Carnaval Chegou! (1972)

Pronto! Chegou o Carnaval! Agora é pra valer… Vamos brincar, nos divertir, mas sem perder o senso. Vai beber? Pegue um taxi pra voltar. Vai comer? Veja lá onde vai se meter! Evite confusão, mas não deixe de cair na folia.
Estou dizendo isso, mas a verdade é uma só, Carnaval é uma festa para solteiros (ou casais muito animados). Tenho percebido isso ao longo dos meus próprios anos. Depois que você casa, meu amigo… carnaval, só nas matines (para levar os filhos) ou pela televisão a noite. Definitivamente, não há mais opções. Programa familiar, só mesmo ver os desfiles das escolas de samba e concurso de fantasias. Aquele baile quente com charanga que vai pela noite a dentro, com muita gente e pouca roupa, confete, serpentina e cerveja gelada… isso já não lhe pertence hehehe…. Mas não fique triste. Reúna a família, vizinhos e amigos e faça a festa na versão domiciliar. A trilha sonora já está garantida por aqui, é só buscar.
Para esta sexta-feira eu reservei um disquinho especial. Diria mesmo que se trata de um álbum raro, pois a seleção musical que temos aqui, embora relativamente recente, reúne algumas versões e composições carnavalescas feitas exclusivamente para ele. Dá para imaginar o que vamos encontrar? Pois pode acreditar que o melhor e exclusivo. Temos por exemplo o Sérgio Sampaio cantando seu clássico “Eu quero botar meu bloco na rua” numa versão mais carnavalesca. Temos O Terço, Raul e Wanderléa. Caetano, Gal e Gil. Aliás, este lp foi também produzido pelo Gilberto Gil! Algumas faixas são inéditas. Pode conferir que vale para além do Carnaval. Muito bom!

boi voador não pode – mpb4
um frevo novo – caetano veloso
cordão do zepelim – nara leão
lá vem salgueiro – jorge ben
muito louco – o terço
vamos passear no astral – gilberto gil
a morena chegou – claudia regina
cordã da raimunda – wilson simonal
dança do cafuné – jair rodrigues
eterno carnaval – raul seixas
sem se atrapalhar – wanderléa
menino do pirulito- quinteto violado
um ano atrás – fagner
eu quero é botar meu bloco na rua – sérgio sampaio
estamos aí – gal costa

Carnaval De Todos os Tempos – Vol. 1 (1974)

Dando sequência às nossoas postagens de Carnaval, tenho para hoje outro álbum bacana. Trata-se de uma coletânea que busca reunir alguns dos melhores momentos musicais dos carnavais do passado. São registros originais, reunidos e relançados em volumes pela Continental, compreendendo o período que vai dos anos 30 até o início dos 70. Não sei informar quantos volumes foram lançados. Eu infelizmente só tenho em mãos o volume 1. Este, talvez o mais interessante, nos apresenta 14 faixas com algumas das clássicas marchinhas que fizeram a folia de 1935 à 48. São composições que se tornaram imortais e todo ano a gente canta. Taí um bom disco para se ouvir, guardar e lembrar 😉

zé pereira – severino araújo e sua orquestra tabajara
implorar – moreira da silva e pixinguinha
pirolito – nilton paz e emilinha borba
eu não te dou chupeta – irmãs pagãs
cai, cai… – joel e gaucho
a dança do funiculí – francisco alves e luciano perrone
helena! helena! – anjos do inferno
aurora – joel e gaucho
nós, os carecas – anjos do inferno
praça onze – trio de ouro e castro barbosa
china pau – castro barbosa
pirata da perna de pau – nuno roland
anda luzia – silvio caldas
a mulata é a tal – ruy rey e orquestra tabajara

Lamartine Babo – E Seus Sucessos – Ride Palhaço (1959)

Falar e postar discos de carnaval sem mencionar o Lamartine Babo é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. Lalá é sinônimo de carnaval, o rei da marchinha e para muitos o seu inventor. Ele foi um dos mais prolixos compositores brasileiros, se dedicando principalmente às músicas carnavalescas. Foi o autor da maioria dos hinos dos grandes times de futebol e sua música continua sempre muito viva. Muitas se tornaram clássicos do nosso cancioneiro popular. Duas das mais lindas músicas que conheço, “Serra da Boa Esperança” e “No rancho fundo”, por exemplo, são do velho Lalá.
Neste disco temos uma maravilhosa raridade, Lamartine Babo em pessoa. Com sua voz fina e inconfundível, ele canta e nos encanta com algumas de suas mais célebres composições. O repertório se divide em dois momentos. De um lado é formado por dois extensos ‘pot pourri’ com suas mais conhecidas marchinhas de carnaval e do outro, temos seis faixas dos chamados “sambas lamartinescos’, também bastante conhecidos do público. O mais interessante deste disco é o próprio Lamartine. É a sua presença e interpretação que dão ao lp um gostinho especial. No lado das coletâneas de marchinhas, a orquestração e regência de côro é do maestro Lyrio Panicali. Os sambas ficaram à cargo de outro maestro, Carlos Monteiro de Souza, arranjador exclusivo da Sinter. Taí um disco nota 10. Imperdível!

carnaval brasil
aí, heim
uma andorinha não faz verão
rasguei a minha fantasia
boa bola
moleque indigesto
ride palhço
o teu cabelo não nega
história… do brasil..
linda morena
marchinha do grande galo
marcha do amor
grau dez
a tua vida é um segredo
lua cor de prata
minha cabrocha
o sol nasceu para todos
só dando com uma pedra nela
na virada da montanha

Carnaval Copacabana (1955)

Iniciando e anunciando o Carnaval, aqui vamos nós para a folia. Durante a semana, até a próxima terça-feira teremos uma série de raridades carnavalescas. Vamos relembrar os antigo carnavais, os sambas e marchinhas que se tornaram clássicos e continuam sempre na boca do povo.
É interessante notar que a música do carnaval não se limita apenas a esses dias festivos. Músicas como as que fazem parte deste álbum, lançado pelo selo Copacabana, caíram no gosto popular e passaram a fazer parte do nosso cotidiano musical. Como disse, tornaram-se clássicos, mas não apenas dos carnavais. Passaram a fazer parte do nosso cancioneiro popular.
“Carnaval Copacabana de 1955”, reúne alguns dos mais importantes nomes da música brasileira como Jackson do Pandeiro, Blackout, Jorge Veiga, Orlando Silva, Carmen Costa e Gilberto Alves. As músicas que fazem parte do disquinho estão bem estampadas na capa. Não há muito o que falar, melhor recordar… “Recordar é viver”

maria escandalosa – blackout
judas – jorge veiga
o choro do bebê – orlando silva
não vou morrer – jorge veiga
tem nego bebo aí – carmen costa
vou gargalhar – jackson do pandeiro
tira essa mulher da minha frente – jorge veiga
recordar – gilberto alves

Galo – Futebol É Vida E Alegria

Olá a todos! Aqui estou eu novamente, excepcionalmente e obrigatoriamente respondendo aos inúmeros e-mails que pediam a volta do Toque Musical. Eu ainda estou meio perdido, pois a minha intenção era a dar uma desafogada, criando um blog privando e sem interferências. Porém percebi que na modalidade privada, o grupo seria limitado à apenas 100 pessoas. Idéia descartada, parti para outra… Abrir apenas nos fins de semana? É, pelo jeito isso também não vai dar certo (embora para mim, fosse o ideal). Ainda continuo perdidão. O que fazer? Ser ou não ser? Eis a questão…
No momento a única coisa que sei é que o Carnaval está chegando e eu gostaria muito de poder fazer uma semana temática, postando aqui algumas jóias raras que embalaram os muitos bailes e ainda hoje são trilhas para a folia em todo o Brasil.
Assim por enquanto, nos próximos dias, vou mantendo as portas abertas. Enquanto me der na ‘veneta’ ou até quando me for possível. Todos são bem vindos.
Para (re)começar estou trazendo uma seleção musical diferente. Ao ritmo de marchinhas carnavalescas, temos aqui reunidos quatro compactos gravados nos anos 60 com músicas dedicadas ao Clube Atlético Mineiro, um dos mais tradicionais e importantes times de futebol do Brasil. Criado a mais de 100 anos (hoje meio capenga), o Galo foi em Minas Gerais o time das massas. O mais querido das alterosas, como diziam antigamente. É, foi mesmo antigamente… hoje o galinho vai de mal a pior. Ontem mesmo perdeu para o Cruzeiro, seu maior adversário, por 2×1. Em outras épocas o Atlético foi grande em todos os sentidos, não apenas no futebol. Ser mineiro era ser atleticano. Prova disso são esses disquinhos da época de ouro do time, onde podemos constatar sua importância e a paixão de um povo pelo alvinegro das Geraes. Mais que uma simples coletânea destinada aos atleticanos, esta é uma seleção musical histórica que pode despertar o interesse de qualquer um (até cruzeirenses). São sambas e marchas bem carnavalescos. Gravações lançadas pela CBS e Bemol. Muito interessante, vale a pena conferir, independente de qual seja o seu time.
Esta postagem é dedicada aos dois jovens torcedores atleticanos que foram metralhados (um deles morreu) por outros dois da torcida adversária cruzeirense, ontem, algumas horas antes do jogo entre os dois times. Lastimável o espírito esportivo dessa gente.
Por essas e por outras é que o futebol deixou de ser, para mim, uma paixão. Agora, só pela televisão e olhe lá…

hino ao clube atletico mineiro – côro e orquestra cbs
homenagem a minas gerais – côro e orquestra cbs
galo legal – josé dias
o galo está tinindo – josé dias
o mais querido – nely caldeira
galo de todas as raças – nely caldeira
esse galo é um espeto – tony damito e os braza cinco
galinho tu és o maior – tony damito e os braza cinco
PS.: Aos torcedores de outros times, não se preocupem… em breve faremos uma semana com os grandes times do Brasil (primeira e segunda divisão, ok?)

Sergio Ricardo Lindolpho Gaya – Trilha Sonora Original Do Filme Esse Mundo É Meu (1964)

Para quem gosta de cinema e música de qualidade, eis aqui um álbum nota 10. A trilha original do filme de Sérgio Ricardo, “Esse mundo é meu”, de 1964. Não vou entrar em detalhes sobre esse longa, deixando a apresentação para o texto interno, do também cineasta Cacá Diegues. O álbum, em capa dupla, foi produzindo por Roberto Quartin para o selo Forma. A orquestração e os arranjos são do maestro Lindolfo Gaya e as composições de Sérgio Ricardo que, obviamente, participa também cantando e tocando. Um dos raros trabalhos fonográficos da época com ficha completa dos artistas e profissionais envolvidos. Assim é que eu gosto, tudo mastigadinho ;).

Este disco já foi apresentado em outros blogs e não poderia faltar aqui no Toque Musical, que também adora a arte de Sérgio Ricardo. Se você ainda não viu este rodando por aí, aproveita agora… 😉
cabocla jandira
sonho
chorinho da barbearia
nem fome nem eito
tempestade I
pregão
oxalá, meu pai
esse mundo é meu
tempestade II
cabocla jandira

Titulares Do Ritmo – Homenagem Ao Bando Da Lua (1958)

Para esta sexta-feira eu reservei um dos grupos vocais que mais admiro, Os Titulares do Ritmo.
Formado no início dos anos 40 em Belo Horizonte, o grupo se conheceu no Instituto São Rafael para cegos, onde eles eram estudantes. Fizeram suas primeiras apresentações nas rádios da cidade, principalmente na Inconfidência onde estrearam interpretando o samba “Como se faz uma cuíca” de Pedro Caetano. Graças ao requintado trabalho de vocalização e harmonia, os Titulares do Ritmo não demoraram muito para se tornarem conhecidos em todo o Brasil.
Neste lp de 1958 eles prestam uma homenagem a outro grande grupo vocal, o Bando da Lua, regravando alguns de seus maiores sucessos. Um disco muito bacana que vale uma conferida 😉

olha a lua
cansado de sambar
o que que a maria tem
não quero não
maria boa
ora, ora
marchinha do grande galo
menina de lojas
é do barulho
arara
segure na mão
lalá lelé lili

Leal Brito E Seu Conjunto – Noel Rosa Sem Parceiros (1957)

Eis aqui um lp dos mais interessantes lançados pela Sinter em 1957. Após vinte anos da morte de Noel Rosa, a gravadora resolveu produzir este álbum com o pianista Leal Brito (o Britinho) e seu Conjunto executando um repertório de composições do Poeta da Vila sem parceiros. Me parece que na época andaram duvidando da excelência de Noel. Na capa, ao estilo de um jornal, temos o texto de Almirante, também na mesma linha, defendendo o artista. Britinho por sua vez não deixa por menos, criando arranjos que valorizam ainda mais as melodias de Noel. Ele escala um time de feras para tocar com ele além de seu conjunto, formado por Pedro Vidal Ramos (contrabaixo), Hugo Tagnin (bateria) e Tião Gomes (percussão). Tocam também neste disco o sax-tenor Sandoval Dias, José Menezes na guitarra elétrica, Abel Ferreira, Altamiro Carrilho e outros que vocês poderão conferir na contracapa. Maravilha de disco!

palpite infeliz
último desejo
x do problema
eu sei sofrer
não tem tradução
prá esquecer
com que roupa?
mulato bamba
até amanhã
silêncio de um minuto
quando o samba acabou
eu vou pra vila

Waldir Azevedo E Seu Conjunto – Um Cavaquinho Acontece (1960)

Aqui, mais uma jóia que eu trouxe na bagagem. Meu gavetão nessas férias foi cheio e preparado para qualquer eventualidade. Antes de partir fiz questão de selecionar alguns dos álbuns que eu já tinha certeza que iriam dar ‘ibope’.
Falar de Waldir Silva é chover o molhado. Um dos maiores instrumentistas brasileiros de todos os tempos, que só pela autoria do clássico choro “Brasileirinho” já merecia o céu. E com certeza ele deve estar lá agora ao lado de tantos outros bambas, fazendo a cabeça do Divino.
“Um cavaquinho que acontece” foi um lp lançado em 1960. Me parece que este disco é na verdade uma coletânea, pois reúne clássicos gravados por ele em outros momentos. Mas é, sem dúvida, um álbum excelente e recomendadíssimo! Confiram…

delicado
contando tempo
pedacinho do céu
carioquinha
sonhos de criança
na baixa do sapateiro
brasileirinho
catete
meu tempo de criança
vê se gostas
queira-me bem
amigos do samba

Ely Camargo – Canções Da Minha Terra Vol.4 (1964)

Sempre que eu escuto ou vejo a Tetê Espíndola me lembro da Ely Carmargo. Tirando a diferença vocal, acho que as duas tem muito em comum. Hoje cedo, caminhado pela praia, fui seguido pela Tetê cantando “Sertaneja” no rádio. Inevitávelmente acabei cantarolando também algumas músicas que aprendi nos discos da Ely Camargo. Fico as vezes chateado ao perceber que a maioria da pessoas não se lembram dela. As novas gerações então, nem se fala… Sua música não toca mais no rádio e ela nunca mais foi vista pela televisão. É uma pena… Só mesmo programas como os de Rolando Boldrin ou aquele outro da Inezita Barroso, que eu já nem sei se ainda existem, mas que eram muito bons. Ouvir Ely Camargo é ouvir o autêntico Brasil.
O lp que aqui apresento é o último da série “Canções da minha terra”, que compreende uma vasta seleção de canções populares brasileiras, do norte ao sul do país que ela gravou nos anos 60. Ao longo de nossa jornada irei trazendo os outros volumes para que vocês possam também saborear e confirmar a beleza que é a arte desta mulher. As dezessete faixas que compõe este álbum são em sua maioria clássicos que ela interpreta de maneira bastante original. Enriquecendo ainda mais esse trabalho, Ely conta com as participações especiais de Márcio Alencastro Veiga ao violão e Zé do Rancho na viola caipira. A orquestração é regida pelo maestro Zico Mazargão. Discão! Pode conferir!

minha terra
que sodade!
rolete de cana
ao luar
yemanjá
vida marvada
no tempo do onça
amo-te muito
cabôca bunita
reisado
piracicaba
uirapuru
em tudo há uma saudade
leilão
azulão
dança do escorregado
rio grande do sul

Parada De Sucessos Sinter (1951)

Para justificar a permanência do Toque Musical, eis aqui um disquinho bonito e raro. Coisa que só mesmo os blogs poderiam fazer, pois se depender da indústria fonográfica e seus dirigentes, este disco já teria sido varrido da memória. Na verdade ele já foi. Se você for procurar onde estão os arquivos e memória da Sinter, provavelmente muito pouca coisa irá encontrar. Nossos arquivos sonoros (me refiro às fitas masters), os antigos e mais importantes já foram para o lixo ou estão nas mãos de colecionadores (principalmente japoneses). Quem está por dentro dessa “estória” não fala nada, fica de bico calado, pois já ganhou ou mensalmente ganha o seu quinhão. O Brasil, infelizmente, ainda é um país de vendidos. Nos gabamos da nossa cultura, mas ela já não nos pertence. O que nos sobrou foi migalhas e macaquices. Axé Brasil!

Mas voltando ao disco, este pequeno álbum lançado em 1951 foi o segundo ‘LP’ lançado no Brasil. A Sinter foi a pioneira no lançamento de discos de microsulcos. Até então só se ouvia as famosas bolachas de 78 rpm com apenas duas músicas. O surgimento dos microsulcos permitiram a criação de discos com tempo de execução mais longos e assim foi possível introduzir mais faixas ou músicas, no caso. Para este 10 polegadas a Sinter reuniu alguns de seus artistas de maior sucesso na época. A qualidade do áudio aqui supera as expectativas, considerando os 58 anos do vinil e as milhares de rotações na agulha. Mais um bom trabalho de recuperação do Chris para nós. Confiram a baixo a parada de sucessos.

de papo p’ro á – josé menezes
na baixa do sapateiro – orquestra copacabana
senhora tentação – milita meireles
baionando – carolina cardoso de menezes
tim tim por tim tim – os cariocas
não interessa não – josé menezes
afinal – heleninha costa
pedro do pedregulho – geraldo pereira

Bené Nunes – Teclado Fantástico (1968)

O domingo segue tranquilo e eu hoje não quero nem ler as últimas notícias. Quero mais é dar uma relaxada, andar pela praia sozinho e respirar aliviado. Achando um ponto de internet eu paro para publicar esta postagem. Não tenho pressa, pois ninguém vai ler isso hoje.
Estou nesses dias tendo que recorrer aos meus já tradicionais ‘discos de gaveta’. Não tive tempo e nem condições para prepara as postagens da semana. Mesmo assim, com o que tenho à mão já dá para fazer a festa (espero). Começamos convidando o pianista e compositor Bené Nunes para tocar. Contam que ele e seu conjunto faziam a alegria nos melhores bailes dançantes dos anos 60. Não foi atoa que João do Vale criou em 1970 a música “Coroné Antônio Bento”, grande sucesso na voz de Tim Maia. Bené Nunes foi um pianista autoditada. Gravou poucos discos, mas seu trabalho e presença artística serão sempre lembrados. Ele entra para a história da música brasileira como um grande instrumentista e também como uma das figuras que acolheu a turminha da Bossa Nova em seu início. A casa do Bené e sua esposa, a cantora Dulce Nunes, foi palco de muitos encontros da Bossa Nova.
O disco que temos aqui, foi outra boa doação que agora eu estou tendo a oportunidade de postar (Valeu Lucas!). Este álbum não consta na discografia de Bené Nunes porque se trata de uma coletânea lançada nos anos 60, pelo obscuro selo Fantasia, criado especialmente com este propósito. Estão reunidas aqui alguns de seus melhores momentos. Podem conferir…

solfeggietto de bach
canto livre
stella by starlight
rapsódia sueca
sinfonia do rio de janeiro
onde está você
the man i love
me deixa em paz
dindi
feitiço da vila

João Donato – Sambou, Sambou (1965)

Hoje está sendo o primeiro dia em que o nosso blog se coloca fechado para todos. A razão para isso não foi apenas o ‘fuzuê’ criado em torno da postagem da fita do João Gilberto. Devo confessar a vocês que apesar da minha paixão por tudo isso, ando meio cansado. Há tempos venho precisando tirar umas férias, dar uma relaxada e ficar sem compromissos. Gosto muito da minha atividade no blog, a ponto de tê-lo criado com postagens diárias. Fazer uma postagem é algo relativamente simples e rápido, porém, num blog como este a coisa não é bem assim. Carece de um certo preparo e conhecimento sobre o álbum que se está publicando. Isso para não falar do trabalho de bastidores. É mesmo um trabalho complexo, quando buscamos algo consistente. Por essas e por outras, achei que agora foi um bom momento para eu dar uma pausa.
Estou pensando numa maneira diferente de manter o blog sem muitos riscos. Longe dos olhos daqueles que vão contra à minha jornada diária. No que depender de mim, farei o possível para continuar levando até vocês um pouco dos sonhos perdidos.
Apesar dos pesares, não deixarei nos próximos dias de manter diária as nossas postagens.
Para hoje temos o genial João Donato em um álbum importado de 1965. Com ele tocam Tião Neto no baixo, Milton Banana na bateria e Amaury Rodriquez no bongô e pandeiro. Este disco, me parece, foi relançado em cd no Japão em 1994. Por aqui nunca chegou. Alguns blogs já o publicaram, mas o que temos aqui é mais um trabalho de ajuste feito pelo Chris do Rio, realçando ainda mais as qualidades do som. Se você ainda não teve a oportunidade de ouví-lo, sua boa chance está aqui.

muito a vontade
tim dom dom
pra que chorar
sambou… sambou
jodel (café com pão)
vamos nessa
minha saudade
naquela base
olhou pra mim
tema teimoso
só se for agora
caminho de casa

Albertinho Fortuna – Músicas De Novelas

Apesar de toda a confusão e algumas mudanças estratégicas, eu não poderia deixar de trazer a tradicional postagem do dia. Imagino que neste momento apenas aqueles que são seguidores do blog estejam tendo acesso. Logo em seguida enviarei mensagens aos demais avisando da mudança. Acho que de agora em diante farei assim. Quero estar longe dos holofotes. Não quero ser visto como Robin Wood e nem como Barba Negra. Nesta novela eu prefiro estar nos bastidores.
E por falar em novelas, temos para hoje um disco com o cantor Albertinho Fortuna. Um dos intérpretes preferidos para as canções das novelas de rádio dos anos 50 e 60. A Continental reuniu neste lp algumas dessas canções que foram sucesso e ficaram na lembranças daqueles que viveram essa época. Na foto da capa temos o então estúdio de rádio-teatro da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Neste estúdio foram gravadas diversas novelas. Podemos ver em cena os atores Rodolfo Mayer, Celso Guimarães, Daisy Lucidi, Abgail Maia e Isis de Oliveira.
Um aspecto interessante deste repertório, são os arranjos e orquestração de Radamés Gnatalli. As melodias são realmente maravilhosas. Vale a pena ver de novo 😉

lamento árabe
solidão
para toda vida
silencioso
sem ninguém
vidas mal traçadas
magia
deslumbramento
ternura
incerteza
pálida esperança
a canção do fugitivo

Toques Para Quem Se Toca

Algumas pessoas têm estranhado o fato de que os links para a postagem do João Gilberto, às vezes aparecem inválidos. Realmente, os links foram feitos para uma validade de 12 horas. O motivo é muito simples. Diante ao enorme interesse por essa gravação, tivemos espantosamente só no primeiro dia mais de 300 buscas. Depois verifiquei que em outros blogs, sites e comunidades do Orkut, também já anunciavam a raridade. Até aí, maravilha… só que todo mundo estava usando o link fornecido ao Toque Musical. Daí, resolvi adotar o link temporário, motivando as pessoas a criarem os seus próprios. Cheguei inclusive a retirar dos Comentários um outro link. Agradeço a boa intenção da pessoa que o fez, mas prefiro eu mesmo o faze-lo. Espero que em outros blogs esta gravação também seja postada. E que as pessoas entendam de uma vez por todas como foi importante trazer à tona um material escondido por 50 anos. E pensar que nós brasileiros fomos os últimos a ter acesso a este material, enquanto cópias de má qualidade eram vendidas lá fora por um preço absurdo. É o que eu sempre digo, os estrangeiros sabem mais da nossa música do que nós mesmos. Eles valorizam o conteúdo e nós o produto. Por isso estamos sempre pagando mais caro. Por causa dessa postagem alguns poucos (aqueles que lucravam de alguma forma com isso) estão me taxando de pirata. Eu? Só eu? Teve um idiota, figura renomada, que diz que o pirata é aquele que sobe (“são os que sobem é que a gente está de olho”). Teve também um outro, que pelo Orkut, andou distribuindo em doses homeopáticas essas gravações, por sinal muito ruins e justificou sua ação dizendo que não queria ver esse trabalho nas mãos dos blogs piratas. Perfeito! Só que no dia seguinte, entrou anônimo e silenciosamente aqui para baixar. Me mandou um recado dizendo que apesar do ’malware’, tinha conseguido baixar o arquivo. Dá para entender pessoas assim? Quer dizer que o vilão nessa estória sou eu. Aquele que vem no anonimato, entra no blog, baixa tudo que encontra ou interessa, carrega e vai embora, também não é muito diferente do pirata. Aquele acadêmico ou aquele repórter em busca de elementos para seus trabalhos também estão na pirataria. O inocente cidadão que traz em seu celular diversas ‘musiquinhas’ como toques musicais, também e sem saber, participa da pirataria. Em resumo, neste mundo virtual e de novos (pré) conceitos, estamos todos no mesmo barco. O barco do capitão Blackbeard. Como disse um amigo meu, é a necessidade que gera leis e regulamentos. Agora, vai depender de qual necessidade é a mais urgente, a cultural ou a econômica. E você, de que lado vai ficar?
O pior pirata é aquele que não enxerga a realidade, porque usa dois tapa-olhos.

Fred Williams E Dalila (1971)

Ao lado de Edú da Gaita, o carioca Fred Williams, nome artístico de Manoel Xisto, foi um dos grandes gaitistas do Brasil. Autodidata, iniciou-se na harmônica ainda bem jovem. No final dos anos 30 foi para o rádio como integrante de um conjunto musical. Seus primeiros discos vieram a partir dos anos 50. Suas composições faziam muito sucesso. Dominava os diversos tipos de gaita e, veladamente, rivalizava com o célebre Edú. Segundo as escassas e duvidosas fontes, o gaitista gravou dezenas de bolachas em 78 rpm e apenas um lp, encerrando sua carreira no inicio dos anos 60 (eu cá, tenho as minhas dúvidas). Infelizmente não há na rede informações precisas ou detalhas sobre Fred Williams. Acho que só mesmo recorrendo aos universitários e acadêmicos de plantão.
“Fred Williams e Dalila” é um álbum que nos mostra o contrário do que foi dito. Este disco foi lançado em1971 (e eu conheço dele pelo menos mais uns dois lps). O repertório é composto por alguns temas gravados anteriormente, possivelmente regravação, pois o disco ainda nos apresenta coisas inéditas e de outros autores. Quanto à Dalila, não adianta perguntar ou procurar. Ela não toca e nem canta, apenas encanta a capa. Possivelmente seria a esposa do gaitista. (ou não?)

meu pequeno cachoeiro
dorinha meu amor
lampeão de gaz
prá começo de assunto
não vou nessa cascata
maricota do cajú
uma farra em porto alegre
balança tudo
mâezinha do coração
briguinha de amor
viajando pra fazenda
ilusão de um grane amor

Neuza Maria E Britinho – As Favoritas Do Disc-Jockey Haroldo Eiras (1955)

Nos últimos dias tenho acessado com mais freqüência minha conta no Orkut. Eu nunca tive muita paciência e devo admitir que antes havia até um certo preconceito de ‘orkuteiros’. Mas como tudo, com o tempo aprimora, melhora ou piora. Acho que o Orkut tem melhorado e vem se transformando numa ferramenta muito útil de comunicação e divulgação. Passei a acreditar mais nessa via e a adotei como um outro ponto de referência. Tenho feito por lá bons amigos, mas também estranhado algumas comunidades e comportamentos. Só para vocês terem uma idéia, numa dessas comunidades relacionadas à música, encontrei uma distinta figura que disse não disponibilizar seu acervo, para evitar que os blogs piratas os copiem. Seria ético se não fosse céptico, considerando que essa figura teve (e tem) como sua maior fonte de pesquisas os malditos blogs piratas. São esses que trouxeram o que ela vem distribuindo homeopaticamente em sua comunidade. O que essa pessoa não sabe ou não quer saber é que os verdadeiros piratas são aqueles que lucram com a pilhagem. Pirata é aquele que na surdina, oculto e com IP variável entra no meu blog, cata o que quer e depois lá fora, doura ainda mais a pílula, se faz de tutor e lucra com as vendas de suas reciclagens. Hipocrisia… essa é a melhor palavra para definir esses falsos moralistas. Quero dizer mais uma coisa: ladrão não é só aquele que rouba um carro inteiro, mas também aquele que leva um só pneu. No mundo digital todos nós ainda somos pirata.

Desabafos a parte, vamos ao que interessa. Japoneses, americanos… todos a postos! Aqui vai mais um automóvel da década de 50, quer dizer, mais um álbum raro e esquecido.
Hoje temos uma seleção musical feita pelo compositor e ‘disc-jockey’ Haroldo Eiras. Em virtude de sua consagração e premiação como o melhor apresentador musical do rádio em 1955, a Sinter o convidou para esta seleção, interpretada pela cantora Neuza Maria e o pianista Leal Brito (o Britinho). Embora no texto da contracapa nos seja apresentado um disco inédito, me pareceu que essas gravações foram recolhidas de outros discos, tanto de Neuza quanto de Britinho. Alguém saberia esclarecer?

a voz do morro
siga
paraquedista
porque voltei
última canção
pois é
peixe fisgado
adeus querida

Ary Barroso – Nova História Da Música Popular Brasileira (1977) 6

Olá meus caríssimos! Continuo a lembrar, principalmente aos desavisados e desatentos visitantes, que estou recolhendo os contatos de interessados em manter o acesso ao blog, caso venhamos mesmo a nos transferir para um espaço privado. Já temos listado mais de 600 solicitações. Ainda bem que o espaço e virtual 😉
Temos aqui outro campeão de audiência da coleção Nova História da Música Popular Brasileira. Seguindo a ordem alfabética, a semana é de Ary Barroso. Um dos mais férteis compositores brasileiros e mundialmente conhecido, principalmente por sua Aquarela do Brasil. Nasceu em Ubá, Minas Gerais, onde viveu até por volta dos 18 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro e daí começa sua grande caminhada. Foi advogado, jornalista, radialista, vereador, dirigente esportivo, amante do futebol e principalmente compositor de canções que refletem o verdadeiro espírito brasileiro. Sua música sempre foi evocando os valores e costumes de seu país. Ary sempre lutou pela autenticidade da nossa arte maior, a música popular.
Eu sou um cara privilegiado, pois tenho comigo há mais de 20 anos, um óculos que pertenceu ao Ary Barroso. Quando eu conto esta história todo mundo duvida e nem mesmo mostrando ele na minha cara as pessoas se convencem. Na verdade, nem eu acredito, pois a única coisa que tenho é a palavra do antiquário que jurou de pé junto que o óculos era do Ary. Nunca dei muita bola para isso, embora já tivesse visto fotos antigas dele com o tal óculos. A foto da capa deste disco é uma delas e é possível comparar. De puro sarro, resolvi incluir no pacote as fotos do meu óculos do Ary Barroso para vocês também compararem. Infelizmente este não tem como compartilhar, mas está à disposição para aqueles que queiram comprovação.

na batucada da vida – elis regina
no tabuleiro da baiana – carmen miranda e luiz barbosa
como vaes você? – carmen miranda
na baixa do sapateiro – anjos do inferno
aquarela do brasil – silvio caldas
os quindins de iáiá – cyro monteiro
morena boca de ouro – joão gilberto
risque – linda batista

Arena Conta Zumbi (1965)

Interessante… Em pouco mais de uma semana, três pessoas, em situações totalmente distintas, me perguntaram se eu teria no blog o disco Arena conta Zumbi. Eu tinha certo de que já o havia postado, não sei porque razão. Depois me lembrei de outras encarnações e tudo ficou claro. Realmente, eu ainda não o apresentei aqui no Toque Musical. Portanto, hoje vamos a ele 🙂
“Arena conta Zumbi” é uma peça teatral de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, com música composta por Edú Lôbo. O musical, um marco na trajetória do Teatro de Arena, estreou neste saudoso e emblemático teatro de São Paulo, no dia 1 de maio de 1965. A direção musical foi de Carlos Castilho que também participa tocando violão e a direção geral de Augusto Boal. No elenco, entre outros haviam o Guarnieri, Lima Duarte, Dina Sfat e Marília Medalha.
O texto da peça é baseado no romance de João Felício dos Santos e conta a história do Quilombo dos Palmares e da vinda de Zambi para o Brasil num barco negreiro. Porém, a adaptação de Boal e Guarnieri refletia a realidade do momento, o contexto social, cultural e principalmente político do país naqueles anos. Como exemplo, temos incluído um discurso do General Castelo Branco que na peça é fala do personagem, o governador Dom Ayres.
Esta peça teve várias montagens, não apenas no Brasil, mas também na Argentina, Uruguai, França e América.
Apesar de existir pausa entre falas e músicas no disco, eu achei por bem não separá-las, mantendo inteiros os lados A e B.

Basf – 50 Anos De Memória Brasileira 1934-84 (1984)

Comemorando os 50 anos da fita de gravação no Brasil, a BASF em 1984 brindou à um limitado público com esta antologia sobre “50 Anos de Memória Brasileira”. O trabalho, obviamente, foi apresentado em fita cassete (lembram dela?). Nele, uma equipe de pesquisadores, coordenada por Maurício Quadrio, procurou reunir todos os fonogramas e registros possíveis sobre nossa história recente. Esta fita é bem ao estilo do lp Nosso Tempo. Há inclusive uma série de fotogramas que são os mesmo do disco. Mesmo assim, não deixa de ser um trabalho valioso que merece estar disponível para todos.

O Brasil Canta Por Um Mundo Melhor – Brazilo Kantas Por Pli Bona Mondo (1970)

Hoje o dia foi foda! Desculpe-me a expressão. Mas só agora estou conseguindo construir e publicar a postagem do dia. E mesmo assim terei que ser breve, pois tenho ainda uma estrada pela frente. Alguém aqui fala Esperanto? Então escuta…
Mais um trabalho fonográfico interessante e curioso temos para esta sexta-feira. Um disco gravado em Esperanto. “Brazilo kantas por pli bona mondo” (O Brasil canta por um mundo melhor), foi um álbum idealizado pelo professor Sylla Chaves, um dos mais importantes esperantistas brasileiros, membro da Academia de Esperanto, jornalista, escritor e poeta. O lp apresenta ao público uma amostra do que é o Esperanto, através de uma seleção de poemas e clássicos musicais de consagrados autores brasileiros, vertidos para esta língua por Sylla Chaves. Participam do álbum Franca Fenatti, Antonio João e Aurora Miranda. Os arranjos e regência são do maestro Cipó.
Para aqueles que não sabem, o Esperanto é uma língua neutra auxiliar e internacional, criada por Lázaro Zamenhof, na Polônia em 1887. Seu objetivo principal é facilitar a comunicação entre povos de idiomas diferentes. Embora pouco divulgado, ele está presente em mais 120 países pelo mundo. Dizem que é uma língua relativamente fácil de se aprender. No Brasil existem muitos adeptos e sua atuação é constante. Saiba mais a respeito do Esperanto através do site Liga Brasileira de Esperanto.

esperanto – apresentação
cinco náufragos / kvin dronintoj – syllas chaves
ave maria do morro / avemaria en la monto – franca fenati
hino / himno – syllas chaves
cai, cai, balão / tuj, tuj, balon – aurora miranda
josé / jozefo – sylla chaves
quero que vá tudo pro inferno / iru cio al la inferno – franca fenati
luar do sertão / internlanda luno – antonio joão
ninguém me ama / neniu amas min – aurora miranda
maringá – antonio joão
a banda / la muzikistaro – franca fenati
chão de estrelas / planko stelplena – antonio joão
tico tico no fubá / zonotriko en la faruno – aurora miranda

A Cruz E A Rosa – Filosofia Perene / História de Aishá (1976)

Olá a todos! Inicialmente quero informar que continuo recolhendo os e-mails para o caso de uma possível mudança em nossa rotina musicultural. Não há um prazo limite e espero não precisar.
Para hoje, mais uma curiosidade fonográfica. Um álbum para iniciados e iniciantes. Não sei se diria um disco com libreto ou um libreto com disco. O certo é que este álbum foi criado pela Ordem Rosa Cruz, uma organização mundialmente conhecida de caráter místico e filosófico que, segundo falam, tem por objetivo fazer com que as pessoas descubram e utilizem seu verdadeiro potencial interior.
Devo confessar que só agora, ao pegar neste disco, tive interesse em conhecer melhor o trabalho da Ordem. E tudo por causa da participação do compositor Luiz Eça (que deve ser Rosa Cruz). Fiquei curioso para ouvir a trilha que ele havia composto para o disco. Acabei ouvindo bem mais do que eu esperava. O disco se divide em dois momentos: Filosofia Perene e História de Aishá, que são sequências de citações extraídas de textos e pensamentos de diversos místicos, filósofos e escritores. É algo muito bonito de se ouvir.

filosofia perene – carlos alberto s. soares
história de aisha – p. a. freire
*música composta e executada por luiz eça

Chacrinha E Supersonics – As Super Quentes Da Discoteca (1972)

Alô Terezinha! Disseram que ele não vinha, olha ele aí! É.. é ele mesmo, o velho guerreiro. Figura singular dos programas de auditório, Chacrinha foi talvez o mais famoso apresentador de programas de auditório do Brasil. Com seu estilo fanfarrão, cheio de palhaçadas, num visual sempre muito colorido, ele realmente comandava a massa, como já dizia Gilberto Gil. Seus programas de auditório eram uma verdadeira festa. Tinha de tudo e para todos.
Seu nome era José Abelardo Barbosa de Medeiros e o apelido Chacrinha nasceu quando ele ainda era radialista. A emissora onde trabalhava era numa pequena chácara e ele se referia a ela como ‘chacrinha’, daí pegou. Mas a figura do Chacrinha surge mesmo no final dos anos 50, quando a TV Tupi estréia o programa Discoteca do Chacrinha. Ao longo do tempo ele trabalhou em diversas emissoras de tv, mantendo consigo o estilo do velho palhaço e o mesmo formato de programa. Foi a cada dia acrescentando novidades, como a cartola, a buzina, o disco numérico de telefone e muitas cores. Tudo isso para decorar ainda mais a festa com artistas diversos, cantores e calouros. Quem não se lembra do troféu abacaxi? Era uma época boa e farta, tinha até bacalhau distribuido na platéia. Era uma zorra total. Mas o melhor mesmo eram as dançarinas, as famosas “chacretes”. Me lembro de algumas como, Lia Hollywood, Gracinha Copacabana, Índia Amazonese, Índia Poti, Sarita Catatau, Fernanda Terremoto, Leda Zepepelin e a mais famosa de todas, até hoje botando para quebrar, Rita Cadillac.
Este disco foi gravado em 1972, com produção de Milton Miranda e direção musical do maestro Gaya. Nele temos o velho guerreiro cantando e fazendo das suas ao lado de um côro, possivelmente de chacretes. O repertório é bem variado e as músicas não são separadas por faixas. É festa do lado A e do lado B.

mon amour, meu bem, ma femme
agora eu sei
eu quero botar meu bloco na rua
concerto par um verão
são coisas da vida
cavaleiro de aruanda
fio maravilha
nó na cana
gato e sapato
vou tirar você desse lugar
esta noite você vai ter que ser minha
o jornalista (o enviado especial)
rock and roll lullaby
alone again
let me sing, let me sing

As 20 Melhores Para Vizinho Chato (2007)

Todo mundo, alguma vez na vida, já teve problemas com o vizinho. Principalmente quem mora em apartamento. É mesmo de lascar essa relação comunitária que separa a gente do outro apenas por uma simples e fina parede de tijolos. Fica difícil manter mais afrouxada a nossa privacidade. Qualquer barulhinho pode ser ouvido pelo vizinho. Seus atos, seus passos, suas idas e vindas… são sempre acompanhados por ‘olhos mágicos’ e cameras de segurança. Nesses meus tempos vivendo em apartamento descobri que o vizinho chato é aquele que se acha o dono do pedaço, como se os outros moradores fossem seus inquilinos. Vigia, fofoca e trama. Felizmente, aqui para os meus lados isso já acabou. Mas sei que é um desgosto dos mais comuns e todo mundo tem alguma estória dessas pra contar.

Mas eis que surgi uma nova técnica para enfrentar seus vizinhos chatos. Agora você vai poder vencê-los pelo cansaço. Com este curioso disquinho (faça o seu) você vai poder se vingar não apenas da Candinha, mas também daquela turminha da república que mora ai do lado e não deixou você dormir a noite passada com aquela festa infernal. Taí a sua chance de vingança. Aumete o volume, aperte o play, configure para tocar e repetir todas e saía para dar um passeio. Só volte se o síndico ligar pedindo “pelo amor de Deus” para você parar. Tenho certeza que depois dessas, a turma aí no prédio vai ficar ‘pianinho’. Divirtam-se…

Antonio Maria – Nova História Da Música Popular Brasileira (1978) 5

Olá amigos, cada vez mais cultos que ocultos! Espero que tenham relaxado com o disco de ontem. De vez em quanto é bom tê-lo a mão para umas práticazinhas 🙂
Inicialmente quero fazer público os meus sinceros agradecimentos ao amigo Carlos, que mais uma vez contribuiu para com a qualidade da nossa postagem. Valeu demais!
Aqui estamos nós com mais um exemplar da coleção Nova História da Música Popular Brasileira. Seguindo, como foi dito, uma ordem alfabética. O número desta semana é dedicado ao cronista e compositor Antonio Maria. Não vou entrar em detalhes porque estes já estão incluídos. Só tenho a dizer que é um álbum nota 10 da coleção. Embora sempre fique um gostinho de ‘quero mais’.

menino grande – nora ney
ninguém me ama – nora ney
se eu morresse amanhã de manhã – dircinha batista
frevo n.2 do recife – maria bethania
valsa de uma cidade – os cariocas
canão da volta – dolores duran
suas mãos – silvia telles
manhã de carnaval – joão gilberto

Orquestra Guerra Peixe & Coral De JOAB – Pra Frente Brasil

Hoje eu acho que faltou uma pitada musical a mais. Esse negócio de relaxamento é bom, mas se não houver um pouco mais de música, fica difícil. Este compacto, na verdade, era para ter entrado ontem, junto com o disco da Seleção Brasileira de Futebol. Fazendo um gancho também com o disco do Miguel Gustavo, criador da música que virou hino e sinônimo de Copa do Mundo. Neste compacto temos as duas versões como a Orquestra do Maestro Guerra Peixe. De um lado a versão instrumental e do outro a versão vocal com o Cortal de Joab. Taí… um disquinho de fim de noite. 😉

Yogaterapia – Alívio A Estafa E A Tensão

Diante ao ibope que vem dando os discos extras, as curiosidades e raridades fonográficas de um modo em geral, me vejo forçado a continuar na trilha. Teremos uma semana bem variada.
Hoje, segundona… que tal uma aula de yoga para relaxar? Eu sei que estamos fugindo da mira musical, mas relaxados e concentrados podemos ir mais longe e ouvir melhor.
Com o apoio da professora Stella Schneider, você poderá curar-se do cansaço físico e mental. Este disco é uma aula de relaxamento que pode ser muito bem aproveitada, principalmente para aqueles que já tiveram algum contato com as práticas do yoga.Se a música naturalmente já nos deixa relaxados, como a prática do yoga, vamos ficar que nem o Bené Fonteles, zen… Então, relaxa que encaixa 🙂

Brasil!!! Na Copa Do Mundo – Campeão Mundial VI Copa Do Mundo (1958)

Hoje é domingo, dia de futebol. Meu time também joga hoje, mas eu não vou mais ao campo. Jurei que só voltaria a ver um jogo se pelo menos num ano ele fosse campeão. Já vai para mais de vinte anos isso… No fundo, eu perdi mesmo o encanto com futebol não foi apenas por essa razão. Nos últimos vinte ou trinta anos pra cá o futebol mudou muito. Deixou de ser um esporte para se tornar um espetáculo. Daí fudeu tudo… Espetáculo é sinônimo de grandiosidade, glamour, vaidade, falsidade e principalmente de muito dinheiro. Parece que hoje tudo é feito na base do espetacular. Tudo gira em torno da grana. Paradoxalmente eu digo, que pobreza!
O futebol deixou de ser para mim o que era depois que se tornou um negócio rentável. Hoje em dia nós não temos atletas, jogadores de futebol. Temos sim astros e mercenários do futebol. Ninguém hoje está interessado em suar a camisa por um time, só mesmo os novatos e os reservas. O que esses caras querem é a luxúria (em todos os sentidos da palavra). A mesma luxúria em que vivem os artistas, ou melhor, as celebridades. Hoje em dia temos as tais “celebridades”, que vai do jogador de futebol, passando pelos artistas de tv, duplas sertanejas, funkeiros e rappers, novos ricos, políticos e indo até aquela boazuda que participou do BBB e agora posa nua na Playboy. É, meus amigos, o mundo está mudado!
Bom exemplo de uma época de ouro está aqui neste disco. Eu nem tinha nascido, mas nem precisa para saber que, nesse sentido, o mundo era bem melhor. Este disco celebra o primeiro campeonato mundial ganhado pelo Brasil. Um time de craques formado por autênticos brasileiros. Temos no lp os registros dos melhores momentos do time brasileiro em todas as fases, culminando na final contra a Suécia por 5 a 2. O disco apresenta trechos originais das transmissões feitas pelas emissoras Pan Americana de São Paulo e Continental do Rio, nas vozes dos radialistas esportivos Geraldo José de Almeida e Waldir Amaral. No álbum temos também dois temas musicais sem os créditos publicados. Eu infelizmente não consegui localizar nem título e nem autor. Seja como for… viva o Brasil!

abertura musical
oitavas e quartas de final
semi final e final
final musical – o brasil é campeão

JK E Grupo De Seresta De Diamantina – JK Em Serenata (1967)

Estou impressionado com o número de solicitações que em pouco mais de 24 horas eu recebi. Realmente percebo o quanto temos de gente ligada no blog Toque Musical. Considerando que a média de acessos por aqui é por volta de 500, acredito que ainda receberei muitos pedidos de inclusão. Minha dúvida ainda persiste quanto ao número de participantes em um blog privado. Se alguém mais inteirado dos recursos de blog puder me dar um dica, pois devo confessar, sou bem limitado nesse assunto. Como eu já havia dito, não acharia nada legal levar nossos encontros para o privado (se minha mulher souber disso… hehehe…). Mas sério mesmo, minha preocupação é quanto ao acesso. Gostaria de criar um sistema onde, mesmo sendo um grupo fechado, tivesse uma visibilidade para aqueles que por ventura quisessem futuramente participar. Algo como os grupos de discussão. Será que conseguiremos algo assim? Por enquanto, o que posso fazer é pegar o contato de cada um, prevendo uma possível tempestade pela frente. Tomara que não venha nunca. Conto com a colaboração de quem puder dar.
Seguindo enfrente com nossas postagens fonográficas e ainda na onda das curiosidades, tenho aqui um disco e tanto. Este álbum de seresta, que na época de seu lançamento fez um baita sucesso. Um disco com um dos mais populares presidentes do país, Jucelino Kubitschek ao lado do Grupo de Seresta de Diamantina.
Como deve ser do conhecimento de todos, JK era mineiro de Diamantina e como um bom diamantinense, um amante da seresta. Embora fosse chamado de “Presidente Bossa Nova”, seu negócio mesmo era a seresta. Segundo contam, ele só não suportava mais ouvir o tal de “Peixe Vivo”, pois em todo lugar que ia, alguém cantava essa música seresteira. Virou sem querer o tema de JK.
Mas quanto ao disco, este feito memorável, e porque não dizer histórico, foi registrado em 1967 em Belo Horizonte, pela Bemol. Conforme Dirceu Cheib, engenheiro de som, pioneiro em Minas Gerais e dono da Bemol, *…logo no primeiro ano de atividade do estúdio em 67 , nos conseguimos trazer o presidente Juscelino Kubitschek. Ele sabendo da gravação do disco “Diamantina em Serenata”, logo se prontificou em fazer a abertura e redigiu um pequeno texto de improviso. O disco teve uma repercussão nacional, porque naquela época, mais do que hoje o JK era um grande ídolo.
O fato é que no ano seguinte, com a vinda do AI-5 o álbum acabou sendo recolhido (sem motivo aparente, além da figura de JK) e o pessoal da Bemol foi parar na Polícia Federal. O disco caiu no esquecimento, pondo fim ao que seria o primeiro grande sucesso da gravadora. Hoje, apenas alguns poucos colecionadores possuem este disco. Uma raridade!

mensagem de jk
recorda-te de mim
é a ti flor do céu
meiga virgem
a sempre viva
varrer-te da memória
elvira escuta
impossível
pout pourri (folclore)


Disco X – Curiosas Raridades Fonográficas (2009)

Entre as diversas curiosidades fonográficas, tenho aqui uma “cabeluda”. Quer dizer, um velho disco sem nome e sem autor, com um conteúdo musical inusitado (para a época). Trata-se de um disco artesanal de alumínio, sem capa ou selo, gravado, provavelmente no final dos anos 50 ou início dos anos 60. A bolacha traz em suas faixas algumas paródias, que seriam de mal gosto, se não fossem nessa altura algo tão curioso. A qualidade do som é precária, mesmo depois de alguns tratamentos. Recuperamos o que foi possível. Mesmo assim, vale a pena conhecer. Saber que em outras épocas o besteirol e a baixaria já corriam soltos nos estúdios de gravação. Hoje, talvez, acostumados a ouvir publicamente esses ultrajantes raps e funks, para a maioria das pessoas isso será café pequeno. Taí uma postagem que merece comentários…
*Como também não há os títulos das faixas, resolvi eu mesmo nomeá-las 🙂

poema da sacanagem (do mundo nada se leva)
o pinico
se trepar com a minha filha…
nêgo
espalha merda
canção das mulheres
se o destino lhe der um limão
valsa de uma cidade