco antes porque não encontrei informações disponiveis na rede. Continuo na mesma, mas desta vez vou inverter o jogo, publico para que alguém se manifeste. A única coisa que sei sobre Cláudio Popó é que ele é um artista maranhence radicado no Rio de Janeiro. Era, ou é, proprietário de uma casa noturna, onde por lá se apresenta. O que desperta o interesse em conhecer melhor este artista é por certo a qualidade de suas músicas. O álbum, um lançamento independente, reúne 10 composições próprias, com belíssimos arranjos e participação de um grupo de instrumentistas muito bons. Será que o Cláudio Popó já pendurou a chuteira? Largou a vida incerta de artista e foi ser empresário. Alguém confirma?
Independente de qualquer coisa, este é um disco que vale a pena ser ouvido. Confira aí…

30/08/51
bagaço verde
epílogo
te aguenta
frevo de aço
a renda
vendedor de vida
alimentação das almas
boca do mundo
olho d’agua

Pacífico Mascarenhas – Conjunto Sambacana – Sambacana (1964) Repost

Olá amigos cultos e ocultos! O meu tempo anda curto e a cabeça ligada em outras coisas. Por isso, acabei sem querer fazendo uma repostagem. Há quase dois anos atrás eu postei aqui este Sambacana, só que com a capa da versão lançada em 1969, pelo selo Imperial. Nem me toquei para o fato e só agora percebo isso. Seja como for, num ‘repeteco’ que vale a pena ouvir de novo, temos o Conjunto Sambacana, do precursor bossa nova mineira, Pacífico Mascarenhas. Este disco foi lançado em 1964 e como já foi dito, o primeiro da série Sambacana, de um total de seis lps. O trabalho contou com os arranjos de Roberto Menescal e Hugo Marota. Foi um disco aclamado pela crítica da época e é hoje um símbolo do movimento bossanovista nas Geraes. Se você ainda não tinha visto (e ouvido) o Sambacana por aí, não vai perder agora a oportunidade. Confira já!

pouco duração
amor e ilusão
aconteceu
olhos feiticeiros
olhando estrelas no céu
ônibus colegial
foi assim
se eu tivesse coragem
começou a brincadeira
assim foi o nosso amor
quanto tempo
bolo
mandrake
amor em quatro estações

Airto Featuring Flora Purim & Special Friends – The Essential… (1976)

Olás! Neste feriado de 21 de abril eu pensei em postar aqui um disco que tivesse algo a ver com a data. Pensei no Tiradentes, no Trancredo Neves, nos policiais civis e militares, na cidade de Brasília e nos metalúrgicos. Todos merecedores de considerações no dia de hoje. Tenho até discos relacionados aos mesmos, mas para não dizerem que eu estou aproveitando da situação, querendo me promover (promover em quê?), decidi me focar em um outro assunto. Ou melhor, resolvi dedicar esta postagem ao amigo Chris Rousseau que está de viagem marcada para a França. Ele vai, mas volta logo, com certeza. Nesse meio tempo irei apresentando a vocês alguns trabalhos dele, que irão entrando ao longo das nossas ‘sextas feiras independentes’. Estou ainda em processo de confecção das artes das capinhas (e dependendo da aprovação do artista). Tem muita coisa legal, vocês irão gostar 🙂
Segue assim este disco nota 10 do percussionista brasileiro radicado nos Estados Unidos, Airto Moreira. “The Essential…” é um álbum duplo (merecia ser triplo ou mais) que o instrumentista divide com a esposa e parceira Flora Purim e os convidados prá lá de especiais, Sivuca, Hermeto Pascoal e Ron Carter. Posso dizer sem certeza, mas com convicção, que este disco foi o melhor lançamento (no estilo) daquele ano. O álbum, felizmente, saiu no Brasil no ano seguinte através da Tapecar. Foi lançado em edição controlada pela gravadora americana Buddah Records. Quem tem o disco da edição nacional sabe disso. Os selos trazem um número de série das cópias produzidas, o que dá ao disco um carácter ainda mais raro. Musicalmente eu não me atrevo nem a comentar, visto que se trata de uma jóia de extrema qualidade e beleza. As músicas, quase todas, são do bruxo Hermeto que também é o responsável pela direção musical e arranjos. Um belíssimo trabalho, ‘but, made in USA’. Confiram já antes que jazz… 🙂

andei (i walked)
o sonho (moon dreams)
uri (wind)
papo furado (live talking)
juntos (we love)
o galho da roseira (the branches of the rose tree)
aluê
xibaba
terror
bebe
andei
mixing
the tunnel
frevo
liamba

Viva Voz (1979)

E aqui vamos nós entre tapas e beijos… Eu correndo contra o relógio, sem muito tempo para render assunto. Nossas postagens seguem em frente, porque o toque não pode parar.
Temos para hoje o grupo Viva Voz, um sexteto vocal dos mais interessantes surgido no final dos anos 70. Começaram muito bem com este lp, lançado em 1979 pela EMI Odeon. Um trabalho produzido por Maurício Tapajós, com participação de grandes instrumentistas e também dos padrinhos Ivan Lins, Joyce e Djavan. As músicas escolhidas são quase todas inéditas e de autores de peso como os já citados e mais Milton Nascimento com Ferreira Gullar (ou Drummond), Sergio Ricardo, Novelli, Villa Lobos e Paulo Cesar Pinheiro que também assina o texto da contracapa apresentando a moçada do grupo.
Realmente um disco muito bom, talvez o melhor dos que eles gravaram. Bem produzido, bem arranjado e já com a firmeza de um conjunto experiente. Muito bom, muito bem… Viva a voz!

tô aqui te esperando
o trenzinho caipira
a voz do brasil
canção amiga
lado do avesso
conquistador
desesperar jamais
tomara
sabor impune
tarja cravada
bela bela

Roberto Carlos – Curiosas Raridades Dos Primeiros Anos Do Rei (1966)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje, dia 19 de abril, o Rei Roberto Carlos está completando 69 anos de vida. Vamos todos aplaudir e desejar juntos felicidades e muitos anos de vida. Que o Roberto possa ainda nos surpreender com suas criações. Pessoalmente, venho esperando isso há mais de 35 anos! Parabéns Roberto Carlos!
Para comemorar a data, improvisei rapidamente esta postagem, reunindo algumas gravações curiosas. São trechos gravados em estúdio, mostrando um jovem Roberto Carlos ainda no processo de criação de alguns de seus maiores sucessos. Tem também trechos de uma apresentação do artista no Estádio do Guarani, em 1966. Propagandas e televisão. Aliás, todo esse material me parece ter sido dessa época e não exatamente dos primeiros anos como indica a capa. Essas gravações me foram enviadas já faz tempo, nem me lembro mais quem foi. Contudo, esse material não é nada inédito e já esteve circulando pela rede há tempos atrás. Eu apenas organizei. Está incluído também um disquinho de papel, propaganda promocional das canetas Sheaffer, onde temos a versão de sucesso, “O calhambeque”. Faço dessa forma a minha homenagem a um dos artistas mais popular da música brasileira de todos os tempos. Salve Roberto Carlos!

comentário sobre a carreira
só vou gostar de quem gosta de mim
querem acabar comigo
negro gato
o gênio
você vai perder seu bem
namorada de um amigo meu
a garota do baile
comentário do loucutor da rádio brasil
festa de arromba
quero que vá tudo pro inferno
homenagem do lyons club
o calhambeque
comercial da shell
anúncio do primeiro aniversário da jovem guarda
propaganda da calça calhambeque
encontro nacional da jovem guarda
lançamento da música ‘esquema’
‘medley’ com erasmo e wanderléa
‘medley’ com vários artistas
é preciso saber viver
o calhambeque
parei na contra mão e calhambeque
que toquen la mariachi
roberto carlos apresenta a jovem guarda (abertura do programa)
o calhambeque (versão do disco de papel)
PS.: No momento em que eu preparei e publiquei esta postagem, ainda não sabia do ocorrido, do falecimento de Lady Laura, a mãe de Roberto Carlos.

Tibor E Sua Orquestra – Ray-O-Vac Apresenta (s/data)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! A sexta-feira, já se tornou um dia propício para postagem de álbuns e artistas independentes, fora do eixo das grande gravadoras. Acredito, todos já sabem disso, mas é sempre bom lembrar e esclarecer aos novos visitantes. O disco de hoje, talvez não seja exatamente um álbum independente. Lançado como promoção das pilhas Ray-O-Vac, através de um obscuro selo PAT Records, este lp nos traz um encontro exclusivo com o maestro e arranjador Tibor Reisner e sua orquestra. Por certo, a maioria das pessoas não fazem ideia de quem foi este músico. Húngaro naturalizado brasileiro, o maestro Tibor viveu e atuou em Joinville – SC por muitos anos. Foi regente da extinta Orquestra Filarmônica-Lyra e diretor da Escola de Música Villa Lobos, ambas nessa cidade. Nos últimos anos de vida mudou-se para São Paulo, depois de ter amargado o desgosto de não conseguir criar em sua cidade uma Orquestra Sinfônica. Segundo informações, ele vivia sozinho em São Paulo. Já doente, foi resgatado por amigos e levado de volta a Joinville. Seu único parente era uma irmã que veio da Alemanha para cuidar dele. Levou-o de volta para a capital paulista para tratamentos. Faleceu aos 73 anos, em 1999. Deixou uma obra volumosa, inédita e inacaba.
Neste álbum promocional, encontramos o arranjador, regente e instrumentista a frente de uma pequena orquestra formada por músicos estudantes, possivelmente da sua Escola de Música Villa Lobos. O repertório, dividido em sete faixas em ‘pot pourri’, apresenta uma série mista com temas nacionais e internacionais. Há também uma faixa autoral, “watakashi to anata”. Um trabalho feito exclusivamente para o disco promocional das populares pilhas ‘amarelinhas’, agradando a todo tipo de público da época.

now and forever
mexican market day
the happy trumpeter
escândalo em família
michael (aleluia)
alguém na multidão
garota moderna
tristeza
on the street where you live
around the world in 80 days
hello dolly
watakashi to anata
michelle
emoção

Orquestra Do Sindicato Dos Musicos Profissionais Do Rio De Janeiro – Pérolas da Música Brasileira (1955)

Olá amigos cultos e ocultos! No ritmo das orquestras, temos para hoje (e rapidinho) um encontro de músicos que atuavam em diversas orquestras do Rio de Janeiro na década de 50. São instrumentistas das rádios Nacional, Mayrink Veiga e Tupi. Componentes das orquestras de Severino Araújo, Peruzzi, Carioca e outras. A ideia de reunir os instrumentistas associados ao Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro partiu do Maestro Gustavo de Carvalho, mais conhecido como Maestro Guaraná. Ele também é o responsável pela direção da orquestra e todos os arranjos. O disco, um lp de dez polegadas, tem uma seleção musical muito boa, como se pode ver logo a baixo. Os arranjos do Maestro Guaraná são arrojados, primando pela qualidade, bom gosto e uma singularidade que se destaca de outras versões orquestrais para as mesmas músicas. Posso parecer meio ingênuo, mas esses arranjos me lembram coisas de Villa Lobos e Antonio Carlos Jobim. O que não deixa de ser uma feliz comparação. Vale mesmo a pena ouvir este raro disquinho. Confiram já este toque….

despertar da montanha
carinhoso
linda flor
feitiço da vila
do sorriso da mulher nasceram as flores
bentevi atrevido
na baixa do sapateiro
tico tico no fubá

Orquestra Brasileira De Danças – Uma Orquestra Em Ritmo De Samba (1959)

Olá a todos! Pelo andar da carruagem, acho que nossa semana vai ser assim, ao ritmo das orquestras, seus regentes e instrumentistas. Tenho aqui uma lista de espera com algumas raridades que precisamos escutar. É incrível a quantidade de títulos musicais produzidos em vinil nas décadas de 50 e 60. Isso para não falar do antes e do depois. Além dos Estados Unidos, acredito que o Brasil foi um dos maiores produtores de discos. Tem coisa demais! E pensar que hoje em dia temos apenas uma fábrica de vinil que só trabalha por encomenda. Não é por acaso que a indústria fonografica foi pro saco. Não foi apenas culpa das novas mídias, da tecnologia digital ou da Intenet. Foi mesmo uma falta de visão, de gerência e de competência. Agora só nos resta lembranças que podem ser guardadas num IPod. Quem ainda quiser manter o ‘fetiche’ tem mais é que correr nos sebos, nas feiras de discos ou pagar caro através da rede. Putz! Nem sei porque eu começei esse assunto. Esse papo rende e eu não tenho tempo…
Aqui vai mais um disquinho inédito, “Uma Orquestra Em Ritmo de Samba”. Este álbum foi gravado nos final de 1959 para o selo Philips, um de seus primeiros minigrooves de 12 polegadas. A Orquestra Brasileira de Dança foi um nome adotado pela gravadora para reunir em disco alguns dos melhores instrumentistas da época. Cada faixa contempla um solista e a regência e direção musical é do Maestro Carlos Monteiro de Souza. No lp encontramos um repertório calcado no samba, mas tendo como base uma curiosa mistura que vai do clássico ao popular. Tem Beethoven, Chopin e Tchaikovsky, passando por “Stranger In Paradise”, um ‘standard’ da música americana e como recheio principal vem composições de Ary Barroso, Dolores Duran, Antonio Carlos Jobim e outros… Confiram já antes que jaz…

exaltação à bahia
terra seca
valsa das flores
stranger in paradise
maria
este seu olhar
apenas um coração solitário
folhas mortas
a noite do meu bem
manhã de carnaval
noturno em mi bemol
sonata ao luar

Renato De Oliveira E Sua Orquestra – Este É O LP (1960)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Não sei se vale a pena deixar um recado aqui para os desatentos, mesmo assim, vou repetir: os links válidos (ativos) são sempre os mais recente. Parece uma coisa muito óbvia, mas para algumas pessoas ainda é difícil entender como funciona o Toque Musical. Acredito até que alguns visitantes entram, não encontram o link e simplesmente vão embora. Uma pena (pra eles), prova que não estavam mesmo interessados.
Hoje, nossa postagem não é apenas um toque promocional. Quem viu essa imagem em uma edição anterior pode estar achando que eu continuo batendo na mesma tecla. Sou mesmo repetitivo, redundante e todo errado (seria mais chato se fosse todo certinho). Mas o que temos aqui, dessa vez, é o álbum de verdade. Estamos falando do maestro Renato de Oliveira e sua orquestra. Este disco pode até não ser, musicalmente, um destaque especial, porém essa capa traz algo de novo, um conceito de arte gráfica diferente para a época. Coisa que só viríamos com mais frequência nos anos 70. Pessoalmente acho essa capa um ‘sarro’ (putz! quanto tempo não uso essa gíria, será que vão entender?)
Renato de Oliveira foi um maestro, regente e arranjador muito atuante nos anos 50, 60 e 70. Trabalhou com os mais diversos artistas da música brasileira. Por ser um músico de estúdio, quase sempre esteve por trás das cortinas. Não me lembro de nenhum outro disco, especificamente dele, além deste álbum que agora eu tenho o prazer de apresentar a vocês. O repertório é composto de temas nacionais e internacionais muito em voga no final dos anos 50. São boleros, sambas, mambo e cha cha cha. Há também uma composição própria, “Sombras”, um bolerinho bem original. A qualidade do som está um pouco precária, aliás o disco é que estava. Fiz o pude na digitalização em 15 minutos, mas se alguém tiver mais tempo e condições tem como melhorar.

marina
e daí?
sott’er cielo de roma
catalania
me dá um dinheiro aí
fim de caso
o vagabundo
fechei a porta
chinchilla
rebel rouser
onde estava eu
sombras

Djalma Ferreira Com Orgão E Orquestra – Baile De Formatura (1963)

Olás! Depois de um sarau de poesias, vamos seguindo com outras curiosidades e raridades fonográficas. Daqui até o fim do mês não vou prometer nada, nem para mim mesmo. Estou com outras atividades importantes que irão me tomar todo o tempo e atenção. Não sei nem se vou conseguir manter o ritmo diário das publicações. Talvez eu apele para uma simples postagem a seco, na lata, como fazem a maior parte dos outros blogs. Peço a todos que tenham paciência quanto aos links vencidos. Depois que passar essa onda a gente volta a normalidade.
Para começar a semana, vamos com o Djalma Ferreira e seu “Baile de Formatura”. Este álbum é mais um dos diversos feitos pelo artista, através de seu selo Drink. Drink aliás, era também o nome de sua boate, que funcionou de 1954 a 1960. Por lá passaram diversos nomes, como Miltinho, Ed Lincoln, Silvio Cesar e Helena de Lima. Djalma, como Waldir Calmon, criou o seu próprio selo, lançando assim os seus discos e também os de artistas que se apresentavam em sua boate.
Em “Baile de Formatura”, um álbum de composições próprias e algumas parcerias, encontramos doze sambas ‘swingados’, maquiados ou com ‘gumex’ para um autêntico baile de formatura daqueles tempos. A orquestração fica por conta do Maestro Nelsinho. Disquinho bacana, podem conferir…

lamento
volta
samba no drink
fala amor
nosso samba
murmúrio
sambadin
recado
cheiro de saudade
foi a saudade
cansei
casa da loló

Paulo Autran – Melhores Momentos (1979)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando a todos mais uma colher de chá de poesia, eu deixo para a postagem de hoje outra boa opção, Paulo Autran em alguns de seus melhores momentos. Neste disco ele recita Casimiro de Abreu, Castro Alves, Carlos Drummond, Vinicius de Moraes, Millor Fernandes, Mario Quintana, Sergio Porto, Luiz Fernando Veríssimo e Chico Buarque. Puxa, quanta gente boa! Não dá outra, sucesso total. Ótima a interpretação de Paulo, que incorpora como poucos os personagens de tantas histórias e autores. Confiram…

ela – luiz fernando veríssimo
televisão – chico buarque
poesia matemática – millôr fernandes
sonho impossível – chico buarque
‘discurso de marco antonio’ de júlio cesar – millôr fernandes
a valsa – casimiro de abreu
poema de gare de astapovo – mario quintana
poema enjoadinho – vinicius de moraes
divisão – sergo porto
debaixo da ponte – carlos drummond de andrade
final de ‘o navio negreiro’ – castro alves

Paulo Gracindo – Diz… (1975)

Ufa! Finalmente liberado! Cansado, esgotado, mas liberado. Hoje eu ralei demais. Muito trabalho e pouco dinheiro. Mas tudo bem, eu não sou muito ambicioso. Sou como aquele poema do Nhô Bento, “Prá mim, qualquer coisinha dá” 🙂
E por falar em poesia e também em música, que tal este disquinho aqui? Tenho hoje para vocês um grande e saudoso ator, o ‘bem amado’ Paulo Gracindo, recriando em forma de prosa e verso algumas das letras mais belas e conhecidas canções da nossa música popular brasileira. Não me parece muito difícil interpretar de forma recitada uma canção, principalmente quanto ela já nos é familiar. Quando já a temos decorada no canto. Porém, sempre acho que fica uma coisa meio forçada, descontextualizada ou incompleta, sei lá… O certo é que o Paulo Gracindo consegue atenuar isso, mesmo sendo o fundo musical que o acompanha, a música da letra que ele recita. Ele as interpreta sem exageros, sem ser piegas. A propósito, diga-se de passagem, o tal fundo musical não é um mero floreio. São temas instrumentais muito bem arranjados pelo Maestro Gaya, agregando ao disco um lado musical significativo. Com certeza, quem não conhece vai gostar 😉 Confiram…

meiga presença
chão de estrelas
com açucar, com afeto
prá você
por causa desta cabocla
o mais que perfeito
viagem
estrada branca
valsinha
preciso aprender a ser só
maria
suas mãos

Elomar – Fantasia Leiga Para Um Rio Seco (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Pelo jeito, pelo ‘ibope’, a poesia em disco faz mesmo muito sucesso. Aqui no Toque Musical temos uma quantidade e variedade bastante significativa. Para aqueles que ainda não se aventuraram nas buscas, sugiro ir direto ao índice lateral, procure por ‘Poesia’. Certamente e na medida do possível, eu não deixarei de postar outros discos do gênero. Contudo, vamos em doses homeopáticas, pois mesmo que eu quizesse, não tenho disponível tantos discos assim. Conto também com os meus colaboradores.
Na dobradinha da semana e já chegando ao fim, vamos hoje com o Elomar. Obviamente, sendo hoje uma sexta-feira, teremos um disco independente. Assim sendo, escolhi “Fantasia leiga para um rio seco”, um álbum poético, de capa dupla, com direito a encarte, lançado em 1981 de forma independente pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. Conforme o próprio site do artista, este foi o primeiro registro sinfônico de uma de suas obras e executado pela Orquestra Sinfônica da Bahia, regida por Lindenbergue Cardoso. “Trata-se de um poema épico onde temos uma das passagens de ‘O menino’ em sua peregrinação centenal pelo mundo dos viventes, que se tem registro a partir do dias em que José, filho de Jacó, foi vendido por seus irmãos como escravo para o Egito.”
Este álbum, como tantos outros de Elomar, já está mais rodado na rede do que em um prato de um toca discos. Mesmo assim, vamos reforçar o caldo. O que é bom merece estar sempre presente, não é mesmo? 😉

1º canto: abertura – incelença pra terra que o sol matou
2º canto: tirana
3º canto: parcela
4º canto: contradança
5º canto: amarração

Catulo Da Paixão Cearence – Nhô Bento – Coleção Prasa & Poesia (1989)

Olá, meus amigos cultos e ocultos! Nada como as letras, a poesia e as boas composições musicais para fazerem desse espaço um lugar mais para cultos do que ocultos. Por outro lado, entendo que todos por aqui são cultos, independente de estarem ocultos. Seja erudito ou popular, uns falam, uns cantam, outros apenas gostam de ler ou escutar. Não importa, faz parte da natureza de cada um, seja ela inconsequente, inteligente, prepotente, inconsciente ou simplesmente inteligente. Xiii… Começou a rimar… Isso já está virando até poesia, hehehe… Desculpem, mas às vezes influencia, principalmente depois de ouvir Catulo da Paixão Cearence e Nhô Bento. Eis aqui uma oportunidade rara de ouvirmos dois poetas, os quais são mais lembrados pelos nomes do que propriamente pelo que produziram. Catulo talvez seja um artista mais divulgado, sua poesia abrange um universo de coisas que não fica apenas num regionalismo recortado. É brejeiro, é matuto, é nordestino e principalmente brasileiro. Catulo era também um compositor musical e teve excelentes parceiros como Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth e Francisco Braga. Talvez, por isso mesmo, pela música, sua imagem se mantenha ativa. Músicas como “Luar do Sertão” e “Flor Amorosa” se tornaram eternas e consequentemente eternizaram o seu autor. Nhô Bento, José Bento de Oliveira, é outra figura que não fica muito atrás. Um poeta popular, um tanto o quanto esquecido. Nasceu no litoral paulista no início do século XX. Mudou-se para a capital ainda jovem, tornando-se poeta de linguagem cabocla. Sua poesia reflete a figura do caipira. É ainda mais brejeiro, caboclo e matuto. Pelo que eu sei, ele escreveu apenas um livro, “Rosário de Capiá” em 1946, reunindo 58 de suas poesias (o prefácio era de Monteiro Lobato). Para nossa felicidade, temos neste lp o próprio Nhô Bento recitando alguns dos poemas desse livro. Ouvir o próprio autor declamando “Pra mim qualquer coisinha dá” é o máximo. Adoro esse poema caboclo. Já no caso de Catulo, temos no disco a presença do ator Lima Duarte, que como poucos, soube incorporar o espírito sertanejo de sua poesia. O fundo musical é também muito interessante e variado, com interpretações exclusivas de músicos como Oswaldo Sbarro, Muraro, Pedrinho Mattar, Geraldo Ribeiro, Paulinho Nogueira e outros mais.

Taí, mais um disco bacana da série “Prosa & Poesia” lançado no início da década de 60 pela RGE. Foram apenas quatro discos, mas que valeram sua reedição, ainda em vinil, no final dos anos 80 (os outros dois volumes também podem ser encontrados, em postagens anteriores, aqui no Toque Musical)
Catulo da Paixão Cearense:
o violão
a dor e a alegria
alucinação
saudade
o portão
chico beleza
o marrueiro
Nhô Bento:
santa cruz
ribeirãozinho
doce de cidra
pra mim qualquer coisinha dá
coração é uma criança

Chico Buarque – Os Grandes Sucessos De Chico Buarque Volume 2 (1970)

Rapidinho, rapidinho… Aqui vai mais um disco que eu não quero ver faltar aqui no Toque Musical. Trata-se, obviamente, de uma coletânea de Chico Buarque reunindo seus maiores sucessos pela RGE, ainda nos anos 60. São músicas que foram lançadas em diversos compactos e em seus primeiros discos pela gravadora. Pessoalmente, acho essa coletânea ótima e cai muito bem para a dobradinha da semana com a poesia, vocês não acham?
Desculpem, mas hoje o dia vai ser longo, e atarefado! Divirtam-se…

madalena foi pro mar
sem fantasia
tem mais samba
realejo
fica funeral de um lavrador
sonho de um carnaval
retrato em branco e preto
januária
até pensei
sabiá
tema para morte e vida severina

Felipe Wagner E Sérgio Cardoso – Castro Alves E Alvares De Azevedo (1989)

Diante ao sucesso que as postagens de disco de poesias fazem por aqui, penso que podemos dar sequência durante a semana numa dobradinha. Vamos alternando entre discos de música e de poesia, ok?

Hoje teremos outros grandes nomes da poesia brasileira, Alvares de Azevedo e Castro Alves, interpretados pelos atores Felipe Wagner e Sérgio Cardoso. Este lp é um relançamento e faz parte de uma série lançada pela RGE, dedicada à poesia, no início dos anos 60. Os dois poetas trazem em comum o fato terem vivido o período do Romantismo, um movimento cultural que se iniciou na Europa no final do século dezoito e se estendeu por mais de cinquenta anos. Alvares de Azevedo é tido como um poeta da segunda fase do romantismo, que se caracteriza por abordar temas obscuros como a morte e o sofrimento do individuo, a chamada fase do ‘mal do século’. Alvares de Azevedo era um poeta que exaltava a morte. Seria hoje uma espécie de ‘dark’. Já Castro Alves é o romântico da terceira fase, que compreende o poeta com uma visão mais ampla das coisas do mundo, mais voltado para as questões sociais, para o amor e o erotismo. Castro Alves é denominado o “poeta dos escravos”, sendo um dos mais expressivos representantes dessa geração.
No disco, de um lado, Felipe Wagner interpreta as poesias de Castro Alves. Do outro, vem Sérgio Cardoso com Alvares de Azevedo. Na contracapa encontramos um texto de Lygia Fagundes Telles, que com certeza é bem mais interessante e motivador que esta simples resenha. Confiram então o toque…
Castro Alves
o livro e a américa
o laço de fita
a hasverus e o gênio
mocidade e morte
o gondoleiro do amor
versos de uma viajante
último fantasma
queimada
vozes d’africa
Alvares de Azevedo
introdução
soneto
lembrança de morrer
meu sonho
soneto
desanimo
o lenço dela
por mim
morena
oh, não maldigam
soneto
a minha esteira
se eu morresse amanhã

Pericles Cavalcanti – Canções (1991)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Há muito tempo em venho querendo postar este disco aqui no Toque Musical. Na verdade, o que eu gostaria mesmo era de ter a honra de possuir em nossa lista alguma coisa do Péricles Cavalcanti. Taí um artista de quem eu sou fã de carteirinha desde a primeira vez que o ouvi. Péricles é um compositor genial. Suas músicas tem um encanto incomum, tanto na melodia quanto na letra. O cara é muito bom, podem acreditar! Estou falando assim como se Péricles fosse um desconhecido, o que não é verdade, porém e ainda hoje ele permanece um pouco oculto (e culto). Suas músicas são mais conhecidas nas vozes e interpretações de outros artistas como Gal Costa, Caetano Veloso ou Adriana Calcanhoto. Péricles é um músico de formação e influências multiplas como cabe a todo bom artista de sua geração. A filosofia, o tropicalismo, a poesia, o cinema e a convivência desde de muito cedo com figuras como Caetano, Gil, Mautner, Júlio Bressane, Susana Moares, Augusto de Campos e tantos outros, contribuiram para fazer dele um artista dos mais bacanas.
Embora já tivesse gravado um compacto, participado do disco “Copacabana mon amour” de Gil e também compondo e tocando a trilha para o musical da trupe “Asdrúbal trouxe o trombone”, só veio a gravar seu primeiro álbum solo em 1991. “Canções” foi seu disco de estréia. Um álbum totalmente autoral, onde ele retoma um pouco de tudo que já havia feito, expandindo seu talento para além da composição. Ele toca, canta e faz os arranjos. Em 1992 este álbum foi lançado na Alemanha e no Canadá. Isso rendeu a ele apresentações nos festivais de ‘Jazz de Hamburgo’ e no ‘World Music’ de Colônia. Com este disco ele recebeu o prêmio de melhor compositor de 1991 pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Para quem não o conhece, “Canções” é sem dúvida seu melhor ‘cartão de visitas’. Aliás, todo o seu trabalho é maravilhoso. Confiram aqui essa amostra…

dos prazeres das paixões
elegia
blues da passagem
tudo sobre eva
sonho proteína
nuvoleta
sem drama
meu bolero
ode primitiva
quem nasceu?
canto maneiro
farol da jamaica
música, por que?
eassimserá

Roberto Faissal – Sonetos De Olavo Bilac (1957)

Olá amigos cultos e ocultos! Inicialmente quero desejar a todos uma boa Páscoa. Mas não abusem do chocolate! Que seja um domingo feliz para todos. De renascimento e renovação. Vamos tentar…
Para este domingo especial eu decidi fazer uma postagem especial. Hoje o nosso toque vai ser para a poesia. Nada necessariamente alusivo à Páscoa, mas com o mesmo espírito, o poético. Estou trazendo um disco muito bacana com poesias de Olavo Bilac na interpretação de Roberto Faissal. Este trabalho foi lançado originalmente em 1957 pela Musidisc. No início dos anos 60 ele foi novamente editado pelo Stereo Hi-Fi Club, um selo dedicado à coleções, clássicos populares, poesia e orquestras. As vendas eram feitas apenas para associados com remessas através do correio. Estão reunidos neste disco alguns dos sonetos mais famosos de Bilac, entre eles “Via Láctea”, musicado por Belchior. A interpretação comovente de Roberto Faissal assemelha a uma oração, pricipalmente tendo ao fundo musical um orgão de capela. Confiram já esse Ovo de Páscoa!

tema
via láctea
maldição
benedicite
no cárcere
nel mezzo del camin…
virgens mortas
deixa que o olhar do mundo…
respostas na sombra
alvorada
do amor
in extremis
tercetos
beijo eterno
tema

Cauby Peixoto – Canção Que Inspirou Você (1962)

Aleluia! Salve, salve… Hoje eu estou meio na indecisão. Entre diversos títulos, fiquei na dúvida do que eu poderia postar neste sábado. Ainda na faxina da gaveta, vi que tenho muita coisa pronta esperando a sua vez. Com uma cara de Mr. Bean, o Cauby Peixoto me convenceu. Olha só a semelhança… Vamos então ouví-lo em seu álbum de 1962, “Canção que inspirou você”. Eis aí um lp bem interessante, onde o cantor nos brinda com um repertório cheio de destaques. Temos, por exemplo, sua interpretação para “Samba do Avião” de Tom Jobim. Pessoalmente, acho que a música não lhe caiu bem, virou um samba sem bossa. Por outros lados, ou em outras faixas, ele não deixa por menos. Em “Menino Triste” de Rildo Hora e Gracindo Jr, sua interpretação é impecável e por incrível que pareça, nessa tem bossa e ficou muito boa. Outra música interessante no disco (e que por acaso alguém já havia me pedido) é “Belo Horizonte, Poema de Amor”, de Edson Macedo. Uma prova de que não é de hoje que a capital dos mineiros é vista como uma das cidades onde existem as mulheres mais encantadoras do país (e eu confirmo!). No lp ainda encontramos músicas de Lupicíno Rodrigues, Maria Helena Toledo, da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorin, Ribamar e Lamartine Babo. Confiram aí o toque…

balada do trumpete
vida minha
samba do avião
quem foi?
fim
potpourri: sorri / lembrança / perfídia
belo horizonte, poema de amor
a vida continua
canção que inspirou você
menino triste
vou brigar com ela
poema de luz

Pedro Nascimento – Serenatas De Amor No Vale Do Mucury (1958)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje é uma sexta feira um pouco diferente, principalmente para cristãos. Eu havia pensado em postar algum disco cujo o tema tivesse a ver com a Semana Santa, mas infelizmente não tive tempo. Na verdade, nem me lembro se tenho algo relativo à data. Devo até ter, mas vai ficar para uma próxima ocasião. Como de costume, a sexta tem sido o dia do disco/artista independente. Daí, continuamos na mesma onda…
Muito eu já falei a respeito dos discos produzidos fora do esquema ‘gravadoras’. Daqueles que são criados de maneira independente, às custas do próprio artista ou entidades e grupos não convencionais. Como alguns acreditam, a ideia de se fazer um disco independente, não começou com o Antonio Adolfo em seu álbum “Feito em Casa”. Na verdade o dele é mais que isso, é artesanal. Como temos visto aqui, muito antes dele, outros artistas já articulavam produções fora do ‘esquemão’. Lembram do Mark Morawski? Pois é… e tem outros… Tem também o baiano mineiro Pedro Nascimento, um nome obscuro no cenário musical brasileiro, principalmente para os dias atuais. Não fosse o texto da contracapa, eu também estaria perdido sem informações, pois pela rede não encontraremos nada a seu respeito (e provavelmente nem em livros). Pedro Nascimento, conforme o texto, não era um desconhecido dos meios artístico. Foi amigo de Chico Alves, Augusto Calheiros, Mozart Bicalho, Catulo da Paixão e muitos outros com quem realizou inesquecíveis (?) noitadas de serestas. Ele nasceu na Bahia, mas viveu na cidade de Teófilo Otoni, Minas Gerais. Provavelmente, “Serenata de Amor” foi o único disco que gravou. Nascimento era um violeiro, no sentido daquele que toca viola e violão. Seu estilo é bem singular e segundo o mesmo texto, “totalmente revolucionário no tanger dos bordões”. O álbum, um lp de dez polegadas, lançado em 1958, traz oito músicas, sendo que apenas o tema natalino “Noite Feliz” não é de sua autoria. Para os amantes do violão e outras cordas, este pode ser um disco dos mais interessantes. Confiram a raridade exclusiva, que só mesmo o Toque Musical pode oferecer 😉

viva saudade
tire o dedo
oriental
phrinéa
gostoso
miragem
baile no reinaldinho (na fazenda do reinaldinho)
noite feliz

Vinicius de Moraes – Nossa Filha Gabriela (1972)

Olá amigos cultos e ocultos! O tempo anda curto, mas o Toque Musical não pode parar. Ainda limpando a gaveta, tenho outro disco que sempre ficou esperando oportunidade. Temos aqui mais uma das boas trilhas de novela feita pela dupla Toquinho e Vinícius. “Nossa Filha Gabriela” foi uma novela da extinta TV Tupi, dirigida por Carlos Zara e que foi ao ar em 1971. Foi a primeira vez que uma telenovela recebeu um tratamento musical como este, com uma trilha exclusiva, como no cinema. Depois dessa experiência a dupla viria a fazer mais sucesso em novas músicas destinadas à teledramaturgia, como “O Bem Amado” e “Fogo Sobre a Terra”. Este disco tem também como destaque Vinicius cantando. Acho que depois das experiências em diversos shows e no Circuito Universitário, o poeta resolveu soltar um pouco mais a voz.

sei lá… a vida tem sempre razão
amor e solidão
ele e ela
modinha 1
o céu e o meu chão
la casa (diálogo)
la casa
valsa para uma menininha
a rosa desfolhada
o pato
modinha 1 (toquinho)
o céu e o meu chão

Lana Bittencourt – Lana Em Musicalscope (1958)

Estou nesta semana fazendo uma faxina em meus arquivos, mais exatamente naqueles ‘de gaveta’. Havia uma série de discos que por razões diversas acabaram ficando meio de lado. E eu já nem me lembrava mais. Temos, por exemplo, este disco da cantora Lana Bittencourt que há tempos atrás eu só não postei porque já o tinha visto em outros blogs. Mas assim como eles aparecem, logo somem. Portanto, chega de reservas! Aqui vai o meu…
“Lana em Musicalscope” foi um dos principais discos lançados pela cantora e também um dos seus primeiros em formato lp de 12 polegadas. O álbum reúne além de gravações, até então inéditas, dois de seus grandes sucessos, lançados anteriormente, “Little darlin” e “Se alguém telefonar”. O repertório, como se pode ver logo a baixo, é variado e dos melhores. Ela canta em português, inglês e francês demonstrando um talento ao nível de qualquer grande cantora internacional. Um bom disco, podem conferir…

além
with all my heart
ciúme
la vie em samba
oho aha
alone (why must i be alone)
se alguém telefonar
summertime
graças a deus
himne à l’amour
conselho
little darlin’

Os Tradicionais – Gosto Que Me Enrosco (1969)

Olá amigos cultos e ocultos! Pelo que eu tenho visto, estamos com várias postagens e seus respectivos links vencidos. Naturalmente isso acontece ao longo do tempo para quem, como nós, não tem conta ‘Premium’. Com a ajuda dos meus amigos que já estão bem além, tenho atualizado apenas os links que me são solicitados. No momento tenho uma lista para mais de 100 que gradualmente vão sendo atualizados. Peço a todos um pouco de paciência. Para piorar a situação, minhas próximas semanas vão me manter ocupadíssimo. Nem sei como vou achar tempo para as postagens diárias. Mas vamos tentar…
Para começar a semana, eu estou trazendo um lp que há muito eu queria postar. Só não o fiz antes por não ter encontrado nenhuma informação a respeito do disco ou do grupo musical. Continuo sem ter essas informações, mas dessa vez ele entra na roda assim mesmo. Quem sabe alguém aparece comentando sobre ele, não é mesmo? De qualquer forma, temos aqui um trabalho bem interessante, lançado pela CBS em 1969, através do selo Uirapuru. Trata-se de um disco curioso, cujo o repertório é realmente dos mais tradicionais. Uma seleção musical instrumental reunindo samba, baião, chôro, toada e outros estilos. Músicas das mais conhecidas do público, como podemos ver a relação logo a baixo. O que cria um contraste, ou saí do tradicional são os arranjos e a inclusão de instrumentos elétricos como a guitarra a la The Pops. Aliás o disco tem mesmo a cara dos anos 60. Vale a pena uma conferida.

gosto que me enrosco
dorinha meu amor
fiz a cama na varanda
brejeiro
baião de dois
cabeçinha no ombro
asa branca
kalú
beijinho doce
cabeça inchada
paraquedista
andré de sapato novo

Augusto Calheiros – Patativa Do Norte (1970)

Olá amigos cultos e ocultos! Estamos meio em cima da hora, mas ainda em dia com a postagem. Desculpem, meu dia hoje foi intenso, só agora estou tendo um tempinho para o nosso diário musical. Vamos rapidinho, pois ainda tenho que me preparar para a semana, que vai ser boa pra cachorro, só osso!
Temos aqui mais uma coletânea da “Patativa do Norte, o grande Augusto Calheiros. Este disco foi lançado no auge do selo Imperial/Odeon. Reúne uma série de músicas gravadas pelo cantor em discos originalmente de 78 rpm. São canções bastante populares e com um sabor todo especial, na interpretação sigular de Augusto Calheiros. Um disco muito bonito, podem acreditar. Vão conferindo aí, porque hoje eu já estou esgotado.

revendo o passado
30 minutos
flor do mato
olhos de helena
seresta do norte
cantadô misterioso
chuá, chuá
como és linda sorrindo
belezas do sertão
adda
caboclo de raça
o pequeno tururu

Orquestra Namorados do Caribe – Sabor De Sucesso (1964)

Temos para hoje, mais uma vez, um trabalho do Maestro Carioca, arranjando e regendo a Orquestra Namorados do Caribe, uma versão RCA Victor para a Orquestra Românticos de Cuba, da Musidisc. Neste álbum a Orquestra nos apresenta um repertório quase todo de músicas italianas que faziam muito sucesso nos anos 60. Bem agradável, longue… Vai mais uma pedrinha de gelo aí? Apreciem com moderação 😉

la bamba
non ho l’etá
if i had a hammer
anamaria
esta noche
come sinfonia
free me
sapore di sale
io che amo solo te
se le conse stanno cosi
cio’ che rimare alla fine de un amore
roberta

Nivaldo Ornelas, Nelson Ayres, Márcio Montarroyos & Toninho Horta – Concerto Planeta Terra (1989)

Bom dia meus amigos cultos e ocultos! Como sempre, a gente nunca consegue agradar a todos. Seja na escolha dos álbuns apresentados, seja na escolha do provedor de links. Desta vez parece que alguns estão tendo problemas para baixar através do Mediafire. Eu acredito que isso esteja acontecendo devido a uma série de possibilidades, entre elas o fato de não termos uma conta ‘Premium’, a baixa qualidade de conexão em algumas regiões do Brasil e as interferências na rede devido ao aquecimento solar. A conta especial a gente pode até providenciar, mas melhorar a conexão da rede e criar uma consciência ecológica em todo o mundo ainda vai demorar.
Por falar em consciência ecológica, nosso encontro musical e independente desta sexta feira tem como tema justamente esta questão. Traz o encontro de quatro feras da música (instrumental) brasileira: Nelson Ayres, Nivaldo Ornelas, Márcio Montarroyos e Toninho Horta. Trago hoje para vocês o maravilhoso ‘Concerto Planeta Terra”. Um álbum duplo realizado pela IBM do Brasil e distribuído de maneira não comercial. O concerto aconteceu em São Paulo, no Parque Ibirapuera, em 1989. Foi um espetáculo grandioso, ao nível dos artistas principais, com direito a Orquestra Sinfônica (Jovem de Campinas) e os Corais da IBM de Sampa e Campinas. Participaram também, na cozinha de apoio aos ‘três mosqueteiros’, Zeca Assumpção no contrabaixo e Carlos Bala na bateria. Por aí já dá para se ter uma ideia da qualidade musical do show e do produto final que é este disco. Para completar, a direção musical do projeto foi toda de Toninho Horta. O álbum se divide igualmente para os quatro músicos e suas composições feitas especialmente para o projeto. Cada lado pertence a um artista que representa os quatro elementos: Ar – Nivaldo Ornelas, Água – Nelson Ayres, Fogo – Márcio Montarroyos e Terra – Toninho Horta. Confiram o toque…

nivaldo ornelas – ar
1º movimento: abertura
2º movimento: rock novo
3º movimento: variações sobre um tema dos Beatles
nelson ayres – água
márcio montarroyos – fogo
toninho horta – terra
1º movimento
2º movimento
3º movimento

Carioca Swings – The Delphin Jr. Orchestra Plays – Dance… Dance… Dance… (1965)

Quase que sem querer, acabei transformando as postagens da semana numa mostra de regentes e orquestradores. Hoje e mais uma vez, marcando presença no Toque Musical, temos o Maestro Carioca, figura importante na música brasileira, mas como outros antigos artistas, esquecida em meio a tanta mediocridade musical. Como no caso do André Penazzi, Maestro Carioca é um nome difícil de encontrar informações, pelo menos através da rede. Sites especializados, que se gabam de serem fomentadores da cultura e história na MPB, a cada nova consulta que faço, me faz perceber o quanto ainda são incompletos. Vamos então ajudar… Segundo a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, o Maestro Carioca foi um trombonista que integrou a geração de músicos que, na década de 40, traçou os caminhos da música popular orquestral brasileira. Chefe de orquestra, compositor, arranjador e instrumentista, nascido em Taubaté, SP, em 1910 (faleceu no Rio de Janeiro em 1991). Seu verdadeiro nome era Ivan Paulo da Silva. É de sua autoria o famoso prefixo do antigo noticiário radiofônico “Repórter Esso”. Durante três décadas ele esteve a frente de diversas orquestras, trabalhou no rádio e na televisão. Gravou dezenas de discos e participou e outros tantos numa diversidade musical que abrange diferentes estilos. No presente lp o maestro vem nos brindar, mais uma vez, como um grande ‘band leader’, à frente de sua orquestra, ele nos traz alguns dos mais famosos ‘standards’ da música americana. Disco muito bacana. Para mim, só faltou “Caravan” de Tizol. Confiram…

love is a many splendored thing
this can’t be love
blue moon
sentimental journey
all the way
love me or leave me
s’ wonderful
night an day
summertime
blues in the night
love letters
flamingo