Mário Lago – Retrato (1978)

Prezados, estou refazendo, excepcionalmente, uma de nossas últimas postagens que para meu espanto parece ter sido vítima de alguma ação misteriosa. Primeiro foi o link que ficou inativo, depois a postagem sumiu. Muito estranho… isso nunca havia acontecido antes. Se não fosse eu, num último instante, dar uma checada nos e-mails do Toque Musical, esta postagem ficaria para agosto. Mas devido a estranheza do fato, eu não poderia deixar passá-lo em branco. Fiquei com uma sensação de fragilidade e com uma dúvida na cabeça: quem, além de mim, teria acesso à minha conta no Rapidshare e no blog? Mistérios que eu pretendo descobrir… mas só daqui a 15 dias 🙂

Retomando… Eis aqui o Mário Lago, um artista merecedor de todo o nosso respeito e da nossa saudação. Poeta, compositor, ator, radialista, advogado e comunista! (será que foi por eu ter mencionado esse último ítem que tiraram minha postagem? hehehe…) Mas o Mário Lago foi muito mais que isso, um homem de sensibilidade, de muitos amigos e excelentes parceiros musicais.
Neste disco, que foi o primeiro gravado por ele, temos o artista interpretando alguns de seus clássicos, como “Nada além”, parceria com Custódio Mesquita; “Ai que saudades da Amélia” e “Atire a primeira pedra”, com Ataulfo Alves. Há também poesias e composições menos conhecidas e inéditas como a faixa “Deixa em paz”, uma parceria com Bide (Alcebíades Barcelos), composta no final dos anos 30. Confiram aí, antes que os censores tentem tirá-lo de novo 😉

ai que saudades da amélia
atire a primeira pedra
gilda
leva meu coração
não quero ser marisco
quem chegou já tá
nada além
dá-me tuas mãos
devolve
deixa em paz
não precisas bater
é tão gostoso seu moço
faz de conta
rosinha bonita
cantiguinha tristezíssima
no meio do mundo
poema: canção do não – tempo de lua

Orlando Silva – Enquanto Houver Saudade (1966)

Muito bem, meus prezados amigos cultos e ocultos, esta é a postagem de saideira. Pelo jeito, eu fui o último a pegar o trem. Parece que todos já saíram também para suas férias. Então, vamos descansar. No dia 31 eu prometo estar de volta, comemorando os dois anos de Toque Musical. Tragam os ‘comes e bebes’ que o som é por minha conta 😉

Encerrando, aqui vai um Orlando Silva para recordar. Me lembrei dele depois de ter postado o disco do Mário Lago. Neste álbum lançado em 1966 temos como titular, a valsa que dá nome ao disco, composição de Mário em parceria com Custódio Mesquita. O lp reúne também dois ‘pot-pourri’ de sambas, além de outros clássicos que marcaram época na voz do “cantor das multidões”. Taí um bom disco para se ouvir nesta quarta, quinta, sexta… ou até a minha volta 🙂
Um grande abraços à todos! Volto logo…
brasa
quero dizer-te adeus
abigail
enquanto houver saudade
potpourri de sambas:
a primeira vez
meu pranto ninguém vê
pela primeira vez
meu consolo é você
potpourri de sambas:
abre a janela
o homem sem mulher não vale nada
senhor me ajude
encontrei minha amada
eu chorarei amanhã
eu te amo
jornal de ontem
há sempre alguém
duas vidas

Lia Salgado E A Canção Brasileira (2009)

Bom dia! Finalmente chegou as minhas férias! Vou dar uma pausa de 15 dias e volto no final do mês para a gente comemorar os dois anos de Toque Musical. Teremos assim, mais três postagens nesta semana e ‘pé na estrada’!

Antes de fechar para o descanso, gostaria de deixar postado este disco recém-relançado da cantora lírica Lia Salgado. Ela já esteve presente em nosso toque musical à pouco mais de um ano atrás. Desta vez ela volta em grande estilo e em dose dupla no cd que reúne os álbuns “Interpretando Autores Brasileiros” de 1959, lançado pela Sinter (e postado aqui), juntamente com “Canção Brasileira” que saiu pela Chantecler nos aos 60. O relançamento dessas duas obras de Lia Salgado é de uma importância que vai muito além do próprio desejo de seus familiares em prestar-lhe uma homenagem. E eles, evidentemente, sabem disso, do valor artístico de uma grande intérprete. Ainda mais ao lado de Alceu Bocchino e Camargo Guarnieri, dois nomes de peso da música erudita brasileira, presentes não apenas nas músicas interpretadas, mas também (e principalmente) junto com a cantora, acompanhando-a ao piano. Vejam vocês a responsabilidade de Lia Salgado neste momento, gravando ao lado dos próprios autores. Mais que isso, a competência. Pois, poucos tiveram a oportunidade de estar em seu lugar, vivendo mais que um momento mágico, histórico! O presente álbum, em um delicado formato de livro, foi apresentado ao público a pouco mais de uma semana num lançamento acontecido no Museu Histórico Abílio Barreto, em Belo Horizonte. Este ‘mimo’ teve uma tiragem limitada e foi distribuído gratuitamente aos convidados e à diversos setores da cultura, além de bibliotecas e escolas. Sem dúvida, um ítem importante que enriquece nossos bancos de informação cultural.
Parabéns à família pela bela e necessária atitude, honrando não apenas à mãe e avó, mas também a um grande nome da música brasileira. Nós, os admiradores e amantes da boa música, só temos a agradecer. 🙂
Parte I
Ao piano: Alceu Bocchino e Camargo Guarnieri
amo-te muito
longe,bem longe
azulão
foi numa noite calmosa
quando uma flor desabrocha
canção das mães pretas
tayeras
aribu
segue-me
teus olhos verdes
vadeia caboclinho
Parte II
Ao piano: Alceu Bocchino
evocação
vida formosa
toada pra você
meu coração
cantiga de ninar
o doce nome de você
Ao piano: Camargo Guarnieri
pomba rola
viola quebrada
eu gosto de você
aceitei tua amizade
porque

Celio Balona – Imagens (1983)

Olá meus prezados amigos cultos e ocultos! Hoje eu me atrasei, mas ainda estamos em dia 😉 E o dia hoje está bom para a música instrumental de Célio Balona. Um artista que marca presença aqui pela terceira vez. Ao longo desse tempo vemos (e ouvimos) seus diversos momentos como instrumentista de primeira linha, escondido atrás das montanhas de Minas. Desta vez eu trago “Imagens”. Para mim, um de seus melhores discos, aquele pelo qual o artista será lembrado. Eu acredito que este trabalho só não ‘deslanchou’ por ter sido lançado de forma bem mineira, sem alardes. Só que no mundo da música, se não fizer barulho não chama atenção. O Balona nunca esteve muito preocupado com isso. Por certo, pelo seu talento, nunca lhe faltaram oportunidades, mas ele preferiu seguir pelas ‘Geraes’. Este álbum é algo que agrada de imediato. Música instrumental moderna de nível internacional, nada parecido com seus trabalhos anteriores. Um ‘fusion’ bem temperado com participações especiais de Ezequiel Lima, Mário Castelo, Nenen, Marcus Viana, Juarez Moreira e outros feras da música mineira. Discão!

imagens
cantiqua
choroso
grafitti
tropicana
estrelas e vagalumes
flor de verão
brasiliana

Biriba Boys (1969)

Olás! Hoje eu estou trazendo outro disquinho curioso, “Biriba Boys”, cujo o qual ainda não montei todas as peças de sua história. Eu bem que poderia me pontuar apenas no texto da contracapa, mas achei por bem correr atrás de mais alguns dados. Acabei complicando mais a situação. Ao procurar na rede informações sobre eles, me deparei com um dos pioneiros grupos jovens de música para bailes. Criado pelo maestro e pianista Sérgio Weiss no início dos anos 50, o Biriba Boys atuou durante os anos 50, 60 e início dos 70, quando ainda os bailes de clube eram a grande atração dos sábados e domingos. Foi o primeiro grupo a se apresentar de maneira informal, com roupas e estilo despojado. Faziam muito sucesso na época, principalmente em São Paulo e chegaram a percorrer vários clubes e festas particulares pelo Brasil. Pelo que eu pude entender, como conjunto para bailes, eles tocavam o que era sucesso e se reciclavam conforme às mudanças e estilos do momento. Ao longo do tempo eles passaram por mambos, chá-cha-chá, boleros, sambas, rock’n’roll… pela Bossa Nova e a Jovem Guarda. Chegaram a gravar discos de covers, mas em nenhuma das discografias encontradas aparece este álbum de 1969. Também não é citado em nenhum momento o nome de Sérgio Weiss. Taí a minha grande dúvida e confusão. Seria o mesmo Biriba Boys? Acredito que nesta época Sérgio já não estava mais fazendo parte do Biriba Boys, talvez envolvido com “Os Caçulas” ou o ‘Brasilia Modern Six”, dois outros grupos dele. Posso até estar enganado, mas tudo me leva a crer que foi assim.

Neste disco de 1969, temos um repertório variado, privilegiando temas internacionais e instrumentais. Mas também há espaço para a interpretação do ‘crooner’ e compositor Luiz Antonio – figura que mais tarde se destacaria na Europa, fazendo parte do grupo “Brasil Aquarius” (onde gravaram um disco na Espanha) e depois na França, em dupla com Rolando Farias, no irreverente “Les Etoiles”. Confiram aí e se puderem, complementem ou corrijam esta informação 😉
wade in the water
sentado a beira do caminho
together
sei lá
port mont (puerto mont)
border gate at tijuana
you showed me
knowing when to leave
e tuvoltarás num dia azul (il reviendrá le tres joli bateau)
romance de amor
petulia
prelúdio para um amor sem amor

Samba Rock – O Som Dos Blacks (1985)

Correndo contra o tempo, aqui vou eu rapidinho nesta sexta-feira, trazendo esta curiosa seleção musical denominada “Samba Rock – O Som dos Blacks”. Este ‘drops misto’ foi lançado pelo selo Copacabana (a Nova Copacabana) nos anos 80, correndo por fora no auge do ‘new wave’. Olhando assim de relance a gente vai logo pensando que vai encontrar a ‘soul music tupiniquim’, afinal, com um título tão sugestivo… Mas a Copacabana resolveu deixar a escolha musical por conta de um tal de Antonio Carlos (não me perguntequem é, pois eu nunca vi mais gordo). O cara até que não teve mal gosto, só que misturou pires de oliveira com pratinho de azeitona. Juntou rock, samba, reggae, funk, soul e ainda para completar o mexidão, deu uma pitada com hits internacionais. Ficou mesmo o trem mais estranho, que sinceramente não dá unidade ao disco. Porém, como 90% do lp tem artistas e músicas interessantes, vamos ingerir esta salada de frutas. Uma das grandes vantagens de coletâneas como esta é a de a vezes encontramos uma ou outra música que nunca chegou a lp. As vezes apenas em compactos e olhe lá… Confiram aí…

segura nêga – bebeto
rock around the clock – waldir calmon
chicken lickin’ – okie duke
crioulo glorificado – luis vagner
frutas e línguas – chico evangelista
be-bop-a-lula – lee jackson
hey amigo – o terço
everything you’ll ever need – swamp dogg
si manda (se manda) – jorge ben
mistre funk – miguel de deus
my pledge of love – joe jeffrey

Fabio Paes – Pensando Na Alegria (1984)

Bom dia! A semana passou depressa, eu quase nem percebi. Como já havia anunciado, a partir do dia 16 eu estarei de férias. Eu e o Toque Musical, que entra em recesso até o dia 30. No dia 31 estão todos convidados, no retorno, para comemorarmos juntos o terceiro ano do Toque Musical, completando nessa data 2 anos de atividades. Estranho falar assim, mas considerando que o blog iniciou em 2007, estamos no terceiro ano 🙂 Mas de existência e atividades ele está completando dois anos. Tô resistindo…

Vou fazer desta quinta-feira o Dia do Independente da semana, trazendo o poeta e compositor baiano Fábio Paes em seu primeiro lp, o “Pensando na alegria”. Fábio tem uma trajetória rica, iniciou sua carreira nos anos 70 em parceria com Raimundo Monte Santo, outro artista que não chegou a mostrar sua arte, vindo a falecer naquela mesma década. A partir dos anos 80 e com outros parceiros, Fábio retoma sua trilha, sempre ligada às raízes, cantando o sertão e os movimentos populares. Neste disco de estréia, muito bonito por sinal, temos canções feitas com parceiros ilustres que também participam do disco, como Elomar, Carlos Pita e Dércio Marques quem também dirigiu todo o trabalho. Vale a pena conferir esta raridade 😉
não tou só na natureza
batalha
arribação
pensando na alegria
boca fria / festa de moirão
forró de jaboatão (vinheta)
galope da manhã
canção da vida
truvejo
relampeio
forró de jaboatão
canto da serra

Raul Sampaio – Vai-se Um Amor E Vem Outro (1962)

Putz! Hoje quase que não sai… fiquei agarrado até agora. Vou então aproveitar a folga e mandar um de gaveta. Sem ficar escolhendo muito, fui logo puxando este disco do Raul Sampaio. Acho que foi uma boa opção, afinal é difícil ver e ouvir disco de artista por aí. Além do mais, parece que foi um pedido de alguém lá do meu inconsciente, me lembrando que segunda-feira passada foi aniversário dele. Completou 81 anos! Que bacana! Meus parabéns, Raul Sampaio!

Natural de Cachoeiro do Itapemirim, ele é mais um célebre cidadão da cidade capixaba. Conterrâneo de Roberto Carlos e tio de outro grande compositor, o Sérgio Sampaio. Iniciou a carreira nos anos 40 na dupla, que depois virou trio, Dois Valetes e Uma Dama, inspirado no famoso Trio de Ouro. Curiosamente, na segunda formação do trio de Herivelto Martins, Raul Sampaio seria um de seus integrantes juntamente com Lourdinha Bittencourt. Juntos, os três gravaram 30 discos de 78 rpm no período de 1952 a 64.
Este álbum foi lançado em 1962, trazendo entre outras o bolero “Vai-se um amor e vem outro” e o samba canção “Meu Cachoeiro”. Confira aí…
vai-se um amor e vem outro
transformação
a última tristeza
entre dois amores
noites cruéis
luz e sombra
deixa-me ficar
a procura de ti
estou perdido de amor
meu cachoeiro
ingratidão
falsidade

Trio Irakitan – Nossa Casa De Cha Cha Cha

Olá, meus prezados amigos cultos e ocultos. Sempre desnivelado e sem parâmetros, aqui estou eu desenterrando espíritos que encantam, surpreendem e também espantam. Tem gente que gosta, tem gente que não. Eu vou seguindo em frente… enfrentando crititicas e palavrões. Com já dizia o poeta Paulo César Pinheiro, “o importante é que a nossa emoção sobreviva”. A minha, eu garanto, está em ótima forma, obrigado!

Para hoje temos, mais uma vez, o excelente Trio Irakitan desfilando um repertório variado e bem conhecido de todos em ritmo de Cha-cha-cha. Mas afinal, (a pergunta que não quer se calar) o que é mesmo o Cha-cha-cha? Eu ainda tenho as minhas dúvidas :))) mas vou ficar apenas como sendo uma derivação dos ritmos cubanos que no início dos anos 60 estavam bombando por aqui (e pelo mundo, né?). E com não podia deixar de ser, um bom prato para um trio tão versátil quanto foi o Irakitan. Este disco é muito bacana, ótimo para uma festinha retrô e principalmente para relembrar e descontrair. Relaxa que encaixa 😉
neurastênico
dá nela
dama das camélias
de papo pro á
aurora
você
tem gato na tuba
chiquita bacana
china pau
a mulata é a tal
marina
coisa linda

Gastão Garcia – Sax Italiano (1964)

Bom dia! Começo a semana trazendo um álbum que poucos tiveram, talvez, a oportunidade de ouvir. Um disco raro, cuja as informações encontradas na rede se limitam apenas ao preço (120, no mínimo), fornecido por alguns sebos. Não há, definitivamente, qualquer outra informação, nem mesmo sobre o artista. O jeito será me pontuar pelas informações da própria capa. No verso encontramos um texto de apresentação deste artista. Gastão Garcia foi um saxofonista, possivelmente mineiro, que atuava na cidade de Governador Valadares. Tocava em boates e no Esporte Clube Ilusão, tradicional clube social da cidade. Gravou este que foi o seu primeiro disco no selo Polydor e pelo texto da contracapa seria uma promessa, um artista para desbundar no mercado fonográfico. Se aconteceu, ninguém sabe. Tudo se resume neste lp, cujo o qual nem data de lançamento consta. Eu suponho que “Sax Italiano” tenha sido lançado no início dos anos 60 ou final dos 50. O repertório, como tudo indica, é de músicas italianas. Uma seleção das premiadas no famoso Festival de San Remo, evento anual da música que acontece naquele país desde 1951. As qualidades musicais de Gastão Garcia são inegáveis. Ele toca seu saxofone com maestria e sem querer comparar, nos faz lembrar o grande Moacyr Silva. Confiram aí e se possível comentem e complementem esta postagem 🙂 Toda informação é sempre bem vinda 😉

al di la
piove
io sono il vento
viale d’autunno
addio… addio
amor, mon amour, my love
aprite le finestre
romantica
tnbo italiano
una per tutte
nel blu dipinto di blu
l’edera

Roberto Luna – Luna Canta Para Você (1959)

…E porque hoje é domingo, vamos de volta ao túnel do tempo. Desta vez trazendo o cantor Roberto Luna. Há algum tempo atrás um de nossos visitantes mencionou este artista, sugerindo uma postagem. Eis que finalmente chegou a vez.

Luna nasceu Valdemar Farias, em 1929 na Paraíba. Começou a carreira artística no no final dos anos 40 como ‘crooner‘ de orquestra, cantando em boates, clubes e em seguida no rádio. Gravou seu primeiro disco em 52 pelo selo Star, passando pela Copacabana e Odeon. Em 58 assinou com a RGE onde gravou várias bolachas de 78 rpm. “Luna canta para você” foi seu primeiro lp, lançado em 1959, reunindo entre outras, gravações dos discos anteriores pela RGE. Continuou gravando discos até o início dos anos 70, depois parou de vez, se dedicando apenas a apresentações. Contam que parte de sua discografia chegou a ser relançada em cd. Eu confesso que nunca vi nada além de coletâneas. Este álbum é talvez um de seus melhores discos. Tem um repertório fino que inclui por exemplo Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Dolores Duran. Confiram aí…
o relógio
serenata do adeus
tempo será
tuas cartas
por onde andarão os teus olhos
bom café
céu
soneto da felicidade
chovia
estrada branca
castigo
o céu perdoa

Grande Baile N.3 (196?)

Porque hoje é sábado… Sábado já foi dia de baile, hoje virou ‘balada’. Mas ainda temos os grandes bailes, festas para dançar a dois. O que se vê nos dias atuais como uma festa de bailado é o forró. Pelo menos esse ainda existe, graças à Deus! Ainda é possível dançar coladinho com seu par. Ô tempo bom aquele… e olha que nessa época não havia ainda a desculpa do celular no bolso. Tinha nego que dizia que era o pente. “Pente o quê! Aquilo era um escovão!”, dizia a parceira hehehe… Tempo bom, heim?

Pois é, foi me lembrando dessas coisas que eu acabei trazendo mais um volume do “Grande Baile”. O certo seria entrar agora com o volume 2, mas esse eu não tenho. Daí vamos com o terceiro que é tão bom quanto o primeiro. Estão reunidos também neste volume alguns do maiores grupos de baile dos anos 60. Como cabe aos grupos de baile um eclético repertório, aqui também temos uma boa variedade musical. Vale a pena conferir, pois esses nunca tiveram uma segunda chance. Raridade total!
st. louis blues – gold piston and his orchestra
la mer – orquestra romântica dicastro
c’est si bon – orquestra romântica dicastro
poema do adeus – conjunto bossa bessa
é luxo só – dudú e seu conjunto
bim bam bum – orquestra la cubanchera
caravan – orquestra romântica dicastro
it’s romantic – gold piston and his orchestra
te quiero dijiste – star boys
só danço samba – fred e richard
mister bossa nova – fred e richard
atire a primeira pedra – conjunto bossa bessa

Luiz Celso & Jorge Murad – Bens (1986)

Bom dia a todos! Antes que a semana acabe e para não dizer que não falei de flores, tenho aqui um mineirinho independente. Embora tenhamos ficado sem postagens na semana passada para os artistas independentes, não quer dizer que a idéia acabou. Continuamos trazendo aqui, antigos ou novos artistas que buscam outros caminhos para chegarem ao disco.

Desta vez temos a dupla Luiz Celso e Jorge Murad. Desses dois eu não sei muita coisa além do que temos no encarte do lp. São músicos mineiros, possivelmente da cidade de Itajubá. O disco foi produzido pelo Diretório Acadêmico da AFEI, com apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Foi gravado no Estúdio Bemol, sob os cuidados do Dirceu Cheib, no início de 1986. Luiz e Jorge conseguiram lançar este álbum, também graças ao projeto de construção do Centro Cultural de Itajubá. O dinheiro arrecadado com a venda deste disco seria o de juntar recursos para as obras desse espaço. Não sei dizer se o Centro Cultural chegou às vias de fato. O certo, e o que nos interessa mais, é que o disco é muito bom. Bem acima da média de muita coisa independente feita naquela época. Um álbum acústico, singelo e extremamente agradável. Letras e músicas bem compostas. Coisa bem de mineiro. Me faz lembrar entre outros o grupo Boca Livre, Burnier & Cartier ou ainda a dupla Alberto Rosenblit & Mário Adnet. Confiram…
bens
estrada de terra
ventos de maio
claro
de volta às galerias
amanheceu
velha estação
recado
canto forte
saudades de minas
bananíadas
mário

Jograis De São Paulo – Moderna Poesia Brasileira (1956)

Olá amigos cultos, ocultos e demais visitantes! Inicialmente eu gostaria de pedir as minhas desculpas pela infinidade de erros ortográficos que vez por outra eu cometo aqui no blog. Aliás, meus erros não ficam só nisso. Eu sei bem das minhas falhas e limitações, mas tenho procurado sempre corrigir, melhorar e me lapidar. Minha pretensão ao escrever textos que acompanham a publicação dos discos se fez pela própria necessidade que vejo de alguma informação paralela ou explicativa na postagem. Obviamente, para se fazer um trabalho dessa forma o ‘cabra’ tem que saber escrever. Eu sempre gostei mais de falar e diferente da escrita, a fala em sua informalidade é sempre cheia de erros. Este blog procura manter a informalidade de uma maneira de expressar muito pessoal. Ao passar da forma oral para a escrita, acabo trazendo os erros e vícios da minha fala. Isto não justifica erros bôbos como confundir “enfrente” com “em frente”. É mesmo uma falha, um mal hábito que só corrigimos depois de tomarmos na cabeça várias vezes. Mas como disse um de nossos frequentadores, “só erra quem faz”. A gente vai errando, fazendo e aprendendo…

E por falar em letras, palavras e frases, que tal um disco de poesias? Hoje eu tenho o prazer de trazer um disco que a cada dia ao ouví-lo me parece ainda mais bonito. Hoje temos aqui os Jograis de São Paulo, um grupo inspirado nas tradições dos jograis de poesia da Idade Média, idealizado pelo ator, diretor e autor, Ruy Affonso. Os Jograis de São Paulo estrearam em 1955, no Teatro de Arena, em São Paulo. O grupo, inicialmente foi formado por Rubens de Falco, Armando Bogus, Carlos Vergueiro e Ruy Affonso. Ao longo de quase três décadas de existência passaram pelo Jogral outros diversos atores como Carlos Zara, Felipe Wagner, Fulvio Stefanini, Raul Cortez, Ítalo Rossi e muitos mais. Não vou entrar em detalhes, esperando que vocês vistem o site dedicado ao Jogral de São Paulo. Nele vocês irão encontrar mais informações sobre o grupo e poderão ouvir ‘on line’, além deste disco que eu estou postando, outros trabalhos do grupo. Quem gosta de poesia não pode perder esse toque.

A bolachinha que temos aqui foi o disco de estréia, lançado em 56 pelo selo de Irineu Garcia, o excelente Festa. Nele temos a interpretação de alguns dos maiores nomes da moderna poesia brasileira. Um trabalho de fôlego e bastante inovador para a época. Adorável! Confiram…
carnaval carioca – mário de andrade
evocação do recife – manuel bandeira
catimbó – ascenso ferreira
poema – augusto frederico schimidt
josé – carlos drummond de andrade
o estrangeiro – guilherme de almeida
canção de alta noite – cecília meireles
jandira – murilo mendes
o dia da criação – vinicius de moraes
o alto – mário de andrade

Bolão – Forró Do Bolão (1979)

Olá! Estamos entrando hoje no mês em que o Toque Musical completa dois anos de existência. Ainda vou preparar o bolo, a festa e covidar mais alguns amigos cultos e ocultos. Aliás, como presente de aniversário eu estou dando ao blog 15 dias de férias. Isto que dizer que na segunda quinzena deste mês nós não teremos postagens. Elas voltam justamente no dia 31 de julho, data do início de nossas atividades.

E por falar em bolo, eu hoje estou postando um disco do Bolão. Taí, um lp raro, diferente e para variar, sem muitas informações. Mas afinal, quem é este Bolão? Na música brasileira eu conheço pelo menos uns três. Pesquisando rapidamente cheguei a uns cinco. De todos, acho que o mais provável é mesmo o Isidoro Longano, clarinetista, saxofonista e também flautista. Um instrumentista de bola cheia, que já tocou com os mais diversos artistas brasileiros. Seu sopro está presente também em outros tantos discos e normalmente aparece apenas como “Bolão”. Isidoro foi também um dos pioneiros do rock’n’roll tupiniquim. Iniciou sua carreira nos anos 40, integrando várias orquestras de bailes. Nos anos 50 e 60 enveredou para lado do rock, gravando o lp Bolão e Seus Rockettes – Viva a Brotolândia, disco este já postado no Toque Musical em janeiro de 2008. Também atuou com pseudônimos de Bob Longano e Edward Long e fez parte do grupo The Crazy Cats. Em 1976 ele tocou com o Made In Brazil no disco “Jack, O Estripador”. Foi também professor de muitos músicos e atuou como instrumentista de estúdio, sendo pau para toda obra. Um músico desse quilate não podia ficar só no rock, pelo menos no que diz ao seu trabalho multifacetado. Embora sem qualquer outra informação, posso afirmar que este disco é mesmo do Isidoro Longano. Um álbum basicamente pautado no instrumental, onde a referencia rítmica é o forró. Há inclusive a participação especial de Dominguinhos. Sem sombras de dúvida, um disco nota 10! Se vocês ainda não o viram rodando em outras fontes, chega mais, porque aqui é 320! 😉


forró do zé pirrita
discotheque no forró
forró do zé lagoa
forró do seu vavá
lá vai forró
até a guela
tenho sede
carta a mãeinha
fortaleza e ceará
não vou lá
não ligo isso
o bom tocador


Noel Rosa – Uma Rosa Para Noel – 50 Anos Depois (1987)

Bom dia Cultos e Ocultos, gente de todo o mundo! Sei que vocês não tem nada com isso, mas apenas para justificar. Meu tempo anda curtíssimo e com isso acabo sem ter como preparar devidamente as minhas postagens. Estou tendo que recorrer aos meus arquivos de gaveta e em alguns casos, percebo que os mesmos precisavam de uma revisão. Infelizmente e de imediato não poderei fazer muita coisa. Vida de blogueiro não é só ficar direto na frente de um computador. Peço a todos paciência. O mingau de vez enquanto é de araruta.

Para hoje então, temos este disquinho curioso, lançado pela gravadora Continental em 1987, celebrando o Poeta da Vila, no cinquentenário de sua morte. A curiosidade vai por conta do trabalho de mixagem que fundiu suas antigas gravações, realizadas entre 1931 e 33, com outra recente, seguinda a risco pelo maestro Edson José Alves, responsável pelos arranjos e reconstituição instrumental. O resultado desta fusão é bem interessante, muito embora, a diferença de som tenha gerado algumas distorções. Há momentos que o som do antigo distorce. Pensei que fosse um problema na minha digitalização, mas percebo que ela está no próprio disco. Como estou meio corrido, não terei tempo para os ajustes. Gostaria que vocês conferissem e me dessem um retorno. Tentarei mais tarde ripá-lo novamente, caso necessário.
positivismo
mentiras de mulher
coisas nossas
devo esquecer
vejo amanhecer
mulher indigesta
felicidade
gago apaixonado

Luiz Wanderley – Baiano Burro Nasce Morto (1959)

Bom dia gente do Brasil e do mundo! Começamos a semana muito bem, ainda impregnado com a cultura nordestina, estou trazendo hoje um disco que tem tudo a ver. Alguém aqui se lembra do Luiz Wanderley? Provavelmente poucos. Eu também já nem me lembrava desse ‘peça rara’, um cabra que fez sucesso nos anos 50 e 60. Cantor e compositor, Luiz Wanderley iniciou sua carreira nos aos 50 quando foi para o Rio de Janeiro. Ele era alfaiate. Começou como cantor de orquestra no bairro da Lapa. Depois foi para o rádio e daí então passou a fazer sucesso com seu gênero bem popular. Gravou diversos discos em 78 rotações. Seu maior sucesso como cantor foi “Baiano burro nasce morto”, composição do sambista baiano Gordurinha. Outro grande sucesso foi “Matuto transviado”, também conhecida como “Coronel Antonio Bento”, música feita em parceria com João do Vale e que veio a se tornar conhecida nacionalmente através de Tim Maia.

Neste álbum, que foi o seu primeiro lp, temos reunidas essas e outras gravações que ele fez durante os anos 50 em bolachas de 78 rpm. O lp, embora sem data e sem registro em sua discografia, foi lançado entre 59 e 60. Acredito também que ele chegou a ser relançado tempos depois, ainda em vinil. Trata-se de uma raridade que vale ser conferida.
baiano burro nasce morto
moça velha
que vontade de cumê goiaba
por onde deus passa
moisés da prestação
bode cheiroso
trabalhadores do brasil
matuto transviado
boi na cajarana
chora menino
rosário de amargura
cadeia da vila

Jackson Do Pandeiro – Nossas Raízes (1974)

Olá meus prezados amigos, cultos e ocultos. Mais uma vez, na tentativa de espantar a friagem, vamos forrozar. Começamos a semana com alguns discos para quadrilha e festas juninas, que por sinal continuam tendo uma boa saída, principalmente para aqueles que entendem que mesmo numa produção popular e comercial, também se extrai coisas boas. Acho que o texto das últimas postagens, comentando sobre os artifícios da CID, tiraram um pouco o tesão daqueles que olham a coisa só na superfície. Assim, sem fazermos uma mudança radical nos estilos e postagens, resolvi incluir um disco da Marinês e hoje um do Jackson do Pandeiro. Agora, alguns, já não vão mais torcer o nariz. Espero…

Taí então, para o nosso domingo especial, um disco do genial Jackson do Pandeiro. Este é mais um exclusivo que agora, num toque musical, resurge para a felicidade de todos. “Nossas Raízes” foi um lp lançado em 1974, pelo selo Alvorada. Nele temos o Rei do Ritmo acompanhado pelo Conjunto Borborema. Acredito que este disco nunca chegou a ser relançado. Apenas algumas músicas vieram mais tarde a fazer parte de coletâneas. Salvo o engano. Ficou apenas uma curiosidade que diz respeito à música “O bem amado” de Antonio Barros e José Gomes Filho. Esta foi feita de encomenda para o Odorico Paragussú, personagem principal da novela da Globo com o mesmo nome. Acontece que ela não faz parte da trilha original, que é de Toquinho e Vinicius. Fiquei sem entender… Seria mesmo uma encomenda que acabou não vngando? Alguém saberia me dizer? Quem quiser, pode comentar, não vai ficar mais caro 😉
sou invocado
vou de tutano
mundo de paz e amor
o que vai com a maré
coração bateu
forrobodó
o rei pelé
quero aprender
eu vim de longe
o samba e o pandeiro
minha zabelê
o bem amado

Marinês – Meu Carirí (1976)

Olás! Já que a festança está boa, vamos até o fim da semana neste ritmo. Ninguém reclamou, sigamos em frente que a fogueira está queimando…

Nos últimos dias tivemos aqui dois personagens, o Coroné Pereira e o Zeferino, inspirados num misto de caipira e nordestino, figuras comuns às tradições de festejos joaninos. As festas juninas estão presente em todo o Brasil, mas se concentram mais no sudeste e nordeste, onde as tradições são ainda mais fortes. E nessa de “fulando de tal e sua gente’, acabei me lembrando da Marinês e Sua Gente. Êta forró arretado de bão! Daí não de outra… Marinês na cabeça! Ou melhor, na postagem do dia. Ainda mais num sabadão como este. Tá na festa! 🙂
Marinês foi a primeira mulher a formar um grupo de forró. Recebeu merecidamente o título de “A Rainha do Xaxado”. Ao lado de Luiz Gonzaga ela hoje se tornou um mito da música nordestina. Era inclusive chamada de “Luiz Gonzaga de Saia”. Sua fase de maior sucesso foi nos anos 50 e 60, mas nas décadas seguintes ela continuou sempre muito ativa, principalmente no norte do país.
“Meu Carirí” foi um álbum lançado (supostamente) em 1976 pela CBS, através do selo Veleiro. Nele encontramos uma espécie de coletânea, reunindo entre novas gravações outras lançadas em discos anteriores pela mesma gravadora. Um disco bem no clima e no espírito das festas de São João, mas serve para qualquer outro momento. Vai um quentão aí?
meu carirí
nordeste valente
só pra machucar
matando na unha
explosão
desse jeito não dá pé
sou o estopim
nosso amor foi uma aposta
cerca velha
casa de marimbondo
e a sêca continua
vivendo e aprendendo
sem vergonheira
amor sem fim

Zeferino & Sua Gente – Isto É Que É São João (1976)

Bom dia! Para darmos por completa nossa missão junina/joanina, finalizo com mais um disquinho da CID/Itamaraty, na mesma linha do anterior. Aliás, verificando agora neste instante, percebo que quase a metade das músicas deste lp estão contidas no que foi postado ontem. Daí a prova inquestionável dos tais artifícios da CID para lançar seus álbuns datados e criar artistas fictícios. O nosso Zeferino (e Sua Gente) é mais uma invenção da lavra de Harry Zuckermann. E pela capa”Isto é que é São João” podemos ver que ele já é o oitavo volume. Mas conforme às ‘peripécias’ desta gravadora, este pequeno detalhe pode também ser desconsiderado. De verdadeiro e autêntico aqui só mesmo a música, a redentora de todos os males, inclusive das produções ‘capengas’ que visam apenas um bom negócio. Eu digo isso, mas no fundo até entendo a posição comercial da gravadora. Álbuns como este são criados com esta intenção, apenas para marcarem presença numa determinada data de celebração. Em geral, o público consumidor não está interessado na ficha técnica do trabalho e a própria gravadora não os classifica como lançamentos autorais por serem registros de acervo, cujos intérpretes são músicos/artistas contratados apenas para a execução, sem maiores ‘status’.

Segue assim o “Isto é que é São João”, reforçando, complementando e finalizando nossa trilha musical para quadrilha de 2009. Putz! Depois dessa, me deu uma vontade de tomar uma Coca-Cola, não sei porquê… 🙂
lá vem são joão
forró de carretel
quadrilha brasileira
olha pro céu
noites de junho
capelinha de melão
cai, cai balão
noites brasileiras
chegou a hora da fogueira
a roça é nossa
o sanfoneiro só tocava isso
anarié no arraiá
antonio, pedro e joão
pula fogueira
prece a santo antonio

Coroné Pereira E Sua Gente – Pula Fogueira – Quadrilha Marcada (1978)

Olás! Ainda no espírito das festas joaninas, tenho aqui mais um bom disquinho para animar a festança. Desta vez vamos com este lp do possível Coroné Pereira e Sua Gente. Digo possível porque nos discos da CID/Itamaraty as vezes se usava de artifícios como a criação de um nome artístico para compor trabalhos meramente comerciais. Discos temáticos, de celebração e populares eram um dos pontos fortes da gravadora de Harry Zuckermann. Suponho que o tal Coroné Pereira seja apenas um nome fictício, para dar uma certa identidade e intencionalidade à este trabalho. Embora fique claro o intuito comercial e oportunista deste disco, ele não deixa de ter seus encantos e dotes de qualidade através dos anônimos artistas/músicos e das músicas que nele aparecem.

Vai fazer uma festinha particular? Não deixe o Coroné Pereira faltar. É animação garantida!
quadrilha brasileira
capelinha de melão
cai, cai balão
noites brasileiras
o sanfoneiro só tocava isso
antonio, pedro e joão
pula a fogueira
chgou a hora da fogueira
a roça é nossa
é proibido cochilar
o xamego é da mulata
calango longo
sebastiana capim novo

Luiz Gonzaga – Quadrilhas E Marchinhas Juninas (1973)

Bom, já que entramos na quadrilha, vamos dançar! Desta vez trazendo uma autoridade no assunto e assuntos, o grande Lua. Temos para hoje este álbum do Luiz Gonzaga lançado pela RCA, originalmente em 1965 e que em 73 foi relançado com esta capinha. Um disco dedicado às tradições joaninas, aos festejos de São João e às noites estreladas.

Neste exato instante percebo que nosso disco está que nem bolacha (em qualquer blog se acha). Mas como sempre, no Toque Musical há um diferencial. Aqui vem completo e com direito a pé de moleque, quentão e milho cozido. Tá bom ou querem também dançar com a Rosinha? 😉

fim de festa
polca fogueteira
lascando cano
pagode russo
fogueira de são joão
olha pro céu
são joão na roça
fogo sem fuzil
quero chá
matuto de opinião
boi bumbá
o mair tocador
piriri

Alberto Calçada – Vamos Dançar A Quadrilha (1969)

Nesta semana, um de nossos visitantes me chamou a atenção para o fato de que estamos em junho e que faltava aqui uma postagem dedicada às festas juninas, que acontecem pelo Brasil a fora. A verdade é que eu realmente havia me esquecido, embora eu veja tantas festas e quadrilhas pipocando aqui para os meus lados. Até o meu filhote vai dançar quadrilha na escola e eu nem me toquei. Mas nunca é tarde para um forró. Aliás, cheguei mesmo numa boa hora e vou garantir nos próximos dias uma boa trilha para esta festa.

Inicio com este típico disco para dançar quadrilha. Um álbum perfeito, sem pausa, como manda o figurinho… Feito para dançar! Alberto Calçada, seu acordeon e conjunto dão o tom da festa. Acompanha aqui e no disco o esquema das danças para quem quer seguir a risco as tradições.
Como no texto da contracapa deste disco, eu também comungo da idéia de que não devemos dizer “Festas Juninas” e sim “Festas Joaninas”, pelo fato de que as celebrações existem em função do ciclo de São João, que embora seja no mês de junho, também se extende por julho. Além do mais, a expressão “Festa Joanina” é que é a tradicional. Vamos então manter as tradições, não é mesmo? 🙂

Deus Lhe Pague – TSO (1976)

Bom dia, meus prezados amigos cultos e ocultos! Vamos nós começando a semana, trazendo sempre uma rara novidade ou uma grata lembrança, para alegar nossas vidas.

Começo a semana com um disco que pouca gente conhece e só recentemente veio a ser relançado em cd na coleção que reuniu toda a discografica de Vinícius de Moraes, intitulada “Como dizia o poeta”. “Deus lhe pague” foi uma super produção cênica-musical produzida por Mário Prioli, sob a direção de Bibi Ferreira e tendo Walmor Chagas e Marília Pera na frente do elenco. O texto é uma adaptação da peça de Joracy Camargo e as músicas de Edú Lobo e Vinicius de Moraes. Este, sem dúvida, foi um musical ao qual a imprensa na época parece não ter dado muita bola. E o espetáculo acabou não merecendo a devida repercussão. Podemos dizer que chegou mesmo a ser um fracasso. Obviamente, não foi pela qualidade da obra e dos artistas envolvidos. “Deus lhe pague” é um clássico do nosso teatro e já foi levada ao público por diversos grupos cênicos. O certo é que esta versão ficou um pouco apagada e talvez por isso mesmo o álbum nunca antes tenha sido relançado. Com tudo, ou apesar de tudo, o disco é muito bacana e vale mesmo uma conferida 😉 Quem ainda não conhece, tá na mão…
eu agradeço
o que é que tem sentido nesta vida
samblues do dinheiro
lamento do joão
labirinto
tá difícil
um novo dia
além do tempo
decididamente
pobre de mim
joão não tem de quê
cara de pau

Grande Baile N.1 (196?)

Olás! Hoje estou entrando um pouco já no fim do dia, mas antes tarde do que faltar ao nosso encontro diário. Os domingos são imprevisíveis…

Seguindo o clima, resolvi de última hora postar este obscuro lp, intitulado “Grande Baile Nº1”. Comecei a ouvi-lo, daí achei que seria mesmo uma boa para fechar a semana. Temos então um disco ‘da hora’, com pouquíssimas informações, mas que desperta a curiosidade. Trata-se de uma coletânea de conjuntos e orquestras de bailes. Um disco extremamente interessante, instrumental e variado. Nele podemos encontrar alguns dos mais atuantes grupos de bailes dos anos 60 numa oportunidade que talvez tenha sido a única para muitos que nele tocaram e para nós, por termos um registro desta música. Fica claro que se trata de uma série. Este foi o volume número 1. Pelo que eu pude verificar na rede, não passaram de três volumes. A gravadora Discastro é um mistério. Existem outros títulos deste selo que parece ter sido criado para venda direta à domicílio, como era o caso da Imperial, Paladium entre outras…
Discos como estes são oportunidades raras que precisam ser ouvidos e relembrados. Confiram aí o toque final 😉
fascination – orquestra de paolo mezzaroma
love me forever – conjunto de fred e richard
os pobre de paris – rúben e conjunto
mocinho bonito – c. maffasoli e conjunto
carioquinha – robledo e conjunto
saudades da bahia – casé e conjunto
estúpido cupido – willy king e conjunto
yes sir, that’s my baby – rúben e conjunto
petite fleur – willy king e conjunto
per um bacio d’amore – william fray e conjunto
sabras que te quiero – conjunto de fred e richard
esperame nel cielo – conjunto de fred e richard

Walter Wanderley – Organ-ized (1966)

Olás! As vezes eu fico querendo postar aqui alguns discos que me são enviados por amigos e colaboradores. Hoje em dia, posso dizer que estou muito bem servido por pessoas interessadas em colaborar, enviando seus discos digitalizados e tudo mais. Contudo eu sempre, ao agradecer, aviso que a postagem não tem data marcada. Tudo depende do momento. Há casos em que eu prefiro não postar, pois vejo que o disco já foi mais do que apresentado. Porém, há outros que mesmo nessas condições, ainda assim eu faço questão de apresentar. Este é o caso do Walter Wanderley, um instrumentista singular, copiado por muitos, mas poucos conseguiram tirar um som tão gostoso de um orgão eletrônico como ele fez. A Bossa Nova foi seu grande diferencial e com ela ele ultrapassou limites, se tornando conhecido mundialmente. Esta é uma das grandes vantagens de ser um artista brasileiro talentoso e morar nos ‘States’. Além do reconhecimento merecido ele adquire uma maior visibilidade. A América ainda é a vitrine do mundo.

“Organ-ized” foi um dos muito álbuns lançados por Walter Wanderley lá fora. Aqui no Brasil nem todos chegaram às nossas lojas e consequentemente alguns ficaram restrito à um público reduzido. Este lp é um bom exemplo, que embora hoje em dia esteja em todas as ‘bocas’, continua sempre sendo um bom petisco. Se você ainda não o viu ou ouviu por aí, tem aqui a sua chance. Não preciso nem entrar em detalhes quanto ao repertório. Falou que é o Walter do teclado, estamos na escuta 😉 Esta é uma colaboração do amigo Tales. Confira aí…
samba de verão
batucada surgiu
vivo sonhando
mar, amar
você
reza
garota moderna
menina flor
opinião
deus brasileiro

Nelson Gonçalves – A Pedidos (1966)

Bom dia, meus caros amigos cultos, ocultos e correlatos (correlatos é ótimo). Aqui estamos nesta bela e fria manhã de sexta-feira trazendo um pouco mais de alegria e resgatando lembranças. Hoje eu estou atendendo a pedidos. Eu e o Nelson Gonçalves. Ao amigo Paulo Athaydes e a todos os boêmios e amantes da música do Nelson ‘Metralha’. Este disco, me parece, não foi um álbum de carreira e sim uma coletânea lançada pela RCA em 66. As músicas apresentadas nele fazem parte de outros álbuns já lançados pelo artista. Algumas faixas são coisas raras, difíceis de achar. Confiram o toque porque eu já estou indo… meu tempo é sempre curto 😉

camisola do dia
último desejo
dolores sierra
amigo
redoma de vidro
palpite infeliz
ne coberta de ouro
feitiço da vila
lençol de linho
apogeu
você é que pensa
silêncio de um minuto

Mark Morawski (1961)

Olás! Estou fazendo desta quinta-feira o Dia do Independente, trazendo para vocês uma curiosidade. Embora eu tenha usado inicialmente as sextas-feiras para postagem de trabalhos de artistas independentes, não ficamos condicionados ao dia certo e nem todas as semanas poderemos ter um artista assim. Tenho listado pelo menos uns dez, que pretendo ir agendando de acordo com o clima da semana. Peço aos artistas que tenha paciência, todos serão atendidos 🙂

Desta vez eu quero mostrar para vocês este mais que obscuro disquinho, o qual eu acredito ser o primeiro independente lançado no Brasil. É claro que eu não me refiro aos discos com tiragem comercial. Desses, até onde eu sei, o primeiro foi o do Antonio Adolfo, salvo o engano. Todavia, aqui temos esta bolacha de 78 rpm, sem data e sem maiores informações além do que vem impresso no selo. Temos o artista, um ilustre desconhecido chamado Mark Morawski em suas duas composições e acompanhado de orquestra. No selo podemos ler que se trata de uma gravação particular. O retrato recortado nos ilustra a tal figura, coisa típica dos antigos discos de 78 rpm, igual aos da gravadora Toda América, lembram? Como outros discos de 78 rpm, este também não tem data impressa. Nós poderíamos até considerá-lo como sendo um disco das décadas de 40 ou 50. Tem todas as características, inclusive musical. Mas o que me levou a datá-lo com um disco de 1961 foi o seu estado de conservação quase novo, o fato de ser uma gravação particular e principalmente pela anotação feita a caneta onde se consegue decifrar “agosto 1961” (ou seria 65?). Por via de dúvidas e até que me provem o contrário, fica como está.
Falando um pouco mais sobre o cantor, percebe-se logo pelo nome (que não deve ser o artístico) que ele é estrangeiro. Isso fica claro ao ouvirmos sua voz. Eu diria que se trata de um judeu. Fazendo um ‘pente fino’ na rede, eu não achei absolutamente nada sobre este nome. Nosso Mark Morawski é um verdadeiro mistério. Mas a curiosidade não fica só aqui. É preciso ouvir a bolacha para ver (não é atoa que o lema do Toque Musical é o de ouvir a música com outros olhos). De um lado temos “Amor de mãe”, um tango enaltecendo o amor verdadeiro com sendo apenas o de mãe. O mundo nessa época, para o autor, já estava perdido. A salvação é só o amor da mamãe. Este tango, para mim, é ‘sui generis’, nunca ouvi nada igual. Do outro lado temos “Zuleika”, um fox mais condizente com o tema romântico apresentado. Nem por isso menos curioso que o primeiro. Depois de ouví-lo umas duas ou três vezes não há como esquecer as melodias e mesmo sem querer balbuciar alguns de seus versinhos. Divertido… 🙂 Gostaria dos comentários de vocês.
amor de mãe
zuleika

Wilson Miranda – Relevo (1978)

Eis aqui um bom disco para a quarta feira. Wilson Miranda, vocês se lembram dele? Taí um nome que sumiu da praça. Quando se ouve falar neste artista, muitos irão pensar nos tempos da Jovem Guarda e mesmo antes quando ele era cantor de rock. Wilson começou a carreira como cantor de baladas, calipsos e versões de rock (twist). Naqueles tempos (início dos anos 60) só dava ele e o Carlos Gonzaga, outra figurinha marcante no cenário pré-jovem guarda. Wilson fez um relativo sucesso com versões como “Bata Baby”, “Twilight Time” e outras. Nos anos 60 foi também produtor musical e trabalhou em discos de muitos artistas, principalmente os da Jovem Guarda. A carreira de cantor romântico acabou ficando em segundo plano. Por outro lado, a medida em que o tempo passou ele foi refinando seu repertório. Até onde sei, “Relevo” foi seu último disco e com certeza o mais bem produzido. Lançado em 1978, este álbum parece ter sido feito com todo o cuidado. Um disco pensado, com autores e músicas muito bem selecionadas, como se pode conferir na relação a baixo. No álbum há as participações especiais de Ivan Lins, Adoniran Barbosa, Paulo Cesa Pinheiro, Maurício Tapajós e Eduardo Gudin. Por aí já dá para se ter uma ideia do que temos na bolacha. Confiram já este toque…

calçadas
bom dia tristeza
tomara
derradeiro porto
morro velho
por que será?
beijo partido
correnteza
aparecida
a velha casa
momentos de amor
você vai me seguir