Grupo Capote – No Forrock (1972)

Boa tarde, meus prezados amigos cultos e ocultos! Na semana passada recebi de um amigo este disco do Grupo Capote. Segundo ele, o lp é um presente pelo aniversário de 13 anos do Toque Musical. Por acaso, este disco eu já havia postado logo nos primeiros anos do blog. Mas eu não deixaria de postá-lo novamente, tanto pelo presente, quanto pela primeira postagem, que como boa parte das publicações iniciais eram mesmo vergonhosas. Então, mais um bom motivo para trazer de volta…
Temos assim o Grupo Capote, liderado pelo baiano Odair Cabeça de Poeta. Este lp, “Grupo Capote no Forrock” foi o primeiro disco, lançado em 1972 pelo selo Continental. Por certo e para mim, o melhor disco deles. Já cheguei a postar aqui outros trabalhos desse grupo, inclusive disco solo do Odair, que há tempos abandonou a vida de artista para ser dono de pousada e também provedor de internet (vejam vocês). Mas, enfim, segue aqui esse discaço que tem além de músicas próprias, “Eu disse que disse”, de Tom Zé. “Fiz uma viagem”, de Dorival Caymmi e a engraçadíssima “Tu tá comendo vrido”, de Gordurinha. Mas a música que mais se destaca é “A feira” que até hoje sempre é lembrada por conta do trocadilho ‘feira da fruta’.

xeque mate
bomlero
carolina vai carolina vem
paulada no coqueiro
a feira
forrock
fiz uma vagem
tu tá comendo vrido
eu disse que disse
minha calma espiritual imediata

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Agostinho Dos Santos (1969)

Boa tarde, caríssimos amigos cultos e ocultos! Quando acontece algum imprevisto e eu me vejo sem condições para preparar uma nova postagem, eu recorro aos meus velhos e bons ‘discos de gaveta’, aqueles que são como notícias de jornal prontas para cobrir alguma lacuna. E nesses últimos dias eu acabei deixando as publicações de lado. No momento estou sozinho na empreitada e nem nosso bom amigo Samuca eu quis amolar. Daí, atrasamos o diário e para corrigir, as vezes, só postando o que já está pronto. Assim, hoje temos a presença do Agostinho dos Santos, artista que mais uma vez nos honra com sua arte. O disco em questão é um lançamento do selo Continental, de 1969. Eu tinha para mim que este lp era na verdade uma coletânea, pois geralmente nesses casos os discos não trazem informações técnicas. Mas segundo fontes confiáveis, por este selo ele gravou dois discos, este de 69 e outro lançado em 73, talvez por conta de sua morte, em julho desse mesmo ano. Neste lp de 1969, como podemos ver na foto da contracapa, ele interpreta um repertório bem interessante, onde cabem músicas nacionais e internacionais, todas bem conhecidas do público. Vale a pena conferir no GTM…

aquarela do brasil
na baixa do sapateiro
hava nagila
saint louis blues
o sole mio
quereme mucho
un jour tu verrás
hymne a l’amour
douce france
samba de orfeu
night and day
a felicidade
besame mucho
sá marina
manhã de carnaval


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Jorginho Pessanha – Tô Muito Na Minha (1971)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Começando bem a semana, vamos seguir no samba. Ontem foi Jamelão, hoje temos Jorginho Pessanha, sambista, compositor e cantor. Célebre integrante a Ala dos Compositores da Escola Império Serrano. Segundo informações do Dicionário Cravo Albin da MPB, Jorginho Pessanha se destaca a partir dos anos 60, como compositor. Fez parte da delegação brasileira que se apresentou num festival de arte, em Dakar, no Senegal. Integrou o grupo de músicos que acompanhavam Clementina de Jesus, Ataulfo Alves, Heitor dos Prazeres e outros. Infelizmente, pelo Google há muito pouca informação sobre o artista e até mesmo no Cravo Albin essas são superficiais e incompletas. Este disco, por exemplo, “Tô muito na minha”, embora tenhamos fotos da capa e até as músicas no Youtube, não consta lá em sua discografia. Aliás, até onde eu pesquisei, Jorginho Pessanha gravou somente uns três ou quatro discos, incluindo este que estamos apresentando. Não deixem de conferir no GTM…

a sorte mudou
há quem diga
nem meu amor
mulata
hoje não
romance de amor
é isso aí moço
mundo de madeira
que samba é esse
a história do zé
tem que ter tamborim
ex amor

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#ToqueMusicall

Jamelão (1971)

Boa noite de domingo, amigos cultos e ocultos! Olha aí, mais uma vez temos a honra de apresentar aqui um disco do grande Jamelão. Figura emblemática do Carnaval carioca e mais exatamente Mangueira, a qual ele pertenceu, sendo o intérprete oficial da Escola, de 1949 até 2006. Embora não gostasse de ser chamado de puxador de escola de samba, ele foi o maior cantor da ‘linha de frente’ de todos os tempos. Gravou muitos discos e entre esses temos aqui um lp de 1971, lançado pela Continental, trazendo doze sambas românticos, composições de João Roberto Kelly, José Bispo, Jair Amorim, Lúcio Cardin e outros. Confiram no GTM…

êta dor de cotovelo
meu sincero amor
marido e mulher
é triste um homem gostar
a mão de deus
foi ela
suas amigas
waldemar errou
sempre teu
vai minha amada
pressentimento
um dia tu hás de pagar

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Carlos José – A Poesia De Caymmi Na Voz De Carlos José (1963)

Boa tarde, meus caros amigos cultos e ocultos. Do jeito que as coisas andam, logo vou acabar mudando o nome do blog para Obtuário Musical. Desculpe a ironia, mas de uns tempos para cá tem morrido muitos artistas da música. Penso que não apenas por conta do Coronavírus, da pandemia, mas também e até mesmo pela idade. Afinal, a músicos brasileiros oriundos da verdadeira era fonográfica, a era do disco, estão naturalmente e aos poucos indo embora. Hoje, infelizmente, perdemos Carlos José, vítima do Covid-19, aos 85 anos. O cantor paulista fez muito sucesso no início dos anos 60 e era considerado “o último seresteiro”. Iniciou carreira nos anos 50 e ainda hoje, nos dias atuais se mantinha atuante. Seu último disco, “Musa das Canções” saiu em 2014. Segundo contam, atualmente, estava preparando um novo trabalho em estúdio.
Para homenageá-lo estamos trazendo aqui este belíssimo disco gravado por ele para o selo Continental, em 1963. Não é preciso dizer muito, o próprio título já define bem seu conteúdo, uma seleção de músicas de Dorival Caymmi. Um disco, sem dúvida, impecável, que merece mais que nunca estar no rol das publicações do nosso Toque Musical. Confiram no GTM…
 
acalanto
saudades de itapoã
marina
a lenda do abaeté
nunca mais
a jangada voltou só
vestido de bolero
é doce morrer no mar
não tem solução
o bem do mar
a vizinha do lado
requebre que eu dou um doce
 
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Pery Ribeiro E Luiz Eça – Prá Tanto Viver (1985)

Bom dia, prezados amigos cultos e ocultos! Temos para hoje um disco bem intimista gravado em 1985 por Pery Ribeiro e Luiz Eça. Um trabalho de releitura de alguns clássicos do período Bossa Nova e também outras músicas desse mesmo universo. Certamente o mesmo tipo de repertório que os dois apresentavam em casas noturnas, tipo o Horse’s Neck Bar, do Rio Palace Hotel naqueles anos 80, com piano e voz. Aqui eles seguem essa mesma linha, no entanto em algumas faixas também contem com o contrabaixo de Luiz Alves, a bateria de Wilson das Neves, Carlos Bala e Robertinho Silva, o violão de José Carlos e Rafael Rabello. A faixa que dá nome ao disco, “Pra tanto Viver”, é uma música de autoria de Pery Ribeiro. Disco bacana, que merece o nosso toque musical. Confiram no GTM…

por causa de você
chega de saudade
indecisão
curare
nossas vidas
valsinha
pare de me arranhar
amargura
pra tanto viver
de onde vens
oferenda
canção que morre no ar

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Rago – Jamais Te Esquecerei (1957)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje trazemos o primeiro LP, em dez polegadas, de um dos maiores violonistas que o Brasil já teve: Antônio Rago. Ele nasceu em São Paulo, no dia 2 de julho de 1916, filho de imigrantes italianos. Desde criança interessou-se por música. Começou a tocar violão aos 14 anos e, em 1933, iniciou seus estudos de violão clássico com o professor Melo. Em 1936, começou sua carreira artística fazendo parte do regional de Armandinho, com o qual, e mais Zezinho, mais tarde conhecido como Zé Carioca, formou o trio de violões. Atuou com sucesso na Rádio Record e também na Rádio Belgrano de Buenos Aires, acompanhando o cantor Arnaldo Pescuma em excursão que se estendeu até o Uruguai. Em 1937, retornou ao Brasil e foi trabalhar na recém-inaugurada PRG-2, Rádio Tupi de São Paulo, com Zezinho e seu conjunto. Ao longo dos anos, acompanhou artistas como Sílvio Caldas, Francisco Alves e Aracy de Almeida. Gravou seu primeiro disco em 1943, época em que passou a dirigir o regional da Tupi, interpretando ao violão duas composições de sua autoria, o choro “Chorando” e a valsa “Velhos tempos”. Em 1947, passou a ter o próprio regional, que, em 1950, recebeu o Troféu Roquette Pinto como melhor daquele ano. Em 1952, ingressou na Rádio Nacional de São Paulo, hoje Globo. Em meados dos anos 1960, quando seu regional perdeu força, passou a produzir programas de rádio em diversas cidades paulistas, entre as quais Santos e Campinas. Como compositor, teve mais de 400 músicas gravadas, e foi ainda um dos responsáveis pela introdução do violão elétrico no Brasil. Antônio Rago faleceu em 24 de janeiro de 2008, em sua São Paulo natal, aos 91 anos de idade. Neste LP, lançado pela Continental em 1957, estão oito de suas composições mais expressivas, entre elas a faixa-título, “Jamais te esquecerei”, um bolero lançado originalmente em 1947 e que permaneceu por cerca de um ano nas paradas de sucesso, tornando-se fenômeno de popularidade. Tem ainda “O Barão na dança”, “Folinha”, “Mambo na Glória”, “Festa portuguesa”, “Encantamento”, “Mentiroso” e “Em tuas mãos”, em uma seleção que vale a pena ouvir. Portanto, este é mais um trabalho que merece o nosso Toque Musical. Não deixem de conferir no GTM.

jamais te esquecerei
folinha
mentiroso
mambo da glória
em tuas mãos
o barão da dança
festa portuguesa
encantamento




*Texto de Samuel Machado Filho 

Zé Ketti – Identificação (1979)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje tenho o prazer de trazer até vocês (outro náufrago) o álbum “Identificação”, do grande compositor Zé Ketti, lançado em 1979 pela Continental. Disco bacana, a começar pela capa que reproduz sua carteira de identidade. Produzido por Wilson Miranda, o disco traz 10 faixas, todas autorais. Composições em sua maioria inéditas, mas também há espaço para um de seus maiores clássicos, a marchinha carnavalesca “Máscara Negra”, lançada originalmente por Dalva de Oliveira. Taí, mais um disco que merecia constar em nosso acervo. Confiram no GTM.

tamborim
você não foi legal
feijão malandrinho
companheira
último momento
máscara negra
eu vou pra bahia
você não está com nada
meus cabelos brancos
linhas cruzadas
 

Ruy Rey E Sua Orquestra – Ritmos Latino Americanos (1957)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Oportunamente, estou trazendo aqui discos que muito nos interessam e que foram postados em outros blogs que hoje já não existem mais. É o caso do Sintonia Musikal e Sanduiche Musical, do amigo Chico, que desanimado com este trabalho sem retorno, acabou abandonando o barco. Como um dos poucos que ainda sobraram nesse mar de afogados, nós do Toque Musical estamos recolhendo os sobreviventes, no caso os seus discos.
Entre tantos, temos um aqui bacana, “Ritmos Latino-Americanos, com Ruy Rey e Sua Orquestra. Este, me parece, foi seu primeiro disco em 33 rpm, lançado em 1957. Por certo, antes disso ele já havia participado de outros discos e gravações, inclusive aqui no Toque Musical temos ele na coletânea Grand Record Brazil e outras lançadas na década de 50. Neste lp de 12 polegadas temos o interprete num repertório para fazer frente a qualquer grande orquestra latino-americana. Apresentando doze temas clássicos entre boleros, sambas, mambos e cha-cha-cha. Sem dúvida, um dos grandes nomes dos anos 40 e 50 da música brasileira e porque não dizer, da latino-americana. Confiram já no GTM, pois esse náufrago, uma hora volta para o porto.

macarena
camino verde
sabiá de mangueira
negra açucarera
todo mundo quer dinheiro
no dejes para mañana
fantasia em mambo
donde quiera que tu vayas
star dust
faz quase um ano
mambo sevilhano
dansa do sabre

 

Paulinho Nogueira – Violão E Samba (1979)

Olá! Quando eu comentei que esta seria uma semana sortida, foi muito em função do meu tempo para as postagens. Só mesmo quem tem um blog de música pode saber como isso dá trabalho e toma tempo da gente. Por isso, a razão do sortido (como se já não fosse) é que neste mês estou tendo que recorrer aos ‘arquivos de gaveta’ e alguns pré-prontos já agendados.
Hoje temos aqui e novamente o violonista Paulinho Nogueira, figura que dá um bom ‘ibope’ e resgata a credibilidade de qualquer blog. Não que o Toque Musical esteja precisando, pois variedades musicais e fonográficas foi sempre a nossa meta.
Segue assim este álbum de Paulinho, originalmente lançado em 1973 pela Continental e relançado seis anos depois pela mesma gravadora, mas com o selo Phonodisc. “Violão e Samba” é realmente uma joia instrumental. Um lp com um repertório fino de sambas bem conhecidos de todos nós. Tem, além de duas únicas composições próprias, Vinícius, Toquinho, Pixinguinha, Sérgio Ricardo, Chico Buarque, Fernando Lôbo, Tom e outros mais… Joia, joia, joia…

lamentos
mais um adeus
desespero
chuvas de verão
jogo de xadrez
rosa dos ventos
águas de março
zelão
da cor do pecado
a mesma rosa amarela
tímido
eu sei que vou te amar